- há 2 dias
Documentário sobre a classe média carioca, examinada através dos depoimentos dos seus próprios membros, que abordam assuntos como a juventude, a família burguesa, fenômenos sensacionalistas, misticismo, política e meios de comunicação de massa. Filme de tese, gravado segundo as regras do cinema-verdade da década de 60.
Categoria
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DiversãoTranscrição
00:00:08O filme a que vão assistir foi rodado na cidade do Rio de Janeiro.
00:00:13Tudo que verão na tela é absolutamente verdadeiro.
00:00:18A câmera captou os fatos no momento em que aconteciam.
00:00:23Nós, os homens da classe média.
00:00:26A classe que os altos poderes do país costumam chamar de a opinião pública.
00:01:08A classe que os altos poderes do país costumam chamar de a opinião pública.
00:01:09A classe que os altos poderes do país costumam chamar de a opinião pública.
00:01:16A classe que os altos poderes do país costumam chamar de a opinião pública.
00:01:21A classe que os altos poderes do país costumam chamar de a opinião pública.
00:01:42A classe que os altos poderes do país costumam chamar de a opinião pública.
00:01:49A classe que os altos poderes do país costumam chamar de a opinião pública.
00:02:10Tudo que verão aqui é típico.
00:02:12Fugimos do exótico e do excepcional e procuramos as situações, os rostos, as vozes, os gestos habituais.
00:02:23Isto porque, refletidas numa tela, as coisas que parecem comuns e eternas se revelam estranhas e imperfeitas.
00:02:34Começamos com uma turma de jovens de Copacabana.
00:02:38Perguntamos sobre o futuro.
00:02:40Eu não vou ter o que dizer para você qual vai ser o meu futuro.
00:02:44Porque eu não sei se eu vou morrer amanhã.
00:02:46Não, mas você não vai pensar se eu vou morrer amanhã.
00:02:48Você já tem que pensar o que ele hoje.
00:02:49Não, o rapaz não quer dizer qual é o futuro dele.
00:02:51Então, vai perguntar para você qual é o seu futuro.
00:02:55Qual é o seu maior problema?
00:02:58Não tem nenhum futuro ideal.
00:03:01O futuro realmente eu não posso dizer.
00:03:03Ah, já sei, você quer boa vida.
00:03:04Você não pode dizer porquê.
00:03:07Não, eu não posso dizer porquê.
00:03:09Por que você não pode dizer porquê, não?
00:03:11Rapaz, rapaz, olha aqui, você tem que pensar o seguinte.
00:03:14Tem que pensar, ó, você tem que pensar o seguinte.
00:03:16Eu sou geralmente o meu futuro.
00:03:17Rapaz, você está vendo aqui, ó?
00:03:20Não, porquê?
00:03:21É isso, porque essa coisa é realmente minha.
00:03:23E porquê? Ninguém pode saber?
00:03:25Não, mas ninguém pode saber.
00:03:26Agora, mesmo uma coisa.
00:03:27Aqui está tudo entre amigos, rapaz.
00:03:28Você se acha?
00:03:28Ninguém vai ficar dizendo o que você vai ser no futuro, né?
00:03:31Você se acha muito bonito que alguém vai te sustentar ao redor?
00:03:34Absolutamente.
00:03:34Eu não me acho bonito porque, geralmente, não tem nada de boniteza no corpo, né?
00:03:40Você tem papo gostoso, coisa e tal?
00:03:42Não, não tenho papo, não.
00:03:44Mas isso é uma boa cantada.
00:03:44Não, mas, irmão, você tem que ser um ideal, rapaz.
00:03:47É, isso.
00:03:47Tem que, você pensa que vai tornar uma boa vida, rapaz.
00:03:56Será que eu vou ter que dizer para você?
00:03:57É, você vai ser o meu futuro?
00:03:59Não vou ter que dizer.
00:03:59Primeiro que você não é minha nenga.
00:04:03Bom, quantos anos...
00:04:06O professor aqui já do colégio anglo-americano, né?
00:04:10Estamos lutando com a direção da escola para dar um padrão de ensino de acordo com a atualidade aos alunos,
00:04:18né?
00:04:19A fim de que essa juventude, que difere bastante da juventude transviada, né?
00:04:25Possa ter amanhã, enfim, conseguir os êxitos na vida que todos nós almejamos para essa juventude sadia aqui do Brasil,
00:04:34né?
00:04:49O que está acontecendo aqui?
00:04:54O que é isso?
00:04:55Um filme?
00:04:56Um filme?
00:04:58Oh, eu conheço esses estudantes que vocês trabalham aqui.
00:05:01Eu conheço isso.
00:05:02Bom, eu vejo como um príncipe.
00:05:03Você é o príncipe, então?
00:05:05Tudo bem.
00:05:06Tchau, tchau.
00:05:07Não, não, não, não, não, não.
00:05:10Ele não fala português em tudo.
00:05:12Em português?
00:05:14Eu não sei português.
00:05:15Ele não fala português.
00:05:16Ele fala sobre tudo.
00:05:17Por exemplo, sobre a falta de educação dos nossos púlpulos aqui.
00:05:23Bom, os nossos alunos, a sua grande maioria, não estudam nada, tá bem?
00:05:31Muito obrigado.
00:05:32Acabaram de ouvir a voz, começou o biomem aqui no Brasil.
00:05:35Olha lá, fariseu, hein?
00:05:47Geralmente se liga juventude moderna com revolta.
00:05:52As manchetes falam em tóxicos, delinquência.
00:05:56Não vimos isto no jovem comum da classe média.
00:06:00Na maioria, ele ignora que a sociedade seja teatro de grandes conflitos.
00:06:07E marcha através de um presente risonho para um futuro conformado.
00:06:13Para eles, o futuro é apenas um lugar onde vivem os adultos.
00:06:46Meu nome é Franky.
00:06:48Eu soube em muitos lugares do mundo.
00:06:52Eu soube em São Paulo.
00:06:53Então, eu gostaria de ter algum lugar para viver, mas eu não posso viver em português.
00:07:01Agora vou traduzir em português.
00:07:03Agora vou traduzir em português.
00:07:06A minha vida é muito comprida.
00:07:09Não sei como...
00:07:11Não sei como traduzir em vários idiomas que eu compreendo.
00:07:17De maneiras que todos nós temos dinheiro hoje.
00:07:23Apesar que eu não tenho nenhum centavo.
00:07:26Mas desde uma maneira que o Brasil é rico imensamente.
00:07:30Somente digo uma coisa.
00:07:32Sou um homem que deseja a felicidade da juventude brasileira.
00:07:38Desejo ir à lua.
00:07:39Porque não é só o russo e nem o americano que pode ir à lua.
00:07:43O brasileiro também pode ir.
00:07:45Eu acho o seguinte.
00:07:46A vida é uma guerra.
00:07:47Uma luta contínua.
00:07:48Você luta, vive, tem de lutar por aí.
00:07:50Então você tem de aproveitar muito bem o dia de hoje.
00:07:51Porque você não sabe se amanhã uma lotação vem, te pega e você morre.
00:07:54E a única coisa que a gente leva dessa vida é o que aproveitou.
00:07:57Não é dinheiro nem nada.
00:07:58Que depois que a gente vai para o buraco, mais nada disso interessa.
00:08:01Eu não me sinto responsável em nada.
00:08:03O destino é que sabe.
00:08:04O dia vem, o dia vai.
00:08:06E o que vier, está bem.
00:08:08O que for, será.
00:08:10Agora, se tiver alguma missão aí para me cumprir, que venha.
00:08:14Para tudo, fica-se pronto na vida.
00:08:18Se for assim, por exemplo, chegar uma pessoa e oferecer bem, você vai fazer isso.
00:08:23Então eu aceito.
00:08:24É claro que eu não vou deixar de não aceitar.
00:08:26Vou pegar o que é a melhor oportunidade.
00:08:29A melhor coisa que tiver, eu pego.
00:08:32O destino é que leva a gente, né?
00:08:34Não é a pessoa que faz o destino.
00:08:36O meu coroa é o seguinte.
00:08:38Ele não aproveitou a vida, não aproveitou a homocidade.
00:08:40Então está com 60 e poucos anos.
00:08:41Então ele quer, como não aproveitou, ele quer descarregar a carga em cima de mim.
00:08:45Mas como eu sou vivo, eu tenho que dar o salto do gato, sair para trás.
00:08:47Mas ocorre o seguinte.
00:08:50É todo dia que eu chego em casa, estou sendo implicado, apanhando.
00:08:52Mas tudo isso, vamos vivendo, vamos aprendendo.
00:08:55A vida nada se leva.
00:08:56Porque se eu for levar em conta isso, vou ver que não estaria aproveitando normalmente
00:08:59como se deve aproveitar a vida.
