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Série documental sobre a crise política detonada pela renúncia em 25 de agosto de 1961 do Presidente Jânio Quadros e a tentativa de golpe de Estado visando o impedimento da posse do Vice-Presidente João Goulart.
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00:28A CIDADE NO BRASIL
00:44A CIDADE NO BRASIL
01:13A CIDADE NO BRASIL
01:27A 25 de agosto de 1961 em Brasília, celebra-se com toda a pompa militar o Dia do Soldado.
01:35Presidente Johnny Quadros, presente à cerimônia, pouco tempo depois, renunciava ao poder, deixando a nação traumatizada.
01:45Imediatamente após o conhecimento do ato do presidente, o deputado Ranieri Masili foi empossado.
01:52Perplexo, o povo brasileiro passou a participar dos acontecimentos históricos definitivos que se desenrolavam em Brasília e no Rio Grande
02:01do Sul.
02:02O Estado Sulino levantou-se em defesa da legalidade.
02:06O vice-presidente que se encontrava em missão diplomática na China continental é chamado com urgência ao Brasil,
02:12enquanto no Rio Grande do Sul organiza-se o movimento de resistência em favor de sua investidura como primeiro mandatário
02:20da nação.
02:20Durante aqueles dias e noites de preocupações e incertezas, o Congresso discutia a emenda à Constituição em sucessivas sessões que
02:30se prolongavam noite adentro.
02:45O que aconteceu foi uma espécie de trailer ou, digamos, um ensaio teatral do golpe de 64.
02:56São os mesmos personagens, os mesmos protagonistas tentaram a mesma coisa.
03:03O Brizola, então, desencadeia a resistência.
03:06Era um processo de guerra, tinha mobilização popular.
03:1120 ou 30 mil pessoas junto à Praça do Palácio, Palácio do Governo do Rio Grande do Sul.
03:17O Brizola distribuiu armas e munição para todos aqueles que se apresentavam como voluntários.
03:27Vem uma ordem de bombardeio ao Palácio.
03:30E a situação estava armada para um conflito.
03:35Seria uma chacina.
03:36E por isso que a gente diz que a renúncia do Jânio quase leva o país a uma guerra civil.
04:11Jânio Quadros
04:18Naquele momento já havia uma campanha muito grande contra o governo de Juscelino na base da luta contra a corrupção.
04:25Corrupção administrativa, corrupção privada, pura e simples, que incluiu até a UDN, que se dizia o partido da pureza de
04:38princípios, etc.
04:40Uma falsa luta contra a corrupção.
04:42Porque na história brasileira, sempre que tem um presidente que de uma ou de outra forma, mais ou menos ligado
04:48ao movimento democrático e da soberania nacional, eles vêm com essa história de corrupção.
04:53Isso aconteceu com o Getúlio Vargas, aconteceu com o Juscelino na continuidade, aconteceu com o Jango, aconteceu com o Júlio
05:02e com a Dilma.
05:02Ele não era contra a corrupção, numa posição altiva, de pureza dos princípios, não.
05:10Ele falava diretamente para o povo.
05:14Tinha a tal do A Vassourinha, que ele dizia que ia varrer a corrupção do Brasil.
05:44Jango Quadros
06:01Aquilo dele tirar uma nota do equivalente a dois, três reais de hoje do bolso e dizer
06:08Olha, eu sou um professor, olha o que me sobrou para a passagem do ônibus.
06:14E, por incrível que pareça, ele conseguia o apoio popular.
06:33Os que têm contas a justar com a coletividade, aqueles que a enganam, que a exploram, que a furtam, preparem
06:43-se para a prestação.
06:48E ele desenvolveu um modo, digamos, o chacrinha na política, que conseguia se comunicar e passar uma imagem de que
07:02ele estava do lado do povo e resolveu os problemas do povo.
07:06Mas, tratava o povo com desprezo.
07:14Me lembro de uma das suas principais afirmações.
07:19O verdadeiro Estado de Direito é o Estado das elites.
07:25Ou seja, ele encampava uma tese comum às oligarquias, aos grupos dominantes no Brasil desde sempre.
07:36O povo não sabe votar, o povo é facilmente manipulável, influenciável.
07:43E tinha o lado do filo porquêquilo, ou seja, daquele rigor gramatical, daquele palavreado, empolado, etc., como um professor.
07:58Eu achava uma figura meio estranha.
08:00Não sei porquê, mas eu achava uma figura muito diferente de tudo que eu estava vendo ali.
08:07Nem conheci, nem tive vontade também de conhecer.
08:10Não sei porquê, mas não tive vontade de conhecer.
08:12Jânio Quadros, até hoje, é considerado um personagem com aspectos incógnitos, que ninguém sabe explicar muito bem.
08:25É um desajustado mental.
08:33Impensável.
08:34Afonso Arinos de Melo Franco declarou que Jânio Quadros é a UDN de Porre.
08:45Posso responder a eventuais perguntas?
08:52Apenas tenho licença, senhores, para retirar-me logo, porque tenho outro compromisso.
09:11E Lacerda fez a campanha do Jânio, certamente foi fiador da candidatura de Jânio Quadros para a sucessão de Juscelino
09:24Kubitschek.
09:25Carlos Lacerda tinha um apoio muito grande na classe média, principalmente a classe média católica.
