- há 3 semanas
Um papo sobre linguagem, difusão Literária, autobiografias, contos, romances e literatura infantil.
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:01Começa agora Vitrine Literária com o professor e escritor Francisco Grijó.
00:07Tudo sobre literatura contemporânea, temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
00:19Olá pessoal, mais uma edição do Vitrine Literária com Francisco Grijó, aqui pela Rede Vitória, né?
00:28Bem, eu falei a vocês no nosso último encontro que nós iríamos continuar o bate-papo com Pedro José Nunes
00:37ou Pedro J. Nunes, que está aqui ao meu lado.
00:40E a gente vai dar essa continuidade mesmo, ou seja, para facilitar para você que está nos ouvindo e para
00:48você que está nos vendo,
00:49eu aconselho você a ver primeiro o primeiro programa, para depois você continuar fazendo com que esse programa faça muito
00:58sentido para você.
00:59Bem, Pedro, continuando com o nosso papo, você se aventurou num determinado momento, você que sempre escreveu sobre o mundo
01:11adulto,
01:12não importa como, não importa se é no interior, se é fora, se é corrompendo a linguagem, se não é,
01:19mas você sempre teve como objeto de trabalho o mundo adulto.
01:24E você escreveu também para pessoas adultas.
01:27O seu leitor é um leitor que precisa ser inteligente para poder compreender um texto inteligente como o seu, sem
01:34nenhum problema.
01:34Mas você, num determinado momento da sua vida, da sua vida literária, você embarcou na literatura infantil.
01:44Inclusive, por favor, pegue o livro e mostre o livro para as pessoas.
01:48Está aí.
01:49Um livro, o Tapete de Zezé, que é um texto para crianças.
01:57Existem dois Pedros, ou é um Pedro só?
02:00Existe o Pedro Nunes, que escreve para adultos, e um outro transmutado, que escreve para crianças?
02:07Ou é o mesmo Pedro?
02:09Eu vou aproveitar para dizer que o Pedro é o mesmo.
02:14O Pedro que vocês viram no programa anterior, estava com a mesma camisa e a mesma dificuldade de falar que
02:22este Pedro aqui está.
02:24O que acontece é que eu sou pai, desde 1989.
02:31Eu sou pai do grande amor da minha vida, que é Mariana, Mariana Matos Nunes, que você conhece.
02:37Muito bem.
02:38E que você apadrinhou, acolheu num determinado momento e fez tanto pela vida dela.
02:46Mariana, eu me sentia devedor de uma história para Mariana.
02:53Uma coisa que pouca gente sabe, o Grijó, e eu vou contar uma história aqui que me incomodou muito,
02:59que certa feita eu estava falando no Sesc e alguém, num determinado momento, falou assim,
03:06Pedro Nunes, a ninhanha é um grito dos excluídos?
03:12E eu pensei, meu Deus, o que fazem com os livros da gente, né?
03:15Claro.
03:16Eu disse, não, eu não escrevo com esse objetivo de escrever, eu não escrevo panfletariamente.
03:26Até porque a ninhanha foi um livro escrito na minha casa, no calor da minha casa,
03:36fizesse calor, refrescava-se a minha casa, fizesse frio, me aquecia, sentindo o cheiro da janta,
03:45sentindo com um copo de água à minha disposição.
03:48E a segunda versão do Aninhanha foi escrita muitas vezes com o grande amor da minha vida,
03:55Mariana, sentada no meu colo.
03:57Eu, meio de lado, ela sentada e eu escrevendo aqui, com Mariana do meu lado.
04:03Então, tanto que o livro é dedicado à Mariana, minha filha.
04:07Mas eu devia, e me tornei mais devedor ainda, porque em 95 eu participei de um projeto chamado
04:15Escritor na Cidade.
04:16É um projeto muito legal da Biblioteca Nacional.
04:19E eu viajei para uma cidade chamada Baixo Guandu, a cidade quadrada, é uma cidade planejada,
04:25muito quadrada.
04:27E eu dormi lá, porque no dia seguinte eu falaria com alunos de uma escola.
04:31Qual não foi a minha surpresa quando cheguei à escola, em saber que falaria para meninos
04:38de 8 a 11 anos?
