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  • há 9 horas
Título do livro: As Aventuras do Capitão José Bates
Autor do livro: José Bates

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Transcrição
00:00As aventuras do Catão José Bates, capítulo 7
00:05Embarcando para os Estados Unidos
00:08As cotovias do oceano
00:11Empolgação quanto ao porto de destino
00:15As margens de terra nova
00:17Os perigos do oceano
00:20Rebelião ameaçada
00:22Ilhas de gelo
00:24Rebelião em alto mar
00:26Falando com um navio americano
00:29Boas novas
00:31Terra à vista
00:32Um prêmio
00:34Chegar em segurança a Nova Londres, Connecticut
00:37Navegando novamente para Boston
00:40Os barcos já estavam nos esperando
00:43E antes de anoitecer subimos a bordo do cartel
00:47Este era um navio mercante inglês chamado Mary Ann
00:50Com capacidade para 400 toneladas de carga
00:54Comandado pelo Catão Carr
00:56O navio possuía cabines temporárias entre os converges para acomodar cerca de 280 pessoas
01:03Alguns oficiais que estavam em liberdade condicional se juntaram a nós
01:08Aumentando o nosso número para 280 passageiros
01:12Ali, a bordo daquele navio, cenas passadas me vieram à mente
01:17Cerca de 5 km de distância
01:20Dali, no porto superior, ficava atracada uma frota de velhos cascos
01:25Navios de guerra incapazes de navegar ou desmantelados
01:30Para onde me haviam mandado cinco anos antes
01:33Depois de eu ser recrutado à força
01:36A fim de me colocarem à disposição do serviço da Marinha Britânica
01:40Lembro que em vez de me submeter a tão injustificável opressão
01:44À meia-noite desci da portinhora do Convés Central do San Salvador del Mundo
01:49Um velho navio espanhol de três andares até o mar
01:53Pensando em nadar aqueles quase cinco quilômetros
01:56Pela providência e misericórdia de Deus
01:58Provavelmente acabar em algum lugar próximo de onde eu estava agora
02:02Para então embarcar de volta à minha terra natal
02:05Porém, como já relatei antes
02:08Fui impedido de realizar esse esforço desesperado
02:11Para alcançar a liberdade
02:13E acabei sendo enviado no meio de estranhos
02:16E ainda rotulado como fugitivo do serviço de sua majestade
02:20Naquele lado do tenebroso local de navios desmantelados
02:24Jazia ancorado o Swift Shore 74
02:27Que havia retornado recentemente de sua viagem
02:31De três anos no mar Mediterrâneo
02:33O mesmo navio para o qual eu havia sido selecionado
02:36Depois de sair do Rodney 74
02:38Quando este último estava prestes a retornar dali para a Inglaterra
02:43O mesmo navio onde passei meus primeiros seis meses preso
02:47Onde fui ameaçado de ser amarrado no mastro principal
02:50Para ser o alvo dos franceses
02:52Caso não cumprisse as ordens urgentes do primeiro tenente
02:56Já que eu tinha sido transferido para o Swift Shore 74
03:00Por ter tentado fugir como mencionei acima
03:04Foi informado de que eu deveria ser transferido deste navio
03:08Quando terminasse sua expedição nos próximos três anos
03:11Portanto estava condenado a permanecer em um país estrangeiro
03:16Privado dos privilégios permitidos ali a bordo
03:19Como pagamento dos salários e as 24 horas de liberdade na costa
03:24Mas os sofrimentos passados ali como prisioneiro deles
03:28Me concederam que eles não estavam dispostos a conceder
