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Em entrevista a Luiz Felipe d'Avila, o ex-ministro Maílson da Nóbrega analisa os dois maiores entraves para o crescimento do Brasil: instituições frágeis e um orçamento público engessado
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NotíciasTranscrição
00:00Entrevista com Dávila
00:05O maior entrave para o crescimento do país é o tamanho e o peso de um Estado grande, caro, ineficiente,
00:16que sufoca o setor privado, estrangula o Brasil que trabalha, empreende e produz,
00:21cobra a maior carga tributária entre os países emergentes e impõe uma absurda rigidez orçamentária
00:29que impede a alocação eficiente dos recursos públicos para atender as prioridades da sociedade.
00:36O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, é um arguto analista da dramática situação brasileira
00:42e insiste há anos que o Brasil precisa atacar dois problemas urgentes.
00:47O primeiro é a criação de instituições inclusivas, capazes de garantir a ordem, a liberdade,
00:53o bom funcionamento da economia de mercado, a estabilidade e a previsibilidade das regras do jogo.
01:00O segundo é uma drástica reforma do orçamento público.
01:04Ele precisa deixar de ser uma peça de ficção e se tornar o farol da alocação de recursos públicos
01:11e do rigor fiscal da parte do governo para se cumprir as metas e as limitações estabelecidas.
01:19O Brasil será capaz de enfrentar esses desafios e superar as amarras que nos impedem de crescer e prosperar?
01:28Esse é o tema da minha conversa com o ex-ministro da Fazenda e fundador da Tendências Consultoria, Maílson da Nóbrega.
01:34Ministro, que prazer recebê-lo aqui.
01:37Prazer meu, Felipe. Obrigado pelo convite.
01:40Ministro, vamos começar atacando esses dois problemas da abertura.
01:44Um que, aliás, o senhor já escreveu livros sobre isso, a importância das instituições.
01:49O Acemolo ganhou o Prêmio Nobel da Economia o ano passado,
01:52defendendo essa história da criação das instituições inclusivas.
01:56E nós ainda estamos muito aquém de atingir esse objetivo fundamental
02:01pra ser um pilar da estabilidade democrática no Brasil.
02:04O que nós temos de fazer?
02:06Olha, e antes dele teve o Douglas North, que também ganhou o Prêmio Nobel.
02:09É verdade.
02:10Olha, Felipe, até que a gente avançou em muitas áreas das instituições do Brasil.
02:15Nós temos hoje um judiciário independente, apesar desses questionamentos que a gente tem hoje.
02:21O manifesto que surgiu aí, eu e você assinamos, né?
02:24Apoiando o ministro Fachin para um código de conduta para os ministros supremos.
02:28Você tem um Banco Central independente.
02:30Você tem setores da sociedade, porque as instituições não são só as públicas, né?
02:38São as organizações do setor privado.
02:40Você tem agronegócio, por exemplo, coisa campeã, né?
02:45O setor mineral.
02:46O Brasil deixou pra trás os fatores que geravam grandes crises,
02:52que era a crise bancária, os bancos quebravam em cadeia, né?
02:57Isso gerava desaparecimento do capital de giro, as empresas quebravam junto, era um desastre.
03:01E balanço de pagamentos.
03:03Ou seja, o Brasil se tornava incapaz de pagar a sua dívida externa,
03:08isso tudo significava centralizar o câmbio, controle total das remesas.
03:13Era um horror, né?
03:14Você era jovem nessa época, não sei se eu ia falar.
03:17Eu me lembro.
03:18Mas eu vivi um pouco isso.
03:19Nós deixamos isso pra trás, né?
03:20Porque o Brasil tem hoje uma situação estável, superavitada de balanço de pagamentos, né?
03:26Nós temos reservas internacionais parecidas com as dívidas no exterior, né?
03:36Então, a crise no Brasil não virá nem de balanço de pagamentos, nem do sistema bancário.
03:44Ela virá de um colapso fiscal.
03:46E esse é o ponto que você acentuou aí, certo?
03:50Isso é um processo que vem, tem sua gênese na Constituição de 88, né?
03:56Na Constituição de 88, os constituintes elegeram dois temas centrais, na minha avaliação,
04:03eu vi de perto a elaboração da Constituição, ora como secretário-executivo do Ministério da Fazenda,
04:08ora como ministro da Fazenda.
04:10Ou seja, primeiro, criar as condições pra nunca mais haver um golpe de Estado no Brasil.
04:15Ou seja, a questão dos direitos e garantias individuais, a consolidação da democracia.
04:20E eu acho que a Constituição foi muito bem sucedida nisso aí.
04:23E no outro, o de resolver o problema da desigualdade, da pobreza, só que através de gasto público, né?
04:30O Brasil buscou criar um Estado de bem-estar social do tipo sueco, dinamarquês, norueguês, finlandês.
04:39E a gente não estava nessa idade ainda, não tinha esse dinheiro pra tanto, né?
04:43Então, isso tudo complicou muito a situação do Brasil.
04:48E isso foi adicionalmente complicado por ações dos governos subsequentes, né?
04:53Então, nós criamos uma vinculação a mais para a saúde, que foi um projeto do deputado José Serra.
05:00Ele se bateu por isso há muito tempo, né?
05:02Nós aumentamos tremendamente os gastos nos governos do PT.
05:07Até hoje, você vê, dia sim, dia do outro também, o Lula pensa na criação de mais um programa
05:14que tem o objetivo de, segundo ele, desigualdade, mas no fundo é aumentar a sua popularidade, certo?
05:21É uma coisa populista, como a gente sabe, né?
05:24E por isso, Felipe, esse é o ponto central que eu acho que eu devia enfatizar, que você tocou muito bem.
05:31A rigidez orçamentária.
05:33A rigidez orçamentária é produto de todo esse processo de 88 pra cá e da piora nos governos do PT, basicamente, né?
05:43O Brasil, este ano, tem no seu orçamento federal 96% dos gastos primários de natureza obrigatória
05:52em previdência, pessoal, saúde, educação, programas sociais.
05:59O Bolsa Família é um mandamento constitucional.
06:02E no governo do PT, ele criou um piso para investimentos, né?
06:04Imagina se um país pode funcionar bem se ele só dispõe de 4% do orçamento para financiar ações fundamentais
06:13para o desenvolvimento como ciência, tecnologia, cultura, o equipamento das forças armadas e tudo mais, né?
06:22E um amigo meu disse, olha, mas aí você tem que mudar o seu discurso.
06:26Porque desde 88 você fala que vai ter uma crise fiscal e ela nunca chega.
06:30E eu discordei dele. Primeiro que nós estamos em crise fiscal, certo?
06:34O fato de o país não ter a capacidade de definir prioridades como qualquer país, né?
06:41Anualmente pelo parlamento, isso é uma crise, né?
06:43Ou significa que o sistema não está funcionando.
06:46Na minha interpretação, quando o sistema não funciona, ele está em crise, né?
06:49O que se deve dizer?
06:52Essa crise vai se transformar num colapso, pode se transformar num colapso.
06:56Porque surgiram este ano três estudos de áreas de grande reputação, pessoas de grande conhecimento,
07:07que mostraram que esses 96% vão se tornar 100% em 2027.
07:14O primeiro estudo foi feito por dois consultores do Congresso.
07:19Um deles é o Paulo Birros, que foi secretário de Finanças do Ministério do Planejamento,
07:24com a ministra Simone Tebet.
07:26O segundo foi o próprio Ministério do Planejamento, fez esse estudo.
07:31E terceiro, a instituição fiscal independente.
07:34Então, o que é que eu estou dizendo para o meu amigo?
07:36No começo que eu comecei a falar, a gente não sabia quando ia acontecer a crise.
07:39Agora, marcou a data, certo?
07:41Então, digamos que não seja 27, seja 28, né?
07:45Mas nós não fugimos muito disso aí.
07:47E aí eu começo a ficar otimista.
07:49Por quê?
07:51Porque a experiência mundial, e particularmente a brasileira,
07:57mostra que as crises criam o ambiente para transformações estruturais.
08:03A crise cria, como vocês cientistas políticos chamam, o senso de urgência,
08:09em que a sociedade se mobiliza para aceitar o sacrifício das mudanças.
08:14Isso significa pressão sobre o parlamento para aprovar as medidas
08:18e ter uma condição sine qua para que isso funcione.
08:22Um líder com convicção de que isso é necessário.
08:26Daí porque, eu acho, se o Lula se eleger, não vai ter.
08:31Porque o Lula é contra as medidas que gerariam uma flexibilização
08:37que tornaria o orçamento brasileiro parecido com os nossos pares do mundo emergente.
08:42Ele tem que fazer uma reforma da Previdência
08:45que elimite distinção entre homem e mulher, rural e urbano, civil e militar.
08:51É preciso rever essa questão da vinculação de recursos à saúde.
08:56O Brasil é o único país que faz isso.
08:59Você que estuda isso mais do que eu,
09:02se você olhar a Revolução Gloriosa inglesa de 1688,
09:06aprovou um Bill of Rights, uma Carta de Direitos,
09:10que atribuiu ao parlamento a supremacia do poder
09:13e a função de aprovar anualmente o orçamento.
09:18Isso foi institucionalizado.
09:20E depois, todo mundo copiou a experiência britânica.
