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  • há 3 semanas
Artista plástico e ilustrador de textos literários, textos musicais, contos e poemas.

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Transcrição
00:01Vitrine Literária, com o professor e escritor Francisco Grijó.
00:06Tudo sobre literatura contemporânea.
00:08Temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
00:19Olá, pessoal. Mais uma edição, hein?
00:22Mais uma edição do Vitrine Literária com Francisco Grijó.
00:25Podcast e na página de vídeos do Folha Vitória.
00:29Olha, hoje nós vamos fazer uma discussão aqui bem interessante e quase que é uma discussão off-literatura.
00:38Mas, na verdade, não é off-literatura. Por quê?
00:41Porque a literatura sempre fez muito uso desse elemento desde que se começou a publicar textos literários,
00:51que esse elemento ajuda a literatura a contar uma história, ajuda a literatura a expressar a emoção,
00:58ajuda a literatura a expressar a subjetividade.
01:02Mas eu quero primeiro falar para vocês o seguinte.
01:07Um grande poeta do século XIX, francês, um dos pais, ou para muitos, o pai do simbolismo,
01:15chamado Charles Baudelaire,
01:17o Baudelaire dizia que existia uma correspondência entre as artes.
01:22Aliás, não só existia.
01:24Essa correspondência é quase uma obrigação na visão dele.
01:29Depois, outros poetas, como Mallarmé, como Lothré-Amont, levaram adiante essa teoria.
01:35Essa teoria das correspondências, em que ele dizia que a literatura,
01:39ela deveria se comunicar com a arte plástica e deveria se comunicar com a música.
01:44Bem, hoje o que a gente vai discutir aqui, vai conversar sobre esse assunto, esgotar,
01:51ou tentar esgotar esse assunto, é justamente essa correspondência entre texto literário e arte plástica.
01:59Nós já conversamos com o Vitor Nogueira, vocês devem se lembrar,
02:03ele e o Jorge Elias estiveram aqui, o Vitor é um fotógrafo.
02:06E o Vitor, a partir da fotografia, ele proporcionou que Jorge Elias escrevesse poemas.
02:18Mas agora vamos fazer o trabalho inverso.
02:21A partir de um texto literário, alguém vai e ilustra.
02:25Mas não é um ilustrador comum que está aqui.
02:28Quem está aqui é um dos maiores artistas plásticos do Brasil atualmente,
02:32chamado Jorge Solé, morador de Manguinhos,
02:35meu amigo há 30 anos, uma figura a quem eu admiro muito
02:39e que finalmente veio aqui ao Vitrino Literário
02:42para conversar sobre o trabalho de um ilustrador a partir de um texto literário.
02:48E eu levo uma pergunta para o Jorge,
02:52que é uma pergunta que eu sempre quis saber a resposta dela.
02:57Que é a seguinte, aqui está Jorge, primeiro eu apresento,
02:59Jorge Solé, essa grande figura,
03:03esse artista plástico de primeiríssima linha,
03:05que expõe em vários lugares do mundo.
03:07E a minha pergunta para o Jorge é a seguinte,
03:11escrever uma história parte da cabeça do escritor.
03:15Ninguém discute isso.
03:17Quando um ilustrador lê um texto de um escritor para ilustrar a obra,
03:24ele conta a própria história?
03:27Ou seja, a história que ele lê e que vai ilustrar
03:32pode ser diferente da história de um leitor
03:34ou da história do próprio escritor que conta?
03:36Pode.
03:37É a visão, na verdade, é até a visão do...
03:40Porque aí ele se torna um leitor, né?
03:42Ele vai ilustrar, a menos que tenha uma coisa específica, né?
03:45Mas ele se torna um leitor e faz a sua interpretação.
03:49Mas é um trabalho de interpretação ou de recontagem?
03:52Dos dois.
03:53Ele interpreta, ele lê, interpreta e reconta,
03:56mas não é uma coisa assim, é o pé da letra, não.
04:00Porque é até impossível, né?
04:03Mas ele se baseia no tema, nas figuras, enfim,
04:07e faz a sua leitura.
04:09Mas, por exemplo, o meu questionamento...
04:13Vamos imaginar, por exemplo,
04:14quando o Caribé fazia as ilustrações de Jorge Amado,
04:17eles conversavam.
04:19Sim.
04:20Tudo bem.
04:20Eles conversavam, eles trocavam essa ideia.
