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CEO da WMcCann conta como foi crescer nos bastidores da redação da Vogue, da qual sua mãe foi editora-chefe, e relembra o caminho percorrido no direito e na IBM, antes de ingressar de vez no mercado publicitário
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CriatividadeTranscrição
00:00:00Olá, eu sou Isabela Lessa, esse é a Ideia, podcast do Meio e Mensagem, que é um espaço para falar
00:00:05de trajetórias, carreiras, mudanças de rumo.
00:00:08E a minha convidada de hoje teve muitas mudanças de carreira, teve o lado A, o lado B.
00:00:14Ela se formou em Direito e atuou como advogada, até que ela percebeu que, para seguir uma carreira, ela precisava
00:00:22realmente gostar daquilo que ela fazia.
00:00:25E aí ela descobriu o universo da comunicação e da publicidade.
00:00:29Mas no meio disso tem muitas outras coisas, que a gente vai falar um pouquinho sobre isso hoje, sobre a
00:00:35trajetória dela.
00:00:36E o prazer de conversar com Renata Bockel, CEO da WMACAN. Seja muito bem-vinda.
00:00:42Muito obrigada por me receber aqui.
00:00:43A gente que agradece, Renata.
00:00:51Antes da gente falar dessa mudança do direito para a publicidade, teve muita coisa que aconteceu.
00:00:57Teve.
00:00:58Inclusive, você, de certa forma, começou na publicidade porque você estrelou um comercial ainda criança, da Coca-Cola.
00:01:07Conta essa história pra gente.
00:01:08Na verdade, assim, a minha mãe era do mundo da comunicação.
00:01:10A minha mãe era editora da Vogue no Brasil, jornalista de formação.
00:01:14E, enfim, eu fazia muita Vogue infantil.
00:01:17Porque era lourinha de olho verde e tal.
00:01:19Então, assim, mesmo...
00:01:20A criança tem fases boas e tem fases que não tão boas.
00:01:24Né?
00:01:24Então, esteticamente.
00:01:25Então, mesmo quando não era tão bom, eu ficava meio de cósia, sempre fazia figuração.
00:01:29E aí, enfim, nessas...
00:01:30Nessas, eu acabei estrelando um comercial de...
00:01:33Estrelando, não.
00:01:33Mas fazendo parte de um comercial da Yo-Yo, da Coca-Cola.
00:01:36Entre outras campanhas pra Vogue, pra Vogue infantil na época.
00:01:41Vogue mini nos anos 80.
00:01:43Então, enfim, não sei se...
00:01:45Acho que não dá pra procurar isso no Google.
00:01:47Já tem...
00:01:47De pena, né?
00:01:48Mas eu posso enviar algumas coisas pra vocês.
00:01:51Eu acho que eu tenho alguns registros que são hilários.
00:01:55E acho que tem até no meu Instagram, depois, se alguém quiser ver.
00:01:57Se tiver curiosidade, é muito bonitinho, muito fofinho.
00:01:59Então, eu estrelei algumas campanhas mirinhas infantis.
00:02:02Sua mãe deve ter guardado tudo.
00:02:03Guardou.
00:02:04Guardou tudo.
00:02:05Guardou tudo.
00:02:05Guardou tudo.
00:02:06E criança e publicidade nos anos 80 era outra história, né?
00:02:11Nos anos 80 era uma década peculiar, né?
00:02:14Ela era muito louca, assim.
00:02:17Então, eu acho que criança tinha um lugar diferente do que tem hoje.
00:02:22Pro bem e pro mal.
00:02:23Mas eu acho que a gente tinha uma vida um pouco mais selvagem.
00:02:28Um pouco mais livre.
00:02:29Era um pouco mais livre.
00:02:30A gente andava sem cinto, né?
00:02:32Os nossos pais...
00:02:34Enfim, andava no Banco da Frente com oito anos de idade.
00:02:37Sem cinto, o pai e a mãe fumando ali e tal.
00:02:39Isso, super, super.
00:02:41E a sua mãe?
00:02:42O fato dela ser editora, ter sido editora da Vogue.
00:02:45Isso te deu um acesso, imagino, e uma intimidade com o mundo, tanto da redação quanto da moda.
00:02:52Como é que foi isso pra você?
00:02:53É, a minha mãe era jornalista, embora a gente vivesse numa vida que era puro glamour, porque
00:02:59acho que a Vogue abria muitas portas, então a gente tava sempre lidando com marcas, marcas
00:03:04de luxo, então, enfim.
00:03:07Mas ela não tinha muito com quem me deixar.
00:03:09Então, eu lembro que eu fazia dever de casa, assim, né?
00:03:11Lição de casa, aqui em São Paulo fala lição de casa.
00:03:14Sentadinha no estúdio, né?
00:03:16De shooting.
00:03:16Então, assim, eu sempre varri muito, pra ganhar a mesada eu varria estúdio, pintava
00:03:22fundo infinito, colocava fita crepe nos sapatos, porque antigamente quando você entrava no
00:03:26fundo infinito, pra você não marcar o fundo infinito, você botava fita crepe.
00:03:29Então, assim, eu sempre arrumei backstage, eu sempre...
00:03:33Eu lembro a primeira vez que eu vi a Gisele, a Gisele tinha 13 anos, assim, e eu lembro
00:03:37da minha mãe me pegar e falar assim, ó, presta atenção nela, porque ela vai ser a maior
00:03:41modelo do mundo, não é, do Brasil.
00:03:42Eu lembro da minha mãe falando isso, ela comia num, tipo, um sanduíche do McDonald's,
00:03:46assim, era, tipo, linda de morrer.
00:03:48Então, assim, eu tinha muita intimidade com esse mundo áudio...
00:03:52Não sei se eu posso chamar de audiovisual, mas era um pouco dessa...
00:03:55De certa forma, é, né?
00:03:55De certa forma, é, dessa coisa...
00:03:57Ação, sabe?
00:03:58Dessa coisa do...
00:03:59Você transformar uma coisa que você tá vendo em fantasia, pras pessoas desejarem
00:04:02alguma coisa.
00:04:02Então, eu acho que isso era o que a Vogue fazia na época, no Brasil, assim.
00:04:07Trazia todas as novidades de perfume, de maquiagem, do que tava acontecendo na moda.
00:04:12Então, as pessoas ficavam esperando a revista...
00:04:14Quando a gente era adolescente, a gente esperava capricho.
00:04:16Mas as mulheres esperavam a Vogue, né?
00:04:18Então, também tinha a Casa Vogue, que a minha mãe também cuidava.
00:04:20Então, tinha todas essas referências de como você pauta a sociedade de uma estética
00:04:25ou de uma cultura, ou do que que é moda, ou do que que não é.
00:04:28No fundo, comunicação também faz isso.
00:04:29Então, é...
00:04:31Mas quando eu me formei, eu...
00:04:33Quando eu fui pra faculdade, quando eu me formei no colégio, a faculdade de jornalismo,
00:04:38ela tava muito desgastada, pra usar uma palavra educada, assim.
00:04:42Então, acho que foi por causa disso que eu acabei indo pro direito na época, assim.
00:04:47E a influência do mundo fashionista na sua vida ficou assim?
00:04:53Você seguiu acompanhando?
00:04:55Quando a sua mãe era uma pessoa, imagino, né? Super fashionista também?
00:04:59Olha que engraçado.
00:05:00Como a minha mãe era uma líder nos anos 80, eu sempre conto isso.
00:05:04A minha mãe não era uma mulher fashion.
00:05:06A minha mãe era uma mulher estilosa, mas ela não era uma mulher fashion.
00:05:10Qual que é a diferença?
00:05:11Eu vou te falar.
00:05:12A minha mãe foi uma mulher que precisou ser muito masculinizada pra ocupar um cargo de CEO.
00:05:18Então, a minha mãe foi a primeira CEO que eu vi na vida.
00:05:21Por isso que, pra mim, assim, o feminismo, ele veio muito mais tarde, mas depois a gente pode entrar nisso.
00:05:27Porque eu sou muito, a minha família é muito matriarcal, então eu sempre fui muito acostumada com mulheres em posições
00:05:32de poder
00:05:33ou posições de bancar os seus próprios lares ou ter a rédea da sua própria vida.
00:05:38Mas a minha mãe não era uma mulher fashion.
00:05:40A minha mãe era uma mulher que se masculinizou pra estar nessa posição e falar de igual pra igual.
00:05:44Então, ela usava muito blazer, ombreiras muito grandes.
00:05:47Tudo bem, que na época dos 80 era moda.
00:05:49Mas a primeira vez que a minha mãe me viu saindo pra trabalhar de batom vermelho, ela falou
00:05:54Não fica bem uma mulher trabalhar de batom vermelho.
00:05:57Você não pode trabalhar de batom vermelho.
00:05:58E a minha mãe era uma mulher muito moderna.
00:06:00É uma das suas marcas registradas.
00:06:02Exatamente.
00:06:02Até achei que hoje você ia até de batom vermelho.
00:06:04Mas, assim, é engraçado, mas ela, no começo da minha carreira corporativa,
00:06:11ela ficava muito impressionada quando eu me vestia como uma mulher.
00:06:17De salto alto, ou saia, ou vestido, ou coisa que, né, vestido marcado, assim.
00:06:22Ela sempre, você não deve fazer isso, isso não pode.
00:06:26E eu fui, enfim, pra subir em palco, que ela tava na plateia e ela ficava muito incomodada quando eu
00:06:33ia muito feminina.
00:06:34Então, assim, porque é a geração dela, teve que se masculinizar pra ocupar uma posição de liderança que a gente
00:06:40tá falando aqui de 83, 84, 85, entendeu?
00:06:43Porque ela se aposentou, se aposentou não, mas ela saiu do mundo corporativo no começo da década de 90.
00:06:49Que foi quando eu tava entrando na faculdade.
00:06:52Então, teve esse clash de geração, que foi super interessante pra mim, porque eu tive que ir convencendo ela também,
00:07:00que dava pra ser feminina e líder, né?
00:07:03E ela sempre falava pra mim, you can have it all, né?
00:07:06Tipo a música do Rolling Stones, mas...
00:07:08Mas aí, foi necessário pra abrir caminhos, né?
00:07:13Talvez, ela seguirem aquele caminho, né?
00:07:16Pra ela, foi super necessário.
00:07:17Vou te dar mais uma curiosidade, a minha mãe não usava perfume.
00:07:20Olha só.
00:07:21Porque é uma coisa super feminina, né?
00:07:24Você ter uma fragrância, um cheiro, não sei o quê.
00:07:28Então, ela não usava perfume pra trabalhar.
00:07:31E aí, você, no entanto, não considerou moda, estudar moda, mas considerou o jornalismo, que é a profissão da sua
00:07:39mãe, né?