09:24Logo depois, a Revolução Francesa, a Revolução Americana.
09:27A Revolução Americana é um pouco antes,
09:28mas a Constituição Americana é depois da Revolução Francesa.
09:31Então, em todo mundo é assim.
09:34Aqui no Brasil não é.
09:35Aqui no Brasil, o Congresso se autocastra.
09:39Ele aprova essas medidas
09:41e aí as prioridades se tornam permanentes.
09:44Não é anual.
09:45E o meu pergunto,
09:47e se daqui a 100 anos,
09:48será que vai ser a educação o prioritário?
09:50Você tem que definir anualmente.
09:52Essa função mais nobre de um parlamento
09:55é definir prioridades.
09:57Então, está tudo definido.
09:59Vai acabar.
10:00E, finalmente,
10:03eu acho que nesse momento
10:05o Brasil vai repetir
10:08experiências bem-sucedidas
10:10de transformações estruturais
10:12que ocorreram de 1964 para cá.
10:15Eu identifico três grandes ciclos de reforma estrutural.
10:18O primeiro é do governo Castelo Branco.
10:22Campos e Bulhões.
10:23Campos e Bulhões.
10:25E, na verdade, por trás deles
10:27tinham um acordo,
10:30um movimento aqui em São Paulo,
10:32dos empresários de São Paulo,
10:34associados com patentes militares,
10:36que obtiveram a adesão de empresários do Rio de Janeiro.
10:39E eles fundaram o Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais.
10:43Ficou conhecido como o IPES.
10:44E o trabalho desse Instituto
10:48foi objeto de uma tese de doutorado aqui na USP,
10:52de um uruguaio,
10:53chamado...
10:55Esqueci do nome dele,
10:57mas é um livrão de 500 páginas.
11:01E chama-se
11:02A Tomada do Estado.
11:04Mais ou menos isso.
11:05Tomada do Poder,
11:05A Tomada do Estado.
11:06Então,
11:08alguém perguntou,
11:09escuta,
11:10se a gente derrubar o João Goulart,
11:11o que a gente vai fazer?
11:12Suponho.
11:13Ah, não.
11:14Tem que ter um plano.
11:15Então, eles contrataram
11:16vários economistas,
11:18engenheiros,
11:19advogados,
11:19inclusive o Mário Simonsen,
11:21para mapear os problemas
11:24do setor público,
11:25diagnosticar
11:26as dificuldades
11:29e propor saídas.
11:30Então,
11:31propor saídas significa
11:32um projeto de emenda constitucional,
11:34outro de lei,
11:35isso,
11:35do lei, aquilo.
11:35Tudo pronto.
11:37Quando o governo militar
11:38se instalou,
11:39muitos desses empresários
11:40foram para Brasília,
11:43eles foram participar do governo
11:44e levaram todos os estudos.
11:46Na minha avaliação,
11:47é por isso que o PAEG,
11:48o Plano de Ação Econômica
11:50do governo,
11:51elaborado,
11:52coordenado pelo
11:53ministro Roberto Campos,
11:56foi feito rapidamente,
11:57porque estavam todas as ideias lá.
11:59E só se olhar
12:00o ciclo de reformas
12:02do Castelo Branco,
12:04não tem nada parecido.
12:05na quantidade,
12:06não é?
12:07Então,
12:07foi feito.
12:08A reforma tributária,
12:11que nos ligou
12:11ao sistema tributário moderno,
12:12depois a Constituição de 88
12:14bagunçou,
12:15a lei das sociedades,
12:18a lei do mercado de capitais,
12:20a reforma administrativa,
12:23a lei que criou o Banco Central,
12:26que regulamentou definitivamente
12:28o formato do sistema financeiro atual.
12:32Enfim,
12:33a lei do crédito rural,
12:34que institucionalizou o crédito rural,
12:36e tudo isso gerou
12:37um ganho de eficiência substancial
12:40na economia brasileira
12:41e ganhos de produtividade.
12:43E, como a gente sabe,
12:45o que gera prosperidade
12:47não é o gasto público,
12:48como pensa o PT.
12:49É a produtividade.
12:51Tem a frase célebre
12:53e morredora,
12:54eu acho,
12:54de um prêmio Nobel da Economia,
12:56Paul Krugman.
12:57Ele diz o seguinte,
12:58a produtividade
12:59não é tudo na economia,
13:01é quase tudo.
13:02Então,
13:03é isso que gera a riqueza.
13:04E a produtividade
13:05crescia nesse período
13:064,5% ao ano.
13:09E, por isso,
13:09a economia brasileira,
13:10quando tudo começou
13:11a amadurecer,
13:13entre 68 e 73,
13:15a economia brasileira
13:16cresceu em média
13:1711,1% ao ano.
13:20Hoje a gente
13:21cresce 9%
13:24em 12 anos.
13:25Então,
13:26nós estamos ficando
13:27para trás.
13:29E só um parênteses aqui,
13:30nós fizemos um estudo
13:31agora na Tendências
13:32comparando
13:33o crescimento
13:34dos Estados Unidos
13:35com o do Brasil.
13:37Nos últimos 12 anos,
13:38os Estados Unidos
13:39cresceram cumulativamente
13:4131%,
13:43o PIB.
13:44Brasil,
13:459%.
13:46Então,
13:47se o Brasil
13:48quer ficar um país rico,
13:49Felipe,
13:50ele tem que crescer
13:51mais do que o rico,
13:51está certo?
13:52Para entrar no clube,
13:53ele tem que ter
13:54uma velocidade maior.
13:55Então,
13:56nós estamos ficando
13:57para trás.
13:58E só um parênteses
13:59dentro do parênteses,
14:00eu não me conformo
14:01quando eu vejo
14:02uma análise assim,
14:03a economia brasileira
14:03vai bem.
14:04Como vai bem?
14:06O Brasil crescendo
14:06em 1,5%,
14:0712% vai bem?
14:08Não vai.
14:10E nós temos
14:11que manter
14:11o objetivo
14:12de ser um país rico.
14:13Para ser um país rico,
14:15a gente tem que ser
14:154, 5,
14:16se possível,
14:16mais ao ano
14:18fazer essas reformas
14:19que a gente está
14:19falando aqui.
14:20Então,
14:21o segundo ciclo
14:22de reformas
14:23é o do
14:24Fernando Henrique.
14:26O Fernando Henrique,
14:27que a gente sabe
14:28o grande feito dele,
14:30o grande legado
14:31que ele deu,
14:31foi o fim
14:32da hiperinflação.
14:33mas, se você se recorda,
14:35naquela época,
14:36será que o plano
14:37real vai ter
14:39o mesmo destino
14:40dos seus antecessores,
14:41do plano Verão,
14:42do plano Cruzado,
14:43do plano Bressa
14:44e assim por diante,
14:45do plano Collor?
14:46E aí,
14:47formou-se a percepção
14:48de que as reformas
14:50eram fundamentais
14:51para fortalecer
14:53o plano real.
14:54E aí,
14:54veio um ciclo
14:55de reformas
14:55que incluiu
14:57privatização
14:58de grandes empresas estatais,
14:59inclusive a Telebrás.
15:00Eu me lembro
15:01que o Lula
15:01fez um comício
15:02em Brasília
15:03contra a privatização
15:04da Telebrás
15:05e ele estava
15:06com o telefone
15:06aqui na cintura,
15:08um celular,
15:10que era difícil
15:10de obter
15:11naquela época ainda.
15:12Então,
15:13as concessões
15:15de infraestrutura
15:16do serviço público,
15:18a lei de responsabilidade
15:19fiscal,
15:20foi um ciclo
15:21rico de reformas.
15:23A criação das agências.
15:24A criação das agências
15:25reguladoras,
15:25perfeito.
15:26Eu tinha esquecido isso.
15:27E o terceiro ciclo
15:28de reforma
15:29é o do Temer.
15:30O Temer
15:31confiou
15:33ao Moreira Franco
15:34a tarefa
15:35de preparar
15:36o programa
15:36do PMDB.
15:37Ponte para o futuro.
15:38Ponte para o futuro.
15:40E o Moreira Franco
15:41chamou para colaborar
15:42na elaboração
15:43o José Márcio Camargo,
15:45professor da PUC,
15:46que foi nosso sócio
15:47na Tendências.
15:48E o José Márcio,
15:49você conhece,
15:49o José Márcio
15:50tinha participado
15:51daquele debate
15:52que houve
15:54coordenado
15:55pelo Marcos Lisboa,
15:56pelo Sheikman,
15:58que era...
15:59Agenda Perdida.
16:00Agenda Perdida.
16:01Estava lá
16:02as reformas
16:02que não foram feitas
16:03e o José Márcio
16:04contribuiu
16:05para preparar
16:06a ponte
16:06para o futuro.
16:07E se você olhar
16:08o período,
16:11a duração
16:12do mandato
16:12do Temer
16:13com o volume
16:14de reformas
16:14que ele fez,
16:15em tempos proporcionais
16:16ele é o maior
16:17reformador do Brasil.
16:17porque ele fez
16:19não só
16:19a reforma
16:21trabalhista,
16:22a lei das estatais,
16:23mas um conjunto
16:23grande.
16:24A reforma do ensino médio.
16:25A reforma do ensino médio.
