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O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, analisou o IBC-Br de abril, que registrou alta de 0,2%, impulsionada pelo setor de serviços. Ele falou também sobre o impacto dos juros altos, a pressão sobre as contas públicas e as expectativas para a 'Superquarta' no Brasil e no exterior.

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Transcrição
00:00Vamos falar sobre o Banco Central que divulgou mais cedo o índice de atividade econômica brasileira, o IBCBR.
00:05E de acordo com a instituição, o país apresentou alta de 0,2% na atividade econômica em abril.
00:12No acumulado em 12 meses, o índice apresenta crescimento de 4%.
00:16Vamos entender melhor o que isso representa para a nossa economia?
00:20Conversa agora com o economista chefe da Austin Rating, Alex Agostini, que já está aqui com a gente no telão do Money Times.
00:26Oi Alex, bem-vindo de volta ao Money Times. Boa tarde para você.
00:30Boa tarde, Natália, Felipe. Boa tarde a todos.
00:34Bom, vamos falar sobre esses números, começando por esse 0,2%, bem modesto aí, né, de crescimento em abril.
00:42Será que dá para a gente chamar de crescimento? Dá para falar de recuperação econômica ou é estabilidade, hein Alex?
00:50Bom, Natália, o IBCBR é um indicador no qual ele tenta medir, calculado pelo Banco Central,
00:57ele tenta medir o desempenho dos três principais setores de atividade lá, indústria, serviços e agropecuária.
01:05Esse é o primeiro indicador de atividade econômica de forma ampla,
01:11que tenta replicar qual será o comportamento do PIB.
01:15E esse é o primeiro indicador referente ao mês de abril, então é o primeiro do segundo trimestre.
01:21Vamos lembrar que no primeiro trimestre o PIB brasileiro foi um dos melhores de desempenho no mundo,
01:28até acima das expectativas dos economistas, da Austin também.
01:32E esse resultado do IBCBR, apesar de ser modesto, uma alta de apenas 0,2%,
01:39ele demonstra que a atividade econômica ainda continua com algum nível de aquecimento, né?
01:47Ou seja, ainda resiste aquela alta de taxas de juros que é para desaquecer a economia.
01:55Mas vale lembrar que quando a gente olha o dado desagregado desse IBCBR, Natália,
02:01a agropecuária já mostrou um resultado negativo e a indústria também.
02:07Então quem sustentou o crescimento foi apenas o setor de serviços.
02:12E o setor de serviços, ele vai acabar sendo afetado com essa alta de juros um pouco mais para frente,
02:19quando a atividade econômica no mercado de trabalho, renda, emprego,
02:24acabar sendo um pouco mais, sofrer um pouco mais o desaquecimento, né?
02:29Devido a essa restrição monetária, né?
02:32Como a gente chama aqui no jargão econômico.
02:34Certo. Felipe, a sua pergunta para o Alex agora.
02:37Oi Alex, boa tarde, tudo bem?
02:40Alex, você falou bem, né?
02:41Então, quer dizer, indústria e agronegócio segurando um pouco ali e tal,
02:44e serviços, aquele setor resiliente continua crescendo mesmo apesar de toda a questão do Banco Central
02:51tentando segurar esse setor, né?
02:53O que você acha que, a que você atribui isso?
02:55Como é que o setor de serviços no Brasil consegue crescer fortemente,
03:00mesmo com tantas restrições pelo Banco Central e a questão dos juros também?
03:06Boa tarde, Felipe.
03:07Olha, excelente colocação para o nosso público entender muito bem o que está acontecendo.
03:12Quando a gente tem uma alta da inflação motivada por consumo,
03:20uma forma de trazer essa inflação para o nível mais moderado,
03:23ou seja, dentro daqueles limites que o Banco Central persegue,
03:27uma das formas é elevar a taxa de juros.
03:30Só que para chegar no setor de serviços,
03:33e vale lembrar que o setor de serviços, ele representa dois terços do PIB,
03:36em geral, os serviços são contratados com pagamento à vista, né?
03:41Grande maioria.
03:43Então, ele depende muito do nível de emprego e de renda.
03:47Ou seja, o setor de serviços, ele ainda continua resiliente, forte,
03:51porque do outro lado tem o governo colocando ainda mais combustível no consumo
03:57via programas sociais, via expansão do gasto público,
04:02e essa, aliás, tem sido uma outra preocupação e um outro debate.
04:05Então, até chegar no ponto em que o setor de serviços vai desacelerar,
04:11e com isso a gente vai conseguir trazer essa inflação,
04:13que hoje está ao redor de 5,5%, arredondando o número, né?
04:18Trazendo para algo em torno de 3,6%,
04:21que é o que o Banco Central deseja até o final de 2026,
04:26esses juros vão ficar um pouco mais elevados até o final deste ano.
04:30Aí sim, o mercado de trabalho vai sofrer um pouco mais o desaquecimento,
04:34ou seja, pessoas vão perdendo emprego, vamos ter uma queda na renda,
04:39e aí cai o consumo, principalmente de serviços.
