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Aprovado na Câmara, o novo marco do licenciamento ambiental foi celebrado por André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim. Ele destacou ganhos em previsibilidade e segurança jurídica. Em entrevista ao Real Time, falou também sobre investimentos e os efeitos da guerra comercial entre EUA e China.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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Transcrição
00:00A Câmara dos Deputados aprovou na semana passada o projeto de lei que flexibiliza as regras do licenciamento ambiental no país.
00:07A gente vai conversar sobre esse tema com André Passos Cordeiro, que é presidente executivo da ABQIM,
00:13Associação Brasileira da Indústria Química. Muito boa tarde para você, André. Seja bem-vindo ao Real Time.
00:19Boa tarde, Marcelo. É um prazer estar aqui com você para falar sobre esse tema.
00:23Bom, eu queria saber, primeiramente, qual é a avaliação que você faz das mudanças que chegaram nessa lei aí.
00:28A avaliação é muito positiva da nossa indústria, Marcelo, porque a legislação,
00:34trabalhada pelo relator, pelo deputado Zé Vitor, do PL de Minas Gerais,
00:40tem o condão de reunir várias centenas de instrumentos normativos infralegais,
00:46desde resoluções do CONAMA até instruções normativas, num mesmo instrumento legal.
00:54Então, o primeiro aspecto positivo é a racionalização dessa legislação de licenciamento ambiental.
01:03Então, a ausência de um marco legal nacional, Marcelo, causava uma insegurança jurídica muito grande para a nossa indústria.
01:10Agora você vê num instrumento legal a consolidação disso.
01:16Então, passa-se a ter um processo mais claro, um processo mais seguro do ponto de vista jurídico.
01:24Então, o primeiro aspecto importante pelo qual a gente defende, talvez o mais importante pelo qual a gente defende
01:30a sanção desse projeto de lei é a racionalização das normas de licenciamento ambiental dentro do nosso país,
01:38conferindo transparência e previsibilidade para esse campo normativo.
01:46As emendas também foram apresentadas pelo deputado Zé Vitor, conferiram ainda, fizeram ajustes
01:52e conferindo ainda maior segurança jurídica, consistência técnica e equilíbrio ao projeto de lei.
01:59Então, esse é o grande elemento, a unificação, a racionalização, trazer mais transparência para o processo de licenciamento ambiental,
02:10ter mais previsibilidade em prazos, ter mais clareza dos requerimentos, requerimentos pré-estabelecidos para cada tipo de empreendimento.
02:19Então, traz racionalidade para o tema do licenciamento ambiental.
02:24E não reduzem absolutamente em nada as exigências de impacto dos nossos empreendimentos industriais,
02:31especialmente no país, com relação à preservação do meio ambiente, a mitigação de impacto no meio ambiente.
02:39O André, só para trazer um contraponto aqui, ninguém duvida, ninguém discute o fato de que licenciamento ambiental no país
02:46ele vem sendo uma coisa que se arrasta muito.
02:48Às vezes tem grandes empreendimentos aí que ficam um tempão na gaveta por causa disso.
02:53Mas, por outro lado, também tem ambientalistas que estão pedindo para o presidente Lula não sancionar,
02:59dizendo que as reformas aí, as mudanças, elas tiram muito poder do Ibama e entregam na mão dos governos estaduais.
03:05E que isso poderia estimular que os governos começassem uma espécie de competição aí,
03:10para ver quem facilita mais o licenciamento e, com isso, deixar esse licenciamento talvez menos rigoroso.
03:15Eu queria trazer para você esse contraponto e ouvir o que você tem a dizer sobre isso.
03:20Ah, uma espécie de guerra fiscal ambiental.
03:23Marcelo.
03:25Eu acho que não.
03:26Os estados hoje têm estruturas e instituições que fazem o licenciamento ambiental.
03:35São Paulo é um exemplo, Rio Grande do Sul é outro exemplo, só para trazer dois casos aqui,
03:41muito estruturadas.
03:42Tem CETESB, tem a fundação, no caso do Rio Grande do Sul.
03:46Então, tem estruturas locais que são capazes de fazer os estudos e seguir os procedimentos corretos
03:56para fazer o licenciamento.
03:58O Brasil é uma república federativa.