04:22Não, essa intimidade existe, claro.
04:25Mas obrigatoriamente?
04:28Não, obrigatoriamente não, mas geralmente existe,
04:30porque você não vai...
04:31Eu vou ilustrar a sua obra, claro,
04:33eu sou seu amigo, eu te conheço,
04:34vamos sentar e vamos discutir.
04:35Olha, eu vou tratar tal tema,
04:37o que você acha?
04:39De botar uma lua nele,
04:40ah, uma lua fica legal, entendeu?
04:42Então, tem muito isso.
04:44Agora, um estranho,
04:45só quando é um artista de, enfim,
04:47um alemão que publicou aqui,
04:49a editora de chumbo,
04:50mas mais ou menos ela dá uma linha.
04:53Certo, mas aí essa recontagem
04:54passa a não depender só de você.
04:57Sim.
04:58Depende também do autor com quem você está
05:00trocando ideias.
05:01Sim, claro, claro.
05:02Então não existe uma autonomia, não?
05:04Eu acho que nesse aspecto muito pequeno,
05:07mas tudo bem, é uma outra...
05:08A verdade é que sempre é uma outra leitura.
05:11Que, por exemplo, vamos lá,
05:12uma história infantil,
05:14tem um macaco na história,
05:15aí o ilustrador põe o macaco dele,
05:18então o leitor vai dizer,
05:21ah, olha o macaco,
05:23a chita aqui, não é?
05:24O chita aqui e tal.
05:25Então tem isso também.
05:27Mas aí, ah, mas eu pensei que fosse assim,
05:28porque todo mundo,
05:30quando lhe é descrito um personagem
05:32sem imagem,
05:33você formula na sua mente,
05:35evidentemente,
05:36o desenho e o personagem.
05:38Aí quando você tem uma amostra dele,
05:40que não é bem ele,
05:41porque não foi o autor que fez,
05:43então você vai ter uma imagem,
05:45diz, pô, era esse,
05:46ah, mas esse macaco não é o...
05:48O do Grijó é o do Solé,
05:50mas está legal,
05:51parecido com o meu ou não.
05:53É, frequentemente,
05:54quando alguém lê um livro
05:56e depois vai assistir
05:57a um filme baseado nesse livro,
05:59uma das primeiras críticas
06:03gira em torno justamente de,
06:05poxa, o cara fez um personagem
06:07que não tem nada a ver
06:08com o que eu imaginava.
06:09Exatamente.
06:09Mas eu acho que aí
06:10é que está a beleza da coisa.
06:11Claro, é uma outra...
06:13Mas é uma outra leitura.
06:14Isso acontece também com a ilustração.
06:16Isso também acontece,
06:17é uma outra leitura,
06:18de uma segunda leitura
06:20de um mesmo tema.
06:22Certo, certo.
06:22Entendeu?
06:23Certo.
06:23E o, por exemplo, a capa.
06:25Vamos à capa.
06:26A capa é uma coisa,
06:27eu vinha pensando agora
06:28quando vim para cá,
06:28quando surgiram as capas
06:30coloridas no Brasil.
06:32Antigamente quase tudo
06:33era brochura escura,
06:34aquelas brochuras feias,
06:36até bonitas,
06:37assim como clássica,
06:38mas sem atrativo.
06:39Quando surgiu essa onda
06:40de ilustração bem grande
06:42no Brasil,
06:42que surgiram inclusive
06:43os cartões de felicitações
06:46alegres, diferentes
06:47do tradicional Feliz Natal,
06:50surgiram também
06:50as capas de livro.
06:52Eu acho que isso aí
06:52inclusive alavancou
06:54a venda,
06:56porque realmente
06:57é bonita,
06:58é fascinante a capa.
06:59É, sem dúvida.
07:00A capa é a primeira coisa
07:01que se vê, né?
07:02Exatamente.
07:03É a primeira coisa.
07:03Olha, é o grijó,
07:04o cara é bom,
07:05mas olha que capa bonita.
07:06É.
07:07É verdade.
07:08Então desperta uma colher...
07:09Aquilo ali é uma tampa
07:10do baú, né?
07:11Você prefere...
07:12Você já ilustrou
07:14histórias infantis
07:14e já ilustrou
07:16histórias de adultos.
07:17Sim.
07:18O universo infantil
07:19é mais rico?
07:20O universo infantil
07:21é mais lúdico, né?
