Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O poder do cinema e da televisão brasileira para exportar o país vai além de produtos, mostrando nossa capacidade técnica e criativa para o mundo. Descubra como o investimento em desenvolvimento e a superação de barreiras linguísticas estão impulsionando a criação de conteúdo original e a venda de IPs para o mercado internacional.

Explore as transformações do mercado audiovisual brasileiro, desde a publicidade que nos consagrou mundialmente até a expansão atual com a chegada dos streamers. Entenda como a língua portuguesa deixou de ser um obstáculo e se tornou um diferencial charmoso, abrindo portas para produções de diversos países.

Veja como plataformas de streaming democratizaram o acesso a conteúdos globais, quebrando barreiras antes impostas pela TV tradicional. Prepare-se para uma reeducação do olhar, onde o público se abre a novas histórias, ambientações e propriedades intelectuais que antes não chegavam até eles.

#AudiovisualBrasileiro #ExportaçãoCultural #MercadoDeStreaming
Transcrição
00:00O cinema e a televisão tem um poder de exportar o país muito grande,
00:04não só para os nossos produtos, para mostrar quem somos,
00:07mas também para mostrar a nossa capacidade técnica
00:10de realizar produtos para outros países, com preços atrativos,
00:13e que isso vai ajudando a indústria como um todo.
00:15Na minha opinião, se a gente investir mais em desenvolvimento,
00:19a gente tende a ter mais criações saindo do papel
00:23e mais IP surgindo para serem vendidos lá fora.
00:32A gente tem, historicamente, um mercado que fala português,
00:37então a gente tem uma barreira linguística de bate-pronto.
00:41A gente tem alguns poucos veículos, quando a gente falava antigamente,
00:46você tem ali o Pay TV, que depois teve a lei do audiovisual,
00:49que pede para você ter produtos lá dentro,
00:51mas ainda assim com uma estrutura específica do Pay TV para esse trabalho.
00:55Você tem os canais abertos, que comprariam formatos maiores,
00:58como é o caso do Somente Conhece, como é o caso do The Voice
01:01ou qualquer outro projeto do tipo.
01:04E aí você tem esse mercado muito pequeno.
01:07E aí para você desenvolver, ou uma produtora nascer para desenvolver
01:10para esse segmento, acaba que você fica ali meio restrito.
01:14E, historicamente, eu acho que o nosso mercado de produtoras,
01:16de produtoras independentes, ele foi criado muito para a publicidade.
01:21Tanto que na publicidade a gente arrasa.
01:22Você vai lá, leão em canes lá, as agências ganham milhares de leões.
01:28A criatividade brasileira é muito roacionada nesse lugar.
01:31Quando a gente fala em criação de formato,
01:33a gente está num momento de expansão mesmo,
01:36pela própria naturalidade do mercado.
01:38A nossa língua sempre foi, talvez, a principal barreira.
01:41Eu tenho uma recordação de ir em mercados internacionais
01:47e ter um projeto de um filme em português.
01:49E isso, se você pensar 10 anos atrás,
01:52obviamente 10 anos bastante tempo, mas mesmo menos do que isso,
01:55você vai ver que assim,
01:56nossa, quem que assiste um filme em português?
01:59Como é que se dá isso?
02:01Não sei que o tema seja um tema muito universal,
02:04ou que a propriedade intelectual tenha muita fama,
02:06mas é uma grande barreira.
02:09Eu acho que a gente está falando da primeira barreira principal,
02:11é língua.
02:11Eu acho que é uma barreira que vai se desmantelando no mundo.
02:15Até no sentido de quantas pessoas hoje falam inglês
02:17e quantas pessoas falavam inglês 10 anos atrás.
02:19Em janelas e oportunidades,
02:21é claro que você tem investimentos maiores.
02:24Você acaba tendo um player grande,
02:27como uma Netflix, que investe tanto quanto,
02:30por exemplo, a Globo sempre foi o maior canal do país.
02:33Quando a gente pensa em investimento,
02:34os produtos em termos de qualidade,
02:36você vai olhar assim, investimento de produção mesmo,
02:40valor de produção,
02:41você olha os produtos da Globo,
02:42era um canal que investia muito.
