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François Bayrou perdeu o voto de confiança no Parlamento francês após fracassar na aprovação do orçamento de 2026. O primeiro-ministro, quarto em menos de dois anos, deve renunciar, aumentando a pressão sobre Emmanuel Macron e elevando a incerteza política e econômica. Leandro Benincá, consultor de investimentos da API Capital, analisa o impacto para a França e a União Europeia.

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Transcrição
00:00O primeiro-ministro da França, François Bayrou, perdeu o voto de confiança do Parlamento
00:07após não conseguir aprovar o orçamento do governo francês para 2026.
00:13Bayrou foi o quarto primeiro-ministro francês em menos de dois anos.
00:17O seu antecessor, Michel Barnier, caiu pela mesma razão.
00:24Fim da linha para o mandato de François Bayrou como primeiro-ministro francês.
00:28Nesta segunda-feira, o veterano de 74 anos não resistiu a uma moção de confiança no Parlamento.
00:35Um total de 364 deputados votaram contra, incluindo as oposições de esquerda e extrema-direita,
00:40assim como alguns deputados aliados ao governo.
00:43Apenas 194 o apoiaram.
00:46Este é o segundo governo derrubado em nove meses durante um tenso debate sobre a dívida pública,
00:50com pedidos para a realização de novas eleições legislativas e até mesmo para a renúncia do presidente Emmanuel Macron.
00:56O grupo parlamentar França Insubmissa apresentará uma moção amanhã pelo impeachment do presidente,
01:02porque o problema para o país e o impasse para o país é ele.
01:05E a partir de 10 de setembro, estaremos em todos os lugares ao lado de homens e mulheres franceses
01:10que bloquearão a economia do país para dizer basta.
01:14Macron defendeu na semana passada olhar para a esquerda
01:16e tentar atrair a oposição socialista ao governo atual,
01:19formado por sua aliança centrista e pelo Partido Conservador, os republicanos.
01:23Desde a antecipação das eleições legislativas de 2024,
01:27a França vive uma profunda instabilidade política,
01:30sem maiorias parlamentares estáveis, em um contexto de elevada dívida pública,
01:34quase 114% do PIB.
01:37Bairro vinha tentando convencer os deputados a apoiar seu plano orçamentário para 2026,
01:41que prevê 44 bilhões de euros em cortes, 279 bilhões de reais.
01:48Segundo fontes próximas, o quarto primeiro-ministro de Macron desde 2022
01:52deve apresentar oficialmente sua renúncia na terça-feira.
01:55O gabinete do presidente afirmou que um novo premier deve ser nomeado nos próximos dias,
02:00afastando a possibilidade de uma antecipação das eleições após a queda de Bairro.
02:03A queda do primeiro-ministro francês, François Bayrou, gera incertezas econômicas e políticas,
02:14principalmente se a crise na França pode sair do controle e afetar toda a União Europeia.
02:20Para me ajudar a destrinchar esse assunto, eu converso agora com o Leandro Benicá,
02:26consultor de investimentos da API Capital.
02:30Boa noite para nós aqui no Hemisfério Sul, no Brasil.
02:35Benicá, bom dia talvez, porque o Benicá muito gentilmente está atravessando a madrugada.
02:41Ele é a pessoa certa, na hora certa e no lugar certo,
02:43que ele conversa conosco a partir da França, da capital Paris,
02:49onde já é bastante, a madrugada já está bastante adiantada.
02:54Benicá, muito gentil, muito obrigado aí pelo seu fuso horário desfavorável,
03:01pelo seu esforço em conversar com a gente madrugada adentro.
03:05Eu queria já, além de te saudar aqui, perguntar,
03:09não só como um analista econômico, mas com alguém que mora na França.
03:12Como é que está a vida do francês?
03:15A gente viu na reportagem anterior protestos dizendo bye bye, Bahru.
03:20Quer dizer, a gente está vendo à distância daqui uma impopularidade do Emmanuel Macron
03:25que acaba respingando para outras pessoas ali da sua órbita política.
03:31Primeiro, Benicá, conta como é que está o custo de vida,
03:34por que o Macron está tão impopular e o Bahru também sob o aspecto político.
03:40Bom dia para você aí na França.
03:43É quase um bonjour já aqui, um bom só, mas eu vivo,
03:47Marcelão, eu vivo no horário brasileiro.
03:49Então, primeiro, obrigado pelo convite.
03:51É um prazer estar aqui com você.
03:53Mais uma vez, virtualmente, agora aqui, depois de tanto tempo te reencontrar.
03:57É um prazer estar aqui.
03:58Eu, agora eu estou morando um pouco mais para o interior, centro-sul da França,
04:03e a sensação política e econômica da França é um pouco diferente do que a gente está acostumado no Brasil,
04:10apesar de a gente ter muitas particularidades, muitas familiaridades com o que vem acontecendo,
04:16por exemplo, em relação ao gasto público.
04:18A insatisfação da população com o gasto público e com a inflação é mais ou menos a mesma que a gente sente aí no Brasil.