00:07:40Mas como é que você decidiu?
00:07:42Eu considerei os dois.
00:07:43Eu acho que eu considerei os dois.
00:07:45Moda, eu tinha um receio muito grande, porque eu sempre ia ser a filha da Iluz Delpriori.
00:07:51E uma das coisas que eu quis...
00:07:53Eu faço muita questão até hoje no meu e-mail, assim, eu tenho o meu nome inteiro, porque tem gente
00:07:57que conhece a minha mãe e eu tenho muito orgulho de ter ela como mãe, assim.
00:08:01Ela foi uma referência...
00:08:01Ela foi porque ela já faleceu, mas ela é uma referência que não tem...
00:08:06Todo dia eu penso em alguma coisa que eu queria contar pra ela, que tá acontecendo ou no mundo ou
00:08:10tal.
00:08:10Então, mas eu sempre...
00:08:12Moda, eu tinha um receio, porque eu sempre ia ser a filha dela.
00:08:15Trabalhei bastante.
00:08:17Todas as minhas amigas do colégio queriam trabalhar com ela e eu falava, vocês têm certeza?
00:08:20Eu consigo.
00:08:22Mas eu acho que essa vida...
00:08:23Ela era uma megera ao vivo.
00:08:25Ela era o Diabo Vésperado, de verdade.
00:08:27Era a Miranda.
00:08:28Ela era a Miranda.
00:08:29Quando eu e meu irmão, a gente foi ver o Diabo Vésperado no cinema e a gente dava gargalhadas.
00:08:33Porque vocês viam a mãe de vocês.
00:08:35Aquela coisa do casaco, do não dar bom dia, não sei o quê, guardadas as devidas proporções, era muito parecida.
00:08:42Essa cor é cerulho.
00:08:44E você era a filha da Miranda que ganhou o exemplar do Harry Potter de...
00:08:50Eu não ganhei o exemplar do Harry Potter, mas eu tive muita coisa.
00:08:53Eu demorei muito tempo pra descobrir o que era o ingresso pra algum lugar.
00:08:57Tipo, acho que eu nunca comprei o ingresso na vida.
00:08:59Por isso que eu fui parar no Rock in Rio em 1985.
00:09:01A gente tava falando aqui no bastidor, mas eu tinha essa coisa, né?
00:09:05E trazia muita gente comigo, assim.
00:09:07Então, tipo, eu andava de turma.
00:09:09Então, a gente...
00:09:10Essa coisa era muito impressionante o acesso que era.
00:09:14E eu só saquei depois que isso custava alguns mil reais, alguns milhares de reais.
00:09:19Quando eu fiquei adolescente e fui pra uma outra...
00:09:22Fui fazer a minha própria trajetória e deixei de ser a filha dela.
00:09:24Deixei de ser a filha dela, entre muitas aspas, mas...
00:09:27Então, você tinha essa busca bem consciente.
00:09:29Tinha.
00:09:29Não ficar à sombra dela.
00:09:30Não ficar à sombra dela.
00:09:32Jornalismo era uma coisa que me...
00:09:34Eu fazia...
00:09:35Eu...
00:09:35A minha brincadeira, quando eu brincava de boneca...
00:09:37Eu não brincava de boneca do tipo você no mãe e tal, no filhinho e no mamãe.
00:09:41Eu botava todo mundo numa sala de reunião.
00:09:45E a gente discutia a pauta de uma revista.
00:09:47E eu fazia revistas.
00:09:49Todo mês.
00:09:49Acho que até tenho guardado isso também.
00:09:51É uma coisa que eu preciso recuperar.
00:09:53Mas eu fazia bonecos, bonecas de revista.
00:09:56Lembra que a Miranda recebia lá na casa dela?
00:09:58Porque a minha mãe recebia isso toda sexta.
00:10:00Então, eu brifava os bonecos e as barbies e os bichos de pelúcia pra gente fazer uma reunião de pauta.
00:10:07E aí, o que te atraiu pro direito?
00:10:11Foi uma coisa peculiar.
00:10:14A minha mãe, ela tinha alguns amigos que eu fui conversar com eles naquela época que você tá adolescente.
00:10:21Que você faz aquela perignação pra saber o que você vai fazer.
00:10:25Então, eu conversei com muita gente.
00:10:26E ela era muito amiga do Leonel Katz, que foi o secretário de cultura do Rio de Janeiro durante muito
00:10:31tempo.
00:10:31Ele era um cara muito inteligente.
00:10:33Enfim, eu tinha uma proximidade com ele muito grande.
00:10:36E eu, pra treinar pro vestibular, eu treinei muito a redação.
00:10:42E ele era uma das pessoas que lia minhas redações.
00:10:44Eu tinha alguns privilégios.
00:10:47E ele me apresentou muita literatura na época.
00:10:50E ele tinha feito direito.
00:10:51E, como eu disse, na faculdade nos anos 80, tinha uma decadência da faculdade de jornalismo.
00:10:58Não era que a faculdade de jornalismo tava ruim.
00:11:00Mas ela não tava...
00:11:02Eu tinha um sonho de estudar na PUC do Rio.
00:11:04Ou na FRJ.
00:11:06E aí, eu tava...
00:11:08Só pra você ter uma ideia.
00:11:08Eu prestei pra oceanografia, eu prestei pra geografia, eu prestei pra...
00:11:14O que mais?
00:11:15Eu prestei pra direito, eu prestei pra jornalismo e prestei pra letras.
00:11:18Então, eu sabia que eu, obviamente, queria ir pro mundo de humanas.
00:11:22E eu tinha muito interesse no ser humano, de uma maneira geral.
00:11:26Então, por isso, geografia e oceanografia.
00:11:28E eu tinha um sonho de criança que eu queria participar da equipe do Jacques Cousteau.
00:11:33Acho que você não vai saber essa referência.
00:11:36Então, enfim, alguma coisa ali ia dar certo.
00:11:40E depois, engraçado, quando eu fui pro direito, eu acabei fazendo direito ambiental,
00:11:43que juntava um pouco da oceanografia e da geografia.
00:11:46E do jornalismo.
00:11:47Porque você tem que saber escrever bem.
00:11:49Você tem que saber se comunicar bem, pra você ser uma boa advogada.
00:11:52E eu entendi que a faculdade de direito dessas todas era a que me permitiria ter uma chave,
00:11:58que ela era meio coringa pra abrir qualquer porta que eu quisesse depois.
00:12:03E isso é uma verdade.
00:12:05Isso se confirmou.
00:12:06Isso se confirmou ao longo da minha carreira.
00:12:08E não foi que eu não gostei da faculdade de direito.
00:12:11Eu adorei a faculdade de direito.
00:12:13Eu adorei muitas coisas da faculdade de direito.
00:12:15Estudar antropologia, estudar filosofia, estudar a essência do ser humano,
00:12:19de como você coloca limites nos desejos humanos,
00:12:24porque no fundo o direito é isso, né?
00:12:25Você coloca limites pras pessoas não enlouquecerem.
00:12:29Ou você faz isso através da religião,
00:12:31ou você faz isso através de estatutos normativos.
00:12:35Então, eu tinha esse lado que eu ficava muito curiosa sobre o direito.
00:12:38O direito é muito curioso.
00:12:40Obviamente, vou dizer pra vocês que eu amava uma aula de direito tributário.
00:12:44Claro que não.
00:12:45Eu amava uma aula de direito societário.
00:12:48Não.
00:12:48Mas eu fiz.
00:12:49Deu tudo certo.
00:12:51E aí, quando eu descobri que era o nascimento do direito ambiental no Brasil, nessa época,
00:12:56e o auge das privatizações,
00:12:58eu tinha muito trabalho.
00:12:59Então, eu achava tudo muito interessante.
00:13:00Então, eu fiz privatizações de grandes empresas no Brasil.
00:13:04E era muito interessante.
00:13:07Eu sempre fui uma pessoa muito curiosa.
00:13:08Eu viajei muito pelo Brasil inteiro.
00:13:10Eu fui pro Espírito Santo.
00:13:12Fiquei um tempão em Fortaleza, fazendo uma privatização.
00:13:15Então, assim, tudo isso me interessava.
00:13:16Eu achava tudo divertido.
00:13:19Então, é...
00:13:21Só que eu tinha um chefe nessa época,
00:13:23que é o Oscar Graça Couto,
00:13:25que é o irmão da Ana Couto.
00:13:27Eu ia te perguntar justamente onde que veio a Ana Couto.
00:13:31Exatamente.
00:13:31E o Oscar, além dele ter sido meu professor de direito ambiental,
00:13:35ele é uma das pessoas mais apaixonadas que eu conheço pelo trabalho que ele faz.
00:13:40E eu tinha essas duas pessoas que eram meus grandes musos,
00:13:44que eram minhas grandes inspirações.
00:13:45Que era a minha mãe, que era completamente apaixonada pelo que ela fazia,
00:13:48e o Oscar, que era completamente apaixonado pelo que ele fazia.
00:13:51E o Oscar me chamou pra trabalhar com ele quando eu era aluna dele.
00:13:55Corrigia a prova.
00:13:55Sabe essas coisas?
00:13:56Tipo, eu era a Emily do Oscar.
00:14:00The new Emily.
00:14:01The new Emily.
00:14:02Então, tipo, todas as coisas meio que se cruzam.
00:14:04E a gente iniciou, a gente foi pioneiro no direito ambiental no Brasil.
00:14:08A gente criou um monte de produtos sobre direito ambiental.
00:14:12A gente escrevia artigo que nem louco.
00:14:13A gente criava curso.
00:14:15A gente fazia tanta coisa.
00:14:16E era tão...
00:14:16E assim, eu achava injusto eu estar naquela posição sem amar tanto quanto ele amava.
00:14:24E um dia a minha mãe chegou em casa com um livro da moda brasileira,
00:14:28a história da moda brasileira, e tinha um capítulo sobre ela.
00:14:31E era um capítulo tão interessante.
00:14:33Era um capítulo que ela tinha feito tanta coisa.
00:14:35Ela tinha sido pioneira em tanta coisa.
00:14:36Ela tinha feito...
00:14:37Que eu olhei pra ela e falei,
00:14:39nossa, eu queria muito fazer a história como você fez.
00:14:42E aí, entrei numa pira de que eu tinha que amar o que eu fosse fazer
00:14:47do jeito que essas pessoas que me inspiravam tanto, amavam.
00:14:51E aí, eu fiquei numa crise que não foi fácil.
00:14:54Dos 25 aos 27.
00:14:59Sendo que eu tava prestes a me casar na igreja com velha Grinalda,
00:15:02como toda boa carioca, vai lá em Santa Tereza casar e não sei o que.
