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José Pimenta, diretor de relações governamentais e comércio internacional da BMJ Consultores, analisa a entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelos EUA e os caminhos diplomáticos do Brasil. Ele comenta os efeitos no dólar, a reação do mercado, a possibilidade de negociação na OMC e o impacto da crise nas relações bilaterais.

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Transcrição
00:00E a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil começa a valer a meia-noite desta quarta-feira.
00:07Sobre esse assunto eu converso com o José Pimenta, que é diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional da BMJ Consultores.
00:16Oi José, boa noite pra você, seja bem-vindo à Conexão.
00:20Boa noite, boa noite a todos que nos assistem.
00:22José, vamos lá, pra gente começar a nossa entrevista, como você avalia essa tentativa do governo de preparar a ação na Organização Mundial do Comércio?
00:32É uma boa estratégia, uma última cartada? Qual vai ser a finalidade ao seu ver?
00:38Essa é uma estratégia de pressão, uma estratégia que visa principalmente tentar colocar em perspectiva,
00:46numa perspectiva legal, uma perspectiva jurídica, uma perspectiva que a gente tinha até então,
00:53antes até de Trump 1, do governo Trump 1, em relação ao que acontecia tradicionalmente
01:00quando as nações se sentiam de alguma forma lesadas no mundo do comércio internacional.
01:05Elas procuravam instâncias de tomada de decisão, essas instâncias podiam ser regionais ou multilaterais,
01:11e a OMC era uma delas em nível multilateral, a mais importante delas, pra ser sincero.
01:15O Brasil teve casos importantes na OMC, emblemáticos na OMC, diversos deles,
01:21sempre foi um player muito ativo na OMC, porém tudo isso voltou a ser questionado, de certa forma,
01:27com a primeira passagem pelo presidente Donald Trump da presidência da República norte-americana,
01:33com toda a movimentação tarifária que ele fez, de fato, e depois, obviamente, voltando agora,
01:39dobrando a aposta e até num tom muito mais específico, se a gente for colocar, de país para país.
01:48Então, medidas unilaterais que colocaram, de certa forma, todo o sistema multilateral de comércio ainda mais em xeque.
01:54Mas o movimento do Brasil é importante, é um movimento que foi acompanhado por outras nações também,
01:59que fizeram reclamações formais da OMC em relação à política comercial dos Estados Unidos,
02:04a própria União Europeia, a própria China, recentemente.
02:08Então, é um movimento que vem na esteira de uma pressão, uma pressão política,
02:12uma pressão que, de fato, não vai ter um resultado específico no curto prazo,
02:17mas que coloca, se não em xeque, pelo menos coloca um holofote
02:22para como o sistema multilateral de comércio vem sendo erodido nos últimos anos e até agora nos últimos meses.
02:28A gente pode dizer, então, até tomando como base a sua resposta,
02:32ela não vai ter um efeito, obviamente, na prática ali,
02:35mas é importante como um reforço mesmo, um reforço da atitude,
02:39seguindo a linha de outros países que também o fizeram, não?
02:43Sim, sim, exatamente.
02:44Não, na prática não vai ter nenhum resultado concreto no curto prazo, enfim,
02:48salvo se a gente tiver amanhã uma retomada das atividades de maneira plena na OMC,
02:54sobretudo no órgão de apelação, no órgão de solução de controvérsia, no órgão de apelação.
02:57Esse é um mecanismo que funciona hoje com uma gama de países, alguns países, especificamente,
03:04mas, de novo, é algo simbólico, mas é importante para a política comercial internacional
03:11e para o Brasil e para a política comercial brasileira.
03:14José, a gente viu também que a ata do Copom de hoje, que foi divulgada hoje,
03:18já foi também uma prévia do que vai acontecer daqui a algumas horas,
03:22daqui praticamente aí duas horinhas e pouco.
03:25Banco Central, então, reforçando a cautela com juros,
03:29porque já estava uma situação difícil aqui para o Brasil
03:31e agora, com esse tanto de incerteza, dificulta mais ainda,
03:35então, o Copom também sustentando ali essa cautela.
03:39A decisão do Banco Central vem também na esteira de, como você mesmo disse,
03:46uma incerteza não só em nível nacional, mas em nível global.
