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  • há 4 horas
O episódio final da série 1961 relembra o retorno de João Goulart ao país, a ascensão e a queda do regime parlamentarista e a influência americana para um Golpe Militar no Brasil.
Transcrição
00:28A CIDADE NO BRASIL
00:30A CIDADE NO BRASIL
01:18Durante aqueles dias e noites de preocupações e incertezas,
01:21o Congresso discutia a emenda à Constituição
01:25em sucessivas sessões que se prolongavam noite adentro.
01:30Já pisava solo brasileiro vice-presidente da República
01:33quando então declarou que chegava decidido a cumprir seu dever
01:37para fazer cumprir as leis da Constituição.
01:41Estava chegando ao ponto culminante a crise criada
01:44com a renúncia do Sr. Gianni Quadros.
01:53Ele chegou no fim da tarde, assim, à noite,
01:56o Baixado Lopes, o Brizola, levou ele para a sacada,
02:00onde o Brizola falava para o povo lá na frente.
02:03Tinha uma multidão, estava lotada a praça que o Jango tinha chegado,
02:07era o novo presidência.
02:14E aí ele não fala, ele só abanda para o povo.
02:17Aí a multidão gritando,
02:19fala, fala, fala,
02:22e ele não falava.
02:24E aí que foi essa reação incrível.
02:26Eu nunca vi uma Havaia tão unísona,
02:31tão forte, tão violenta.
02:49O povo já percebeu que ele estava aceitando o parlamentarismo.
02:54e tinha a ordem do Tancredo
02:59para ele não fazer nenhum discurso
03:03antes de chegar a Brasília,
03:06que ele não podia fazer declaração nenhuma.
03:11O povo entendeu aquele aceno do João Goularty
03:16e queimou as faixas.
03:18A Praça da Matriz, de fronte ao Palácio,
03:20estava cheia de faixas.
03:22Queimou todas as faixas.
03:24que falavam no Jango Goularty.
03:27Inclusive algumas fotografias imensas
03:30do João Goularty, do Brizola,
03:33do Hélio Carlo Manho,
03:34que era presidente da Assembleia Legislativa,
03:36que tinha se solidarizado com a posição do governador.
03:40O Brizola ia com o Jango descendo das escadas.
03:45E aí esse cara, esse doutor Roberto,
03:49que era um cardiologista que tomava conta do Getúlio,
03:56que botava remédio na boca do Getúlio,
04:00ele partiu para cima do Jango,
04:05segurou o Jango aqui pelas golas do paletó
04:10e sacudia o Jango.
04:13Tu não vai trair doutor Getúlio, filha da puta!
04:19O Jango Goularty e o Brizola assistindo,
04:23de uma certa maneira, aprovando o ato do tal médico.
04:29O Jango Goularty faz um manifesto à nação,
04:34que é um manifesto dúbio,
04:36bem característico do Jango Goularty,
04:39conciliador de um lado,
04:40e que dá a impressão de que ele aceita o parlamentarismo.
04:43O Hamilton Chaves,
04:44que era o secretário de imprensa do Brizola,
04:48faz assim, rasga, rasga isso.
04:50E eu peguei e rasguei o manifesto do Jango.
04:53Talvez não houvesse nenhuma cópia.
04:55Bom, o Jango Goularty vem lá da residência do governador,
05:01que fica nos fundos do Palácio do Governo.
05:03É a primeira vez que ele fala com os jornalistas
05:06e vem ao nosso encontro pedindo desculpas
05:09por não ter se encontrado conosco.
05:12O Jango Goularty era muito hábil nessa história
05:15de pedir desculpas.
05:16Aí eu peço a palavra e digo,
05:18não, o senhor está aceitando o parlamentarismo.
05:22Ele disse, não, eu não aceitei o parlamentarismo ainda.
05:26João Goulart aceitou tomar posse
05:30com o sistema parlamentarista,
05:35o que pode ser considerado
05:37aceitar a diminuição dos seus poderes.
05:42Mas deixando outros.
05:44Era um semi-parlamentarismo
05:45que o Congresso vota,
05:47porque já havia uma emenda parlamentarista
05:49de um deputado, inclusive, do Rio Grande do Sul,
05:52Raul Pila, que era um parlamentarista.
05:55E essa emenda,
05:56feita pelo Congresso,
05:58progride rapidamente.
06:27A CIDADE NO BRASIL
06:35No dia da votação do plenário,
06:38Mazili manda me chamar lá para o plenário,
06:41para o gabinete dele.
06:42Nós estamos convidando você aqui ao Mino.
06:44Vai começar a votação, a votação, a votação.
06:48E como que fazer o apelo se o senhor
06:51assumisse nesse instante
06:53a votação da maioria?
06:55Eu dei a seguinte resposta.
06:58Eu estou absolutamente convencido
07:00que isso é um golpe de Estado.
07:03E eu não posso aceitar,
07:05na minha juventude,
07:07trair-me o que eu penso.
07:10Juscelino presente.
07:12Convidado para ali para a mesma coisa,
07:14porque ele ia votar contra.
07:17Ele disse,
07:18e eu, Mazili, devo dizer o seguinte,
07:21se o Almino não pode
07:23abrir mão da sua juventude para o tempo,
07:26eu não posso abrir mão
07:28de toda a minha vida política
07:29neste instante desfazendo o que eu penso.
07:32Eu voto contra.
07:34E fui para o plenário e votou.
07:35Uma coisa, uma tensão que você pode imaginar.
07:38Nós derrotados,
07:39porque eu já sabia contar, gente.
07:40E é aprovado, então, o parlamentarismo.
07:43Penso que nós deveríamos exigir
07:46a posse do presidente com todos os seus poderes.
07:49E, se necessário,
07:51convocar a eleição de uma constituinte
07:53para restaurar a Constituição.
07:56Mas eu não crio dificuldades.
08:00Eu vou começar por pedir licença e ir dormir,
08:02porque eu, no mínimo,
08:05três ou quatro noites eu não durmo.