00:15:07E nessa busca por fazer alguma coisa que realmente
00:15:11fosse assim...
00:15:13Dando um spoiler aqui sobre o final dessa história é...
00:15:17Se hoje eu ganhasse na loteria, eu não deixaria de trabalhar
00:15:19e não deixaria de fazer exatamente o que eu faço.
00:15:23De tão feliz que eu sou fazendo.
00:15:24Graças a Deus, deu tudo certo.
00:15:26Então, eu fiquei nessa busca de tentar achar alguma coisa
00:15:29que eu fosse tão apaixonada como essas pessoas
00:15:30que me ensinaram tanto, que me inspiravam tanto,
00:15:33eram pelas coisas que elas faziam.
00:15:36E a saída pra essa crise, que foi até os 27...
00:15:40Aí, eu fiquei dois anos nessa busca.
00:15:42Então, eu queria ser chefe de cozinha, porque eu adorava cozinhar.
00:15:44Aí, eu fui pra mundo da música, porque eu amava música.
00:15:47E na época, o Rio de Janeiro tinha Sony, tinha Warner,
00:15:50a indústria da música tava absolutamente bombástica.
00:15:53O Brasil era um polo, lembra?
00:15:55Tinha Rock in Rio 1, Rock in Rio 2, Hollywood Rock e tal.
00:15:57Circo Voador.
00:15:58Circo Voador.
00:15:59Enfim, you name it.
00:16:00Tipo, a gente tinha toda a cena musical brasileira bombando.
00:16:04Maracatu, enfim.
00:16:05A gente tinha tudo, né?
00:16:06Um maitado pra peixe, milhões de festivais.
00:16:09E aí, um amigo meu maravilhoso falou pra mim assim,
00:16:11entendi, você quer transformar o seu hobby
00:16:13nas coisas que te relaxam na sua carreira.
00:16:15Ou seja, você chega em casa, faz o quê?
00:16:18Em vez de escutar a música cozinhando, né?
00:16:21Só falta você me dizer que você quer ser enóloga agora.
00:16:24Aí ele falou, cara, não transforma o seu hobby numa profissão
00:16:27porque você vai perder o prazer da sua vida
00:16:28de que são coisas que você gosta muito.
00:16:31E aí, enfim, conversei com muita gente,
00:16:33fui fazer análise e tal.
00:16:34E aí, um dia, o Oscar chegou pra mim e falou,
00:16:37tá, entendi.
00:16:39Você não quer mais?
00:16:40Vai conversar com a minha irmã.
00:16:42Vou te apresentar pra Ana.
00:16:43Apresentar não, porque eu conheci a família dele inteira e tal.
00:16:46E aí, a Ana me recebeu.
00:16:48E foi numa conversa, eu nunca vou me esquecer.
00:16:50Eu tava, tipo, era de manhã.
00:16:53E aí, a gente teve uma conversa,
00:16:54ela me recebeu por duas horas, generosíssima,
00:16:56e eu sempre agradeço pra ela,
00:16:57porque a Ana, se não fosse a Ana,
00:16:59eu não tava aqui hoje, conversando com você,
00:17:00te contando essa história.
00:17:01E a Ana falou,
00:17:03entendi.
00:17:04Eu acho que eu preciso de uma pessoa
00:17:05com o teu histórico corporativo aqui dentro.
00:17:08E eu fui ser estagiária na Nacolto,
00:17:10depois de quase, sei lá,
00:17:12cinco, sei lá, sete anos de formada.
00:17:14Voltei tudo pra trás.
00:17:17Ganhando salário de estagiária.
00:17:19Chiquei em casa, falei pro meu ex-marido na época,
00:17:22falei,
00:17:24e aí, vou?
00:17:25Ele falou, vai, lógico que você vai.
00:17:27A gente vai segurar a onda e vamos...
00:17:29E aí eu refiz a carreira inteira.
00:17:31Tipo, já era uma advogada que tinha nome na porta,
00:17:33sabe aquele filme que tem um nomezinho na porta, assim?
00:17:36E aí fui ser estagiária na Nacolto.
00:17:38E fiquei um tempão trabalhando,
00:17:40porque eu não queria deixar o Oscar na mão.
00:17:41Então eu trabalhava de tarde na Ana,
00:17:43de manhã no escritório.
00:17:44Despachava tudo com ele,
00:17:45fazia todos os processos aqui,
00:17:48e fazia na Nacolto a parte de tarde
00:17:51e comecei do zero.
00:17:52E aí, só que,
00:17:53quando você faz direito,
00:17:55você não consegue ser advogada
00:17:56se você não tem uma UAB,
00:17:57se você não tem uma chancela de uma instituição.
00:17:59E eu achava muito louco no marketing.
00:18:03Não tem a chancela.
00:18:04Eu achava muito louco.
00:18:05Não tem o maior UAB do marketing.
00:18:06É, exatamente.
00:18:07Mas quem vai falar?
00:18:08Mas por que tem que ser azul, né?
00:18:11Se eu ir numa reunião,
00:18:11alguém falava,
00:18:12não, mas acho que azul vai ficar mais legal.
00:18:13Mas por quê?
00:18:15E aí eu fui virando a louca dos dados
00:18:17para provar que aquelas coisas estavam certas,
00:18:19porque era meio como se fosse uma Constituição
00:18:20ou Código Civil para mim.
00:18:22E por isso que eu acabei,
00:18:23eu acho, indo para o planejamento,
00:18:24porque eu ia buscar o porquê das coisas,
00:18:26porque era muito louco para mim, assim,
00:18:29não ter um lugar onde estava escrito alguma coisa.
00:18:32Porque no direito,
00:18:32ou está escrito no contrato,
00:18:34ou está escrito na Constituição,
00:18:35ou tem uma jurisprudência,
00:18:37que é uma decisão que já foi feita antes,
00:18:39ou estava no Código Civil,
00:18:41nas leis, enfim.
00:18:42No mundo do marketing,
00:18:43não necessariamente funcionava assim.
00:18:45É mais subjetivo,
00:18:47ou tem um porquê,
00:18:48mas é muito, né,
00:18:49mais nuançado, assim.
00:18:51Mas eu ficava muito agoniada
00:18:53quando eu não tinha o argumento
00:18:55para defender o que a gente estava levando.
00:18:57E aí eu entendi que esse argumento era o consumidor.
00:19:00Quando eu entendi que esse argumento era o consumidor,
00:19:02eu falei, ah, tá, entendi.
00:19:04Então, o consumidor vai ser a minha Constituição.
00:19:06O consumidor vai ser o meu contrato.
00:19:08E eu vou conseguir brigar por uma ideia,
00:19:10ou brigar por uma história,
00:19:12ou construir uma história
00:19:13com base no que ele está me dizendo.
00:19:16E aí que eu acho que eu fui para planejamento,
00:19:18que é a cadeira
00:19:20que supostamente
00:19:22traz os insights,
00:19:23e traz a rua para dentro da agência, né.
00:19:25E você, Janana Couto,
00:19:28estava no planejamento, no estágio, ou ainda não?
00:19:30Não, eu comecei com um atendimento.
00:19:32Porque como eu tinha muita experiência corporativa,
00:19:35eu tinha feito, né,
00:19:36eu tinha clientes muito grandes
00:19:37quando eu era advogada.
00:19:38Tipo, eu fiz muita coisa muito grande.
00:19:39Então, assim,
00:19:40na cabeça da Ana,
00:19:42ela achou que essa minha experiência,
00:19:46ela ia me trazer uma...
00:19:49uma parte de business muito grande.
00:19:50E, eventualmente, trouxe.
00:19:54Mas, quando eu fui...
00:19:55Eu me metia muito
00:19:57na parte de planejamento,
00:19:58até que uma pessoa que chama Márcio Bocler,
00:20:02que está fora do Brasil hoje,
00:20:03mora no Canadá,
00:20:04ele falou assim,
00:20:04você sabe que você é uma planner, né?
00:20:06Eu falei, não, não tem a menor ideia.
00:20:08E aí ele falou, você...
00:20:09Aí ele me chamou para a equipe dele.
00:20:11E aí que eu comecei.
00:20:12Aí que foi...
00:20:13A transição para agência de publicidade
00:20:16é propriamente dita.
00:20:17Exatamente.
00:20:17Aí eu fui trabalhar na Fischer,
00:20:18aí eu fui trabalhar na parte de planejamento mesmo.
00:20:21Puro e simples.
00:20:22Uma coisa que me ocorreu de algo que você falou
00:20:26sobre o seu amigo,
00:20:27que ele disse que,
00:20:28ah, você vai trabalhar com o seu hobby
00:20:30e aí você vai ter o quê, né?
00:20:31Para fazer depois no seu tempo livre.
00:20:33Então, de certa forma,
00:20:35você discorda daquela afirmação de que,
00:20:37ah, é preciso você amar o seu trabalho
00:20:40ou se divertir no trabalho, né?
00:20:42Isso é meio delicado.
00:20:44Embora você tenha me dito
00:20:45de que mesmo que você ganhasse na loteria,
00:20:48você não escolheria outra profissão.
00:20:49Não.
00:20:50Mas como que é essa divisão aí?
00:20:53Você tem que amar o seu trabalho,
00:20:54mas ao mesmo tempo...
00:20:55É que eu não trabalho com o meu prazer.
00:20:58Tá.
00:20:58Eu adoro trabalhar.
00:21:01Eu gosto de fazer o que eu faço,
00:21:03mas ele não é exatamente o meu prazer, assim.
00:21:06Tipo, mas eu adoro
00:21:07e eu me divirto muito trabalhando.
00:21:11Eu acho que eu sempre me diverti
00:21:12pelo ambiente...
00:21:13Eu sempre gostei do ambiente de agência,
00:21:15eu sempre gostei dos desafios que eram dados.
00:21:18Eu sempre...
00:21:19Eu gosto de todas as etapas do processo,
00:21:22mas eu não vou no fim de semana assistir um briefing.
00:21:25Tanto que eu demorei...
00:21:26Vou contar uma coisa pra vocês.
00:21:27Eu nunca...
00:21:27Eu fui ver Mad Men.
00:21:29Agora.
00:21:31Muita gente tem uma resistência...
00:21:33Porque eu falava...
00:21:34Por que eu vou ver essa série?
00:21:35Porque ela é o meu dia a dia.
00:21:37Então, eu quero uma outra coisa
00:21:38pra abrir minha cabeça.
00:21:41Então, da mesma forma que eu leio
00:21:43pouquíssimos livros de business, assim.
00:21:46Prefiro ouvi-los.
00:21:48Assim, ler mesmo, eu leio literatura,
00:21:50tipo romances, etc.
00:21:52Então, assim, por isso que eu tô te falando.
