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Juristas e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro questionam a legalidade do julgamento da suposta tentativa de golpe. O debate se intensificou após a oposição apontar que as provas e acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR) seriam frágeis.

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Transcrição
00:00Começa amanhã o julgamento de Jair Bolsonaro e outras sete pessoas acusadas de suposta tentativa de golpe
00:07em uma ação amplamente questionada por juristas e aliados.
00:12Pessoas próximas ao ex-presidente afirmam que as conclusões da PGR não possuem provas materiais e indícios robustos da alegada trama.
00:21Com boa parte dessa denúncia baseando-se apenas nas declarações do delator Mauro Cid, que mudou várias vezes de versão.
00:30As defesas do ex-presidente e também dos outros réus também afirmam que o procurador-geral da República, Paulo Gonê,
00:38chegou a conclusões equivocadas, distorcidas sobre os documentos apreendidos durante a investigação.
00:44Mesmo reconhecendo as grandes chances do STF ignorar essas fragilidades e condenar Jair Bolsonaro,
00:52os advogados passaram a apostar nas divergências entre os ministros para apresentar recursos e tentar levar esse processo ao plenário.
01:02Chamar os nossos comentaristas, expectativas para o início do julgamento.
01:05Começa amanhã pela manhã, nove horas, cobertura completa aqui na Jovem Pan News.
01:11Vamos ao Rio de Janeiro?
01:12Roberto Mota, apostos, essa semana é uma semana especial, todas as atenções voltadas para esse julgamento.
01:18Mota, seja bem-vindo, ótima noite, excelente semana, que a gente deve considerar, precisa trazer, discutir, analisar
01:26em relação a esse julgamento que começa amanhã e também projeções que indicam a possibilidade
01:33de até levar essa discussão para o plenário da Corte.
01:37Mota?
01:37Eu não vejo essa possibilidade como grande e nem entendo que isso vai fazer muita diferença.
01:47Caniato, boa noite pra você, boa noite aos meus colegas de bancada, boa noite à nossa audiência.
01:54Essa é a semana de um julgamento cujo desfecho parece que o país inteiro já conhece.
02:03Porque alguns dos magistrados que participarão do julgamento já anunciaram a sua opinião sobre ele há muito tempo.
02:13O Estado de Direito supõe que um réu seja julgado no foro adequado por um juiz imparcial que não tem interesse na causa
02:24e com amplo direito à defesa, incluindo recursos em vários graus.
02:30Planejar um crime não é crime, a menos que o planejamento seja definido como uma conduta criminosa por uma lei específica.
02:44Não existe crime sem lei anterior que o defina.
02:50Ninguém poderá ser obrigado a fazer ou deixar de fazer qualquer coisa a não ser em virtude de lei.
02:58Tudo isso que eu acabei de dizer são fundamentos jurídicos amplamente conhecidos por todos os bachareis em direito no Brasil.
03:09Pelo menos eram até o início de 2019.
03:12O julgamento que trata da suposta tentativa de golpe em destaque na abertura de Os Pingos nos Is.
03:19Vamos chamar o Luiz Felipe Dávila.
03:21Nessa abertura também vai trazer suas impressões, seus apontamentos.
03:26Dávila, seja bem-vindo. Ótima semana.
03:29Que devemos trazer, considerar, destacar para a nossa audiência em relação a esse julgamento que começa amanhã.
03:35Tem, inclusive, uma vertente de juristas que entendem que há, sim, a possibilidade dos advogados conseguirem levar esse julgamento para o plenário da casa.
03:46Enfim, algo que a gente vai discutir ao longo do programa.
03:50Caneto, boa noite a você, ao Mota, ao Beraldo e à nossa querida audiência.
03:55O mais importante neste julgamento é um momento que deveria cronar o Supremo como a grande organização,
04:06coroando com a defensor da Constituição, do devido processo legal, do direito à ampla defesa.
04:14Seria um momento, assim, do apogeu do Supremo Tribunal Federal, se tivesse seguido rigorosamente a Constituição, o Estado Democrático e Direito,
04:26as regras do devido processo legal, se tivesse atuado como guardião da Constituição.
04:33Mas nada disso aconteceu, Caneto.
04:35Nós tivemos um Supremo Tribunal Federal que, muitas vezes, abusou do poder, ignorou a Constituição,
04:44esqueceu a sua obrigação de ser guardião da Constituição e atuou muito mais como um órgão político do que um guardião da ordem constitucional do país.