08:07Eu estou realmente exausto.
08:08e, embora discordante,
08:12eu não quero criar dificuldades.
08:14Eu lhe passo, neste momento,
08:16todas as minhas funções.
08:18Eu compreendo a sua posição,
08:22mas eu quero deixar clara a minha discordância.
08:26Eu acho que esse Congresso violou a Constituição.
08:28Até os opositores ao Brizola
08:31tinham ficado silenciosos,
08:34ou seja, num acatamento
08:37às convocações que o Brizola tinha feito.
08:40Mas eu, hoje,
08:42com a experiência histórica que eu tenho,
08:46com os anos,
08:48eu acho que a solução do parlamentarismo
08:49evitou a guerra civil
08:51e foi a melhor solução para aquele momento.
08:54Olha, muita gente acha que foi fraqueza.
08:56Eu acho que foi habilidade política.
09:00Ele se aproxima, nesse sentido,
09:03ele se aproxima mais de Tancredo
09:05do que de Brizola.
09:18Resolvi,
09:19mercê de Deus,
09:20a crise político-militar
09:21que impedia a guerra civil
09:23neste país que estava na Eminência.
09:25Eu levei meses recolhendo tropas, quartéis.
09:28Havia trincheiras abertas
09:30nos centros das grandes capitais do país
09:32e foi possível que a nação retomasse
09:36o caminho da sua normalidade democrática.
09:41Reduziu o número de pessoas na praça,
09:44mas continuou o movimento ainda,
09:46porque o Jango ficou vários dias aqui,
09:47quatro ou cinco dias só,
09:49depois que ele vai para Brasília.
09:52Quando já está acertado
09:53o que o Jango aceita,
09:55e, portanto, já está marcado a data,
09:58já os ministros militares dando
10:00nota pública de que respeito
10:02à decisão do parlamento,
10:04chega em meu gabinete um jovem,
10:07sargento da aeronáutica.
10:10Nós temos os elementos absolutos
10:13de que está sendo tramada
10:15a derrubada do avião do presidente.
10:18a Operação Mosquito
10:20dá os detalhes de como estava sendo feito
10:23e que, portanto, nesse quadro,
10:25eles, sargentos,
10:27não tinham como impedir.
10:30Chamei imediatamente três deputados.
10:33Vão em meu nome,
10:34ou mas ele, dizer o que eu acabo de dizer,
10:37eu não posso ir lá.
10:37Foram.
10:39Quando chegaram lá,
10:40mas ele sabia já.
10:41Era verdade.
10:43Era verdade.
10:44E naqueles momentos chegaram
10:46os três ministros militares
10:48para confirmar ao Masili
10:51a história.
10:53Não é terrível isso?
10:54Aí o general Geisel,
10:57chefe da Casa Militar
10:59do presidente da República,
11:00do Masili,
11:02se os militares,
11:03os oficiais,
11:05puderam montar
11:07um esquema
11:09para sair do chão
11:10para derrubar o avião,
11:12eu suponho
11:13que nós podemos desmontar.
11:16Parece inacreditável.
11:17É mais ou menos isto
11:18que ele diz lá.
11:20O Marechal Denis
11:21entra em cena e diz
11:22é real.
11:24No limite do que o senhor fala,
11:26é real.
11:27Nós podemos conter.
11:28O Ernesto Geisel
11:29foi fundamental
11:32como chefe da Casa Militar,
11:34que tinha muito prestígio
11:35naquela época
11:36e muito poder
11:36para desarmar os aviões.
11:39ou seja,
11:40para impedir
11:40a Operação Mosquito.
11:42Bom,
11:42mas mesmo assim,
11:44o Caravelle da Varig,
11:46que era o único avião a jato
11:47no país,
11:50decola
11:50de Porto Alegre
11:51levando João Goulart
11:53com as luzes apagadas.
11:56Era tenso o clima
11:57em Brasília
11:58no dia 5 de setembro.
12:00Manchetes alarmistas,
12:03boatos pouco tranquilizadores
12:04cercavam a chegada
12:06do senhor João Goulart.
12:10Durante 5 horas,
12:12o presidente Masili,
12:13em companhia do senador
12:15Moura Andrade,
12:16ministro Barros Barreto,
12:17senador Gilberto Marinho
12:19e outras autoridades,
12:21aguardava a chegada do presidente.
12:22Esta é uma grande hora
12:25para a nação brasileira
12:27de afirmação democrática,
12:29de compreensão
12:30de todas as suas forças vivas
12:33e especialmente
12:34de grande colaboração
12:37destas gloriosas
12:39forças armadas do Brasil.
12:40Vossa Excelência
12:41está vivendo
12:42um momento histórico
12:43na vida nacional.
12:44É o último presidente
12:45nesta fase
12:46presidencialista do Brasil.
12:48Logo mais
12:49teremos o primeiro
12:50presidente
12:50no regime parlamentarista.
12:52Vossa Excelência,
12:54eu perguntaria agora
12:55ao legislador
12:56Ranieri Masili,
12:57acredita no êxito
12:58do regime parlamentarista
12:59em nossa terra?
13:01Acredito,
13:01sobretudo,
13:02no gênio político
13:03dos brasileiros
13:04que deram ainda agora
13:06a grande demonstração
13:07de sua capacidade
13:09de adaptação.
13:10Aqui se acham
13:11a aeronáutica
13:13e o exército brasileiro
13:14unidos ambos
13:16no respeito
13:18à legalidade,
13:19no cumprimento
13:20dos nobres deveres
13:22que a nação lhe entregou.
13:25A altas horas da noite
13:26chega o avião
13:27que conduziu
13:28o senhor João Goulart.
13:30Os 400 deputados
13:32e senadores,
13:32juntamente com
13:34o ex-presidente
13:34Juscelino Kubitschek,
13:36que desde a tarde
13:37aguardavam a chegada,
13:39compunham
13:39a compacta
13:40massa humana.
13:41Nem se deu posse,
13:43nem se rejeitou
13:45inteiramente o Goulart.