00:21:54O prazer é uma coisa.
00:21:55Mas eu me divirto muito no meu trabalho,
00:21:57mas eu demorei muito tempo pra ver Mad Men.
00:21:59Obviamente, hoje eu vejo...
00:22:00Eu vi muito por causa da aquisição,
00:22:02que eu achei divertido.
00:22:04E porque tem a parte que eles são adquiridos pela Macan.
00:22:07Tem o trufel todo lá atrás.
00:22:09E eu me diverti loucamente vendo.
00:22:11Mas eu vi com uma...
00:22:15Com uma...
00:22:15Com uma críticazinha, assim.
00:22:17Tipo, eu vi com o pé atrás, assim, sabe?
00:22:20Você viu durante a fusão Omnicom e PG?
00:22:23Foi.
00:22:24Foi.
00:22:25Eu fiz isso comigo mesmo.
00:22:27E tem alguns fatos, tem algumas coisas ali,
00:22:30que por mais que tenha se passado nos anos 60
00:22:32e comecinhos dos 70,
00:22:34que continuam muito atuais.
00:22:36Exatamente iguais, eu diria.
00:22:37Exatamente iguais.
00:22:38Exatamente iguais.
00:22:39No cotidiano das agências?
00:22:40No cotidiano das agências,
00:22:41da maneira como você lida com perda de clientes,
00:22:44da maneira como você lida com uma grande apresentação,
00:22:47a maneira como as divisões são feitas pela agência.
00:22:51Eu acho que tem...
00:22:51Eu vi muita coisa.
00:22:52Muita coisa, obviamente, mudou, graças a Deus.
00:22:54A gente tem ali uma grande caricatura do nosso mercado.
00:23:00Mas é uma série muito bem feita.
00:23:02E aí...
00:23:03E eu achei especialmente assustador
00:23:05que algumas coisas continuam ali.
00:23:08Alguns problemas, você diria?
00:23:10Ou não necessariamente?
00:23:11Acho que a parte boa hoje, do tipo,
00:23:13quando você...
00:23:17A importância da criatividade,
00:23:19eu acho que tem uma...
00:23:20Ainda continua ali.
00:23:21E como ele é uma pessoa que...
00:23:24Porque ele é muito criativo.
00:23:25Ele é muito valorizado.
00:23:27Apesar dele ser uma pessoa dificílima.
00:23:28E, enfim...
00:23:30É...
00:23:30Mas eu acho que tem uma coisa do uniqueness.
00:23:34De que a...
00:23:35Como a propaganda molda e pode moldar padrões e comportamentos.
00:23:41Quando todo mundo concorda que tem uma puta ideia na frente.
00:23:45E eu acho que esse sentimento ali,
00:23:47quando eles conseguiram capturar de uma maneira muito especial na série.
00:23:51E é uma coisa que a gente sente.
00:23:52Quando a gente sabe que a gente tá de frente
00:23:55pra uma coisa que vai ser muito incrível.
00:23:58Né?
00:23:58Enfim, então...
00:23:59E você lutar por uma ideia que você acredita.
00:24:01Lutar pela posição.
00:24:02Eu acho que essas coisas todas têm...
00:24:04Mas eu fui ver só agora.
00:24:05Porque eu achava...
00:24:06Voltando.
00:24:07Porque eu achava que...
00:24:08E a série vai muito além, né?
00:24:10Da publicidade.
00:24:11Sim, vai, né?
00:24:12É muito rica, né?
00:24:13E eu...
00:24:14É belíssima.
00:24:14Eu acho que a publicidade é uma desculpa
00:24:15pra mil questões ali.
00:24:18Mas...
00:24:20Mas...
00:24:21Eu demorei pra ver.
00:24:22E é legal ver a ascensão das mulheres na série.
00:24:25A última cena dela chegando...
00:24:28Badass na Macan.
00:24:30Eu acho maravilhosa.
00:24:32E qual que é o seu personagem favorito?
00:24:33A Peg.
00:24:34A Peg.
00:24:35É a grande personagem.
00:24:37Ela, pra mim, a série é sobre ela.
00:24:38É sobre ela, né?
00:24:39Mais do que o Don Draper.
00:24:41Claro que ele é uma figura incrível.
00:24:43Mas a série, pra mim, a série é sobre ela.
00:24:44E você se lembra da primeira vez que você tava numa sala?
00:24:48E você viu essa grande ideia surgir?
00:24:50Você lembra qual que era?
00:24:52Ou pra que cliente?
00:24:54Eu lembro a primeira vez que eu entendi o que isso significava.
00:24:58Que a gente tava...
00:25:00Eu ainda tava na Anacouto.
00:25:01E foi a primeira vez que eu me deparei com...
00:25:05Quando a gente...
00:25:07Que era só uma reunião e a gente fazia um PPT e aquilo virava realidade.
00:25:13A gente tava trabalhando pra Coca-Cola na época e a gente falou pra Coca-Cola que existia um gap.
00:25:20Que existia um white space, um espaço que ninguém tinha ocupado de um festival pra adolescente.
00:25:28E que só uma marca que os pais e as mães confiavam que poderia ocupar esse espaço.
00:25:36Então a gente criou um festival pra Coca-Cola que era pra uma geração teen.
00:25:42Que era o Coca-Cola Vibe Zone que a gente fez.
00:25:44E eu lembro quando a gente fez a apresentação pra Coca-Cola.
00:25:48Eu lembro da gente ensaiando e achando...
00:25:50Nossa, que coisa incrível quando isso foi ficando de pé, né?
00:25:53Depois de ver o Lego desmontado e ver depois o Lego montado e a gente levando pro cliente.
00:26:00E quando o cliente recebeu, assim...
00:26:02Tipo, uau, entendi.
00:26:04Aí eu falei, ah, entendi.
00:26:05É isso que eu tenho que fazer.
00:26:07Eu tenho que percorrer todos os...
00:26:10Montar na minha cabeça, como advogado, uma petição pra convencer alguém de alguma coisa.
00:26:14É que aquilo é legal pra caramba, com base em algum tipo de comportamento que tá carente de...
00:26:20Que não tá...
00:26:21Alguma dor de alguém, né?
00:26:23Mas eu demorei pra entender, assim...
00:26:24Demorei não, mas eu lembro que só nesse dia que a gente fez essa apresentação que eu falei...
00:26:28Ah, entendi.
00:26:29É isso que eu tenho que fazer.
00:26:30Tanto que a primeira vez que eu fui pegar um briefing, eu achei que eu fosse voltar com uma coisa
00:26:33física.
00:26:34Porque eu era estagiária e alguém falou, vai lá pegar o briefing.
00:26:36Aí eu fui lá pronta pra trazer uma coisa física.
00:26:39Aí a pessoa começou a falar...
00:26:41Ah, eu falei, ah, eu acho que eu tenho que adotar.
00:26:42O que ela tava falando.
00:26:44E o que que você pensava sobre a sua...
00:26:50Quando você já tava inserida em agência ali, na área de planejamento...
00:26:54O que que você pensava sobre a sua carreira dali em diante?
00:26:57Ou era uma coisa que você não pensava sobre?
00:27:00Porque pelo fato da sua mãe ter sido uma CEO, como você disse, a primeira que você conheceu...
00:27:05Você já vislumbrava isso pra você também?
00:27:08O cargo de CEO, especificamente, não.
00:27:10Eu nunca fui...
00:27:11Naquela época, particularmente, eu não tinha...
00:27:14Eu sabia que eu queria liderar uma área de planejamento.
00:27:18No minuto que eu entrei na área de planejamento, eu entendi que era isso que eu gostava de fazer.
00:27:24E tinha um sonho de liderar.
00:27:27Mas eu tinha mais uma inquietude do que tinha de novo.
00:27:32Então, eu acho que quando eu fiz algumas escolhas na minha carreira...
00:27:35Do tipo, quando eu fui pra Isobar, Agência Clique, quando eu fui pra IBM, eu era meio que essa busca
00:27:40do que que tava fresh.
00:27:42Mesmo no direito, eu já tinha a coisa do direito ambiental.
00:27:45Então, eu me importava mais em estar num lugar onde...
00:27:50Eu vou usar uma palavra ruim, mas tinha uma vanguardice do que estar numa posição de liderança num lugar...
00:27:56Então, eu preferia, às vezes, até dar um step pra trás e experimentar uma coisa nova que eu não sabia
00:28:01ou que eu sabia que ia ser mais incrível naquele futuro
00:28:04do que um cargo de liderança propriamente dito.
00:28:07Então, a minha ambição era meio...
00:28:09Como é que eu aprendo uma coisa nova que ninguém sabe do que exatamente um C-Level?
00:28:14Eu acho que o meu C-Level, ele veio a reboque.
00:28:19Dessas minhas escolhas de estar sempre tentando uma coisa que...
00:28:24Porque eu lembro quando eu fui pro digital, eu tava numa agência offline muito bacana pra época, muito grande.
00:28:33E as pessoas falaram assim, mas o digital é muito pequeno, o que você vai fazer lá?
00:28:37E eu sabia que a gente ia ser engolido pelo digital em algum momento.
00:28:42Eu nunca acreditei nas coisas apocalípticas, mas eu sempre queria a próxima fase.
00:28:48Eu sempre achava mais legal a próxima fase.
00:28:50Não necessariamente era um cargo de liderança, eu queria estar onde aquele assunto tava acontecendo.
00:28:55Acho que era meio por aí.
00:28:57Mas quando você se viu diante da possibilidade de se tornar CEO, aí você...
00:29:03Aí eu quis.
00:29:03Aí você quis.
00:29:04Eu quis.
00:29:05Eu quis bastante.
00:29:07Você se sentia pronta?
00:29:12Essa é uma pergunta importante.
00:29:16Eu acho que...
00:29:18Eu sabia que eu podia, mas mesmo assim eu tava com medo.
00:29:21Porque eu acho que eu não tenho a soberba de achar que ia ser fácil.
00:29:26E que eu acho que todo mundo que tá nesse cargo hoje comigo, todas as lideranças femininas e não femininas
00:29:34que estão na minha geração, elas têm um objetivo de mudar o negócio.
00:29:40Ninguém pode simplesmente perpetuar o que já tava vindo.
00:29:44Como teve uma leva de CEOs e CEOas que fizeram isso.
00:29:49Mas eu acho que agora quem tá sentado nessa cadeira tem que mudar o negócio.
00:29:52Tem que mudar a maneira como a gente traz dinheiro pra gente, como a gente cria novos produtos e como
00:29:58a gente vai treinar um time e como a gente vai contratar esse time.
00:30:01Porque tem uma revolução acontecendo que não é uma tendência, é uma mudança estruturante que vai mudar o nosso negócio
00:30:09pra sempre e vai mudar a sociedade pra sempre.
