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O Parlamento da França aprovou uma lei emergencial para evitar a paralisação do governo diante do impasse no orçamento de 2026. Diego Mezzogiorno, correspondente na Europa, explicou como a medida garante serviços públicos, adia investimentos e busca estabilidade fiscal em meio à crise política francesa. Confira análise de Mariana Almeida.

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Transcrição
00:00O Parlamento da França aprovou um projeto de lei de emergência para evitar uma paralisação do governo na próxima semana
00:07após o fracasso das negociações do orçamento de 2026.
00:12A medida foi apresentada pelo presidente Emmanuel Macron e seu gabinete com poucos dias para o início do novo ano
00:19e busca garantir a continuidade dos serviços públicos.
00:22O nosso correspondente na Europa, Diego Mezzogiorno, traz mais detalhes desse assunto porque a França, pelo jeito, Diego,
00:30quer evitar o que aconteceu nos Estados Unidos, um shutdown.
00:34É isso. Muito bom dia para você, Diego.
00:39Bom dia, Fernanda. Bom dia a todos.
00:41É um modelo muito parecido e isso tem a ver com a dificuldade de Lecourneau, o primeiro-ministro da França,
00:49que desde o começo, quando ele tomou posse a primeira vez, que foi o governo de menor duração da história da França,
00:58teve que renegociar com a esquerda para conseguir efetivamente governar, ainda há questões ligadas à governabilidade.
01:06Então, isso é um método de não ter paralisações, especialmente nos serviços públicos, por conta desses confrontos políticos.
01:13É um modelo muito parecido com o dos Estados Unidos.
01:15Neste modelo que eles estão aplicando, é que toda a somatória tenha que ser feita com os valores do ano passado,
01:24no caso, 2025 para 2026.
01:27E não inclui nenhum tipo de investimento.
01:29Então, é só um tipo de valor que vai manter os serviços públicos funcionantes
01:37para que realmente não tenha esse problema com a população e a população que, inclusive,
01:42já está bastante cansada dessa própria crise política que não se resolve na França.
01:48Mas é um modelo parecido e eu vou até dizer que, provavelmente, outros países da Europa podem copiá-lo,
01:56embora isso não seja muito comum na Europa por questões de governabilidade.
02:00Alguns modelos, inclusive, de política aqui são diferentes.
02:06Por exemplo, a Itália é um país totalmente parlamentarista, a França semipresidencialista.
02:12Então, a força do parlamento, do Congresso, é bastante importante.
02:16E em crises políticas que têm acontecido em vários países,
02:19isso passa a ser, talvez, uma chave interessante para manter os serviços públicos.
02:24Fernando.
02:26Diego, muito obrigada por todas as suas informações.
02:28Claro que a gente super vai repercutir sobre isso.
02:32Inclusive, já vou dar o meu bom dia para a Mari, porque eu quero repercutir esse assunto.
02:36Mari Almeida, muito bom dia para você.
02:39Bom dia, Fernanda, para você e para todo mundo que nos acompanha nesse 24 de dezembro.
02:43E vamos, então, falar sobre esse possível shutdown, que foi o que aconteceu nos Estados Unidos
02:51e a França quer evitar isso de qualquer maneira.
02:54Então, Omari, seria uma situação extremamente complicada, porque a gente viu o que aconteceu
03:00com os Estados Unidos, dados atrasados também por conta de shutdown.
03:03E não só isso, né?
03:04Vários outros assuntos.
03:06Então, a França, claramente, quer evitar isso.
03:09Como é que está essa situação?
03:10É possível evitar ou estar mais perto de um shutdown?
03:14Bom, acho que a gente tem comentado aqui que a França, ela está com um problema aqui,
03:17no fundo, ele é estrutural e as soluções que estão vindo por enquanto são só conjunturais,
03:23como essa que acabou de acontecer, que é a aprovação de uma solução emergencial,
03:28que evita o shutdown no sentido de que não paralisa completamente a máquina, mas paralisa
03:33investimentos.
