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Alexandre de Moraes, ministro do STF, não deve acionar a Justiça norte-americana contra as sanções impostas pelos EUA. A medida foi aplicada por meio da Lei Magnitsky, voltada a casos de graves violações de direitos humanos. Moraes deve adotar postura institucional, sem ações individuais.
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NotíciasTranscrição
00:00Deixa eu trazer uma informação adicional sobre o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes,
00:06que não deve acionar a justiça americana sobre as sanções aplicadas a ele.
00:11O ministro entende que a reação inicial deve ser feita na esfera política pelo governo brasileiro,
00:17então, a princípio, ele não deve ingressar com uma ação individual.
00:21Entre as reações esperadas, o próprio presidente da República sinalizou que,
00:25além da nota firme, que já foi divulgada, deverá fazer um pronunciamento em rede nacional
00:32nos próximos dias, defendendo a soberania brasileira e a independência do judiciário.
00:38O governo já tinha sinalizado que a AGU, Advocacia Geral da União,
00:42estudava medidas ou ações para defender o ministro.
00:46Inclusive, surgiu a informação hoje, viu, Beraldo,
00:49de que o governo brasileiro levantava a possibilidade, via AGU,
00:53de contratar um escritório de advocacia nos Estados Unidos
00:57para defender o ministro do Supremo,
01:00mas ele entende que, nesse momento, não há essa necessidade.
01:04E aí eu escutei uma informação compartilhada por um colega nosso,
01:08de um outro veículo de comunicação,
01:10que parece ter uma entrada grande ali no STF,
01:14dizendo que o próprio ministro Moraes teria consultado,
01:18ou verificado com representantes do sistema bancário,
01:21ou pelo menos da instituição que o atende,
01:24sobre as movimentações.
01:27E aí parece que é possível ele utilizar cartões de débito
01:32caso ele tenha aplicações em reais.
01:37Se precisar movimentar dólares, aí ficaria impossibilitado.
01:42Mas, enfim, essa questão que envolve uma decisão do ministro Moraes
01:45de não ingressar com uma ação nos Estados Unidos
01:48para questionar a imposição da Lei Magnitsky.
01:51Qual é a sinalização a partir disso?
01:53É aceitar e tocar a vida com essas dificuldades impostas pela Lei, Beraldo?
02:00Não, é medo também, né, Caniato,
02:02ser defendido pela Advocacia Geral da União,
02:06que é comandada pelo primeiro-ministro do Brasil, Jorge Messias.
02:10Imagina na hora que forem fazer lá a checagem
02:13de quem é o cliente do escritório norte-americano que será contratado.
02:17Afinal de contas, advogados brasileiros não podem advogar nos Estados Unidos,
02:22a menos que tenham o BAR, que é a OAB dos Estados Unidos.
02:27Aí vão ver que, na verdade, trata-se do Bessias,
02:30que estava envolvido numa picaretagem oficial
02:35que daria posse, fajuta, ao então ex-presidente Lula
02:40para que ele não fosse preso.
02:42Quer dizer, esse tipo de qualificação de alguém
02:46que vai contratar um escritório a sério nos Estados Unidos
02:49já faz o escritório recusar o cliente na largada
02:53até a menor chance de conseguir contratar um escritório sério
02:58para fazer essa defesa.
03:00Então, o ministro que é experiente e não é bobo,
03:02é melhor deixar isso para lá, deixa que eu mesmo resolvo
03:06quando achar que devo.
03:07E o governo, então, faz aí a tratativa política.
03:11Agora, o presidente da República, que recebeu,
03:14num jantar de desagravo, o ministro Alexandre
03:18na residência oficial da presidente da República
03:20ainda essa semana,
03:23quem sabe, então, nessa ligação para Donald Trump,
03:26o presidente brasileiro vai tratar desse assunto
03:30via intérprete, claro, porque é monoglota,
03:33mas quem sabe, então, ele dará ali
03:36alguma sinalização, ora, veja bem o que é
03:39que eu posso fazer para ajudar o meu amigo
03:41que está encrencado aí com vocês.
03:43Então, será esse caminho, porque realmente
03:45vê a AGDU envolvida nisso, gastando o nosso dinheiro
03:49para defender alguém que fez mal à população
03:54porque não respeitou a Constituição,
03:56realmente é nos deixar com um nariz ainda maior de palhaço.