00:30:11E que a gente vai ter que fazer isso enquanto a gente tá sentado aqui.
00:30:15E que não existe um exemplo do que aconteceu, porque eu não acho, eu já vi muita gente dando entrevista
00:30:22que parece muito com a revolução do começo da internet.
00:30:26Na minha opinião não tem nada a ver.
00:30:28E eu tava bem no comecinho da internet, eu tava sentada numa agência digital.
00:30:31Não tem nada a ver, porque o começo da internet ela mudou a forma como a gente consumia entretenimento.
00:30:41E ela demorou muito pra ir pro mainstream, ela demorou muito pra chegar pra uma camada mais, pra ela se
00:30:47democratizar.
00:30:49E eu acho que a inteligência artificial e tudo que vem com ela, ela vai vir de arrasta de um
00:30:56jeito muito mais profundo e muito mais democrático do que a internet chegou.
00:31:02A internet, a gente precisava ter uma conexão, ela demorou, as pessoas conseguiam sobreviver sem durante um tempo.
00:31:08E aí a gente teve indústria sendo mudadas e ela foi faseada.
00:31:13E pro consumidor final, zão, zão, zão, zão, por exemplo, a KCDE, ela só foi, no Brasil principalmente, ela só
00:31:21foi democratizada através da popularização do celular pré-pago.
00:31:25E de algumas operadoras que na época trouxeram o Google de graça, etc, etc, etc.
00:31:30Então, o Brasil, por exemplo, ele entrou na internet através de quase que um subsídio das operadoras.
00:31:40Tanto que a gente pulou do desktop e foi direto pro mobile.
00:31:43Sim.
00:31:44A gente não teve a transição como nos países desenvolvidos.
00:31:47Aqui eu acho que não.
00:31:48Aqui tá todo mundo já com o celular na mão.
00:31:50E a gente já tem acesso às ferramentas.
00:31:54E tudo que tá, assim, a inteligência artificial, ela tá em alguns lugares que a gente nem imagina.
00:32:00Daqui a pouco vai tá na sua geladeira.
00:32:01Então, eu acho que é muito mais profundo.
00:32:03Tá no carro, né?
00:32:04Tá, enfim, tá no WhatsApp quando você conversa com a sua loja preferida pra pegar uma roupa, enfim.
00:32:10Então, eu acho que ela vai vir de uma forma muito, de novo, estruturante e menos tendência.
00:32:15Então, eu acho que todo mundo que tá sentado hoje nessa cadeira, ela tem uma missão de mudar o mercado.
00:32:22Então, pronta, eu não me sentia.
00:32:25Eu sabia que ia ser difícil.
00:32:27Mas eu tenho um defeito isso.
00:32:31Porque eu acho sempre a próxima coisa mais legal.
00:32:33Eu detesto o saudosismo da publicidade.
00:32:36Quando eu converso com alguém que fala, na minha época, era tão legal.
00:32:41Quando existia XYZ, ou quando a gente só precisava fazer não sei o quê, não sei o que.
00:32:46Então, assim, eu sempre acho a próxima etapa mais divertida.
00:32:50Eu acho que nunca teve uma época tão interessante pra gente viver a comunicação e a publicidade como agora.
00:32:55Eu ia te perguntar isso.
00:32:57Você disse que quando o digital chegou, você não tinha uma postura alarmista, achando que aquilo ia acabar com tudo.
00:33:05Aí você acabou de narrar que a IA é totalmente diferente do digital.
00:33:10A sua postura continua sendo não alarmista?
00:33:13Como mãe, eu sou alarmista.
00:33:16Porque eu não sei que mundo que nos espera.
00:33:19Mas eu não sou uma pessoa apocalíptica.
00:33:23Eu não acho que uma coisa vai substituir a outra.
00:33:25A gente tá fazendo aqui um programa de rádio.
00:33:28Só que 5G.
00:33:30Você concorda comigo?
00:33:31As coisas se transformam.
00:33:33Então, elas não terminam, elas não acabam.
00:33:34A gente não tem, com pouquíssimas exceções, uma tecnologia que substituiu completamente as outras.
00:33:42O streaming não acabou com a televisão aberta em lugar nenhum do mundo.
00:33:47As coisas, elas se complementam.
00:33:49Elas podem perder o protagonismo.
00:33:51Mas elas não...
00:33:53Eu não acredito em apocalipse das coisas.
00:33:55Eu acho que essa transformação, ela é inédita.
00:34:00E que o mundo nunca viu nada parecido, talvez, à Revolução Industrial.
00:34:04Mas, mesmo assim, acho que nada parecido com isso.
00:34:10Alarmista eu sou em relação à preocupação que eu tenho como pessoa física.
00:34:14O que as pessoas vão fazer com essa tecnologia de forma bélica, de forma, enfim, escusa.
00:34:24Mas, em termos de comunicação, eu acho que a gente tá vivendo um mundo que abre muitas possibilidades.
00:34:29A gente, inclusive, tem que pensar na inteligência artificial não como uma ferramenta de escassez.
00:34:35Eu acho que hoje as empresas ainda estão cometendo o erro de achar que a inteligência artificial
00:34:40é uma ferramenta de substituição e de eficiência.
00:34:43E ela não é.
00:34:44Na minha cabeça, ela é...
00:34:47Na minha cabeça, imagina, né?
00:34:48De tudo que eu tô lendo e tô aprendendo com outras pessoas...
00:34:52A gente teve agora, recentemente, no CXO do Google...
00:34:56A gente vai ter que lidar com abundância.
00:34:59A gente vai ter que lidar com abundância de tempo.
00:35:01A gente vai ter que lidar com abundância de dados.
00:35:03A gente vai ter que lidar com abundância de informação.
00:35:06A gente vai ter que lidar com abundância de aprendizado.
00:35:09E isso é muito mais importante do que a gente só pensar em que a gente vai substituir
00:35:14ou tornar mais eficiente uma operação.
00:35:16Isso é muito pequeno.
00:35:18Não é sobre isso.
00:35:18Talvez a gente até que trabalhe mais.
00:35:20E talvez a gente precise de pessoas melhores pra fazer no mundo da inteligência artificial
00:35:24do que a gente vai precisar.
00:35:26Então, por isso que eu não sou alarmista.
00:35:28Eu sempre acho que vai ser mais do que menos.
00:35:33E indo mais pros meandros do mercado publicitário.
00:35:36Porque além desse detalhe da inteligência artificial,
00:35:39tem um momento interessante que você mesma comentou.
00:35:43A fusão, a Omnicom e o IPG.
00:35:46Muitas agências foram aposentadas.
00:35:48A Macan, o World Group, foi uma das redes globais que sobreviveu.
00:35:53No mercado brasileiro, a gente vê muitas agências independentes surgindo.
00:35:58Qual que é a sua leitura sobre esse mercado?
00:36:00O que ele tem de oportunidade neste momento?
00:36:04Também considerando 2026, que é um ano que tivemos Copa, tem eleição.
00:36:09E onde que está esse lugar de relevância para as agências?
00:36:13Eu acho que as agências...
00:36:18Hoje o mercado de comunicação está fervido.
00:36:21Eu acho que tem muita coisa acontecendo.
00:36:24Eu acho que...
00:36:26Especialmente falando sobre a sua pergunta sobre a aquisição.
00:36:29Obviamente, foi um período intenso e muito dinâmico.
00:36:34Mas eu acho que a Macan, por ser a única agência realmente global hoje do grupo Omnicom,
00:36:41a gente é a única agência hoje realmente global que tem clientes globais.
00:36:44Então assim, a gente tem...
00:36:45E com relações muito duradouras com clientes nossos da vida toda.
00:36:50Então a gente tem Mastercard.
00:36:51A gente tem L'Oreal e GM e Nestlé com mais de 25 anos de casa.
00:36:57Isso é o único.
00:36:59E eu acho que a Macan e o Truffautauld foram vistos por essa aquisição como uma joia.
00:37:08Como uma coisa a se preservar.
00:37:11Então a gente saiu...
00:37:12A marca Macan saiu muito forte da fusão da Omnicom.
00:37:17Fusão não, da aquisição.
00:37:20Então esse é um ponto.
00:37:21Eu acho que as agências independentes têm um espaço que elas nunca tiveram
00:37:27e uma importância que elas nunca tiveram.
00:37:29E isso é muito bom para nós, para o mercado de comunicação.
00:37:32Eu acho que quanto mais a gente tiver um mercado que não seja pasteurizado,
00:37:36onde a gente vai decidir a escolha de uma agência para outra na mesa de procurement,
00:37:41como se a gente estivesse escolhendo copo ou computador,
00:37:46a gente não é um mercado onde a gente tem que perder as identidades.
00:37:50Então eu acho muito bom ter agências independentes e fortes
00:37:53e que hoje não sejam só agências independentes.
00:37:57Elas são grupos independentes.
00:37:59Mais do que agências, elas são grupos.
00:38:01Então eu, Renata, acho especialmente importante para o mercado a gente ter concorrentes de qualidade,
00:38:07onde a gente não tenha uma pasteurização do que é uma entrega publicitária.
00:38:11Isso é a pior coisa que pode acontecer para o nosso mercado hoje.
00:38:14Onde a gente vá com três grupos que são muito parecidos
00:38:18e que a gente vai bater numa mesa de procurement
00:38:20e que vai apertar a gente para a gente ter um preço ali
00:38:23como se a gente estivesse comprando copo de vidro.
00:38:27Então acho importante.
00:38:28Acho importante os grupos formarem as suas identidades
00:38:32e terem agências e grupos de agências dentro desses grupos
00:38:36que tenham independência e, que eu chamo de caráter, um DNA distinto.
00:38:44Então acho que a Omnicom hoje é feita pela TBWA, pela BBDO e pela Macan
00:38:50e dentro dessas redes os nossos clientes e as nossas marcas e os nossos anunciantes
00:38:55podem escolher aqui de uma maneira muito distinta, de verdade, entre elas
00:39:00sobre o que ele vai levar.
00:39:03Ferramenta, AI, tecnologia, eu te garanto que isso vai ser commodity.
00:39:10O que vai fazer a diferença é que tipo de agência você quer trabalhar.
00:39:13Uma agência que tem um certo olhar para a criatividade,
00:39:19que tem um certo mix de pessoas,
00:39:21ou que tem relações da vida inteira, enfim, que tem relações de negócio.
00:39:26Então eu acho que isso é muito mais importante e isso é muito bom para o nosso mercado.
00:39:30Quando a gente pasteuriza o que é uma empresa de propaganda,
00:39:34a gente mata o que é propaganda.