04:40Imagine o aperto que eu passei.
04:43Em princípio, eu disse, não há a menor condição de eu falar com essas crianças.
04:49Mas eu tinha que dar prosseguimento ao projeto e entrei na sala.
04:54Era para ficar 50 minutos, eu fiquei mais de duas horas.
04:59Não porque eu estivesse falando coisas interessantes, mas porque as crianças estavam interessadas.
05:05Porque as crianças me provocaram, me levaram a falar.
05:09E eu disse assim, peraí, se essas crianças, que são tão honestas, porque não existe nada
05:15mais honesto que uma criança, que são tão honestas, tão íntegras, estão aceitando
05:21a minha maneira de falar, é sinal que eu tenho uma pegada para falar com elas.
05:27Mas isso ainda demorou muito tempo, isso ainda demorou uns 15 anos.
05:33Na metade dos anos 2005, por aí, Luiz Guilherme e eu criamos uma coleção chamada Memória
05:43Capixaba.
05:43Eu lembro disso.
05:45Nós fizemos quatro itens, né?
05:46E com dois documentários, inclusive, documentários bem rudimentares que a gente mesmo montou,
05:54eu e Luiz, lá em casa, com esses recursos todos que o computador tem.
05:58E um dos livros que eu escrevi foi uma pesquisa sobre a igreja de Nova Almeida, a igreja de
06:04residência Reis Magos.
06:05Que me encantava, porque eu convivia com Nova Almeida durante 10 anos.
06:09Eu ia muito a Nova Almeida, porque meus sogros moravam lá.
06:14E eu acabei me interessando em contar para jovens a história da igreja de Nova Almeida.
06:22E como efeito colateral dessa pesquisa, uma pesquisa diletante, nada de muito profunda,
06:28não.
06:28Eu acabei escrevendo o meu primeiro livro.
06:32Ia falar nele agora.
06:33É, infantil, que é a pulga e o jesuíta.
06:37Essa capa aqui já é a capa da segunda edição.
06:40Eu escrevi esse livro em 2010, e saiu muito espontaneamente, embora eu tenha feito aí
06:48umas três versões dele, e eu o inscrevi no concurso de literatura infantil-juvenil
06:53da Seculte aquele ano.
06:54E ganhei.
06:56E ganhei.
06:57Então você vê que a minha suspeita, fundada lá em 95, ela já tinha algum fundamento.
07:05A de que eu talvez tivesse uma pegada para me aproximar dessa geração de leitores.
07:10E o fato de o livro estar na segunda edição, demonstra bem isso, que de certa forma eu acertei.
07:16Mas eu sempre disse que o escritor é um trabalhador a serviço da palavra, a serviço da história.
07:28O escritor de ficção, ele está a serviço da história.
07:32Ele tem dinheiro onde a história está.
07:34Ou deixar se conduzir pela história que um dia chegou e se acomodou no seu inconsciente
07:40de alguma forma.
07:41E foi o que aconteceu com a pesquisa sobre Nova Almeida.
07:47Eu imaginei um índiozinho que se apaixonou pelo trabalho, pela construção da igreja.
07:55E eu não fiz uma mentira histórica, porque a história revela que os índios brasileiros,
08:05eles ficaram, estou falando dos outros, porque os outros foram todos decapitados
08:10por aquela gente brava toda.
08:12Mas os índios brasileiros não.
08:13Os índios brasileiros, eles ficaram absolutamente seduzidos pelo homem branco.
08:20Embora o homem branco tivesse trazido a eles um grande mal,
08:24que é a questão de acabar com a cultura deles, impor a cultura própria,
08:29inclusive a cultura mística, a cultura religiosa.
08:33Eles tinham um certo encantamento pelos jesuítas.
08:37Então, no meu livro infantil, que é um livro que teria que ter,
08:41não teria que contar com esse drama da relação de imposição cultural dos portugueses sobre os índios,
08:49havia essa sedução.
08:51E o índiozinho se aproximou de um padre, desejou se aproximar de um padre,
08:57para saber o que estava acontecendo lá dentro.
08:59Porque, ao mesmo tempo que tinha a sedução, tinha o receio.