13:46Apenas se mudou
13:48a Constituição,
13:49foi um golpe branco,
13:51mudou-se a Constituição
13:52para que o Goulart
13:54se tornasse presidente
13:55sem poderes.
13:57Então,
13:59aparentemente
14:00estava resolvido
14:01o problema,
14:01mas não estava.
14:02não estava,
14:03porque aquilo
14:04é apenas uma trégua.
14:06E o meu propósito
14:07é ter a minha visita
14:08a essa sala,
14:09foi com o objetivo
14:10de vir trazer
14:11um abraço aqui
14:11e a minha saudação
14:13muito afetiva
14:14a todos os representantes
14:16da imprensa
14:17que se encontram
14:17nessa sala
14:18e trazer também a ele
14:20as minhas congratulações
14:21e os meus agradecimentos
14:22pela resistência heroica
14:25também da imprensa brasileira
14:26e especialmente
14:28dos que aqui estão
14:29na defesa intransigente
14:31das nossas instituições.
14:32Sei que os jornalistas
14:34constituíram
14:35uma das sentinelas
14:37mais avançadas
14:38nesta luta
14:39que empolgou
14:40todo o povo brasileiro
14:41no sentido
14:42da manutenção
14:43das leis,
14:44da ordem
14:44e da nossa Constituição.
14:46A todos os jornalistas
14:47o meu abraço
14:48e a minha gratidão,
14:50que é a gratidão
14:51de todo o povo brasileiro
14:52pela posição
14:53que tomou
14:55a imprensa brasileira
14:56em defesa
14:57da lei e da ordem.
14:58Já começaram
14:59as articulações
15:00para a formação
15:01do gabinete?
15:02Absolutamente
15:03nenhuma articulação.
15:04Primeiro reposo?
15:05A primeira articulação
15:06que eu fiz
15:06ao chegar aqui
15:07foi esse abraço
15:08que vim dar a vocês
15:08porque o resto
15:09foi uma conversa cordial
15:10uma conversa cordial
15:12com dois presidentes
15:12do partido
15:13sem entrar em detalhes
15:15nenhum a respeito
15:16e a composição
15:17do governo.
15:17E o compromisso
15:18perante o Congresso Nacional
15:19será mesmo
15:20no dia 7 de setembro?
15:22É amanhã
15:23que eu vou tratar
15:24uma bela data
15:24com o Congresso.
15:25Uma grande data
15:26nacional evidentemente
15:27mas eu não posso
15:28afirmar nada
15:28porque eu não combinei
15:29ainda com o presidente
15:31do Congresso
15:32não combinei
15:33nem com o Senado
15:34nem com a Câmara
15:34e só depois
15:35desse entendimento
15:36amanhã
15:36é que eu vou poder
15:37dizer o dia
15:38agora.
15:38Agora para as famílias
15:40que estão acompanhando
15:41esse documentário
15:41acha que no momento
15:43com a sua presença
15:44em Brasília
15:45voltou a tranquilidade
15:46a reinar
15:47na nação brasileira
15:48não há mais perigo
15:50de nada
15:51que possa
15:52entranquilizar
15:53as famílias
15:54de nossa terra?
15:55bom
15:56eu quando saí
15:57do sul
15:58ou melhor
15:59quando saí
16:00de estrangeiro
16:00para chegar
16:01no Brasil
16:01a fim de cumprir
16:03com os deveres
16:04que me são impostos
16:05pela Constituição
16:06trouxe no pensamento
16:08esse único propósito
16:09de tranquilizar
16:10as famílias brasileiras
16:11e de fazer
16:12com que o país
16:13voltasse
16:14a sua tranquilidade
16:16voltasse
16:17a lei
16:18ao respeito
16:19porque entendo
16:21que é somente
16:22dentro
16:23de um clima
16:24de tranquilidade
16:25de paz
16:26e de respeito
16:27às leis
16:27que o Brasil
16:28pode atingir
16:29os seus objetivos
16:30o senhor acredita
16:30no regime parlamentarista
16:32no êxito
16:32desse regime
16:33que se instala
16:34com a sua pessoa
16:35como presidente
16:36da república?
16:37basta que o regime
16:38parlamentarista
16:39traga
16:40essa paz
16:41e essa tranquilidade
16:42tão desejada
16:43pela família brasileira
16:44basta que traga
16:45um clima
16:46de desenvolvimento
16:47para o país
16:47e ele já terá
16:48prestado um grande
16:49serviço a essa nação
16:50para completar
16:51o presidente João Goulart
16:52será esta
16:53segundo sabemos
16:54a primeira noite
16:55que o senhor irá dormir
16:57algumas horas
16:57e tranquilamente
16:58palavra que será
16:59a primeira noite
17:00que até ontem
17:01os jornalistas
17:02que estavam em Porto Alegre
17:03são testemunhas
17:04disso
17:04passamos
17:05numa vigília
17:06típica
17:07durante a noite inteira
17:08principalmente
17:09quando tivemos notícia
17:10dos últimos acontecimentos
17:11que se verificavam
17:12na capital
17:13aqui em Brasília
17:13e de lá
17:14depois daquela coisa toda
17:16João Goulart
17:17imediatamente
17:17vai para o torto
17:18a casa
17:19que ele usava
17:20ele leva ali
17:21meia dúzia
17:22de lideranças
17:23das mais próximas
17:25ou das mais
17:26conceituadas
17:26tive a honra de ser
17:27ele começa a montar
17:29o gabinete
17:31a primeira foi
17:32logo
17:32o Tancredo
17:33era o óbvio
17:33ali
17:34tinha uma presença
17:35política
17:36que os outros
17:37não tinham
17:38e tinha sido
17:39emissário
17:40estava com trofo
17:43e almino
17:44é você
17:44eu quero que você
17:45seja o ministro
17:45da justiça
17:46você acredita
17:48eu fui líder
17:49da oposição
17:51a dozão
17:52do parlamentarismo
17:53como eu posso
