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O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, avalia a nova tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros. Junto com os analistas Julia Lindner e Alberto Ajzental, ele detalha os efeitos no comércio, nas relações institucionais e no cenário monetário.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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Transcrição
00:00Sobre os impactos do novo tarifaço na relação entre Brasil e Estados Unidos,
00:04eu converso agora com o ministro da Fazenda, ex-ministro da Fazenda
00:08e também ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
00:12Boa noite, ministro. Muito obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:15Queria começar perguntando para o senhor como o senhor avalia,
00:19até o momento, a reação brasileira à tarifa de 50% anunciada por Donald Trump.
00:24O governo está no tom adequado?
00:26Olha, eu acredito que sim, porque não adianta agora tentar agudizar o problema.
00:42Inclusive o Trump disse claramente que pretende inclusive daqui um pouco conversar com o presidente Lula.
00:56Então, foi uma atitude política e é importante notar que é a primeira vez dentro, desde que atribuiu,
01:07que o Trump adota uma função política.
01:10Normalmente, o que ele tem feito agora são tarifas sobre a importação de alguns países
01:18que ele entende que estão tirando vantagens dos Estados Unidos, no sentido de estar exportando para os Estados Unidos
01:26e está dificultando a exportação dos Estados Unidos para esse país.
01:32Então, essa é a briga e a negociação, seja o Canadá, seja a China ou o Brasil antes, com os 10%.
01:40Agora não, ele fez uma justificativa política, dizendo que o Brasil está tratando mal o ex-presidente
01:53e que isso é um absurdo, etc.
01:57E além do mais, ele acha que o Brasil está criando problemas e perseguindo as empresas de mídia social americana
02:07por causa das decisões lá relativas às notícias, etc., que eventualmente são bloqueadas pelo Supremo Tribunal Federal
02:21por serem consideradas ou agressivas demais, ou incitando a violência, ou outras coisas.
02:27Agora, ele evidentemente passa por cima, inclusive tem um pouco a cabeça dele mesmo, em relação aos próprios Estados Unidos,
02:36ele passa por cima do fato que existe uma divisão de poderes, isso não é o Brasil, o executivo da mão de decisões,
02:45são interpretações da justiça do Supremo Tribunal, do Procurador-Geral da República,
02:55e a justiça brasileira é independente.
02:59Então, nós temos uma separação de poderes entre o executivo, o legislativo e o judiciário.
03:04Então, o Supremo julga, baseado na lei brasileira, isso não é uma atitude política do Brasil.
03:13Então, não vai ser essa decisão do próprio que vai mudar eventuais decisões do Supremo Tribunal Federal.
03:25Esse é o ponto.
03:26O senhor acredita, então, que há margem para uma solução negociada e, portanto, para uma redução desses 50%
03:33até o dia 1º de agosto, quando essa tarifa entraria em vigor?
03:39Olha, possível é, porque o Trump, da maneira que ele opera, não só agora, como presidente dos Estados Unidos,
03:49mas mesmo antes, no setor privado, eu próprio, que já fui presidente de um banco global com sede nos Estados Unidos,
03:56tive negociações com ele e com as empresas dele.
04:01Ele, às vezes, joga, de fato, muito pesado, mas muitas vezes ele volta.
04:05Quer dizer, e algumas pessoas erroneamente veem isso como um recuo dele.
04:10Não é um recuo.
04:11É uma técnica de negociação.
04:14Ele, às vezes, entra muito duro para conseguir o máximo possível e, depois, buscar um acordo que ele julgue razoável.
04:22Então, é isso que pode estar acontecendo.
04:27Quer dizer, disseram a ele lá, ele se convenceu de que existiu uma perseguição às empresas americanas, por exemplo,
04:35com a questão de mídia social, etc., além da questão do ex-presidente, e ele, então, está reagindo de uma maneira que é, digamos,
04:45a arma que ele está usando agora, mas que é completamente desfocada do problema que ele próprio está discutindo.
04:54A questão criminal, acusações, etc., o ex-presidente brasileiro, ou a questão do tribunal julgando inadequadas as duas mensagens nas mídias sociais,
05:08isso não significa, evidentemente, que o Brasil, como país executivo, está perseguindo empresas americanas, etc.
05:16Somos uma democracia e vivemos, portanto, dentro de um regime de separação de poderes.
05:21Mas, agora, é uma questão de negociar e ver o que ele pretende, de fato, com isso.
05:29Ele pretender que vai mudar decisões ou influenciar decisões do Supremo Tribunal Federal Brasileiro, eu acho inviável.
05:41É muito improvável isso, a própria reação do Supremo mostra isso.
05:46Eu vou passar para a pergunta dos nossos analistas.
05:48Vamos começar pelo Alberto Azental.
05:50Alberto, boa noite para você.
05:52Boa noite, Cris.
05:53Boa noite a todos.
05:54Ministro, a partir de amanhã até 1º de agosto, a gente conta 21 dias.
06:01Então, eu queria te perguntar, como você imagina que vão decorrer esses dias entre idas e vindas?
06:08Qual a melhor postura que o Brasil pode adotar nesse diálogo agora de negociação?
06:18E mais uma perguntinha.
06:20A gente tinha uma tarifa, uma alíquota muito boa de 10% lá no dia 2 de abril.
06:28E agora já foi jogado lá para cima para 50%.
06:32Dependendo desses 21 dias, você imagina que vai convergir, eu sei que é um chute, para qual número?
06:40Olha, é difícil dizer.
06:43Eu acho que o número dele para o Brasil é 10%.
06:46Agora, ele jogou esse número tão alto dentro de uma estratégia de negociação que não é como a estratégia de negociação, como com todos os demais países.
