No Visão Crítica, Rodrigo Prando, Rubens Figueiredo e Márcio Coimbra debatem o tarifaço de Donald Trump e as motivações por trás da medida. Prando afirma que Trump teve motivações políticas, e não apenas econômicas, para impor as tarifas. Figueiredo reflete sobre o poder e o tamanho dos EUA, que permitem a Trump exercer essa pressão comercial. Coimbra analisa o posicionamento do governo brasileiro, afirmando que Lula "buscou essa crise" ao se alinhar a pautas anti-americanas, tornando a retaliação uma estratégia perigosa.
Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/W5hasmRUh40
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00:00Vou começar com o professor Rodrigo Prando, uma alegria em rever, já participamos de vários programas juntos.
00:06Para começar, professor, o tarifaço, ontem Donald Trump assinou esse decreto que impõe essa tarifa de 50% sobre o Brasil, né?
00:1440% somados àqueles 10 que já tinham sido anunciados.
00:19E é preciso considerar uma lista extensa de exceções, cerca de 700.
00:25Isso indica, naturalmente, que alguns setores puderam respirar aliviados, estavam muito apreensivos.
00:32Mas isso também explica um pouco da dinâmica norte-americana de não interferir nos hábitos da sua população e também não prejudicar alguns setores específicos.
00:45Enfim, queria seus apontamentos e considerações a respeito do decreto de Donald Trump.
00:52O que achou, mas o que a gente pode projetar, esperar de reação do governo brasileiro?
00:57Quais são os caminhos possíveis?
00:59Bom, prazer estar aqui contigo, Daniel, com o Rubens, com o Márcio também, remotamente.
01:03Prazer estar com todos vocês.
01:05Bom, vamos lá.
01:07A gente conversava aqui nos bastidores que essa questão do tarifaço e outras, como a sanção imposta ao ministro Alexandre de Moraes,
01:15pode ser entendida como se fosse uma cebola em que você tem várias camadas.
01:20Então, vamos explorar todas as camadas inicialmente pra gente fazer, que eu acho que a intenção do programa é esse bate-bola, essa troca aqui com todos.
01:30Mas, primeiro, um tarifaço.
01:34Vamos lembrar que tem uma carta.
01:37Tem uma carta enviada por Donald Trump, primeiro divulgada nas redes sociais.
01:43E essa carta, ela parte de uma premissa que a gente poderia tranquilamente chamar de fake news.
01:50Qual?
01:51Dizendo que o Brasil levaria vantagem em relação aos Estados Unidos, nessa relação comercial.
01:57E os próprios dados do governo americano indicam que os norte-americanos e os Estados Unidos são superavitários.
02:04Então, assim, uma justificativa como essa, comercial, e se ficasse no campo comercial, cada presidente vai defender sua nação, o seu país, ok.
02:13Mas, logo depois, o presidente Trump conecta, ele faz essa conexão, ninguém fez, ele fez, dizendo que as tarifas seriam uma retaliação por conta de um movimento da justiça brasileira,
02:30que nesse momento, como nós sabemos, no Supremo Tribunal Federal, um julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamando isso de caça às bruxas.
02:38E depois, o porta-voz, ontem, salvo o melhor juízo, Daniel, repetiu o termo caça às bruxas.
02:44Então, assim, o Trump, ele tem uma lógica, e populistas costumam ter uma lógica, que é sempre de misturar as coisas.
02:55Os fatos misturados com aquilo que não é fato, que são fake news.
02:59E, a partir daí, ele consegue, e depois a gente pode explorar isso, eu não vou me estender,
03:06ele consegue, Trump, e de certa maneira, uma parte do bolsonarismo, dar uma sobrevida, um ânimo ao presidente Lula.
03:17Sabe por quê?
03:18Eu estive aqui, há algumas semanas, na ocasião, com o professor Vila,
03:22e a gente estava comentando como o Congresso hoje está empoderado, o Rubens sabe disso, né?
03:27Talvez nunca tivemos um Congresso tão forte, um presidente mais acuado.