17:54ser o ministro
17:55da justiça
17:55que precisa ter
17:56diálogo
17:57com todos
17:58entendeu
17:59eu deixei
18:00muitas arranhões
18:00eu tinha deixado
18:01mesmo
18:01essas coisas
18:02tem atrito
18:03não posso
18:05no dia imediato
18:06o senhor João Goulart
18:07chega a câmara
18:08dos deputados
18:09para as solenidades
18:10programadas
18:11para assinatura
18:12do termo de posse
18:22eu voltei
18:24para Brasília
18:25e tinha sido
18:26confirmado
18:27no gabinete
18:28que se
18:30criara
18:31né
18:31porque criou-se
18:33o regime
18:34parlamentarista
18:35né
18:35que tomou posse
18:37o primeiro
18:39gabinete
18:39chefiado
18:40pelo doutor
18:41Tancredo Neves
18:42esse gabinete
18:43tomou posse
18:45no dia 7 de setembro
18:46de 1961
18:48era o primeiro
18:50gabinete
18:51parlamentarista
18:52da história
18:52da república
18:53e era o gabinete
18:55de uma qualidade
18:56que hoje
18:57seria impossível
18:58de você montar
19:00no congresso
19:00para você ter ideia
19:01o primeiro ministro
19:03era o Tancredo Neves
19:05que tinha sido
19:06o último ministro
19:07da justiça
19:08do Getúlio
19:09quando Getúlio
19:10se suicidou
19:11o ministro
19:13da fazenda
19:14era o Walter Moreira Salles
19:15o ministro
19:17das relações
19:17exteriores
19:18era o Francisco
19:19Clementino
19:20de Santiago
19:21Dantas
19:22o ministro
19:23da indústria
19:25e comércio
19:26era o Ulisses Guimarães
19:27o ministro
19:28do trabalho
19:29era o André Franco
19:30Montoro
19:30e assim por diante
19:32então era um governo
19:34de primeiríssima ordem
19:35o problema
19:36era que
19:38quem é que acreditava
19:40que o parlamentarismo
19:42fosse para valer
19:43ninguém
19:44o Jean Goulart
19:46faz um discurso
19:48na posse
19:48dada pelo congresso
19:50não mencionando
19:51o Brizola
19:52que tinha de fato
19:54assegurado
19:55a ascensão dele
19:57à presidência
19:58da república
20:01se refere ao Masili
20:02que era presidente
20:04da câmara dos deputados
20:05que o tinha substituído
20:06A minha investidura
20:08embora sob a égide
20:10de um novo sistema
20:11consagra
20:13respeitoso acatamento
20:16à ordem constitucional
20:21Tudo fiz
20:23para não marcar
20:26com o sangue generoso
20:28do povo brasileiro
20:30o caminho que me trouxe
20:32à nova capital
20:33o caminho que me trouxe
20:35à Brasília
20:37Sabem os partidos políticos
20:40Sabem os parlamentares
20:42Sabem todos
20:44que inclusive
20:46por temperamento
20:47inclino-me mais
20:49a unir
20:50do que a dividir
20:52Prefiro
20:57Prefiro pacificar
20:59a acirrar ódios
21:01Prefiro harmonizar
21:03a estimular
21:05sentimentos
21:06Eu acho que foi
21:07um desrespeito
21:08histórico
21:09do João Goulart
21:11Mas foi
21:12uma forma
21:13dele
21:13serenar
21:14os chamados
21:15ânimos
21:15Que o Brizola
21:17com esse episódio
21:19da legalidade
21:20ficou marcado
21:21pela extrema direita
21:23brasileira
21:23e pelas forças armadas
21:25que sempre
21:26discordaram dele
21:28houve aquele
21:29aquela negociação
21:31ele assumiu
21:31daquela forma
21:33Acho que cometeu um erro
21:36que a partir de um certo
21:37momento
21:38tal era um ambiente
21:38público
21:39que era de correr
21:40algum risco
21:41Nós tínhamos
21:42limpado o Brasil
21:43de golpismo
21:46Não tinha ocorrido
21:47em 1964
21:51Quem sabe
21:51que avanços
21:52esse país
21:53teria dado
21:55no sentido
21:56democrático
21:57e das reformas
21:58sociais
21:59Éramos muito jovens
22:02Bisunhos
22:03de certa forma
22:04E não tínhamos
22:05ainda necessária
22:07consciência política
22:11Faltou
22:12naquele momento
22:13um grande chefe
22:15E nós tínhamos
22:17avançado
22:18contra todas
22:19as ignomínias
22:20que ocorreram depois
22:24Ele ligou
22:25dizendo
22:25que já estava
22:26mais tranquilo
22:27e que o avião
22:30iria nos apanhar
22:32na Espanha
22:33e que a gente
22:36ficasse preparado
22:38para voltar
22:39para o Brasil
22:39Foi muito engraçado
22:41esse avião
22:42Esse avião
22:43da Vale
22:44que fez um pouso
22:46especial
22:47com todos os passageiros
22:49dentro
22:49e o comandante
22:51lá falou
22:52Peço desculpas
22:54dos passageiros
22:55mas nós vamos
22:56agora
22:58fazer um pouso
22:59em Brasília
23:00para descer
23:01a primeira dama
23:02E eu fiquei
23:03com uma vergonha
23:03que eu não levantava
23:04Eu não levantava
23:06do banco
23:06do assento
23:07do avião
23:08e todo mundo aplaudindo
23:10e aí
23:10meu irmão
23:11levanta
23:12levanta
23:13e eu disse
23:14tá
23:14vamos embora
23:15então
23:15aí eu levantei
23:16agradeci para todo mundo
23:17que complicada
23:18essa viagem
23:21Todos concordaram
23:22de certa maneira
23:23em perigo
23:24o Jão
23:25houve exceções
23:27por exemplo
23:28o Castelo
23:29dizia o seguinte
23:30não
23:31vamos deixar ele assumir
23:32depois
23:34mais tarde
23:35conforme
23:35a conduta dele
23:38vamos derrubá-lo
23:39o Ricardo
23:40vai fazer
23:40uma coisa
23:41dessa
23:41o que acabou
