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O economista Samuel Pessôa desmascara o otimismo do Governo Lula. Ele alerta sobre o crescente déficit nas contas públicas e a dinâmica da economia brasileira, que caminha para uma desaceleração.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/BNl7aoOootY

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Transcrição
00:00A primeira pergunta parece muito simples para quem pergunta, que é a questão...
00:05Alguns falam que a economia brasileira vai muito mal, que a situação é muito grave,
00:12que a situação das contas públicas estão totalmente desorganizadas,
00:17e outros dizem que não, que há sinais bastante robustos da macroeconomia brasileira.
00:23E aí dão exemplos da balança comercial, das reservas monetárias, da menor taxa de desemprego da série histórica desde 2012.
00:32Quem é que está com a razão?
00:33Olha, os dois. Então vamos olhar qual é o nuance.
00:38As pessoas que estão mais otimistas, que estão olhando o copo meio cheio, elas estão corretas e elas estão olhando a situação corrente.
00:47De fato, a gente tem desemprego nas mínimas históricas.
00:52A inflação não dá sinais de descontrole, apesar de estar acima da meta, e o componente de serviços da inflação está bastante acima da meta.
01:04Isso preocupa.
01:06E o crescimento econômico nos últimos quatro anos foram muito bons.
01:11E balança comercial, setor externo, tem nuance aí.
01:15Por que, Vila?
01:17A balança está muito positiva, mas nós temos que lembrar que temos um superávit nas contas de petróleo de 30 bilhões de dólares.
01:29É muita coisa.
01:30Para nós que vivemos choque do petróleo, anos 70, é imaginar que nós teríamos 30 bilhões de dólares superávit só na conta de petróleo.
01:40No entanto, nas transações correntes, que consolida balança comercial de bens, balança comercial de serviços e balança de rendas, juros e dividendos,
01:52esse ano vai dar um déficit de 3,5% do PIB.
01:56Então, me preocupa, porque dado a nossa posição muito superávitária na exportação de petróleo,
02:02nós deveríamos estar com uma transação de correntes melhor.
02:06Bem, de qualquer forma, a situação corrente, ela não é ruim.
02:11Agora, qual é a verdade?
02:13Então, eu falei um pouco a verdade das pessoas que olham o copo meio cheio.
02:18Qual é a verdade das pessoas que olham o copo meio vazio?
02:22É que tem uma falta de sustentabilidade na política econômica.
02:27E qual é a expressão dessa falta de sustentabilidade na política econômica?
02:33É a acumulação da dívida pública.
02:36Quando o presidente Lula assumiu, a dívida pública era 71% do PIB.
02:42E o final do ano que vem, em dezembro do ano que vem, provavelmente vai ser 82% do PIB.
02:47Então, haverá no quadrinho, no terceiro mandato do presidente Lula,
02:51uma acumulação de dívida pública de 11% do PIB, 11 pontos percentuais do PIB.
02:56Não é pouca coisa.
02:58E, evidentemente, isso sinaliza que a política econômica não pode continuar deste jeito.
03:07Porque, se não, uma hora a gente bate numa crise fiscal profunda
03:11e desfazemos as boas coisas que temos feito agora.
03:15E qual é o problema?
03:17O problema é o déficit fiscal.
03:19Ele que está produzindo essa acumulação de dívida.
03:24E o que é que eu sempre, tanto no Visão Crítica aqui,
03:29Salmo, como no Salvo Vale a Verdade,
03:30vez por outra, eu interrompo e vem a questão professoral.
03:36Acho que depois de quatro décadas andou a aula.
03:39E, muitas vezes, as pessoas ouvem uma série de questões no campo da economia,
03:42um linguajar mais sofisticado e natural.
03:45Da profissão, cada área tem, cada ciência tem o seu vocabulário.
03:49Outro dia, no Visão Crítica, alguém falou fintech.
03:52Eu falei, vamos fazer o seguinte, explica, se for possível.
03:54Eu falei, um minuto e meio aqui, que é uma fintech.
03:58Então, justamente agora, as questões no final que você está colocando
04:02sobre a questão do déficit público.
04:05O que isso significa, assim, concretamente para as pessoas?
04:08Só para que as pessoas possam entender.
04:09Quando a gente diz que tem um déficit público,
04:13a gente diz que a receita de impostos é menor do que os gastos.
04:19E os gastos, a gente divide em dois tipos de gastos, viva.
04:24O gasto não financeiro e o gasto financeiro.
04:28Gasto financeiro é só juros.
04:31Amortização de dívida não é gasto financeiro para economista.