04:55Tudo isso afeta a credibilidade deste processo que, como nós já repetimos várias vezes nos Pingos nos Is,
05:05já é uma sentença que conhecemos o desfecho final.
05:09Porque não é um julgamento de acordo com a lei e com a Constituição,
05:14mas sim de acordo com opinião política e não com o que está na Constituição ou no Código Penal,
05:21mas como deveria ter sido imaginada a lei ou a Constituição.
05:26Tudo isso mancha este processo no momento no qual o Brasil deveria estar olhando para o Supremo,
05:37atuando como este guardião da lei.
05:40Mas nós, infelizmente, enxergamos esse Supremo como, na verdade, o poder da arbitrariedade.
05:47Começa por esse ponto destacado pelo Mota,
05:51de que o caso é julgado por um juiz que é, ao mesmo tempo, julgador, investigador e vítima.
06:02Algo que fere o princípio basilar do Estado Democrático de Direito,
06:08que é a impessoalidade do juiz que julga a causa.
06:13Aliás, é tão grave esta violação da impessoalidade
06:18que, na verdade, o ministro poderia responder futuramente
06:22por violação, por um crime de responsabilidade.
06:29Por isso, Caniato, só este destaque da violação do devido processo legal
06:36e o julgamento por um juiz que é julgador, vítima,
06:41já mostra em si a barbaridade que este caso está tomando conta
06:47e deixando a lei de lado e focando nas consequências políticas.
06:53Tudo o que uma justiça não deveria fazer.
06:58O Supremo Tribunal Federal começa a julgar amanhã
07:01o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus
07:04acusados de supostamente articularem um golpe de Estado.
07:08Chama o Cristiano Beraldo também, apostos,
07:12vai trazer suas reflexões iniciais acerca desse julgamento.
07:17Beraldo, seja bem-vindo, ótima noite a você.
07:20Cinco dias de julgamento, dia 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro.
07:25Amanhã, a partir das nove da manhã, cobertura completa da Jair Bolsonaro.
07:38Boa noite, Caniato, boa noite, Mota, Dávila e boa noite à audiência
07:43que prestigiei diariamente aqui os pingos nos isco.
07:46Caniato, nós estamos diante de um julgamento que,
07:50do ponto de vista prático, ele não precisava nem ter acontecido.
07:53Pelas manifestações dos próprios ministros julgadores,
07:57a sentença já está dada.
07:59O que a gente vai descobrir agora é simplesmente
08:02há quantos anos de prisão Jair Bolsonaro será condenado.
08:05Esse julgamento que começou, lembremos sempre,
08:09com a exibição de um vídeo.
08:11O relator queria exibir um vídeo
08:13para colocar todo mundo no clima do julgamento.
08:18Olha, não vamos esquecer do que aconteceu no 8 de janeiro.
08:22Dizia assim o ministro, julgador,
08:27que deveria simplesmente atender ao que está escrito na Constituição.
08:32se ater à lei para julgar, se olhar para a capa do processo.
08:36É assim que eles próprios dizem.
08:39O ministro, o juiz, não deve olhar para a capa do processo,
08:43ou seja, não deve se importar com quem está ali,
08:48configurando como réu, como acusador, como defensor,
08:53simplesmente se ater aos fatos e à lei,
08:56e com isso emitir a sua opinião.
08:58Então, dou a quem doer.
09:00Mas não nesse caso.
09:01Esse caso é muito especial.
09:04Afinal de contas, os ministros estão reunidos
09:07para defender a democracia
09:10e colocar na cadeia aqueles que ousaram
09:15fazer um plano para destruir,
09:20para atentar de forma violenta
09:23contra o Estado Democrático de Direito.
09:26Aí, todos nós, brasileiros,
09:29deveríamos concluir.
09:31Ora, claro, o Supremo Tribunal Federal,
09:35esse colegiado de 11 ministros
09:38que decidem aquilo que é ou não constitucional.
09:44Mas aí somos confrontados com a realidade.
09:47Não se tratam de 11 ministros neste caso,
09:51se tratam de 5 ministros,
09:54porque, apesar de toda a gravidade
09:56colocada em cima deste tema,
10:00eles próprios acharam que era adequado
10:03que 5 dos 11 ministros julgassem o caso.
10:08Ora, o Mensalão levou 8 anos
10:11para ir ao pleno do Supremo Tribunal Federal.