09:34E Carlos Lacerda e boa parte da UDN, a União Democrática Nacional, estavam convencidos de que só com recurso a
09:47uma campanha popular e populista,
09:51no estilo de Jânio Quadros, que eles poderiam ganhar as eleições.
09:58Então, o Carlos Lacerda, embora tivesse críticas fortes e certeiras ao estilo político de Jânio Quadros,
10:10abraçou a campanha e ele é considerado o grande artífice da vitória de Jânio Quadros.
10:18O Jânio, ele foi o candidato de oposição a Juscelino Kubitschek.
10:22Juscelino faz um governo democrático, inaugura Brasília, mas não só isso, dá andamento a um processo de desenvolvimento do país,
10:30cria rodovias, cria o processo de industrialização do país, toma uma medida corajosa em relação às dívidas externas do Brasil
10:39com o Fundo Monetário Internacional.
10:41O Juscelino tinha deixado uma bumba de retardamento, que era a inflação.
10:46Ele foi um grande presidente, mas ele quebrou o país.
10:51Com o apoio do Juscelino, das forças democráticas, inclusive de esquerda, tem o apoio ao general Lott.
10:57O general Lott, ele ganhou um prestígio muito grande, porque ele foi uma pessoa que jogou um papel fundamental
11:03para impedir o golpe contra o presidente Juscelino Kubitschek.
11:14Brasileiros sempre unidos, lutaremos pelo nosso ideal, seguiremos, marcharemos, ao lado do bravo marechal.
11:28Com amor, com ardor, defendeu a democracia nacional.
11:36É Henrique Duplas Teixeira Lott, marechal do peito de aço, com bravura e patriotismo, livrou o país do negravismo.
11:51É interessante a composição dessa chapa, lembrando que naquela época era possível ter uma chapa não necessariamente do mesmo partido
12:04ou da mesma aliança.
12:05Só depois é que houve uma modificação obrigando uma chapa pura.
12:13Jânio viu claramente que Milton Campos não atrairia o voto popular.
12:23O Milton Campos tinha horror daquele lado populista grotesco do Jânio.
12:30A questão da caspa, a questão de tirar um sanduíche de mortadela do bolso e dizer que era o jantar
12:39dele, esse tipo de coisa.
12:41Mas o Jânio sabia que, para ele ter o apoio na classe operária, no movimento sindical e no povo getulista,
12:52Jango era a melhor candidatura.
12:54E como ele considerava que Jango era um bobão em matéria política, que não tinha experiência nenhuma e tal,
13:03ele achava que ele poderia tratar muito bem e manipular o seu vice à vontade.
13:11O Jânio não podia ser mais diferente do Jango.
13:17João Goulart, em primeiro lugar, vinha como um herdeiro do Getúlio.
13:23Era extremamente próximo, também estanciero no sul.
13:29Acharam o João Goulart, que era um fazendeiro no Rio Grande do Sul, de comunista.
13:34Dizer, bom, o caso de um estanciero comunista é interessante, né?
13:41Eu convivi muito com ele.
13:43Era um homem muito afável e aceitava muito o que as pessoas diziam.
13:48Ele se aconselhava muito com as pessoas.
13:51O que o Brizola criticava dizia, o Jango eu conheço bem.
13:55A última pessoa que falaram com o Jango o influencia.
13:59Então foi possível essa chapa inacreditável de Jânio com o Jango.
14:07Espalhe a senha da vitória para um Brasil melhor.
14:12Jân, Jân.
14:13O povo quer, o povo é paz.
14:17Da infernal do Bratinho, a gente já.
14:21Nesta campanha sou um mero soldado do povo,
14:24porque dele recebia os símbolos, dele recebia as armas,
14:29dele recebia a coragem, a inspiração e a voz de comando.
14:33Mesmo que não explicitamente, ele fez tudo para solidificar a campanha
14:43e o Jango acabou tendo mais voto ainda do que teve na campanha do Juscelino.
15:17Dia 3 de outubro, todo o Brasil vai Jangar.
15:22Jangar é muito mais do que votar.
15:26Jangar é votar em Jango.
15:28É Jango, é Jango, é João Goulart.
15:34Jango, é Jango, é Jango, é Jango, é Jango, é Jango.
15:38Jango, é Jango, é Jango, é Jango, é Jango, é Jango, é Jango, é Jango.
15:54Chegou a hora da onça beber água, não guardem ódio, não guardem mágoa.
16:21Jango, é Jango, é Jango, é Jango, é Jango.
16:37Jango, é Jango, é Jango, é Jango, é Jango, é Jango, é Jango, é Jango, é Jango.
17:29Música
17:35Tenho a honra de passar as mãos de Vossa Excelência, o Comando da República, para os altos escolhidos pela maioria
17:44dos povos brasileiros.
18:12Música
19:44Desembarca em Havana, capital de Cuba, o Sr. Jânio Quadros, sendo recebido no aeroporto por grande massa popular, fotógrafos, cinegrafistas
19:52e jornalistas.
19:54Com o Sr. Jânio, viajou o grande comitiva, onde pontificavam altos expoentes da política nacional.
20:05Música
20:05O deputado Jânio Quadros entrou de sola no ritmo cubano, marcando o compasso com segurança.
20:15Música
20:17Dirige-se agora para a estação, onde concedeu à imprensa local uma entrevista coletiva, na qual fez um relato de
20:24suas atividades como candidato à presidência da República.