04:42Até porque, quando a gente olha a indústria, Felipe,
04:45ela já sofre a concorrência internacional, principalmente dos chineses,
04:49que tem um custo de produção muito baixo,
04:51e também porque o crédito para a indústria acaba sendo afetado de forma muito rápida, né?
04:57Para comprar um veículo, 70% do consumo de veículos é por financiamento,
05:02imóveis idem.
05:04Então, quando sobe os juros, esses setores são afetados rapidamente,
05:07diferente de serviços que demoram um pouco mais para sofrer o efeito negativo
05:11desse remédio amargo chamado juros altos.
05:14Obrigada por essa explicação toda, Alex.
05:18Bom, e você mencionou aí a questão dos gastos públicos,
05:21do equilíbrio das contas, essa preocupação,
05:23e a gente tem tido discussões, idas e vindas em relação à IOF,
05:29outras formas de fazer dinheiro para cobrir os gastos.
05:34Como é que você está vendo esse contexto
05:36e quais as suas expectativas para uma solução?
05:38Olha, aqui na Austin Rate nós estamos enxergando isso de forma muito negativa.
05:45E por que na Austin Rate?
05:46Porque nós somos uma agência de avaliação,
05:49de classificação de risco de crédito.
05:51Ou seja, a gente avalia o país e as operações de crédito, em geral,
05:55estão muito relacionadas à saúde financeira,
05:58capacidade de pagamento dos entes públicos.
06:00Então, quando a gente fala de um país,
06:02ele acaba tendo um efeito dominó em todas as outras atividades domésticas,
06:07privadas ou públicas.
06:10Então, a gente olha e percebe que o governo federal tem acelerado muito o gasto público,
06:16é mais ou menos uma família gastar mais do que ela tem ali de salário,
06:21no final do mês, de rendimentos,
06:23e aí ela acaba pedindo socorro ali para o banco, cheque especial, financiamento.
06:29O governo federal tem feito isso.
06:32Então, ele tem elevado a carga tributária do país,
06:35o que é muito negativo já no momento de restrição monetária,
06:39por conta dos juros que estão no maior nível dos últimos 19 anos.
06:43E o governo tem outras alternativas para equilibrar as contas públicas,
06:48ou seja, equacionar a questão do seu gasto com a sua arrecadação,
06:53que seria, por exemplo, fazer privatizações de empresas estatais,
06:58ele poderia reduzir a questão das despesas e ele também poderia estimular uma reforma administrativa,
07:07entre outras medidas um pouco mais focada no orçamento.
07:10Mas, infelizmente, o que a gente tem visto é que o governo,
07:13ele tem sempre olhado para o lado da arrecadação, da receita.
07:19E isso é ruim porque a gente sabe que isso tem um limite de arrecadação ali na frente.
07:24E, além disso, Natália, o que o governo fez agora foi elevar, por exemplo,
07:31a de zero que era isenção para meios de financiamento de imóveis e no agronegócio,
07:37que são investimentos no mercado financeiro, para uma alíquota de 5%.
07:41Ou seja, ele já começa a desestimular investimentos em setores que são importantes para a economia
07:49ao ele taxar essas opções de captação de recursos por parte das empresas
07:55para gerar um crescimento de longo prazo.
07:57Então, a gente enxerga de forma muito negativa pela composição da busca pelo equilíbrio fiscal.
08:06Não pelo equilíbrio fiscal em si, mas a composição é muito negativa.
08:10É como alguém querer fechar as contas pegando o cheque especial.
08:15Entendi. Felipe, sua pergunta.
08:17É, Alex, a gente vê essa coisa do governo, o governo resistindo a cortar gastos.
08:22Mas, por outro lado, só para fazer uma espécie de contraponto,
08:28a gente vê a Câmara, o Legislativo, os outros poderes também,
08:32o Legislativo aumentando gastos, querendo aumentar o número de deputados,
08:36não querendo cortar as emendas, que foi uma coisa inventada agora há pouco tempo.
08:40No outro caso, a gente vê o Judiciário.
08:42O Judiciário também aumentando os super salários, sem querer cortar na própria carne.
08:46Ele tem também reduzido um pouco do salário.
08:48A gente vê aqueles magistrados ganhando, nossa, muito dinheiro,
08:53ultrapassando muito, às vezes, o teto.
08:56Não deveria a sociedade ter um pouquinho mais de olhar para também cobrar
08:59esse ajuste fiscal desses outros poderes?
09:03A gente parece que... A gente fala sempre do governo, porque é o governo que, enfim,
09:06que emite, que faz o orçamento, mas a gente não deveria olhar também para esses outros setores
09:10e pressionar um pouco esses outros setores para fazerem os seus ajustes também?
09:15Felipe, você colocou muito bem, né?
09:18A população em geral, ela sempre olha os presidenciáveis, né?
09:22Seja Lula, Bolsonaro, Dilma, FHC, enfim.
