- há 9 horas
Título do livro: As Aventuras do Capitão José Bates
Autor do livro: José Bates
Acesse o link da playlist completa deste livro:
https://dailymotion.com/playlist/x7wgor
Ajude-nos a narrar mais livros com sua contribuição financeira:
https://ellenwhiteaudio.org/pt/doar/
Ouça online ou baixe em seu dispositivo esse e outros audiolivros em:
https://www.ellenwhiteaudio.org/pt/
Siga-nos em nossas mídias sociais:
• Youtube: https://www.youtube.com/@EllenWhiteAudioPortugues
• BitChute: https://www.bitchute.com/channel/ellenwhiteaudiopt/
• Rumble: https://rumble.com/c/c-2322164
• Spotify: https://open.spotify.com/show/6fvYEO1BeaJe1bM74i6daE
• Facebook: https://www.facebook.com/ellenwhiteaudiopt/
• Instagram: https://www.instagram.com/ellenwhiteaudiopt/
Para adquirir, saber e aprender mais sobre nossos pioneiros, acesse:
https://www.editoradospioneiros.com.br
Autor do livro: José Bates
Acesse o link da playlist completa deste livro:
https://dailymotion.com/playlist/x7wgor
Ajude-nos a narrar mais livros com sua contribuição financeira:
https://ellenwhiteaudio.org/pt/doar/
Ouça online ou baixe em seu dispositivo esse e outros audiolivros em:
https://www.ellenwhiteaudio.org/pt/
Siga-nos em nossas mídias sociais:
• Youtube: https://www.youtube.com/@EllenWhiteAudioPortugues
• BitChute: https://www.bitchute.com/channel/ellenwhiteaudiopt/
• Rumble: https://rumble.com/c/c-2322164
• Spotify: https://open.spotify.com/show/6fvYEO1BeaJe1bM74i6daE
• Facebook: https://www.facebook.com/ellenwhiteaudiopt/
• Instagram: https://www.instagram.com/ellenwhiteaudiopt/
Para adquirir, saber e aprender mais sobre nossos pioneiros, acesse:
https://www.editoradospioneiros.com.br
Categoria
🛠️
Estilo de vidaTranscrição
00:00As Aventuras do Capitão Bates Capítulo 2
00:05Naufrágio no gelo, uma tentativa de jogar o capitão no mar.
00:11O salvamento, a chegada à Irlanda, prosseguindo com nossa viagem.
00:17O comboio britânico, sem as amarras marítimas, capturados por piratas.
00:24A natureza de um juramento e a caixa. O navio é condenado. A viagem segue pelo Mar Báltico.
00:33A chegada à Irlanda. Obrigado a trabalhar para os britânicos.
00:39Em outra viagem, em meados de maio, de Nova York para Arcângelo, na Rússia, avistamos numa tarde diversas ilhas de
00:48gelo.
00:48Muitas delas até pareciam grandes cidades. Essa era uma prova irrefutável de que estávamos nos aproximando das margens de Terra
00:58Nova,
00:59cerca de 1.600 quilômetros na rota marítima de Boston para Liverpool.
01:04Os ventos e as correntes da região norte coberto de gelo trazem esses grandes blocos ou ilhas de gelo.
01:11A parte inferior dessas ilhas está a mais de 90 metros abaixo da superfície.
01:17Em algumas estações do ano, elas levam de dois a três meses para derreter e virar pedaços, aliviando assim seu
01:24enorme peso.
01:26Assim, elas são levadas adiante pelas águas profundas até os recônditos do oceano, e são logo derretidas, tornando-se águas
01:35mornas.
01:36Ao anoitecer, já tínhamos passado o aglomerado de ilhas de gelo, graças a uma forte ventania vinda do oeste que
01:44nos empurrava rapidamente em nossa rota.
01:47No entanto, o nevoeiro se tornou tão denso que ficou impossível enxergar qualquer coisa a mais de três metros à
01:55nossa frente.