20:30Música
20:32Sua filha, mais conhecida como Tutu, foi recepcionada por jovens da sociedade cubana que lhe ofertaram flores.
20:40Música
20:41Outra vez os rondeiros fazendo sua propaganda e convidando para acompanhá-los uma alta personalidade brasileira que acaba entrando no
20:50brinquedo.
20:51Aí está o senador Afonso Arinos.
20:56Fidel Castro, valoroso líder revolucionário de Cuba, apareceu no aeroporto a fim de acepcionar a comitiva de brasileiros em visita
21:05à sua terra, agora liberta do jogo ditatorial de Batista.
21:09Jânio e Fidel falaram às rádios de Cuba.
21:14Manteve ainda o líder cubano animado bate-papo com elementos da comitiva nacional.
21:22A confraternização foi das mais perfeitas.
21:26Olhado e admirado como um deus em Cuba, Fidel tem inspirado muita gente a fazer alguma coisa pelos desprotegidos.
21:34Pena que os outros fiquem apenas na inspiração.
21:39Música
21:40Foi um sucesso a visita do senhor Jânio Quadros à terra da rumba.
21:45Um dado marcante em relação ao governo dele foi a Conferência de Punta del Este.
21:51A Conferência de Punta del Este era uma articulação do governo norte-americano com os países da América Latina
21:58para afastar Cuba da convivência latino-americana.
22:02E a delegação brasileira, que o Brizola fazia parte, não aceitou.
22:07E aí o Brizola teve um papel importante nessa história.
22:10E isso estabeleceu uma relação com Che Guevara, que estava presente ali.
22:16E tinha desancado os americanos.
22:19Aí o Jânio, no impulso do momento, o convidou para fazer uma escala em Brasília,
22:24antes de voltar para Cuba,
22:26e o condecorou com a Gran Cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul.
22:31Assim, de repente, no momento que o Carlos Lacerda estava dando a chave da cidade,
22:39o chefe da oposição cubana,
22:41o país estava pegando fogo, muito dividido, muito polarizado.
22:46Isso gera uma crise tremenda.
22:49Não era só por isso, mas gera uma crise.
23:18Não era só por isso, mas não era só por isso.
23:35A cerimônia já foi complicada,
23:39porque, na véspera, os oficiais da Guarda Presidencial
23:43tinham esboçado o movimento de rebelião,
23:47tinham dito que não iam prestar honras militares ao Che Guevara.
23:51E foi preciso a intervenção de vários chefes militares para demovê-los.
23:57Eu estava lá, estava lá na sala, assisti a condecoração,
24:02e depois acompanhei.
24:04Eu é que levei o Che Guevara a almoçar na casa do prefeito.
24:09Naquele tempo não era governador.
24:11Prefeito de Brasília.
24:12O que havia em Brasília era quase nada.
24:15Naquele tempo era uma cidade inóspita.
24:18Parecia um canteiro de obras.
24:21Quando você está no fim da seca, que é agosto,
24:24a atmosfera é calcicante, quase insuportável.
24:28E há uma certa eletricidade no ar.
24:31Quem não viveu lá não sabe o que é isso, entende?
24:34E havia aqueles redemoinhos que se formavam,
24:40que eram chamados de lacerdinha, que era o Carlos da Serra.
24:44Eles diziam que levanta muita sujeira, mas no final não acontece nada.
24:50Então eu fui com o Che Guevara no carro.
24:52Até eu fiquei surpreso, sabe?
24:54Porque eu esperava ver um revolucionário, um guerrilheiro,
24:59assim desse, de meter medo.
25:01E ele era um homem muito ameno, muito abordável, muito agradável.
25:06Não tinha, assim, nenhuma demonstração de importância.
25:12Agora, ele deixou o país incendiado.
25:15E essa política externa independente,
25:19inclusive lembrando toda a posição de Getúlio
25:24em relação a romper a marras de submissão
25:32aos interesses norte-americanos.
25:35Independente neste sentido.
25:38Mas, ao mesmo tempo, ele renovou com o FMI,
25:43Fundo Monetário Internacional,
25:46com o qual o Brasil tinha se distanciado no governo Kubitschek.
25:54Juscelino rompeu com o FMI.
25:57Ou seja, aquela condecoração foi para virar capa de revista
26:04no Brasil e no mundo, como virou no mundo.
26:08O Jânio chegou com um turbilhão.
26:11Uma vitória extraordinária.
26:16Salvo Getúlio, ninguém tinha tido uma votação tão expressiva
26:20nos vários colégios eleitorais passados.
26:24Mas chega já com o ânimo de uma ruptura
26:29com os setores dominantes até então,
26:32que eram, de certa maneira,
26:36Juscelino e muito ainda do que restava do Getúlio,
26:41através do PTB de João Boulart.
26:45Ele chega logo rigorosamente
26:47atacando o governo do Juscelino
26:51pela improbidade,
26:54pelos erros políticos,
26:56por incapacidade administrativa.
27:00Ele chega exatamente com esta bandeira imediata.
27:03O discurso dele, antes de assumir,
27:06já tinha esta característica.
27:10Automaticamente, ao assumir,
27:12ele dá continuidade a esse estilo,
27:15abrindo, por decisão dele,
27:17inquéritos administrativos.
