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No Visão Crítica, Zeina Latif, Vinícius Rodrigues Vieira e Roberto Luis Troster analisam a possível zeragem das taxas americanas sobre café, cacau e outros produtos. Zeina relembra os interesses da Embraer e a "imprevisibilidade" das negociações com Donald Trump. Vinícius Vieira vê uma grande abertura para negociar produtos que os EUA não produzem, como o suco de laranja. Já Roberto Troster pondera que Lula não irá se "humilhar" diante de Trump, sugerindo uma estratégia de espera para o momento certo de negociar.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/W5hasmRUh40

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Transcrição
00:00Professor, essa situação que envolve a possibilidade de diminuição
00:04ou até que o governo dos Estados Unidos zere a tarifa para alguns produtos.
00:09Quais produtos? Aqueles que os Estados Unidos não produzem, claro.
00:14Tem uma lógica nessa reflexão, né, Zena?
00:17O secretário de Comércio dos Estados Unidos deu essa declaração, o Howard Lutnik,
00:21inclusive, no vídeo de abertura, a Fernanda Haddad chega a mencionar o nome do secretário de Comércio
00:27que tem mantido contato com algumas autoridades brasileiras.
00:31Mas ele disse, no dia de hoje, que existe, sim, a possibilidade de alguns produtos,
00:36como manga, cacau e café, terem a tarifa zerada.
00:41Mas ele não chegou a mencionar o Brasil como um possível beneficiário dessa medida.
00:48Mas, a partir dessa sinalização, dá para considerar que ele dá uma dica
00:54de como deve ser tocada essa negociação a partir de agora.
00:58É uma luz no fim do túnel?
01:00Devemos aproveitar essa oportunidade, essa sinalização?
01:04Olha, se a gente for pensar o modus operandi do Trump,
01:08o Trump tem esse estilo agressivo, né, e vai ali depois ajustando.
01:15Ele mesmo admite, enfim, esse estilo de negociação.
01:19Então, o primeiro ponto é esse.
01:21Não quer dizer que, quando chegar o deadline, o prazo final,
01:27esses elementos já vão estar ali.
01:29Não dá para a gente dizer.
01:30É muito imprevisível.
01:32Pela própria natureza do Trump, é muito imprevisível.
01:35Mas existe, obviamente, um espaço para atenuar algumas tarifas
01:41que sejam do seu interesse.
01:42Eu até citaria, no caso, a Embraer, porque a Embraer,
01:46ela importa muito os insumos dos Estados Unidos.
01:50Então, tem impacto.
01:51Tem coisas que têm impacto direto na inflação do consumidor, né,
01:55e que isso pode ser um elemento ali de pressão,
01:59mas tem esses laços comerciais de uma empresa do tamanho da Embraer.
02:05Então, assim, primeiro ponto é, faz parte da estratégia do Trump.
02:10A decisão final é dele.
02:14O que a gente observa é que o papel da diplomacia,
02:17ele é sempre meio secundário.
02:19Ele reage muito mais a questões de uma racionalidade econômica,
02:24entre aspas, né, mas de interesses econômicos, né,
02:28racionalidade econômica.
02:29De interesses econômicos, menos de diplomacia.
02:32Então, por esse aspecto, o secretário do Tesouro fazer uma afirmação,
02:37por exemplo, tem um peso.
02:39Então, enfim, tem muita água para rolar.
02:43Agora, a gente está falando de um quadro muito imprevisível
02:46e mesmo os países que fecharam o acordo,
02:50não dá para dormir, pôr a cabeça no travesseiro
02:52e achar que o jogo acabou.
02:56Então, se inserir um elemento de incerteza no ambiente internacional,
03:01que ele é dado.
03:02Isso vale para o Brasil, isso vale para todos os outros países.
03:05sempre vai ficar aquela expectativa, bom, e agora?
03:08Qual vai ser a próxima jogada?
03:11A Zena traz um ponto que eu acho muito interessante, professor Vinícius,
03:15quando ela destaca essa imprevisibilidade de Donald Trump.
03:19Mas tem um aspecto que eu acho que é previsível.
03:22Isso deve ser contabilizado pelas autoridades brasileiras,
03:25pela diplomacia e quem estiver à frente das negociações.
03:28que é a necessidade dele sair como vencedor,
03:33ainda que não na mesma medida que ele tenha colocado sobre a mesa
03:40com a tarifação de 100%.
03:42De que maneira as relações internacionais podem interpretar esse aspecto
03:49para facilitar, inclusive, a negociação e pensar, talvez,
03:53ou no adiamento ou até na redução da tarifa?
03:55Porque a reversão me parece pouco provável agora, né?
03:59A reversão, eu diria que é impossível,
04:01por conta das circunstâncias em que o Trump...
04:05Não, a regra que ele estabeleceu.
04:07Quando ele fala daquela base de tarifa que vai variar de 15% a 20% para todos.
