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O diretor do Conselho Empresarial Brasil-China, Tulio Criello, analisou o telefonema entre Donald Trump e Xi Jinping. O diálogo sinalizou reaproximação entre os países, mas manteve tensões sobre Taiwan, minerais estratégicos e o déficit comercial americano.

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Transcrição
00:00A gente volta já falando sobre o telefonema de hoje entre Trump e Xi Jinping.
00:07A ligação durou uma hora e meia. Pouca coisa foi divulgada como decisões concretas.
00:12O mais provável é que os dois presidentes se encontrem pessoalmente, provavelmente na China.
00:19Eu converso agora com Túlio Cariello, que é diretor de conteúdo e pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China
00:27e claro que um estudioso de China.
00:30Cariello, obrigado pela participação aqui na nossa programação, no Conexão.
00:35Concorda comigo que em 90 minutos de conversa, o que os dois governos acabaram divulgando para a imprensa
00:40foi apenas uma lasca, muita coisa deve ter ficado represada.
00:45Parece que houve um entendimento, um aceno, ali uma troca de fidalguias,
00:50foi um telefonema gentil e que vamos manter uma porta aberta.
00:55Agora, Túlio, você que estuda a China, entende como o chinês pensa e principalmente como ele faz negócios,
01:02o Trump se tornou mundialmente famoso, ainda no mundo dos negócios, dizendo que ele dava as cartas na mesa.
01:09O jogo virou, na tua impressão, agora ele teve que esperar a benevolência do presidente Xi Jinping
01:15quando o Xi Jinping poderia atender um telefonema da Casa Branca e aí o jogo virou um pouco de lado.
01:21Obrigado mais uma vez, boa noite.
01:23Boa noite, muito obrigado pelo convite.
01:28Eu tendo a concordar um pouco com essa análise, eu acho que, na verdade, essa conversa recente entre os dois presidentes
01:36trouxe pouca coisa de concreto, de fato.
01:39De certa forma, eu acho que algumas questões a gente pode tirar dessa conversa.
01:44Uma delas é a reabertura do diálogo, que eu acho que é o mais importante, e uma relativa redução das tensões.
01:51Como você comentou, a gente viu ali convites mútuos para visitas do Xi Jinping aos Estados Unidos e do Trump à China.
02:00Então, acho que isso, de uma certa forma, é positivo.
02:05Agora, a questão de o Xi Jinping dar as cartas e não o Trump, isso é um pouco relativo também,
02:11porque, na verdade, o que eu vejo é uma verdadeira interdependência entre a China e os Estados Unidos atualmente.
02:18Então, muito se fala, quando começou lá atrás, no primeiro governo Trump, a questão da chamada, então, guerra comercial,
02:27de um possível desacoplamento entre as duas economias, o que muitos analistas dizem que seria impossível de acontecer,
02:35porque, de fato, existe uma dependência mútua dos dois lados.
02:39Um ponto que me chamou a atenção, especialmente, nesse momento, foi a discussão em relação ao comércio de terras raras
02:46e minerais críticos, minerais estratégicos, de forma geral, porque, de fato, a China, hoje, domina esse mercado.
02:53A China domina boa parte da produção, da venda desses produtos, que são, de fato, essenciais para uma série de setores da economia.
03:03Então, na indústria, por exemplo, a gente tem a aplicação dessas terras raras e metais estratégicos,
03:08por exemplo, na área de tecnologia, na área de transição energética, inclusive na área de defesa.
03:14Então, de uma forma ou de outra, eu acredito que sim, pelo menos nesse ponto, que foi, inclusive,
03:19colocado ali como um dos exemplos de temas que foram debatidos pelo próprio Trump,
03:24de fato, a China tem o controle da situação hoje.
03:28Carielo, também teve um outro ponto sensível, eles colocaram dessa maneira, que é Taiwan.
03:33China deixou claro, deu mais um recado aos Estados Unidos, não interfiram nas relações entre China e Taiwan.