03:32E o Lula tem, tinha pelo menos, né, pesquisas indicando uma desaprovação crescente, não é?
03:39Então, a desaprovação subiu muito e a aprovação caindo.
03:42E, de repente, a gente tem uma inversão interna.
03:45O PT, pela primeira vez, junto com o governo, faz uma comunicação,
03:48taxando ali ao Columbre, o Hugo Mota e o Congresso como inimigos do povo,
03:55os super-ricos, por conta da derrota que o governo teve no Congresso,
04:00na questão que o Haddad trouxe para a reforma fiscal, enfim.
04:05Tudo isso deixou o governo internamente um pouco melhor.
04:07Aí vem Trump e o bolsonarismo e dá esse presente.
04:10E o governo assume para ele uma narrativa política de defesa da soberania.
04:14Então, eu acho que esse é um dos primeiros pontos que a gente pode começar.
04:17teriam, como eu disse, várias outras camadas para explorarmos, né?
04:21Inclusive, aqui nos bastidores já conversávamos de algumas delas.
04:24Mas eu te passo aí para a gente continuar esse diálogo, se você quiser algum complemento,
04:28ou Rubens, ou...
04:29Não, é interessante essa reflexão e essa introdução à discussão, professor,
04:35porque há uma tese e uma teoria que indica que, sim, é factível esse cenário desenhado pelo senhor,
04:45mas há quem aponte que Jair Bolsonaro teria se...
04:49Donald Trump teria se utilizado do episódio que envolve Jair Bolsonaro
04:52também para atacar as questões econômicas ou chegar ao seu objetivo.
04:57Mas antes disso, só para a gente fazer a apresentação de todos,
05:00cada um descer as suas cartas, né?
05:03Trazer também o seu apontamento inicial.
05:07Você, Rubens Figueiredo, cientista político, já participou de vários programas aqui da Jovem Pan News.
05:12Queria a sua análise sobre o decreto assinado e apresentado no dia de ontem,
05:18mas que o senhor refletisse sobre as motivações dos Estados Unidos
05:22que vão além das questões comerciais e tarifárias, né?
05:25Bom, boa noite, Rodrigo, Daniel, Márcio.
05:30Eu fiz uma brincadeira outro dia assim, ó.
05:33Os Estados Unidos são como um Doberman.
05:37E o Doberman está lá e o Brasil é um chihuahua, né?
05:41O Brasil é um proto-usuário no cenário internacional do ponto de vista de trocas comerciais.
05:47É 1,3% do que se transfere comercialmente entre os países do mundo.
05:52Então, é muito pequeno e essa iniciativa do presidente Trump é desproporcional ao tamanho que o Brasil tem.
06:05Então, está lá o Doberman e o Chihuahua fica falando.
06:08É, né?
06:08Porque os briques têm que acabar com o dólar como moeda de troca.
06:14É, o capitalismo explora o homem.
06:19É, o Trump brigou com o Harvard e fica ali perturbando o Doberman.
06:26E o Doberman mostrou seus dentes.
06:31A gente tem que entender...
06:33A gente estava brincando aqui.
06:35Tem uma música do Chico Buarque que é Deixa Menina, né?
06:38Então, ele fala para deixar a menina.
06:40Só que a menina é namorada do outro, né?
06:42Então, ser liberal com a mulher dos outros é fácil.
06:47E o Brasil é um país hiperfechado.
06:51O Brasil é uma das maiores economias do mundo que tem maior tarifa.
06:58Então, os dois estão errados, né?
07:01O Trump está errado, mas o Brasil também tem um histórico aí de fechamento da economia,
07:06de sobretaxação e de barreiras não tarifárias, né?
07:10A burocracia brasileira é mundialmente famosa.
07:14Pois é, Rubens.
07:14Depois eu quero, inclusive, pedir a sua análise sobre o papel do presidente da República
07:19que concedeu essa semana uma entrevista ao New York Times.
07:22Falou uma porção de coisas.
07:25Segundo as informações, repercussões muito negativas dentro da Casa Branca.
07:29Enfim, será que o presidente brasileiro está falando demais?