16:26TLP no Banco do BNDES.
16:28TLP no Banco do BNDES
16:29que acabou
16:30o subsídio implícito
16:30nas operações
16:31do PSDB.
16:33Desculpa,
16:33do BNDES.
16:35O Temer
16:35foi um grande
16:36reformador.
16:37Eu acho
16:37que podemos
16:38estar nos aproximando
16:39deste momento
16:40com uma vantagem.
16:42Já está
16:43tudo mapeado.
16:44qualquer pessoa
16:47que estude
16:48o mínimo
16:48dos problemas
16:49do Brasil
16:50sabe
16:51a receita.
16:52É uma receita de bolo.
16:53Você sabe quais são
16:54os ingredientes.
16:56O duro agora
16:57é eleger
16:58um presidente
17:00que compre
17:01essa agenda
17:02e tenha a capacidade
17:04de mobilizar
17:04a sociedade
17:05em torno dela.
17:07E aí o Brasil
17:07vai recomeçar
17:08um novo ciclo
17:10de crescimento
17:11que vai ajudar
17:12a reforma tributária
17:13que foi aprovada
17:15em 2023.
17:17Vai ganhar produtividade.
17:18Mas o Brasil
17:19pode estar diante
17:20de um novo ciclo
17:21de prosperidade
17:22que significará
17:24uma consolidação
17:25adicional
17:25das instituições
17:27e uma criação
17:28de maior eficiência
17:29na economia,
17:31capacidade de inovação.
17:32E são os fatores
17:33que geram produtividade
17:34que o futuro
17:35gera o crescimento
17:36e a riqueza.
17:38Mas, Maílson,
17:38vamos imaginar
17:39que esse novo presidente
17:41com esse DNA
17:42de Fernando Henrique
17:44e Michel Temer
17:46que queira assumir
17:47essas reformas,
17:48ele chega e fala assim,
17:49olha,
17:50temos uma campanha eleitoral,
17:52óbvio que eu não posso
17:53tratar desses assuntos
17:54na campanha eleitoral,
17:55porque senão
17:55eu vou perder a eleição.
17:56Isso mesmo.
17:57Mas precisamos trabalhar
17:58nessa agenda
17:59à La Castelo Branco,
18:00juntar um grupo
18:01de pessoas,
18:02preparar todos os decretos,
18:03como o Milley fez
18:04na Argentina agora,
18:05recentemente.
18:05Exatamente.
18:05Exatamente,
18:06preparou 600 decretos.
18:07Trump.
18:08Trump.
18:09Trump,
18:09em 2025,
18:10foi isso, né?
18:10É,
18:11ali todos os decretos.
18:13E aí,
18:14esse presidenciável
18:15ia procurá-lo
18:17e falasse,
18:17olha,
18:18por onde é que a gente
18:19começa aqui?
18:20Por exemplo,
18:21como é que eu vou
18:21desvincular o salário mínimo
18:23de todos os benefícios sociais,
18:26que é uma das coisas
18:26que acelerou
18:27essa irresponsabilidade fiscal
18:28que o PT causou
18:30e que não vai desfazer?
18:31Então, assim,
18:32como é que nós vamos
18:32resolver isso?
18:33Vamos criar
18:34um URV,
18:37salário mínimo,
18:38para não crescer mais
18:39do que a inflação
18:40e para poder liberar
18:41aumento do salário mínimo?
18:42Ou vamos ser duros
18:44e manter,
18:45como foi o governo
18:46Michel Temer,
18:47que não deu aumento real
18:49sobre o salário mínimo,
18:49só corrigiu a inflação?
18:50Como é que nós vamos fazer
18:51para, pelo menos,
18:52começar a estancar
18:53parte dessa curva
18:54crescente do gasto público?
18:57Olha, Felipe,
18:57eu diria que a maioria
18:58esmagadora dos economistas
19:00que estão estudando
19:01esse assunto
19:01tem uma ideia
19:02em relação a qual
19:04eu tenho dúvida,
19:05eu discordo.
19:07Ou seja,
19:08vamos ficar vários anos
19:10sem aumentar
19:10o salário mínimo.
19:12E com isso
19:13eu não tenho impacto.
19:15Por quê?
19:16Não tem nenhum sentido
19:17vincular salário mínimo
19:19à aposentadoria.
19:20Em todo o mundo,
19:21Felipe,
19:21como se sabe,
19:23os aposentados
19:24e pensionistas,
19:25ele tem a proteção
19:26do Estado
19:26contra a corrosão
19:27inflacionária.
19:28Mas ganho real
19:29acima da inflação,
19:31isso é prerrogativa
19:33de trabalhador.
19:35Setor produtivo.
19:36Setor produtivo.
19:37E é tão esquisito
19:39que no Brasil
19:40tem um sindicato
19:41dos aposentados,
19:43pensionistas e idosos.
19:45Imagina!
19:46Se você imaginar
19:47que sindicato
19:48é uma instituição
19:49criada na Inglaterra
19:51no século XIX
19:51para dar poderes,
19:53condições
19:54aos trabalhadores
19:55de negociar
19:57a medida de trabalho,
19:58salários, etc.,
20:00e cujo grande instrumento
20:01de baganha
20:02é a greve,
20:03será que a gente,
20:04nós, idosos,
20:05eu, por exemplo,
20:05vou fazer greve
20:07para que eu aumente
20:08a aposentadoria?
20:09É coisa assim,
20:10tão maluca,
20:11tem isso no Brasil também.
20:13Então,
20:13eu diria,
20:15se ele me perguntasse
20:16qual é a saída,
20:17eu diria,
20:17o primeiro projeto
20:20de reforma estrutural
20:22é esse,
20:23desvinculação
20:24de salário mínimo,
20:25porque,
20:25como você falou,
20:27apropriadamente,
20:28esse é o mais grave,
20:30porque o Ministério
20:32do Planejamento
20:32calculou
20:33que o reestabelecimento
20:35dos aumentos reais
20:36do salário mínimo
20:36custará em 10 anos
20:391 trilhão e 300 bilhões
20:40de reais.
20:41Isso é quase
20:42uma vez e meia,
20:43um pouco mais
20:43de uma vez e meia,
20:44essa economia
20:45da reforma previdenciária
20:46do governo Bolsonaro.
20:49eu acho que,
20:52além de tudo,
20:52não é justo
20:53que o salário mínimo
20:56que denomina
20:59rendimentos
21:00de milhões
21:02de brasileiros
21:03não possa ter
21:04ganho real
21:05se a produtividade
21:06estiver aumentando.
21:07Então,
21:08eu sou mais radical,
21:10eu acho que tem
21:10que mudar a Constituição.
21:12A Constituição,
21:13pelo artigo 201,
21:15estabelece
21:16que aposentadoria
21:18e benefício previdenciário
21:19tem que ser ajustado
21:20pelo salário mínimo.
21:22Há quem diga
21:24que isso é
21:25uma causa petra.
21:27Hoje eu estive
21:27com uma amiga advogada
21:28e ele dizia
21:29que a causa petra
21:29só tem quatro
21:30no artigo 60
21:31da Constituição.
21:32A forma de governo,
21:34o federalismo...
21:37O artigo 5º lá,
21:38com todos os...
21:38Exatamente.
21:38Os direitos e garantias
21:39individuais.
21:41Então,
21:42isso não é
21:43causa petra.
21:44E outro dia
21:44eu estive com o presidente
21:45Temer,
21:46ele me convidou
21:47para fazer uma palestra
21:47lá na Fiesp,
21:48ele é o presidente
21:49de um dos órgãos
21:51consultivos da Fiesp
21:53e eu mostrei isso.
21:55Eu ouço gente dizer
21:56que isso é uma causa petra.
21:58O presidente Temer
21:59disse que não é.
22:01Eu fiquei muito
22:02confortável
22:03porque ele é
22:03constitucionalista.
22:05Não é causa petra.
22:06Então,
22:07e é simples,
22:08eu diria,
22:09porque a reforma
22:10da Previdência
22:10é muito mais complexa.
22:12Pode ser fazer o projeto
22:13para convencer,
22:14vai ter pressão
22:15de tudo que é jeito,
22:16de aposentado,
22:17de quem quer se aposentar.
22:18Essa não é...
22:19É o foco
22:20no principal motor
22:22de crescimento
22:23do gasto público
22:24que é essa vinculação.
22:25E é só mudar,
22:28tirar um trecho
22:28de um parágrafo
22:30do artigo 201.
22:31O presidente,
22:33como ele nasce
22:34com um capital político
22:36muito forte,
22:38é o momento
22:39dele fazer isso.
22:40Quando ele fizer isso,
22:41eu acho que começa
22:41a mudar o clima.
22:43Porque a percepção
22:44é de que vai ser possível
22:45fazer as reformas.
22:47Aí ele passa
22:48para a segunda.
22:49Eu diria,
22:49a segunda é
22:51a desvinculação
22:52de saúde
22:53e educação
22:54a imposto.
22:57Vai ter muita gente
22:58protestando,
22:59a cooperação da educação
23:00vai fazer um bruto movimento.
23:01Mas eu acho que é por aí.
23:02Deixar a reforma
23:03da Previdência
23:04para mais à frente.