07:22Porque vale tudo, né?
07:24E aí a sua capa
07:25se torna lúdica também?
07:26Também.
07:26Ou ela tenta
07:27representar isso aí?
07:28É, também.
07:29Aqui, por exemplo,
07:30eu trouxe até
07:30um livro infantil.
07:32Olha aqui.
07:32É, quem está ouvindo
07:33no podcast
07:33não pode ver,
07:35infelizmente,
07:35mas quem está assistindo
07:37pelo YouTube
07:38pode ver.
07:39Então,
07:39essa capa,
07:41a Joania Faceira, né?
07:42Foi uma das minhas
07:43primeiras livros infantis.
07:45Mas os adultos...
07:47A poesia também,
07:48que eu gosto muito
07:49de ilustrar poemas.
07:51Eu acho poemas
07:52o máximo,
07:52que o poeta realmente
07:54é alguém mais lúdico
07:55até, né?
07:56Mais hilário.
07:57Então, o poeta,
07:59ele dá uma margem maior.
08:03Numa simples poesia,
08:04você faz só uma gravura,
08:06por exemplo,
08:07e fala muito daquilo.
08:09É, na semana passada,
08:10nós estivemos aqui
08:10com o Marcos Tavares,
08:12e o Marcos leu,
08:13inclusive,
08:14alguns poemas aqui.
08:16A poesia,
08:17ela tem uma...
08:18Ela tem uma capacidade
08:21lúdica
08:21e também tem uma capacidade
08:25de...
08:26retirar o indivíduo,
08:28né?
08:28Do chão dele.
08:29Sim.
08:30Coisa que a prosa
08:30é mais difícil de fazer,
08:32porque a prosa
08:33tem que contar uma história,
08:34mas a poesia,
08:34ela é mais volátil,
08:36ela é mais viajante,
08:38ela voa mais
08:39e assim por diante.
08:40Pegamos o manual de Barros, né?
08:42É, exatamente.
08:43É uma...
08:45Ilustrar a abstração
08:47não é muito difícil?
08:48Não, eu acho que é mais fácil.
08:50É mesmo?
08:50É.
08:51Porque você...
08:52É uma viagem, né?
08:54Vamos lá,
08:55retratar o Penedo,
08:57é aquilo ali,
08:58mais feio,
08:59mais bonito,
08:59mas é aquele monte ali.
09:01Agora,
09:02retratar,
09:03sei lá,
09:04uma poesia,
09:05não me veio agora nenhuma,
09:06mas retratar uma poesia...
09:07É um sonho.
09:07Retratar um sonho.
09:08É um sonho, pronto.
09:10A poesia é o sonho, né?
09:12E se torna a síntese
09:13de toda a literatura,
09:14na minha visão,
09:15modestia.
09:16É, porque o que você...
09:17O que o ilustrador faz
09:19é dar palpabilidade
09:21ao abstrato.
09:23Exato.
09:24Exatamente.
09:24Isso não é difícil?
09:26Olha,
09:27aí é o tal negócio,
09:27mas o ilustrador
09:29é 50% isso.
09:31Mas será que depende
09:32só do talento
09:33e da técnica?
09:35Não.
09:35Não é da sensibilidade, né?
09:36Não, acima de tudo
09:37da sensibilidade.
09:38A técnica você aprende,
09:40técnica não é difícil.
09:41Todo mundo...
09:42Se não todo mundo
09:43que era alfabetizado
09:43era escritor.
09:45Certo.
09:46Mas não.
09:47Então essas coisas...
09:48Até esse viés
09:49é interessante.
09:50Você que tem
09:53uma experiência grande
09:54nisso, eu também.
09:56Então quando eu vejo
09:56uma exposição de pintura,
09:58eu começo a ler um livro,
09:59eu já sei se o cara
10:01é bom ou ruim.
10:03Esse cara,
10:04por mais grandioso
10:05que seja,
10:06por mais perfeito
10:07que sejam as cores,
10:08por mais perfeito
10:09que sejam os personagens,
10:11por mais bem escrito
10:12que ele descreva alguém,
10:14mas ele não tem
10:15aquele algo mais.
10:17O que é uma ilustração ruim,
10:19Jorge?
10:19É uma ilustração...
10:21É, é uma pergunta
10:22difícil de responder.
10:23É difícil de responder,
10:24mas...
