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Lucas Costa Beber, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja MT), comentou ao Real Time sobre os desafios da missão empresarial em Washington (EUA) para reduzir tarifas que afetam o agronegócio. Ele destacou impactos no café, carne e milho, e riscos de retaliação americana caso se aplique a lei da reciprocidade.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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Transcrição
00:00E o grupo de associações e organizações ligadas ao agronegócio segue hoje em Washington na missão
00:14de tentar reverter e negociar o tarifácio. O agro tem sido um dos setores mais impactados
00:20pelas tarifas. E para falar sobre este cenário, eu converso agora com o Lucas Costa Beber,
00:25presidente da APROSOJA Mato Grosso. Oi, Lucas, muito bom dia para você. Tudo bem contigo?
00:32Tudo bem, Eric. Um prazer poder conversar com vocês.
00:35O prazer é todo nosso de tê-lo aqui no Real Time.
00:38Lucas, eu queria começar a nossa conversa falando o seguinte.
00:42A gente tem uma missão empresarial importante lá em Washington.
00:47E quando bateram lá na porta da Casa Branca, o vice-secretário de Estado norte-americano,
00:52o Christopher Landau, disse o seguinte.
00:55Vocês estão batendo na porta errada. Vocês querem fazer lobby, vão fazendo em Brasília e não em Washington.
01:01E realmente as tarifas são uma questão política.
01:05Aí fica difícil de negociar alguma coisa ou tentar abrir um canal de diálogo, né, Lucas?
01:11É, sem dúvida nenhuma, né? Tem tido essa dificuldade.
01:14No início, o presidente Donald Trump não queria, né, ouvir o presidente brasileiro.
01:21Mas, por outro lado, nós também não vemos agora, né,
01:25quando Trump se manifestou em ter esse diálogo.
01:30Nós temos que considerar que dos 20 países do G20,
01:34só um ainda não sentou para conversar com os Estados Unidos,
01:38que é o presidente brasileiro, é o Brasil.
01:41independente de termos chanceler, diplomata,
01:46a maior autoridade político-diplomática de um país é o presidente da República.
01:51Então, de certo modo, os Estados Unidos batem a porta na nossa cara aos empresários,
01:57mas, por outro lado, ele dá um recado.
02:00Conversem com o seu presidente e ele precisa vir dialogar conosco, né?
02:05Então, essa é uma preocupação que nós temos, enquanto há essa morosidade,
02:11principalmente quando ainda, somado a isso, o presidente da República
02:15tem um discurso praticamente solitário da desdolarização.
02:21Mesmo países do BRICS, como a Índia, têm evitado tocar nesse assunto.
02:27Ou seja, eles até fazem, mas não ficam alarmando.
02:30Ainda há esperança, por exemplo, para o setor de que haja um afrouxamento dessas tarifas?
02:37A gente está vendo aí, por exemplo, o café.
02:40O café está tendo perdas importantes, inclusive tentando ampliar as suas vendas
02:44ou tentando escoar o que não está indo para os Estados Unidos,
02:47para a Alemanha, né?
02:48Numa alternativa aí de minimizar os impactos.
02:52Há uma esperança de que podemos ter um relaxamento dessas tarifas,
02:56pelo menos no médio ou longo prazo, Lucas?
02:58É, Eric, o que nós temos que considerar é o seguinte.
03:03Eu acho difícil afrouxar sem diálogo, sem buscar diplomacia.
03:08Isso depende dos dois países.
03:10Agora, claro, o Brasil tem que dar o próximo passo a isso,
03:14considerando que a soja e o milho diretamente não são tão impactadas,
03:21indiretamente, sim, porque nós fornecemos carne para os Estados Unidos
03:24e é usado o farelo de soja e o grão de milho para produzir a proteína animal.
03:31E, claro, por outro lado, nós temos um fator positivo,
03:35que a China é o maior importador de soja do mundo,
03:38o Brasil o maior exportador.
03:40E o milho também, nos últimos anos, a China tem aumentado.
03:43Então, para a nossa cultura, acaba aumentando essa demanda.
03:47Agora, como você falou, outras culturas complicam,
03:50porque mesmo você falando do café, a Alemanha absorver,
03:53ela já, diante desse cenário geopolítico e também comercialmente favorável,
04:00ela sabe que reduzem as opções para o Brasil,
04:03ela também vai se aproveitar em ofertar um valor menor também.
04:08Então, acaba prejudicando.
04:10Nós temos que ter um olhar de brasileiros na nossa economia como um total,
04:15como, de modo geral, vai prejudicar a nossa economia.
04:19Lembrando que os Estados Unidos também é um grande importador de pescado do Brasil,
04:24de mel e outras culturas aí que impulsionam a nossa economia.
04:31Lucas, o que você está querendo me dizer é o seguinte,
04:33a gente pode até continuar exportando no volume,
04:35mas a gente pode ter perda de faturamento, de receita,
04:39justamente por causa da diferença aí de valores, talvez, que serão negociados?
04:44Com certeza.
04:45A partir do momento que você tem menos possibilidades de mercado,
04:49os mercados que restam, eles acabam se aproveitando dessa oportunidade,
04:55entre aspas, que surge a eles,
04:57porque eles sabem que o Brasil não tem opção
04:59e não pode ficar com a produção parada.
