00:00Quando o senhor menciona essa questão do racismo, eu me recordo recentemente, o senhor deu uma entrevista para o Neumann, para o José Neumann Pinto, que inclusive é nosso colunista, o senhor disse que o IBGE se tornou um órgão ideológico no governo do Fernando Henrique, por mudar a forma de classificação racial no país.
00:19O senhor disse que os negros compõem, na verdade, 10% apenas da população brasileira e que sua representatividade foi inflada pela soma de pardos, o que levaria o percentual para próximo de 60% da população nacional e que essa mistificação não contribui para resolver os problemas do país.
00:36Por favor, esclareça isso, porque eu acho que isso está associado, eu gostaria também de a gente avançar nessa questão do racismo estrutural, entender um pouco melhor, porque eu acho que essas declarações, esse seu posicionamento, de forma bastante lúcida e corajosa, se transformou na pedra, no sapato do movimento negro no Brasil.
00:58Agora, vamos ver isso. A sociologia marxista brasileira, desde a década, começo da década de 60, final da década de 50, importou as categorias raciais americanas no Brasil.
01:17Isso é uma tradição alienada da sociologia, mais curioso, da sociologia marxista no Brasil. Ela copia a matriz americana de classificar o mundo como se só existissem pretos e brancos.
01:31Esquece que o Brasil é um país mestiço, fecha os olhos para isso. Você vai ver isso, o Fernando Henrique Cardoso, num dos primeiros livros dele, Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional.
01:43Ele analisa o assunto, fazendo de conta que o Brasil só tem preto e branco. Não existem mestiços. Embora ele, sendo mulato e tendo o apelido, ele era conhecido o apelido dele na universidade, na política, era um mulatinho.
01:58E ele mesmo chegou a dizer, eu tenho um pé na cozinha. Mas ele esquece que o Brasil é um país maioritariamente mestiço, com basicamente, predominantemente mulato, cafuso, caboclo.
02:14E reduz isso ao padrão americano, ao binarismo racista americano, que é antibiológico, é negacionista, faz de conta que não existe cruzamento genético, não reconhece socialmente a mensagem.
02:29O contrário do que acontecia no Brasil.
02:31Então, eu vejo uma linha de continuidade nesse sociólogo, jovem sociólogo marxista, que traz para aqui e lida só com categorias raciais americanas para analisar o Brasil.
02:44E o presidente da república, que quando apresenta o plano nacional dos direitos humanos, em 1996, determina que o IBGE desconsidere a existência dos mestiços e que os pardos sejam incluídos forçosamente na categoria negros.
03:05No contingente negro da população, é o que está escrito no plano nacional dos direitos humanos, em 1996.
03:11Quer dizer, o Fernando Henrique institui isso no IBGE, obriga o IBGE a fazer isso.
03:17No governo Lula, essa coisa do IBGE vai para todos os órgãos do governo federal.
03:24O Brasil, então, vira uma nação de negros e brancos.
03:29Aquela música de Ari Barroso fica parecendo que ele está lidando com outro planeta, quando ele fala Brasil, meu Brasil brasileiro, meu mulato insondeiro, não.
03:38Não existe mulato no Brasil.
03:41Não tem mais mulato.
03:42Só existem negros.
03:43Agora, os negros, eu até exagerei um pouco falando com o Neumann, porque é menos.
03:48Os negros chegam a 8% da população.
03:5147% são considerados pardos.
03:54Esses pardos viram negros.
03:56Isso é uma fraude enorme.
03:58Não só aí, de enfiar os pardos, obrigarem os pardos a serem negros, e já no governo Lula, isso virá lei.
04:07Em 2010, isso ficou obrigatório.
04:10Quando o Estatuto da Igualdade Racial vira lei.
04:13No Brasil, aprovado pela Câmara e pelo Senado.
04:15E ninguém protesta.
04:20Agora, então, pega essa grande maioria parda e vai inflar um contingente negro e criar esse campo racial polarizado no Brasil como o que existe nos Estados Unidos.
04:34É tudo copiando a matriz.
04:39E isso é uma falsificação do Brasil.
04:41E essa falsificação do presente e da história do Brasil, o governo se encarrega de transformar em política educacional oficial.
04:51Vai para os parâmetros curriculares do ensino, vai para tudo.
04:55E vai determinar as políticas públicas.
04:57Agora, é curioso que se você pega boa parte do norte de Minas, o sertão nordestino, o vale amazônico, os pardos, poucos pardos são descendentes de negros.
05:12Eles são predominantemente descendentes de brancos e índios.
05:16Especialmente no vale amazônico, em cidades como Manaus e como Belém.
05:20Agora, você pega essas pessoas de lá, que não tem uma gota de sangue negro, e eles são definidos como negros pelo governo brasileiro.
05:30Isso fica ridículo.
