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No Só Vale a Verdade, Marco Antonio Villa recebe Maílson da Nóbrega para discutir a urgente necessidade de corte nos gastos públicos. O ex-ministro alerta que muitos parlamentares não compreendem conceitos econômicos fundamentais, o que dificulta soluções com o governo fiscal e colabora para as polêmicas de desequilíbrio fiscal. Ele cita como as emendas parlamentares se tornaram um instrumento de poder político do Congresso.

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Transcrição
00:00Mas aí entra uma questão, ministro, eu queria saber a opinião do senhor.
00:04Se o governo não fala em corte de gastos, o parlamento, ao menos o presidente da Câmara,
00:10fala em abstrato de corte de gastos, mas agora inclusive vai aumentar a representação de deputados,
00:16porque houve uma mudança populacional, só para lembrar quem nos acompanha,
00:20alguns estados aumentaram a população, outros diminuíram,
00:24e isso tem uma ligação direta com a representação parlamentar na Câmara dos Deputados.
00:29Então, ao invés de um estado perder um ou dois deputados e outro estado ganhar um ou dois deputados,
00:34o que eles fizeram? O pior, dos 513 vão aumentar cerca de mais, aproximadamente mais 20 deputados,
00:42ou seja, vão aumentar o gasto.
00:43Os deputados e senadores têm hoje um instrumento poderosíssimo, emendas parlamentares,
00:49sequestram cerca de um quarto do que sobra ali para os parlamentares.
00:54Então, onde deveria a sociedade civil, ela é meio, lembrando Ortega e Gasset da Espanha invertebrada,
01:02parece que ela está invertebrada no momento.
01:04Ela não consegue ter uma presença na questão política.
01:09Há o diagnóstico, como o senhor bem lembrou,
01:12hoje nós temos brilhantes economistas, ou na esfera privada, ou na vida acadêmica,
01:19poucos na esfera pública, assim como parlamentares, o que não é bom, em outros momentos tivemos mais.
01:25Mas como é que fica?
01:26Então, porque nós temos uma contradição antagônica.
01:30O governo quer manter os seus gastos, é necessário ter corte,
01:35fala-se, entrou a discussão do IOF, e aí entra uma outra questão,
01:39que eu queria colocar o senhor, que é, quem é que deve pagar os tributos?
01:43O que é justiça tributária num país tão desigual como o nosso?
01:48Porque alguns falam, mas o IOF vai atingir o andar de cima,
01:52e os los de abarro aqui não vão ser atingidos diretamente para isso.
01:56Não, mas tal medida favorece A, favorece B.
01:59É natural na política, a disputa, isso faz parte.
02:02Mas no caso brasileiro, sempre o andar de baixo sai perdendo.
02:06Como é que fica, então, quando o Congresso não se propõe?
02:08Será que o senhor acredita que há uma vontade séria do Congresso de discutir?
02:13Vamos cortar gastos, mas vamos discutir a questão tributária.
02:16Eu tenho feito recentemente a reforma tributária, fiquei até animado.
02:20Porém, parece que essa questão fiscal não vai para frente, né?
02:24Olha, Vila, na verdade, tudo isso que você falou de Congresso é o Brasil, tá certo?
02:29O parlamentar brasileiro, salvo honrosas exceções,
02:33ele não tem o domínio de certas questões econômicas básicas.
02:39Por exemplo, um conceito econômico rudimentar, chamando assim,
02:44que todo estudante de economia aprende, é a chamada restrição orçamentária.
02:49Significa o quanto alguém, numa família, numa empresa, pode gastar.
02:57Então, tem um limite, tem um limite para o gasto.
03:00No caso da família, é a renda da família, né?
03:03E a sua capacidade de endividamento.
03:06No Congresso, a percepção é de que não tem limite.
03:10Se você quiser fazer alguma coisa, faz, porque sempre vai ter dinheiro, né?
03:14Em segundo lugar, essa barbaridade que se criou no Brasil,
03:17e como você mencionou aqui,
03:19as emendas parlamentares representam 25% das disponibilidades efetivas do orçamento,
03:24os chamados gastos discricionários.
03:26No mundo inteiro, por exemplo, no regime parlamentarista europeu,
03:32é 0,3%, 0,5%.
03:34O país rico que mais tem emenda parlamentar como proporção dos gastos discricionários,
03:40os Estados Unidos é de 2,4%.
03:42A rigor, na minha opinião, não se justifica a emenda parlamentar.
03:48Por quê?
03:49Você tem um sistema tributário nacional, que é uma espécie de pacto,
03:52em que se define quanto é a porção da União,
03:56quanto é a porção dos estados,
03:58quanto é a porção dos municípios,
04:01os tributos para gerar essa receita,
04:04diante dessa partição, né?
