00:00Bom, é a primeira vez na história, na nossa história enquanto seres humanos,
00:05que nós estamos controlando uma coisa chamada apetite.
00:09É um controle massivo, som de milhões e milhões de pessoas.
00:26O que o GLP vai fazer é basicamente controlar o desejo.
00:32Isso tem tudo a ver com o marketing, porque historicamente a gente tem desejo
00:37como um dos gatilhos principais para compra por impulso, consumo de indulgências, promoções.
00:44E a partir do momento que a gente tem pessoas declarando que sentem,
00:50e são mais de 70% das pessoas, ou seja, 7 em cada 10 brasileiros,
00:55dizem que o apetite diminuiu.
00:58O apetite muitas vezes desaparece.
01:01A gente tem menções em ocasiões de consumo que as pessoas simplesmente deixam de comer,
01:06como o café da manhã, por conta do GLP-1.
01:09Talvez o maior impacto é justamente nessa redefinição de como o consumidor,
01:13ou lar, muito mais do que o consumidor, ou lar como um todo,
01:16lida com a entrada dessa fatia importante de impacto orçamentário com o medicamento de GLP-1.
01:23Aproximadamente 70% dos lares dizem gastar R$ 800 ou mais com o tratamento.
01:30Então, isso de uma maneira geral, independente de ser ainda mais nichado,
01:34lares com o nível socioeconômico mais alto,
01:36obriga a algum tipo de redefinição.
01:39E aqui eu não estou falando de maneiras alternativas de acessar o medicamento,
01:43que a gente escuta bastante, ou medicamento comprado nas farmácias.
01:47Qualquer que seja o gasto próximo a essa faixa, independente do nível socioeconômico do lar,
01:52exige algum tipo de redefinição.
01:53O GLP-1, ele ainda é grande e intenso o suficiente para impactar algumas médias
02:03e o consumo de uma forma geral nos lares onde ele está presente,
02:07mas ainda é restrito o bastante para eventualmente passar despercebido
02:12no entendimento de grandes movimentações de consumo.
02:15Mas o fato é, não é só sobre alimentos, não é só sobre calorias ou produtos indulgentes,
02:21é uma redefinição do consumo como um todo, porque a gente ainda fala de fatores estruturais
02:26que movimentam as decisões de consumo do consumidor.
02:29É uma população endividada, que lida com flutuações de inflação
02:32e tem vivido crises nos últimos 15 anos.
02:35Então, a GLP-1 é mais um fator, mais uma fatia que ajuda a explicar
02:39toda essa redefinição e decisões de compra e não explica nada sozinho ainda.
02:44É só um fator adicional nesse complexo mercado brasileiro.
02:47O que a gente vê é que tudo aquilo que está diretamente ligado a um comportamento
02:53mais balanceado, que vem da tendência de bem-estar e saúde,
03:00que as pessoas hoje querem balancear muito mais o sono,
03:04você fazer exercício físico, você ter um consumo de caloria muito mais consciente.
03:09Então, tudo aquilo que é ligado a esse universo, você vê um crescimento.
03:13Então, nutricionista, academia, maior consumo de proteína,
03:18porque há uma preocupação em você ter perda de massa magra.
03:22Então, todo esse universo ligado a um estilo de vida mais balanceado, ele cresce.
03:28Do outro lado, você vê escolhas muito claras em relação a o que você come,
03:36toda a questão de alimentação.
03:38Então, a gente ainda não vê um impacto que você fala,
03:41nossa, está mudando drasticamente, mas sim, é impossível falar que não há um impacto
03:46e uma mudança de comportamento.
03:48E também na questão da indústria fashion, né?
03:52Que a gente tem o termo que a gente, na investigação e no trabalho que nós conduzimos,
03:57do guarda-roupa provisório.
03:59Então, hoje, você vê muitas pessoas trocando completamente o guarda-roupa,
04:06porque é uma mudança grande de peso, de estética.
04:10Um dos grandes mitos em relação às canetas emagrecedoras, ou GLP-1 e análogos, né?
04:16E derivados dessa substância, é que a gente está falando de um mito que está relacionado
04:24a diminuir apetite e, portanto, diminui a cesta.
04:28E não é necessariamente isso que acontece.
04:30A partir do momento que entra o GLP e diminui o apetite, o prato encolhe.
04:38Mas, num primeiro momento, nenhuma categoria desaparece do prato.
04:42Então, para indústrias, por exemplo, que têm na cadeia proteica a sua proposta de ida ao mercado,
04:50nós temos proteínas in natura e proteínas processadas.
04:54Então, a calibragem desses portfólios, nesse momento da história, ela é muito importante.
05:00Eu falei até agora de cesta, né? De alimentos e bebidas.