01:55Um homem chamado W. Palmer, que pilotava o navio naquela ocasião, ouviu por acaso o imediato advertir o capitão que
02:04seria melhor colocar a proa contra o vento,
02:07para que o navio ficasse por ali mesmo até que amanhecesse.
02:10O capitão chegou à conclusão de que, já que as ilhas de gelo haviam ficado para trás, a embarcação deveria
02:17continuar sua rota,
02:19e deveríamos vigiar o caminho com bastante cautela.
02:22Há meia-noite, o vigia nos liberou de nosso posto para descansarmos no compartimento inferior do navio por quatro horas.
02:30Cerca de uma hora depois, o timoneiro nos despertou com um grito assustador.
02:36— Uma ilha de gelo!
02:37No instante seguinte, veio um impacto aterrorizante.
02:41Quando recuperei os sentidos, depois do golpe que recebi por ter sido lançado de um lado do alojamento dos marinheiros
02:48para o outro,
02:49me vi sendo segurado por Palmer.
02:52Os outros vigias haviam escapado em direção ao convés para fechar a escotilha.
02:57Depois de várias tentativas sem sucesso para encontrarmos a escada e alcançarmos a escotilha,
03:04desistimos em desespero.
03:06Abraçamos o pescoço um do outro e esperamos pela morte.
03:10Entre um rangido e outro que o navio emitia por causa da luta que travava contra o inimigo,
03:16ouvíamos vez por outra do convés acima de nós, nossos pobres marinheiros aos gritos e súplicas pela misericórdia de Deus.
03:26Isso só aumentou o nosso desespero.
03:28Minha mente foi bombardeada por pensamentos que pareceram me sufocar e, por alguns instantes, fiquei sem condições de pronunciar uma
03:37única palavra.
03:38Um pensamento horrível assombrou minha mente.
03:42Chegara o momento de meu acerto de contas final e da minha morte.
03:46Eu iria afundar com aquele navio em destroços até o fundo do oceano, longe de casa, longe dos amigos,
03:54sem ao menos estar preparado ou ter qualquer esperança de um céu ou vida eterna.
04:00Só me restava o pensamento de que estaria entre o número dos condenados e banido para sempre da presença do
04:06Senhor.
04:07Eu precisava de alguma forma dar vazama aos meus sentimentos de angústia indescritível.
04:12Naquele momento de angústia, a escotilha foi aberta e ouvimos o grito.
04:18— Tem alguém aí embaixo?
04:19Em instantes, estávamos no convés.
04:22Fiquei analisando por um momento a nossa situação.
04:25A proa do navio estava parcialmente presa embaixo de um bloco de gelo.
04:30Tudo estava destruído, exceto o talha-mar.
04:34As velas quadradas do navio, infladas com o vento, bem como o impetuoso mar,
04:40empurravam o navio adiante para mais perto de seu obstinado oponente.
04:45Se nada mudasse logo, não restava dúvida.
04:49O destino de cada um de nós e do navio seria selado em alguns minutos.
04:55Com dificuldade, consegui ir até o tombadilho superior,
04:59onde encontrei o capitão e o segundo imediato ajoelhados,
05:03implorando pela misericórdia divina.
05:05O primeiro imediato reuniu tantos quantos pôde,
05:09numa tentativa frustrada de endireitar o extenso navio,
05:13e colidiu contra o gelo duas vezes.
05:16Em meio ao estrondo de objetos em colisão e aos gritos de outros marinheiros,
05:21minha atenção se voltou ao clamor do capitão.
05:24— O que você vai fazer comigo, Palmer?
05:27gritou o capitão.
05:28— Vou jogar você no mar.
05:30— Me deixe em paz, pelo amor de Deus!
05:33disse o capitão.
05:34— Em menos de cinco minutos, todos estaremos na eternidade.
05:39Palmer, com um espantoso juramento, respondeu.
05:42— Não me importo com isso.
05:44Você é o culpado de tudo isso.
05:47Será uma satisfação imensa para mim ver você indo primeiro que o resto de nós.