10:15Mas neste caso, do golpe que não existiu,
10:20este caso, em apenas 5 meses,
10:23quiseram os 5 ministros,
10:26ele está pronto para ser julgado
10:28e colocaram o ex-presidente na cadeia.
10:31É justo ou injusto?
10:33Não saberemos com esse julgamento.
10:35Os crimes cometidos por Jair Bolsonaro
10:38serão julgados ou não?
10:40Não saberemos com esse julgamento.
10:42Esse julgamento trata de vingança.
10:46Esse julgamento trata de atropelar
10:48a Constituição brasileira.
10:50Este julgamento trata dos interesses pessoais
10:53daqueles que estão ocupando o cargo de ministro.
10:57Eles não serão ministros para sempre,
10:59mas eles estão lá usando e abusando
11:02do poder que receberam,
11:04sobretudo do Senado Federal,
11:05que dorme em berço esplêndido
11:08sem reagir a absolutamente nada
11:11do que está acontecendo.
11:13Pois é, e a gente tem discutido
11:15questões que envolvem esse julgamento,
11:19a delação de Marocid,
11:20as provas que foram levantadas até aqui,
11:23e há muitas dúvidas em relação
11:27à robustez desse material.
11:31Chama o Roberto Mota
11:32para a gente fazer uma reflexão,
11:34porque alguns veículos de comunicação,
11:35viu, Mota,
11:36falam em divergências
11:38entre os ministros que integram essa turma
11:41da Suprema Corte.
11:43Além do ministro relator Alexandre de Moraes,
11:45temos Flávio Dino, Luiz Fux,
11:47Carmen Lúcia e Cristiano Zanin.
11:49E há um cenário apontado por alguns veículos
11:53que indicam a possibilidade
11:55do ministro Luiz Fux
11:57abrir divergência
11:59ou até realizar,
12:01fazer um pedido de vista,
12:03o que atrasaria ou postergaria
12:05em 90 dias esse julgamento.
12:08Há algumas sinalizações
12:09de que ele poderia fazer isso,
12:10outros não.
12:11Haverá, sim, divergência,
12:13possivelmente,
12:14no voto que será manifestado
12:16pelo ministro Luiz Fux.
12:17Lá atrás, poxa,
12:19quantos juristas ou analistas,
12:22inclusive comentaristas da Jovem Pan,
12:24diziam, olha,
12:25já está mais ou menos definido,
12:27não há muitas dúvidas
12:28em relação ao desfecho desse julgamento.
12:31Só que alguns veículos de comunicação
12:33ou analistas ou até juristas
12:34apontam para a possibilidade, sim,
12:36de uma reversão,
12:37de uma mudança,
12:38um pedido de vista
12:39a 90 dias de atraso
12:41ou até alguma brecha
12:44no funcionamento do julgamento
12:46para levar isso para o plenário.
12:50Enfim, Mota,
12:51você acha possível
12:53essa teoria
12:54ou essa possibilidade
12:56que alguns veículos de comunicação
12:57têm destacado,
12:58têm levantado?
12:59Ou você acha que
13:00aquela tese
13:01destacada lá atrás
13:04de que as coisas já estão
13:05mais ou menos definidas
13:06é a que deve prosperar?
13:08Eu vejo muita chance
13:13disso acontecer,
13:14Caniato,
13:15e também não vejo
13:16como acontecendo isso
13:18isso afetaria
13:20de alguma forma
13:21o resultado.
13:22Eu acho que
13:23do ponto de vista político
13:25essa possibilidade
13:27talvez torne o processo
13:29pior ainda,
13:31porque
13:31se algum ministro
13:33pedir vistas
13:34e adiar por 90 dias,
13:36esse processo todo
13:38vai ficar
13:39para o ano que vem
13:40com o mesmo resultado.
13:43É só prolongar
13:44o sofrimento.
13:47Eu vi uma matéria
13:48em um veículo
13:49da grande mídia,
13:51essa matéria falava,
13:52matéria de hoje,
13:53falava sobre,
13:55vou abrir aspas,
13:56a estratégia da direita
13:58para o julgamento
13:59de Jair Bolsonaro.
14:01Fecha aspas.
14:02E logo abaixo
14:03dessa manchete
14:04havia um subtítulo
14:05que dizia
14:06narrativas bolsonaristas
14:08estão sendo preparadas
14:10para o caso
14:11de uma eventual prisão.
14:14É sério, gente?