23:07Porque,
23:08como ensina o Douglas North,
23:10o processo de reforma
23:11institucional,
23:12ele tem que ser
23:14progressivo.
23:17Ele usa uma palavra,
23:19sei lá,
23:20é uma palavra
23:21que é progressivo.
23:22Tem que ser gradual, né?
23:23Gradual.
23:24Gradual.
23:24Então,
23:26não pode,
23:27de uma hora para outra,
23:28jogar tudo no...
23:30no Congresso,
23:31cinco, seis grandes reformas.
23:33Tem que reformar o MEI,
23:34que é uma bomba relógio
23:35que vem por aí, né?
23:37Mas eu acho que o passo inicial
23:38e o mais simples
23:40de aprovar,
23:40eu diria,
23:41e mais importante
23:42do ponto de vista
23:43de um projeto
23:44de restabelecer
23:46a moralidade,
23:47digamos assim,
23:48a flexibilidade,
23:50melhor dizendo,
23:51do orçamento,
23:52é a desvinculação
23:53de salário mínimo
23:55de Previdência.
23:56Previdência.
23:57Então,
23:57primeira recomendação,
23:58uma mudança constitucional
23:59para desvincular
24:00salário mínimo
24:01dos benefícios fiscais.
24:02Segundo,
24:03acabar com a desvinculação
24:04de educação e saúde.
24:05Que são reformas...
24:06Que são reformas...
24:07Constitucionais também.
24:07Constitucionais.
24:08São duas.
24:10Uma outra questão
24:11que o presidente
24:11ia lhe perguntar
24:12é o seguinte,
24:13o que é que eu tenho
24:14que fazer
24:14para desengessar
24:16o orçamento,
24:16porque é impossível
24:17governar o país
24:18com 96% do orçamento.
24:19Como é que a gente faz
24:20um orçamento de verdade
24:21e não essa peça
24:23de ficção
24:23que existe hoje?
24:24Como é que nós temos
24:25um orçamento
24:25para disciplinar,
24:27inclusive,
24:27as ambições políticas
24:28do parlamento?
24:30Olha,
24:30infelizmente,
24:32não tem mágica
24:33para isso.
24:34Porque a flexibilização
24:36do orçamento
24:37depende da redução
24:39dos gastos obrigatórios.
24:41E a redução
24:42dos gastos obrigatórios,
24:44mesmo que as reformas
24:45sejam feitas,
24:46no caso da desvinculação,
24:47ele para de piorar
24:49e no caso da reforma
24:50da Previdência
24:51e da Educação e Saúde
24:52e da vinculação,
24:53ele começa a flexibilizar
24:55um pouco,
24:56aos poucos
24:56que isso é um processo
24:57lento.
24:58Mas o simples fato
25:00de a coisa ter começado
25:03a funcionar,
25:04isso gera a percepção
25:06nos mercados
25:07que o Brasil está entrando
25:09numa nova era.
25:10Então a confiança vem,
25:13mesmo que o problema
25:14persista.
25:16Porque o mercado de óleo
25:19daqui a 10 anos
25:19já está ótimo.
25:20por outro lado,
25:22eu acho que
25:23no primeiro momento
25:24vai ser necessário
25:25aumentar a arrecadação.
25:27Ainda que você crie
25:29um imposto de emergência,
25:31e você tem vários
25:32exemplos disso no mundo,
25:33guerra...
25:34Aqui nós temos
25:34o Fundo Social de Emergência,
25:35lembra?
25:35O Fundo Social de Emergência,
25:36o Fundo Social de Emergência
25:38foi criado
25:39por uma ideia
25:40do Raul Veloso,
25:41pelo Fernando Henrique,
25:43através de uma redução
25:45da vinculação
25:47de vários programas
25:49à arrecadação.
25:50Era 10%,
25:52que ainda hoje existe.
25:53E dava essa flexibilização
25:55para o investimento público
25:56nas áreas prioritárias
25:57do governo.
25:58Exatamente.
25:58Eu acho que tem saída.
26:01Tudo depende de...
26:05O ponto-chave
26:07é a eleição
26:08de um líder
26:09com essa agenda.
26:12O poder de defender
26:14uma agenda,
26:15de mobilizar o país
26:16em torno disso.
26:17E vai ter um momento
26:18de sangue,
26:19suor e lagrima.
26:20E como você disse muito bem,
26:21não pode ser na campanha,
26:22senão ele perde.
26:22Eu acho que nós não chegamos
26:25a esse ponto
26:26de maturidade política
26:28para o Pucarino.
26:30Eu tenho que fazer
26:30todas as reformas,
26:31vou para adjudicar
26:31os aposentados.
26:33Não vai ganhar nunca a eleição.
26:34Não vai ganhar nunca a eleição.
26:35Mas na questão orçamentária,
26:37você é a favor
26:37de um orçamento base zero,
26:39orçamento impositivo,
26:41spending review,
26:41mecanismos para que nós
26:43possamos ter
26:44um orçamento mais realista?
26:47Olha, eu acredito
26:48em duas coisas
26:49que a gente tem que implementar
26:50no orçamento do Brasil.
26:51A primeira que é mais fácil
26:53é o spending review.
26:58A Inglaterra criou isso,
27:00todo mundo aprendeu,
27:00é fundamental.
27:02Já tem um instrumento aqui,
27:03depende muito
27:04de capacidade de implementação
27:06e do governo comprar a ideia,
27:08porque o governo do PT atual
27:09não comprou.
27:10É uma coisa mais lá
27:11no Ministério do Planejamento.
27:13O segundo ponto,
27:17eu acho que é
27:18estabelecer definitivamente
27:23que o orçamento
27:25é impositivo.
27:27Se você olhar a história,
27:30as três grandes revoluções
27:31do Ocidente,
27:33a Revolução Gloriosa
27:33que eu mencionei aqui,
27:35a Revolução Americana
27:36e a Revolução Francesa,
27:38nos três casos,
27:40o parlamento também,
27:41como eu mencionei aqui,
27:42foi empoderado
27:43para decidir as prioridades.
27:45Então,
27:46aqui no Brasil,
27:49nós criamos uma fantasia,
27:51não está em canto nenhum,
27:52já pesquisei,
27:53nem na Constituição,
27:54nem em lei,
27:55nada,
27:55porque o orçamento
27:55é autorizativo.
27:57O governo cumpre se quiser.
27:59Isso aí é uma barbaridade,
28:00porque se o orçamento
28:01é uma lei,
28:03não pode um decreto
28:04alterar o orçamento.
28:06E todo ano
28:07o governo
28:07baixa um decreto,
28:08não vou cumprir isso,
28:09não vou cumprir aquilo.
28:11É um absurdo.
28:12E agora sai
28:12esse orçamento,
28:13isso aqui não conta.
28:14Isso aqui não conta.
28:15Às vezes eu tenho vontade
28:16de contratar advogado
28:19para me ajudar
28:20a recorrer ao Supremo
28:22para declarar
28:23essa história
28:24de autorizativo
28:26inconstitucional.
28:27Mas isso,
28:28eu diria que
28:299,9,
28:32se desistir
28:33essa menção
28:33de economista
28:34no Brasil,
28:35diz isso.
28:35O orçamento
28:36é autorizativo,
28:36não é.
28:38E você vê,
28:39por que tem
28:39shutdown nos Estados Unidos?
28:42Porque a Constituição
28:43americana
28:44em seu
28:45artigo 1º,
28:47parágrafo 9º,
28:49se não me engano,
28:51estabelece
28:51que nenhum
28:53gasto público
28:54pode ser feito
28:55sem autorização
28:56do Parlamento.
28:57Então,
28:58se o Congresso
28:59não aprova
29:00o orçamento
29:01a tempo,
29:03não pode gastar,
29:04a não ser
29:05áreas
29:06que a legislação
29:07já excepcionou.
29:09por exemplo,
29:10Segurança Nacional,
29:12manutenção
29:13dos PACs,
29:14tem algumas coisas
29:14que não entram
29:15na conta.
29:16Mas para,
29:16o governo para.
29:17Você pode fechar
29:18os aeroportos,
29:19porque não pode,
29:20por que para?
29:21Porque se os trabalhadores,
29:22se os funcionários
29:23continuarem
29:24a trabalhar,
29:25eles terão
29:26direito ao salário.
29:27E o governo
29:28terá feito um gasto
29:29sem autorização
29:30legislativa,
29:31ainda que um gasto
29:33implícito,
29:34que ele vai pagar
29:34aquilo no final
29:35do mês.
29:35Então,
29:36a gente deveria
29:37ter isso aqui.
29:38E eu acho
29:39que o orçamento
29:41impositivo,
29:42a ideia da impositividade,
29:44tem duas vantagens.
29:46Primeiro,
29:46porque isso elimina
29:47todas essas
29:48válvulas de escape
29:49que tem no Brasil.
29:50Ah,
29:51o nosso povo
29:51é um orçamento,
29:52então você pode ter
29:53um dozeavos.
29:54Teve enchente
29:54no Rio Grande do Sul,
29:55tira,
29:55não conta.
29:56Tira,
29:56não conta.
29:57E por aí afora,
29:58tem o poder executivo
30:00no Brasil,
30:02ele pode criar
30:04despesas
30:05antes do Congresso
30:07aprovar,
30:08porque a Constituição
30:09permite a abertura
30:11de créditos
30:11extraordinários,
30:12de créditos
30:13suplementares
30:13por medida provisória.