03:41Deixo aqui com a gente, deixo aqui com o lado de Pequim.
03:45Como é que se avalia essa fala?
03:47Obviamente que a conexão entre Taiwan e Estados Unidos passa por semicondutores.
03:53Essas peças que são fundamentais agora, para essa quarta revolução industrial, para a inteligência artificial.
04:01Quer dizer, é um ponto nevrálgico para os dois, por razões diferentes, mas tem um ponto em comum,
04:07que é um polo de tecnologia que Taiwan se tornou.
04:12E o Xi Jinping já disse, quando ele foi eleito, reeleito e agora re-reeleito, o seguinte,
04:20a questão de Taiwan eu resolvo, vai ser resolvido no meu mandato, não vou deixar isso para o futuro.
04:26Para bom entendedor, meia palavra basta.
04:29Como é que você vê esse ponto de tensão que o Xi Jinping fez questão de trazer nessa conversa com o Trump hoje?
04:34Eu acho que isso dificilmente vai acontecer no mandato do Trump.
04:40Eu acredito que essa questão de Taiwan é um tema muito sensível, na verdade,
04:45sobretudo para a China, isso tem raízes históricas muito profundas também.
04:49E de fato, os Estados Unidos teve um papel importante também no momento de isolar Taiwan da China continental,
04:58na época ainda de guerras civis na China e tudo mais.
05:01Então, Taiwan, na verdade, se tornou inicialmente um refúgio dos nacionalistas
05:07e os comunistas ficaram na China continental.
05:11Então, essa era a discussão, quem seria de fato o representante legítimo de toda a China.
05:17Acho que cabe lembrar aqui que na perspectiva chinesa não existe essa ideia de separatismo de Taiwan ou não.
05:23A China considera Taiwan parte do seu território.
05:26Então, esse que é o grande ponto.
05:28Agora, definitivamente, eu acho que isso acaba sendo mais um blefe do Trump,
05:33como muitas vezes a gente já viu aí acontecendo,
05:36porque realmente, como eu comentei, é um tema muito sensível
05:39que dificilmente vai ser resolvido assim de supetão, vamos dizer.
05:44Isso depende muito mais, eu acho, inclusive, do próprio diálogo entre a China continental,
05:50entre Taiwan.
05:51Existe, de fato, um interesse da China em uma reunificação pacífica, eu acredito,
05:56mas existem também temas sensíveis que foram evoluindo ao longo dos anos.
06:02Hoje, também, dentro de Taiwan já existem correntes separatistas,
06:05que realmente não querem uma espécie de reunificação.
06:08Então, é um ponto muito, muito complexo para ser decidido num só mandato, vamos dizer assim.
06:15Cariello, voltando aí para o âmbito do negócio, da economia, que é o DNA aqui do nosso canal,
06:23a relação entre Estados Unidos e China, convenhamos que os dois se interdependem.
06:29Só que ela é superavitária para o lado chinês.
06:33Ou seja, os Estados Unidos pagam mais para a China do que a China paga mais para os Estados Unidos.
06:39Obviamente, que o Trump foi eleito prometendo revisar, mudar a situação econômica do país
06:46para que se produzisse mais dentro dos Estados Unidos.
06:52Quer diminuir essa diferença da balança comercial.
06:56E cá, para nós, obviamente, o Xi Jinping não quer essa diminuição,
06:59porque é muito vantajosa, muito confortável e muito estratégica para a China.
07:03Só que, fugindo aí da relação política, dentro dos Estados Unidos, existem empresários,
07:09milhares, se não milhões deles, que dependem de produtos da China.
07:13Desde um empresário pequeno até um bilionário multinacional.
07:18Quer dizer, existe uma força interna dentro dos Estados Unidos
07:21que não está muito a favor dessa quebra de corrente, desse elo com a China.
