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Paulo Tafner, economista e presidente do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social, faz críticas ao modelo atual de pagamento do abono salarial e diz que o benefício é "desperdício de recurso público".

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Transcrição
00:00Agora, não só a alfabetização é ruim, mas nós temos um outro problema muito sério,
00:04que você sabe muito bem, que é a grande evasão escolar no ensino médio.
00:08Hoje nós temos 46% dos jovens abandonando o ensino médio antes da conclusão.
00:13Aí também nós vamos ter que começar com a educação profissionalizante,
00:17ensino técnico, mais para poder manter esses jovens na escola.
00:21O Brasil é um país muito curioso.
00:24Em geral, nós somos um país de gente pouco letrada.
00:34As pessoas leem muito pouco, basta ver o que é o mercado editorial no Brasil.
00:41As pessoas se informam muito pouco, mas nós criamos no Brasil uma cultura de ensino enciclopédico.
00:52Então tem que fazer universidade, tem que fazer...
00:57E ninguém se preocupou em dotar as crianças e jovens de instrumentos, de ferramentas adequadas
01:05para a compreensão e resolução de problemas e para o mundo do trabalho.
01:11Está certo?
01:12Então você cria pessoas que são não apenas analfabetos funcionais,
01:19como são trabalhadores disfuncionais.
01:24Os trabalhadores não têm domínio sobre o ofício que eles exercem.
01:31Pega quantos mecânicos nesse país têm domínio técnico do trabalho que eles fazem.
01:37Muito pouco.
01:37Quantos eletricistas?
01:41Entendeu?
01:41E aí mundo afora.
01:43Isso faz com que a renda dessas pessoas ao longo da vida seja muito restrita.
01:52Seja muito restrita.
01:53Agora, Paulo, no fundo, por trás de tudo isso, tem uma ideia de um nacional estatismo.
02:00E isso traz esse assistencialismo do Estado que, na verdade, faz com que nós percamos a noção disso.
02:08Primeiro, no senso de urgência das reformas que nós temos que fazer, que competição é saudável,
02:14concorrência saudável é importante.
02:16Então, será que nós vamos conseguir fazer essa mudança cultural?
02:20Porque a impressão que eu tenho é que vem uma nova geração, e você trabalha bastante com estados e municípios,
02:27de jovens gestores que têm essa cabeça de política baseada em dado e em evidência.
02:32Então você acha que é uma mudança geracional que vai fazer essa transformação?
02:36Os jovens gestores estão cada vez mais empenhados em definirem políticas públicas baseadas em evidência.
02:45E há alguns trabalhos, inclusive acadêmicos, que mostram que boas evidências impactam na decisão do político gestor,
02:55ou seja, do prefeito, do governador.
02:57Então, é necessário que os gestores técnicos levem aos prefeitos, aos governadores,
03:04critérios e proposições técnicas baseadas em evidências.
03:09Então, à medida que isso aumentar, deve ser crescente a adoção de políticas por parte do político,
03:18sejam mais aderentes a esse princípio.
03:20Normalmente, às vezes, ah, o prefeito...
03:25Ah, o prefeito se vê diante de uma situação, normalmente é assim, tem que apagar um incêndio.
03:30Aparece uma proposta lá que, ah, resolve, ainda que tenha um monte de efeito colateral negativo, aquele problema.
03:38Ele faz.
03:39Eu não acredito que exista um prefeito que queira o mal do seu povo.
03:45Esse é um psicopata.
03:46Pode ter um...
03:47O prefeito, o governador, que é o bem do seu povo, tá certo?
03:52O que ele...
03:53Ele é mal orientado.
03:56Mal orientado.
03:57Nós fomos fazendo política pública sem nenhum critério, sem nenhuma racionalidade.
04:05E como tinha ainda muita gordura para queimar, ou seja, muita expansão fiscal,
04:10a gente foi gastando dinheiro atrás de dinheiro com política sem testar se funciona, se não funciona.
04:15O fato é que hoje você tem no Brasil um monte de programas que transferem renda, que tem subsídios.
04:24E nada disso foi avaliado se funciona, se dá certo, se é positivo, se o saldo é positivo, se é negativo, se não é nada.
04:31Veja só, nós temos...
04:33Foi criado o abono salarial muitos anos atrás.
04:38Já está mais do que demonstrado que o abono salarial é um desperdício de recursos e é mal focalizado.
04:46É mal focalizado.