04:12Para todos, exato.
04:13E, como falamos anteriormente, as motivações políticas no caso do Brasil.
04:18Então, ele teria que ter ali alguma sinalização, me parece,
04:22para revogar totalmente o tarifácio, que está fora de cogituação,
04:26porque ainda que o Executivo brasileiro quisesse satisfazer essas demandas políticas
04:31que implicariam aí na violação, na prática da nossa soberania do ponto de vista...
04:35Você está querendo dizer que passaria por alterações de processos em curso?
04:40É, não.
04:41Judiciário ou não?
04:41Exatamente.
04:42Ainda que quisesse.
04:43Um cenário hipotético.
04:44Vamos traçar aqui um cenário hipotético.
04:46Apresenta um projeto de lei para ser aprovado a jato no Congresso.
04:50Exatamente.
04:51Ainda que houvesse um grande acordo nacional dos poderes,
04:55julgando que isso fosse viável e que não afetaria a nossa soberania.
04:59É claro que afetaria, mas vamos trazer esse cenário.
05:01Ainda assim, o Trump, ele não se sentiria,
05:04haveria o risco de ele não se sentir totalmente vitorioso.
05:07Sem falar que abriria, do ponto de vista das relações internacionais,
05:10não da economia.
05:10É um precedente muito perigoso.
05:12Qualquer um no futuro, poderia ser a China, qualquer país mais poderoso,
05:17ou a União Europeia, fazer o mesmo tipo de pressão,
05:20achando que o Brasil cederia nesse aspecto,
05:23qualquer aspecto político no futuro.
05:25Então, o próprio Trump, ele coloca ali uma condição muito difícil a ser cumprida,
05:30porque não está apenas no reino da economia,
05:32mas está no elemento na esfera política.
05:36E isso gera ali sensibilidades como essa que nós estamos vendo aqui
05:40no nosso debate nacional.
05:41Em relação a produtos específicos,
05:45aí eu acho que tem uma abertura, não só para o café, para o cacau,
05:49como foi mencionado hoje pelo secretário de comércio americano,
05:53mas também em outras áreas, como, por exemplo,
05:56o suco de laranja, a própria Embraer, como a Zena falou,
05:59porque você tem cadeias produtivas que vão impactar
06:03o salário de pessoas lá nos Estados Unidos.
06:05Só para ilustrar aqui a questão do café,
06:06o que vem sendo mencionado aí pelo mercado.
06:08A cada um dólar que nós exportamos,
06:1138 dólares são gerados na economia americana,
06:14porque é o empacotador do café,
06:16é o cara que serve o café lá naqueles copos gigantes,
06:20naquele estilo de café americano,
06:21que é muito estranho aqui aos nossos hábitos,
06:24nós preferimos, claro, o cafezinho.
06:26Então, nós temos aí algo que pode pressionar o Trump no seguinte sentido,
06:30olha, eu vou dar uma concessão
06:32para beneficiar a própria população americana.
06:35Então, nesse discurso...
06:37São produtos que fazem parte do dia a dia.
06:38Fazem parte do dia a dia.
06:39Do hábito americano, o suco de laranja também.
06:41O suco de laranja, né?
06:42Tem aquela piada, né?
06:43Que a gente, pelo menos, fala muito em relações internacionais,
06:46na área de economia política internacional,
06:48que o americano, ele não sobrevive...
06:51Ele sobrevive a tudo.
06:53Sobrevive a furacão na Flórida,
06:55sobrevive às doenças que dizimaram ali os laranjais da Flórida,
06:59mas não fica sem o seu suco de laranja.
07:01Quem proveu o suco de laranja é o interior, por exemplo, do estado de São Paulo.
07:05Então, você tem uma abertura
07:07para que você tenha ali, junto à base trumpista,
07:11inclusive, que consome esses produtos,
07:13uma espécie de declaração de vitória.
07:16Olha, eu abri essa sessão para vocês, consumidores,
07:20mas olha, no restante ali,
07:22eu ainda vou impor 50% ao Brasil
07:25e vou esperar aí algum meio de campo
07:28que muito pouco, provavelmente, chegará.
07:31Porque é importante lembrar também das notícias de hoje.
07:34O que vem sendo mencionado do ponto de vista do nosso governo federal?
07:38E aí cabe, talvez, alguma crítica,
07:40alguma avaliação, alguma reflexão.
07:42Que o Lula não vai se humilhar perante o Trump.
07:44Que até os senadores que estão lá,
07:47e os senadores de vários matizes partidários,
07:50desde a Tereza Cristina,
07:51que é uma representante do agro, da direita,
07:54até Jax Wagner, que é ali um nome muito forte do PT,
07:57porque notícias de bastidores dão conta
07:59de que a saída seria o Lula se humilhar perante o Trump.
08:04Mas que tipo de humilhação?