27:19E, nessa investigação, estranhamente,
27:23várias delas começaram a apontar
27:26João Boulart como sendo uma pessoa
27:28incapaz de manter-se
27:30no mínimo de compostura honesta,
27:33até roubar pequenos talheres de prata
27:37nos jantares.
27:38Quer dizer, uma afirmação que chegava
27:40ao estímulo de algo inacreditável.
27:44Isso obrigou, como era compreensível,
27:46que João Boulart, de imediato,
27:48fizesse uma reunião no gabinete dele.
27:51Ele era, nessa época,
27:52importante notar,
27:54presidente do Congresso Nacional.
27:56Então, ofendido de uma maneira brutal,
28:00aguardando uma carta
28:02que o Júnior, em tese,
28:04tinha lhe dito o que faria,
28:06retirando as acusações,
28:09eu diria, estúpidas.
28:11Mas não faz.
28:12Essa primeira hostilidade
28:14foi para marcar território.
28:17E essa ruptura prossegue,
28:20porque, do lado de João Boulart,
28:21como é compreensível,
28:23não havia mais o que ter de diálogo
28:26minimamente cortês,
28:27depois de tudo que eu estou lajando.
28:29É quando ele começa a armar
28:32a ideia de uma viagem do Brasil
28:35para negociar com a China.
28:37Uma viagem interessantíssima.
28:41Primeiro para a União Soviética,
28:43a Rússia de então.
28:45Era uma delegação de altíssimo nível.
28:48E o Júnior presidido
28:51não podia, naquele instante,
28:53parecer a ninguém nada
28:54que normalmente um gesto
28:56que, para nós,
28:58a esquerda,
29:00nos parecia admirável.
29:01Uma abertura nossa
29:03em relação à divisão
29:05União Soviética-Estados Unidos.
29:08E depois para a China.
29:10Era algo tão estarrecedor
29:14para as oligarquias brasileiras
29:17que ele precisava
29:19que fosse um político
29:21ligado ao movimento popular.
29:24Ele disse,
29:25não, olha, vai o vice-presidente,
29:27que é quem lida
29:30com o movimento operário,
29:32o movimento sindical.
29:34Então, ele vai ser bem recebido
29:37na China,
29:38como, aliás, foi.
29:47Meus amigos chineses,
29:50nestes poucos dias
29:51de convívio com o povo chinês
29:54e com os seus dirigentes,
29:56pude ver
29:57que esta não é a velha China
30:00cheia de lendas e superstições
30:03que os povos ocidentais
30:05encaravam
30:06com um misto de vago temor
30:09e uma admiração reverencial
30:11pelo desconhecido.
30:16E eu fico limpo.
30:20Eu não me contamino
30:23com esses ares comunistas
30:25e socialistas.
30:27E aproveitou na ausência de Jango
30:30para fortificar ainda mais
30:34suas relações com os militares.
30:38e reservou para oficiais militares
30:43postos privilegiados
30:45nas sindicâncias
30:48que ele inaugurou
30:50em todos os estados brasileiros,
30:54oficialmente para enfrentar a corrupção.
30:59E, na realidade,
31:02eram oficiais militares
31:04que intermediavam
31:07as relações do executivo
31:10com os governos estaduais.
31:13Lacerda tinha vindo falar com Jânio,
31:15tinha vindo visitar.
31:18Estava irritadíssimo
31:19com a política
31:20que Jânio vinha criando
31:22à esquerda.
31:23Jânio o recebe.
31:26Lacerda quer indagações.
31:29Jânio pede que ele tome tempo
31:30que ele converse com Pedro Osorta
31:32antes,
31:33porque ele terá informações necessárias
31:36para que o diálogo com ele
31:38seja o mais amplo.
31:39Lacerda aceita
31:40e vai para a casa
31:43ou hotel,
31:44não me recordo,
31:46do Pedro Osorta.
31:47Lá há um desastre total
31:49porque, pelo que narra o Lacerda,
31:51o Pedro Osorta,
31:52de certa maneira,
31:54confessa que estava sendo convocado
31:56para um golpe de estado.
31:59Lacerda volta para o palácio
32:02a toda abrida.
32:03Sabe, Deus,
32:04como seria o encontro?
32:06Chega no palácio
32:07e a porta do palácio está fechada.
32:09Quero dizer,
32:10na própria entrada do palácio,
32:12a mala do Lacerda
32:14estava na rua.
32:15Era o aniversário
32:17do suicídio do Getúlio Vargas,
32:1924 de agosto,
32:21que já era uma data
32:22de mau agouro.
32:23Nessa noite,
32:25o Carlos Lacerda
32:27denunciou,
32:28na televisão e no rádio,
32:30que havia uma conspiração
32:32levada adiante
32:34pelo governo
32:35e que ele tinha sido
32:37sondado
32:37a participar
32:39da conspiração
32:40pelo ministro da Justiça,
32:42que era
32:43Oscar Pedroso
32:44do Orta.
32:45E a conspiração
32:47seria
32:47para levar
32:49o governo
32:50a decretar
32:51um estado
32:52de exceção
32:52e,
32:54nesse estado
32:55de exceção,
32:55mudar a Constituição
32:56para aumentar
32:58os poderes
32:59do presidente.