00:39:36E isso não acontece, por exemplo, eu posso falar isso, por exemplo,
00:39:39porque na indústria que eu vim, na indústria do direito,
00:39:43a gente tem escritórios globais, a gente tem escritórios locais
00:39:47e a gente tem redes de escritórios globais.
00:39:49E existem um tipo de caráter de escritórios de advogados que você quer.
00:39:53Mais agressivos, menos agressivos,
00:39:56mais especialistas em certas áreas.
00:40:00E se você tira essa identidade e transforma todo mundo numa coisa só,
00:40:03é muito ruim.
00:40:04Por isso que eu realmente sou uma entusiasta
00:40:09dessa diversidade e dessa ascensão
00:40:13de novos players e novos grupos no mercado.
00:40:16E Renata, voltando a um ponto que você trouxe ali atrás
00:40:21sobre os seus hobbies, não transformar os seus hobbies em trabalho
00:40:26e pensando também nessa coisa que você falou,
00:40:30a abundância de informação que aí atrás,
00:40:32todo mundo está assoberbado aí com muita coisa.
00:40:37O que você faz para desopilar e para se manter inteira no trabalho?
00:40:45Bom, eu acho que esporte é uma coisa que eu fui descobrir mais velha,
00:40:53mas que eu descobri que isso é uma coisa muito importante,
00:40:57não só para a saúde, mas acho que para a maneira como você lida com a vida.
00:41:03E eu sou muito ruim no esporte, geralmente.
00:41:07Sofreu na educação física?
00:41:09Nossa, eu sempre era...
00:41:10Sabe assim, a pessoa só me escolhia quando ela ia perder de WO?
00:41:12Ah, eu também.
00:41:12Sabe, aquela que ficava ali?
00:41:14Então eu nunca fui essa pessoa, nunca fui essa estrela, né?
00:41:17Não foi garota fitness no Rio?
00:41:19Não, não fui.
00:41:21Não fui.
00:41:21Mas você é a praia?
00:41:22Muito, todo dia.
00:41:24Uma das coisas que mais na minha mudança,
00:41:26eu fui para São Paulo quando eu tinha 30 anos.
00:41:29A coisa que mais me deixou triste foi eu perder o meu bronzeado.
00:41:35Eu era uma pessoa bronzeada de janeiro a dezembro.
00:41:39Então, hoje, enfim, hoje em dia você pode fakear seu bronzeado,
00:41:43mas não fica igual, não fica igual, não fica igual.
00:41:45Mas, enfim, eu acho que o esporte eu fui descobrir mais velha
00:41:48e eu acho que ele é muito importante para isso, principalmente porque eu não sou boa.
00:41:52Então, a coisa me dá uma humildade muito grande.
00:41:58E eu gosto muito, por exemplo, quando eu vou fazer alguma aula,
00:42:02eu lutei o Muay Thai por muitos anos, quase sete,
00:42:05e eu era muito ruim no começo, muito ruim mesmo.
00:42:08E é uma hora que eu também não preciso pensar em nada.
00:42:10Alguém está fazendo o que eu tenho que fazer por mim.
00:42:14Então, é uma hora que eu realmente descanso,
00:42:15porque tem alguém decidindo o que eu tenho que fazer.
00:42:17Agora você abaixa, agora você levanta, agora você pula, agora você volta,
00:42:20agora você soca, agora você chuta.
00:42:22Então, esse é um modelo que na minha cabeça eu aprendi
00:42:25que esse é uma hora muito minha e muito boa para eu recuperar e falar
00:42:33olha, talvez você precise de outras pessoas, entendeu?
00:42:37Então, é muito bom, é muito bom para criar caráter,
00:42:39porque eu sou bem ruim, sou muito ruim.
00:42:42Muito desastrada, enfim, tem uma gíria do carioca que a gente fala
00:42:46que eu sou muito atolada, então, tipo...
00:42:48Atolada?
00:42:48Atolada é uma gíria carioca para quem é muito desastrada.
00:42:52Enfim, então, é bom e eu tento ir todo dia e eu gosto muito...
00:42:59Cozinhar também é aquela coisa da repetição também,
00:43:02é uma coisa que me tira muito e eu gosto muito de ler e de ouvir podcast.
00:43:07Então, eu gosto bastante e, como eu te disse, eu evito ler sobre trabalho.
00:43:12Sobre marketing, sobre esses...
00:43:14Claro que tem os grandes livros, quando ele é muito incrível, eu vou lá e ouço o audiobook,
00:43:20porque aí vira um podcast.
00:43:22Mas eu gosto de ler romance, eu gosto de ler...
00:43:24Eu gosto de ler...
00:43:28Gosto de ler ficção, gosto de ler crime.
00:43:31Então, eu gosto de ler literatura que eu chamo de normal.
00:43:35Tem alguma dica de leitura para dar para quem está acompanhando?
00:43:37Eu estou lendo ioga, estou amando.
00:43:38É um livro que já está aí há um tempinho, eu estava demorando para ler,
00:43:41mas eu estou lendo ioga, estou achando divertido.
00:43:43Ele é cabeçudo, é bem bacana, estou me divertindo.
00:43:46E nos bastidores, você falou que isso é super podcast, super assídua.
00:43:50Quais são os três que você tinha falado mesmo?
00:43:53Então, eu começo o dia com o assunto, café da manhã da Folha e o da Daily,
00:43:58que eu sou apaixonada.
00:43:59Tudo que o New York Times lança, é uma das minhas poucas assinaturas na pessoa física.
00:44:07Eu gosto muito de um que chama Rádio Escafandro e eu gosto muito dos podcasts de história.
00:44:17Então, Rádio Novela Apresenta, eu fico ali esperando quinta-feira para receber as histórias.
00:44:23E você disse que mesmo antes, no começo da carreira, você procurava ler literatura,
00:44:29quando você ainda considerava o jornalismo.
00:44:32Fala-se muito sobre isso, da profissão do publicitário,
00:44:35que muitas vezes fica autorreferenciada,
00:44:37fica bebendo das fontes ali dentro do próprio mercado.
00:44:41E é importante ter essa vivência múltipla e outros interesses para alimentar.
00:44:48Nossa, isso é uma coisa que, assim, apesar de eu ter muitos amigos publicitários
00:44:51e ter feito grandes amigos publicitários,
00:44:53que os meus maiores amigos são publicitários,
00:44:56mas eu procuro muito outras pessoas.
00:45:01Eu acho que a gente, quando você perde a curiosidade pelo consumidor,
00:45:04você não é mais publicitário.
00:45:05Então, eu gosto muito de conviver com pessoas que, sei lá,
00:45:10não têm a menor ideia do que a gente faz,
00:45:12do que é um briefing, do que, enfim.
00:45:16Eu gosto muito, porque são essas pessoas que me dão doses de realidade
00:45:20do que a gente tem que trazer para cá
00:45:22e são pessoas que vivem a vida real e são reais consumidores, assim.
00:45:26Então, eu procuro, eu me esforço muito
00:45:31para estar num ambiente mais diverso e não ficar só no nosso mundinho.
00:45:35Que foi uma coisa que fez parte da sua formação desde cedo, né?
00:45:39E ter ido ao Rock in Rio desde criança, por exemplo, né?
00:45:42E ter frequentado os sets de filmagem da Vogue.
00:45:45Eu acho que tem isso.
00:45:47Acho que, por exemplo, quando eu decidi ir para a IBM também,
00:45:49que aí eu entrei num mundo que foi muito interessante.
00:45:52Quando eu fui para lá, eu fui fazer a experiência do consumidor,
00:45:57que é uma das grandes paixões também,
00:45:58que é, para mim, eu acho que é uma das coisas que bem...
00:46:01Que era uma área que sempre me interessou muito,
00:46:03porque ela...
00:46:05Experiência de marca, ela é tão...
00:46:07Ela traz fidelidade tanto quanto uma boa campanha, assim,
00:46:10ou como tão bom produto, né?
00:46:12Então, quando eu fui para a IBM,
00:46:14eu decidi ir para a IBM porque eu achava que eu tinha que aprender a fazer isso.
00:46:19E acho que foi tão legal, porque quando eu cheguei lá,
00:46:23apesar de ser um mundo completamente novo,
00:46:26e eu me senti muito desconfortável no começo,
00:46:30porque eu brinco...
00:46:31Eu falei isso até para a Fiamma,
00:46:33porque eu falei...
00:46:35Fiamma, que na época era presidente do Twitter,
00:46:37eu falei...
00:46:37Fiamma, eu não estou...
00:46:38Quando você muda de uma agência para outra,
00:46:41você...
00:46:42Sei lá, tem uma cultura ou outra que você se adapta,
00:46:44mas você está falando a mesma língua,
00:46:46é o mesmo alfabeto.
00:46:47Quando eu fui para a IBM,
00:46:48eu tive que aprender um novo alfabeto,
00:46:49como se eu estivesse aprendendo, sei lá,
00:46:50hebraico, grego, entendeu?
00:46:52Chinês.
00:46:53Então, assim, eu aprendi coisas novas.
00:46:55E eu lidei com pessoas que eu nunca lidaria
00:46:57se eu não estivesse sentada na cadeira
00:47:00de Customer Experience,
00:47:02Consumer Experience,
00:47:03da IBM, assim,
00:47:04tipo, developers.
00:47:07Os devs, que eles chamavam.
00:47:09Uma galera de...
00:47:11Ah, é uma galera cabeçuda de informática mesmo,
00:47:13de, cara, tipo,
00:47:15uma galera de engenharia, assim,
00:47:17que eu fui ficando fascinada.
00:47:19Então, em vez de achar chato,
00:47:20eu fui, sei lá, mergulhando.
00:47:22Então, eu...
00:47:24Respirei aquele mundo ali por um tempo
00:47:26e acho que foi muito bom para mim, assim,
00:47:29porque...
00:47:29Apesar de eu ter sofrido...
00:47:31Porque é sofrido.
00:47:33Outra cultura, né?
00:47:33Outra cultura.
00:47:35Não tem tanta...
00:47:36Não tem tanto...
00:47:37Eu acho que o mundo da propaganda,
00:47:38ele é muito divertido, né?
00:47:41A gente tem um mundo que ele tem muito palco,
00:47:44muito evento,
00:47:45muita informação.
00:47:47Ele é muito vivo.
00:47:49Ele é muito...
00:47:50A propaganda é...
00:47:52Assim, vou te falar uma coisa
00:47:53que é muito engraçada.
00:47:54Meus médicos,
00:47:55que eles me acompanham no Instagram,
00:47:57eles falam,
00:47:57você está sempre viajando,
00:47:58você está sempre numa coisa.
00:48:00As pessoas têm uma...
00:48:02Uma visão glamourosa da propaganda.
00:48:04Tem outras profissões que não são tantos, né?