04:00Agora, Koba, quando a pessoa passa no sinal vermelho
04:04e recebe uma multa,
04:07muitas vezes ele decide não recorrer,
04:09porque tem uma fotografia lá e ele sabe,
04:11bom, não tem muito o que fazer, né?
04:14É aceitar, então, nem vou recorrer,
04:16vou pagar essa multa e acabou,
04:17coloco os pontos na minha carteira nacional de habilitação.
04:21Quando uma figura
04:22diz que não pretende ingressar com uma ação,
04:26é que não vê possibilidade de reversão,
04:29de surtir algum efeito com essa ação,
04:32dá para a gente fazer essa leitura
04:34a respeito do posicionamento do ministro Moraes?
04:38Bem, né, Caniato?
04:39Mas eu acredito mesmo que
04:40esse não entrar com a ação nos Estados Unidos
04:44é também calculando o risco dessa ação nos Estados Unidos,
04:47porque toda ação você pode ganhar e perder
04:49e, nesse caso, se perder,
04:51vai gerar o efeito contrário,
04:53vai gerar a justiça americana
04:55validando o ato do presidente americano.
05:00Ou seja, vai ser como se o presidente americano
05:03tivesse o amparo judicial
05:05para as suas ações,
05:08o que é muito possível, né?
05:09A gente sabe que tem toda uma discussão aí,
05:12não sei no detalhe,
05:13mas sei que tem uma discussão
05:14da legitimidade ou não do presidente americano
05:17de fazer isso unilateralmente,
05:19sem apoio do Congresso.
05:20Aparentemente, parece que pode mesmo fazer
05:22sem esse tipo de apoio do legislativo
05:25e se o ministro brasileiro
05:27entra com essa ação nos Estados Unidos,
05:30primeiro, corre o risco de perder.
05:32Segundo, corre o risco de ver o seu argumento
05:36tendo que ser submetido a uma instrução,
05:40a uma fase probatória.
05:43E essa fase probatória seria,
05:46para o ministro, no meu ponto de vista,
05:47muito ruim.
05:48Porque, veja só,
05:49a justiça americana,
05:51então, diante de uma ação do ministro Alexandre de Moraes,
05:53chamando as testemunhas.
05:55Vamos ouvir aqui,
05:56testemunha Débora,
05:58não sei o sobrenome dela,
05:59mas a Débora do Batom,
06:00vai ser ouvida por carta rogatória no Brasil.
06:03Aí ela vai ser testemunha no processo
06:05que envolve Alexandre de Moraes,
06:07ou o ex-presidente,
06:08ou qualquer um outro que possa ter contra si
06:11um histórico de violação de direitos humanos.
06:16A gente poderia ter isso
06:18tomando uma outra proporção,
06:21justamente diante da possibilidade de uma instrução.
06:23Então, eu imagino que o ministro
06:25não entrar com a ação nos Estados Unidos,
06:27isso é uma decisão que se dá justamente
06:29pelo cálculo do risco.
06:31O risco de perder e a justiça validar
06:33o ato do presidente americano,
06:36e segundo, o risco de ver
06:37os motivos dessa sanção da Magnitsky,
06:41tomando uma proporção muito maior,
06:43requentando, inclusive,
06:45muitas dessas violações
06:46que reputam ao ministro Alexandre de Moraes.
06:49Pois é, inclusive teve uma informação divulgada,
06:53viu, Dávila, pelo portal de notícias G1,
06:56dizendo que, uma informação de bastidor,
06:58o jornalista teve acesso a alguém
07:01que é muito próximo ao ministro,
07:03ou conseguir uma declaração do próprio ministro.
07:05Mas, segundo o jornalista que redigiu o texto,
07:09o ministro teria dito que não confia no modelo americano,
07:12e dizendo que o entendimento é que a justiça
07:16dos Estados Unidos
07:17poderia reagir muito à opinião pública.
07:20Então, há um receio, segundo o texto
07:22do portal de notícias G1,
07:25de que o ministro estaria reticente,
07:28um pouco preocupado,
07:29e por essa razão não ingressaria
07:31com essa ação individual nos Estados Unidos.
07:35Enfim, o que a gente precisa trazer e considerar
07:38a partir dessa informação, Dávila?