03:31Ou seja, minha liberdade e desobrigação do serviço ao rei George III
03:37A Inglaterra e os Estados Unidos fizeram e ainda fazem muitas coisas
03:43No sentido de indenizar aqueles que sofreram e trabalharam em seu serviço
03:48Milhões de dólares foram gastos para dar prosseguimento à guerra de 1812
03:53Os americanos exigiram e lutaram pelo livre comércio e pelos direitos dos marinheiros
03:59A Inglaterra reconheceu a justiça dessas reivindicações
04:03Mediante os seguintes expedientes
04:05Primeiramente, permitiu a pedido dos próprios americanos
04:10Que centenas deles se tornassem seus prisioneiros de guerra
04:13Em vez de os servirem
04:15Afirma-se com frequência que cerca de 200 desse tipo de prisioneiros
04:20Foram confinados em Dartmoor
04:23Em segundo lugar, foi assinado o Tratado de Paz de 1815
04:27Porém, a Inglaterra não nos concedeu nenhuma espécie de remuneração
04:31Por nos privar de nossa liberdade e injustamente nos obrigar a lutar em suas batalhas
04:37Exceto o pequeno salário que se dispuseram a conceder
04:40Durante a última parte de meu serviço
04:44Fui obrigado a cumprir deveres de um marinheiro hábil
04:47E me disseram que assim eu era classificado por ocupar uma posição no mastro principal
04:53Enquanto ainda era prisioneiro de guerra em 1813
04:57O agente da marinha me pagou 14 libras e 26 centavos
05:01O equivalente a 62 dólares e 71 centavos
05:05Essa quantia, bem como o vestuário rústico e fajuto de clima ameno
05:10Que me havia sido provido do baú dos marinheiros
05:13Conforme o chamavam os oficiais
05:15Era toda a recompensa que a Inglaterra me deu por cerca de dois anos e meio de meus serviços
05:21Depois disso, fiquei mais dois anos e meio como prisioneiro de guerra deles
05:26Sendo tratado sem qualquer alívio ou consideração
05:30Da mesma maneira que outros prisioneiros conterrâneos
05:33Capturados em navios corsários ou de batalha
05:36Mas se a Inglaterra estiver disposta a me fazer justiça
05:40Mesmo neste momento final de mim estar aqui
05:42Isso será muito bem-vindo
05:44Os nossos beriches a bordo do cartel eram bem aglomerados
05:49E nos sentíamos como meros peões
05:51Eles serviam tanto para o momento de dormir quanto para as refeições
05:56Com apenas um corredor estreito
05:58Amplo o suficiente apenas para subirmos ao convés e descermos
06:02Na manhã seguinte puxamos a âncora
06:05Exarpamos do porto com todas as velas levantadas
06:08E um vento favorável
06:10Logo deixamos a velha Inglaterra
06:13E ficamos muito felizes por nos encontrarmos no vasto oceano
06:17Navegando rumo ao oeste
06:19Nada de inusitado aconteceu a bordo
06:22Até que chegamos à costa leste das célebres margens da Terra Nova
06:27Com exceção dos pequenos cotovias do mar
06:29Que voavam agitadas seguindo nosso rastro
06:33Aparentemente muito felizes por encontrarem outro navio e seus passageiros no oceano
06:38De quem poderiam obter sua porção diária de alimento
06:42É um mistério como elas conseguem descansar
06:45Se é que descansam
06:48Os marinheiros desderam o nome de galinhas da mãe Carrie
06:52Talvez em homenagem a uma bondosa velhinha
06:55Assim chamada por seu cuidado e apreço pelos pobres marinheiros
07:00Depois de alguns dias em alto mar
07:02Descobrimos por meio do capitão
07:04Que o Sr. Busley, nosso cônsul em Londres