00:48:05Então, assim...
00:48:06E eu acho que eu mergulhei nesse mundo,
00:48:07fiquei dois anos lá
00:48:08e foi muito importante para mim.
00:48:10Porque na época,
00:48:11a gente estava fazendo algumas coisas com o Watson,
00:48:13que era o vovô, né?
00:48:15O vovô das IAs, né?
00:48:18Das IAs, entendeu?
00:48:19Foi ele que deu o berço para isso.
00:48:21E eu já tinha uma...
00:48:22Então, quando veio tudo isso,
00:48:23eu já estava com um repertório avançado,
00:48:25apesar de, naquela época,
00:48:26não estar vivendo a publicidade no Seu House, enfim.
00:48:31E, coincidentemente ou não,
00:48:32ou...
00:48:32Olha que coisa...
00:48:34Eu lembro de eu dirigindo para a IBM,
00:48:35falando assim,
00:48:36nossa, nunca mais eu vou para a Cannes.
00:48:40E foi um...
00:48:40Pena?
00:48:41Ou foi um alívio?
00:48:42Não.
00:48:42Eu pensava assim,
00:48:43poxa, eu gostava tanto,
00:48:44eu me divertia tanto,
00:48:45eu acho que eu nunca mais eu vou para a Cannes.
00:48:47E eu fui convidada para ser jurada de Cannes
00:48:49quando eu estava na IBM.
00:48:50Quando você estava na IBM?
00:48:51Para ser jurada da categoria no...
00:48:56no debut lá, enfim,
00:48:57quando eles lançaram pela primeira vez
00:48:59a categoria de e-commerce.
00:49:00Então, eu acho que eles acharam divertido
00:49:02ter uma pessoa do mundo da tecnologia.
00:49:04Então, assim,
00:49:05tudo que você acha que vai ser de um jeito,
00:49:06às vezes, quando você faz planos,
00:49:08Deus ri, né?
00:49:09Então,
00:49:10tudo teve uma história legal.
00:49:12E você trouxe alguma coisa,
00:49:14importou alguma coisa da cultura IBM,
00:49:17essa cultura mais geek,
00:49:19essa cultura um pouco mais séria
00:49:20para o universo das agências?
00:49:23Cara, eu vou te falar
00:49:24que tem uma coisa que eu admiro muito na IBM.
00:49:27A IBM é uma empresa bicentenária.
00:49:31E ela está aqui,
00:49:32e ela dita ainda o que a gente vai fazer.
00:49:34Ela ditou o Cloud,
00:49:36ela ditou o Watson.
00:49:40Ela não é uma velhinha fazendo crossfit, sabe?
00:49:43Ela, tipo,
00:49:44eu acho que eu...
00:49:46me admirou muito.
00:49:48Primeiro, o tamanho, o poder, assim.
00:49:49Eu lembro que eu tinha um crachá, né?
00:49:51Na IBM, a gente tinha um crachá.
00:49:53E toda vez que eu viajava pela IBM,
00:49:55quando eu chegava naquela coisa de fronteira ali dos Estados Unidos,
00:49:58ele falava,
00:49:59o que você está fazendo aqui?
00:50:00Business or pleasure e tal.
00:50:01Eu só mostrava o crachá da IBM.
00:50:03Ele abria o negócio.
00:50:05Porque a IBM,
00:50:05ela tem um poder tão grande na vida das pessoas.
00:50:07A IBM, sim, né?
00:50:08Se a IBM parar,
00:50:09não pousam um avião no mundo,
00:50:10porque eles que controlam todo o tráfico aéreo.
00:50:13Então,
00:50:14eu me inspirei nessa coisa
00:50:16deles estarem sempre
00:50:18no próximo,
00:50:20na próxima coisa.
00:50:21A IBM está sempre na próxima história.
00:50:24E ela forma as pessoas
00:50:26para estarem na próxima discussão,
00:50:28não na discussão de agora.
00:50:29A discussão de agora é o time comercial
00:50:31e o time do dia a dia
00:50:34que tem que levar.
00:50:34Mas a empresa,
00:50:37quem cuida da empresa,
00:50:39está sempre fazendo com que as pessoas
00:50:41que estão ali na alta liderança
00:50:43estarem no próximo passo.
00:50:45Então, isso é uma coisa muito impressionante.
00:50:47Por isso que a IBM está aqui até hoje.
00:50:49Acho que a IBM é uma empresa que
00:50:52foi a primeira empresa no mundo,
00:50:54na década de 80,
00:50:55no auge da AIDS,
00:50:56a deixar o logo dela ficar colorido.
00:50:59Porque foi a primeira empresa do mundo
00:51:00a dar um plano de saúde
00:51:01para um parceiro homoafetivo
00:51:03na época que,
00:51:05enfim, né?
00:51:05Se hoje a gente ainda sofre
00:51:07com alguns preconceitos,
00:51:10imagina na década de 80,
00:51:11no auge da doença.
00:51:13e ela foi a primeira empresa
00:51:14que transformou o logo dela
00:51:16num logo de arco-íris.
00:51:18Então, eu acho que tem algumas coisas que...
00:51:22Dessa importância de você ser uma marca grande,
00:51:24a importância de uma marca grande
00:51:26tem de se posicionar
00:51:27em alguns assuntos.
00:51:28Então, eu acho que isso...
00:51:32Aprendi com a IBM, assim,
00:51:33mesmo sendo uma empresa
00:51:35que não se mete...
00:51:36Não se mete em conflito, literalmente.
00:51:41Não é uma empresa agressiva nem bélica
00:51:43em relação aos assuntos.
00:51:44Mas ela só faz o que tem que ser feito, sabe?
00:51:48E isso que você falou da IBM,
00:51:50sempre buscar a próxima coisa,
00:51:52você também descreveu isso
00:51:54sobre a própria carreira, né?
00:51:55Você sempre estava buscando a próxima coisa
00:51:57e uma novidade, né?
00:51:58Que você nunca gostou
00:51:59desse saudosismo da publicidade.
00:52:02É porque acho que eu não sou publicitária,
00:52:03então eu não vivi esse golden era, assim.
00:52:07Você não criou esse laço.
00:52:10Não.
00:52:11Mas qual foi a última vez
00:52:12que você tentou algo novo
00:52:14pela primeira vez?
00:52:15Isso falando da carreira,
00:52:16mas falando da sua vida também.
00:52:19Uau.
00:52:23Quando foi a última vez
00:52:25que eu tentei algo novo
00:52:25foi a primeira vez.
00:52:26bom, sentar numa cadeira
00:52:27de liderança há três anos atrás,
00:52:30liderando uma agência inteira,
00:52:32eu acho que isso foi.
00:52:34E quando eu fui agora
00:52:37com meu filho,
00:52:39a gente foi para o México
00:52:41e a gente foi mergulhar de...
00:52:44Descuba da IBM.
00:52:45Descuba da IBM de garrafa
00:52:46e eu nunca tinha feito
00:52:47e eu fiquei com muito medo.
00:52:49Ah, porque tem várias regras, né?
00:52:51Tem várias regras
00:52:52e é a primeira vez que você
00:52:53não respira, tipo...
00:52:55Eu subi.
00:52:56Falei, não vou dar conta disso aqui.
00:52:58E aí,
00:52:59depois fui me acalmando
00:53:00e deu certo,
00:53:01mas acho que foi a primeira vez.
00:53:03Que eu me lembro, assim,
00:53:03foi uma coisa que eu nunca tinha feito
00:53:05e fiz.
00:53:06E morri de medo.
00:53:08E eu gosto,
00:53:09mas eu acho essa sensação boa.
00:53:12Esse desconforto.
00:53:13Não é medo, é desconforto.
00:53:14É o desconforto
00:53:15que a gente tenta fugir,
00:53:16mas...
00:53:16E quando a gente passa pelo desconforto,
00:53:19a gente se sente mais vivo
00:53:20e aprende alguma coisa sempre.
00:53:21Eu acho ele super importante.
00:53:22Ele é super importante.
00:53:23E qual foi a última grande ideia
00:53:24que você teve contato?
00:53:26E aí, eu tô falando
00:53:27de uma maneira ampla.
00:53:29A última?
00:53:30É.
00:53:31Eu acho que foi vender o Sonic
00:53:33pelo iFood.
00:53:35A gente conseguiu vender
00:53:36três carros no meio da Copa
00:53:38pelo iFood.
00:53:39Uma pessoa pediu um carro
00:53:40pelo iFood
00:53:40e a gente desafiou o iFood.
00:53:42O iFood entrou com a gente
00:53:43nessa história
00:53:44e a gente tá muito orgulhoso.
00:53:45Foi uma ideia muito bacana
00:53:47e que não teria sido possível
00:53:49se não fosse o time da GM,
00:53:51o Gus, tipo,
00:53:52topando com a gente.
00:53:53E ela tinha que ter...
00:53:54E ela tinha que ter
00:53:55uma agilidade muito rápida
00:53:56e todo mundo embarcou
00:53:57e foi muito bacana.
00:53:58E é aquela sensação bacana
00:54:00que quando você fala
00:54:00isso é legal, vamos fazer.
00:54:02E todo mundo...
00:54:03Eu tenho uma máxima na agência, né?
00:54:05Que eu falo pra todo mundo
00:54:06que é uma referência carioca.
00:54:08Ideia boa é uma ideia
00:54:09que todo mundo tem que empurrar.
00:54:10Igual carro alegórico na avenida.
00:54:12Né?
00:54:12Se todo mundo não empurrar,
00:54:14a ideia não sai.
00:54:15Então, ideia não é mais
00:54:16de uma pessoa, assim.
00:54:17Eu acredito muito em time, né?
00:54:19Eu não...
00:54:19Eu acho que...
00:54:20Uma coisa que eu acho que acabou
00:54:21é a era do protagonismo
00:54:23único da propaganda.
00:54:24Eu acho que...
00:54:25Do indivíduo, né?
00:54:25Do aquele nome.
00:54:27Não...
00:54:28Pelo amor de Deus,
00:54:29admiro todos.
00:54:29Alguns deles foram meus chefes.
00:54:31Graças a Deus.
00:54:31Eu tive chefes sensacionais
00:54:33e maravilhosos.
00:54:34Mas eu acho que hoje
00:54:35o poder da diversidade,
00:54:36do poder de um time bem feito
00:54:38é imparável.
00:54:40E tem ideias, no entanto,
00:54:42que elas não dão certo.
00:54:43O que você aprendeu
00:54:45quando você passou, né?
00:54:47Por elas ali e...
00:54:50Ideias que chegaram aí pra rua,
00:54:52que chegaram aí adiante,
00:54:54mas que acabaram não dando certo.