10:24Para você,
10:24para a sua visão,
10:26o que é uma ilustração ruim
10:27e, em contrapartida,
10:29o que é uma ilustração boa?
10:30Uma ruim,
10:31a princípio,
10:32ela não te diz nada, né?
10:33Não é a questão
10:34de bem feito ou mal feito, não.
10:36Claro que o cara
10:37tem que ter algum talento, né?
10:39Mas aí você olha
10:39e não...
10:41Mas aí não depende
10:42da subjetividade, não?
10:43Sua?
10:44Olhar para uma ilustração
10:45e dizer,
10:46isso não me diz nada,
10:47não é uma visão pessoal sua?
10:49Não.
10:50Aí também,
10:51tem aquilo que eu gosto
10:52e aquilo que eu não gosto.
10:53é outra coisa.
10:53Certo.
10:54São coisas diferentes.
10:55São coisas diferentes.
10:56Mas uma péssima ilustração,
10:57você olha, né?
10:59O cartaz, por exemplo,
11:00é muito...
11:02É muito...
11:03É direto nisso.
11:04É um soco, né?
11:05O cartaz é um soco.
11:06É um só.
11:07Então, quando ele está mal feito,
11:10você olha e diz,
11:11pô, que propaganda idiota,
11:13que cartaz feio, né?
11:14E quando ele é bom, não.
11:16Pode ser pequenininho,
11:17pode ser grande,
11:17não importa o tamanho.
11:18As pessoas são muito ligadas
11:20em volume.
11:21Um livro de 10 mil páginas
11:23ou de 50
11:25não difere muito em qualidade.
11:27Se ele é bom,
11:27ele é bom com 50
11:28e se ele é ruim,
11:29ele é ruim com mil.
11:31Dez volumes ruins,
11:33porque são ruins.
11:34E a ilustração se pega muito por aí.
11:36Agora, tem claro que a história
11:37nos deu
11:39grandes e maravilhosos ilustradores, né?
11:43O francês que ilustrou
11:45toda aquela gama
11:46das fábulas do La Fontaine.
11:50O Gustavo do Rê é fantástico.
11:52O Gustavo do Rê é sensacional.
11:52É um estilo,
11:54não é?
11:54É um estilo,
11:55mas é fantástico.
11:56O inferno dantesco dele lá
11:58é maravilhoso.
11:59Beleza, espetacular.
12:00Você é um homem de esquerda,
12:01certo?
12:02Você é um homem de esquerda.
12:03Sim, sim.
12:04Aliás, uma das coisas
12:05que nos tornaram amigos
12:07foi essa identificação.
12:12A literatura,
12:13a literatura que traz
12:14um trabalho progressista,
12:17sem ser profetário,
12:18a boa literatura
12:19que discute questões sociais,
12:21ela é mais querida pra você?
12:26Você se sente mais à vontade
12:27por trabalhar
12:29uma temática mais social?
12:31Porque, por exemplo,
12:32deixa eu só complementar.
12:34Porque, pra quem não sabe,
12:35Jorge tem um trabalho com jazz
12:38muitíssimo interessante.
12:40Depois ele pode até mostrar pra gente.
12:41O Jorge,
12:43que é um grande apreciador
12:44do gênero musical jazzístico, né?
12:47Do jazz,
12:47ele ilustra a partir
12:50do músico
12:52e a partir
12:52do tema.
12:56Ou seja,
12:57ele se sente à vontade com isso, né?
12:58A minha pergunta
12:59literária agora,
13:01não musical,
13:02você se sente mais à vontade
13:04com textos
13:05com os quais você se identifica
13:07politicamente?
13:09é uma linha muito mais próxima
13:12daquilo que você pensa.
13:13Não que eu não goste
13:16ou não absorva
13:18alguma coisa de linha diferente.
13:21Tem até uma crítica mais
13:23forte, mais contundente,
13:25mas aquilo que te identifica,
13:26aquele mundo que você vive mais,
13:28aquelas pessoas que você convive mais
13:30por ordem,
13:32não de partidária,
13:33mas de ideológicas,
13:35digamos assim,
13:35é muito mais próximo
13:37a você, né, cara?
13:38Mas e o profissional
13:39Jorge Solé?
13:41O profissional Jorge Solé
13:42ilustraria
13:43um livro
13:44de direita?
13:47Dependendo,
13:48dependendo.
13:49Um escritor de direita...
13:49De um autor de direita?