00:09:01Mas é um coroa que realmente é demais.
00:09:04O cara exagera em condições que não há de chegar.
00:09:07Porque um dia ele vai chegar, vou chegar a estourar, vou querer bancar o Tarzan e meter o pau, né?
00:09:13Nunca vivi às custas de ninguém.
00:09:15Nunca vivi às custas de mulher, nem nada, nem de mãe, nem de ninguém.
00:09:20Pelo contrário, eu trabalhei para justamente ajudá-la e minha mãe morreu.
00:09:25A última carta que eu recebi dela, justamente em 1971, ela dizia assim para mim.
00:09:32Meu filho, você que foi sempre meu marido, foi meu filho, foi meu pai, foi meu tudo,
00:09:39não se esqueça da sua irmã.
00:09:41E a gente também faz parte do caráter do homem.
00:09:45O caráter é que a gente tem que manter.
00:09:47Eu, por exemplo, que herdei o nome de Lima.
00:09:52Esse nome de Lima vem de muitas gerações.
00:09:57Não é eu que vou desfazer desse nome.
00:10:01Pelo contrário, eu faço questão de honrar esse nome.
00:10:05E transmitir aos meus filhos, filhas, etc, esse nome.
00:10:10E que esse nome permaneça sempre, ou continue, não é, por séculos e séculos, sempre honrando esse nome.
00:10:18Bem, deste emprego você tira o produto do seu suor.
00:10:23Com esse produto você se cata, você se veste, você compra perfume, você compra tudo para si.
00:10:32E estuda.
00:10:33E estuda a noite.
00:10:36Porque muita gente, o Tenoro Cavalcante chegou aqui com dois mirais no bordo.
00:10:44No entretanto, o Tenoro Cavalcante se formou.
00:10:47O Tenoro Cavalcante é o Taro.
00:10:50E os homens, qualquer um, tem que beber.
00:10:53Mas como eu fiz, também tem que sair de casa, porque eu não tinha, me dizia que a minha mãe
00:11:01não queria.
00:11:01Então eu comecei a trabalhar e a querer fazer qualquer coisa.
00:11:06Queria estudar medicina, não podia.
00:11:09Porque a minha posse não dava.
00:11:12A minha posse não dava.
00:11:13Então, o que é que eu fiz?
00:11:15Embarquei, queria conhecer o mundo.
00:11:16Com esse produto, eu me vesti.
00:11:19Eu nunca andei de sapato toco.
00:11:22Eu nunca andei de colarinho suíço.
00:11:24Eu nunca vivi as custas de ninguém.
00:11:27Esperamos.
00:11:28A gente sempre viveu as minhas filhas.
00:11:31Você tem que se empregar, estudar, fazer isso por si.
00:11:34Que é para amanhã você assumir uma responsabilidade.
00:11:37Quando você achar uma moça que queira casar com você, ou que você queira casar com ela.
00:11:45Trabalhando sempre em benefício da pátria comum, que é o Brasil.
00:11:51A pátria onde lhe deu, que lhe reconhece como filho.
00:11:55E que você tem que defender esse pavilhão, que é a bandeira brasileira.
00:12:00Você pode chegar ao apogeu amanhã.
00:12:02Você pode amanhã ter o seu presidente, a república.
00:12:05Em casa. Em casa, por exemplo, só ganho da condução.
00:12:08Duzentos cruzeiros por dia.
00:12:10Para que isso?
00:12:12Quando chega no fim de semana, quero ir no cinema, tem uma mina aí para eu sair com ela.
00:12:15Eu não tenho dinheiro, não tenho nada.
00:12:17Quer dizer que vou ter que ir atrás de alguma coisa para ganhar o dinheiro.
00:12:20Como é que vai ser?
00:12:23Você não quer petirar ninguém?
00:12:25O que eu vou fazer?
00:12:26Eu fico com o dinheiro, eu me amarro com o dinheiro da condução.
00:12:29Às vezes eu não saio de casa e fico lá com o dinheiro.
00:12:31Você não quer petirar ninguém?
00:12:32A mesma coisa que acontece com o dinheiro.
00:12:36Os bichos não te dão nada.
00:12:39Os bichos não te dão nada?
00:12:40Você não ganha de bichos, cara?
00:12:42Não, eu vou.
00:12:43Eu vou, tá entendendo?
00:12:44E quando eu saio de casa assim, que às vezes nem dinheiro eu ganho?
00:12:47É, para que que existe o Murilo?
00:12:49Para que que existe o Murilo?
00:12:50Para que existe o Murilo?
00:12:50Mas você vai gastar energia.
00:12:51E as bichas não te dão dinheiro?
00:12:53Você vai gastar energia.
00:12:56O negócio é o seguinte.
00:12:57Uma matéria de dinheiro eu não posso chiar.
00:13:01Você já pensou 200 cozeiro por dia?
00:13:03Tem o Murilo, não existe o Murilo?
00:13:05É, deixa eu tomar aí, minha chapa.
00:13:07O Murilo tá aí, minha chapa.
00:13:08É o meu amor.
00:13:09E quem é o Murilo?
00:13:11É uma bicha louca?
00:13:13É um peneirante.
00:13:14É uma bicha muito louca.
00:13:15É justamente.
00:13:33Eu sou uma pessoa que eu estou apaixonada, mas eu estou apaixonada não sei por quem.
00:13:38Não sei, eu não me decido.
00:13:41E assim, eu tenho algo.
00:13:43Eu quero procurar esse algo.
00:13:46Eu quero procurar esse algo e não consigo achar.
00:13:51E ela está apaixonada pela natureza.
00:13:54Tem uma alma romântica, já é uma qualidade.
00:13:57Não sei.
00:13:58Pode.
00:13:58Talvez, né?
00:13:59Mas eu sei que eu quero encontrar essa pessoa e sempre acho um defeito.
00:14:03Bete, você está vivendo de ilusão.
00:14:06Às vezes quem vive de ilusão vive melhor do que quem vive a realidade, eu acho.
00:14:10Eu pelo menos sou uma.
00:14:11Eu gosto mais de viver de ilusão.
00:14:12Você não pode viver de ilusão, Zona.
00:14:15Porque um dia você vai entrar na realidade, você vai sentir uma diferença tremenda.
00:14:21Não, eu fui a uma festa na casa de uma garota que eu gostava dele, Regina.
00:14:26Aí, chegou na festa, ela falou assim, eu não sabia que eu estava namorando não,
00:14:31porque eu namorava escondido todo mundo.
00:14:32Que todo mundo fazia fofoca para mim acabar, que ninguém queria que eu namorasse o Vitor,
00:14:36porque achavam que eu devia namorar a Regina, porque a Regina era da turma e tudo.
00:14:41Aí, tinha que ser escondido.
00:14:43E porque, é, difícil namorar assim, todo mundo se avendo.
00:14:47Então, chegamos na festa, a Regina veio para cima do Vitor.
00:14:51Eu falava, ah, Vitor, vamos dançar, não sei o que.
00:14:53Ele falou assim, ah, não sei dançar.
00:14:55Ah, mas você tem que dançar a valsa comigo, não sei o que, meu aniversário, eu faço 15 anos.
00:15:00Eu falo assim, a Regina não sabe dançar, não.
00:15:03Você não vai dançar com ele, porque ele não sabe dançar.
00:15:05Aí, chegou a hora da valsa, aí ele falou assim, vamos dançar, Isabel.
00:15:09A Regina olhou para a minha cara, olhei para a cara dela, segurei a velhinha e eu fui dançar.
00:15:13Aí, nós dançamos tudo, no meio da dança, ele falou assim, sabe, Isabel, eu gosto de você.
00:15:17Eu falo assim, eu também gosto de você.
00:15:19Aí, quando eu olhei para trás, a Regina estava olhando para mim.
00:15:22Tá bom, isso não foi nada.
00:15:24Chegou, passou a dança e tudo, já tinha passado na meia hora.
00:15:28Daqui a pouco, eu fui pentear meu cabelo no banheiro.
00:15:31Quando eu volto, a Regina estava dançando com ele.
00:15:33Menina, que ódio que eu senti, você não imagina, eu tremi de ódio, minha perna ficou assim, bamba.
00:15:39Aí, eu olhei para a cara dele e ele falou assim, não posso fazer nada.
00:15:42Ela me tirou para dançar.
00:15:43O aniversário dela, a casa dela, a educação, o garoto tinha que dançar.
00:15:48Então, acabou a dança, ela falou assim, vem cá, você vai me contar direitinho.
00:15:52Ele falou assim, tá bom.
00:15:53Aí, ele contou tudo.
00:15:54Aquela garota sem vergonha.
00:15:56Sabe o que ela fez?
00:15:57Chegou para o Vitor e falou assim, Vitor, vamos dançar.
