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No Só Vale a Verdade, Marco Antonio Villa recebe Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, para uma análise dos desafios enfrentados na transição do regime militar. Maílson relembra o combate à hiperinflação, os bastidores econômicos da redemocratização e as dificuldades para estabilizar o país nos anos 80.

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Transcrição
00:00Antes de a gente entrar na questão da conjuntura econômica brasileira,
00:03um momento difícil que nós estamos vivendo,
00:05eu gostaria sempre de retroagir ao momento que o senhor foi ministro da Fazenda,
00:08em 1988, 1989, até 15 de março de 1990,
00:13quando assume o governo Collor.
00:16Qual era a situação?
00:18Porque o Brasil não tem memória histórica, infelizmente.
00:20Eu digo isso como historiador, infelizmente o Brasil não tem memória histórica.
00:24Como é ser ministro da Fazenda num momento tão difícil,
00:27aquele momento da promulgação da Constituição, de muitas expectativas em relação à democracia,
00:32a primeira eleição presidencial, depois de 29 anos,
00:35e a primeira plenamente democrática, que foi em 1989,
00:39com o maior número de candidatos até hoje, com 22.
00:42Como era ser ministro da Fazenda naquele momento,
00:44quando a inflação anual chegou até quatro dígitos?
00:47Maravilha, era, para dizer uma coisa muito simples, era muito difícil, né?
00:50Porque havia uma expectativa muito grande no Brasil,
00:54de que, primeiro, a democracia seria o caminho para o enriquecimento do país,
00:59sair do subdesenvolvimento para a riqueza,
01:02depois a Constituição, em 1988, foi vista como a redenção do Brasil,
01:07e essas expectativas que formaram de um Brasil crescendo, ficando rico,
01:12não correspondiam à realidade.
01:14O Brasil vivia uma crise séria, uma crise inflacionária,
01:17que vinha ainda do regime militar,
01:19e tínhamos um presidente da República, ele próprio reconheceu isso publicamente,
01:23o presidente Sarney, sem capital político.
01:26O comando político do país estava nas mãos do poderoso Ulisses Guimarães,
01:32que era o tripse-presidente do PMDB, do Congresso e da Constituinte.
01:37Então, instrumentos para debelar o processo inflacionário não existiam.
01:41Houve a ideia do congelamento, tinha um certo sentido para o plano cruzado,
01:49tivemos mais de três tentativas infrutíferas para isso,
01:54e eu declarei uma vez, no auge daquele problema todo,
02:00que a minha missão era fazer com que a economia funcionasse muito perto do normal,
02:09porque normal não seria.
02:11E a Constituição de 88, que foi um desastre do ponto de vista econômico,
02:16embora muito boa do lado político,
02:20da criação dos freios e contrapesos da democracia,
02:23dos direitos individuais e assim por diante,
02:25ela foi um desastre.
02:26Ela bagunçou o sistema tributário,
02:29enrejeceu ou contribuiu para enrejecer as finanças públicas,
02:33no orçamento,
02:34e a margem de manobra para fazer alguma coisa era muito pequena.
02:40Tanto assim que o congelamento de que eu participei diretamente,
02:43o chamado plano verão,
02:45ele era uma tentativa não de debelar um processo inflacionário,
02:49mas de segurar o piano, digamos, até...
02:54Evitando uma hiperinflação?
02:55Exatamente.
02:56Na verdade, hiperinflação,
02:58se você considerar a inflação de quatro dias,
03:01é hiperinflação.
03:01O conceito de inflação, hiperinflação,
03:05é aquele em que,
03:06geralmente, os casos de hiperinflação no mundo
03:10são associados à indexação de preços, salários e contratos ao dólar.
03:16Mas, no fundo, nós tivemos um processo hiperinflacionário, pelo menos.
03:20Então, realmente, era muito difícil, muito difícil.
03:24Dormia três horas por noite,
03:27às vezes saia meia-noite do ministério,
03:29deputado querendo isso, deputado querendo aquilo.
03:33E um dia, um deputado chegou lá, um deputado do Ceará,
03:35que ele queria defender um preito lá dos produtores de frango lá do Estado.
03:40E ele disse,
03:41eu exijo que o senhor me receba hoje.
03:44Eu preciso falar com o senhor.
03:45Eu, deputado, estou com a agenda toda cheia.
03:48Não, mas o senhor arranja um horário.
03:50Eu digo, está bem.
03:50Daqui a pouco eu informo ao senhor.
03:52Daqui a pouco eu mandei um recado para ele.
03:53Eu vou recebê-lo à meia-noite.
03:55E não é que ele foi?
03:58Ele foi.
03:59Não era problema, porque eu, às vezes, ficava até meia-noite mesmo.
04:03Esse era o ambiente, entendeu?
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