23:42acontecendo
23:43Houve um veto
23:46dos três ministros
23:47militares
23:48à sua posse
23:49e em consequência
23:50da reação
23:51principalmente
23:53de Lionel Brizola
23:54no sul do país
23:55praticamente
23:56o país
23:57esteve
23:58à beira
23:59da guerra civil
24:00a tal ponto
24:01que foi necessário
24:03criar uma solução
24:05de emergência
24:06uma solução
24:07da
24:08o jeitinho
24:09brasileiro
24:09aqui
24:10o jeitinho
24:10político
24:11brasileiro
24:12que foi
24:12a solução
24:13dada pela saída
24:14do parlamentarismo
24:15então
24:16criou-se
24:17aquele
24:17parlamentarismo
24:18de emergência
24:19como uma saída
24:21honrosa
24:22ou desonrosa
24:23para os três
24:24ministros militares
24:26e o fato
24:27é que
24:28Goulart
24:29pôde assumir
24:30o poder
24:31como
24:32tendo ao seu lado
24:34um primeiro ministro
24:35e ele
24:36como presidente
24:37da república
24:37então
24:39começou
24:41começou
24:42o tempo
24:43de preparação
24:44para os 64
24:45entrou
24:46Goulart
24:47os militares
24:49os mais
24:50empedernidos
24:51não aceitaram
24:53essa
24:53solução
24:55ficaram
24:56com essa solução
24:57atravessada
24:58na garganta
24:59então
25:0064
25:01é uma
25:02certa
25:03continuação
25:03de 61
25:04é um pouco
25:06a forra
25:07de 61
25:08a forra
25:09da humilhação
25:10de 61
25:10no final
25:11do mês
25:12de setembro
25:1361
25:15houve uma
25:16ocasião
25:17que o
25:17Santiago
25:17Dantas
25:18ficou uns
25:19dias
25:20em Brasília
25:20o gabinete
25:21em Brasília
25:22era uma
25:23subchefia
25:24e o chefe
25:25e o chefe
25:25era o
25:26Mauri
25:26Gujal
25:26Valente
25:27casado
25:28com a
25:28Clarice
25:29Lispector
25:29o Mauri
25:30fez um
25:31jantar
25:32na casa
25:33dele
25:33ao Santiago
25:35Dantas
25:35para ele
25:35conhecer os
25:36membros
25:37do gabinete
25:38entre eles
25:39eu
25:39éramos
25:40poucos
25:40éramos
25:41quatro
25:41cinco
25:42e foi a
25:44primeira vez
25:44que eu encontrei
25:45o Santiago
25:45Dantas
25:47foi a impressão
25:48mais forte
25:49que eu tive
25:50em toda
25:50minha vida
25:51de uma
25:52inteligência
25:53em estado
25:53puro
25:54e de uma
25:55capacidade
25:55assombrosa
25:56que eu jamais
25:57encontrei
25:58em qualquer
25:58outra pessoa
25:59de
26:03externar
26:04com clareza
26:05com elegância
26:06com lógica
26:07o que ele
26:08pensava
26:09com frases
26:10definitivas
26:11definitivas
26:13quando terminou
26:14o jantar
26:14ele quis ouvir
26:16a opinião
26:17de cada um
26:17até a minha
26:18me lembro
26:18que até
26:19eu fiquei
26:19surpreso
26:20era um jovem
26:23insignificante
26:24no gabinete
26:25ele depois
26:26de ouvir
26:27ele resumiu
26:28tudo
26:28ele disse
26:30o seguinte
26:30olha
26:31vocês não
26:31se iludam
26:32nós conseguimos
26:34evitar o pior
26:34não houve derramamento
26:36de sangue
26:37mas nada
26:38se resolveu
26:39nenhum lado
26:40nenhum outro
26:41desistiu
26:43da conquista
26:45do poder
26:45porque a política
26:47brasileira
26:47no fundo
26:48se divide
26:49nessas duas
26:51vertentes
26:52os herdeiros
26:53do Vargas
26:54tanto conservadores
26:56do PSD
26:57como
26:58populistas
26:59trabalhistas
27:00progressistas
27:01do PTB
27:02comunistas
27:03etc
27:04de um lado
27:05e de outro lado
27:06os liberais
27:08os bachareis
27:10da UDN
27:11que querem
27:12uma economia
27:12liberal
27:13que foram
27:14contra o Estado
27:15Novo
27:16esses dois grupos
27:17são irreconciliáveis
27:19o lado
27:21que tomou posse
27:22tomou com
27:23os poderes
27:24diminuídos
27:25e vai querer
27:26recuperá-los
27:27o lado
27:29que perdeu
27:30não vai se
27:31conformar
27:32e eles
27:34vão
27:34continuar
27:35a procurar
27:37chegar ao poder
27:39como eles
27:39estão
27:40procurando
27:40há muito
27:41tempo
27:41agora
27:42como
27:43impedir
27:44que haja
27:45um novo
27:45choque
27:46e disso
27:47eu só
27:47vejo
27:48duas
27:48possibilidades
27:49a primeira
27:50é
27:52levar a sério
27:53o regime
27:54parlamentar
27:55e tentar
27:56fazer
27:57com que ele
27:57funcione
28:08o presidente
28:09da república
28:10realizou no palácio
28:11do planalto
28:12mais uma reunião
28:13ministerial
28:13durante a qual
28:14foram debatidos
28:15os problemas
28:16de maior urgência
28:17que afetam
28:17a presente
28:18situação do país
28:22os militares
28:23até agora
28:24toda vez
28:25que houve
28:26um impasse
28:26isso aconteceu
28:28em outubro
28:29de 1945
28:31quando eles
28:32derrubaram
28:33o Getúlio
28:33aconteceu
28:35em agosto
28:36de 1954
28:37quando o Getúlio
28:39se suicidou
28:40e voltou
28:41a acontecer
28:42agora
28:42cada vez
28:44que aconteceu
28:45um impasse
28:46os militares
28:47deram
28:48aos políticos
28:49e civis
28:50a sua chance
28:51houve a eleição
28:53em 1945
28:54elegeu-se
28:55o Dutra
28:56em 1955
28:59elegeu-se
29:00o Juscelino
29:01dessa vez
29:02mudou-se
29:03a constituição
29:04é um golpe
29:05a constituição
29:06mas
29:07o governo
29:09está aí
29:09constituído
29:10mas essa