00:54:56Ou quando você não acredita
00:54:58e você faz ela pela metade,
00:55:00tipo, você não...
00:55:01Eu acho que quando você tem uma ideia,
00:55:04aí você fala,
00:55:04mas tá, vamos botar,
00:55:06coloca aí no ar.
00:55:08E você não prepara a ideia,
00:55:10enfim, né?
00:55:11Aí ela morre,
00:55:13porque ou ela não vai ter grana,
00:55:14ou ela não vai chegar em quem devia chegar,
00:55:16ou ela não vai ter a repercussão
00:55:18do piar que ela deveria ter tido.
00:55:20Quando você não cuida da ideia,
00:55:22ela geralmente morre.
00:55:23A ideia, ela é um...
00:55:25Tá uma gostosinha,
00:55:26você tem que ir lá alimentar,
00:55:28você tem que...
00:55:30Geralmente, quando você não cuida
00:55:31e você coloca no ar ela de qualquer jeito,
00:55:32ela fica meio...
00:55:36Aquele famoso...
00:55:38Geralmente, uma ideia que não deu certo,
00:55:39você vai falar assim,
00:55:40puta, a gente podia ter feito não sei o que,
00:55:42não sei o que lá,
00:55:42a gente podia ter...
00:55:43Geralmente, é uma ponta que tava solta.
00:55:45Por isso que...
00:55:47Ideia boa tem que...
00:55:48Você tem que realmente entender
00:55:51tudo que pode acontecer com ela.
00:55:53É uma criança de quatro anos.
00:55:56E, Renata,
00:55:57indo pra um assunto um pouco mais aleatório,
00:55:59você é prima de primeiro grau
00:56:01da Regina Cazé?
00:56:02Sou prima de primeiro grau
00:56:03da Regina Cazé.
00:56:05Inclusive, sexta-feira,
00:56:06estou indo ver
00:56:07Viva Viva no teatro.
00:56:08Ela tá em cartaz agora em São Paulo.
00:56:10Tá em cartaz.
00:56:10Maravilhosa a peça dela.
00:56:11Não sei se esse podcast vai agora
00:56:12a tempo, mas...
00:56:14Se estiver na sua cidade,
00:56:16por favor, procure,
00:56:17porque é uma noite divertida.
00:56:19Então, você cresceu no meio, assim...
00:56:21Além de ter uma mãe na Vogue,
00:56:24tinha essa prima...
00:56:25E eu tenho mais um dado pra te dar.
00:56:28O meu outro primo
00:56:29era guitarrista da Blitz.
00:56:31Então, a gente tinha
00:56:32todos os shows da Blitz
00:56:33na década de 80.
00:56:35E, assim,
00:56:36eu levava todo o meu time do colégio.
00:56:38Imagina?
00:56:40Você não soube me amar
00:56:41na primeira fila.
00:56:42Parabéns pra você
00:56:43quando era aniversário da gente,
00:56:44eles cantando no palco.
00:56:45Então, assim...
00:56:46A minha mãe fazia
00:56:46os figurinos da Blitz.
00:56:49Quando a Blitz tocou
00:56:50no Rock in Rio de 85,
00:56:51foi a minha mãe
00:56:52que fez todas aquelas roupas.
00:56:53Uau, legal!
00:56:53Foi a minha mãe
00:56:54que desenhou todas aquelas roupas.
00:56:55E a gente tava falando
00:56:56no backstage
00:56:57que você tava lá, né?
00:56:59No Rock in Rio de 85,
00:57:00viu o show do Queen.
00:57:01Esse foi o show
00:57:02mais memorável da sua vida?
00:57:04Uau, não.
00:57:07Sorry, Queen.
00:57:09É que eu...
00:57:10Depois que eu fui nesse show,
00:57:11eu fui mordida por um bichinho.
00:57:13Então, eu vou pelo mundo
00:57:14procurando o show.
00:57:15Então, eu já vi muita gente
00:57:16muito legal.
00:57:17Então, tipo...
00:57:19Então, vamos lá.
00:57:20Eu acho que...
00:57:21Tá, esse show
00:57:22é um dos mais legais,
00:57:23mas eu acho que tem
00:57:24a minha banda da vida.
00:57:25Da minha vida,
00:57:26que eu já vi 14 vezes.
00:57:28Que é a The Pesh Mode.
00:57:29Mas eu vi Eric Clapton,
00:57:30eu vi...
00:57:33Putz...
00:57:33Vamos lá.
00:57:35Ai.
00:57:37Muita coisa.
00:57:37Baby King.
00:57:38Eu vi umas coisas assim,
00:57:41tipo...
00:57:41E esse ano teve algum?
00:57:42De Police, na época,
00:57:43que é tipo...
00:57:46Esse ano...
00:57:47Esse ano foi o primeiro ano
00:57:48da vida que eu não fui
00:57:49no Rock in Rio,
00:57:49porque eu tava entregando
00:57:50uma concorrência.
00:57:51É o primeiro Rock in Rio.
00:57:52Desculpa, Medina.
00:57:53Desculpa, meus clientes
00:57:54que tavam lá.
00:57:54Seara, Platan.
00:57:56Foi o primeiro ano
00:57:56que eu não fui no Rock in Rio.
00:57:58Na vida, na história.
00:58:00E aí, o The Pesh Mode,
00:58:01então, você viu
00:58:02mais de 14 vezes.
00:58:03No mundo.
00:58:04Teve um em especial
00:58:05que foi memorável.
00:58:07Teve um que...
00:58:07Eu tinha certeza
00:58:08que ele tava cantando pra mim
00:58:09porque eu tava na primeira fila
00:58:10aos prantos.
00:58:11E aí, eu encostei na mão dele.
00:58:13E aí, depois eu consegui
00:58:13ir no camarim.
00:58:14E aí, eu cheguei
00:58:15e eu ensaiei isso
00:58:16a vida inteira
00:58:17quando eu encontrasse com ele
00:58:18o que que eu ia falar.
00:58:19E aí, eu falei pra ele.
00:58:21Obviamente, aos prantos.
00:58:23E tem um vídeo, né?
00:58:24Esse vídeo existe.
00:58:25Tá no YouTube.
00:58:26Eu vou acabar com a minha carreira.
00:58:29Acabar com a minha vida agora.
00:58:30Existe um vídeo
00:58:31da MTV dos anos 90.
00:58:33Deu dando uma entrevista
00:58:34aos prantos
00:58:37desse show.
00:58:38E aí, depois eu encontrei
00:58:40com eles aqui em São Paulo.
00:58:42Num evento.
00:58:42E quando você achou
00:58:43que ele tava cantando pra você,
00:58:44ele tava cantando
00:58:45Enjoy the Silence?
00:58:46Não, nem tinha essa música
00:58:48na época.
00:58:48Olha, foi bem antes, então.
00:58:50Não, tinha, tinha.
00:58:51Tinha, mentira, tinha.
00:58:52Tinha, mas não era essa música.
00:58:53Era uma música que...
00:58:54Eu achei que ele tava
00:58:55cantando pra mim.
00:58:55Tinha certeza absoluta
00:58:56que ele tava cantando pra mim.
00:58:57Ah, não, mas antes
00:58:57da gente encerrar,
00:58:59também queria que você
00:58:59contasse isso, né?
00:59:00Falando em MTV.
00:59:01Que você quis ser VJ,
00:59:02mas a sua mãe também
00:59:03não torcia um pouco o nariz
00:59:05pra ser sua vontade.
00:59:06A minha mãe super torcia o nariz.
00:59:07Apesar dela ter vivido
00:59:08essa vida, tipo,
00:59:09de jornalismo,
00:59:10ela queria que eu tivesse,
00:59:11obviamente, uma carreira
00:59:13engenharia.
00:59:13Quando eu falei pra ela
00:59:14que eu ia mudar,
00:59:15que eu ia sair do direito,
00:59:16ela torceu muito o nariz.
00:59:17E ela só...
00:59:20Eu acho que ela só
00:59:21se convenceu
00:59:21que eu fiz uma boa escolha
00:59:23quando eu ganhei
00:59:23o Woman to Watch.
00:59:26Que foram quase 20 anos
00:59:27depois que eu tinha.
00:59:29E aí ela falou,
00:59:30tá bom, entendi.
00:59:31Valeu a pena.
00:59:32Foi só naquele dia.
00:59:35Mas eu queria muito
00:59:36ser VJ da MTV.
00:59:37Eu tinha certeza
00:59:38que eu podia
00:59:38ser VJ da MTV.
00:59:40E eu quis muito
00:59:41ser Paquita.
00:59:42Não só VJ da MTV.
00:59:44Eu quis muito ser Paquita.
00:59:45Fiz alguns testes.
00:59:46Eu fiz teste
00:59:47e fiz...
00:59:49O teste eu não passei.
00:59:51Eu lembro...
00:59:52Eu vim pra São Paulo
00:59:53escondido dela.
00:59:54Vim de ônibus.
00:59:55Escondido?
00:59:55Aí era...
00:59:56Lembra?
00:59:56Era naquela antena ali
00:59:57na...
00:59:58Eu não vou saber
00:59:58o bairro,
00:59:59mas a MTV
01:00:00era num lugar meio icônico.
01:00:01Meio perdizes ali.
01:00:02Meio perdizes ali.
01:00:03Exatamente.
01:00:03Afonso Bovero.
01:00:05E aí eu fui lá
01:00:06e eu era completamente louca
01:00:08pelo Zeca.
01:00:09Porque eu achava o Zeca
01:00:09o cara mais inteligente
01:00:10que eu conhecia na minha vida.
01:00:11A Astrid e tal.
01:00:13E eu queria ser.
01:00:14Eu tinha certeza
01:00:14que a minha vida
01:00:15ia ser isso.
01:00:16E eu fiquei arrasada
01:00:17porque eu tinha certeza
01:00:18que eu ia passar.
01:00:19Certeza absoluta
01:00:20que eu ia passar.
01:00:21Treinava muito.
01:00:22Oi, eu sou a Renata
01:00:23e você está vendo
01:00:23uma MTV no ar.
01:00:24Com o pezinho ali, né?
01:00:25Com o pezinho
01:00:26no negócio.
01:00:27Tinha certeza absoluta
01:00:28que eu ia fazer.
01:00:29Caramba,
01:00:29veio escondido
01:00:30para São Paulo.
01:00:31Veio escondido.
01:00:32Muito boa essa história.
01:00:33Renata,
01:00:35muito prazer
01:00:35falar com você.
01:00:37Obrigada pela sua presença
01:00:38aqui no podcast
01:00:38e até uma próxima.
01:00:39O prazer foi meu.
01:00:40Foi demais.
01:00:41Obrigada, Isa.
01:00:42Continue acompanhando a ideia
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