05:03É dinheiro para...
05:05Ô, Lucas, a gente está vendo que o governo brasileiro até está tentando
05:12abrir esse diálogo com o presidente Trump.
05:15A gente tentou aí, ou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
05:20ele tentou aí falar com o Scott Bessent, secretário do Tesouro,
05:25sem sucesso, né?
05:26Scott Bessent acabou cancelando uma agenda.
05:31Oi, tá me ouvindo?
05:32Lucas voltou aqui.
05:33Lucas, então, só para complementar,
05:36o governo brasileiro estava até disposto a negociar o presidente Lula,
05:40tentar falar com o Trump.
05:41A gente viu aí que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
05:44tentou uma agenda com o Scott Bessent, secretário do Tesouro,
05:47para fazer ali uma preparação, talvez, dessa conversa entre Trump e Lula.
05:52Mas o que a gente percebe é que não há uma disposição,
05:55talvez, neste momento,
05:57para um diálogo num nível comercial.
06:00Isso também é um risco?
06:01Porque se de um lado quer e o outro não quer,
06:04fica mais difícil chegar a um acordo,
06:05ou pelo menos começar aí uma negociação.
06:08E isso acaba prejudicando o empresariado.
06:10É o que você falou bem, Eric,
06:11quando um quer, o outro não quer, né?
06:14Então, claro, mas tem que tentar.
06:17Acho que o Brasil tem que mostrar essa disponibilidade
06:19a partir de que nós vimos aí que 19 países do G20 já fizeram isso.
06:25Nós temos que insistir, em momento algum,
06:26nós podemos atacar, independente se eles estão certo ou não.
06:30Então, é importante e fundamental a relação comercial.
06:34Nós temos que lembrar que,
06:36quando o presidente insiste nesse discurso de desdolarização,
06:41um ataca o outro,
06:42aumenta o risco o país aqui e afasta investidores.
06:45Nós temos que lembrar que os maiores investidores,
06:49o país que tem mais investidores no Brasil,
06:52ainda é os Estados Unidos também.
06:54Então, nós temos que olhar para a nossa economia.
06:57Se nós tivermos, nós como agricultores,
06:59a economia interna aquecida,
07:01nós também temos mais consumo.
07:04As pessoas viajam mais, consomem combustíveis.
07:07Aí entram os nossos biocombustíveis também.
07:10Nós temos mais opções de ofertar os nossos alimentos
07:15para outros países.
07:17É mais concorrido a disputa por alimentos brasileiros,
07:20o que acaba valorizando e entrando mais capital
07:23aqui dentro do país.
07:24Ou seja, gera sempre divisas.
07:27Então, quanto nós vivemos aí,
07:29desde o início da década de 90,
07:31o presidente Collor abriu o mercado brasileiro.
07:35E daí, então, o Brasil cresceu muito a sua economia,
07:39ainda mais com o plano real.
07:42E grande parte disso é as exportações,
07:45são as relações comerciais diplomáticas.
07:48E o Brasil tem que ter esse foco.
07:50Ele tem que escolher.
07:51Ou nós nos fechamos de vez,
07:53ou nós seguimos como um país aberto
07:56que dialoga com todas as nações.
07:58Ou seja, é um diálogo neutro.
08:00Nós temos que lembrar que no governo anterior
08:02também houve erro quando o presidente se manifestou
08:06lá no ataque que houve dos Estados Unidos ao Irã,
08:09o que acabou desestabilizando as relações comerciais.
08:12E o Irã, na época, era o maior importador de milho do Brasil.
08:16O presidente entendeu que, em alguns momentos,
08:19quando a guerra não é sua, você não entra.
08:23Se mantém na neutralidade para justamente a sua economia
08:27se manter firme, forte e crescente.
08:30Para finalizar aqui essa nossa conversa rapidamente,
08:33Lucas,
08:34O presidente Lula já autorizou a equipe de governo
08:38a estudar uma retaliação aos Estados Unidos
08:42com a lei da reciprocidade.
08:44Existe alguma preocupação de escalada do tarifácio
08:46se o Brasil aplicar essa lei de reciprocidade?
08:51Total.
08:51Há essa preocupação.
08:53Inclusive, a FPA tem pedido para o presidente não aplicar
08:57porque os Estados Unidos também...
08:59Nós temos que lembrar que, quando o Donald Trump
09:02anunciou esse tarifácio de 50%,
09:04ele falou que todas as tarifas que iriam daqui para lá também
09:08dobrariam.
09:09Então, nós estamos condenando a própria economia brasileira.
09:14Nesse atual cenário,
09:18não protege a economia brasileira usar reciprocidade.
09:23A única coisa que isso serve
09:25é cenário político para o presidente falar em soberania,
09:30mas, pensando de uma maneira racional,
09:34seria um grande desastre
09:38insistir em reciprocidade,
09:41nesse caso, com os Estados Unidos,
09:43sem antes haver um diálogo.
09:45Lucas Costa Beber,
09:47obrigado, viu, pela sua participação aqui no Real Time.
09:50Um grande abraço para você
09:51e uma ótima quinta-feira.
09:52Obrigado, Eric.
09:55Um forte abraço.
09:56Tudo de bom.
09:57Obrigado.
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