04:35Então, quando o economista fala gasto financeiro, ou contador,
04:40tanto na contabilidade ou na economia, gasto financeiro são juros pagos.
04:45Quando a gente olha superávit primário,
04:49o que é o superávit primário do setor público?
04:52É a receita de impostos menos os gastos não financeiros.
04:58Mas, Samuel, por que você está tirando de lado os gastos financeiros com juros?
05:04Porque os gastos com juros são gastos que tanto o presidente, o executivo,
05:11quanto o legislativo não conseguem mudar.
05:14Porque são gastos que estão associados a empréstimos que o Tesouro Nacional fez
05:19com pessoas, com terceiros,
05:23e eles terão de ser pagos na forma em que eles foram contratados.
05:26Então, o Congresso mais o executivo consegue alterar, para mais ou para menos,
05:32os gastos que a gente chama gastos primários.
05:37Portanto, a gente tem um problema que é
05:40a receita do governo,
05:43ela é estruturalmente menor do que os gastos primários.
05:47E aí, não tem dinheiro para pagar a dívida pública.
05:54Porque eu tenho que ter uma receita maior do que os gastos primários,
05:58aí a diferença eu abato a dívida, vou reduzindo a dívida.
06:02Agora, se a receita é menor do que os gastos primários,
06:06eu tenho que continuar fazendo dívida para me financiar,
06:11sendo que eu já tenho uma dívida que está crescendo muito.
06:14Então, esse é o problema.
06:15Agora, além do crescimento da dívida,
06:18tem um outro problema, que é
06:19quando os gastos crescem em uma velocidade grande,
06:25eles pressionam a demanda agregada.
06:28Pressionando a demanda agregada,
06:30se a economia está com desemprego generalizada,
06:33você pressiona a demanda agregada,
06:36a roda da economia roda, e aí é bom.
06:38Pressiona a demanda agregada,
06:40as pessoas estão com mais dinheiro no bolso,
06:43elas gastam mais,
06:44os estoques se reduzem,
06:46o varejo pede novos produtos para se refazer seus estoques,
06:51a indústria contrata mais,
06:53e a economia cresce.
06:55Agora,
06:56essa narrativa,
06:58ela só vale se tem desemprego na economia.
07:02Se a economia está plena carga,
07:04que é o caso atual,
07:06se eu aumento o gasto primário,
07:09eu gero inflação.
07:10Então, para o espectador entender,
07:13eu vou dar um exemplo bem prático de duas semanas atrás.
07:16O presidente Lula acabou de aprovar uma medida,
07:19que inclusive foi uma promessa de campanha,
07:21quando ele era candidato,
07:22tanto dele quanto do Bolsonaro,
07:25os dois estavam competindo lá no processo eleitoral de 22,
07:28e ambos os candidatos disseram que iriam atualizar a tabela do imposto de renda
07:34para desonerar as pessoas até 5 mil reais.
07:38Então,
07:40houve a decisão,
07:42o Congresso aprovou,
07:43quase unanimidade,
07:44a Câmara,
07:45agora o projeto está tramitando no Senado,
07:49e com isso,
07:51as pessoas que têm rendas mensais até 5 mil reais,
07:55estão isentas do imposto de renda.
07:57Isso vai colocar mais renda no bolso delas.
08:01O governo,
08:02para equilibrar,
08:04aumentou a tributação sobre os mais ricos,
08:06que é uma medida correta,
08:09porque aumenta a progressividade dos impostos de renda,
08:13é uma medida justa do ponto de vista distributivo,
08:18então está tudo certo.
08:20E o governo disse,
08:21olha, eu fiz a medida de forma a equilibrar o orçamento,
08:25ou seja,
08:25o que eu estou perdendo de arrecadação com as pessoas que ganham até 5 mil,
08:29eu vou aumentar a minha arrecadação com o imposto que eu estou colocando.
08:35Daí está tudo certo.
08:36Qual é o problema,
08:37as pessoas com as quais eu estou aumentando a arrecadação,
08:41eu estou reduzindo a arrecadação,
08:42eu estou desonerando,
08:44elas poupam menos do que as pessoas com quem eu estou tributando mais.
08:50Então eu estou tirando o dinheiro de quem poupa mais
08:54e transferindo o dinheiro para quem poupa menos.
08:57Do ponto de vista do balanço entre oferta e demanda,
09:00essa medida vai ser expansionista na demanda.
09:05Apesar de ser neutra do ponto de vista do orçamento do setor público,
09:09ela não é neutra do ponto de vista do equilíbrio entre oferta e procura
09:14no mercado de bens e serviços.
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