00:16:00Aí, ele ia para a educação e falou assim, tá bom, vamos dançar.
00:16:02Eu não estava perto, né, aproveitou.
00:16:04Aí, ela falou assim, ah, é uma honra dançar com você, Vitor.
00:16:08Você sabe que hoje está muito bonitinho.
00:16:11Imagina, fazer o papel de homem.
00:16:12Essas garotas de hoje não têm vergonha na cara, não.
00:16:15Aí, eu falei assim, ah, porque você sabe, né, eu gosto de você.
00:16:19Você não devia namorar a Isabel, não.
00:16:21A Isabel não gosta de você, ela só quer fazer onda contigo.
00:16:24Eu falei assim, o Vitor falou assim, não, ela gosta de mim sim.
00:16:28Eu falei, a gente não está me namorando, não.
00:16:30Pode deixar, não sei o que é.
00:16:32Aí, a garota falou assim, ah, então me namora.
00:16:35Ah, eu não aguentei, eu fui lá falar com a garota, falei assim, mas filha, eu tenho vergonha na cara,
00:16:39viu.
00:16:39Você deixa meu namorado em paz, eu estou namorando ele, você não se mete mais na minha vida.
00:16:44Ah, quer dizer que vocês não se apaixonam?
00:16:46Nunca se apaixonaram?
00:16:47Eu não, graças a Deus, não.
00:16:48Ah, mas vocês falaram que só casariam por amor?
00:16:51A gente falou assim, que é o amor que a gente diz, mas é uma coisa assim, pode ser também...
00:16:55Amor, eu não entendo, amor só apaixão.
00:16:58Simpatia também, às vezes a simpatia é...
00:16:59Simpatia é amor, meu bem, simpatizar com a pessoa, é querer bem a pessoa, é querer bem a gostar.
00:17:03Mas a paixão, às vezes a gente tem paixões que já...
00:17:06Paixão é um amor imenso, muito forte, é.
00:17:08Uma coisa assim, mais violenta, é besteira.
00:17:11Besteira não, existe.
00:17:12Paixão é carnal e amor é...
00:17:12Não, não é carnal, não.
00:17:14Que carnal?
00:17:15Há moças aí que gostam de um rapaz com paixão um ano escrevendo carta.
00:17:20Paixão não é carnal, é muito mais espiritual.
00:17:23Bom, carnal é o contrário, carnal é quando só há simpatia e assim mesmo a moça namora.
00:17:28Não, paixão.
00:17:28Essa não.
00:17:29Eu conheço moças que namoram rapazes, deixam os rapazes beijar e não gostam deles.
00:17:35Isso é que é carnal.
00:17:37Carnal é a moça deixar o namorado beijar sem gostar deles, só porque é simpaticozinho,
00:17:41bonitinho.
00:17:42Moça que gosta, a moça fica em casa, ansiando, telefonema, uma série de coisas.
00:17:47As moças que não gostam, se divertem, vão para as festas, nem ligam para os namorados.
00:17:51E a moça que não gosta, gosta só por paixão?
00:17:53Não, não tem paixão.
00:17:55É quando a moça gosta muito, sente muita saudade, chora.
00:17:58E a moça que não tem amor, paixão, gosta porque é simpático, namora naturalmente,
00:18:05sem nenhuma, sem nenhum ema, sem nenhuma ênfase, sem saudade.
00:18:10Porém, o rapaz é simpático, bonitinho, você namora, então você conversa com ele.
00:18:13Quem tem só que ele é simpático, é paixão.
00:18:16Você não, não, paixão não, isso é gostar um pouquinho.
00:18:19Um homem paupermo e trabalhador, eu me caso, vai precisar saber se ele é pobre e é trabalhador,
00:18:25porque pode ser um paupermo ou malandro.
00:18:28Aí, mesmo que eu estivesse apaixonadíssimo, eu estava apaixonada pelo meu marido e me larguei,
00:18:33porque ele era mais malandro do que trabalhador.
00:18:36Assim, todas as moças devem agir.
00:18:38Isso de ser pobre não tem nada, contanto que ele pensa em melhorar, em sair do pauperismo e nós, como
00:18:45esposas, ajudando.
00:18:46Isso é natural.
00:18:47Assim você não faria?
00:18:49Faria mesmo.
00:18:49Agora, escuta uma coisa, você é assim, apaixonadíssima, e ele é um pouquinho malandro, você casaria assim mesmo?
00:18:56Assim, doida por ele?
00:18:58Talvez.
00:19:00Talvez ela arriscaria, mas que corajosa.
00:19:03Ela arriscaria a felicidade, viu?
00:19:06É porque você tem 18 anos.
00:19:08Isso é o principal.
00:19:10Quando vocês gostarem de um rapaz, vê o caráter dele.
00:19:13Não é verdade, Carla?
00:19:14Pense assim que você vai ser feliz, minha filha.
00:19:16Olha, minha experiência é a voz de comando para vocês.
00:19:22A minha experiência.
00:19:23Eu também só queria casar apaixonada.
00:19:26Molhei muito o travesseiro.
00:19:29Não pense só no amor.
00:19:31Pense no homem que lhe possa embalar o sono tranquilamente.
00:19:36Você também.
00:19:37Parar um pouquinho com o romantismo.
00:19:39A experiência vos fala.
00:20:00A indústria vende aos jovens todos os sonhos.
00:20:04Os principais produtos são o sucesso e a felicidade.
00:20:08O universo desta moderna indústria é conformista e totalmente isento de angústia.
00:20:16Qualquer traço de revolta é logo vulgarizado em moda.
00:20:21O que surgiu como protesto social vira estilo de roupa ou corte de cabelo.
00:20:28Os novos uniformes da obediência.
00:20:31Sem dúvidas são bons exemplos os ídolos da música jovem.
00:20:36Símbolos do triunfo do rapaz direito.
00:20:38O que surgiu como protesto social vira estilo de atitude.
00:20:46O que surgiu como protesto social vira estilo de atitude.
00:20:50O que surgiu como protesto social vira estilo de atitude.
00:21:00O que surgiu como protesto social vira estilo de atitude.
00:21:06O que surgiu como protesto social vira estilo de atitude.
00:21:22Eu já nasci com essa tendência de cantor, então minha avó chegava para mim e dizia
00:21:29A gente cantava, mesmo na escola, a nossa saída era mais ou menos assim, a garotada
00:21:36Toda apavorada, desciam as escadas, não vala, daí eu desci as escadas
00:21:41Sonhei que um dia, aí lá vem o cantor, nessa brincadeira vem aquele incentivo para você
00:21:49Puxa, um dia eu vou subir, um dia eu vou mostrar essa gente
00:22:11Lembrando de ti, que assim, sabe que eternamente irei de esperar
00:22:20Por que, amor, escutarei, amor, quero ver, amor, choro, amor
00:22:34Puxa, um dia eu vou subir, um dia eu vou subir, um dia eu vou subir
00:23:09Trata, um dia eu vou subir, um dia eu vou subir, um dia eu vou subir
00:23:35Amém.
00:23:57Eu tive uma namoradinha assim, porque eu dediquei uma grande amizade, talvez, e gostava realmente dela.
00:24:09O fato é que eu digo que a sensibilidade do artista chega ao ponto de um dia que eu tive,
00:24:13por necessidade da minha vida artística, de desistir dessa garota,
00:24:19porque antigamente eu era o Jair Alves de Souza, aquele garoto que trabalhava no escritório,
00:24:24que sonhava em um dia ser alguma coisa na vida.
00:24:28O dia que nós conseguimos sair desse mundo e entrar para um outro mundo,
00:24:36um outro mundo diferente daquele, então, o Jair se tornou Jair.
00:24:48Para muitos, as primeiras derrotas chegam cedo.
00:24:53Nesta república de estudantes só há uma ordem, subir na vida, mudar de classe.
00:25:01Já sabem que a felicidade é uma forma de poder e não um prêmio para as virtudes.
00:25:08Para nós conseguirmos algo na vida, devemos lutar.
00:25:12Mas lutar sério, levar o ideal à frente.
00:25:17Então, pois, tudo nós conseguimos com sangue, sua e lágrima.
00:25:20O meu objetivo é obter força, viu, força, instrução, viu, para lutar por uma coletividade.
00:25:28E amanhã, que esse país, que aí está, hoje que nós não sabemos qual o destino desse país,
00:25:36de acordo com o desenvolvimento econômico e financeiro desse país,
00:25:42que nós estamos analisando, delizando mais ou menos o que está acontecendo, chega em minha mão, viu.
00:25:48Amanhã ele poderá ser entregue a nós, que somos jovens hoje,
00:25:52que estamos alisando os bancos duros do colégio, de uma faculdade.
00:25:57Amanhã temos o prazer de dirigir a nação.
00:25:59Você é comunista fondista?