29:11é
29:12talvez
29:13a última vez
29:14que eles vão
29:15deixar os civis
29:17terem essa
29:19possibilidade
29:20de governar
29:20então
29:21é preciso
29:22que os civis
29:23não
29:24é
29:27despendissem
29:27essa oportunidade
29:29eles precisam
29:31fazer funcionar
29:32o parlamentarismo
29:33agora é difícil
29:35porque
29:36para isso
29:36o maior
29:37interesse
29:38a pessoa
29:39que mais depende
29:40é o João Goulart
29:41e ele não quer
29:42ele já tinha anunciado
29:43e o Santiago
29:44dizia
29:45olha
29:45se não
29:46se fizer
29:47alguma coisa
29:48para
29:51restabelecer
29:52a constituição
29:54que já saiu
29:55muito abalada
29:56se não
29:58se conseguir
29:59travar
30:00a inflação
30:01nós vamos
30:02ter uma situação
30:03de crescente
30:07polarização
30:08e radicalização
30:09e cedo ou tarde
30:10o exército
30:11vai intervir
30:12e quando
30:13o exército
30:14intervir
30:14dessa vez
30:15não vai ser mais
30:17para convocar
30:17eleições
30:18eles vão ficar
30:19por muitos
30:21e muitos anos
30:22eles se prepararam
30:24eles acham
30:25que com a guerra
30:26fria
30:27a única maneira
30:28de consertar
30:29o país
30:30é eles assumirem
30:31diretamente
30:32não vão mais
30:33delegar isso
30:35a UDN
30:36a políticos civis
30:38vão ser eles
30:39que vão tomar
30:40os rumos
30:41no país
30:41e vai ser
30:42por muito
30:43tempo
30:43vai ser uma
30:44experiência
30:45que nós nunca
30:46tivemos na história
30:47e eu
30:49sentia que era
30:49verdade
30:50a única dúvida
30:52era saber
30:53quando ia acontecer
31:23isolado
31:24seremos esmagados, somemos nossos esforços, orientemos no sentido único a ação dos
31:32democratas para que não sejamos vítimas do totalitarismo. E é justamente para coordenar
31:41o pensamento e a ação de todos aqueles que não querem ficar de braços cruzados diante
31:47da catástrofe que nos ameaça, que é necessário criarmos um organismo novo, com uma mensagem
31:55nova para a nova realidade do Brasil de hoje. Temos uma finalidade básica, evitar que a
32:04difícil situação que o país atravessa venha a comprometer nossas instituições democráticas
32:11e tradições cristãs. O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais tem essas finalidades básicas.
32:21Seus objetivos são claros e definidos. A eles caberá executar um plano que leve a esses objetivos.
32:31Enquanto isso, o golpismo andando por toda parte.
32:52Depois houve uma campanha, um ano depois, para que se realizasse um plebiscito para dizer
32:58se o povo queria aquele regime ou não queria.
33:04Você que sabe que o presidente da república tinha direitos adquiridos pela constituição.
33:09Você que sabe que as regras do jogo foram mudadas depois da eleição.
33:14Você que está vendo que o parlamentarismo não funciona.
33:17Você que, como todo povo, logicamente é contra o ato adicional.
33:21Você que tem o direito de escolher o seu presidente e o seu governador.
33:25Você que não admite desrespeito à constituição.
33:28Não. Compareça dia 6 e marque não.
33:31Não. Não. Não. Não. Não.
33:33Nós da oposição também diremos não.
33:37Nós também teremos o nosso candidato à presidência da república e ao governo dos estados.
33:43Nós temos a obrigação de votar.
33:45Votar para mudar.
33:47Nós também participaremos da vida da nação.
33:51Acima dos partidos.
33:52Acima da confusão.
33:54Acima da inflação.
33:55Contra a situação.
33:57Contra a abstenção.
33:58Dia 6.
33:59Com a cédula na mão, nós da oposição diremos não.
34:07Vem gabinete, cai gabinete, sai gabinete.
34:10Ele levando aquelas responsabilidades, se desgastando.
34:13Mas veio o plebiscito e retomou muita força.
34:16De cada 10 pessoas, 9 votaram pela derrubada do parlamentarismo.
34:22E o presidente João Goulart recuperou os seus poderes.
34:26Eu e minha mulher devemos ter sido os dois únicos votos na sessão que votamos em Brasília a favor do
34:34parlamentarismo.
34:35Eu votei a favor do parlamentarismo, porque eu estava convencido que o presidencialismo ia levar ao golpe militar, como levou
34:43efetivamente.
34:44E temos a volta do presidencialismo.
34:50E a experiência parlamentarista foi muito ruim.
34:54E algo interessante é que o grupo empresarial que tinha apoiado a eleição do Jânio
35:07foi o mesmo que depois apoiou a volta do presidencialismo para Jango.
35:17Porque, como todo empresário e comerciante, eles preferiam um governo com o mínimo de estabilidade e a tal segurança jurídica
35:30para os negócios
35:32do que aquela história do parlamentarismo que nem bem começou, já cai o primeiro gabinete, depois cai o segundo.
35:42Ou seja, essa incerteza política não interessava aos setores empresariais, aos setores da alta finança, dos proprietários de terras, etc.
35:57E acho que o governo Jango foi um governo com um perfil, para a época, bastante progressista.
36:03Porque ele coloca na ordem do dia a luta pelas reformas de base, a reforma estrutural da sociedade brasileira.