07:39Caniato, a decisão do ministro Moraes
07:43é coerente com esse discurso de abertura
07:46que ele fez, o seu discurso de abertura
07:47dizendo que a lei magnética
07:49não ia influenciar em nada
07:51o rito, o processo dentro do Supremo,
07:54o julgamento, etc.
07:55Então, o que ele está dizendo é,
07:56essa é uma decisão política,
07:58eu sou ministro de uma corte,
07:59eu vou continuar fazendo o meu trabalho na corte,
08:02e não vou ingressar na justiça americana
08:05para politizar uma questão que é legal,
08:08que ele acha que está no âmbito
08:09do poder do Supremo Tribunal Federal.
08:12Então, não recorrer
08:14é uma atitude inteligente
08:16para o par do ministro
08:17para evitar, como bem disse o Cuba,
08:20a politização disso,
08:21porque se começar um processo nisso,
08:23é um processo político,
08:24porque esse é um julgamento político.
08:26Então, não é porque
08:27a justiça americana vai politizar.
08:30Não, é porque é um julgamento político
08:32e, evidentemente, vai ser tratado
08:34numa corte americana
08:35sob a luz do direito americano
08:38e aí, sim, vai colocar
08:40o juiz Alexandre Moraes
08:42em águas quentes,
08:43porque, como nós falamos aqui
08:46há tanto tempo,
08:47houve grandes violações
08:49às regras basilares
08:51do Estado Democrático de Direito,
08:53direito à ampla defesa,
08:54e tudo isso vai ficar evidente
08:58num lugar onde se preza demais
09:01essas normas,
09:02esses ritos,
09:03a liberdade de expressão,
09:05o devido processo legal,
09:07liberdade à ampla defesa,
09:08direito à ampla defesa.
09:09Então, tudo isso vai ficar
09:10muito claro, nítido.
09:12Então, isso pegaria muito mal,
09:14não só para o juiz,
09:15como também para o Poder Judiciário,
09:17para a Suprema Corte Brasileira.
09:18Então, a decisão me parece correta.
09:20Não vamos ingressar com uma ação
09:23no Judiciário americano,
09:24porque isto pode trazer à luz
09:28várias deficiências
09:30do nosso processo eleitoral,
09:32esses que eu disse
09:33que nós não estamos discutindo aqui,
09:35porque se tornou um cabo de guerra
09:38entre quem defende golpistas
09:42e quem é contra golpistas,
09:43o que é ridículo,
09:44isso não tem nada a ver
09:45com o que nós estamos discutindo aqui,
09:47que é a norma do direito,
09:48que é o processo do direito,
09:51que são os princípios e valores
09:53basilares do Estado Democrático de Direito.
09:55Nada disso hoje é discutido,
09:57porque está poluído
09:58por essa discussão política.
10:00Então, a decisão é coerente
10:02com o discurso que ele acabou de fazer
10:04na Suprema Corte
10:04e é coerente para não deixar
10:07politizar um caso
10:09que começou totalmente errado
10:11há mais de seis anos,
10:14muito antes do 8 de janeiro,
10:16já começou a Suprema Corte.
10:18recorrendo a mecanismos
10:20excepcionais
10:21para cercear
10:22liberdade individual
10:23e liberdade de expressão.
10:26Pois é, eu escutei também
10:27nos últimos dias
10:27muitas reflexões
10:28sobre a adoção das estratégias
10:30de dois pesos e duas medidas,
10:32mas de duplo padrão,
10:33de critérios
10:34ora
10:35diferentes
10:37e quando for conveniente
10:39adota o mesmo critério,
10:40enfim.
10:41E quando a gente fala
10:42de separação entre os poderes,
10:45respeito à atuação
10:47de cada poder,
10:48muitas vezes
10:49isso se confunde,
10:50né, Beraldo?
10:51Especialmente quando a gente
10:51olha para esse episódio
10:55e eu acho que foi o Kobayashi,
10:56ou se não foi o Kobayashi,
10:57me perdoe,
10:58talvez um outro comentarista
10:59da Jovem Pan
10:59que falava sobre
11:01a resposta conjunta,
11:04essa necessidade de mostrar unidade,
11:06né, todos os poderes juntos,
11:07ah, Congresso Nacional,
11:09presidentes das casas,
11:10também os integrantes do Supremo,
11:12presidente da República,
11:13ah, vamos marcar uma reunião,
11:14é preciso mostrar unidade.