00:26:00Não, não.
00:26:02É nacionalista?
00:26:04Não, não.
00:26:05Você é imperialista?
00:26:06Não, não.
00:26:08Não, não.
00:26:13Eu nasci no torrão brasileiro.
00:26:18Não, não é pornografia.
00:26:19Não, não é pornografia.
00:26:20Essas reprimidas têm que ser caracterizadas como pornofonia.
00:26:23Não, não é pornografia.
00:26:24Pera aí.
00:26:25Eu nasci no torrão brasileiro, viu.
00:26:28Estou convido.
00:26:30Sabe o que que é?
00:26:30Que sou brasileiro, mano.
00:26:32Agora.
00:26:33Não sou.
00:26:35Não sou.
00:26:36Realidade.
00:26:37Realidade.
00:26:38Realidade.
00:26:38Quem foi que ele introduziu na casa?
00:26:40Eu vim pra cá com ordem do presidente.
00:26:42O presidente atual e o Arnaldo.
00:26:44Eu vim aqui com ordem dele.
00:26:45Não vim pra cá ser ordem.
00:26:46Agora, quem foi...
00:26:46O Arnaldo é coisa de uma semana, rapaz.
00:26:48Hoje de semana não.
00:26:49Ele é o primeiro presidente da casa.
00:26:50Eu entrei na diretoria do TACASSO.
00:26:52Pera aí.
00:26:52O TACASSO TACASSO tomou o presidente outro dia.
00:26:54Primeiramente é o seguinte.
00:26:55Primeiro quem dormiu nessa casa aqui foi eu.
00:26:58Residiu.
00:26:58Agora que você entrou aqui com ordem de quem?
00:27:00Eu entrei aqui com ordem da diretoria do TACASSO.
00:27:03Com ordem do TACASSO?
00:27:04Entrei.
00:27:04Entrou com ordem de ninguém.
00:27:05Você chegou aqui, se alojou, ficou estabelecido.
00:27:07Agora.
00:27:07E agora fica criando caos de Deus e o mundo aqui.
00:27:10Tá certo.
00:27:10Eu não quero isso.
00:27:10Agora eu só peço de você.
00:27:12Traga a declaração do colégio.
00:27:13Tá certo?
00:27:13Eu trazer a declaração e você é que traga.
00:27:15Não.
00:27:16Você sabe se eu não sou estudante.
00:27:17A verdade não.
00:27:17Dá licença.
00:27:18Você me conhece todos os tempos.
00:27:19Dá licença.
00:27:20Você me conhece todos os tempos.
00:27:22Você me conhece todos os tempos.
00:27:23Você inclusive me assou de morte aí.
00:27:25Eu me assou de morte não.
00:27:26Pera aí.
00:27:27Quanto tempo você me conhece?
00:27:28Dá licença.
00:27:28Quanto tempo você me conhece?
00:27:29Eu me conheço a coisa de dois meses aqui.
00:27:31Então você não me conhece, compreendeu?
00:27:32Porque esse aqui me conhece mais de dez anos e aqui todo mundo que tá aqui me conhece.
00:27:35Eu sempre convivi no meio estudantil.
00:27:37Quem é você para pôr essa que você tá falando?
00:27:41Não.
00:27:42Quem é você, senhor?
00:27:43Quem é você, senhor?
00:27:44Eu vou te dizer o seguinte.
00:27:46Quem é você?
00:27:47Você me pergunta.
00:27:47Você pode provar que é estudante realmente?
00:27:50Com declaração, nada pela Secretaria do Colégio.
00:27:52Mas qual é seu cargo?
00:27:53Qual é seu cargo?
00:27:54Qual é a sua função aqui?
00:27:55Eu não tenho cargo, mas acontece o seguinte.
00:27:57Eu não tenho cargo na diretoria, mas eu sou estudante e exijo conviver com estudantes autênticos.
00:28:05Não com camelô, como você é.
00:28:07Você não é nada, rapaz.
00:28:08Você é um semanapapéto que não sabe nem falar, compreendeu?
00:28:10Eu sou um semanapapéto.
00:28:11Você é um semanapapéto que não sabe nem falar, compreendeu?
00:28:13É um elemento que anda aí fazendo meaça aí no meio da rua, fazendo desordem aqui nos vários
00:28:18aí que eu vejo aí, compreendeu?
00:28:19Você não tem moral pra mim, não é?
00:28:20Não é?
00:28:21Não é?
00:28:22Não, não, não.
00:28:23Eu tenho uma testemunha de que realmente há...
00:28:25O problema é o seguinte, o que tem que ser discutido é aqui.
00:28:28E o que acontece.
00:28:30O que acontece dentro da diplomacia.
00:28:31Não é assim desta maneira, não.
00:28:33É.
00:28:34Olha esse mundo que você poderia dizer que não nos aceita, eu acho que a gente pode continuar
00:28:41lutando e ter um lugar nele, sabe? Porque eu tenho a impressão também que nós não
00:28:48estamos sozinhos, que o que a gente vive na faculdade...
00:28:52Dois universitários. Como trabalhar numa sociedade que desprezam?
00:28:58Tem sido assim bastante exemplar. Não sei, eu também tenho contado muita gente que não
00:29:02acredita, que acha que o mundo já não tem mais saída e apresenta o que acontece no
00:29:08Vietnã, o que acontece do outro lado do Atlântico. O que eu não posso aceitar é que isso já
00:29:13esteja dado, entende? Que a gente não possa fazer nada. Evidentemente que eu sozinho não
00:29:17posso fazer nada. Não posso fazer nada para grandes transformações e agora estou vendo
00:29:22também que me encontro muito bloqueado, muito cerceado, muito cortado para fazer algum projeto
00:29:30em termos culturais, eu sozinho. Eu acho que eu sozinho já não existe quase mais. Como
00:29:36é que poderia existir? Eu acho que eu sozinho existe para comprar um carro, um Volkswagen.
00:29:41Eu sozinho existe para comprar um apartamento. Assim, esse tipo de coisa a gente ainda pode
00:29:46fazer sozinho. Mas quando a gente coloca alguma coisa assim bem mais ampla, que é transformar
00:29:49esse mundo que está fazendo um esforço muito grande para nos negar, aí sozinho eu acho que
00:29:53a gente não pode fazer mais nada.
00:29:55E aí
00:29:57E aí
00:29:58E aí
00:29:59E aí
00:30:02E aí
00:30:07E aí
00:30:09E aí
00:30:12E aí
00:30:12E aí
00:30:13E aí
00:30:16E aí
00:30:18E aí
00:30:35E aí
00:30:38Canção de protesto, uma flora que eu tenho pra dar, liberdade que eu tenho que encontrar.
00:30:44Minha arma é um canto de paz, meu canto de paz, meu canto de paz.
00:30:48O melhor canto de paz possível.
00:30:50Minha arma que eu tenho pra dar, liberdade que eu tenho que encontrar.
00:30:53Minha arma é um canto de paz.
00:30:56Canção de protesto, chanchada não, nunca.
00:31:00Cinema brasileiro do melhor do que puder, do melhor cinema brasileiro.
00:31:07É o que está acontecendo, liberdade que eu tenho pra dar.
00:31:42Mas eu amo.
00:31:45Des tristes, sinistres,
00:31:50Mais je t'aime.
00:31:53Des sonotes,
00:31:55Très sonotes,
00:31:58Faut s'y faire,
00:32:00Des cloches,
00:32:01Des cloches,
00:32:04Mais sincères.
00:32:08Plus je te vois,
00:32:10Plus je me dis,
00:32:14Tu n'as rien.
00:32:16Rien pour qu'on s'en releve la nuit.
00:32:22T'es sur la vie.
00:32:25O homem da classe média é sempre propriedade de alguém.
00:32:29Hoje, se alistam no exército.
00:32:32Breve, serão os homens do escritório,
00:32:35Dos departamentos, dos arquivos.
00:32:39Terão crenças, chefes e dignidade.
00:32:42Serão chamados nos jornais de opinião pública.
00:32:47E ficarão orgulhosos de cumprir as funções da nacionalidade.
00:32:51No meio desta grande multidão,
00:32:54Eu sinto um constrangimento,
00:32:56Pois a confusão é grande,
00:32:59E a falta de ordem.
00:33:01E a falta de ordem.
00:33:02Havendo então também,
00:33:03O constrangimento pela derrubada da cabileira.
00:33:07Bem,
00:33:08Quanto ao servir o exército,
00:33:10Eu acho
00:33:11Uma grande coisa,
00:33:13Pois o cara tem mais um caminho na vida,
00:33:15Mais uma coisa a aprender.
00:33:18Mais uma coisa que ele vai entender.
00:33:23Seguindo
00:33:27Um caminho,
00:33:28Quer dizer,
00:33:28Aprende mais um
00:33:30É mais um pedestal da vida,
00:33:32É mais um andar que ele sobe
00:33:34Para a sua carreira.