36:11Então isso é muito significativo, com ênfase para a questão da reforma agrária.
36:15E aí há, digamos, uma ação violentíssima dos grandes proprietários de terra, dos latifundiários.
36:19Ele levanta o problema da nacionalização de setores vitais, a nacionalização de empresas de petróleo, que tinham no Brasil, que
36:27eram particulares.
36:29Uma atitude firme de defesa da soberania nacional.
36:32Ele tentou fazer um primeiro governo construtivo, moderado, de centro.
36:38Entregou a pasta da fazenda ao Santiago Dantas e a pasta do planejamento aos céus furtados.
36:45E eles tentaram, mas duraram seis meses apenas, porque já a essa altura o país estava dividido.
36:53Ou seja, havia uma enfermecência generalizada na sociedade.
36:59E o crescimento do PTB, o PTB estava ameaçando os dois grandes partidos, PSD e UDN.
37:10Tinha crescido muito mais.
37:14E tudo isso estava aparecendo de uma maneira ameaçadora para a direita,
37:24para todo um movimento que já se estabelecera no Congresso,
37:33na divisão entre a Frente Parlamentar Nacionalista e a Ação Democrática Nacional.
37:41E diante do sucesso da Revolução Cubana.
37:47Naquela época da Guerra da Fri, eles não têm terceira posição.
37:51Ou somos nós, ou somos os outros.
37:54Ou vocês estão conosco, ou estão contra nós.
38:10O ano de 61 marca o apogeu da Guerra Fria.
38:15É o ano da construção do Muro de Berlim.
38:18É o símbolo mais poderoso da divisão do mundo, da Guerra Fria.
38:24A União Europeia apresenta o Big Picture.
38:30Um reporte oficial produzido por as forças armadas e o povo americano.
38:36E nessa época, tudo, e em qualquer país do mundo,
38:40os acontecimentos eram vistos pelo prisma da Guerra Fria.
38:45Hoje em dia, você não compreenderá certas reações dos americanos
38:50se não levar em conta que eles viveram obcecados com essa ideia.
38:56Não havia nem a mais remota hipótese de um governo progressista
39:01assentar raízes na América Latina.
39:05Todos que tentaram foram derrubados.
39:09A única exceção foi a Revolução Cubana.
39:12E os americanos nunca se perdoaram de ter deixado a Revolução Cubana.
39:22Presidente, o que é a sua visão da interferência
39:27na interna política política de Brasil
39:30de Castro em enviar um mensagem de encorajamento
39:35para os elementos de leftistão?
39:38E o que é a sua visão da situação?
39:41Eu acho que é uma questão que deve ser levada para o povo de Brasil.
39:44É a sua país, a sua constituição, a sua decisão, a sua governo.
39:48E eu confiante que eles vão resolver o problema
39:54themselves, sem exigência de qualquer país.
40:11A discrepância do que os americanos disseram de público
40:15e do que, na verdade, eles discutiam entre eles.
40:31Mas é claro que eles apostavam
40:33se pudesse para que ele não tomasse posse.
40:37Aquela mudança não era bem-vinda.
41:08A CIDADE NO BRASIL
41:10Amém.
41:40Amém.
42:11Amém.
42:40Amém.
42:55As coisas estavam acontecendo.
42:57Ninguém sabia exatamente,
42:59não havia muita clareza.
43:01Eu acho que isso cria
43:03um verdadeiro nevoeiro.
43:06É o fog of war.
43:10Mas essa crise
43:12daquela época não terminou.
43:14Não terminou.
43:16Mas o que a mim espanta mais
43:18é que dias depois disso
43:20há uma conversa
43:23no salão oval
43:24da Casa Branca.
43:25Meses depois.
43:27Aí está o John Kennedy,
43:30o Lincoln Goddard,
43:32e eles todos
43:34estão convencidos naquele momento
43:36que o Jango
43:38tem que ser derrubado.
43:43Não teria havido
43:45o golpe sem eles.
43:46Eles, desde cedo,
43:47falaram no golpe.
43:50Incentivaram, estimularam,
43:51encorajaram o tempo todo.
43:54Deixaram claro
43:55que iam dar um apoio econômico maciço,
43:58que, se fosse preciso,
44:00daria um apoio militar.
44:01Quer dizer, mais do que isso,
44:03é uma intervenção clara
44:05na história brasileira.
44:07É uma intervenção clara.
44:09Porque isso é que marca
44:10o século XX brasileiro.
44:12Até hoje, essa coisa de polarização,
44:16de certa maneira,
44:17é herdeira disso.
44:18era muita coisa.
44:21Era muita coisa.
44:21Quer dizer, reformas de base no país
44:24que atingiam até os sargentos.
44:30Movimentação no campo.
44:35A hostilidade aos Estados Unidos,
44:39e, aí sim,
44:41a política externa independente,
44:44abertura para a Ásia,
44:45abertura para a África.
44:47O caldo de cultura política
44:50já era muito,
44:53muito mais fervente
44:55do que tinha sido no começo
44:58do governo Jânio Quadros.
45:01estava em curso,
45:02há muito tempo,
45:03o golpe militar.
45:05O golpe que eles tentaram
45:07contra o presidente Getúlio Vargas
45:09e não conseguiram.
45:10Tentaram contra o presidente Jango
45:13na crise da legalidade e não conseguiram.
45:15Mas essa coisa vinha articulada
45:17e vinha articulada
45:18com o apoio
45:18do imperialismo norte-americano.
45:21Tanto assim,
45:23que mandaram para cá
45:24os chamados corpos da paz.
45:27Na época, era um movimento
45:28que tinha do governo norte-americano
45:30que eles mandavam representantes
45:32dito de uma política de solidariedade,
45:36mas, na verdade,
45:37a grande maioria
45:37eram agentes da CIA.
45:39Tanto que os livros falam,
45:41no mínimo,
45:42de 1.500 agentes da CIA
45:43no meio desses tais corpos da paz.