07:27O Donald Trump tende a perder essa queda de braço com esse produtor interno,
07:33que depende da China, porque cá entre nós, parte 2, é muito difícil trazer polos de produção
07:39que estão na China, que estão no México, em outros países, para os Estados Unidos,
07:43num estalar de dedos.
07:44Isso levaria meses, ou melhor dizendo, anos.
07:48Então, quer dizer, essa geração de produção dentro dos Estados Unidos não vai ser tão rápida.
07:52A dependência com outros países, em especial da China, ainda vai perdurar.
07:56É que ele tem uma resistência interna do empresariado.
07:59Queria ouvir a tua interpretação.
08:01Eu acho que o primeiro ponto que tem que ser colocado aí é que, de fato,
08:06essa questão do déficit comercial dos Estados Unidos com a China é um ponto de longo prazo
08:11e que talvez seja um dos poucos pontos, inclusive, que todos ali no governo americano,
08:17seja democrata ou republicano, concordam que é o fato de que precisa haver algum tipo de ação
08:23para poder, pelo menos, reduzir esse déficit que os Estados Unidos têm com a China.
08:27Só para a gente ter uma ideia, em 2024, o déficit dos Estados Unidos com a China foi de aproximadamente 300 bilhões de dólares.
08:36Esse valor é o triplo de todas as exportações do Brasil para a China no melhor ano da história, no recorde.
08:43Eu estou falando só das exportações do Brasil em comparação com o déficit.
08:47Ou seja, realmente é um número gigantesco e que, de fato, precisa ser resolvido.
08:52Eu acho que é um ponto que eu costumo falar.
08:54Goste ou não do Trump, realmente isso é uma preocupação, porque é muito dinheiro dos Estados Unidos saindo em direção à China,
09:00que, obviamente, é uma vantagem enorme para o lado chinês.
09:03Como que vai ser resolvido isso?
09:05Eu acho muito improvável que tenha, de fato, o interesse do empresário americano em reduzir esse déficit,
09:12porque, como você comentou, parte dessas exportações da China para os Estados Unidos vai para a indústria,
09:17não como produtos finais, necessariamente, mas como insumos.
09:21Então, isso é muito importante ser colocado.
09:23A indústria americana hoje, apesar de concorrer em alguns setores com a China,
09:28também depende dos insumos chineses.
09:30Então, realmente, é uma situação tão complexa e que tem tantas nuances,
09:36que é difícil da gente vislumbrar uma resolução fácil.
09:40No popular, seria difícil ver uma bala de prata para resolver essa situação.
09:45Então, eu acho que, como você comentou, essa queda de braço dificilmente vai ser vencida.
09:49Claro, tem alguns setores que sofrem muito com a competição chinesa,
09:55inclusive, como é o caso aqui do Brasil também,
09:57a gente também importa muitos produtos da China que são insumos para a indústria.
10:01Por outro lado, a gente também compete muito, por exemplo, setor teixo, setor calçadista,
10:06brinquedos, por exemplo, são setores que têm uma competição muito acirrada com a China,
10:11nos Estados Unidos é muito parecida a situação.
10:14Então, de fato, eu acho improvável.
10:17E aí, isso me traz um outro ponto também, que é a questão desses produtos chineses que, de fato,
10:26trouxeram poder de compra para o cidadão americano.
10:30Então, boa parte do poder de compra americano, por muito tempo,
10:35veio justamente desses produtos chineses baratos que chegavam nos Estados Unidos.
10:39Então, em última instância, essas tarifas, elas, eventualmente, vão ser pagas pelo contribuinte americano,
10:45no final das contas, né?
10:46Então, no fim, a China acaba não sendo tão afetada assim, quanto a gente acaba imaginando.
10:52Túlio Cariello, que é diretor de conteúdo e pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China.
10:58Mais uma vez, eu agradeço a participação aqui na nossa programação.
11:02Até uma próxima, Túlio!
11:03Música
11:05Música
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