03:50Então, qualquer alteração ali no curto prazo pode trazer algum tipo de animosidade,
03:56alguma mudança repentina para os agentes de mercado,
04:00embora a gente saiba que a inflação vem caindo no médio prazo,
04:04em alguns setores da economia, continuam ainda fora do centro da meta,
04:08mas ela vem numa descendente, diferentemente dos Estados Unidos.
04:12Se a gente olhar para os Estados Unidos e falar de política comercial norte-americana,
04:16os Estados Unidos, eles vêm numa crescente, na verdade, em relação à inflação.
04:20Isso obriga, aí sim, o Banco Central norte-americano a manter as taxas de juros lá em cima,
04:25porque sabe que, no longo prazo, as estimativas é que,
04:28com o incremento das tarifas de importação, você tenha mais problemas de ruptura comercial
04:34e também de produção e abastecimento nos Estados Unidos.
04:37Então, esse é o jogo da política comercial.
04:39A política comercial tem uma interferência direta na economia global,
04:43seja em nível nacional, por países que estão lutando contra algum tipo de instabilidade,
04:47especificamente aqui, no caso, alta volatilidade, como a gente tem no Brasil,
04:51econômica já não é de hoje, mas também traz problemas para os Estados Unidos
04:55que vão ter que ver com a inflação e com a diminuição da atividade econômica.
04:59José, a gente está há pouco mais aí, como eu disse há pouco,
05:03de duas horas e vinte minutos praticamente, do início das tarifas entrarem de fato em vigor.
05:10Ainda há tempo hábil de tentar negociar, além de tudo que o Brasil já tem tentado fazer?
05:15Como é que deve ser a postura do governo agora?
05:18É seguir negociando, é seguir tendo as tratativas.
05:22Nós acompanhamos algumas visitas lá em Washington, da missão dos senadores.
05:28A gente sabe o tanto que é importante com a iniciativa privada norte-americana.
05:31Esse diálogo com a iniciativa privada, esse diálogo bilateral,
05:35em qualquer instância que seja em nível governamental, é muito importante.
05:38Confesso que o prazo está muito curto.
05:40O prazo está muito curto, as expectativas são muito baixas em relação a qualquer alteração.
05:45Mas, de novo, é preciso encarar, e a gente tem falado muito sobre isso.
05:49Eu falo a gente porque não sou eu, mas todos os porta-vozes lá das consultorias,
05:53que trabalham diretamente, da BMJ, da consultoria, que trabalham diretamente com esse tema
05:57e atende a exportadores, importadores, empresas dos mais diversos setores,
06:03é que essa é uma primeira fase, é uma primeira etapa de uma nova política comercial
06:07e de uma nova relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
06:11Então, é preciso ter um pouco de paciência, é difícil pedir isso, né?
06:14Num momento tão crônico, lógico.
06:16Mas é preciso ter paciência para poder pensar melhor a estratégia, maneiras de interlocução.
06:21E uma coisa é fato, daqui para frente, a presença brasileira em Washington deve ser alavancada,
06:26e quando eu falo presença brasileira, não é só do governo, porque está sempre lá,
06:29as relações diplomáticas estão lá, mas a relação governo, empresa brasileira,
06:35empresas brasileiras, empresas americanas, empresas brasileiras,
06:37ou seja, o setor privado, o setor produtivo brasileiro, também fazendo esse tipo de pressão
06:42e vivendo o dia a dia de Washington.
06:44Então, porque é lá que se faz política hoje com os Estados Unidos, é importante estar lá.
06:48Exato. E falando um pouco também de mercado, né, José?
06:51O mercado segue em compasso de espera e, ainda assim, também teme uma reação da Casa Branca
06:56à prisão domiciliar de Bolsonaro, porque a gente viu que o Donald Trump, por enquanto,
07:00ainda não se manifestou.
07:02Então, a gente tem também todo esse cenário de incerteza do mercado financeiro em relação a isso.
07:07Esse é um elemento político presente nas relações comerciais e com intersecção direta ali
07:13na relação comercial Brasil-Estados Unidos.
