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  • há 7 meses
O escritor analisa a força política do petista.

Assista à conversa na íntegra: https://youtu.be/NOVfHSY4gvY

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Notícias
Transcrição
00:00Uma das primeiras agendas do Lula foi na COP26, COP27, perdão, e, claro, ele aproveitou
00:12aí o ensejo de toda a desconstrução da política ambiental no Brasil para capitalizar
00:19politicamente esse discurso para angariar apoio internacional e nesse seu esforço
00:28de já, vamos dizer assim, resgatar aquela imagem, aí a gente está falando novamente
00:34de legado, de retomar essa imagem do cara, do cara, de alguém que tinha pelo menos
00:45respeito, admiração internacional de várias outras nações.
00:48Quando você discute Amazônia, quando você discute política ambiental, você está falando
00:53com democracias. Você está falando não só de comércio, mas você está falando
00:59de política. Será que essa seria uma agenda fundamental para tentar, vamos dizer assim,
01:05aproximar de fato o Brasil dessas alianças democráticas e afastá-lo dessas autocracias?
01:14Tomara que seja. Tomara que seja. Quer dizer, que esse seja um bom pretexto para, em nome
01:23da sustentabilidade, a gente conseguir formar alianças com as grandes democracias ocidentais
01:35que estão realmente preocupadas com o aquecimento global, com a destruição das condições
01:43de vida no planeta, não é? Porque as autocracias não estão tão preocupadas assim, não é?
01:52Seja por que motivo for, elas não estão tão preocupadas assim. Então, eu espero que isso seja.
01:59Agora, o que o Lula está tentando fazer? Ao mesmo tempo que ele está tentando projetar o Brasil
02:06como líder dessa pauta, inclusive por causa da Amazônia, etc., ele está tentando recuperar e ampliar
02:17o prestígio internacional de grande líder mundial.
02:23Ele sempre teve essa mania, né? Ele queria resolver o conflito entre Israel e a Palestina,
02:31vocês lembram disso?
02:33Claro, com jogo de futebol, inclusive.
02:36É, com jogo de futebol. Ele queria parar com a guerra da Ucrânia num barco com a manzinha.
02:42Entendeu? Isso chega a ser ridículo, mas faz parte da mentalidade do Lula, quer dizer, ele se acha.
02:48Ele queria resolver o problema da crise do programa nuclear iraniano.
02:55É, também. Ele se acha. Então, ele... Essa é uma das coisas que a gente sempre dizia.
03:03O Lula... O diabo do Lula é que ele acreditou que é o Lula.
03:08Aí começou... É, porque isso é uma persona que você vai criando através de muitos movimentos políticos
03:17ao longo de décadas, né?
03:19E essa tentação de você se identificar com a persona que é projetada sobre você pelos seguidores,
03:27pelos caras que adoram você, pelos caras que... E o Lula atrai esse tipo de adoração.
03:34Ele é um líder com alta gravitatem.
03:36Onde ele entra, ele deforma o campo, o campo interativo da convivência social, né?
03:42Quer dizer, ele atua assim como um buraco negro no campo.
03:46Quer dizer, ele suga as energias do campo.
03:49E isso acontece com todo líder que tem alta gravitatem.
03:52Aconteceu só com o Lula.
03:55Mas ele um pouco tende a se identificar com a persona.
03:58E esse é um problema.
04:01Outro dia ele tuitou, ainda agora, recente, em 2018, que ele não é uma pessoa normal.
04:07Ele é a síntese, é um pedacinho das células de cada um de nós.
04:14Isso que é escrito por ele.
04:16Não é quem duvidar.
04:18Você pode dar o link.
04:19Eu tenho o link.
04:21Entendeu?
04:21Quer dizer, quando o cara entra numa viagem assim...
04:25Eu sou uma ideia, lembra?
04:26Eu sou uma ideia.
04:27Eu sou uma ideia.
04:29Isso é anterior ainda.
04:31É.
04:32Então, aí, isso é problemático, não é?
04:35É problemático porque o cara estaciona numa parte do caminho.
04:40Se você estaciona, você tem dificuldade de avançar.
04:43Você tem dificuldade de mudar.
04:44E a pergunta é, se o Lula mudasse, o PT acompanharia o Lula?
04:50Essa é a pergunta.
04:52Essa é uma pergunta difícil de responder.
04:54Essa cultura que o PT construiu durante 40 anos.
04:59Se o Lula disser, não, não é mais assim, agora é assado.
05:02A galera toda vai?
05:06Essa é uma pergunta difícil.
05:08Quer dizer, a cultura é resiliente.
05:10Ela não...
05:11A turma acha que o Lula é uma espécie de dono do PT e o que ele fala, o PT todo vai seguir.
05:19Não é assim que funciona, gente.
05:21Ele moldou o PT e o PT moldou ele.
05:24Mas há uma simbiose que é profunda.
05:28Entendeu?
05:29Então, tem coisas que ele pode fazer e tem coisas que ele não pode fazer.
05:34Tem coisas que ele não pode fazer.
05:36Se ele for contra aquilo que são os princípios, vamos dizer, da organização que se formou,
05:44ele não consegue fazer.