03:33Um grande tema que rondou e até azedou um pouquinho mais a conversa estrutural lá no
03:39Parlamento francês foi justamente a França apoiar o aumento dos investimentos do campo
03:45da defesa.
03:46Tem uma proposta do governo que amplia de maneira significativa gastos com defesa, são novos
03:51investimentos que, na atual situação emergencial aprovada, deixam de acontecer, ou pelo menos
03:57ainda não podem acontecer, até que se chegue a um acordo mais amplo em relação ao orçamento
04:03como um todo.
04:03Porque a ação emergencial, basicamente, é porque não tem acordo no orçamento e esse
04:08é o assunto que eu estou dizendo que é estrutural.
04:11Por que é estrutural?
04:11Do ponto de vista das contas públicas, o que se tem hoje como receitas e despesas,
04:19elas não se sustentam, a menos que a França conseguisse engatar um crescimento bastante
04:24mais acelerado do que tem se mostrado possível nos últimos anos.
04:29Por que precisa do crescimento?
04:30Porque se cresce, as alíquotas e o modelo de arrecadação talvez desse em conta a despesa
04:36que segue crescendo de maneira significativa e com padrão de benefícios sociais, que é um
04:41padrão ainda tradicional do modelo europeu, do modelo francês.
04:44Agora, as receitas não, estão crescendo mais lentamente porque a economia cresce mais
04:48lentamente.
04:49Nessa situação, o que fazer?
04:51Bom, a esquerda tende a ser defendida de maneira mais intensa, aumenta sobre a receita.
04:57A direita, de redução dos benefícios.
05:01E o centro, defendido que a conta feche com um cenário cada vez menos negativo.
05:06Ou seja, não tem grupos suficientes para realmente aprovar um novo modelo.
05:11Porque entre receita e despesa dando negativo, e aliás, a França vem carregando esse negativo
05:16com um aumento de dívida muito amplo, você precisa ter uma solução que consiga resolver
05:23minimamente, criar um caminho que não fique só no resultado, como diz o centro, que é
05:29tá bom, eu quero garantir de novo estrutura fiscal, quero um modelo fiscal sustentável.
05:33Mas o governo fala isso e também coloca defesa como uma despesa a mais.
05:38Qual a solução?
05:39Ou corta mais despesa, e aí a esquerda não deixa, ou aumenta a receita, e aí é a direita
05:46que não deixa.
05:47E na composição política, não se conseguiu chegar ainda num acordo.
05:51Tem sempre um acordo de margem, tira um pouquinho daqui, um pouquinho dali, mas não
05:55tem uma solução.
05:56Nem foi aprovado de maneira definitiva novos impostos sobre os mais ricos, ou mais impostos
06:02sobre as empresas, que era proposta pela receita, nem cortes ainda mais substanciais
06:07do ponto de vista de seguridade e benefícios.
06:09Ao contrário, a seguridade até encontrou algum ponto aí já de apoio de gastos.
06:14Então, nesse cenário, basicamente, o que a França conseguiu fazer é, não vou fechar.
06:19O melhor cenário da França é super conjuntural, super emergencial, dizendo, tá, tem um problema,
06:23não sei como vou resolver, portanto vou me arrastar mais um pouquinho.
06:27Mas, como eu venho dizendo também aqui, esse caso francês, ele é muito simbólico
06:32de um problema mais geral na Europa e a ver como serão os próximos capítulos, porque
06:36a solução de hoje não serve para amanhã.
06:39E alguém vai ter que encarar de frente esse problema e entender como que a nova composição
06:43política vai ser viável, que escolhas terão que ser feitas.
06:46E a gente vai, claro, trazer todas as informações e todos os detalhes sobre esse assunto.
06:52Daqui a pouquinho, a Maria Almeida volta para falar conosco.
06:54E você está vendo esse QR Code aí na sua tela?
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