02:45Hoje você tem isso entregue nos streamings também.
02:49Então, para nós como produtora,
02:51é com certeza uma oportunidade de pôr mais ideias para fora,
02:55mais coisas para alavancar.
02:57E ainda assim,
02:58quando você pensa no mercado nacional,
03:00a gente cria tanta coisa,
03:01que a nossa ideia é internacionalizar.
03:04Porque eu quero poder ter produtos que,
03:06muitas vezes, a janela brasileira não dá espaço,
03:09mas a gente tem coisas aqui que funcionariam em outros lugares
03:11e hoje a gente busca, por exemplo,
03:13a parceria internacional.
03:15Porque, às vezes, a primeira vez de um produto nosso aqui
03:17não vai ser no Brasil, pode ser que seja fora.
03:19A própria entrada do mercado de streaming
03:23que quebrou essa barreira do canal linear,
03:26como era visto antes.
03:28O consumo mudou de uma forma tão grande
03:33que hoje, não só para o Brasil,
03:36mas para muitos países emergentes,
03:40você consegue ter acesso ao material.
03:44Você consegue ver filmes turcos, filmes poloneses,
03:47que antes você não conseguia
03:48porque eles não chegavam no canal de televisão.
03:51Então, acho que tem uma reeducação
03:53da sociedade como um todo,
03:55dos jovens, de quem já é mais velho.
03:59E a língua agora passou a ser uma barreira muito menor
04:03do que era antigamente.
04:04Como o Tchê estudia,
04:05a gente ia para o mercado no começo dos anos 2000,
04:08com os nossos filminhos embaixo do braço, né, Tchê?
04:10E o português era uma questão.
04:13E hoje a gente vê que o português
04:17ou qualquer outra língua que não seja o inglês
04:20é um charme, né?
04:21E o acesso ficou muito maior com a entrada.
04:26E acho que o grande responsável disso,
04:28obviamente, é o cinema,
04:29que sempre teve essa abertura para filmes internacionais,
04:32mas também a chegada dos streamers
04:34e esse volume de material que tem para consumir
04:39desde 2015, 2016,
04:42é quando começa essa onda dos streamers mais pesadamente, né?
04:47Acho que isso ajudou muito ao nosso mercado.
04:50É que o preconceito cai, assim,
04:51você passa a também as pessoas estarem estafadas
04:54de assistirem um conteúdo que elas sempre assistiram
04:58e, de repente, elas assistem um conteúdo com frescor.
05:00Então, para muitas pessoas,
05:02se você assistir um agente secreto
05:04ou ainda estou aqui,
05:05tem um impacto de muita diferença.
05:07Então, no momento que, como o Beto falou,
05:09as coisas estão todas disponíveis,
05:12a pessoa, de repente, descobre
05:15novos tipos de ambientes,
05:19ambientações de histórias,
05:20propriedades intelectuais diferentes.
05:22De repente, alguma coisa que mexe com ela
05:24que ela não tinha antes.
05:25É uma realidade diferente da dele ou da dela.
05:29Enquanto que a gente, aqui no Brasil,
05:31como brasileiro,
05:31a gente sempre tem que ir muito mais acostumado,
05:33porque a gente assiste o Hollywood e etc.
05:38De forma geral,
05:39quando a gente pensa em nossos filmes,
05:40nossas séries,
05:41a gente já sabe um pouco,
05:45porque a gente não sabe nada,
05:46mas a gente sabe um pouco
05:46o que pode dar mais certo fora
05:49e o que pode dar menos certo fora.
05:52Então, acho que tem gêneros,
05:54por exemplo, grandes comédias,
05:56acho que tem mais dificuldade,
05:57assim como grandes comédias de fora
05:59tem mais dificuldade de entrar aqui.
06:01Mas você pega filmes de drama,
06:03filmes de terror,
06:04eu acho que são temas tão universais
06:06e a gente vê isso muito como base
06:11nas séries que a gente faz para os streamings.
06:14Então, são séries diversas.
06:17Por exemplo, Cidade Invisível
06:19é uma série que quebrou todas as bolhas
06:21e a gente está falando de folclore do Brasil,
06:23da maneira totalmente brasileira,
06:25com uma tecnologia,
06:28uma equipe embutida ali
06:29naquele projeto gigante,
06:31que fez...