04:07Não tem que estar o Congresso dando emenda para o município A,
04:12para o município B, tá certo?
04:14Até porque isso está criando um problema sério para o município no futuro.
04:18Eu visitei minha cidadezinha outro dia,
04:21e a gente se reúne, nós somos dez irmãos, mas nós só somos oito agora,
04:26e a gente se reúne uma vez por ano nessa cidadezinha
04:29para visitar, ver os velhos conhecidos, que ainda estão vivos, né?
04:33E a gente sempre convida o prefeito da cidade,
04:36e o juiz da cidade para almoçar conosco.
04:38E lá tem uma prefeita,
04:39eu falei, prefeita, como é que estão as emendas aqui?
04:41É só maravilha.
04:43Temos aqui dois deputados que nos arranjam emendas,
04:46e o que é que você está fazendo?
04:48Ah, eu estou fazendo mais escola, mais posto de saúde,
04:51o que é que ela está fazendo?
04:52Ela está criando gastos que precisam de manutenção,
04:57e o pressuposto é que sempre vai ter essa receita.
05:00Um belo dia tem uma crise, não tem mais receita, o município quebra.
05:03Isso está acontecendo em vários municípios do país.
05:05Segundo lugar, para ser justo como eles pensam,
05:09todos os municípios deveriam receber,
05:11mas a gente viu essa semana nos jornais,
05:13uma parte considerável dos municípios,
05:15que não tem um padrinho, não recebe nenhuma emenda.
05:18E já tem deputado que propõe emenda para outro estado,
05:22no município de outro estado.
05:24Isso é uma bagunça completa.
05:26Então, a rigor, emenda deveria ser casos especialíssimos,
05:30como é em outros países,
05:33e a rigor, o melhor seria não ter emenda.
05:36Até porque o papel do Congresso, de um Congresso Nacional,
05:40não é o de arranjar dinheiro para o estado e município,
05:43como eles dizem.
05:44Como disse o ex-presidente da Câmara,
05:48Arthur Lira,
05:50num arruso que ele teve com o presidente Lula,
05:54diz assim, o governo tem que entender
05:56que o nosso papel é percorrer os municípios,
06:00gastar sola de sapato para escutar a sua necessidade,
06:03definir como podemos ajudar.
06:05Não, isso não é tarefa de deputado.
06:07Como dizia o ex-ministro Gaúcho,
06:15que foi dos três poderes, como é o Nelson Jobim,
06:18ele diz assim, eles são vereadores federais, está certo?
06:21Na verdade, o que é a parte mais nobre de um parlamento
06:26é definir as prioridades do país,
06:30é discutir os problemas do país.
06:32E esse é o momento do orçamento,
06:33que não mereceu o grande momento do Congresso a cada ano?
06:37É, uma coisa interessante que você deu uma dica aqui,
06:41eu morei um tempo na Inglaterra,
06:42trabalhando num banco lá, representando o Banco do Brasil,
06:46como diretor deste banco,
06:47e estudei muito sobre,
06:49tive tempo,
06:50não trabalhava tanto quanto aqui,
06:52não sei, tive tempo para ler bastante sobre a história da Inglaterra.
06:55Uma coisa que me chamou a atenção é a solenidade que cerca o orçamento.
07:02O ministro da Fazenda, o chanceler, o Vedek Tcheca,
07:05ele sai da sua residência, lá no número 11 de Downing Street,
07:10e vai a pé até o parlamento,
07:12cercado de cinegrafista, de jornalista,
07:15para entregar simbolicamente o orçamento ao Congresso.
07:20E no outro dia, e no mesmo dia, aliás,
07:24é o que se discute no país.
07:26Mesas redondas, por tudo que é lugar,
07:28o orçamento é uma coisa muito debatida,
07:33chama a atenção.
07:35Aqui no Brasil, o que chama a atenção é a emenda parlamentar,
07:38não é o orçamento.
07:40Não são as discussões mais sérias.
07:43O parlamentar tem o seu papel de fiscalizar o executivo,
07:46de aprovar leis de boa qualidade.
07:52Não é arranjar dinheiro para o Estado e o Município.
07:54Mas você vê, o presidente do Senado disse a coisa parecida.
07:59Nós temos que mandar dinheiro para os Estados e o Município.
08:03Isso um dia...
08:03Eu acho que a crise talvez possa ser a fonte para a gente discutir
08:08se é necessário, se é conveniente,
08:11manter esse sistema de emendas parlamentares no Brasil.
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