30:15Então,
30:16o Lula chega hoje,
30:17o Fernando Henrique,
30:18sei lá,
30:18quem for o presidente,
30:19ah,
30:19hoje eu vou resolver
30:20o problema das estradas
30:21no Brasil.
30:22Baixa um decreto
30:25se enquadrar,
30:26tá certo?
30:27Então,
30:27o Brasil,
30:28eu escrevi um artigo
30:29sobre isso,
30:30o Brasil está livre
30:31do shutdown,
30:31porque tem mecanismos
30:34de flexibilidade
30:36que permite manter
30:37o governo funcionando.
30:39Como eu disse,
30:40o crédito extraordinário,
30:41o crédito suplementar,
30:42mas eu concluo o artigo
30:43no seguinte,
30:44isso não é vantagem nenhuma,
30:45isso apenas mostra
30:47que nós não levamos a sério
30:48o processo orçamentário.
30:50E o pior,
30:51Felipe,
30:52é que o Congresso
30:52não leva isso a sério,
30:53não leva isso a sério.
30:55Então,
30:56o governo Temer
30:57fez um esforço
30:58para criar as condições
31:00de aceitação
31:03pelo Congresso
31:04de reforma mais profunda
31:06no campo estrutural,
31:07que é o teto de gasto.
31:09Muito bem.
31:10Pois o teto de gasto,
31:12ele é demonizado.
31:14O ministro da Fazenda
31:15disse que com esse teto de gasto
31:17o Brasil deixou de investir
31:1930 bilhões em saúde.
31:21Não,
31:21mas era para isso mesmo,
31:22porque você não tinha dinheiro
31:24para investir 30 bilhões.
31:26Então,
31:26o teto de gasto
31:28é visto como uma coisa
31:29maligna
31:30para o país.
31:31Prejudicar os pobres.
31:32É,
31:33é prejudicar os pobres.
31:35O presidente da Câmara
31:36foi a semana passada
31:38a um congresso em Brasília,
31:40a um seminário,
31:41sobre o acabo de fiscal.
31:43Ele fez um discurso
31:44impressionante.
31:46Condenou o teto de gasto
31:47porque ele não permitiu
31:49que ações importantes
31:51para o país
31:52tivessem curso.
31:54Espera aí,
31:55você tem um negócio
31:56chamado restrição orçamentária,
31:58um conceito básico
31:59de finanças públicas
32:00ou de economia
32:01que você só pode
32:02gastar o que tem
32:03ou que você tem capacidade
32:04de se endividar.
32:06Não,
32:06o Hugo Mota
32:08apresentou a coisa
32:09como uma coisa maligna.
32:11Aí vem agora
32:12o acaboço fiscal.
32:13Só que o acaboço fiscal
32:14padece do mesmo problema
32:17e por isso que ele está
32:18mais furado
32:19do que a tábua de pirulito.
32:20tem tudo que é furo.
32:22Por quê?
32:23O teto de gasto
32:25só seria viável
32:26e só seria sustentável
32:27se houvesse a flexibilização
32:30do orçamento.
32:31A partir do momento
32:32que não tem,
32:33ele fica sustentável
32:34politicamente.
32:35Hoje,
32:35por que o acaboço fiscal
32:37está se tornando
32:37sustentável?
32:39Ele já tem
32:39170 bilhões
32:41de gasto
32:43fora do orçamento
32:43desde que o Lula
32:44tomou posse.
32:45Então,
32:47agora,
32:48à medida que vai
32:49diminuindo a margem,
32:52o exército
32:54deixou de
32:54preparar
32:56atletas olímpicos.
32:58Ele tinha um campo
32:58aqui,
32:59uma área aqui em São Paulo
33:00que preparava
33:01atletas olímpicos
33:02e como a gente sabe,
33:03grande parte
33:04dos atletas olímpicos
33:05vem das forças armadas.
33:07Paralisou.
33:09Hoje eu vi
33:09que o censo agropecuário
33:11vai ser adiado
33:13para 2027
33:14porque não tem
33:15dinheiro no orçamento.
33:17As agências reguladoras,
33:18algumas delas,
33:19estão funcionando
33:19três vezes por semana.
33:22Ou seja,
33:22o Brasil está parando.
33:24O Brasil está parando.
33:25E é preciso
33:26convencer
33:27a sociedade
33:29de que
33:29isso tem
33:30que mudar.
33:31Senão,
33:31o Brasil não tem futuro.
33:32E daqui a pouco
33:33vai faltar
33:34medicamento
33:35no hospital público,
33:36vai faltar munição
33:37para o policial
33:37e nós vamos estar
33:38numa situação
33:38cada vez pior.
33:39O nosso shutdown
33:40é esse.
33:41De repente,
33:42não vai ter
33:43mas não vai chegar
33:43mais nada.
33:44Não,
33:44o governo para
33:44de funcionar.
33:45E por isso
33:46que como o governo
33:47não pode parar
33:48de funcionar,
33:49na verdade,
33:50e nós não temos
33:51essa cultura
33:51no Brasil,
33:53vai ter a turma
33:54lá do Congresso
33:54não,
33:55vamos aprovar
33:55já um complemento.
33:57Mas significa
33:58que você,
33:59em vez de
34:00a pressão
34:01por falta de recursos,
34:03gerar
34:03o ambiente
34:04para reformas,
34:06para rever
34:07gastos,
34:08para mudar
34:08estruturas,
34:10ele é uma forma
34:11de pressionar
34:11para continuar
34:12gastando.
34:13Nós criamos
34:14essa cultura
34:15no Brasil,
34:15se aperta
34:16ou se afrouxa
34:18para gastar mais.
34:20E como alguém
34:20já disse,
34:22regra fiscal
34:22no Brasil
34:23é para desobedecer,
34:25não é levada a sério.
34:27Então,
34:27talvez você
34:28precisa
34:28a crise
34:29inclusive
34:30para gerar
34:30essa confiança,
34:32essa percepção.
34:34Voltando
34:35ao seu ponto inicial,
34:36alçamento
34:38impositivo
34:39é uma necessidade,
34:42tanto
34:42do ponto de vista
34:42da gestão,
34:44quanto do ponto de vista
34:45da moralidade
34:45administrativa.
34:47Você não pode ter
34:48um alçamento
34:48bagunçado
34:49como a gente tem aqui.
34:51E a impositividade
34:53tem mais uma vantagem,
34:55ela acaba
34:55com tomar
34:56lá da cá
34:57nas votações
34:58do Congresso.
34:59Ou seja,
34:59os governos,
35:00como você sabe aqui,
35:01na hora de votar
35:03liberam emendas
35:04e fazem tudo.
35:05não tem isso.
35:06Como é que é
35:07nos Estados Unidos?
35:09Não se discute
35:10nos Estados Unidos,
35:11se libera ou não libera
35:12o recurso,
35:13certo?
35:13O Congresso aprovou,
35:15tem que liberar.
35:16A não ser que
35:17venha uma emergência,
35:18uma guerra,
35:19algum problema sério,
35:20aí você cria
35:21uma emergência,
35:22volta para o Congresso
35:23e ele faz alterações.
35:25Mas é sempre o Congresso
35:26que tem
35:27a última palavra
35:28nisso aí.
35:29Agora, ministro,
35:30uma outra questão
35:30fundamental
35:31para essa retomada
35:32do crescimento econômico,
35:33como você falou,
35:34o Brasil
35:34vem crescendo
35:35de maneira medíocre,
35:36principalmente comparando
35:37com a média
35:38dos países emergentes.
35:40Então,
35:41o crescimento
35:41é muito medíocre,
35:42isso é muito ruim.
35:44Isso tem
35:45algo fundamental
35:46que é retomado
35:47numa agenda
35:48de produtividade,
35:49aumento de produtividade
35:50e abertura econômica.
35:52Então,
35:52eu queria que o senhor
35:52tratasse desses dois assuntos.
35:54Primeiro,
35:54o que nós temos que fazer
35:55para aumentar
35:56a produtividade do Brasil?
35:58Olha,
35:58a produtividade
35:59depende de uma miríade
36:00de fatores.
36:02O principal delas
36:03é a inovação.
36:05E a inovação
36:06por seu turno
36:07depende de educação
36:08de qualidade.
36:10Então,
36:10gerar,
36:11aumentar a qualidade
36:12da educação
36:13no Brasil,
36:14vencer as existências
36:15das corporações
36:16é fundamental.
36:18Incorporar
36:19definitivamente
36:20a ideia
36:20que os bons
36:22professores
36:22que preparam
36:24seus alunos
36:24para passar nos testes,
36:26passar no Enem,
36:27eles têm
36:27que ser recompensados.
36:29Então,
36:30é a ideia
36:30do incentivo,
36:32da teoria
36:33do incentivo,
36:34que faz
36:36de maneira...
36:37Você tem
36:38exemplo de sucesso
36:39disso no Brasil,
36:40Pernambuco já faz isso,
36:41mas a corporação
36:42da educação
36:43acha que isso é capitalista,
36:45isso é neoliberal,
36:47está certo?
36:47Então,
36:48esse é um ponto,
36:49melhorar a qualidade
36:50da educação.