00:33:35Eu me sinto emocionado,
00:33:37Porque essa é uma das primeiras fases do homem,
00:33:40Quer dizer,
00:33:40Na formação dele.
00:33:42E hoje é um dos dias
00:33:43Que eu nunca me esquecerei na vida,
00:33:45Pois entro para o serviço militar,
00:33:47Honrando a pátria,
00:33:49E defendendo a nação
00:33:50Contra os perigos que pode causá-la.
00:33:52É mais um dos dias
00:34:30Eu acho que o problema mais sério que a gente tem é que a gente sabe o que a gente
00:34:34quer, sabe?
00:34:35A gente sabe que não pode aceitar uma sociedade desse tipo.
00:34:38A gente sabe que não pode aceitar uma sociedade que esmaga as pessoas, esmaga as personalidades.
00:34:44A gente sabe que a gente não pode aceitar uma sociedade que arrebenta com a mulher, arrebenta com os homens,
00:34:49faz com que uma mulher, depois dos 40 anos, já não tenha mais nenhum gosto de viver,
00:34:53que um homem aos 30 já não tenha mais ilusão alguma, que não saiba mais sonhar, que não possa mais
00:34:58sonhar e que também não possa viver.
00:35:00O problema mais sério é exatamente isso.
00:35:02A gente sabe que tipo de sociedade a gente quer.
00:35:04A gente sabe mais ou menos o que é a felicidade, o que a gente vê em torno da gente,
00:35:10o que a gente vê nas famílias, nas nossas próprias famílias, nas famílias dos nossos amigos.
00:35:14Isso que nós não aceitamos, o que nós vemos nas ruas, o que nós vemos nos empregos,
00:35:18o que nós vemos nas repartições públicas, isso que nós não aceitamos.
00:35:21Mas ao mesmo tempo, isso daí eu já sei, todo mundo já sabe, todo mundo da minha geração já tem
00:35:26mais ou menos consciência disso.
00:35:28É que é difícil mudar, é difícil, mas não é impossível.
00:35:32E que uma coisa que nós não podemos aceitar, assim como pessoal...
00:35:34A finalidade de nós, não só eu como meus colegas, estarmos aqui trabalhando,
00:35:41só que quem puderá lhe responder são os nossos perigos gerais.
00:35:44Não sou eu, eu sei que trabalho, produzo para essa companhia.
00:35:48Agora ela sabe a finalidade da minha produção e para quem ela vai empregar.
00:35:54Só ela puderá lhe responder.
00:35:56Isso eu não cheguei a esse ponto, isso não me é dado chegar a esse...
00:36:03Isso não me compete.
00:36:05A gente devia ter maneiras apropriadas para subir.
00:36:09Eu não tenho essas maneiras, eu não tenho essas formas.
00:36:13Aqui eu tenho.
00:36:15Não soube, como eu já disse.
00:36:18O mérito, esse mérito tem capacidade, moral, bastante.
00:36:24E outros não, outros só tem as bandeiras.
00:36:27O modo de andar, o galeio, muito usado em Minas Gerais.
00:36:30De maneira que eu digo, eu acho que existe injustiça com alguns.
00:36:37E acho também que outros, por exemplo, têm sido beneficiados.
00:36:44A companhia, por exemplo, da qual eu trabalho, é uma...
00:36:46Eu possuo que é uma verdadeira mãe.
00:36:49Uma mãe boníssima.
00:36:51Mas não gosto de me rebaixar.
00:36:53Não sou capaz.
00:36:55Nunca fui e nem serei jamais.
00:36:57De ninguém.
00:36:59Eu acho que poderia ter progredido mais.
00:37:02Não tenho tido muita sorte.
00:37:05Porque outros, talvez, com menos cabedal do que eu, não tenho muito mais.
00:37:12Tenho prosperado bem mais.
00:37:16Eu tenho marcado o passo.
00:37:23Agora, não quero dizer com isso que já deveria estar num cargo de chefia.
00:37:29Porque reconheço que o meu feitio não agrada, talvez, ao chefe, se não sei.
00:37:39Não posso penetrar nos juízos de cada um.
00:37:43Agora, também, já vou me aproximando do fim.
00:37:47Não falta muito pra me aposentar.
00:37:51Nós, assalariados, é que estamos absorvendo as maiores dificuldades.
00:37:57Hoje, o homem que vive de salário como nós, não sabe se levanta ou se acorda amanhã.
00:38:04Esta é a verdade.
00:38:05Levanta de manhã e, com o dinheiro que tem no bolso, não sabe se tem condições de poder, logo mais,
00:38:13comprar um quilo de batata.
00:38:15Porque ele custava 400 e passou a 560 a um quilo.
00:38:20Um absurdo.
00:38:21Isso, falando em batata, antes nós queríamos feijão, arroz, carne seta, nenhum macarrão.
00:38:28Nós temos que apertar o cinto.
00:38:30Eu, da minha maneira de pensar, que não sou protestante, que não sou católico, que não sou espírita, eu mesmo
00:38:38não sei o que seja.
00:38:39Lamentavelmente, a classe média não se une de maneira nenhuma.
00:38:44Ela, na maioria das vezes, trata do seu interesse.
00:38:48É preciso que haja, acima de tudo, a compreensão, o esclarecimento e a unidade dos colegas.
00:38:56Nós estamos sofrendo hoje e sofreremos muito mais amanhã.
00:39:00Aí perguntaram a portuguesia, e lá em Portugal também não tem eco?
00:39:04Eu não queria perder para os outros, né?
00:39:06Mas, bem, mas Portugal também tem, lá na aldeia onde eu moro, onde eu morava.
00:39:11Lá tem uma gruta muito grande, que as famílias vão para lá fazer para o venívio aos domingos.
00:39:17E lá tem um eco também muito grande.
00:39:20E, numa ocasião, eu fui lá com o meu pai, minha mãe, meus irmãos, fomos para lá.
00:39:24Mas, quando o meu pai ia entrar na gruta, ele deu uma atupada que a linha dele veio para trás.
00:39:29Aí o meu pai perdeu a cabeça, disse um palavrão, maninho.
00:39:33E repetiu quantas vezes.
00:39:35Diz ele, bem, quantas vezes, eu não sei.
00:39:37Eu sei que durante um mês não entrava a família lá na gruta.
00:39:39E me não te acusar, até mais morrer.
00:40:13Diz-se Dale Carnegie no livro
00:40:16Como fazer amigos e influenciar pessoas
00:40:20Sorria sempre
00:40:21Faça os outros sentirem-se importantes
00:40:25Aprenda a obedecer e a elogiar
00:40:28Você tem um produto a vender
00:40:30E este produto é você mesmo
00:40:34Saímos da sala
00:40:36Vimos as fotografias dos funcionários
00:40:39E fomos entrevistar o chefe do pessoal
00:40:43A minha experiência pessoal é que o funcionário
00:40:46De um modo geral, ter antes de tudo disciplina
00:40:48Não resta a menor dúvida
00:40:50Que nós necessitamos também de um nível cultural satisfatório
00:40:53Para que possam daí tirarmos os supervisores
00:40:56Fora disso, uma organização funciona bem
00:40:58Quando há um regime disciplinar
00:41:00Rígido, um regime disciplinar de austeridade
00:41:03E que nós podemos fazer com que o quadro funcional
00:41:06Renda o máximo
00:41:08Eu acho que o brilhantismo intelectual
00:41:10É necessário aos supervisores
00:41:12Mesmo porque todos aqueles que têm brilhantismo intelectual
00:41:16Tendem sempre aos cargos de chefia
00:41:18Não vai com isso, não é um elogio pessoal
00:41:20Mas é a colocação do homem
00:41:22The right man, the right place
00:41:24E como a maioria, de um modo geral, é de funcionários
00:41:28É necessário que todos tenham um ânimo de trabalho
00:41:31Talvez seja esse o valor mais importante no homem
00:41:35Há o brilhantismo para uns
00:41:37Como há a necessidade
00:41:39A vontade de trabalhar
00:41:41Necessária e indispensável aos outros
00:41:51A vida que a sociedade oferece a mulher
00:41:54É uma vida muito monótona
00:41:56E uma vida que tende a se fechar
00:41:59A se isolar do mundo
00:42:01Em que as pessoas
00:42:03Em que uma mãe de família lê o jornal
00:42:06E ela é incapaz de vibrar mais com o que se passa no mundo
00:42:09E essa vida
00:42:10Eu acho que as moças da minha geração
00:42:13Não se interessam mais por ela
00:42:14Eu acho que a gente já quer
00:42:17Estar voltada para o mundo
00:42:18Estar participando de toda a vida
00:42:20Estar participando também no trabalho
00:42:24Saber que pode produzir alguma coisa
00:42:26Mas isso é difícil
00:42:27É muito difícil
00:42:28É muito difícil conciliar isso também
00:42:30Com a própria vida afetiva
00:42:34Com a própria vida num casamento
00:42:37É muito difícil
00:42:38Que papo eu tenho culpa
00:42:46Ele está ali com o coalho
00:42:48Péssico e chorando
00:42:49Tá à verdade
00:42:49Vem lá
00:42:49Péssico e chorando
00:42:50Ele vai te pegar em mim
00:42:52Se levantar tu vai apanhar
00:42:53O que negócio é esse?