04:01Há que se combinar os estados, as estruturas estaduais e as estruturas da União, como o Ibama,
04:07para ter o melhor processo, para respeitar o procedimento, mitigar ao máximo o impacto ambiental,
04:17mas também para dar agilidade.
04:19Uma estrutura muito... um processo muito centralizado trava desnecessariamente.
04:24O que vai ter que se ter, vai continuar tendo, é um processo transparente, um processo de acompanhamento
04:31da atuação desses órgãos ambientais para garantir que as melhores práticas de licenciamento ambiental
04:38vão estar sendo obedecidas.
04:39Eu acho que não há razão para desconfiar da competência e da capacidade dos órgãos estaduais de licenciamento.
04:47Nem penso eu que vá se abrir uma competição entre os estados para ver quem flexibiliza mais a regra ambiental,
04:54uma vez que os marcos legais federais, os marcos legais da União, do Brasil, vão ter que continuar sendo respeitados.
05:03André, com o licenciamento ambiental facilitado, você já prevê um aumento de investimentos do setor?
05:10Olha, é muito difícil nesse cenário conflagrado internacional, né, Marcelo?
05:14A gente conseguir fazer qualquer previsão quanto a investimentos nessa guerra comercial sem quartel
05:21entre os Estados Unidos e a China, né, que é o que está como pano de fundo aí
05:26desse recente processo de aplicação de tarifas exorbitantes e sem nenhuma racionalidade econômica
05:33por parte dos Estados Unidos, essa guerra sem quartel, ela torna um ambiente muito instável.
05:40O Brasil está fazendo sua tarefa, cumprindo sua tarefa.
05:44Cumprindo seu dever, fazendo seu dever de casa, né, que é racionalizando esse tipo de legislação, né.
05:51Nós também, como indústria, estamos apoiando no Congresso Nacional a criação de um novo programa
05:57especial de sustentabilidade da indústria química que pode aportar um marco também
06:03de estímulo e de incentivo para novos investimentos no país, né.
06:08Mas é um ano muito crítico.
06:11Nós também, recentemente, ano passado, tivemos a aprovação no Congresso Nacional
06:16de uma nova legislação para a gestão segura de todas as substâncias químicas
06:21produzidas e consumidas no nosso país.
06:24Então, o Brasil, ele tem, especialmente no último período,
06:28cumprido o feito seu dever de casa no que diz respeito à regulação, né.
06:32A gente também aprovou o mercado de carbono no Brasil, né, para o setor dos regulados.
06:38A química é um setor de difícil abatimento de emissões,
06:41precisa de uma regulação muito sólida e que valha para todos os atores econômicos, né,
06:48que traga competição equânime, né, que não permita que alguns respeitem níveis de emissão,
06:55outros não.
06:55Então, a regulação geral do mercado de carbono é muito importante, né.
06:59Falei aqui, então, desse programa, falei do licenciamento, falei da lei de substâncias.
07:06Então, o Brasil está no caminho certo, na direção correta, fazendo seu dever de casa.
07:11Mas dentro de uma crise brutal, né, numa disputa gigantesca que foge ao controle do Brasil, né.
07:20E aí, é fundamental que esses dois grandes atores, esses dois blocos econômicos gigantescos,
07:27esses dois grandes mercados, consumidores e produtores,
07:30cheguem a bom termo no comércio internacional, né, Marcelo.
07:34Não é saudável a gente assistir para os investimentos aqui no Brasil ou em qualquer outro lugar,
07:40mas especialmente nós aqui, né,
07:42que somos uma economia do hemisfério sul,
07:45que somos uma economia dependente da cadeia de suprimentos internacional
07:50de uma maneira muito forte também,
07:52somos grandes exportadores, né, especialmente de commodities.
07:56Não é bom que o comércio internacional seja usado como instrumento de guerra e de confronto geopolítico, né, Marcelo.
08:02Exatamente.
08:02Então, assim, sim, né, o licenciamento ambiental agilizado, transparente, organizado,
08:08distribuído federativamente, ele traz segurança e previsibilidade e ele incentiva decisões de investimento.
08:16A lei de substâncias químicas que nós aprovamos,
08:18estamos aguardando a regulamentação pelo governo federal,
08:22esse programa que está sendo discutido no Congresso Nacional
08:25e inúmeros outros para a indústria,
08:28a nova indústria Brasil, que o Brasil vinha construindo como uma retomada de uma política industrial,
08:34tudo isso nos trazia esperança de uma retomada de investimentos.
