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Paulo Tafner, economista e presidente do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social, avalia o sistema previdenciário de capitalização como alternativa ao atual modelo de arrecadação brasileiro e por que as discussões sobre o tema não avançaram no país.

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Transcrição
00:00Aliás, esse modelo da repartição, como você bem colocou,
00:03isso foi inventado pelo Bismarck ainda lá no século XIX.
00:06Exatamente.
00:06E tinha a ver com uma época que a população de jovens era sempre muito maior que a de idosos.
00:11Exatamente.
00:11Agora, na hora que a demografia conspira contra nós,
00:15e nós vamos ter muito mais idosos do que jovens,
00:17o modelo de repartição não para em pé.
00:19Exato.
00:20E aí nós temos que mudar para o modelo de capitalização.
00:23Explica para as pessoas o que é o modelo de capitalização,
00:25porque a ideia que tem é que capitalização é um negócio que vai custar no meu bolso
00:32e no dia que eu me aposentar não vou ter dinheiro.
00:34Explica um pouco para as pessoas.
00:35Não, veja só.
00:37A capitalização, a ideia principal é que você não vai fazer poupança para financiar outras pessoas.
00:47Você vai financiar poupança para financiar você mesmo,
00:51quando você lá no futuro ficar idoso.
00:54Quando você não tiver mais condições de auferir renda pelo seu trabalho.
00:59Então, é um esforço de poupança ao longo de uma vida.
01:03Isso é aplicado num fundo.
01:06Esse fundo rende um pouco mais, um pouco menos.
01:10Tem que ser regulado, tem que ser muito bem administrado, obviamente.
01:15Mas isso faz com que você possa planejar a sua aposentadoria.
01:22Da pessoa pobre à pessoa rica, isso poderá ser feito.
01:26E veja, é óbvio que há situações em que será necessário,
01:30para que aquela camada da população extremamente vulnerável,
01:34será necessário a sociedade aportar algum recurso para constituir poupança.
01:39Isso já existe.
01:41Então, não há problema nenhum para que tenha uma garantia de uma renda mínima quando ficar idoso.
01:48E, feita essa garantia, dali para cima, você vai receber segundo o seu esforço de poupança.
01:55Está certo?
01:55Isso é muito criticado, digamos assim, pela experiência chilena,
02:02que foi a primeira grande experiência de capitalização no mundo.
02:06Uma coisa inovadora, extremamente revolucionária,
02:12mas que padecia de alguns males.
02:14O modelo chileno era o modelo do império do indivíduo.
02:22Cada indivíduo era dotado, supostamente, de capacidade para planejar a sua aposentadoria.
02:31Os estudos posteriores mostraram que isso não ocorre.
02:36O jovem, por exemplo, ele tem viés de curto prazo.
02:40Ele acha que ele é imortal, que a aposentadoria é uma coisa muito distante, que ele nem está aí.
02:46Enfim, então você cria problemas quando você cria um sistema
02:51em que o cidadão é que vai cuidar da sua aposentadoria.
02:56Quero dizer com isso o seguinte, Davi.
02:59No modelo chileno, cada indivíduo escolhia quanto ia poupar
03:05quando ia poupar, de que forma ia fazer a sua programação.
03:12Então, veja, se não for um depósito compulsório, o cara tem aniversário da filha.
03:17Vai gastar dinheiro.
03:18Esse mês eu não vou poupar, mas no mês que vem é o Natal.
03:21Também não poupa, mas depois tem as férias das crianças.
03:24Então, você não poupa.
03:25Então, a incidência contributiva no Chile era de quatro meses a cada ano.
03:31Você não constitui poupança.
03:33Entendi.
03:33Então, o que aconteceu?
03:34O tempo passou e você viu os idosos recebendo muito pouco.
03:38Não é porque tivesse alguma safadeza no sistema.
03:42Nada.
03:43É porque o sistema era feito imaginando que as pessoas tivessem, digamos,
03:48essa racionalidade econômica e disciplina de faça-sulva ou faça-sol,
03:53ele todo mês fazia sua poupança.
03:55Isso não ocorre.
03:56A segunda coisa que tinha no sistema, esse lendo, que eu acho que não é muito praticável no Brasil,
04:02é que não tinha contribuição patronal para a Previdência.
04:07E eu acho que temos que ter no Brasil.
04:10Então, tem que ter uma contribuição patronal para auxiliar, constituir um fundo razoável
04:15para garantir a aposentadoria dos indivíduos.
04:18Muito corretamente, a gente já está desenhando coisas no sentido de reduzir o custo também do trabalho.
04:31Ou seja, é uma espécie de FGTS, mas só que quem administra é a pessoa que vai escolher
04:36onde ela quer aplicar o dinheiro e não é o Estado.
04:38Sim, sim, sim, exatamente.
04:40É exatamente um FGTS, que você só pode tirar quando se aposentar, tem isso também, não tem...
04:47Ah, vou comprar casa.
04:49Não interessa, aquela poupança não é para casa.
04:52Você administra, você tem informação mensal do...
04:55Um extrato bancário, não precisa ser físico, na internet você vai e vê quanto você tem.
05:01Muito bem.
05:02E você pode fazer migração de um fundo para outro.
05:05A nossa proposta é que isso seja feito anualmente.
05:09Não dá para todo mês trocar de fundo.
05:11Mas seja feito anualmente e você escolha um gestor.
05:17De modo que ele poderá constituir essa poupança ao longo de uma vida inteira de trabalho,
05:25com aportes também do empregador, entendeu?