32:59fazer uma reforma
33:03constitucional
33:03de maneira a estabelecer
33:04um regime
33:04de exceção
33:05no Brasil
33:05nos termos
33:06preconizados
33:07por uma campanha
33:08que o próprio
33:08Carlos Lacerda
33:09tinha feito
33:09no antigo ano
33:10da imprensa
33:10no fim do governo
33:10do Café Filho.
33:11A proposta
33:12do Carlos Lacerda
33:13na época
33:13do Café Filho
33:14era golpista.
33:15E a proposta
33:15que o Lacerda
33:17atribuía
33:18ao Jani
33:18e ao Pedro Osor
33:19era também
33:20uma proposta
33:21golpista.
33:22A denúncia
33:23caiu como uma bomba,
33:25né?
33:25E aí
33:26explodiu em Brasília,
33:27né?
33:28E em Brasília
33:28imediatamente
33:29o Congresso
33:30se reuniu
33:31e à noite
33:32o Congresso
33:33decidiu
33:33convocar
33:34o ministro
33:35da Justiça,
33:35né?
33:36Então já
33:37a situação
33:37estava fervendo.
33:39No dia seguinte
33:40de manhã
33:40eu não fui
33:43à cerimônia
33:44do dia
33:45do soldado
33:46que é o dia
33:46do Caxias,
33:47em que me
33:49telefona
33:49um amigo meu
33:50que era também
33:52do Itamaraty
33:53e ele me perguntou
33:55você está
33:56de pé
33:56ou está sentado?
33:58Eu disse
33:58não, estou de pé
33:58então
33:59Zé senta
34:00porque a notícia
34:01que eu vou te dar
34:02é de derrubar
34:04qualquer um.
34:05Estou eu
34:05no meu gabinete
34:06que era
34:07relativamente
34:08perto do plenário.
34:09Vias que aí
34:10ia acontecer
34:11alguma coisa,
34:12tinha muitos
34:12jornalistas,
34:14mas eu notei
34:15que a maioria
34:15não sabia,
34:16ninguém sabia,
34:17né?
34:17E vejo um
34:18correrio
34:19no corredor,
34:20vou,
34:20são jornalistas
34:21correndo,
34:22correndo.
34:22quem deu
34:23o furo mundial
34:24da notícia
34:25foi uma pessoa
34:27que eu contei
34:27a história
34:28da Lambert
34:29Jacu,
34:30um correspondente
34:31da prensa latina
34:32que era a agência
34:33cubana no Brasil.
34:35Jânio renunciou,
34:37exatamente,
34:38Jânio renunciou,
34:39como,
34:39como,
34:40Jânio,
34:40como?
34:41Corri também
34:42para o plenário.
34:47E atenção,
34:48atenção,
34:49ouvintes,
34:49o senhor Jânio Quadros
34:51acaba de renunciar
34:52à presidência
34:53da república.
34:54O presidente
34:55enviou carta
34:55ao presidente
34:56do Congresso Nacional
34:57comunicando sua decisão
34:58de deixar o governo.
35:00O Jânio Quadros
35:01renunciou
35:02à presidência
35:03forçado
35:04pelos militares
35:06essa primeira versão,
35:07né?
35:07Estava terminando,
35:09praticamente terminando
35:10de ser eleito
35:10presidente da ONU.
35:11Quando eu ouço
35:11na rádio,
35:12a notícia
35:13da renúncia
35:14do presidente
35:14Jânio Quadros.
35:16Aí pega um avião,
35:17voa para o Rio
35:19e lá toma conhecimento
35:21que a sede da ONU
35:21já estava ocupada.
35:23Quer dizer,
35:23a direita já tinha
35:24ocupado, tal,
35:25e evidentemente
35:26eles estavam atrás
35:27do presidente da ONU.
35:28Os militares
35:30estão constituindo
35:31uma junta de governo
35:32e as pessoas
35:34estão se armando
35:35para começar
35:36a resistência, né?
35:38Nessa altura
35:38a gente decreta
35:40uma greve
35:41de solidariedade
35:42porque de imediato
35:43a renúncia
35:44foi dia 25,
35:45de imediato
35:46o Brizola
35:46no Rio Grande do Sul
35:47desencadeia
35:48a resistência
35:49da legalidade.
35:50E aí a ONU
35:52de imediato
35:52também
35:53decreta
35:54a greve nacional
35:55e estudantil
35:55e lança
35:56um manifesto
35:57de solidariedade.
35:58O presidente
35:59Jânio Quadro
36:00surpreendeu
36:01a todos
36:01com a sua
36:02renúncia.
36:03A nossa
36:05surpresa
36:05no Rio Grande do Sul
36:07transformou-se
36:07numa reação
36:09contra aquele
36:10acontecimento.
36:12Admitíamos
36:12que ele estava
36:13sendo vítima
36:14de pressões
36:14indevidas
36:15de um golpe
36:15de Estado.
36:17Então procurei
36:17me comunicar
36:18com ele
36:19e me disse
36:19que ele mandava
36:20agradecer muito
36:21a nossa solidariedade
36:22e o convite
36:23que fazíamos
36:24para ele ir
36:24para o Rio Grande do Sul
36:25porque nós queríamos
36:26organizar a resistência
36:27contra esse golpe lá
36:28com a presença dele
36:30que ele já
36:31havia renunciado
36:32que não havia
36:32mais nada a fazer.
36:34E eu fui
36:35para o Congresso
36:36que eu tinha
36:36lá a minha sala
36:37e eu fiquei
36:38o telefone
36:39e eu vi
36:39quando começou
36:41a agitação.