08:38Na indústria química, inclusive, começou.
08:41Do ano passado para cá, a gente teve um bilhão de reais de decisão de investimentos
08:46aprovadas, inclusive, em programas do governo federal,
08:50financiadas, inclusive, por alguns programas do governo federal,
08:54mas esse cenário nos traz um quadro de incerteza muito grande, infelizmente, Marcelo.
08:59Já que você está trazendo esse tema da guerra comercial, André,
09:03eu queria entender, assim, do ponto de vista da indústria química,
09:06quais que são os maiores desafios agora, se essa tarifa de 50% for mantida?
09:12A nossa principal preocupação, Marcelo, é também com as exportações diretas de químicos,
09:20nós exportamos quase 3 bilhões de dólares para os Estados Unidos,
09:24também é com as importações de químicos que vêm de lá,
09:28algumas delas que servem para a própria cadeia química,
09:31produtos químicos que são transformados em outros produtos químicos,
09:35então nós temos uma preocupação com importações e exportações diretas,
09:39para essas o caminho de solução é muito difícil,
09:43porque você redirecionar exportações ou achar outros canais de importação
09:50de uma hora para outra em menos de um mês é muito difícil.
09:52E segundo, nós temos uma preocupação muito grande com a nossa cadeia de clientes,
09:57por exemplo, a gente fornece resinas para a cadeia madeireira,
10:03para fazer compensado,
10:04e esse setor de madeira é muito vinculado ao mercado americano,
10:09exporta muito para lá, tem boa parte do seu faturamento
10:12ligado às exportações para os Estados Unidos.
10:15Nós temos uma cadeia aqui de produção de químicos inorgânicos,
10:20que são químicos que são derivados de metais em geral,
10:24sílica metálica, por exemplo,
10:26que também tem um encadeamento muito grande com a indústria de silicones norte-americana,
10:30inclusive são empresas ativos americanos que produzem aqui,
10:34que exportam para a produção em fábricas lá nos Estados Unidos deles mesmos.
10:38Então, a gente tem uma preocupação muito grande tanto com as nossas exportações diretas
10:44quanto com a nossa cadeia de clientes.
10:46Dificilmente vai se conseguir redirecionar esse volume exportado pelo Brasil,
10:52pela nossa indústria, para os Estados Unidos,
10:54a partir de uma taxação tão elevada.
10:57Nossa esperança é que o próprio mercado americano reaja a isso,
11:02porque tem um impacto muito grande para eles lá, né, Marcelo?
11:06Também esperamos que o Brasil comece a pensar seriamente
11:12no seu processo de desindustrialização, Marcelo.
11:17A desindustrialização brasileira nas últimas décadas
11:20levou o Brasil a ficar muito dependente de um mercado ou de outro,
11:26ou de China ou de Estados Unidos nas suas importações e exportações.
11:31Nós importamos muito fertilizantes, por exemplo, o nosso agronegócio da Rússia.
11:39Nós importamos muitos produtos químicos dos Estados Unidos e da China.
11:46Então, como é que a gente, nós temos que melhorar a nossa industrialização,
11:51a nossa capacidade de produção, depender menos em setores estratégicos desses mercados.
11:58produzir produtos, manufaturas de mais alto valor agregado
12:04para que os nossos parceiros comerciais não possam, numa canetada,
12:10nos colocar numa posição de tamanha fragilidade.
12:13Então, para que a gente tenha uma integração nas cadeias globais de valor,
12:18como se tornou cultura, falar nos últimos anos, nas últimas décadas,
12:24para que a gente tenha uma presença nessas cadeias globais de valor mais forte.
12:30É preciso retomar aceleradamente a industrialização no nosso país
12:36para que a gente tenha uma base mais sólida para o exercício da soberania nacional.
12:42Hoje, essa base é frágil, né?
12:46Então, esse é um ponto fundamental, né?
12:48Tá certo. Muito bem colocado.
12:49André Passos Cordeiro, presidente executivo da ABQIM,
12:52Associação Brasileira da Indústria Química.
12:54Muito obrigado pela sua participação hoje aqui no Real Time.
12:57Boa tarde para você.
12:59Obrigado, Marcelo. Boa tarde. É um prazer.
13:01Obrigado.
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