09:02Tinha o receio.
09:05E aí, acontece a gente, com aquele recurso da magia, que nós temos na literatura,
09:11de um índio transformar-se numa pulga e alojar-se na barba do jesuíta,
09:16e poder, então, ver de perto e testemunhar a admiração do jesuíta,
09:20que era a minha própria admiração pela Igreja de Residência Reis Magos,
09:24que é uma das igrejas jesuíticas mais importantes do Brasil.
09:29É uma das mais importantes do Brasil.
09:31Eu trouxe até um livro, esse livro fala sobre isso.
09:35Esse livro aqui é o livrinho que eu escrevi sobre a Igreja de Residência Reis Magos.
09:39Ele teve como efeito colateral a pulga e o jesuíta.
09:44Agora, se você quiser que eu conte ainda a história de O Tapete de Zezé,
09:48O Tapete de Zezé é o meu livro mais franco sobre mim.
09:53Também autobiográfico?
09:54Sim, é o mais franco sobre mim.
09:56Porque no menino, eu minto, o menino que tem lá no romance não sou eu.
10:02Eu era um menino muito alegre, muito arteiro, muito impertinente.
10:06Era a palavra que minha mãe usava em relação a mim.
10:09Porque eu era muito curioso, eu queria saber tudo.
10:11E tudo tintim para o tintim, um verso com história pela metade que eu não aceitava.
10:16E nós recebemos na nossa casa há uns anos, em 2014, por aí,
10:22uma menina chamada Pietra, que é amiga da minha família, né?
10:27E ela, na cozinha, um dia tomando café comigo, ela me disse assim,
10:32Você, escritor, me conta uma história.
10:35E eu, então, contei a história do Tapete de Zezé para ela,
10:40me lembrando da minha doce Zezé, que foi a minha segunda mãe, né?
10:43Prima da minha mãe, que ajudou a me criar.
10:46Uma pessoa dulcíssima, que me contava a história, que lia para mim, né?
10:50E lembrei também que mamãe, para nos acalmar, a todos os filhos, homens e mulheres, tá?
10:55Ela ensinava certos trabalhos manuais.
10:59E um dos trabalhos que eu gostava de fazer, eram aqueles tapetes de amarrar tiras de panos,
11:05todas as cores, em saco de estopa.
11:07Aquilo sossegava a minha mãe, sossegava nós próprios, né?
11:10Então eu aproveitei para contar essa história,
11:15que é, na verdade, a história da formação de um leitor.
11:21Então é a minha própria história.
11:23É, uma coisa metalinguística, então.
11:24Por falar nisso, Pedro, olha só, quando se escreve para crianças,
11:30é preciso ter uma linguagem mais direta.
11:34Sim.
11:34Crianças exigem, né?
11:37Se você ficar elaborando muita metáfora, você pode confundir a criança.
11:41Sim.
11:43Eu pego esse gancho para perguntar a você, você não se aventurou na poesia?
11:49Não existe um Pedro Nunes poeta?
11:53Existe um Pedro Nunes poeta.
11:55Eu comecei, na adolescência, até como um subterfúgio para encantar as meninas, né?
12:05A escrever poemas.
12:07Os poemas eram horrorosos, né?
12:09Mas elas...
12:10Mas as meninas não sabiam disso.
12:11Não sabiam disso.
12:12E ser um poeta tem lá as suas vantagens, né?
12:17Ou intitular-se poeta, né?
12:18Sim.
12:19Porque a gente pode também intitular-se poeta, né?
12:21Eu acho que agora não mais, Pedro.
12:23Não.
12:23Eu acho que agora intitular-se rapper tem mais apelo.
12:27Mais apelo, é.
12:28Poeta é uma coisa meio piegas, uma coisa meio distante da realidade atual.
12:35É, slamba, né?
12:38É assim que se fala.
12:40Mas esses movimentos têm lá seus valores.
12:42Mas realmente, é...
12:45Eu, no meu site, tem uns poemas sensuais.
12:50Seus?
12:51Meus.
12:51Uns sonetos sensuais que eu publiquei na revista Você.
12:57E que foram até elogiados pelo Reinaldo.