07:07Havia fretado aquele navio para desembarcar em Seat Point
07:10Uma longa distância do alto do rio James, na Virgínia
07:14Com o intuito de carregar o navio com tabaco para levar a Londres
07:19Consideramos isso um ato cruel e indesculpável por parte do Sr. Busley
07:23Pois desembarcar ali seria bom apenas para cerca de seis de nós
07:28Enquanto o restante ainda teria de viajar centenas de quilômetros
07:32Até finalmente chegar a seu destino em Nova Iorque ou Nova Inglaterra
07:37Se é que pudessem implorar por carona
07:39Que chamo-nos com o capitão
07:42Mas ele disse que não iria desviar da rota e nos desembarcar em nenhum outro lugar
07:46Por outro lado, os prisioneiros declararam que jamais iriam para Seat Point
07:51Portanto, combinamos em segredo quem seria o capitão e os oficiais da embarcação
07:57Caso houvesse uma rebelião em nosso castelo flutuante
08:01Quando nos aproximamos da costa leste das margens de Terra Nova
08:05Cerca de dois terços da distância para atravessar o Oceano Atlântico
08:10Descobri que estávamos onde eu havia naufragado por causa do gelo
08:14Vários anos antes, como relatei alguns capítulos atrás
08:18Como aquele lugar perigoso tornou-se o tema central das nossas conversas
08:23Descobrimos que vários de nós já enfrentáramos dificuldades semelhantes
08:27Ao passarmos por ali durante a primavera
08:30O capitão Carr disse que já havia feito aquele caminho até Terra Nova umas quinze vezes
08:35Que nunca vira nenhuma ilha de gelo
08:37E não acreditava que pudesse ter alguma em nosso caminho
08:41À tarde, vimos uma grande camada de gelo no meio do mar
08:45Perguntamos ao capitão como ele chamava aquilo
08:48Ele reconheceu que era gelo mesmo
08:51À medida que a noite caía, o vento virou um vendaval vindo do leste
08:55O capitão Carr, desconsiderando tudo o que havíamos lhe falado poucas horas antes
09:01A respeito dos perigos do gelo em nosso caminho
09:04Manteve a embarcação navegando à frente do forte vendaval
09:08Com as velas encurtadas ao máximo
09:11Determinado a fazer do seu próprio jeito
09:13Em vez de atracar e esperar até a manhã seguinte
09:17Como sugeriram alguns prisioneiros
09:19Mais ou menos trinta de nós
09:22Relutantes em confiarmos no julgamento do capitão
09:25Nos posicionamos na proa e na espicha da vela de proa
09:29A fim de vigiarmos e procurarmos por gelo
09:32À meia-noite, o navio estava velejando furiosamente empurrado pelo vendaval e a tempestade
09:38Evidentemente, sem qualquer esperança de termos tempo para evitar o gelo
09:43Caso o avistássemos
09:44Correndo o perigo de sermos despedaçados a qualquer momento e sem aviso
09:49Também sentimos uma mudança acentuada na direção do vento
09:53Em meio àquele dilema, decidimos tomar o navio do capitão e virá-lo contra o vento para estacioná-lo
10:00Nós encontramos o capitão no tombadilho superior dando ordens aos timoneiros
10:05Falamos-lhe objetivamente sobre nossa posição perigosa
10:09E que cerca de trezentas vidas estavam à mercê de suas decisões
10:13Também dissemos que se ele não virasse o navio naquele momento
10:17Nós o faríamos por ele
10:19Vendo a nossa determinação de agirmos assim imediatamente, ele gritou para a tripulação
10:25Virem a bom bordo com toda a força!
10:28Coloquem o leme a este bordo!