04:48Mas gasta-se uma baba com esse recurso e passa governo, entra governo, entra, sai governo e ninguém mexe nisso.
04:58Aliás, na proposta lá de 2018, 2019, a gente propunha acabar com o abono salarial.
05:05E assim tem vários, tem vários programas, tá certo?
05:08Que tem que ser redesenhados para que a gestão pública possa ser mais eficiente e se concentrar naqueles setores de atividades que são tarefa típica de Estado.
05:24Por exemplo, prover uma boa educação, tá certo?
05:27Agora, eu te confesso que existem forças políticas poderosas, por outro lado, que têm uma visão muito antiquada, muito estatizante do processo de desenvolvimento econômico do Brasil.
05:50Eu costumo dizer, já falei isso, a respeito de alguns políticos, inclusive o nosso presidente da república, que ele quer o bem para o país.
06:04Imagina, todo presidente quer.
06:06Mas ele é um político que tem a cabeça de ontem pensando anteontem.
06:13Entendeu?
06:14Não dá certo.
06:16Não dá certo.
06:17Não funciona mais.
06:19Entendeu?
06:20É o cara que está pensando em pegar a televisão com aquele botãozinho de seletor de canais, quando você tem hoje o controle remoto e daqui a pouco vai ser por voz.
06:34Aquela solução não funciona mais.
06:37Então, mas isso não é exclusivo dele, não.
06:41Tem muitos políticos que pensam assim, que acham que o Estado tem as proeminências.
06:46O Estado não é aqui, em qualquer lugar do mundo.
06:51O Estado é aquele estorvo aceitável.
06:55Está certo?
06:55A gente aceita o Estado exatamente para não ter a barbárie.
06:59Mas nada além disso.
07:01Quando o Estado começa a se meter demais na vida das pessoas, querer conduzir a economia, querer determinar o que você deve ou não deve fazer,
07:13o que a gente vê é, digamos assim, a ascensão de dois processos.
07:18A ruína econômica e as ditaduras.
07:23É isso aí.
07:25Lamentavelmente, eu acho que nós estamos numa encruzilhada para o país.
07:28Agora, o Brasil só faz grandes reformas quando está nesta encruzilhada ou à beira do precipício ou vivendo uma crise eminente.
07:36Foi assim com o Plano Real e provavelmente vai ser assim a partir de 2017.
07:41Ou seja, de 2027.
07:43Em 2027 vai ser isso, porque nós estamos à beira.
07:46Já está anunciada a crise fiscal em 2027.
07:48Até o ministro falou.
07:49Até o ministro reconhece.
07:51Então, nós vamos ter um presidente que vai ter que tomar essas atitudes impopulares.
07:56Você acha que aí, se houver um presidente da República com essa disposição, ele tem que tomar essas decisões logo no primeiro mês de mandato?
08:06Porque senão ele vai perdendo essa aderência do Congresso Nacional.
08:10Sim.
08:10E como reverter medidas absurdas que estão sendo tomadas agora?
08:14Por exemplo, estão passando uma PEC para legalizar o calote do precatório.
08:18É um negócio, assim, inacreditável.
08:21É.
08:21Veja, nós vamos ter que remar muito para corrigir erros e defeitos que foram sendo criados nos últimos anos.
08:30Mas eu não estou convencido que, mesmo diante da iminência de um risco, entre aspas, catastrófico,
08:39ou um risco muito severo, qualquer que seja o presidente, ele vai tomar medidas para sanear o problema.
08:50O que eu vejo na história dos países é que, mesmo diante dessas situações,
08:59alguns governantes optaram pela mediocridade e, obviamente, aderiram naquele roteiro que eu te falei.
09:08A decadência econômica e uma ditadura, um autoritarismo muito profundo.
09:14Então, eu não estou convencido que todo e qualquer presidente eleito no Brasil vá fazer isso, não.
09:19Alguns acreditaram, de boa índole, de bom coração, de bons princípios,
09:28que o Lula 3 seria um governo fiscalmente responsável.
09:33O resultado está aí.
09:35Ele só não está pior porque houve enorme aumento da carga tributária.
09:41Eu acho até estranho que o setor empresarial brasileiro tenha aceitado isso.
09:46Um enorme aumento da carga tributária.
09:51E mais, sendo chamado de bandido e ladrão.
09:54Então, eu fico espantado como é que as pessoas apanham na cara e ainda depositam alguma crença.
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