05:28Isso faz com que o volume de recursos aportados seja suficiente
05:33para que ele possa usufruir de uma aposentadoria decente.
05:37Então, é isso que nós temos que fazer, desenhar.
05:40Não é fácil, porque ao criar a capitalização,
05:45você retira recursos do depósito para manter o passivo da repartição.
05:52Então, tem uma engenharia financeira e temporal a ser feita
05:58para implementar um modelo de capitalização no Brasil.
06:02Normalmente, as pessoas se referem a isso como custo de transição.
06:08Ele é alto.
06:09Eu não gosto desse nome, mas, enfim, é o custo de transição.
06:12E ele é muito alto, dependendo da forma que você for fazer a capitalização.
06:17Lá em 2019, 2018,
06:21quando nós apresentamos uma proposta com Armínio Fraga e outros pesquisadores,
06:26uma proposta que ficou conhecida como Armínio Tafner,
06:28nós tínhamos lá a capitalização.
06:31Era uma capitalização que era implementada, então,
06:35formalmente em 2019,
06:37só entraria em vigor em 2030.
06:40Até lá, a gente ia preparando os mecanismos
06:44para reduzir esse custo de transição
06:46e entrariam os primeiros jovens,
06:49seriam aqueles nascidos a partir de 2014.
06:52Então, só para esse grupo começaria a capitalização.
06:57Você ia ter uma perda de arrecadação,
07:00mas não nos primeiros anos,
07:01porque a capitalização se aplica a um valor maior
07:06do que o salário mínimo.
07:07Então, você teria muito pouca perda de arrecadação nos primeiros anos.
07:12Mas, ao mesmo tempo,
07:13era um tempo suficiente para que
07:15o custo do sistema antigo começasse a reduzir.
07:19De modo que, no futuro,
07:21a gente poderia reduzir as alíquotas de contribuição patronal,
07:25que é uma demanda legítima,
07:26correta, do setor empresarial,
07:28porque é muito caro contratar gente no Brasil.
07:31Só de custo previdenciário é 20% da folha.
07:34É verdade.
07:35Agora, Paulo,
07:36por que a história da capitalização
07:38foi logo bombardeada pela classe política?
07:41Por que a classe política
07:42vê esse negócio como um bicho papão?
07:44Veja, tem dois tipos de argumentos.
07:49Em 2019, chegou a ser apresentada a proposta de capitalização.
07:54Apesar da minha enorme admiração pelo ex-ministro Paulo Guedes,
07:59ele insistiu numa posição que, de certa forma,
08:02inviabilizou o andamento disso.
08:06Ele não queria contribuição patronal.
08:09Ele não aceitava isso.
08:11Isso tornou inviável no mundo político
08:13a continuidade da discussão.
08:15Esse é o primeiro ponto.
08:17O segundo ponto é que...
08:19Ou seja, ele só deixava o trabalhador pagar
08:21e não tinha o empresário,
08:22e isso tornou-se impopular no meio político.
08:24Exatamente.
08:25Os políticos disseram, não, não é possível.
08:27O empregador tem que pôr alguma coisa nessa poupança.
08:31Eu acho que tem que pôr mesmo.
08:33Não os 20%, que é muito caro.
08:35Mas nós vimos, já simulamos,
08:37que um sistema de capitalização em equilíbrio,
08:41a alíquota do empregador vai ser de 8%.
08:44É menos da metade dos atuais 20%.
08:487,5% ou 8% você mantém o sistema em operação.
08:52Não agora.
08:54Passada a transição.
08:55É um horizonte maior,
08:57mas é possível ser feito.
08:59De modo que nós temos que convergir
09:01para uma postura e uma proposta nessa linha.
09:04Que tenha a participação do empregador
09:07e, ao mesmo tempo,
09:09tenha o compromisso de ir reduzindo as alíquotas
09:12em função do desempenho do sistema anterior,
09:16cujo déficit vai crescer um tempo
09:19e depois vai cair,
09:20porque esse sistema vai morrendo.
09:24Ninguém mais entra nele.
09:25Então, só falta o estoque.
09:27Tem que limpar o estoque.
09:29Quanto tempo seria essa transição?
09:31Olha, a gente, em 2018,
09:34quando a gente desenhou isso,
09:35que começaria em 2030,
09:38a nossa projeção que,
09:40entre os anos 2050 e 2060,
09:46no meio disso, 54,
09:48já o sistema antigo estaria em extinção.
09:52Certo.
09:53Definitivo.
09:53Está certo?
09:54De modo que demora uns 20 anos, 25 anos
09:56para fazer essa transição
09:59sem pressionar demais as contas públicas.
10:01Sim.
10:01Certo?
10:03Porque senão você pressiona demais as contas públicas.
10:05Então, nós bolamos assim uma coisa.
10:08Em torno de 25 anos resolve o problema.
10:11Agora, eu já não sei se 25 anos são suficientes.
10:15Eu realmente não sei.
10:16Nós estamos avaliando o nosso sistema agora,
10:20porque ele piorou em relação ao que era antes,
10:23por conta exatamente desses aspectos que você mencionou.
10:26Em particular, nós tivemos o crescimento do salário mínimo
10:32em taxas reais expressivas,
10:35e vamos continuar tendo,
10:37ao que tudo indica,
10:39de modo que isso pressiona demais
10:41o equilíbrio do regime geral de previdência social.
10:46Obrigado.
10:47Obrigado.
10:48Obrigado.
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