00:42:55Ele nunca vai descer mais a ninguém
00:43:22Sim, sim, foi minha vida.
00:43:24É, nesse edifício, todo mundo hoje tem velho.
00:43:27Acha que eu tenho uma vida muito boa, mas eu já lutei, eu já soube.
00:43:31Esse apartamento foi adquirido com o maior sacrifício.
00:43:34A senhora só tem esse apartamento?
00:43:35Só tem esse apartamento.
00:43:37Propriedade, só tenho esse.
00:43:38Agora, hoje, eu tenho um carro, meu marido tem um carro, tem esse apartamento.
00:43:43Ela vai comprar o mesmo carro?
00:43:45Meu marido tem um carro primitivo, tem esse apartamento.
00:43:49Minha filha, uma é casada com uma advogada em Belo Horizonte.
00:43:52Outra trabalha no palácio, na administração geral do palácio, em Belo Horizonte.
00:43:59Chama Ivone.
00:44:00E tem um filho que trabalha na Secretaria de Saúde e Assistência, também, que está formado.
00:44:05Você ajuda a senhora?
00:44:07Não, não precisa de ajudar.
00:44:08Nem eu preciso de ajudar ele, e nem eles precisam.
00:44:11Meu marido está muito bem, ganha muito bem.
00:44:14Meu marido é da polícia, é um homem honesto, honrado.
00:44:18Eu tenho 16 anos de casada, nunca esse homem pegou um paletó e saiu na rua, ou foi
00:44:24no cinema, sem a minha companhia.
00:44:28Nunca.
00:44:28Eu moro nesse edifício aqui, nunca ninguém viu ele descer.
00:44:31Ele não fuma, não bebe, não joga.
00:44:34A senhora é feliz.
00:44:34Eu fui feliz.
00:44:35É difícil o momento, minha filha.
00:44:37Eu fui feliz assim, porque eu fui muito boa filha.
00:44:41Eu que olhei, minha mãe era uma velhinha.
00:44:44Nós são 13 mães, Belo Horizonte.
00:44:46Ninguém quis olhar.
00:44:47Eu olhei.
00:44:48Quando minha mãe morreu, ela me abençoou.
00:44:50Do poeta Drummond de Andrade.
00:44:54Estou cercado de olhos, de mãos, afetos, procuras.
00:45:00Se tento comunicar-me, o que há é apenas a noite e uma espantosa solidão.
00:45:21Nesta cidade do rio, de dois milhões de habitantes, estou sozinho no quarto.
00:45:30Estou sozinho na América.
00:45:40Eu acho que existe destino, né?
00:45:44O destino é que diz tudo.
00:45:46Eu não acreditava em destino, não, mas agora eu acredito.
00:45:49Eu acho que a mulher nasceu pra isso.
00:45:52Pra ser de um homem só e tomar conta da sua casa.
00:45:54Mas também pra ser um pouco, né?
00:45:56Ela não é escrava.
00:45:59Eu tenho vontade de viajar.
00:46:02Muita mesmo, muita vontade mesmo.
00:46:05Não sei, pode ser, se mais tarde, se der certo.
00:46:09Qualquer coisa na vida eu penso em fazer, só uma coisa assim, diferente.
00:46:13Eu não sei o que que é ainda.
00:46:14Uma coisa diferente.
00:46:17Acho minha vida chata demais.
00:46:20Cuidar dos filhos, cuidar da casa.
00:46:22Uma praia de vez em quando, de manhã com os filhos, com os quatro.
00:46:25Lavar, passar pro meu marido.
00:46:28Comida, fazer comida.
00:46:29Levantar de madrugada quando ele chega das farras.
00:46:33Botar comida pra ele.
00:46:34Quer dizer que isso não é vida.
00:46:35De maneira nenhuma.
00:46:37Estou com 25 anos.
00:46:38Eu acho que quando chegar aos 40, eu acho que eu não sei, não...
00:46:42Nem sei o que que será de mim, não.
00:46:44Acho que eu não boto mais nem a cara na janela.
00:46:47O que que a senhora acha que deve ser a missão da mulher na sociedade?
00:46:54Não sei.
00:46:57Não sei.
00:47:00Homem sem responsabilidade presta.
00:47:02Homem sem caráter.
00:47:03Homem que sabe que amanhã...
00:47:05Ele tem 20 contos no bolso.
00:47:07Sabe que amanhã é o vencimento de luz, gás e telefone.
00:47:09Ele tem que pagar aquela conta.
00:47:11Ele vai e gasta em fábria.
00:47:12No tempo de papai e mamãe, quando nós eramos garotas,
00:47:14tínhamos três empregados.
00:47:16Eu estudei piano, pintura, balé.
00:47:18A gente teve coragem de irmãs.
00:47:21Mamãe era boníssima, muito educada.
00:47:24Nossos vizinhos eram gente muito boa.
00:47:27E eu tive um princípio belíssimo.
00:47:28Como é que eu vou viver com um homem sem caráter?
00:47:34Se eu te tratasse como essas mães modernas,
00:47:38você agora teria vindo.
00:47:42Como é que você reclama quando eu não te dou carinho, hein, Neirinha?
00:47:46Como é que você reclama?
00:47:48Diz, a senhora está me abandonando.
00:47:50A senhora não está me fazendo carinho.
00:47:54Vem, filhinha, vem.
00:47:57Quando você está só com a mamãe, você é toda carinho.
00:48:00Agora está esnobando por quê?
00:48:02Eu não sou namorado?
00:48:03Sou sua mãe.
00:48:05Esnoba para namorado quando crescer.
00:48:08Vem cá com a mamãe.
00:48:11Vem, filhinha.
00:48:12Eu sei que para você
00:48:14não passo de uma coisa que você pega e larga
00:48:18conforme seu capricho.
00:48:22Você já me demonstrou isso tantas vezes
00:48:25que eu não posso duvidar
00:48:28do que represento para você.
00:48:32Além disso,
00:48:34além disso,
00:48:36se algum dia eu representasse alguma coisa para você,
00:48:41eu sei que você não hesitaria em me sacrificar.
00:48:45Talvez até me matasse.
00:48:47Não é verdade?
00:48:49Talvez.
00:48:50É verdade?
00:48:52É o que dizem.
00:48:53Não, é o que se diz.
00:48:54É o que se diz.
00:48:56E quer que eu lhe diga mais alguma coisa?
00:48:59Não sei, não.
00:49:00Você sabe.
00:49:01Você sabe.
00:49:02Não sei se devo acrescentar mais alguma coisa.
00:49:06Não sei se devo acrescentar mais alguma coisa.
00:49:11Sim, mas sim, mas sim.
00:49:12Por favor, tudo.
00:49:14A senhorita Legrã é muito em breve
00:49:16vai fugir do acampamento de Omar Téz.
00:49:19Mas como?
00:49:20Você não disse que ela é vigiada dia e noite?
00:49:22O rato vai ajudá-la.
00:49:24O rato?
00:49:27Esse assassino?
00:49:49Deu?
00:49:50Deu.
00:49:51Continua.
00:49:52Arrumando o bagulho aí para viajar.
00:49:54Viu, presidente?
00:49:55Também já está tudo pronto.
00:49:56É para a manieta.
00:49:59Não, não é com a manieta, não.
00:50:00Na tenda de Janete é Iara, Mugu e Iona.
00:50:05Sentadinha, paradinha, não tem problema.
00:50:26A Mãe.
00:50:29O Berenito, o Rubito, que foi no Caíro, aí na vez
00:50:33E a mulher, para acaso, ao ser, não se importa, tem a ver de mim
00:50:38Que vem o Berenito por aí, que vem o Berenito por aí
00:50:43E a que não se esconde, por irá por esse amor, pois tem magnético na vida
00:50:47E este Berenito, virá-me, lhe deu uma panela de foguí
00:50:51E a todos os alabos chantesquitos, aí dá-lo de algarro
00:50:56Aí, ele muda a fé
00:51:06Até não se esconde, seu dedo, ali ninguém pode mudar
00:51:11Mas se eu não pegar na enxada, em patada
00:51:16Não se esconde, não se esconde, não se esconde
00:51:19Não se esconde, não se esconde
00:51:23Procurando agradar o público de uma maneira ou de outra
00:51:27Mas sempre o meu intuito é um só
00:51:29Agradar o público
00:51:30Porque agradando ao público, a mim também agrado, né?