04:26A inflação aqui, em 2022, foi o pior ano da inflação, foi 6%, foi o recorde dos últimos 40 anos,
04:34mas já existe uma projeção que ela vai cair aí para 1% dentro do final desse ano ou próximo ano.
04:41O problema é o gasto público que está absolutamente desenfreado.
04:47E, Marcelo, você lembra daquele desenho que se chama Ouro-Bouros,
04:51que é uma cobra que come o próprio rabo?
04:54E aí a gente tem o desenho do Ouro-Bouros duplo, que são duas cobras entrelaçadas
04:58e as duas, uma engolindo o rabo da outra.
05:02A crise política e a crise econômica aqui da França, elas são mais ou menos o Ouro-Bouros duplo.
05:07Elas se retroalimentam, porque a crise política faz a economia ir mal.
05:13A gente tem essa divisão política absurda aqui na França, que cada um legislando em causa própria,
05:20você não chega em maioria com coisa nenhuma, não se passa projeto nenhum.
05:24A população completamente dividida, tanto quanto os seus representantes,
05:29então com cada pessoa que você conversa, você tem desde os muito satisfeitos
05:34até os plenamente insatisfeitos, como seria normal em qualquer democracia,
05:39mas que você basicamente não vê solução para absolutamente nada.
05:44Agora, como morador da França, que é a sua pergunta?
05:47Exatamente.
05:47Eu honesto, eu sinto muito pouco, muito, muito pouco mesmo.
05:51Apesar, digo, quanto ao custo de vida, quanto a esses reflexos diretos,
05:56a gente sente a inflação, os preços dos supermercados subindo,
06:00mas talvez seja aquela nossa experiência brasileira, de ter passado 40 anos no Brasil,
06:06inflação de 4% é brincadeirinha, né?
06:09A gente já cresceu com coisa muito pior.
06:13Mas o francês está realmente indignado e tem uma boa parcela da população
06:18realmente descontente, querendo a saída, querendo o pescoço do Macron.
06:22Dá uma de Maria Antonieta aí com ele.
06:25Tá certo.
06:26Leandro, deixa eu mudar de tela aqui para abusar de um recurso gráfico nosso.
06:31Esse aqui é um gráfico da dívida pública, né?
06:36Está aqui.
06:37Dependendo da métrica, chega a 113%, 114%.
06:40Ajuda a gente a entender porque quem está acostumado com o noticiário internacional
06:47barra econômico sabe que grandes economias também têm grandes dívidas.
06:52Japão tem uma dívida enorme, os Estados Unidos estão com este mesmo problema,
06:58mas cada caso é um caso, né?
07:01Na questão da França, que tem uma dívida pública e um déficit público também aqui importante,
07:09o que isso significa, BNK?
07:12Porque nós estamos falando não só da França, aí colocando uma visão um pouco mais macro,
07:17segundo a maior economia da Europa, segundo a maior economia da zona do euro,
07:21segundo a maior economia da União Europeia.
07:24Quer dizer, quando você tem uma locomotiva que anda mais lenta, no caso da União Europeia,
07:29os outros vagões tendem a ficar ali pelo caminho.
07:33Esse é o caso, este aqui é um problema insolúvel, insolúvel eu estou exagerando, tudo bem,
07:39mas é um problema já que pode apontar para uma certa gravidade na França?
07:46Pode, pode.
07:47Existe solução?
07:48Existe.
07:49A solução é cortar gastos, né?
07:51O próprio Bayrou que acabou de cair, ele caiu balançando essa bandeira, né?
07:56Precisamos cortar gastos e ele caiu defendendo isso até o fim.
08:02O que acontece é que a França, apesar de, por exemplo, ter outros países como você citou,
08:06o Japão, os Estados Unidos, que têm gastos tão elevados quanto seus PIBs,
08:10a França não imprime o dinheiro do mundo como os Estados Unidos imprimem, né?
08:14E é capaz de emitir a dívida do mundo.
08:17Então, o que acontece?
08:18Investidores e as agências de rating, as agências que determinam qual é o risco de investir em um determinado país,
08:25eles farejam isso no ar, eles farejam essa paralisia política que a França está sofrendo
08:32e começam a rebaixar a nota, como se fosse o Serasa baixando o seu score, né?
08:38O seu score de crédito para conseguir um empréstimo, agora tem que pagar um juro mais alto.
08:42Essas agências e os investidores que compram os títulos públicos da França,
08:45que emprestam dinheiro para a França, começam a farejar isso
08:49e começam a cobrar mais caro para poder emprestar dinheiro para a França,
08:53porque eles acham que a França não vai ser capaz de resolver esses problemas,
08:57como até agora não tem sido capaz, né?
08:59A classe política não entra em acordo.
09:01E aí acontece uma bizarrice.
09:04A Grécia, que há 15 anos atrás incendiou uma crise que teve proporções no mundo inteiro, né?
09:1015, 12 anos... Começou há 15 anos e acabou há 12 anos atrás.
09:14A Grécia, hoje, tem títulos públicos mais baratos, com juros mais atrativos,
09:20do que os títulos públicos franceses.
09:23A Itália, que é referência em crise econômica e política na Europa,
09:29ela tem títulos públicos mais baratos do que os títulos franceses.