09:27Quem sempre está ali na frente da TV é naturalmente quem vai ser elogiado
09:31ou quem vai ser criticado.
09:33E o povo brasileiro, não estou de forma generalizando,
09:37mas em geral ele olha para o executivo, né?
09:39Ele esquece que você colocou muito bem.
09:42Tem os legislativos, que são os parlamentares, deputados e senadores federais,
09:46tem o judiciário, né?
09:48Todo mundo só olha o STF, mas tem uma carga muito grande no judiciário brasileiro
09:53e que quando você aumenta o salário dessa categoria é um efeito cascata muito forte, né?
09:58Então, de fato, o que a gente precisa no Brasil é uma coesão de poderes.
10:03E o que a gente percebe é que os outros poderes, além do executivo, né?
10:07Nós temos o judiciário e o legislativo, que eles acabam se aproveitando
10:11dessa fragilidade, dessa exposição do executivo
10:14e, obviamente, colocam sempre na conta do executivo,
10:18ou seja, ou do presidente da república ou do ministro da fazenda
10:21e, de fato, eles têm uma parcela muito grave, crítica,
10:26na composição dessa necessidade de ajustar as contas.
10:29Então, por exemplo, o legislativo recentemente falou
10:35governo, você não pode aumentar o IOF.
10:38Tá, então qual é a contrapartida?
10:41Você vai reduzir as emendas parlamentares,
10:43que é um recurso destinado a senadores e deputados
10:47para poder fechar a conta?
10:48Não, não. Peraí. Aí também não.
10:50Então, de fato, existe um problema grave no Brasil
10:54que se chama fisiologismo político, por uma parte.
10:57Por outra parte, é o corporativismo do judiciário.
11:00Não toque aquilo que é meu de direito.
11:03Infelizmente, deixa toda a população brasileira
11:05apenas criticando o executivo.
11:08E o executivo, sabendo que o Brasil tem diferenças regionais muito fortes,
11:13tenta compensar com programas sociais.
11:16O problema é que ele não quer abrir mão, por exemplo, de estatais.
11:20Então, fica sempre um jogo de forças, um jogo político
11:23e que, no final das contas, quem acaba pagando é sempre a grande maioria
11:27com mais imposto.
11:28Mas eu concordo contigo.
11:29Teria que ter uma crítica mais firme da população
11:32em relação de cobrança até dos deputados e senadores
11:36que nós colocamos lá e do judiciário que tem o comportamento amoral.
11:41Porque, pelo amor de Deus, basta ver que um juiz
11:44ganha em torno de um milhão com penduricários
11:46quando o salário máximo dele deveria ser R$ 35 mil.
11:51Surreal mesmo pontos importantes que vocês abordaram, Felipe e Alex.
11:54Bom, para fechar, Alex, tem super quarta vindo por aí.
11:58Quais são suas expectativas?
12:01Natália, super quarta, que é taxa de juros nos Estados Unidos e no Brasil.
12:06Decisão, mas ainda temos.
12:07Decisão no Japão e também na Inglaterra e na Europa.
12:12O que se espera é que nos Estados Unidos,
12:14dado esse conflito que se acirrou agora com Israel e Irã,
12:19isso tem elevado muito o preço do petróleo.
12:22Então, tem um risco ali da inflação nos Estados Unidos.
12:24Ainda que os números recentes vieram muito positivos,
12:27tem um risco para frente.
12:29A expectativa é que nos Estados Unidos a taxa de juros fique estável por enquanto.
12:33Mas pode ser que não seja um semestre,
12:35com o risco de recessão por conta do tarifácio,
12:38os juros começam a se mover para baixo.
12:40No Brasil, a nossa expectativa é de manutenção da taxa de juros em 14,75%.
12:46Pode até ter um pouco de elevação, até 15% no máximo.
12:50dado esse cenário que eu falei antes,
12:52de um descompasso das contas públicas
12:55e uma inflação ainda muito forte por conta de serviços.
12:58Setor de serviços ainda colocando muito combustível na inflação.
13:02E no Japão, a expectativa é, depois de muitos anos subindo,
13:06um pouquinho só os juros nos últimos 12 meses,
13:10um pouquinho de alta agora, indo para 0,5% talvez.
13:13E na Inglaterra, manutenção em torno de 3% dos juros.
13:17O que significa tudo isso para nós, brasileiros?
13:20Que vamos ter um pouco mais de um cenário negativo,
13:23no sentido de desacelerar a economia no segundo semestre,
13:26com um risco naturalmente maior para 2026
13:31de trazer um crescimento mais próximo de 1,5%.
13:34Por enquanto, não é crise.
13:36São ajustes que estão em curso com riscos muito severos
13:39no cenário internacional, dados os conflitos
13:41e o descompasso do nosso querido Donald Trump.
13:46Muito obrigada, Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating,
13:50passando por vários temas fundamentais da semana que está começando.
13:54Obrigada, viu, Alex? Até a próxima. Boa tarde.
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