00:51:34E agradando a mim, eu consigo aquela finalidade
00:51:37E aí de conseguir a minha finalidade
00:51:39Que é vencer na vida
00:51:41Ser alguém
00:51:42Não é ser famosa, nada disso não
00:51:45Meu sonho é um só
00:51:47Conseguir vencer na minha vida
00:51:50Honestamente
00:51:51Sem que ninguém me critique mais
00:51:54Sem que ninguém me diga
00:51:55Ah, ela trabalha em boate
00:51:58Que pra muitos é coisa ruim
00:52:01Não é bom
00:52:04Mas se for procurarem bem no fundo de muitas pessoas
00:52:09Quase todas, acredito
00:52:11Vão encontrar muita coisa boa
00:52:13Muita coisa pura
00:52:15Como o meu caso, né?
00:52:19O que é que é?
00:52:25Tu me acostumbraste
00:52:30A todas essas coisas
00:52:35E tu me ensinaste
00:52:40Que são maravilhosas
00:52:47Sutil
00:52:48Sutil
00:52:50Llegaste a mim
00:52:51Como na tentação
00:52:58Llenando
00:52:59De inquietude
00:53:02Mi coração
00:53:07Eu não conseguia
00:53:12Como se queria
00:53:17E em teu mundo raro
00:53:23Que por ti aprendi
00:53:28Por isso me preocupe
00:53:42Seis dias úteis
00:53:44Depois, o descanso
00:53:47Perguntamos na praia
00:53:49O que significa o domingo para vocês?
00:53:52Eu trabalho a semana inteira pensando no domingo
00:53:54Duido que chegue o domingo
00:53:56Para vir à praia
00:53:57Passear
00:53:57Ver os amigos
00:53:58Encontrar com aquela gente toda
00:53:59Que nós levamos uma semana inteira sem ver
00:54:02Eu sonho, aliás
00:54:03Eu sonho muito com o sábado e domingo
00:54:05Quando vai chegando a sexta-feira
00:54:06Vou pensando em aproveitar o sábado e domingo na praia
00:54:08Mas eu prefiro mais o domingo
00:54:09O domingo é melhor
00:54:10O domingo parece que enfim
00:54:12Eu acho um dia de sol
00:54:14A coisa mais divina
00:54:14Que pode existir
00:54:16É uma coisa sublime
00:54:17O sol
00:54:18O verão
00:54:19Eu acho uma coisa mesmo excitante
00:54:21Uma coisa esplendorosa
00:54:22Mas principalmente no domingo
00:54:23O domingo é uma beleza mesmo
00:54:25Será que o domingo parece que enfim
00:54:28É um dia em que nós podemos
00:54:30É uma coisa louca
00:54:30A gente espera com ansiedade durante a semana
00:54:32Segunda, terça, quarta, quinta
00:54:34É um dia em que nós podemos ficar bem à vontade
00:54:36Podemos divertir
00:54:37Podemos aproveitá-lo
00:54:39Entendeu?
00:54:40Principalmente quando é sol, verão
00:54:41Todos se sentem à vontade
00:54:43Todos se divertem
00:54:45Até a natureza
00:54:46Você nasceu pra mim
00:54:48Você lutou por mim
00:54:53Você chorou como eu
00:54:59Viu como eu
00:55:02Nem sua mão
00:55:07Amor
00:55:12O que aflige a classe média
00:55:14São os problemas comuns do nosso tempo
00:55:16Se tais problemas lhe são especialmente amargos
00:55:20É porque ela se pensa imune a problemas
00:55:24Por não saber onde vai
00:55:26Corre muito
00:55:28Por não saber o que teme
00:55:30Vive paralisada de medo
00:55:56A classe média é uma classe perplexa
00:55:59Não tem um sistema de valores
00:56:02Criados por uma ação histórica dela mesma
00:56:05São multidões de indivíduos solitários
00:56:08De indivíduos iguais
00:56:10E que misteriosamente
00:56:12Se julgam diferentes
00:56:14É este seu problema maior
00:56:16Pensam que tem algo a perder
00:56:19Vivem absortos no melodrama da própria insegurança
00:56:24E esquecem que estão num país assolado
00:56:27Pela tragédia da fome e da miséria
00:56:47Pai de sete filhos
00:56:51Comprou morando na tela
00:56:52Vim para a cooperativa
00:56:54Agricultor da tela
00:56:55Vim comprar um quilo de farinha
00:56:56Para almorçar
00:56:57Isso é um horror
00:56:57Isso é uma vergonha para a minha cara
00:57:00Isso é uma vergonha
00:57:01Isso é um horror
00:57:02Agora todos os componentes
00:57:03Esse mundo de terra
00:57:04Vão comprar um quilo de farinha
00:57:06Um quilo de farinha
00:57:07É um quilo de farinha que ele pode comprar
00:57:08É o povo da cidade
00:57:10Porque é alterado e não planta
00:57:11O maior componente aqui dentro
00:57:12Porque é o que faz isso
00:57:14É o lado de fundiário
00:57:14Porque é privaterra
00:57:16Bota na mão dele
00:57:16E não deixa o componente plantar
00:57:23O que já não é possível
00:57:26Politicamente
00:57:27A classe média se movimenta
00:57:30Quando pressente mudança social
00:57:32Que lhe ameace a estabilidade
00:57:34Nunca toma iniciativa do progresso
00:57:38Sempre convocada por interesses
00:57:41Que não são seus
00:57:42É a vanguarda inocente da sociedade moderna
00:57:46Bem manipulada
00:57:48Pode fazer movimento contra si mesma
00:57:51E perca o medo
00:57:53Porque mais do que contra qualquer coisa
00:57:57Esta campanha tem de ser uma campanha contra o medo
00:58:01Porque é o medo que pode nos liquidar
00:58:04É o medo que pode acabar com todos nós
00:58:07É o medo que pode fazer com que o resto
00:58:11Muitas vezes
00:58:12Campanhas enormes levam a objetivos políticos insignificantes e quase místicos
00:58:18É o medo
00:58:20Aquele medo
00:58:21Aquele medo que não se pode condenar
00:58:23Porque nós ainda temos um mandato
00:58:26E os outros não têm
00:58:28Mas é aquele instinto de preservação
00:58:31Que levou toda uma raça
00:58:34A raça judaica na Europa
00:58:37A um extermínio
00:58:39Não pela covardia
00:58:40Mas pelo instinto de fazer sobreviver
00:58:43Pelo menos as crianças e as mulheres
00:58:45Que fez com que a raça judaica na Europa
00:58:50Fosse exterminada nas câmaras de gás
00:58:53E morresse nas balas dos pelotões de fuzilamento
00:58:57O divórcio vai aniquilar a família brasileira
00:59:08Entra sorradeiro sem consulta ao povo brasileiro
00:59:13O povo brasileiro pede que o código divorcista seja retirado
00:59:18Aprovados os dispositivos do novo código civil
00:59:22Sobrarão somente restos informes da família brasileira
00:59:26O novo código civil é um atentado aos direitos da esposa e da prole legítima
00:59:33Santo Antônio é o protetor da unidade nacional
00:59:37O novo código civil introduz camufladamente o divórcio em nossa pátria
00:59:43Que ninguém suba aqui essas escadarias
00:59:46Sem apor a sua assinatura
00:59:48Dê a gentileza, minha senhora, de bondade
00:59:51Senhores, cavaleiros
00:59:53Vamos assinar aqui, minha senhora
00:59:54Protestemos contra a legalização do concubinado em nossa pátria
01:00:20Meus amigos
01:00:22Meus amigos
01:00:25Não gritem
01:00:28Nós estamos numa igreja
01:00:52Sei que é muito difícil
01:00:57Apertados como estamos
01:00:59Ficarmos em silêncio
01:01:02E sabemos
01:01:04E aqui estão
01:01:06Aqueles jovens cariocas
01:01:10Que deram
01:01:12Exemplos
01:01:14Generosos
01:01:15Na tempestade
01:01:18Que desabou
01:01:19No início deste ano
01:01:21Aqui no Rio de Janeiro
01:01:23Calem bombas
01:01:26Toquem sinos
01:01:28Embalando os teus meninos
01:01:32Amanhã meus filhos querem paz
01:01:56O Misticismo é a solução final
01:01:59Para uma situação social
01:02:01Para uma situação social incompreensível
01:02:02A esperança é transposta para o outro mundo
01:02:06A última das compensações
01:02:11Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo
01:02:14Ainda os teus meninos
01:02:16O que você está הר money
01:02:16O que você está働indo ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo
01:02:39O que você está働indo ao Pai?