05:03Mas, o fato é que, quando entra o GLP, ele entra numa renda que já está comprometida.
05:12Ela não é elástica.
05:13E o que que sai dessa renda familiar para entrar o GLP?
05:19Saem os pequenos prazeres cotidianos.
05:22Sai lazer, sai roupa, moda, cosméticos.
05:26Essas são algumas categorias ou segmentos que são muito impactados na entrada do GLP.
05:32No contrário, assim, do outro lado da balança, o que que cresce?
05:36Tudo que tem aspecto de saudabilidade.
05:39Hortifruti, sementes, alimentos proteicos, alimentos com apelo nutricional, é bastante claro.
05:47Então, mais 60% dos lares dizem ter que priorizar e fazer escolhas quanto a investimentos.
05:54Priorizam majoritariamente saída a bares, restaurantes, lazer e serviço.
05:59Isso não é necessariamente ligado ao GLP-1, mas é um comportamento comum de lares com um orçamento mais restrito
06:07ou com um fator novo a ser considerado dentro de um orçamento.
06:09Então, em todas as crises que a gente já viu, quando a gente pergunta ao consumidor
06:12onde ele começa a controlar gastos como um todo,
06:15a gente vê a citação a esse tipo de comportamento e faz sentido que aconteça também para a GLP-1.
06:20Então, hoje, se você parar para pensar e falar
06:23pô, o consumidor está migrando, consumindo muito mais proteína,
06:26ou está trocando guarda-roupa mais rápido,
06:30ou está contratando mais um nutricionista,
06:32ou está indo num restaurante consumindo meia porção,
06:36você adequar o produto é mais fácil e mais rápido.
06:41Porém, a gente vê que o desafio está muito mais em como você vai se tornar relevante
06:46dentro desse novo comportamento,
06:49que tem muito a ver com como a sua marca dialoga
06:53com a forma com que esse consumidor está se comportando.
06:57Isso é o mais difícil.
06:58Mas tem uma oportunidade que a indústria, como um todo, não está vendo,
07:01que é o efeito da manutenção.
07:06Hoje, um indivíduo no Brasil, ele fica aproximadamente 5,6, 6 meses
07:12dentro de um tratamento de GLP.
07:15Há uma intenção de continuidade bastante alta percentualmente,
07:20mas há um mercado de manutenção que ainda não tem dono.
07:25Hoje, a gente vê no mercado uma oferta proteica em categorias que não são exclusivamente alimentares,
07:31a gente vê a própria cosmetologia com ofertas proteicas e por aí vai.
07:36Então, o mercado de manutenção daquele indivíduo que, durante o tratamento,
07:42ele declara um controle maior sobre aquilo que ele come,
07:46mas que, após o tratamento, ele declara uma liberdade alimentar melhor.
07:51Isso tem a ver com a formação do hábito,
07:53porque ele fica tempo suficiente para que o hábito alimentar se reconfigure e seja reprogramado.
07:59A gente, no começo do ano, a gente tinha uma referência que mais ou menos 25, 26% da população
08:05declarava ter interesse de usar o medicamento e não utilizava por duas razões.
08:10Ou por conta do preço, ou por conta de qualquer receio de efeitos colaterais que o tratamento poderia trazer.
08:16O que tem acontecido recentemente, com surgindo opções de um tratamento oficial mais acessível
08:24e mesmo comunicação mais massiva sobre o tratamento em si,
08:28passa a desbloquear parte desses empecilhos para essa parcela importante da população.
08:34Então, naturalmente, esse número vai avançar.
08:38Então, é muito domicílio dentro desses 26%, domicílio de todos os tipos.
08:43Ele provavelmente vai avançar dentro de domicílios de nível socioeconômico médio, provavelmente,
08:50já que hoje quase 70% dos domicílios são do nível socioeconômico mais alto,
08:54justamente pelo tratamento custar, para a grande maioria, 800 reais ou mais.
08:58O ponto importante que a gente tem que ter cuidado aqui é, é um tratamento mais barato,
09:03que passa a acessar mais domicílios, mas também domicílios com nível de renda mais baixo.
09:09Então, se a gente for ver o que esse tratamento mais barato representa dentro do orçamento desse domicílio,
09:14com orçamento mais baixo, ainda há bastante cautela.
09:18Então, o equilíbrio é muito tênue.
09:22A parte interessante é que se tem um consumidor que aprendeu a lidar com essa pressão de inflação,
09:29de crises diversas, de questões políticas e econômicas, é o consumidor brasileiro.
09:33E também é um consumidor que se preocupa muito com bem-estar e saúde desde sempre.
09:37E também é um consumidor que aprendeu a lidar com essa pressão de inflação.