10:30Isso fez a vela principal assentar-se ao mastro
10:33E o navio se posicionar contra o vento
10:37Feito isso, o curso do navio para frente foi interrompido até o amanhecer do dia
10:42Quando vimos que por pouco escapamos com vida
10:45Enormes ilhas de gelo se encontravam bem em nossa rota
10:49E se tivéssemos continuado a navegar empurrados pelo vendaval
10:53Teríamos passado por elas, correndo o iminente perigo de uma forte colisão
10:58Que nos teria deixado em ruínas
11:00Dessa forma, ficou evidente a todos a obstinação do capitão Carr
11:04E justificado a nossa atitude de exigir que ele arribasse o navio
11:09Depois que o navio retomou sua rota adiante
11:12E ao passarmos pelas imensas ilhas de gelo
11:15Ficamos todos circulando pelo navio e vigiando
11:18Até deixarmos para trás aquelas margens de gelo
11:21E novamente navegarmos a salvo no insondável oceano
11:25A distância, aquelas ilhas de gelo pareciam grandes cidades
11:29E se não fosse pela nossa prudência e antecipação
11:32Sem sombra de dúvida, aquelas ilhas teriam sido a causa de nossa destruição
11:37Além disso, a maioria dos prisioneiros estava convencida
11:41De que aquele era o melhor momento para tomarmos o navio do capitão
11:45E prosseguirmos para Nova York ou Boston
11:47De onde poderíamos voltar mais rapidamente para casa
11:51Havíamos decidido e declarado ao capitão Carr
11:54Que seu navio jamais nos levaria a Seat Point, Virgínia
11:58Onde o navio deveria ser atracado
12:01Conforme exigido pela pessoa que o havia fretado
12:03Passado todo aquele perigo proporcionado pelo gelo
12:07A questão mais difícil a ser definida naquela ocasião
12:10Era em qual porto deveríamos atracar
12:13Caso tomássemos o navio
12:15O porto de Nova York ou de Boston
12:17De repente um dos nossos companheiros se colocou no meio do navio
12:22Sobre a escotilha principal e com voz estrondosa gritou
12:25Todos os que vão a Nova York, fiquem a este bordo do navio
12:30E todos os que são a favor de Boston, fiquem a bom bordo
12:35Imediatamente os prisioneiros se posicionaram
12:37E declararam que o maior número estava a este bordo
12:40Portanto o navio devia ir para Nova York
12:43O capitão Carr estava em nosso meio, perto do timoneiro
12:47E olhava com atenção para aquela movimentação estranha e inusitada
12:51De repente um dos nossos tirou da mão do timoneiro a roda do leme
12:56O capitão Carr exigiu que ele soltasse o leme imediatamente
13:00E ordenou que seu imediato assumisse o comando novamente
13:04Vários de nós também encorajaram nosso amigo a continuar no comando
13:08Dizendo que o protegeríamos
13:10A audácia dos prisioneiros deixou o capitão Carr ainda mais enfurecido
13:16E ele ficou dizendo o que faria conosco se tivesse uma tripulação capaz o suficiente
13:21Para lidar com todos os rebeldes
13:23Mas logo viu que resistir seria inútil
13:27Tínhamos tomado posse do leme
13:29E portanto o navio não mais seguiria a direção do capitão
13:33Vendo o que já estava feito
13:35Ele nos chamou de ralé grosseirões
13:37Entre outros palavrões por termos tomado o navio em alto mar
13:41Ele também queria saber o que faríamos com o navio e quem seria o capitão
13:46O capitão Connor da Filadélfia foi levantado por aqueles que estavam perto dele
13:51E colocaram seus pés sobre o topo do cabrestante
13:54Um cilindro de um metro e vinte centímetros com alavancas para levantar a âncora
14:00Aqui está o nosso capitão!
14:02Exclamou a multidão
14:04Você vai tomar conta do meu navio, capitão Connor?
14:08Perguntou o capitão Carr
14:09Não, senhor, respondeu
14:11Sim, você vai assumir o navio
14:13Foram os gritos unânimes da multidão
14:16Não quero ter nada a ver com esse navio
14:18Disse o capitão Connor
14:20Ou você aceita assumir o navio
14:22Ou jogamos no mar
14:23A multidão gritou
14:25Você ouviu o que eles estão dizendo, capitão Carr
14:28O que devo fazer?