36:42Enchando
36:43com o ministro
36:44da Justiça
36:44as razões
36:45de meu ato
36:46renunciam
36:47ao mandato
36:48de presidência
36:48da República.
36:49Forças terríveis
36:51levantam-se
36:52contra mim
36:53e me intrigam
36:54ou infamam.
36:55Encerro assim
36:56esta página
36:58de minha vida
36:58e da vida
37:00nacional.
37:01Fui vencido
37:02pelas forças
37:03aí as pessoas
37:04perceberam, né?
37:05O meu contemporâneo
37:07do 11 de agosto
37:09que era o
37:09Almino Afonso
37:10que era o líder
37:11do PTB
37:12ele imediatamente
37:13gritou
37:13é golpe,
37:14é golpe!
37:16Uma palavra
37:17ao nobre deputado
37:18Almino Afonso.
37:19Senhor presidente,
37:20o partido
37:21trabalhista brasileiro
37:22nesse instante
37:23fiel
37:24às suas tradições
37:25democráticas
37:26não pode
37:28aceitar
37:28essa renúncia
37:29senão
37:31como um golpe
37:32em que o
37:33presidente da República
37:34pretenda retornar
37:36ao governo
37:37amparado
37:39por forças
37:40estranhas
37:41a maneira
37:42de um ditador
37:44disfarçado
37:45seja
37:46sobre que forma
37:47for.
37:47Ele louvava
37:48a presença
37:49dos militares
37:50absolutamente
37:51dignos
37:52no comando
37:53do governo
37:54homenageia
37:55o empresariado
37:56agradece
37:58ao povo
37:58os trabalhadores
37:59tudo isso
38:00é uma carta
38:01paradoxal
38:02é renúncia
38:03diante disso
38:04senhor presidente
38:05pra mim
38:06sugere outra coisa
38:07juro a você
38:08que fui o primeiro
38:09a levantar
38:09juro a você
38:11que fui o primeiro
38:11a levantar
38:12isso é sinal
38:13de algo
38:14que me cheira
38:15a golpe
38:15tá escrito
38:17no meu discurso
38:18tá escrito
38:18no meu discurso
38:19ah foi imediatamente
38:21um celeiro
38:21porque bem ou mal
38:23era respeitado
38:24era um jovem
38:25mas era um jovem
38:26respeitado
38:26o Jânio Quadros
38:27na megalomania dele
38:30achava que
38:32ia acontecer
38:33como em Cuba
38:34que ele tinha visitado
38:35quando candidato
38:36o Fidel Castro
38:37renunciou
38:38ao cargo
38:39de primeiro início
38:39o povo se rebelou
38:41e exigiu
38:42que ele voltasse
38:42então o Jânio
38:44depois contar isso
38:45anos depois
38:46pro Neto
38:47achava que ia acontecer
38:49o mesmo no Brasil
38:50mesmo isso
38:51ficaram em concordagem
38:52e queriam
38:53exigir
38:54ter um encontro
38:54com o presidente
38:56e o presidente
38:57não queria receber
38:58porque estava
38:58redigindo
38:59aquele famoso documento
39:01o Orta
39:02desceu
39:03e existiu
39:03o presidente
39:04porque ele tinha
39:04um dever de receber
39:05aqueles ministros militares
39:06então
39:07o presidente
39:08terminou recebendo
39:09os três ministros militares
39:10o Mário Achalda
39:11queria dito
39:13a
39:13o presidente
39:14disse
39:15presidente
39:15o senhor
39:16não se conforme
39:17com a sua renúncia
39:18o que o senhor
39:18quer
39:19o senhor
39:20quer que nós
39:21vencamos no congresso
39:22venceremos no congresso
39:25o senhor
39:25quer
39:25intervir na Guanabara
39:26nós todos
39:27conhecemos
39:28esse moço
39:28que está lá
39:28nós interveremos
39:29na Guanabara
39:30mas eu fiquei muito impressionada
39:49com a altíssima
39:52a confiança
39:54dele
39:56dele na sua própria
39:57capacidade política
39:59o encaminhamento
40:01para renúncia
40:02decorre
40:03da absoluta
40:05confiança
40:06que ele tinha
40:07que voltaria
40:09nos braços
40:09do povo
40:10ele textualmente
40:12diz
40:13em menos de três meses
40:15eu estarei de volta
40:16na época
40:18teve um episódio
40:19semelhante
40:19foi com Gamal
40:20Abdel Nasser
40:21que ele renunciou
40:22e voltou
40:23nos braços
40:23do povo
40:24então no fundo
40:25o Jânio achava
40:26que poderia repetir
40:27só que ele não tinha
40:28base social
40:29o Nasser
40:30tinha um senhor
40:31base social
40:32no Egito
40:33e ali
40:33toda aquela região
40:34ele não tinha
40:35pelo contrário
40:36que ele tinha obtido
40:38na vitória
40:38estava se perdendo
40:40mais de uma vez
40:42ele ameaçou
40:43renunciar
40:44e aí
40:45houve o movimento
40:47da UDN
40:48e tal
40:49então ele
40:50se é
40:51deu uma
40:53do dia do fico
40:54então eu fico
40:55mas é que ele estava
40:57absolutamente
40:58convencido
40:59de que o povo
41:00iria para a rua