07:32Deixa eu chamar só o Márcio Coimbra, cientista político,
07:36também vai compartilhar com a gente suas reflexões e análises a respeito do decreto de Donald Trump.
07:43Inclusive, o anúncio inicial apontava para a vigência a partir do dia 1º de agosto.
07:49Isso não acontecerá, na verdade.
07:51Entrará em vigor na semana que vem.
07:53Márcio, bem-vindo mais uma vez.
07:55Queria, primeiro, sua reflexão e análise a respeito desse texto divulgado ontem,
08:01uma porção de exceções, mas queria também que a gente apontasse para frente.
08:05O que a gente pode esperar da reação brasileira?
08:08O governo ainda avaliando quais são os caminhos mais adequados.
08:12Falava-se, em algum momento, em lei da reciprocidade.
08:15É preciso ter cautela.
08:16Boa noite, obrigado pelo convite para estar aqui.
08:23É uma satisfação falar com toda a audiência.
08:25Meu abraço para o Rodrigo, Daniel, Rubens.
08:29Realmente, a gente está diante de uma situação muito difícil.
08:33O Brasil precisa encontrar soluções para problemas reais.
08:38Mas acontece que o Brasil não vem procurando saídas diante dessa crise.
08:44O presidente Lula, ele cavou esse pênalti.
08:48Ele buscou essa crise.
08:51Ele vem há muito tempo acusando os Estados Unidos de uma forma intensa.
08:58Aqui no Instituto a gente levantou algumas falas dele.
09:02Ele chama Trump de sociopata.
09:05Ele chama o Trump de câncer da política internacional.
09:09Que a vitória dele era uma derrota para a humanidade.
09:12Que ele alimenta o ódio, a divisão e o autoritarismo.
09:15Que ele tem uma retórica fascista.
09:17Ou seja, ele buscou esse resultado que a gente está vendo.
09:23E nada melhor para alguém que está com uma impopularidade como a de Lula,
09:32recente, que a gente viu nas últimas pesquisas.
09:35Como os colegas já colocaram aí nos comentários.
09:38Nada melhor do que você achar um inimigo.
09:42Da mesma forma que o Hugo Chaves fez no passado.
09:46Quando ele elegeu os Estados Unidos também como seu inimigo.
09:51Quando ele estava com a popularidade em baixa.
09:55O que fez a sua popularidade subir.
09:57Mas o presidente Lula, ele vai além disso.
10:02Tem as suas declarações.
10:04Eu acredito que também fez parte da construção deste resultado das tarifas.
10:11Como bem colocou, acredito que foi o Rubens.
10:14A questão dele em relação aos BRICS.
10:17Ou seja, o questionamento em relação ao dólar.
10:22Quer dizer, foi um movimento que sequer foi acompanhado pela Rússia.
10:29O chanceler russo Segei Lavrov disse que a Rússia não acompanhava esse movimento.
10:35Que esse era uma declaração e um movimento exclusivo do presidente Lula.
10:40Que não era um movimento BRICS.
10:41E me parece que os Estados Unidos também podem estar usando o Brasil como um laboratório de reação sobre até onde eles podem ir.
10:53E o Brasil me parece que não tem, Daniel, nada muito bem preparado diplomaticamente.
11:03O Brasil, ele não tem uma diplomacia que, seguindo a diplomacia presidencial deste governo, criou pontes em Washington ao longo do tempo.
11:17E me pareceu que isso ficou bem explícito agora.
11:22Que a nossa embaixadora lá em Washington não consegue manter reuniões de alto nível com ninguém da administração republicana.
11:31Que os nossos senadores que viajaram para lá viajaram sem agenda.
11:36Viajaram sem ninguém que abrisse portas para eles lá.
11:40E que os empresários estão dependendo muito mais da diplomacia corporativa feita pelos escritórios.
11:46Do que efetivamente pela nossa diplomacia oficial feita pelo Itamaraty.
11:51Pois é, bons apontamentos.
11:53E de fato nós trouxemos, inclusive, várias reflexões a respeito dessa dificuldade.
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