11:16Bom,
11:17nesse momento,
11:17então,
11:18acham que é interessante
11:19darem as mãos
11:20e estarem todos juntos,
11:21mas
11:22em outros momentos
11:23gostam de
11:25frisar,
11:26não,
11:26cada macaco não sei o que,
11:28é preciso que cada um
11:29fique no seu quadrado.
11:30E aí,
11:31tem a informação
11:32de que o presidente da República
11:33estuda fazer um pronunciamento
11:36em cadeia nacional,
11:37Beraldo,
11:38rede,
11:38em rede nacional,
11:40TV e rádio,
11:41justamente
11:42reforçando esse discurso
11:44que é preciso respeitar
11:45a soberania brasileira,
11:47independência do judiciário,
11:49de que maneira
11:51isso pode
11:51ser interpretado
11:53como um recado?
11:55Isso ajuda,
11:55não?
11:56O presidente brasileiro
11:58talvez esteja
11:59escutando os conselhos
12:01de algumas pessoas?
12:04Olha,
12:04Caniato,
12:05o presidente da República
12:06continua focado
12:08nas suas questões
12:09eleitorais
12:10e na sua aprovação
12:11como presidente.
12:13A aplicação
12:14da lei Magnitsky
12:15no ministro
12:16Alexandre de Moraes
12:17não tem absolutamente
12:18nada a ver
12:19com a soberania brasileira.
12:21A consequência
12:23desta aplicação
12:24não induz
12:26a nenhum tipo
12:27de ameaça
12:28à soberania.
12:30São sanções
12:31a um indivíduo,
12:34o indivíduo
12:34que pode viver
12:35muito bem
12:37sem ter
12:38Estados Unidos
12:39na sua vida,
12:40seja em que aspecto
12:41for.
12:42Se os netos dele
12:44não poderão ir
12:45à Disney
12:45até serem adultos,
12:47eles não vão morrer
12:48por causa disso.
12:49se ele não tiver
12:50cartões de crédito
12:51emitidos
12:52por bandeiras
12:53norte-americanas,
12:55ele não vai morrer
12:55por causa disso.
12:56O salário dele
12:57será pago
12:57de alguma forma.
12:59Então,
13:00a vida
13:00de uma pessoa
13:01que está sob sanção
13:02da lei Magnitsky
13:04no seu país
13:05de origem,
13:07a princípio,
13:08se for um país
13:09como o Brasil,
13:10não implica
13:11em absolutamente
13:12nada
13:14que impeça
13:15essa pessoa
13:15de continuar
13:16a sua vida.
13:17É óbvio
13:18que há
13:19implicações
13:19de ordem
13:20moral,
13:21há implicações
13:22de ordem
13:24da vida
13:24de alguém
13:25tão bem sucedido
13:27na advocacia
13:28como a família
13:29do ministro
13:30Alexandre de Moraes.
13:31Agora,
13:32a gente entende
13:33que o presidente
13:34da República
13:35ir tratar
13:36deste assunto
13:37e não pode fazê-lo
13:38sem atacar
13:39os Estados Unidos
13:40e o presidente
13:40Donald Trump,
13:41vai fazer
13:42num bom momento
13:43esse movimento?
13:45O presidente
13:46Donald Trump
13:46diz que está aberto,
13:47esperando uma ligação
13:48do presidente brasileiro.
13:49Aí ele vai em cadeia
13:50nacional
13:50e vai resolver
13:52atacar de novo
13:54porque se não for
13:54para atacar os Estados Unidos
13:55não tem absolutamente
13:56nenhum,
13:56ele não tem nada a dizer
13:57porque não é uma coisa
13:59que diz respeito
14:00a ele,
14:01mas ele não tem nada
14:03a dizer
14:03que não atacar
14:05o presidente norte-americano.
14:06Portanto,
14:07mais um movimento,
14:08se isso se confirmar,
14:10será mais um movimento
14:11errado
14:13e irresponsável
14:14no que tange
14:15as relações
14:15internacionais
14:17do Brasil.
14:17e aí
14:20e aí