13:50Não, um autor de direita
13:52que não seja pragmático,
13:54que não seja incisivo
13:55naquela coisa,
13:56com toda a certeza.
13:57Escrever o romance,
13:59sei lá,
13:59A Dama das Camélias
14:00ilustraria,
14:01sem problema.
14:01Você ilustraria
14:02um livro de José Sarney?
14:03José Sarney,
14:04mas José Sarney,
14:05eu...
14:06Marimbônos de fogo.
14:07Marimbônos,
14:08o que eu nunca vi.
14:09Eu vi,
14:09eu vi uma vez.
14:10Nunca li,
14:11eu já folhei.
14:12Eu não vi.
14:12Então eu desconheço
14:14aonde estão
14:15esses marimbônos.
14:16Até tenho medo
14:17que marimbônos de fogo
14:18não lembro de fogo.
14:19Tem dois...
14:20Esse é um livro
14:21tão estranho,
14:22esse eu tenho.
14:23Consegui,
14:23foi o famoso
14:25Ulisses do Joyce.
14:27Quase ninguém conhece
14:28todo mundo.
14:29Ah, o Joyce,
14:30mas nunca li.
14:31Muita gente,
14:31isso aí é um fato,
14:32muita gente que
14:34aprecia Joyce
14:35leu, na verdade,
14:36outros.
14:36Leu Dublinenses,
14:38leu Retrato do Artista
14:39quando jovem,
14:40que é um livro
14:41extraordinário.
14:41Eu fui ler Joyce
14:43com mais de 30 anos
14:44e tive muita dificuldade.
14:47Muita,
14:47levei anos para ler.
14:48Eu compreço
14:48que ainda tenho.
14:50É um livro difícil.
14:51Eu comprei, achei,
14:51eu vou comprar porque...
14:53Mas ninguém tem.
14:54E aí você lê,
14:54não é, não li.
14:56Mas tem.
14:57Não li, mas tem.
14:57Não, mas tem.
14:58Mas eu tentei,
14:59estou nessa mesma passagem,
15:00estou com muito mais dificuldade
15:02e eu gostaria de ilustrá-lo,
15:04por exemplo.
15:05Seria interessante,
15:06que é muito difícil.
15:07Mas é um projeto interessante,
15:09é uma ideia muito interessante.
15:10porque eu não conheço
15:12nenhuma ilustração
15:15a partir de Ulisses.
15:17Não, eu também não.
15:18Não conheço.
15:18Isso é um trabalho
15:19bem interessante.
15:20Bem interessante.
15:21Se algum patrocinador
15:23estiver nos ouvindo
15:25e quiser discutir
15:27o assunto com o Jorge...
15:27Estamos abertos,
15:29vamos até nós dois discutir isso.
15:31É bem interessante,
15:31bem interessante isso mesmo.
15:33Então, o Joyce
15:34é uma figura interessante,
15:36é difícil, né?
15:36Porque tem umas coisas
15:38que já estão muito na...
15:40Digamos assim,
15:41no mental das pessoas,
15:42Aluno.
15:43Tipo o Dante.
15:45Não.
15:46O Dante é mais fácil,
15:47porque tem o que nós comentamos,
15:50tem o Dali,
15:51tem uma obra fantástica,
15:52que aliás,
15:53está no Brasil.
15:54É nossa.
15:56Ah, é?
15:56É.
15:57Por incrível que pareça,
15:58em Goiás.
16:00Olha só.
16:01É.
16:01Porque eu te conto
16:02até a história depois.
16:03Então, esses são...
16:04Mas agora,
16:05essas figuras que nunca foram tocadas,
16:08tipo o Ulisses,
16:09o Joyce,
16:10enfim,
16:11é um desafio.
16:13É um desafio brilhante, né?
16:17O que você ilustrou
16:18de literatura do Espírito Santo?
16:20Ah, do Espírito Santo,
16:21muita gente.
16:22Você tem algum exemplo
16:22para mostrar para a gente?
16:23Eu tenho.
16:24Cotaché,
16:24do Adilson.
16:24Cotaché do Adilson.
16:26Para quem não está vendo,
16:28o livro se chama Cotaché,
16:30de um autor chamado
16:31Adilson Vilaça,
16:32que eu espero que aceite
16:33o convite de vir aqui.
16:34Porque ele está em Colatina,
16:35né?
16:36Aqui está o livro dele,
16:37Cotaché.