36:51Segundo,
36:52melhorar o ambiente
36:52de negócios
36:54que estimule
36:55a assunção
36:58de risco
36:58em prol
36:59da inovação.
37:01Você viu
37:01que um dos ganhadores
37:02do Prêmio Nobel
37:03de Economia,
37:07que é o
37:07Filipe Aguillon,
37:08francês,
37:08o livro dele
37:09é sobre inovação.
37:11Inovação é fundamental.
37:12Jean Mochir também escreveu...
37:13Jean Mochir,
37:14exatamente.
37:14Ele tem um livro
37:15sobre a tina,
37:17que é muito legal.
37:19Então,
37:20eu acho que é...
37:21E outro mais importante
37:25é abrir a economia.
37:27Você tem que abrir a economia.
37:28A economia brasileira
37:28é muito fechada.
37:30Claro que isso tem
37:30que ser associado
37:31a medidas
37:32para aumentar a eficiência,
37:34vai vir a reforma tributária
37:36que vai ajudar,
37:37certo?
37:38O governo
37:39tem que ser mais previsível,
37:41mas a inovação
37:43é fundamental
37:43para o ganho
37:44da produtividade,
37:45né?
37:46E para isso,
37:47mais fundamental ainda
37:48é a educação.
37:50porque uma coisa interessante,
37:51Felipe,
37:52o Brasil gasta hoje
37:53proporcionalmente
37:55em educação
37:56mais do que
37:57os Estados Unidos.
37:58É verdade.
37:59Uma vez e meio
38:00que gasta a China.
38:01O Brasil gasta
38:02em educação
38:036% do PIB.
38:05O último número
38:05que eu vi
38:06da OCDE,
38:08os Estados Unidos
38:095,8%.
38:10A China 4%.
38:12E a China
38:12está mandando
38:13uma lua.
38:15Daqui a pouco,
38:16e os astronautas
38:16chinês
38:17já são frango.
38:18Você viu isso?
38:19eles já são frango
38:20na espaçonave,
38:22está certo?
38:23A China é um exemplo
38:24de inovação.
38:26A China é a maior produtora
38:27de artigos científicos
38:28hoje.
38:29E isso,
38:30o efeito,
38:32o que gera esse efeito
38:33é a educação.
38:35Uma das grandes missões
38:37que o Xi Jinping,
38:38desculpa,
38:39o Deng Xiaoping,
38:40que é o
38:41o pai dessa,
38:43foi a educação.
38:45Ele trouxe
38:47os melhores
38:47especialistas
38:50chineses
38:51com PHD
38:52no exterior
38:53e tudo mais.
38:54E ele fez um programa
38:55de reforma
38:55da educação
38:56que o louco
38:57do Mao Tse-tung
38:58tinha, inclusive,
38:59acabado com as universidades.
39:01Então,
39:02hoje,
39:02as universidades chinesas
39:03são de...
39:04Ainda bem que a inspiração
39:05dele foi o Li Kua Yu
39:06e não foi o Mao Tse-tung.
39:08Aliás,
39:08esse é o ponto,
39:09né?
39:10Esse é o ponto.
39:11A inspiração correta
39:12é importante.
39:12É,
39:13porque eu...
39:14Você sabe que eu escrevi
39:15o novo livro?
39:16Posso fazer uma propaganda aqui?
39:18Lógico!
39:18Escrevi o novo livro,
39:19está no prelo,
39:20chama-se...
39:21O título é uma pergunta.
39:24O Brasil ainda pode ser
39:25um país rico,
39:26certo?
39:27E eu vou
39:27fazer um sobrevoo
39:29sobre a economia
39:30desde a antiguidade
39:32até os dias atuais
39:33e tenho dois capítulos finais
39:34sobre o Brasil.
39:37Ou seja,
39:37o que eu identifico
39:38como os ventos contra
39:39o Brasil ficar rico
39:42e os ventos a favor?
39:43Quem vai prevalecer,
39:45eu vou deixar
39:46a critério do leitor,
39:48mas não vou
39:48externar a minha opinião.
39:50Mas o Xi Jinping...
39:52Eu tenho dois capítulos
39:54sobre a China.
39:55A China,
39:56da antiguidade
39:57até o Mao Tse-tung
39:58e do Mao Tse-tung
39:59até Xi Jinping.
40:01Por que o Mao Tse-tung
40:02está nos dois?
40:03Porque ele tem
40:04participação importante,
40:06porque alguns
40:07dos pensamentos de Mao,
40:08alguns eram maus
40:09mas outros eram bons.
40:11Por exemplo,
40:12a da frugalidade.
40:13A frugalidade
40:15que é típico
40:16dos pioneiros americanos.
40:20Como é que chama isso?
40:22Os founding fathers
40:24tinham muito
40:24dessa história
40:25dos pioneiros,
40:28os que exploravam
40:29o oeste americano.
40:31É, então,
40:32eles eram calvinistas
40:34no início.
40:35Então,
40:35você pega,
40:37por exemplo,
40:38vários grandes
40:39empresários
40:40chineses
40:42dizem que
40:44seguem os princípios
40:45de Mao,
40:46o que parece
40:46uma contradição.
40:48Por exemplo,
40:48o cara da Huawei,
40:50ele compra
40:50gravata de 10 dólares,
40:52não tem avião,
40:54não é como um banqueiro
40:55aqui que logo
40:56tresta, certo?
40:59O cara não tem avião,
41:01pô,
41:01mas não tem avião
41:01na carreira.
41:03Então,
41:03o Mao é importante
41:04nisso aí.
41:04mas o que eu queria dizer,
41:07e você começou,
41:09o Deng Xiaoping
41:10foi a Singapura.
41:12É, isso aí.
41:13E o,
41:13como é o nome dele?
41:14Nikoyiu.
41:14Nikoyiu.
41:15Ele próprio
41:17fez uma exposição
41:18de um dia inteiro,
41:20né,
41:20os dois ficaram
41:21amicíssimos,
41:22né,
41:23o Nikoyiu
41:23visitou várias vezes
41:25a China,
41:26né,
41:26e o Deng Xiaoping
41:29saiu de lá
41:29convencido
41:30que o modelo
41:31de Singapura
41:32poderia ser
41:34aquele que
41:35levaria a China
41:35à riqueza,
41:38né,
41:38e o Deng Xiaoping,
41:41um cara extraordinário,
41:42né,
41:42ele é mesmo.
41:43Tem duas frases dele
41:44que eu acho
41:44sensacionais.
41:46Uma,
41:47começaram a dizer
41:48que ele estava
41:48tornando a China
41:50um país capitalista,
41:52e ele falou,
41:52olha,
41:53não importa a cor do gato,
41:55o que importa
41:56é ele caça o rato.
41:57Se é comunismo,
41:58capitalismo,
41:59o que importa
41:59é que o povo
42:00chinês fique rico.
42:02E outra frase
42:02que eu acho fenomenal
42:03é de ficar rico
42:05é glorioso.
42:06Um comunista
42:07dizer isso,
42:09aqui a gente
42:10está vendo,
42:11gente fazendo,
42:13falando de nós
42:14contra eles,
42:15ricos e pobres,
42:16né,
42:16o chinês
42:17abandonou isso,
42:17né.
42:18É verdade.
42:19Aliás,
42:19tem um livro
42:20muito interessante
42:20sobre os três
42:22grandes revolucionários
42:23de 1979,
42:26que é a Margaret Thatcher,
42:28que é o Deng Xiaoping,
42:29e que é o Papa
42:30João Paulo II.
42:31É mesmo?
42:31Strange Rebels.
42:32É muito legal isso.
42:33Ah, vou comprar.
42:34Vou comprar.
42:34Muito, muito interessante.
42:35Strange Rebels.
42:36Strange Rebels.
42:38E conta a história
42:39desses três
42:39grandes revolucionários
42:40de 1979.
42:41Então, ele pega uma data.
42:42E é verdade.
42:44É verdade.
42:45É interessante.
42:47Agora,
42:47ministro,
42:48uma questão importante
42:49que o senhor bem tocou
42:50aqui agora
42:50é a questão
42:51da abertura econômica.
42:52O Brasil tem que abrir
42:53a economia.
42:53O Brasil,
42:54como você bem colocou,
42:55foi uma das economias
42:56mais fechadas do mundo
42:57e todos os países
42:58emergentes
42:59que se tornaram ricos
43:00e furaram a bolha
43:02da renda média
43:03foram países
43:04que se abriram
43:04ao comércio internacional.
43:06E nós continuamos
43:07ainda com essa mentalidade
43:08de conteúdo nacional,
43:10proteção de mercados,
43:11etc.
43:12Como é que nós podemos
43:13fazer isso
43:14de uma forma gradual?
43:16Evidentemente,
43:17porque isso é algo
43:18que exige um realinhamento
43:20da economia brasileira,
43:22mas é algo crucial
43:23para esse ganho
43:24de competitividade
43:25do país,
43:26como já mostrou
43:27o agronegócio brasileiro.
43:28Certo.
43:29Olha,
43:29o agronegócio brasileiro
43:30é o que é
43:31porque ele se abriu
43:32para o exterior.
43:34Você não tem fechamento
43:35do agronegócio
43:37contrário à importação.