05:31O IBGE é tão ridículo, é uma fraude tão grande, quando ele deixou de ser um órgão estatístico e se transformou em uma entidade ideológica.
05:40Chega a ser tão ridículo que Belém é uma metrópole neoindígena dos trópicos.
05:46É uma cidade onde as pessoas de ascendência indígena dominam totalmente.
05:50Ao contrário de Salvador, onde é enorme a ascendência negra.
05:55No entanto, nos números do IBGE, Belém tem 80% da população negra, porque são os pardos que viram negros.
06:05E Salvador tem 80,01.
06:08Quer dizer, Belém e Salvador têm o mesmo número de negros pelo IBGE.
06:13Olha o ridículo que a gente está chegando.
06:16A fraude sobre o Brasil.
06:17E aí vem falar, precisamos do IBGE para fazer as políticas públicas.
06:22Mas como?
06:23Formular políticas públicas a partir de fraudes gigantescas?
06:27Qual é a grande consequência desse tipo de manipulação?
06:39A grande consequência negativa, na sua opinião?
06:42A gente não consegue se enxergar como povo, como esse povo miscigenado.
06:49Que tipo de consequência que isso tem, na sua opinião, na vida das pessoas?
06:56Quer dizer, o senhor falou de educação, o senhor falou de políticas públicas.
07:00E na vida do cidadão?
07:02Isso muda alguma coisa no dia a dia ali?
07:05Bom, claro, porque você passa a ter políticas públicas para negros.
07:13O mestiço não existe.
07:16Então, você acaba forçando as pessoas, porque ser mestiço não dá camisa a ninguém,
07:22não dá futuro a ninguém.
07:24Todas as benesses das políticas públicas são para negros,
07:27todo mundo vai se definindo como negro.
07:28Isso é uma tremenda falsificação da realidade do cotidiano brasileiro, da vida brasileira.
07:35Quando você diz que o Brasil não é um país mestiço,
07:39você vira de costas para o país.
07:42Você está falando de outro mundo.
07:43Você não está falando das realidades brasileiras.
07:46Mas você impõe essa falsificação.
07:49Impõe porque passa a ser registrado nos seus documentos,
07:53porque cotas de emprego nos serviços públicos passam,
07:57você passa a ter que se definir como negro,
07:59você tem que responder às provas em concursos públicos
08:02segundo a ideologia identitária dominante.
08:06Você passa a ter que se comportar assim socialmente.
08:11Isso modifica totalmente a vida das pessoas.
08:14E em cima de uma grande fraude.
08:16É isso que eu falo.
08:17Porque uma das coisas que tem que ser combatidas no Brasil
08:22é esse truque da média estatística.
08:25Porque isso é que você fala assim...
08:29Vamos dar esse exemplo mesmo de brancos e negros.
08:32Se 1% da população brasileira
08:36tem mais possas, mais dinheiro, mais bens,
08:4240%...
08:45Se 1% detém 40% da riqueza brasileira
08:51e esse 1% é predominantemente branco,
08:55é evidente que toda a média branca vai ser puxada para cima.
09:03Mas isso é a média estatística.
09:06Se você vai para a realidade dos números absolutos,
09:09a coisa é outra.
09:11Depende da região onde você esteja.
09:13O Brasil tem 39 milhões de pobres mestiços,
09:1819 milhões de brancos mestiços,
09:20só 4 milhões de negros na pobreza.
09:23Então os números absolutos é que revelam a realidade.
09:26E não o truque da mídia estatística.
09:30Porque a mídia estatística,
09:31se eu tenho uma tonelada de ouro
09:33e meus filhos não têm ouro quase nenhum,
09:37têm o mesmo ouro da família que mora ao lado,
09:39pouquíssimo ouro,
09:40e meus filhos ficam riquíssimos.
09:43Porque pela média estatística,
09:45eles passam a ser somados,
09:47dividir essa tonelada de ouro que eu tenho.
09:50A média estatística é um truque nefasto,
09:52que falsifica a realidade.
09:55A gente tem que lidar com os números absolutos.
09:58E aí você vai ver que o Brasil
10:00não é uma sociedade de castas raciais.
10:02O Brasil é uma sociedade de classes raciais.
10:04É diferente.
10:06Porque os pardos são maioria no Nordeste.
10:11Então, a maioria dos ricos do Nordeste é parda.
10:14A maioria dos pretos do Nordeste também.
10:18Já você chega em alguns lugares do Sul,
10:21a maioria da população é branca.
10:23Sim.
10:24Como Santa Catarina.
10:26Nesses lugares, a maioria dos ricos é branca.
10:29E a maioria dos pobres é branca.
10:31Claro.
10:31Então você tem que ler o Brasil com os números absolutos.
10:34e não com os truques do IBGE,
10:37que só são direcionados para comprovar uma ideologia sobre o Brasil.
10:42O Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil com o Brasil
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