16:38A ilustração é sua?
16:40Lua.
16:40Interno e externo.
16:41Interno e externo.
16:42Nós discutimos
16:43o que vai lá dentro.
16:44Como é que foi isso aí?
16:45Vocês conversaram?
16:46Conversamos.
16:46Você é Adilson?
16:46Muito, muito.
16:47Ele falou,
16:48ó, eu gostaria de...
16:49que a gente, né?
16:51Eu tenho um tocador de flauta,
16:53então põe ele aí.
16:54Tem um morro
16:55que fica perto da cidade,
16:56tem a cavalaria
16:57que está saindo aqui,
16:58então,
16:59o cara,
17:01o personagem
17:01que usa um casaco preto,
17:03está no livro.
17:04Ou os meus estimados vivos,
17:05sim,
17:05aí já é mais lúdia.
17:06Esse eu tenho.
17:07Esse você participou.
17:08Eu tenho o Cotaché também.
17:09Esse você participou dele,
17:11me apresentando no Nejar,
17:13né?
17:13É, verdade.
17:14Dentro da livraria.
17:15Dentro da livraria,
17:15o Nejar.
17:16E daí saímos da liga,
17:17que isso aqui foi um projeto
17:18audacioso,
17:19porque era papel de lixo,
17:20né?
17:20Então,
17:21ele é todo,
17:22ele é todo ilustrado,
17:24né, Didi?
17:25de...
17:25Então,
17:26aí a poesia te ajuda
17:27a fazer coisas
17:28das mais diversas,
17:29né?
17:30É verdade.
17:30Deixa eu mostrar aqui
17:31para quem está,
17:31para quem está nos vendo,
17:33meus estimados vivos,
17:35Carlos Nejar,
17:36para quem não sabe,
17:36é um dos grandes poetas brasileiros,
17:38foi presidente da Academia Espírito,
17:39da Academia Brasileira de Letras,
17:41é um poeta de,
17:43desde os anos,
17:44final dos anos 50,
17:46até hoje,
17:46é um indivíduo que está,
17:48que está na ativa,
17:50tem um trabalho muito interessante
17:51com o Oscar Gama,
17:52bem interessante,
17:53que eles estão fazendo um trabalho
17:55sobre a nova,
17:56a nova onda poética brasileira,
17:58e universal,
18:01e é esse livro aqui,
18:02Meus Estimados Vivos,
18:03Carlos Nejar,
18:04com ilustração de Jorge Soler.
18:07Então,
18:07essa aqui é uma ilustração
18:08para quem está nos vendo
18:10pelo YouTube,
18:12não pelo podcast.
18:15O que mais que você ilustrou?
18:18Ah, eu ilustro,
18:19sim,
18:19a Dilso,
18:21o Marcos,
18:22Marcos Berge.
18:23Marcos Berge,
18:24sim.
18:25Fiz um livro...
18:25Marcos Berge é ótimo.
18:26É um cara que eu gostaria
18:28de trazer aqui também,
18:28está meio sumido, né?
18:29Eu tenho contato dele.
18:30Eu tenho contato dele também,
18:31mas ele está sim.
18:33É, de vez em quando
18:34ele aparece no escritório,
18:35o escritório é o centro da praia, né?
18:37É verdade,
18:38o centro da praia.
18:39É um cara que,
18:40não sei por que parou, né?
18:43Falei,
18:43pô, cara,
18:43não para de escrever, bicho.
18:45É.
18:46Você fez umas exposições
18:48fora do Brasil atualmente, né?
18:49Fiz, fiz.
18:50Onde?
18:50Na Alemanha.
18:51Fiz na Alemanha.
18:52Fiz quatro exposições na Alemanha.
18:55Quadros e não ilustrações.
18:56Não.
18:57Exposições,
18:58ilustração.
18:59Fiz exposições
19:00em várias cidades de...
19:05hoje o nome da maior,
19:06mas fiz em várias cidades.
19:07A Alemanha tem muita cidade,
19:08muita pulveridade,
19:09muito legal,
19:10o público muito...
19:12e a imprensa lá é diferente daqui.
19:14Cada cidadezinha daquelas
19:15tem o seu jornal
19:16que é frequentado,
19:17que é lido, né?
19:19Interessante isso, né?
19:20Aqui nos interiores
19:21é um sofrimento,
19:22o cara que tem o jornalzinho, né?