14:16É sério isso?
14:18Essa é a preocupação
14:20da nossa imprensa?
14:21A narrativa?
14:22É isso
14:23que as pessoas
14:24têm a dizer,
14:26que os formadores
14:27de opinião
14:28têm a dizer
14:29sobre o momento
14:30em que o país
14:31está vivendo?
14:32O que é democracia,
14:35afinal?
14:36Ora,
14:37democracia
14:38é aquilo
14:39que nós dissermos
14:40que é democracia,
14:41companheiro.
14:43Porque se você
14:43tem o controle
14:44da narrativa,
14:46você pode dizer
14:47qualquer coisa
14:48e a sua palavra
14:49será lei.
14:51Você pode ter passado
14:53a sua vida inteira
14:54falando sobre
14:56a importância
14:57dos direitos humanos.
14:59Você pegou até avião
15:00para ir a Genebra
15:01ou para ir
15:02nas Nações Unidas
15:03se queixar
15:04de violações
15:05de direitos humanos
15:06no Brasil.
15:07Você passou
15:08boa parte
15:08da sua vida
15:09protestando
15:11contra a censura,
15:13mas agora
15:13você quer
15:14que os direitos humanos
15:16se danem.
15:17E você passou
15:18a ser a favor
15:19da censura.
15:20porque é para combater
15:22a adultização.
15:24É tudo
15:25pela democracia.
15:27Quando a gente
15:27olha essas coisas
15:29que estão sendo
15:30ditas
15:31por formadores
15:32de opinião,
15:34abre aspas,
15:34fecha aspas,
15:36é inevitável
15:36concluir.
15:37O século XXI
15:38é o século
15:39da vitória
15:39de Marx,
15:41de Antônio Grance,
15:42de Paulo Freire
15:43e a sua
15:44pedagogia
15:45do oprimido.
15:47Porque parece
15:48que ficou
15:48definitivamente
15:49estabelecido
15:50que democracia
15:51é um regime
15:52de esquerda,
15:54onde meia dúzia
15:55de pessoas
15:55decidem tudo.
15:56Se você não for
15:57de esquerda,
15:58azar o seu.
16:00Ficou estabelecido
16:01que essa história
16:03de devido processo
16:04legal,
16:05isso é só
16:05para usar
16:06nas épocas
16:07e que está tudo bem.
16:08Quando a coisa
16:09fica confusa,
16:11aí deixa
16:11esse devido processo
16:12legal
16:13para lá.
16:15Quem tem
16:15certeza
16:16de que
16:17é dono
16:18da verdade,
16:19não precisa
16:20dessa coisa
16:20de Estado
16:21de Direito.
16:22Esqueça
16:23essa história
16:24de juiz natural,
16:25esqueça
16:26o judiciário
16:27inerte,
16:28isso não se usa
16:29mais,
16:30independência
16:31de poderes.
16:33Esqueçam
16:34o princípio
16:35da legalidade
16:36que diz que
16:36ninguém será
16:37obrigado a fazer
16:38ou deixar
16:39de fazer nada
16:40a não ser
16:40em virtude
16:41de lei.
16:42Só não esqueçam
16:43de uma coisa,
16:45ninguém
16:46vai esquecer
16:47do que está
16:48acontecendo agora.
16:50Pois é,
16:51lembrando a nossa audiência
16:52que os réus
16:53respondem
16:54no Supremo
16:55pelos crimes
16:55de organização
16:56criminosa armada,
16:58tentativa
16:58de abolição
16:59violenta
16:59do Estado
17:00democrático
17:00e de direito,
17:01golpe de Estado,
17:02dano qualificado
17:03pela violência
17:04e grave ameaça,
17:06além de deterioração
17:07de patrimônio
17:08tombado.
17:09Há uma exceção
17:10do ex-diretor
17:12da BIN,
17:12Alexandre Ramagem,
17:13é deputado federal
17:14e aí há um dispositivo
17:16na Constituição
17:17que acaba
17:18obrigando
17:19a suspensão
17:20de parte
17:21dessas acusações.
17:22Então,
17:23ele responde
17:23a três
17:24desses cinco crimes
17:26que eu mencionei
17:27há pouco.
17:28Dávila,
17:28e essa tese,
17:29essa teoria
17:30que indica
17:31a possibilidade
17:31de pedido de vista
17:32de um integrante
17:33da turma
17:34ou até
17:35a possibilidade
17:36das defesas
17:37conseguirem levar
17:38o julgamento
17:39para o plenário.