41:01ele estava
41:18já se foi a vassoura
41:22não mentindo
41:25nem falo
41:26fiz o velho ditado
41:30quem manda no terreiro
41:33é o galo
41:34já se foi a vassoura
41:45ele errou
41:47em primeiro lugar
41:48porque
41:49o inimigo dele
41:51principal
41:52que tinha apoio
41:53popular
41:54e de classe média
41:55ou seja
41:56apoio de voto
41:57Carlos Lacerda
41:59Carlos Lacerda
42:00tomou
42:01a renúncia
42:02dele
42:03como
42:04uma prova
42:05de que ele queria
42:06dar o golpe
42:06não conseguiu
42:07dar o golpe
42:08jogou o Brasil
42:09numa situação
42:10que podia dar
42:13em guerra civil
42:14o Jânio renunciou
42:15numa sexta-feira
42:16achando que
42:17iam
42:18discutir
42:19a renúncia
42:19e o presidente
42:21do senado
42:22disse que não
42:23renúncia é um ato
42:24unilateral
42:24de vontade
42:25não é
42:26não há discussão
42:28em menos de quatro horas
42:30a renúncia
42:31foi aceita
42:32isso não existe
42:33em lugar nenhum
42:35foi
42:36não houve nada
42:37não houve
42:38não houve
42:39briga
42:39nada
42:40aceitou rapidamente
42:42a carta
42:42dupla
42:43do Jânio
42:44que fora entregue
42:47pelo Pedro
42:48o Horta
42:48ao presidente
42:50do congresso
42:51de Moura Andrade
42:51Moura Andrade
42:53dá cópia
42:54da carta
42:55ou das cartas
42:56para os jornalistas
42:58e os jornalistas
42:59saem de bandada
43:01gritando
43:01como
43:03Moura Andrade
43:04não fez o que
43:06deveria fazer
43:06minimamente
43:08para a metade
43:09longa experiência
43:10só
43:12me passa
43:13por raivas
43:14internas
43:15que naquele
43:16tênis
43:16tenham levado
43:17a este gesto
43:18fora disso
43:19não há explicação
43:20o fato é que
43:22aquilo
43:22não passou
43:23por um segundo
43:24de uma análise
43:24formal
43:25do congresso
43:26nem no senado
43:27nem na câmara
43:28porque quando chega
43:29na câmara
43:30já era
43:31o documento
43:32voando de mão em mão
43:34os dois presidentes
43:35da câmara
43:36de senado
43:36eram paulistas
43:37o Vanieri Mazili
43:39e o Aulo
43:40de Moura Andrade
43:41ambos o PSD
43:43o Aulo de Moura Andrade
43:45que era o presidente
43:45do senado
43:46ele não tinha interesse
43:47nenhum
43:48em que
43:49a renúncia
43:51não tivesse
43:52seguimento
43:53porque você sabe
43:54o interesse
43:55do PSD
43:56e do PTB
43:57era se livrar
43:58do jânio
43:59senão
43:59eles iam ter que esperar
44:00cinco anos
44:01na época
44:03da renúncia
44:04eu estava
44:05em
44:06em Loret del Mar
44:07na praia
44:08com os meninos
44:09e
44:10o jânio estava
44:11viajando para a China
44:12e eu não quis ir
44:13porque eu
44:14preferi ficar
44:15descansando um pouco
44:16na praia
44:17mas eu fiquei
44:18sabendo
44:20com o dono do hotel
44:21eu desci
44:22para tomar café
44:22com os meninos
44:23e ele me falou
44:26parabéns
44:27todo mundo
44:28me aplaudindo
44:29no salão
44:29eu não sabia
44:30o que era
44:32parabéns
44:32me deu o jornal
44:34e eu vi
44:35a renúncia
44:36do jânio
44:37e aí eu falei
44:38para ele
44:39muito obrigada
44:41não sabia o que dizer
44:42porque foi uma coisa
44:43tão repentina
44:45mas aí foi uma festa
44:47no hotel
44:47muito grande
44:49está vaga
44:50a presidência
44:51da república
44:52deve ser
44:53empossado
44:54o presidente
44:55da câmara
44:56que é
44:57o vice-presidente
44:59não estava
44:59preciso
45:00lembrar
45:01esses detalhes
45:02mas segundo
45:03os analistas
45:04eles consideram
45:05que a saída
45:06do jango
45:07para a china
45:07já foi uma coisa
45:08montada
45:09pelo próprio jânio
45:10porque diante
45:12da renúncia
45:12e diante
45:13dos militares
45:14não quererem aceitar
45:15passar o poder
45:16para o jango
45:16ele voltaria
45:18todo mundo
45:19foi pego
45:19de surpresa
45:20não tinha
45:21nada
45:22arquitetado
45:24uma das ideias
45:25que surgiu
45:26e que eu
45:27e o Orlando
45:28refutamos
45:29era
45:30instituir
45:31um governo
45:31militar
45:33a priori
45:34constituir um governo
45:34militar
45:35porque
45:35todos nós
45:36éramos contra
45:37a posse do jango
45:38tinha que estudar
45:39a maneira do jango
45:40não tomar posse
45:41lá no palácio
45:42do planalto
45:43eu e o Orlando
45:44vimos o TNI
45:46querendo
45:47querendo fazer coisas
45:48se orientando
45:49no sentido
45:49de um governo
45:50militar