19:25Mas lá é muito comum.
19:26Me diz uma coisa,
19:27o que que faz
19:29o ilustrador Jorge Solé
19:32querer ilustrar um livro?
19:33Aí é uma coisa interessante.
19:35O problema é o seguinte,
19:36a obra de arte,
19:37a obra grande,
19:39fica guardada em algum acervo,
19:41em alguma sala,
19:42quando não é pública, né?
19:44Fica guardada
19:45na sua sala de estar,
19:46enfim.
19:47E a ilustração,
19:49a gravura e o livro,
19:51eles são...
19:53são centenas.
19:54Eu tenho...
19:56incluindo, claro,
19:57gravuras de livros,
19:59eu tenho 37 mil gravuras
20:01no mundo todo,
20:03contando ilustrações de livro,
20:05quer dizer,
20:05eu não teria 37 mil
20:07obras de arte.
20:08É,
20:09porque uma das coisas
20:10que valoriza a obra de arte
20:11é a sua unicidade.
20:13Exato.
20:14A ilustração,
20:15quando você coloca num livro,
20:17se você tiver 5 ilustrações
20:18no livro,
20:19e o livro tiver
20:2110 mil exemplares...
20:22São 5 vezes 10 mil.
20:23Né?
20:235 vezes 10 mil.
20:24Ou seja,
20:25a ilustração,
20:26ela se...
20:28ela se volatiliza, né?
20:30Ela se...
20:30Exatamente.
20:31Ela se expande.
20:32Viaja.
20:32Mas aí a pergunta é,
20:33ela não perde valor?
20:35Não.
20:36O valor artístico dela?
20:37Não,
20:37tá ali no livro,
20:38tudo bem.
20:39Tem gente,
20:39eu conheço muitas pessoas,
20:40nesse meu estimado vivo,
20:42em outras obras,
20:43que os caras recortaram,
20:45as pessoas recortaram a folha da ilustração
20:48e amolduraram,
20:49quer dizer,
20:50virou um quadro.
20:51Mas não é a obra original?
20:54Não,
20:54a obra original é outra história.
20:56A original tá com você?
20:57Sim,
20:57umas estão comigo,
20:58outras eu vendi,
20:59enfim,
20:59tem um,
21:00aí tem um outro balanço.
21:01mas estão lá,
21:02né?
21:02É uma gravura,
21:04transforma-se,
21:06virou gravura,
21:07né?
21:07Interessante isso,
21:08é curioso.
21:09É,
21:09porque essa ideia
21:11de só existir um,
21:13dá um grande valor,
21:15né?
21:15Sim,
21:15aí é uma...
21:17Eu tenho o primeiro,
21:18né?
21:18E faz,
21:19inclusive,
21:20com que a arte,
21:21com que a arte plástica,
21:22principalmente,
21:24ela não consiga ser mensurada,
21:25com o que ela vale realmente.
21:26Não dá pra saber.
21:27Não.
21:27O que uma arte vale?
21:28O que um quadro vale?
21:29Quanto vale a Monalisa?
21:31Quanto vale o afresco
21:34da Capela Sistina?
21:35Pois é.
21:35Quanto vale?
21:36Não é só o valor histórico.
21:37Não,
21:38claro.
21:39É o valor,
21:40é o valor,
21:41é um valor que não é palpável.
21:43Não,
21:44não tem a Capela Sistina,
21:46pela sua imensidão,
21:47enfim,
21:48que que vai,
21:49vai,
21:50que preço,
21:51que valor,
21:51é um,
21:52é um,
21:53um,
21:53um ícone da humanidade.
21:55E ponto final.
21:56Ponto final,
21:57acabou.
21:57Sim,
21:58aí quando você ilustra,
22:00você pega a obra de arte
22:02e você populariza.
22:04Sim.
22:05Não no,
22:05no melhor sentido que a palavra tem,
22:07não.
22:08Sim.
22:08É,
22:08você populariza no sentido de que
22:10ela vai para o,
22:11impressa e,
22:12dali,
22:13ela se expande e acabou.
22:15eu,
22:16eu,
22:16a minha pergunta é,
22:18você não acha realmente que,
22:21perde,
22:22perde a força,
22:23que a obra de arte tem?