07:17De certa forma, a questão comercial, ela, por um momento, por um breve momento,
07:22acho que teve um certo nível de racionalidade, porque você teve uma lista de exceção
07:27muito específica para setores, entre Brasil e Estados Unidos, isso, né,
07:31para setores que não tinham capacidade de produção e atendimento à economia norte-americana.
07:36Então, os Estados Unidos excetuaram alguns setores brasileiros exportadores.
07:42Mas a gente sabe que o elemento político vai e volta.
07:44Então, é natural ter esse tipo de apreensão, né, em relação aos ânimos que cada vez
07:48se acirram mais ali do Trump e de toda essa situação política que tem vivido o Brasil
07:54nesses últimos dias, eu diria.
07:56Mas, é claro, né, em última instância também a pressão econômica é muito forte
08:00para tentar entender que qualquer disrupção, qualquer ruptura excessiva das cadeias
08:05pode trazer prejuízo para os Estados Unidos.
08:07Então, essa relação entre economia e política, ela é constante, sempre foi,
08:10e está cada vez mais latente nos dias de hoje.
08:13E, José, para a gente encerrar, né, disse que essa é a pior crise em mais de 200 anos
08:19de relações entre Brasil e Estados Unidos.
08:22Você, particularmente, mesmo se for feito algum tipo de acordo,
08:26se entrarem mais produtos em lista de exceções, você vê, de fato, uma saída para essa crise?
08:33Comercialmente falando, é a pior.
08:35Dificilmente você vai ter, em nível comercial, uma relação tão turbulenta quanto está hoje
08:41com o nível de imprevisibilidade.
08:42Por que que aconteceu?
08:43Nos últimos 100 anos, praticamente, se construiu uma cadeia muito complementar
08:48em termos econômicos e comerciais Brasil e Estados Unidos.
08:52Então, são várias empresas americanas que atuam no Brasil.
08:55Empresas brasileiras que procuram nos Estados Unidos também como porto seguro
08:58para as suas vendas, exportações e entradas no mercado internacional.
09:02O segundo porto, depois da América Latina e, sobretudo, da Argentina,
09:05há estudos que comprovam que os Estados Unidos são o segundo porto
09:08para que as empresas brasileiras passem a operar, quando eu falo porto,
09:13em termos de investimento.
09:14Não em termos de comércio, mas em termos de investimento.
09:16Isso é muito importante de notar.
09:17Então, na verdade, o que tem acontecido agora é uma realocação.
09:22Uma realocação das expectativas, uma redefinição das prioridades,
09:27entender se faz sentido atuar da maneira que se atuou até agora,
09:31tanto lá quanto aqui, porque a gente sabe que uma tarifa nesse patamar,
09:36ela é extremamente proibitiva e prejudicial aos negócios em ampla escala.
09:42Mas as relações continuam, as relações bilaterais são muito fortes,
09:47sobretudo comerciais, econômicas.
09:49As políticas a gente sabe que varia, dependendo de partido aqui, partido acolá.
09:53Mas a ideia é que se busque um consenso, trabalhar por um consenso,
09:57sem retaliação, acho que esse é um ponto importante.
09:59O Brasil tem todos os instrumentos para atender internamente
10:03as dificuldades dos exportadores para os Estados Unidos,
10:06como já foi veiculado pelo próprio ministro Alckmin e também ministro Haddad.
10:10Então, olhar para dentro de casa para fazer a eleição bem feita
10:13e negociar fora de casa, para que a gente possa, um,
10:17retomar as relações bilaterais com os Estados Unidos comercialmente,
10:20falando em maneira mais ampla e também ampliar novos mercados.
10:24Esse é um ponto que pouca gente tem falado, mas é importante ter em mente
10:27que quanto mais a gente conseguir novos destinos de exportação,
10:31para as nossas vendas internacionais, para as nossas exportações,
10:34melhor para a gente conseguir capilarizar e diminuir qualquer risco.
10:37E a gente segue mostrando tudo isso e todos os desdobramentos
10:41ao longo dessa semana tão movimentada aqui no Brasil e no mundo.
10:45Muito obrigada, José Pimenta, diretor de Relações Governamentais
10:49e Comércio Internacional da BMJ Consultores.
10:52Uma ótima noite para você.
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