12:59Ele o chamou de A Coisa Mais Pra Frente, que se escreve na província em matéria de soneto.
13:05Ótimo.
13:06É.
13:06E olha que Reinaldo é um sonetista de primeira linha, né?
13:09É um sonetista de primeira linha.
13:09É, só interromper rapidamente.
13:11O Pedro, aqui no nosso programa, o Pedro citou duas pessoas.
13:16Citou Luiz Guilherme, que se chama Luiz Guilherme Santos Neves.
13:20Um escritor que é meu ídolo literário, inclusive.
13:23E é de uma elegância literária que eu não vi em nenhum autor brasileiro nos últimos anos.
13:30E Reinaldo Santos Neves é irmão de Luiz.
13:33São dois extraordinários escritores.
13:35E são duas figuras que muito orgulham a literatura feita no Espírito Santo.
13:41Então, quando o Pedro se refere a Reinaldo e a Luiz Guilherme,
13:46ele está se referindo aos dois Santos Neves.
13:48que são tios de José Roberto Santos Neves,
13:54que foi o primeiro entrevistado do Vitrino Literário com o Francisco Lujó.
14:00Só para registro.
14:02Continue, Pedro, por favor.
14:03Reinaldo, então, falou que os seus sonetos eram sonetos...
14:06Sim, ele escreveu isso na revista Você.
14:10E para fazer um exercício de forma fixa,
14:14eu me aventurei também a fazer uma cestina.
14:16Uma cestina.
14:18Uma cestina sacra.
14:20A cestina é muito peculiar, porque as seis primeiras palavras, né,
14:25têm de se repetir em determinada ordem nas próximas cinco.
14:27E em ordem diferente, né?
14:28Diferente.
14:29Aqui não é loucura.
14:29Primeiro verso, segundo verso, terceiro verso.
14:30É uma loucura aquilo.
14:32Muito difícil.
14:32E depois...
14:32O que fazia grandes cestinas era Jorge Lima.
14:35Jorge Lima fazia coisas maravilhosas, né?
14:37Sem dúvida.
14:38E no último...
14:40Na última estrofe, você tinha que colocar essas palavras em 5, 10, 5, 10, 5, 10.
14:47Então, assim, eu escrevi essa cestina e foi publicada na revista Contexto também.
14:53Na revista do DLL, né?
14:54No Departamento de Línguas e Letras.
14:56O que eu produzi em matéria de poesia para o bem da humanidade.
15:00Porque eu não me vejo um bom poeta, não.
15:05Eu gosto mesmo de me espraiar, de me esticar um pouco, sabe?
15:10Inclusive para ler.
15:11Eu sou péssimo leitor de poesia.
15:13Mas há um dado interessante, né?
15:16Você escreve predominantemente romances.
15:19Mas você tem um livro de contos que está aqui, inclusive.
15:21Sim.
15:22Na última noite.
15:22Sim.
15:23Um livro de contos com uma capa belíssima e um texto.
15:26Eu não li todos os contos do livro.
15:28Li alguns deles.
15:29Gostei muito.
15:30Eu gosto muito que você escreve.
15:31Já te falei isso.
15:35Aventurar-se na história curta.
15:36Que tal?
15:39Cortázia dizia, né?
15:40Cortázia dizia uma frase que muita gente repete.
15:45Ele dizia que fazer literário é como uma luta de boxe.
15:52O conto vence o leitor por nocaute.
15:56Enquanto que o romance vence o leitor por pontos.
15:59E se por um acaso o romance não for bom ou os contos não forem bons,
16:06quem vai para a lona é o livro.
16:08Então isso aí é perfeito.
16:10Eu concordo com ele.
16:13Conto ou romance?
16:15O que que...
16:16Qual é a preferência de Pedro e por quê?
16:20Não, eu não tenho preferência não.
16:22Mas às vezes a história, ela não combina com outras, né?
16:27Então não dá para você ir fazendo o painel que o romance exige.
16:30Eu, tanto no Vilarejo quanto na Última Noite, que são meus dois livros de contos,
16:39eu me estiquei um pouco.
16:42Me estiquei um pouco porque eu precisava ser um pouco esticado.