22:24Eu acho que pelo contrário,
22:25quanta gente que me encontra,
22:28uma coisa que,
22:30determinado,
22:30claro,
22:30com 37 mil gravuras,
22:33é,
22:34puxa,
22:34eu não te conhecia,
22:35mas,
22:35olha,
22:35eu tenho uma obra sua,
22:37ou num livro,
22:37ou numa gravura que eu comprei assim,
22:39a sábado,
22:39quer dizer,
22:40ó,
22:40muitos me mandam,
22:41aí eu te falo,
22:42me manda,
22:42então aí manda lá na sala,
22:43às vezes uma sala modesta e tal,
22:45mas está lá,
22:45uma gravura,
22:47um,
22:47enfim,
22:48é moldurada lá,
22:49então isso é grandioso,
22:50porque você,
22:51afinal de contas,
22:52a arte não é,
22:53não é eletizada nem para o,
22:54não é no tempo do rei,
22:55não é no tempo do papa,
22:56enfim,
22:57não,
22:57é para todos,
22:58então o cara tem,
22:59ah,
22:59não posso ter original,
23:00não,
23:00eu tenho uma coleção muito grande de livros de arte,
23:04quer dizer,
23:04eu não tenho nem o original daqueles caras,
23:05mas eu tenho todos lá,
23:07o Picasso eu tenho toda a obra deles,
23:08dali,
23:09enfim,
23:09então está lá,
23:11os que eu consegui ver em alguns museus,
23:13eu fui lá,
23:14pô,
23:14que legal,
23:15ao vivo é mais interessante,
23:17sem dúvida,
23:18mas eu tenho ele lá,
23:19quando eu quero ver,
23:20eu procuro lá,
23:21as de Moselle,
23:23enfim,
23:24e tem,
23:25e o Picasso fez muita gravura também,
23:28eu tenho até um livro dele que é histórico de gravuras,
23:31que ele publicou sobre a infanta Dona Inês,
23:35se não me engano,
23:36e o contexto do Dominguinho,
23:38o Toreiro,
23:39muito interessante,
23:40livro de espanhol,
23:42tem o desse,
23:43do Segal,
23:44o Segal publicou um álbum,
23:46só uma pena,
23:47que foi só um álbum de gravura em 47,
23:49ou 49,
23:50que depois foi reeditado,
23:52e nessa única reedição,
23:54eu tive a chance de comprar,
23:56ótimo,
23:57então,
23:57é uma coisa maravilhosa,
23:59quer dizer,
23:59você tem gravuras,
24:00para folhar bastante,
24:01para olhar,
24:02enfim,
24:03nosso tempo acabou,
24:05é moleque,
24:06não,
24:06mas olha só,
24:07eu quero que você diga para o espectador,
24:09quem quiser conhecer seus quadros,
24:12quem quiser conhecer os livros que você ilustrou,
24:16como é que as pessoas fazem para encontrar a obra de Jorge Soler?
24:19Bom,
24:20as obras que,
24:21porque eu fiz muito álbum,
24:24esses na minha mão sempre,
24:26e eu que vendo,
24:26enfim,
24:28mas se acha,
24:29existe algum site?
24:30Não,
24:31eu tenho o site,
24:32eu tenho sim,
24:33esse,
24:35Facebook?
24:36Facebook,
24:37se encontra,
24:37então a pessoa procura Jorge Soler no Facebook,
24:40e entra em contato com você,
24:41contato comigo,
24:42tranquilo,
24:42a gente conversa,
24:43troca ideia,
24:44enfim,
24:44maravilha,
24:45Jorge,
24:45meu irmão,
24:46muito obrigado,
24:46obrigado a você,
24:47foi um prazer enorme conhecer,
24:49valeu mesmo,
24:50a gente tem dificuldades,
24:51não é cara,
24:51mobilidades do mundo,
24:53valeu,
24:53valeu mesmo,
24:54valeu você,
24:55semana que vem,
24:56mais uma edição,
24:58do Vitrino Literário,
24:59com Francisco Grijó,
25:00muito obrigado mais uma vez,
25:02por sua paciência,
25:03valeu,
25:04obrigado Jorge,
25:05grande abraço,
25:05pelo qual.
25:07Você ouviu,
25:09Vitrine Literária,
25:10com o professor e escritor Francisco Grijó,
25:13tudo sobre literatura contemporânea,
25:16temas,
25:16autores,
25:17obras,
25:18debates,
25:19análises,
25:20curiosidades,
25:21e bate-papo,
25:22com autores e editores.
25:25E aí

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