06:32O Chesco ouviu a frase
06:33nossa, parece série gringa.
06:35Pô, gringa nada,
06:35é série brasileira,
06:36a gente que fez.
06:37E aí você vê o Manas
06:38quebrando as bolhas dele,
06:40aí você vê os filmes,
06:42o filme do Walter,
06:44Ainda Estou Aqui,
06:45você vê grandes séries quebrando,
06:47filmes como o Caramelo,
06:48que explodiu no mundo inteiro.
06:51Por quê?
06:51Porque são temas que importam a língua.
06:53Então, eu acho que as oportunidades são gigantes.
06:56Você tem que saber para qual...
06:57Qual que é o foco daquele produto
06:59para qual mercado.
07:00Mas dentro da nossa perspectiva
07:02de criatividade brasileira
07:04para o mundo,
07:05é um momento interessante, né?
07:07Ainda Estou Aqui ganhou o Oscar, né?
07:08O Agente Secreto.
07:10As histórias brasileiras,
07:11elas estão tomando corpo,
07:12porque é como qualquer outro, né?
07:14Se você for olhar dentro do mercado
07:15de não-ficção,
07:16os coreanos hoje são fora da curva
07:18quando a gente fala em desenvolvimento
07:20de novos projetos,
07:21novos formatos.
07:22Muito por quê?
07:23Porque a gente teve, obviamente,
07:25esse envolvimento de políticas públicas, né?
07:27Na Coreia,
07:28e esse espaço de fomentar
07:30esse tipo de coisa.
07:31É um mercado relativamente pequeno.
07:33Se você for parar para pensar em população,
07:35a Coreia é um país que, sei lá,
07:36tem 10%, 20% da população do Brasil.
07:39Não vou arriscar um número aqui
07:40para não errar.
07:40E quando a gente fala em massa brasileira,
07:43a gente é uma população muito maior.
07:44E por que a gente só importa e não exporta?
07:46Esse é o grande lance, entendeu?
07:48E eu acho que a farra
07:49entra um pouco nesse lugar.
07:50A gente está desbravando um território novo
07:53para poder, de fato,
07:54mudar essa perspectiva.
07:57E eu acho isso importante
07:59que o Gui falou,
08:00porque deixa claro que
08:01a questão,
08:02a entrave,
08:03a barreira,
08:03não é criativa.
08:05A gente tem um potencial criativo absurdo
08:07e talentos absurdos aqui.
08:09Eu acho que é uma questão de,
08:10talvez,
08:11momento,
08:11de negócio,
08:12de tradição histórica.
08:14Então,
08:15eu sinto...
08:16E aí,
08:16essa coisa do conteúdo brasileiro
08:18sendo visto na ficção,
08:20sobretudo,
08:21seja na telenovela,
08:22seja nos longa-metragens
08:24que estão ganhando
08:26muito reconhecimento
08:27nas premiações,
08:28no Oscar,
08:29enfim.
08:30Eu acho que isso também mostra
08:31uma coisa que
08:31não é novidade isso.
08:33Muita gente fala sobre isso.
08:35Na música,
08:36inclusive,
08:36fala-se há muito tempo,
08:37que é olhar para o regional
08:40e atender o regional
08:42talvez seja o segredo
08:44para você conseguir
08:45comunicar universalmente.
08:46Lógico que é importante
08:47ter um pensamento de,
08:49talvez,
08:50ter um motor universal,
08:51mas na base ali,
08:54é um conteúdo local.
08:56Então,
08:56é isso também.
08:57A gente nunca quer esquecer
08:58de produzir para o Brasil,
09:01para o povo brasileiro.
09:02O Brasil se vê na tela.
09:04E a partir disso,
09:05eu acho que esse é o sabor
09:06que vai fazer com que
09:07esses conteúdos
09:07tenham também o potencial
09:09de seduzir
09:10e ser exportado
09:12para outras culturas também.
09:13Música
09:14Música
09:15Música
09:16Música
09:17Música
09:17Música
09:18Música

Recomendado