17:41Você vê
17:41algum tipo
17:42de possibilidade
17:43disso acontecer?
17:45Porque talvez
17:46o curso
17:47fosse outro
17:48no plenário,
17:50ainda que haja
17:51um entendimento
17:52que ainda assim
17:53perderia.
17:54Todos seriam
17:55condenados,
17:56mas por um placar
17:57talvez não tão elástico.
18:00Bom,
18:00primeiro,
18:01Caniato,
18:02é óbvio
18:03que um caso
18:04envolvendo
18:05um ex-presidente
18:06da República
18:07deveria ser julgado.
18:08julgado no pleno.
18:10Afinal de contas,
18:11o Supremo Tribunal Federal
18:13é um colegiado,
18:15e o colegiado
18:16tem que julgar
18:16os onze,
18:17não a turma,
18:19tem que julgar
18:19os onze.
18:20Ainda mais
18:21quando se trata
18:21de um caso
18:22envolvendo um ex-presidente
18:23da República.
18:24Essa história
18:25de turma
18:26é pra fazer
18:27com que o processo
18:28ande mais rápido
18:29do que o desejado,
18:32pra que a opinião
18:33fique restrita
18:34só à turma,
18:35sendo que esta turma,
18:36Caniato,
18:37pelo menos
18:38três ministros
18:39deveriam estar
18:41impedidos
18:42de julgar,
18:43tá certo?
18:44Por quê?
18:45O Flávio Dino
18:46foi ministro
18:48do presidente Lula,
18:51né?
18:51Nós temos
18:52Cristiano Zanin,
18:52que foi advogado
18:54de Lula,
18:54principalmente na época
18:55de Lava Jato,
18:56e o próprio Alexandre
18:58de Moraes,
18:58que ele é vítima
19:00no processo.
19:01Então,
19:02é uma turma
19:02que, na verdade,
19:03três dos cinco membros
19:05não deveriam julgar
19:06se não olhassem
19:08a capa do processo,
19:09como bem disse o Beralda.
19:11Então,
19:11nós temos,
19:12primeiro,
19:13esta incompatibilidade
19:16de interesses
19:17de pessoas
19:18que até pouco tempo atrás
19:19estiveram muito envolvidos
19:21com o presidente Lula.
19:22Então,
19:23como é que vai ser imparcial?
19:24E, segundo o juiz
19:25que conduz o caso,
19:27ele é, na verdade,
19:29vítima do processo,
19:31ele é o acusador
19:32e o investigador,
19:33algo que viola completamente.
19:36E aí,
19:36mais grave,
19:37Caniato,
19:38baseado
19:39numa delação
19:40de Mauro Cid,
19:42que era o ex-ajudante
19:43de ordens
19:43de Bolsonaro,
19:45que foram mais de nove
19:47vezes
19:48essa delação
19:48aconteceu,
19:49com versões diferentes,
19:51sem nenhuma consistência,
19:53sem apresentar
19:54documento,
19:55prova,
19:56e toda peça
19:58da defesa
19:59está baseada
20:00nesta delação,
20:03uma delação
20:03confusa
20:04que o próprio
20:06ministro
20:07Luiz Fux
20:08disse
20:08que veio,
20:09que viu
20:10com muita reserva
20:12nove delações
20:13de um mesmo colaborador
20:14que cada hora
20:15acrescenta uma novidade.
20:17Isso é uma observação
20:18do ministro
20:19da turma.
20:20Então,
20:21Caniato,
20:22quando excluímos
20:24o nome
20:25de Jair Bolsonaro
20:26do processo
20:27e olhamos o caso,
20:29como ele vem sendo
20:30conduzido
20:31às pessoas
20:32envolvidas,
20:34à violação
20:34de princípios
20:36básicos
20:37da isenção,
20:38da impessoalidade,
20:40mostra que
20:41já é
20:42em si
20:43um projeto
20:44condenado
20:46a ser justo.
20:47e cada vez
20:48que a justiça
20:49produz injustiça
20:51e não justiça
20:52é um desgaste
20:54institucional
20:55gigantesco
20:56para o país
20:57porque todos
20:58os cidadãos
20:58olham para aquela
21:00justiça
21:00sempre com a imagem
21:02de impunidade,
21:04privilégio
21:05e injustiça
21:07porque justiça
21:08com parcialidade
21:09não é justiça.

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