09:32Ou seja, os investidores estão cobrando mais caro para emprestar dinheiro
09:35para a segunda economia do bloco do euro,
09:38do que para emprestar para a Grécia, que tem um histórico de calote há pouquíssimo tempo.
09:41Então, isso é preocupante, né?
09:44A economia pode realmente ser muito afetada, caso a França não se resolva,
09:49porque é um país grande demais para ter problemas desse tipo.
09:52Benicá, fico muito feliz que nós estamos em sintonia na nossa conversa.
09:56Quem nos assiste aí, ó, não foi nada descombinado, né?
09:59Vê o que o Leandro falou.
10:01Grécia, Itália, França...
10:04Olha o próximo gráfico que eu preparei aqui,
10:06que são as maiores dívidas públicas com relações aos seus próprios PIBs na zona do euro.
10:14Como você falou, Grécia supera os 150%, mas queria chamar a atenção para cá, ó.
10:21Itália, França e lá no pezinho está aqui a Alemanha, que é a maior economia.
10:29Tudo bem, está longe de estar com o mesmo problema de Itália e França,
10:34mas olhando para o macro, Benicá, você que está aí na Europa, na União Europeia,
10:39essas locomotivas...
10:40Porque a Alemanha também já começou a sinalizar,
10:42e a gente já viu isso na guerra da Ucrânia,
10:46entendo os seus problemas, mas eu estou com problemas internos
10:49e ajudar os próximos não está na minha lista de prioridades.
10:53Se isso esbarra em França e Itália, pode ser um castelo de cartas,
10:59aquele que você mexe na base, blum, desmorona tudo?
11:02Pode, pode muito bem, pode muito bem.
11:05Você imagina a loucura que é isso, é você ter, sei lá,
11:09dois vizinhos aí pedindo dinheiro emprestado,
11:12um deles gasta 150% daquilo que ele ganha,
11:16o outro gasta 140% daquilo que ele ganha,
11:19o outro gasta 114%.
11:20Você prefere emprestar para o cara que gasta mais.
11:24Olha o nível da desconfiança de que isso pode gerar um efeito dominó,
11:28um efeito cascata.
11:30É importante se alentar que existe, assim,
11:33até é descartada a hipótese, por exemplo, de uma salvação da FMI,
11:38existe a presidente do Bloco Europeu,
11:41até deu essa entrevista na semana passada,
11:45antes da queda do bairro e tal,
11:47mas ela deu essa entrevista dizendo que,
11:48se for necessário, caso seja necessário,
11:51o Bloco Europeu compraria, salvaria,
11:55compraria uma quantidade massiva de títulos lá da França
11:57para salvar, para dar uma emprestada de dinheiro para a França.
12:01Mas, por exemplo, a Alemanha, como você falou,
12:03já tirou o corpo fora.
12:04Exatamente.
12:07Eu tenho, eu tenho, olha,
12:08não é meu circo, não são meus macacos,
12:10eu vou cuidar dos meus problemas aqui,
12:13vocês que se virem.
12:15Mas o problema,
12:16voltando ao Ouroboros, né,
12:17o problema todo da França está na
12:19política fragmentada, como a gente tem.
12:22É uma situação de paralisia política,
12:25e o francês, o povo francês,
12:27também não se ajuda,
12:28porque eles adoram queimar o seu pejôzinho na rua,
12:30quebrar umas vidraças e tocar fogo no pejô.
12:34E isso vai acontecer agora.
12:35Está marcado, né, você está sabendo,
12:37está marcado para o dia 10 agora.
12:39Tem o Bloco On To,
12:40que é bloqueie tudo.
12:43Uma greve geral, né?
12:45Greve geral, greve geral.
12:46Então, tem uma marcada para o dia 10,
12:48tem outra marcada para o dia 18.
12:50E aí, o medo que se espalha agora,
12:53você lembra dos coletinhos amarelos?
12:54O medo que se espalha agora é um coletinhos amarelos 2.0.
13:00Benicá, você mantém o seu telefone ligado,
13:05ignora o nosso fuso horário,
13:07porque eu fico muito feliz desse nosso reencontro.
13:11O Leandro Benicá foi uma fonte minha lá atrás,
13:13e a gente se reencontrou aqui.
13:14Espero que seja o primeiro reencontro de muitos
13:17que nós vamos ter,
13:19que você seja, como dizia o Hemway,
13:21o nosso homem em Havana,
13:22que você seja o nosso homem aí na França.
13:24Muito bom.
13:25Meu WhatsApp está aqui ligado,
13:27contatos abertos aqui,
13:28você me chama a hora que precisar,
13:29porque, poxa, é um prazer enorme falar com você.
13:32Eu sou seu fã, meu querido.
13:33É, mútuo.
13:34Leandro Benicá,
13:35consultor de investimentos da API Capital.
13:38Até uma próxima oportunidade,
13:40que você já cantou a bola,
13:41vai ser muito em breve.
13:42Estamos aí de olho nos coletes amarelos.
13:45Benicá, obrigado mais uma vez.
13:47Ótima semana.
13:48E aí
13:57E aí
13:57E aí
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