45:50e nós
45:52damos contra
45:53achamos que o exército
45:54não devia assumir
45:56o Rui Ramos
45:57que era um deputado
45:57do Rio Grande do Sul
45:58do PTB
45:59do Partido Trabalhista
46:00se encontra com
46:02Odílio Denis
46:03comandante do exército
46:04ministro
46:05na época
46:06se chamava
46:06o ser ministro
46:07tinha o poder total
46:08absoluto
46:09sobre o exército
46:10e há um intercâmbio
46:11de palavras
46:12muito duras
46:14de parte a parte
46:15e o Rui Ramos
46:17diz
46:17mas o senhor
46:18está dizendo
46:19desrespeitando
46:20a Constituição
46:21eu posso lhe prender
46:22e diz o Denis
46:23e eu posso
46:24prendê-lo também
46:25bom e aí
46:26ninguém prende
46:27a ninguém
46:27o Bocaiúva Cunha
46:29que era o líder
46:30do PTB
46:31do Partido Trabalhista
46:32na Câmara dos Deputados
46:33assiste a conversa
46:35e depois
46:36ele telefona
46:37para o Brizola
46:38ele Bocaiúva Cunha
46:39e conta
46:40a situação
46:42e aí
46:42que o Brizola
46:43percebe que
46:44é definitivo
46:46a história
46:47do veto
46:48dos comandantes
46:49dos ministros
46:50militares
46:50à posse
46:51do João Goulart
46:52sob o pretexto
46:54que o João Goulart
46:54era
46:55pró-comunista
46:56o que
46:58houve de grave
47:00foi
47:00não aceitarem
47:03a única saída
47:04constitucional
47:05que era
47:06a posse
47:07do vice-presidente
47:29o Brizola
47:31recebe um telefonema
47:32do Marechal Lott
47:33que tinha sido
47:35o candidato
47:36derrotado
47:36pelo Jânio Quadros
47:38o Marechal Lott
47:39conta que estava
47:40sendo perseguido
47:41depois ele foi
47:43preso
47:43encarcerado
47:45na Fortaleza
47:46das Lages
47:47no meio
47:48da Baía da Guanabara
48:06eu acho que o Rio de Janeiro
48:07estava completamente tomado
48:10pela ideia
48:10de que o presidente
48:11era o novo lá
48:12e isso foi uma coisa
48:13muito tranquila
48:14tranquila no sentido
48:15que foi muito
48:17pouco discutido
48:18porque muito pouca reação
48:19a isso
48:21achava que era
48:22isso mesmo
48:23nós estávamos vivendo
48:25do grande teatro
48:26o Lacerda
48:27foi nos assistir
48:28entendeu
48:29e ele saiu de lá
48:30dizendo
48:31isso aqui é coisa
48:32de comunista
48:32isso aqui é coisa
48:34de comunista
48:35entendeu
48:37bom
48:38estreamos
48:39peça do Nelson Rodrigues
48:41foi um sucesso
48:43alucinado
48:44porque foi também
48:45uma
48:45uma reação negativa
48:48moral
48:49entendeu
48:50não política
48:52destaco isso
48:55não política
48:56moral
48:57só que o Jânio
48:59renuncia
49:01em sete meses
49:03né
49:03aí vem o caos
49:11tinha prisão
49:13tinha tamburão
49:15tinha protesto
49:38eu saí de Brasília
49:40no último avião
49:42oficiais aeronáuticos
49:44entraram no avião
49:45com metralhadoras
49:46para ver
49:46o que estava acontecendo
49:48sei lá o que eles imaginavam
49:50a pista do aeroporto
49:53em Brasília
49:53foi interditada
49:54com barris
49:55para evitar
49:56um ataque
49:57né
49:57dos
49:58que eram fiéis
50:00ao João Goulart
50:00eu me lembro
50:02que eu saí
50:02e me lembrei
50:03daquele soneto
50:04do
50:05Carlos Drummond de Andrade
50:07que é um soneto
50:08que chama
50:08o soneto
50:09da perdida esperança
50:11ele dizia assim
50:12é
50:13perdi o bom dia
50:15a esperança
50:15volto pálido
50:17para casa
50:18então
50:19eu
50:20eu
50:20eu desde aquele dia
50:22é
50:23senti que
50:24que o golpe
50:26era inexorável
50:27né
50:36eles recebiam notícia
50:38em Singapura
50:39no hotel
50:40Raflis
50:40pela madrugada
50:42um dos
50:43acompanhantes
50:44participantes
50:45dessa missão
50:46que era
50:47o
50:48o senador
50:49Barros de Carvalho
50:50do PTB
50:51e logo
50:52disse
50:52o doutor
50:53Jango
50:54vamos abrir
50:54uma champanhe
50:55para
50:56comemorar
50:57o futuro
50:57presidente
50:58mas o Jango
50:59era um homem
50:59muito precavido
51:00um homem muito
51:02com o pé no chão
51:04e disse
51:05olha Barros
51:05você quer tomar
51:06champanhe
51:07não é inconveniente
51:07vamos mandar
51:08buscar uma champanhe
51:09no bar
51:09agora não
51:10para comemorar
51:12a minha
51:13chegada
51:14à presidência
51:14mas sim
51:15em homenagem
51:16ao imprevisível
51:17o chão
51:19o chão
51:20o chão
51:21o chão
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