45:46Então, era, digamos...
45:48E havia uma articulação política
45:50para o golpe.
45:51Tanto que houve a marcha
45:53com Deus pela liberdade
45:56e o tal do padre Peito,
45:58que era um norte-americano
45:59que veio para o Brasil
46:00para fazer a campanha.
46:00Ou seja, a coisa estava toda articulada.
46:02Se isso não bastasse,
46:04o imperialismo norte-americano
46:06manda exatamente um avião,
46:10um porta-aviões,
46:11que fica lá no Nordeste,
46:13na altura do Rio Grande do Norte,
46:15para dar apoio ao golpe,
46:17se fosse necessário,
46:18inclusive com a eventual intervenção.
46:20Eles não chegaram a intervir
46:21porque não foi preciso, né?
46:23O Lincoln Gordon diz isso, sabe?
46:25Tem um telegrama dele,
46:26e já nas primeiras horas,
46:28o dia 31,
46:29o dia 1º,
46:30é um telegrama secreto,
46:32que diz assim,
46:33Branco, que é o Castelo Branco,
46:35me disse que não precisa mais
46:37da nossa ajuda.
46:38Eles tomaram o rio.
46:40He took rio.
46:41Quer dizer, eles tomaram o rio.
46:43He doesn't need us anymore.
46:46Então, quer dizer,
46:48na verdade não precisou,
46:50mas eles estavam lá.
46:52A esquadra estava viva, né?
46:55Eles não eliminavam a hipótese
46:57que se fosse preciso eles iam entrar, né?
47:00Como entraram depois
47:02na República Dominicana.
47:03O presidente João Goulart
47:06vai para o Rio Grande do Sul,
47:08e me lembro quando o presidente
47:10do Senado, na época,
47:14ele declara que o presidente da República
47:17estava fora do Brasil,
47:18portanto, o cargo estava vago.
47:20Um absurdo completo.
47:21Não tinha nada a ver com qualquer golpe.
47:23Ali era a formalização do golpe.
47:41Houve também muita imprudência, né?
47:45Do lado do Goulart, entende?
47:47Que é qual é a correlação de forças, né?
47:51E o problema ainda não é moral,
47:53não é de saber quem tinha razão,
47:55se as reformas eram boas
47:57ou não eram boas.
47:58O problema é o seguinte,
48:00o Jango e o Brizola
48:02tinham força para isso?
48:05Não tinham.
48:06Eu tenho uma admiração pelo Jango,
48:08entende?
48:08Falha ali, falha com lá,
48:10mas em muitas coisas ele foi forte.
48:12Foi forte.
48:13Ele não tinha uma certeza de nada.
48:17Ele sempre achava
48:18que nada do que ele tinha projetado
48:23seria aceito pelo...
48:25Ele já estava prevendo alguma coisa.
48:28Eu acho que ele já...
48:30Os acontecimentos já iam, sabe,
48:33carregando o espírito dele
48:36para essa incompreensão.
48:38Ele tinha muito boa vontade.
48:39A Jango era um homem que tinha muito...
48:41Era devotado para os assuntos
48:44das pessoas mais carentes,
48:47das pessoas...
48:47Então, eu acho que isso não era
48:49o que eles queriam.
48:53Então, eu acho que foi aí a incompreensão toda.
48:55Eu acho que ficlers...
49:09Não são imensões muitas pessoas.
49:42Eu também vou dizer outra coisa terrível, eu acho que ele cansou, ele cansou, mas
49:54não tem ideia do descompasso político agressivo, destrutivo da época e foi embora, foi com
50:17a mulher dele e os filhos, entendeu?
50:21Resolveu, quem sou eu humanamente para condenar?
50:27Entendeu?
50:29Eu faço uma profissão que, no fundo, vive das contradições humanas e das surpresas existenciais.
50:40Entendeu?
50:42As forças democráticas não se deram conta de que o golpe estava em curso, não se prepararam
50:47e, na verdade, o golpe terminou se concretizando.
50:51Isso tudo começou lá naquela comédia do Jânio Quadro.
51:00Não se percebeu que ele era a inauguração de um período de 25 anos.
51:07Se somarmos aqueles anos muito caóticos até o golpe militar, que é 61, 62, 63 e mais
51:18uns 21 anos do governo militar.
51:21Nós íamos ter um quarto de século de obliteração da democracia.
51:28Mas isso não se percebeu no primeiro momento.
51:32E é por isso que eu costumo dizer que a vassoura do Jânio abriu o caminho para a espada, iniciada
51:42com o golpe de 64.
51:44Bons amigos, a todos, muitas felicidades na certeza de que nós contribuímos para a pacificação,
51:52para a paz, para a tranquilidade, para a ordem, para o progresso do nosso querido Brasil.
51:58Até a próxima oportunidade.
52:00Muito obrigado.
52:10Constituição.
52:13Constituição.
52:15Acabou-se que tormento.
52:17Já temos o parlamento.
52:20Falta o rei.
52:22Que papelão.
52:29Que papelão.
52:32Que papelão.
52:35O canhão foi superado.
52:38Pois Brizola, com machado, foi fazer revolução.
52:51Revolução.
52:53Revolução.
52:54Revolução.
52:55Revolução.
52:55Foi as armas o gaúcho.
52:58O Lacerda deu repuxo e o Denis ficou na mão.
53:10Ficou na mão.
53:13Ficou na mão.
53:15Ficou na mão.
53:15Pois prendia todo mundo.
53:17O regime foi pro fundo.
53:20Marechal foi pra prisão.
53:22Ficou na mão.
53:29Ficou na mão.
53:31Ficou na mão.
53:33Ficou na mão.
53:34Ficou na mão.
53:34Ficou na mão.
53:35Ficou na mão.
53:35Ficou na mão.
53:37Ficou na mão.
53:38Ficou na mão.
53:39Ficou na mão.
53:42Ficou na mão.
53:44Ficou na mão.
53:46Ficou na mão.
53:50Ficou na mão.
53:51E aí

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