16:46O grande mestre do conto para mim, Grijó, sem dúvida alguma, é Gui de Maupassant.
16:54É.
16:54Gui de Maupassant.
16:56Embora tenha outros contos que...
17:00Os contos são coisas que eu estou sempre lendo, pelo menos uma vez por dia eu leio um conto, né?
17:07No meu...
17:08Porque a minha principal atividade hoje é a leitura.
17:10Você sabe disso.
17:12Eu me dedico quase que integralmente à leitura.
17:15Então eu não tenho preferência.
17:17Quando eu começo, quando eu planejo alguma coisa, eu já planejo como uma novela, um romance ou um livro de
17:26contos.
17:27Eu estou escrevendo alguns contos para um volume que até já tem título.
17:32Chama-se A Extraordinária Decisão do Sr. Emerson.
17:36E eu estou tentando, nesses contos, ser o mais direto possível.
17:42É ser mais maupassantiano.
17:48Guardadas as...
17:49Respeitado o nome do grande contista mundial.
17:53Mas eu tenho buscado escrever contos mais curtos.
17:58Mais concentrados do que os contos que eu escrevi nesses dois livros.
18:05Para você ter ideia, a Deni chamou Vilarejo de conto esticado.
18:12Ela disse que não queria chamar de novela, porque estava num volume de contos.
18:16Então ela chamou de conto esticado.
18:18Então eu me sinto bem nas duas coisas.
18:22Quando eu escrevi o meu livro inédito, que se chama Ainda Uma Vez,
18:26que é um romance de 300 laudas, eu tive disciplina o suficiente para escrevê-lo.
18:32Eu escrevia todos os dias, de segunda a sexta, nesse horário, quatro até às seis horas.
18:39Eu não posso também escrever muito tempo por causa das dificuldades funcionais.
18:43Mas todos os dias eu escrevia, de segunda a sexta.
18:47E foi muito bom para mim.
18:49Eu sou muito disciplinado quando tenho de escrever.
18:51Tem uma preguiça atroz.
18:53Preguiça atroz.
18:55Normalmente, se eu não colocar uma meta, não sai.
18:58Porque eu sou preguiçoso, como todo artista.
19:02A alma é de preguiçoso.
19:04E graças a Deus por isso.
19:05Pedro, por falar nisso, por falar em produção literária,
19:12você é o dono e senhor, é o big boss do Tertulha.
19:18Tertulha.com.br, que é o mais importante site de literatura do Espírito Santo.
19:25Como é que nasce o Tertulha?
19:27Por que que ele nasce?
19:29E é fundamental a gente entender o seguinte.
19:33O Tertulha é um veículo de difusão literária.
19:38Ou seja, é um local que está aberto para difundir literatura.
19:43Assim como o Vitrilo Literária também difunde, o Tertulha faz o mesmo.
19:48Mas ele faz da forma escrita.
19:51Afinal, ele é um site.
19:54Como é que nasce o Tertulha e por quê?
19:58É uma necessidade, como é necessário o Vitrilo Literário?
20:03Sim.
20:05Só uma correção.
20:06O endereço é tertulhacapixaba.com.br.
20:11Já existia um site Tertulha.
20:12Então está aí escrito tertulhacapixaba.com.br.
20:17O nome é uma homenagem a Renato Pacheco,
20:20que chamava, porque é assim, os nossos encontros de Tertulhas.
20:27Tertulhas dos sábados, das quais você é um dos criadores.
20:31Encontros dos quais você é um criador.
20:35Em 2005, eu senti necessidade,
20:39vendo o avanço das facilidades oferecidas pela internet,
20:44eu falei assim, eu tenho como aproveitar esse recurso
20:49para ajudar a mim e aos meus colegas de ofício.
20:54Eu acho que eu tenho um negócio aqui nas mãos.
20:59Porque nós somos, de certa forma, o patinho feio das artes.
21:04A literatura é o patinho feio...
21:07Primo pobre.
21:07Primo pobre das artes.
21:09E eu vi no Tertulha, quer dizer, vi nesse recurso,
21:14uma forma de quebrar isso,
21:16de aproveitar essa facilidade, né?