07:01Porque aqui o que ele está demandando é uma questão judicial brasileira.
07:05De um lado, são decisões do Supremo Tribunal, seja em relação às acusações ao ex-presidente da República,
07:15seja em relação a determinadas postagens da vida social.
07:21Então, não há aí necessariamente um parâmetro.
07:27Vamos supor que se ele colocasse 50% de tarifa, dizendo que o Brasil está exportando para os Estados Unidos, etc.,
07:36e tendo saldos comerciais muito grandes, e estão atirando para o vento do mercado americano,
07:41isso seria outra coisa.
07:44Mas não é o caso.
07:45Por exemplo, o Brasil tem débito comercial com os Estados Unidos.
07:49Compra mais do que vende lá para lá.
07:52Importa mais produto americano do que vende produto brasileiro lá.
07:55Então, isso aí não faz sentido.
07:57Então, eu acho que a resposta do governo brasileiro deve ser dada exatamente, em primeiro lugar,
08:03procurando esclarecer essa situação, que não há nenhuma perseguição à empresa americana, nada disso.
08:09E o que existe aí simplesmente são decisões da justiça,
08:18que são decisões independentes e que não têm nenhum conteúdo de ordem política.
08:26Agora, se chegarmos lá perto e ele insistir nessa tarifa,
08:31aí talvez não haja outra solução do que também aumentar a tarifa das importações americanas.
08:37Deixa eu aproveitar exatamente isso que o senhor acabou de falar.
08:40Pela sua experiência como ministro da Fazenda, presidente do Banco Central,
08:44também comandou instituições financeiras globais, como o senhor mesmo disse,
08:49Banco de Boston, por exemplo.
08:50Qual pode ser o efeito na economia brasileira se a tarifa de 50% de fato entrar em vigor?
08:56Olha, afeta um pouco, sim, mas não é dramático.
09:05Quer dizer, os Estados Unidos hoje já não são o maior parceiro comercial do Brasil.
09:11E, como eu disse, o Brasil tem, inclusive, um déficit comercial com os Estados Unidos.
09:16O maior parceiro comercial do Brasil hoje é a China.
09:18Então, se, de fato, ele insistir com razões políticas,
09:28e aí não há o que discutir, se há uma razão política,
09:31o governo brasileiro vai fazer o quê?
09:33Vai dizer ao Supremo Tribunal o que o Supremo Tribunal deve fazer?
09:37Não é cabível no Brasil e pela Constituição brasileira.
09:42Não tem nenhuma lógica para o processo.
09:44Então, o que o governo pode fazer é, em primeiro lugar, esclarecer
09:48como é que funcionam as instituições no Brasil, que são similares à americana.
09:54Seria a mesma coisa do Brasil aumentar a tarifa para os Estados Unidos,
09:57porque não gostou de uma decisão lá da Suprema Corte americana.
10:01É uma coisa que não tem nada a ver com outra.
10:04Quase é aquela história que seria engraçada se não fosse sério e grave.
10:08Portanto, é essa a questão.
10:13Se chegar lá na frente o Brasil realmente se vê com essa tarifa,
10:19então talvez não tenha outra solução do que impor também uma tarifa elevada
10:24aos produtos americanos.
10:25E, evidentemente, as empresas brasileiras, de qualquer maneira,
10:29já estarem trabalhando na exportação para outros países,
10:35reforçando relações comerciais com outros países,
10:39seja a China, seja a Coreia do Sul, seja a Índia, seja a União Europeia, etc.
10:46Então, é esse o quadro.
10:48Além da atuação de esclarecimento, agora tem que estar politicamente,
10:53aí o Brasil tem que dar uma resposta clara,
10:57educada, mais dura, no sentido de que o Brasil tem instituições
11:04e que o Brasil respeita as suas instituições.
11:09Vamos passar para a pergunta da Júlia Lindner, lá em Brasília.
11:12Júlia, fica à vontade.
11:16Ministro, ainda pegando como gancho a experiência do senhor,
11:19o senhor vê algum efeito ou impacto na condução da política monetária,
11:24considerando o cenário atual e o que pode ter de incerteza para o futuro?
11:28Acha que isso pode mudar as próximas decisões do Banco Central?
11:34Olha, o Banco Central olha a inflação, como deve.
11:39O Banco Central não deve se meter em discussão política.
11:46Então, o Banco Central, na medida em que esse processo de uma tarifa grande
11:58para a exportação de produtos brasileiros,
12:01isso vai diminuir, digamos, a produção, a atividade econômica,
12:08porque algumas companhias vão perder vendas, uma parte,
12:12vendas essas para os Estados Unidos.
12:14Do ponto de vista do Banco Central, isso pode até ajudar,
12:19ironicamente, pode até ajudar no combate à inflação,
12:22porque na medida em que essas empresas vendam menos,
12:26significa que baixa a atividade econômica, baixa.
12:31E, em função disso, isso pode até ter um efeito baixista na inflação brasileira,
12:41que pode ser contrabalançado, certamente, e aí não ter grande efeito,
12:46ou ter, se o Brasil taxar os produtos americanos e isso encarecer um pouco
12:51a produtos americanos vendidos no Brasil.
12:54Isso nós temos que ver.
12:56E o Banco Central vai rodar os seus modelos macroeconométricos
13:00para ver exatamente, medindo tudo isso, qual é o efeito da inflação brasileira
13:05e, portanto, tomar a decisão adequada.
13:07Ministro, muito obrigada.
13:09Sempre bom demais ter o senhor aqui com a gente.
13:12Boa noite, bom fim de semana.
13:14Boa noite, obrigado, bom fim de semana e sucesso em seu trabalho.
13:19Muito obrigada.
13:20Boa noite, bom fim de semana.
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