01:02:40O que você está働indo ao Pai?
01:02:42O que você está働indo ao Pai?
01:02:42O que você está働indo ao Pai?
01:02:43todo neste vidro de Xuxiê, que Xuxiê não devia de passar.
01:02:46Mas agora eu vou recomeçar tudo.
01:02:48Dá palavra para Xuxiê passar bem para onde?
01:02:51Dá palavra.
01:02:52Dá palavra.
01:02:53Dá palavra.
01:02:54Quero muito tutu, vovó.
01:02:56Esse dá tutu para Xuxiê.
01:02:57O guia de Xuxiê dá tutu.
01:02:59Porque quem é que é mais rica de que este debaixo da proteção divina que seja manjá?
01:03:04Que os espíritos trabalhador do espaço de luz, da força dos astres, que trabalha de
01:03:10mar e terra, que só um guerreiro que é de abençoar todos os seus filhos pelo dia de
01:03:14hoje e dá tudo quanto deles.
01:03:17Viedade, meu Deus, para aqueles que vós não conhecem, esperança para aqueles que sofreram
01:03:23e que a vossa bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a paz, a
01:03:29paz, a esperança e a fé.
01:03:32Deus, dá-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até vós.
01:03:37Deus, dá-nos a caridade pura, dá-nos a fé e a razão na fonte desta bondade fecunda
01:03:44infinita e todas as lágrimas secarão, todas as áreas se acalmarão.
01:03:51os do coração só vem sabendo sumir até vós, como um grito de reconhecimento e de
01:03:57amor.
01:03:58E queremos de alguma sorte passar a vossa misericórdia.
01:04:03Deus que proteja todos.
01:04:05Deus que ilumine os vossos corações.
01:04:08Deus que dê tudo quanto vai desejar-me.
01:04:24Jesus, abençoai meus irmãos que esperam, pela graça de vós, abençoai meu Deus, eu vos
01:04:30peço essa matéria impura, essa matéria cheia de maldade.
01:04:39Jesus, ajuda-me, Deus, ajuda-me.
01:04:43Ajuda-me, Deus, ajuda-me, Deus, ajuda-me, ajuda-me.
01:04:48Jesus costumável para o porto e이면?
01:04:49Para dar uma coisa por um desfaliço de mim, meus irmãos necessitados.
01:04:53Deus poderoso tens compaixão!
01:04:57Oh, Deus, por Teu olha, que vejo tantos suprimentos, Deus.
01:05:01Nossa Entrada Leijada tá com as molhetas aí dentro, ela tá passando mal há muito tempo
01:05:06aqui.
01:05:07Ajuda-me, ajuda-me, Deus, ajuda-me.
01:05:11Jesus é onde dá uma resposta.
01:05:14Atei uma ordem especial, uma ordem especial.
01:05:16Eu cego.
01:05:16Ela quase morreu, agora mesmo.
01:05:27Ela é toda aleijada, ela desmaiou porque ela tá desde oito de noite aí.
01:05:31Eu tenho muita fé e ela também tem de ela ficar como é que ela tem a perna.
01:05:35Foi um tiro na espinha que ela levou.
01:05:39Desse abençoou e bote na dente pra ser atendida, tá bem?
01:05:43Então solte ela, solte. Se controle.
01:06:02Espere, espere, espere.
01:06:05Fique quietinha, senão não pode receber a graça.
01:06:13Faz que estás diante de mim.
01:06:17Levanta-te e anda!
01:06:21Levanta-te e anda!
01:06:25Quem manda é o Pai!
01:06:28Quem está mandando é o Pai Todo-Poderoso!
01:06:32Levanta-te e anda!
01:06:34Filhanta!
01:06:38Não quero morrer!
01:06:40Não vai morrer, não!
01:06:41Não vai morrer nada!
01:06:44Levante!
01:06:45Levanta-te!
01:06:46Deixe de bombar-se!
01:06:47Deixe de bombar!
01:06:48Faça isso!
01:06:49Pensa em Deus!
01:06:50Está curada!
01:06:51Está curada!
01:06:53Você está curada!
01:06:55Eu não quero curar o seu filho!
01:06:59Pelo amor de Deus, Pelo amor de Deus, Pelo amor de Deus!
01:07:01Pelo amor de Deus, Pelo amor de Deus!
01:07:03Pelo amor de Deus, Pelo amor de Deus!
01:07:04Eu só quero me ajudar a sua filha!
01:07:05Então vai lá buscar a sua filha!
01:07:07Eu não quero morrer toda a minha vida, Pelo amor de Deus!
01:07:21A doença é... Aliás, ela está lá fora e uma senhora que está com feridas bravas
01:07:25há muito tempo, há muitos anos, toda ensanguentada lá fora.
01:07:28Qual é o diagnóstico da doença?
01:07:30A doença dela é varizes estouradas.
01:07:32Varizes estouradas?
01:07:33Estouradas há muitos anos.
01:07:34Sim, senhora. Varizes estouradas.
01:07:36E o que não pode dar para mim, não é?
01:07:38Sim, senhora.
01:07:39O meu também.
01:07:40Sim, senhora.
01:07:426.701.
01:07:43Eu sou um repórter de polícia em que sou cético a essas coisas, né?
01:07:47Apesar de todo o meu ceptismo, eu tenho visto coisas impressionantes, né?
01:07:52Em que só pode se presumir que seja obra do sobrenatural, né?
01:07:57Que seja mesmo um desafeio do sobrenatural à ciência.
01:08:00Eu me limito a registrar os fatos excepcionais, né?
01:08:05Não há necessidade de um sensacionalismo barato, né?
01:08:09Não há necessidade de se fugir da dignidade profissional quando o fato em si é notícia.
01:08:14Essa que é a realidade.
01:08:15Tudo é notícia.
01:08:24É a minha missão. Eu gosto, me sinto feliz.
01:08:28Espectadores do filme, vocês devem levar o pensamento a Deus e meditar, e meditar, pensar no sofrimento daqueles que estão
01:08:39sofrendo.
01:08:39E que vocês também têm um dom.
01:08:41Que fazer diante de tantos problemas?
01:08:45Que pensa a classe média?
01:08:48Eu, como sendo um dos vendedores do consórcio editorial do Brasil, vivendo, assim, uma vida melhor, mas vendo a vida
01:08:55dos menores.
01:08:56Portanto, é apenas o que eu tenho a pedir ao governo atual ou que venha, que deve olhar melhor o
01:09:02Brasil, a situação no Brasil.
01:09:03Quanto à moralidade, eu posso dizer que quase que nenhuma, nenhuma mesmo, vivendo esclerose, abandonado o Brasil, sendo o Brasil,
01:09:11assim, perdido, subdesenvolvido.
01:09:12Bem, meus amigos, é só que eu tenho não prolongar muito o assunto.
01:09:16O problema do Brasil é somente a agricultura. Temos que dinamizar a agricultura para haver um progresso no campo, principalmente.
01:09:23A educação, a agricultura e o apoio principal à indústria também.
01:09:28A indústria, claro.
01:09:28Está relegado.
01:09:29Está relegado a um plano bem inferiorizado.
01:09:31A preocupação política não é básica no homem da classe média.
01:09:36Cada um leva consigo uma fórmula de salvação nacional.
01:09:41Existe no país, infelizmente, uma crise moral.
01:09:46E muita gente quer responsabilizar esta crise moral como se ela partisse diretamente do governo.
01:09:55Na minha opinião, não.
01:09:57A falta de moralidade existe propriamente mais no próprio povo do que no próprio governo.
01:10:04O primeiro problema nacional deve ser o problema da alimentação.
01:10:08O segundo é a valorização da Amazônia para que nós possamos ser senhores absolutos da Amazônia.
01:10:15Quanto à moralidade, acho que é natural da juventude essa situação que nós estamos vivendo.
01:10:21O negócio não é o aumento.
01:10:23Pode aumentar tudo.
01:10:24O negócio é ganhar para pagar tudo.
01:10:25Diz-se o sociólogo americano Wright Mills.
01:10:28A história da classe média é uma história sem fatos.
01:10:34Seus interesses comuns nunca levam à unidade.
01:10:38Seu futuro nunca é escolhido por ela.
01:10:42Eu acho o seguinte, que o aumento de salário, quando sobe o salário, a mercadoria, o gênero
01:10:50de medicidade aumenta sempre mais desproporcionalmente que o salário, portanto não adianta.
01:10:55É preciso que congela os preços, tudo quanto é preço de gênero de medicidade.
01:11:05Então você pode ver o número um praje de medicamentos.
01:11:05Vamos hailzeniu paraевar um para-estim.
01:11:14Vamos lá.
01:11:14Vamos lá.
01:11:15Amém.
01:11:17Maybe.
01:11:32Legenda Adriana Zanotto
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