21:21De aproveitar isso.
21:22Agora, eu estudei, então, um pouco de HTML.
21:27Estudei um pouco de HTML.
21:28E os programas disponíveis hoje são de uma tecnologia chamada
21:34What You See is What You Get.
21:38Ou seja, você faz uma coisa pela frente
21:41e o programa escreve o código no fundo.
21:45É impressionante.
21:47Como você faz...
21:49Você hoje não tem que saber aquela gama de códigos e sinais
21:54que é uma loucura para fazer um site.
21:56Ora, eu peguei a coisa, peguei o bonde na hora certa.
21:59E em dezembro de 2005,
22:03em dezembro de 2005, o Tertulha foi ao ar.
22:06Viu?
22:06No ano seguinte, eu fiquei surpreso
22:09com as milhares de páginas que foram acessadas.
22:13Eu falei, meu Deus, as pessoas querem, elas precisam,
22:16elas estão querendo.
22:18Agora, eu gosto de dizer, Grigó,
22:21que o Tertulha, ele é um esforço coletivo.
22:26Eu tenho a facilidade de ter os melhores amigos da cidade
22:32na realização do site Tertulha.
22:34Eu tenho inúmeros...
22:36Um dos quais é você, inclusive.
22:37Eu tenho inúmeros colaboradores que se unem a mim,
22:42nesse esforço de divulgação da literatura do Espírito Santo.
22:47Toda a despesa do site é paga por mim.
22:49Não é caro, uma vez que você saiba fazer aquela...
22:55Vamos dizer, a diagramação do site, a composição do site,
22:58a despesa é paga por mim.
23:00Assim como a despesa do site da Academia de Letras é paga por mim.
23:04Toda a despesa e a hospedagem são pagas...
23:08É bom lembrar que Pedro também...
23:10Por mim.
23:10É da Academia Espírito Santo de Letras.
23:12Sim.
23:12Esqueci de falar e colocar isso na sua biografia, mas também é.
23:15Não há nenhum problema.
23:16Eu sou acadêmico e a minha contribuição lá é na feitura,
23:21uma das minhas contribuições é na feitura do site.
23:24Eu assumo toda a parte de composição do site, revisão do site e também pago as despesas do site.
23:33É um esforço que a gente faz, né?
23:35E de muito... de forma muito prazerosa, né?
23:40Pra divulgar.
23:41Nós estamos fechando o programa.
23:43Uma pergunta pra terminar tudo.
23:45Onde está o leitor, Pedro?
23:48Onde está o leitor, cara?
23:50O leitor você encontra...
23:52Quando eu fui escritor residente da Biblioteca Pública,
23:54eu fiquei encantado com a quantidade de gente dos mais diversos lugares
24:01indo pegar livro.
24:02Por exemplo, eu fiquei encantado com uma menina de Nova Carapina
24:05indo pegar os irmãos Karamazov.
24:07Que... do seu ídolo Dostoiévski.
24:09Dostoiévski.
24:10Então, o leitor existe.
24:11O leitor existe, mas ele é exigente.
24:14Ele é exigente, ele precisa de livro bom.
24:16É preciso pensar nisso.
24:18Pedro, muito obrigado.
24:20Muito obrigado, meu.
24:21Tenho certeza de que todo mundo que vai assistir,
24:23que está assistindo, que está ouvindo,
24:26gostou também muito.
24:27Muito obrigado.
24:28Uma honra você ter vindo aqui
24:29a brilhantar o Vitrilo Literária.
24:32Imagina.
24:33É convidado pra uma próxima vez.
24:35Muito obrigado.
24:36Muito obrigado, Guijão.
24:37Muita gentilidade de vocês.
24:39Valeu, gente.
24:40Até a próxima edição do Vitrilo Literária com Francisco Guijó
24:43aqui na Rede Vitória, nos vários veículos.
24:46Um grande abraço a todos.
24:49Você ouviu o Vitrilo Literária com o professor e escritor Francisco Guijó.
24:55Tudo sobre literatura contemporânea.
24:57Temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
25:04Tchau.
25:05Tchau.
25:06Tchau.
25:07Tchau.
25:07Tchau.