43:40A gente importa trigo,
43:41aqui é colar
43:42a gente porta frutas
43:43do Chile,
43:44não tem barreiras
43:45para isso.
43:47Olha,
43:48a rigor,
43:49do ponto de vista
43:49institucional,
43:51é muito fácil.
43:53É uma questão
43:53de fazer um programa,
43:55fazer um programa,
43:57estar preparado
43:59para as ações complementares,
44:01porque não basta dizer assim,
44:02vamos abrir a economia.
44:03Aí é uma coisa irresponsável,
44:05como fez o...
44:06O Collor,
44:07lá no trânsito.
44:07O Collor,
44:07ou o Martín de Dióes,
44:09na Argentina,
44:10abriu a economia argentina
44:12e a indústria argentina
44:13estava pouco competitiva,
44:15quase acabou.
44:16Você tem que ter associado
44:18a isso
44:18uma série de mudanças
44:20que aumentem
44:22a competitividade
44:23da indústria.
44:24O Collor,
44:25ele fez bem nisso aí,
44:27porque não era só aberto.
44:29Você tinha uma série
44:30de medidas
44:30do programa dele
44:32que incentivavam
44:34a melhoria
44:35da produtividade,
44:37melhorariam
44:39a forma
44:40de operação
44:41do governo
44:42naquilo que interessa
44:43à indústria.
44:44Mas eu acho
44:44que é uma coisa...
44:45E tem que ter um prazo,
44:46tem que ter uma coisa gradual.
44:48Não é amanhã abrir,
44:49como fez o Martín de Dióes.
44:50Abre e pronto.
44:51Você tem que dar um prazo.
44:53E a indústria
44:54vai ter que saber
44:55que naquele prazo
44:57ela tem que ganhar
44:58a competitividade,
45:00através da inovação,
45:02através da melhoria
45:03de processos,
45:04através da melhoria
45:05da qualidade
45:06de seus trabalhadores,
45:08e pressionar
45:09através de suas associações
45:12e através do sistema político
45:14o governo e o Congresso
45:16para tomar as medidas
45:18que tornam a indústria competitiva,
45:20para ela não ficar ao léu.
45:22Então, isso implica
45:24privatização,
45:26em larga escala,
45:27eu acho que é um fator
45:28primordial para isso,
45:29isso implica
45:30investimentos cada vez
45:32mais importantes
45:33em transportes,
45:35comunicações,
45:37e sobretudo
45:39energia,
45:40energia.
45:41Então,
45:42é um programa
45:43que pode ser formulado
45:44em uma semana,
45:45entendeu?
45:46E não existe,
45:47às vezes nem existe
45:48mudança de legislação,
45:50é só de regras.
45:52Agora, ministro,
45:52uma coisa fundamental
45:54para esse crescimento
45:55da economia,
45:56a inovação,
45:56como o senhor bem colocou,
45:58é a questão do investimento
46:00em pesquisa e desenvolvimento.
46:02Parte dessa revolução
46:03do agronegócio
46:04foi o investimento
46:05na Embrapa
46:05durante muito tempo
46:06que permitiu isso.
46:08E aí não dá
46:08para estar sujeito
46:10a corte de verbo,
46:11não, esse ano não tem
46:11zero para pesquisa,
46:13o próximo ano não tem 1%,
46:14não dá,
46:14precisa ter uma constância
46:15de orçamento,
46:16precisa ter um programa.
46:17Como é que nós podemos
46:18resgatar isso
46:19que nós fizemos bem
46:20lá atrás?
46:21Nós fizemos bem
46:22com isso com o ITA,
46:23quando nós criamos o ITA
46:25para depois criar
46:26uma Embraer,
46:27depois nós fizemos isso
46:28com a Embrapa,
46:29como aproveitar
46:30esses bons exemplos
46:31para valorizar
46:32o investimento
46:33em pesquisa
46:34e em desenvolvimento
46:35como um fator desencadeador
46:37dessas inovações?
46:38Eu acho,
46:39para usar uma espécie
46:39muito comum no Brasil,
46:41às vezes eu não gosto dela,
46:42é a questão
46:42de vontade política,
46:44certo?
46:45Porque isso não custa caro,
46:46isso não custa caro,
46:47certo?
46:48Quer dizer,
46:49você tem um orçamento
46:49de dois trilhões no Brasil,
46:52você vai ver o orçamento
46:53de ciência e tecnologia,
46:55é uma merreca,
46:56digamos assim,
46:56relativamente falando,
46:57então é muito mais
46:59uma questão de decisão
47:01e de absorção da ideia
47:03de que o Brasil
47:04precisa disso
47:05para gerar
47:06uma ciência
47:07mais favorável
47:10à inovação,
47:13enfim,
47:16não depende
47:17de uma reforma
47:18constitucional,
47:19depende de persistência,
47:22depende de ter gente
47:22competente,
47:23tem que ter gente
47:24competente
47:25gerenciando isso,
47:26tem que ter uma certa
47:27centralização
47:28e tem que ter
47:30uma integração
47:31dos vários órgãos.
47:33No caso
47:34da agropecuária,
47:35foi mais simples,
47:36você podia focar
47:37só,
47:38como foi feito
47:40na Embrapa,
47:42e eu acompanhei
47:43de perto isso,
47:44porque eu participei
47:45de alguns
47:46dos seminários
47:47que foram
47:49promovidos
47:49pela
47:49jovem Embrapa,
47:51que é uma coisa
47:52que foi nova
47:52no Brasil,
47:53ela chamou
47:54vários especialistas,
47:55eu era um especialista
47:55em crédito rural
47:56do Banco do Brasil,
47:58para discutir
47:58qual é que deve ser
48:00a atuação
48:00da Embrapa
48:01nos diversos
48:02campos de atuação
48:03onde ela vai
48:04operar, né?
48:05Então,
48:06ficamos um dia,
48:07dois de seminário
48:08e tinha um presidente,
48:10o primeiro presidente
48:11da Embrapa,
48:14Irineu,
48:16é o Irineu,
48:16me esqueço
48:17do nome dele,
48:17um grande brasileiro,
48:19ele disse o seguinte,
48:20nós vamos ficar
48:21vários anos
48:22formando o PHD.
48:25Então,
48:25o Brasil enviou
48:26dois mil
48:27agrônomos
48:28veterinários
48:29para o exterior
48:30para obter
48:34o grau
48:34de mestrado
48:35e doutorado.
48:36E foi essa massa
48:37cinzenta
48:38que chegou
48:39ao Brasil
48:39e fez a ruptura.
48:41E, claro,
48:42havia já
48:43uma estrutura
48:44do Ministério
48:45da Agricultura,
48:46mas era
48:46uma estrutura
48:47bem de setor
48:49público, né?
48:50Por exemplo,
48:50na minha cidadezinha,
48:51onde eu nasci
48:52na Paraíba,
48:52tinha um campo
48:53experimental
48:54de fruticultura,
48:55que era
48:56do Ministério
48:56da Agricultura.
48:57A Embrapa
48:58foi a ideia,
48:59eu acho que
49:00funcionou,
49:00foi criada
49:01sob a forma
49:01de uma empresa
49:02estatal,
49:03onde ela tinha
49:03mais flexibilidade
49:05para contratar
49:06os melhores,
49:07para ter planos
49:07de carteira,
49:09e para não
49:09depender tanto
49:10do orçamento
49:11do Ministério
49:11da Agricultura.
49:12Eu acho
49:13que não é
49:14muito dinheiro
49:15para fazer isso.
49:16O que deve
49:18ter é persistência.
49:20Constante
49:20do orçamento.
49:21Constante do orçamento,
49:22foco,
49:23e uma atuação
49:24coordenada
49:26do governo
49:26nas várias frentes.
49:27Porque para a indústria
49:29não é como a agricultura.
49:31São vários,
49:32né?
49:33É por isso
49:33que eu acho
49:34que o governo
49:34criou,
49:35o governo Dilma,
49:36ou o governo Lula,
49:37não sei,
49:38ele criou
49:39uma coisa
49:40parecida
49:41com a Embrapa
49:41na indústria.
49:43Eu acho
49:43que não funciona.
49:45Porque...
49:45Ainda mais
49:47manter a reserva
49:48de mercado
49:48e tudo é uma combinação.
49:49é,
49:50é,
49:50entendeu?
49:51Então,
49:52e finalmente,
49:53finalmente,
49:54por cima de tudo,
49:55dizer o seguinte,
49:55olha,
49:56acabou esse negócio
49:56de reserva de mercado,
49:58de conteúdo nacional.
49:59Esse conteúdo nacional
50:00é tão atrasado,
50:01né?
50:02Porque,
50:02na verdade,
50:03quem beneficia esse tipo?
50:06As empresas
50:06que são ineficientes,
50:08né?
50:09E que se tornam
50:09fornecedoras
50:10privilegiadas
50:11do Estado.
50:12Se você chegar lá
50:13hoje na Petrobras,
50:14a quantidade
50:15grande
50:15de equipamentos,
50:18partes,
50:18peças,
50:19componentes,
50:20que ela tem que comprar
50:20obedecendo
50:21esse conteúdo nacional
50:23que no atual governo
50:24piorou,
50:25não é?
50:25Isso tem que acabar.