05:46E agora ele está devedor.
05:47Agora ele está devedor do PT.
05:49Ele está mais devedor do PT, que se mobilizou totalmente para apoiá-lo, para resgatá-lo da cadeia.
06:00A gente não está falando apenas de ação, da atuação dos advogados.
06:06A gente está falando da atuação política, de todo o enredo que foi construído,
06:12de PT, de CUT, de MST, de líderes, lideranças estudantis, sindicais, etc.
06:21Quer dizer, ele está muito devedor.
06:25Talvez isso explique até, Augusto, aquilo que a gente conversou mais cedo,
06:30da história da Janja, da influência.
06:34E aí acabou que você não tinha me respondido, você vai responder agora.
06:37Qual é a influência da Janja?
06:39Porque talvez esse contexto seja um pouco mais complexo.
06:42Ele está mais devedor, está menos Lula, está mais PT,
06:47está mais devedor dessa esquerda mais radical.
06:51E talvez acabe tendo de governar mais para essa esquerda radical.
06:57Olha, o Lula, na verdade, ele precisou dessa militância guerrida.
07:04Porque uma coisa é você ser um líder sindical,
07:07você ser o líder das grandes manifestações do Estado de Vila Euclides,
07:13você ser um ícone popular.
07:17Isso é uma coisa.
07:18Outra coisa é você entrar no jogo duro
07:20contra as estruturas do sistema como ele entrou.
07:24entendendo por sistema o que ele entendia, mas ele achava que estava.
07:31E ele não ia conseguir fazer isso sem uma militância.
07:34Então, a militância... Houve um uso duplo aí.
07:39A militância precisava de um Lula porque um líder com essa dimensão
07:45seria a única maneira de dar um curto-circuito na política das elites,
07:49bypassando as mediações institucionais
07:52e fazendo uma ligação direta com o povo, com as massas.
07:56Então, o Lula foi aquele cavalo lindo que passou encilhado
08:00e a esquerda que queria sair do gueto, não é?
08:05E de uma história de fragmentação no Brasil,
08:09falou, pronto, está aí, descobrimos o caminho.
08:12O homem é o grande líder, ele de fato é, o Lula é um grande líder.
08:17Vamos cavalgar com ele aqui.
08:19Bom, então, foi um uso.
08:21E teve o uso reverto, que é o seguinte,
08:25o Lula precisava dessa militância.
08:27Ela é o muque de campanha.
08:29Quando não tinha dinheiro, quem é que elegia os caras do PT?
08:32Era a militância.
08:35Ele precisava da militância não só para eleger,
08:38não só para eleger, para cargos políticos,
08:42mas para ganhar, para oposições sindicais ganharem sindicatos,
08:47manter o controle sobre centrais sindicais,
08:50manter o controle sobre movimentos sociais.
08:54Então, há todo um sistema de aparatos que depende de militância.
09:01Então, o Lula precisava.
09:02Aí, se você me perguntar,
09:03mas, Augusto, você acha que o Lula concordava 100%
09:08com essa parte da esquerda que fundou o PT?
09:12Eu vou dizer não.
09:13Ele não concordava.
09:15Muitas coisas ele nem cogitava.
09:17Mas ele entendia que isso era alimentado por uma ideologia
09:22cujo resultado objetivo era a ação.
09:27E ele precisava da ação.
09:28Então, há uma relação,
09:34há uma simbiose, há uma relação.
09:35O Lula precisa do PT e o PT precisa de Lula.
09:40Sem o Lula, o PT jamais sairia de ser um partido qualquer de esquerda,
09:45como tem no mundo todo, minoritário ali,
09:49jamais seria.
09:51E o Lula não conseguiria ter virado de um líder sindical e popular,
09:56um líder político, um chefe político, um estadista,
09:59sem essa militância e a estrutura do PT.
10:03Então, você...
10:05Fala.
10:06Você me perguntou o papel da Janja.
10:08Eu posso informar muito pouco, não é?
10:11Porque eu não sei quem é a Janja,
10:13evidentemente não é do meu tempo.
10:15Eu fui dirigente nacional do PT
10:17nos dez primeiros anos de vida do partido.
10:19Mas eu saí há 30 anos do PT, não é?
10:23Eu saí em 94.
10:24Então, essa turma mais nove eu conheço muito pouco,
10:28não é?
10:29E pelo que eu leio, não é?
10:31A Janja acaba que tem uma grande influência sobre o Lula,
10:34está vivendo com ele, etc.
10:36Deve ter uma influência maior do que a Marisa,
10:38que eu conheci, frequentei a casa, etc.
10:42e tal, que faleceu.
10:44Porque a Marisa não tinha uma mente, assim,
10:47vamos dizer, voltada para a luta política.
10:49E parece que essa Janja tem.
10:52Exato.
10:52Ao que tudo indica.
10:53Então, ela deve ter uma influência.
10:56Quem está perto sempre tem influência, não é, Cláudio?
10:59Claro.
10:59Não tem como você separar quem está perto de você.
11:03Quem está perto de você influi na maneira como você pensa.
11:05Não tem como você se separar quem está perto de você.
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