08:05Algo que se passou, como se foi feito com Zelensky,
08:09lá na Casa Branca, ao vivo,
08:11é algo como, por exemplo,
08:13se passou com o Cyril Ramaphosa,
08:16o presidente da África do Sul,
08:17que também ali gerou um mal-estar
08:18em função da visão que o governo americano tem
08:21em relação que se passa com os fazendeiros brancos
08:24na África do Sul, que não tem nenhum laço ali na realidade.
08:28Então, em suma, nós temos aqui no varejo,
08:31em setores específicos,
08:33a possibilidade de que o Trump faça alguma concessão,
08:36sem dizer que está fazendo uma concessão,
08:38até porque suas taxas de aprovação estão caindo,
08:40hoje saiu um número de 40% de aprovação,
08:43a inflação também tem uma perspectiva de alta
08:46nos Estados Unidos,
08:46embora no primeiro momento os tarifatos
08:48não tenham rendido ali no aumento de preços.
08:52E, no âmbito geral, aí me parece realmente
08:55muito mais difícil o Trump ter uma saída honrosa
08:59em que ele possa se declarar vencedor
09:01perante o Brasil,
09:03haja vista as demandas que ele apresentou,
09:05que são, reitero, não factíveis,
09:07ainda que o Executivo Legislativo e o Judiciário brasileiro
09:11quisessem fazer um grande acordo nacional.
09:13Pois é, bons pontos.
09:14Professor Troster, queria te ouvir também
09:16a respeito dessa declaração do Secretário de Comércio
09:19dos Estados Unidos, Howard Ludnick,
09:22acho que é um sobrenome polonês, talvez,
09:25não sei, meu palpite,
09:26mas que ele considera, sim,
09:28a tarifação zero para alguns produtos
09:31como manga, cacau e café,
09:33e aí os analistas disseram,
09:34é um recado, para o governo brasileiro.
09:37Enfim, o que é preciso considerar
09:38quando ele dá essa dica,
09:41essa sinalização?
09:42A negociação pode se apoiar
09:44nesse tipo de informação?
09:45Nós não estamos tendo negociação até agora.
09:48Só lembrando mais um caso.
09:50Pois não, por favor.
09:51Um caso da Colômbia, com os presos colombianos,
09:55que o presidente Trump se impôs,
09:58o mesmo argumento de soberania foi usado,
10:02e o presidente colombiano deu um passo para trás.
10:05Só que o Brasil não é Colômbia.
10:07Eu acho que o Brasil, até antes do dia 9 de julho,
10:11era um país dividido.
10:13Hoje, continua dividido em alguns aspectos,
10:15mas hoje estão todos contra a interferência
10:19de trânsito judiciário.
10:21Então, acho impossível que Lula
10:24dê um passo atrás e ofereça um grande acordo.
10:28Então, acho que isso está fora do radar.
10:30Acho que o Brasil inteiro é uma questão,
10:34assim, defendendo a independência dos poderes.
10:39Quer dizer, o Brasil, acho que é uma coisa muito boa
10:42que tem instituições fortes.
10:43Não funcionam bem.
10:45Uma série de críticas a gente pode fazer,
10:47mas a independência dos três poderes não está em discussão.
10:51e mais ainda com o agressor externo.
10:55Segundo, Trump tem esse estilo de negociar.
10:58Quer dizer, se a gente vai ter alguma novidade,
11:01vai ter no dia 1º de agosto, não vai ter na véspera.
11:05Eu já teria anunciado.
11:08Terceiro, eu acho que a questão agora é esperar.
11:12Assim, não há muito o que ser feito.
11:13Já se mostrou a vontade de negociar.
11:16Já puseram tudo o que o Brasil está disposto a fazer.
11:20vice-presidente em contato.
11:23Eu acho que isso do presidente do Brasil se humilhar,
11:27pedir, tentar falar...
11:28Tentar contato, não?
11:30Não, eu...
11:31Você acha que agravaria a situação?
11:33Não, não vai correr esse risco, né?
11:35De acontecer o que aconteceu com o Zelensky,
11:38como ele demorou...
11:39Não, acho que não seria a mesma coisa
11:40porque ele não iria até o Solão Oval, creio eu.
11:42Seria um contato telefônico, eu acredito, né?
11:45E a gente tem que lembrar
11:47que o Trump fazia o que você faz agora, né?
11:50Ele tinha um show de televisão.
11:52Então, ele é muito bom de encenação, de teatro.
11:55Pedir as pessoas.
11:56O aprendiz, é verdade.
11:58O aprendiz.
11:59Então, assim, ele é um experto comparado.
12:02Sim, sem dúvida.
12:02E fez muito bem, quer dizer,
12:04ele enquadra muito bem as pessoas.
12:07Então, eu diria que se eu Lula no lugar dele,
12:10não iria nunca, né?
12:12É, é...
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