14:30Assuma o navio, assuma o navio, capitão Connor
14:33Disse o comandante inglês
14:36Definido isso, capitão Carr começou a praguejar contra nós outra vez
14:40Os que estavam próximos a ele o aconselharam a parar com os xingamentos e descer para sua cabine o quanto
14:47antes
14:47Onde não correria perigo nenhum
14:49Assim ele o fez e a ordem foi logo restaurada novamente
14:53O capitão Connor assumiu o navio e nomeou três oficiais para consortes
14:58Alguns se voluntariaram como marinheiros para tripular o navio
15:02E nós nos dividimos em três turnos de vigia
15:06Para que aproveitássemos cada oportunidade de conduzir adiante o nosso navio
15:10Rumo ao porto de Nova York
15:12Com toda a velocidade que as velas suportassem
15:16O capitão Carr e sua tripulação tinham liberdade
15:19Foram tratados com bondade
15:21Porém não tinham permissão para interferir no controle do navio
15:25Ele assegurou que se a embarcação conseguisse mesmo chegar aos Estados Unidos
15:30Ele nos denunciaria à corte dos Estados Unidos
15:33Por tomarmos o navio dele em alto mar
15:36A ideia de perdermos nossa liberdade e sermos acusados ao lá chegarmos
15:41Perante o tribunal em nosso país pelo que fizéramos
15:45Em certa medida nos preocupava
15:47Contudo estávamos decididos a continuar no controle da embarcação
15:52Até nosso destino final
15:54Avistamos um navio com as cores americanas vindo em nossa direção
15:58Então levantamos a bandeira com as cores inglesas
16:01Era fora do comum para nós ver um dos nossos próprios navios
16:05Com as insígnias e as listras da bandeira americana
16:07Tremulando no topo do mastro
16:10Quando a embarcação se aproximou triunfantemente do nosso lado
16:14A ponto de podermos conversar
16:16Alguém de nós gritou
16:19Que navio é esse?
16:20De onde vocês são?
16:22Para onde vão?
16:23Somos dos Estados Unidos?
16:25Estamos indo em direção à Europa
16:27Que navio é esse?
16:29Perguntaram eles
16:29Este é o Mary Ann de Londres
16:32Um cartel com prisioneiros americanos libertos de Dartmoor, na Inglaterra
16:36Com destino aos Estados Unidos
16:38Houve troca de algumas outras perguntas
16:42Sem interromper o progresso da viagem
16:44Cada navio seguiu seu rumo
16:46E demos três animados vivos de tanta felicidade
16:50Por vermos o rosto de compatriotas que navegavam no vasto oceano
16:54Cerca de dez dias depois da rebelião ou da nossa tomada do navio
16:59Vimos à distância uma faixa de terra
17:02Que se tornava cada vez mais evidente
17:04À medida que nos aproximávamos da costa
17:07Percebemos para nossa grande alegria
17:09Que se tratava de Block Island
17:11Road Island
17:12A mais ou menos 64 quilômetros de casa
17:16Barcos à vela agora saíam da praia
17:18Em direção ao mar
17:19Para aproveitarem a primeira oportunidade
17:22De nos guiar para a costa
17:24Alguns dos nossos homens pensaram que aquela seria
17:27Amarrar a oportunidade
17:29De irem até a terra seca nesses barcos
17:32E portanto já foram pegando suas mochilas e redes
17:35Para mudarem de embarcação quando os barcos se aproximassem
17:39Uma forte razada de vento subia do nonoeste
17:42O que nos obrigou a baixar as velas
17:45Muitos ficaram nas vergas
17:47Enrolando um pouco as velas para encurtá-las
17:49Enquanto os barcos se aproximavam do nosso lado
17:52Os homens que estavam nas vergas das velas gritaram
17:56Não venham aqui, pois temos a peste a bordo
17:59Aqueles que estavam aguardando os barcos
18:02Declararam que não tinham nada disso
18:04E pediram que se aproximassem
18:06Uma multidão de vozes gritou outra vez do topo das velas
18:10Sim, a peste está a bordo deste navio
18:13Não se aproximem
18:15De imediato os barcos mudaram a direção das velas
18:19E voltaram para a praia
18:20Nada que viéssemos a ter os levaria a subir a bordo do nosso navio
18:24Pois eles sabiam que um mero boato de terem subido a bordo