50:27Ô, ministro,
50:27nós não temos que acabar
50:28o nosso bate-papo,
50:29mas eu queria,
50:30primeiro,
50:31esse tom otimista,
50:32conta um pouco
50:33para a nossa audiência aqui
50:34que ventos
50:36são esses bons ventos
50:38que podem fazer
50:39o Brasil ficar rico.
50:41Olha, Felipe,
50:42eu diria que
50:43é um conjunto amplo
50:44de fatores
50:45que me animam,
50:48certo?
50:48Eu sou pessimista
50:50do que está acontecendo
50:51agora,
50:51mas otimista
50:52nesse campo.
50:53Primeiro,
50:53você tem
50:54agronegócio
50:55e setor mineral
50:56altamente competitivos.
50:58O Brasil
50:59é competitivo
51:01na chamada
51:02power shoring,
51:04power no sentido
51:05de energia,
51:06né?
51:06Ou seja,
51:07o Brasil tem
51:0890%
51:10da energia elétrica
51:11no Brasil
51:11é limpa,
51:13abundante,
51:14e pode ser barata,
51:16muito barata,
51:16se acabar todos
51:17os penduricalhos
51:18que tem na conta
51:19de luz,
51:20certo?
51:21E está provado
51:22que a indústria,
51:24quanto mais ela é avançada
51:26tecnologicamente,
51:27mas ela consome energia,
51:28né?
51:29Então,
51:30você está vendo já
51:31a migração de indústria
51:32da Alemanha
51:33para outras áreas
51:34do globo,
51:35onde tem essas
51:35qualificações.
51:36O Brasil é muito
51:37competitivo para isso.
51:39O Brasil tem
51:40sete das dez melhores
51:42universidades da América
51:43Latina,
51:43três no estado
51:45de São Paulo,
51:46e algumas delas
51:46de classe realmente mundial.
51:47Então,
51:48é entre as cem primeiras
51:49do mundo,
51:50né?
51:50O Brasil tem
51:52justiça
51:54independente,
51:56com todos os problemas
51:57que ela tem aqui,
51:58tá certo?
51:58Mas nós incorporamos
51:59no Brasil
52:00uma ideia chave
52:01para isso.
52:03Decisão
52:03da justiça
52:04não se discute.
52:05ou cumpre-se
52:07ou recorre,
52:07certo?
52:08Isso é,
52:09do ponto de vista
52:09cultural,
52:10é um grande avanço.
52:11O Brasil tem,
52:12por exemplo,
52:12o Ministério Público
52:14na investigação,
52:15eles exageram
52:16em muitos casos,
52:17mas na investigação
52:18ele é autônomo,
52:18não tem que consultar
52:19ninguém para saber
52:20quem investigar,
52:21não é?
52:22Então,
52:23o Brasil tem
52:24Banco Central Independente,
52:25afinal,
52:25chegou,
52:26né?
52:27Esse momento
52:27tem um Banco Central
52:28Independente,
52:29né?
52:29E a gente está vendo
52:30quão é importante
52:31o Banco Central Independente.
52:32Todas as apostas
52:33que foram feitas,
52:34que o Galipo
52:35iria ser
52:36o Tombini
52:37do Lula,
52:39não aconteceu.
52:41Porque,
52:41entre outros fatores,
52:42ele sabe
52:43que ele é independente.
52:44Número um.
52:44Número dois,
52:45ele sabe
52:45que quem assume
52:47esse cargo
52:47tem uma melhora
52:50do seu patrimônio
52:50profissional.
52:51Ele sai dali
52:52para ser o reitor
52:53da universidade,
52:54importante,
52:55como o Ben Benan,
52:56que foi para Princeton.
52:57Ele sai
52:57para presidir
52:58um banco,
52:59para presidir
53:00uma área
53:00de um banco,
53:01né?
53:01E se ele
53:02baixa a cabeça,
53:03ele destrói o patrimônio.
53:04é profissional,
53:04mas sobretudo
53:05porque ele é independente.
53:06Independente
53:07do sentido
53:07da autonomia,
53:08né?
53:08Não é independência
53:09de demais poderes.
53:11Ele é autônomo
53:11para tomar decisões.
53:13E, finalmente,
53:14o Brasil tem
53:14empresa de classe mundial.
53:17Entende?
53:18Olha,
53:18se você olhar,
53:19eu selecionei
53:20um dia desse
53:21umas 20 empresas brasileiras
53:22e cada dia
53:24eu encontro mais uma outra,
53:25né?
53:25São empresas,
53:26no meu tempo
53:27de começo de carreira,
53:29empresa grande,
53:30complexa,
53:31era do setor público.
53:32hoje você chega
53:34Embraer,
53:36WEG,
53:36WEG,
53:38Vale,
53:39pão de açúcar,
53:42área de energia.
53:45É ação, né?
53:46Tem umas que você nem sabe.
53:49Por exemplo,
53:49Duas Rodas.
53:51Duas Rodas
53:51não é a fábrica de bicicleta,
53:53é uma empresa
53:54de Jaraguá do Sul,
53:56né?
53:56Que é fundada
53:57por imigrantes alemães
53:58há um século
53:59e ela é uma das maiores
54:00produtoras mundiais
54:01de sabores
54:02e para
54:04fazer bolo,
54:06fazer essas coisas
54:06de cozinha.
54:07E tem fábrica
54:08nos Estados Unidos,
54:09tem fábrica na Europa,
54:10tem fábrica na América Latina,
54:12tá certo?
54:12São empresas
54:13que não quebram,
54:15entendeu?
54:15Ela pode ter crise
54:16aqui e acolhado
54:16porque todas tem,
54:17mas ela não quebra.
54:18Então você tem a continuidade
54:20dessas empresas, né?
54:23Enfim,
54:24você tem outra empresa
54:25que também ninguém conhece,
54:27né?
54:28Lá de
54:29Fortaleza,
54:31que fabrica
54:33pás para
54:35energia eólica,
54:37não é?
54:38Também estou esquecendo
54:39o nome dela,
54:39mas, enfim,
54:40e ela exporta
54:41para o mundo inteiro,
54:42inclusive para Israel,
54:43que é o maior produtor.
54:44Então,
54:45esse é um conjunto novo
54:46no Brasil, né?
54:48E se esse conjunto
54:49tiver a redução
54:51das desvantagens
54:53que tem de operar
54:53no Brasil,
54:54pelo sistema tributário
54:55caótico,
54:56a imprevisibilidade,
54:57as mudanças
54:58da regra do jogo,
54:59essas empresas,
55:00elas vão
55:01ser a base
55:02de um ciclo
55:04de prosperidade.
55:06E volto a dizer,
55:07estou,
55:08com muita frequência,
55:09eu estou
55:10acrescentando
55:11na minha lista.
55:13Recentemente,
55:14eu descobri
55:14que tem uma empresa
55:15brasileira
55:15que inventou
55:17o modelo
55:17de negócios
55:18por assinatura
55:19para
55:20frequência
55:22de
55:23academias
55:24de ginástica.
55:25Isso,
55:25o Gin Pass.
55:26Exatamente.
55:27Ela está operando
55:28na Espanha,
55:29está operando
55:29nos Estados Unidos,
55:30é uma multa nacional,
55:31né?
55:32Então, realmente,
55:33é uma coisa nova
55:33que está acontecendo
55:34no Brasil, né?
55:35Na verdade,
55:36como você falou,
55:37o que inibe
55:38que esse sistema
55:39de novidades
55:42no Brasil
55:42favoráveis
55:42produza mais benefício
55:45ao país
55:45é o Estado.
55:47É o sistema tributário,
55:48é o excesso de gastos,
55:49é a imprevisibilidade,
55:50né?
55:51É essa coisa
55:52da cultura
55:52de nós contra eles,
55:54ricos contra os pobres,
55:55né?
55:56Nós temos que ter aqui
55:57um dia baixar
55:58um espírito
55:58de Deng Xiaoping
56:00e dizer assim,
56:01olha,
56:02nós vamos ficar todos ricos,
56:03porque ficar rico
56:04é glorioso.
56:06Ministro,
56:06vou acabar com esse
56:07tom de otimismo
56:08dos ventos positivos
56:10para o Brasil
56:10para 2026,
56:11porque é isso
56:11que a gente precisa
56:12para, inclusive,
56:13aumentar a consciência
56:14cívica e votarmos
56:15bem esse ano, hein?
56:16Isso mesmo.
56:16Muito obrigado.
56:18Obrigado pelo convite,
56:19Felipe.
56:19Foi um prazer.
56:20E nós ficamos por aqui.
56:22E para você que gosta
56:22do jeito Jovem Pan
56:23de notícias,
56:24não deixe de fazer
56:25a sua assinatura
56:26no site
56:26jp.com.br.
56:29Lá você acompanha
56:29conteúdos exclusivos,
56:31análises, comentários
56:32e tem acesso
56:33ilimitado ao Panflix,
56:35o aplicativo da Jovem Pan.
56:36Obrigado pela sua companhia
56:38e até o próximo
56:39Entrevista com Dávila.
56:46Entrevista com Dávila
56:47A opinião dos nossos
56:51comentaristas
56:52não reflete necessariamente
56:54a opinião do Grupo Jovem Pan
56:56de Comunicação.
57:01Realização Jovem Pan
57:03A opinião do Grupo Jovem Pan
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