18:28Sujeitaria a uma entediante quarentena
18:31Mas a verdadeira peste que tínhamos a bordo era essa
18:34A hipótese de que o capitão Carr
18:37Cumprisse a ameaça feita de nos acusar
18:39Perante a corte dos Estados Unidos
18:41De pirataria em alto mar
18:43Portanto não estávamos dispostos a tê-los em nossa companhia
18:47Até que tivéssemos mais conhecimento do assunto
18:50O vento foi cessando durante a noite
18:53E com as primeiras horas da manhã
18:55Percebemos que uma forte onda e corrente
18:57Estava nos colocando entre o extremo leste de Long Island
19:01E Block Island rumo ao estuário de Long Island
19:05Concluímos então que se pudéssemos conseguir um piloto
19:08Atravessaríamos o estuário e chegaríamos a Nova York
19:11Esperávamos encontrar um piloto
19:13Em um dos muitos barcos pesqueiros à nossa vista
19:16Finalmente um dos barcos pesqueiros
19:19Foi persuadido a se aproximar do nosso lado
19:22Em menos de cinco minutos tomou-se posse do barco pesqueiro
19:26Enquanto o capitão e a tripulação se retiravam para a popa do navio
19:30Pasmos com a estranha obra que estava acontecendo
19:33Julgamos que aproximadamente cem homens do nosso navio
19:37Começaram a jogar suas mochilas e esteiras a bordo do barco pesqueiro
19:41E logo em seguida pularam a bordo um atrás do outro
19:45Eles que agora abandonavam o navio
19:47Nos saudaram com três vivas e rumaram para Newport, Hold Island
19:52Antes que pudéssemos saber o propósito deles
19:55Eles não tinham a mínima ideia do que significava ser levado a juízo
19:59Pelo capitão Carr por pirataria
20:02Agora que o vento era desfavorável para que procedêssemos com a viagem até Nova York
20:07Decidimos ir para a cidade de Nova Londres, no estado de Canérica
20:11A cujo porto chegamos na manhã seguinte
20:14E atracamos no cais em frente da cidade
20:16Depois de seis semanas de viagem de Plymouth, na Inglaterra
20:20Vários de nós então se aglomeraram no topo dos mastros
20:24Com propósito de enrolarmos todas as velas ao mesmo tempo
20:28Ficamos de pé nas vergas das velas e demos três vivas para a multidão
20:32Que nos contemplava no cais de Nova Londres
20:35Poucos momentos depois, barcos carregados de ex-prisioneiros alegres
20:40Com suas mochilas e redes
20:42Se dirigiam à praia deixando que o capturado navio
20:46E o capitão Carr prosseguisse seu caminho
20:48Da melhor forma possível, rumo a Setpoint, Virgínia
20:52Onde tinha intenção de carregar de tabaco sua embarcação
20:56Ou, na pior das hipóteses, nos encontrasse nas próximas 24 horas
21:01Se ainda estivesse disposto a nos processar por nossa suposta prática de pirataria no oceano
21:07Sem dúvida ele ficou tão satisfeito e aliviado com a partida daquela tripulação tão rebelde
21:14Que não teve nenhum desejo especial de entrar em conflito com ela novamente
21:19As pessoas em terra pareciam quase tão contentes por nos ver e nos dar as boas-vindas na praia
21:24Quanto o capitão Carr por se ver livre de nós
21:27Mas nenhum deles estava tão contente quanto nós
21:31Parecia quase impossível acreditar que estávamos, de fato, em nossa terra natal como homens livres
21:38Livres dos navios de guerra da Grã-Bretanha e de suas prisões sombrias e sinistras
21:45Acalmados um pouco nossos sentimentos de alegria
21:48Começamos a ver como voltaríamos para as nossas casas
21:52No período de 24 horas, um grande número dentre nós
21:56Comprou passagem num barco paquete rumo a Nova York
21:59Quatro de nós, sem qualquer dinheiro
22:02Dando por garantia apenas nossa honrosa palavra
22:05Fretamos um barco de pesca a dois dólares por pessoa
22:09Para que levasse 22 de nós para perto de Cape Cod, em Boston, Massachusetts
22:14Isso, sem dúvida, nos colocou fora do alcance do capitão Carr
22:18E permitiu que nunca mais ouvíssemos falar dele
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