05:52Segurei firme Palmer e pedi que soltasse o capitão
05:55e viesse comigo à bomba para tentarmos fazê-la funcionar.
05:59Ele prontamente cedeu ao meu pedido e, para nossa grande surpresa, a bomba começou a sugar.
06:06Esse fato inesperado prendeu a atenção do primeiro imediato,
06:10que imediatamente abandonou seus inúteis esforços
06:13e, depois de analisar a posição do navio após a colisão,
06:17bradou com força.
06:19— Soltem as cordas do mastarel e da gávea.
06:22Soltem os cabos e as escotas.
06:24Vamos mudar o curso.
06:26Vamos bolinar o navio.
06:28— Talvez uma ordem nunca tenha sido obedecida de maneira tão rápida e instantânea.
06:34Tirando as velas da direção do vento,
06:36a embarcação imediatamente ficou liberada
06:39e, como uma alavanca que se desliza ao deslocar uma pedra,
06:43o navio soltou-se de sua posição desastrosa
06:46e se firmou numa posição horizontal ao lado do gelo.
06:50Então vimos que tudo à frente do mastro de proa do nosso navio forte e suntuoso
06:56estava completamente destruído,
06:58e que esse mastro, ao que tudo indicava, estava prestes a sucumbir também.
07:05Entretanto, o nosso maior medo era que o mastro e as vergas do navio entrassem em contato com o gelo.
07:11Nesse caso, o impetuoso mar do outro lado do navio se precipitaria sobre o convés,
07:18fazendo-nos afundar em poucos minutos.
07:22Aguardávamos aflitos que isso acontecesse,
07:25quando, de repente, vimos que o mar que passava pela nossa popa
07:29ricocheteava contra o lado oeste do gelo
07:31e recuava com força contra o navio,
07:34evitando assim que ele encostasse no gelo,
07:37direcionando a embarcação para a extremidade sul da ilha de gelo,
07:41uma ilha tão alta cujo topo não conseguíamos ver de lá de cima do mastro.
07:47Nesse estado de suspense,
07:48éramos incapazes de pensar em qualquer outro meio de salvação,
07:52a não ser que Deus, em sua providência,
07:56estava nos mostrando conforme contei acima.
07:58— Louvado seja o seu santo nome!
08:02Seus caminhos são insondáveis!
08:04Por volta das quatro horas da manhã,
08:07enquanto estávamos todos empenhados em retirar os destroços do navio,
08:12ouvimos um grito.
08:13— Lá está o horizonte leste!
08:15Já podemos ver a luz do dia!
08:18Isso era uma indicação suficiente
08:20de que estávamos nos afastando do lado ocidental,
08:24passando para além da extremidade sul das ilhas de gelo,
08:28onde a direção do navio podia ser alterada pela habilidade humana.
08:32Ouvimos então as ordens do capitão.
08:35— Segurem firme esse leme e mantenham o navio a favor do vento!
08:39Mantenham o mastro de proa firme!
08:42Retirem os destroços!
08:44Basta dizer que, catorze dias depois,
08:47chegamos em segurança ao rio Shannon, na Irlanda,
08:50onde consertamos o navio
08:51para então zarparmos em uma viagem à Rússia.
08:55Os que tomando navios descem aos mares,
08:58os que fazem tráfico na imensidade das águas,
09:02esses veem as obras do Senhor
09:04e as maravilhas nas profundezas do abismo.
09:08No meio destas angústias,
09:10desfalecia-lhes a alma.
09:12Então na sua angústia,
09:13clamaram ao Senhor,
09:15e Ele os livrou de suas tribulações.
09:18Rendam graças ao Senhor por sua bondade
09:21e por suas maravilhas para com os filhos dos homens.
09:25Salmos 107, 23, 24, 26, 28 e 31.
09:31Caro amigo,
09:32seja qual for a sua ocupação,
09:35lembre-se,
09:36buscai, pois, em primeiro lugar
09:38o seu reino e a sua justiça.
09:41Mateus capítulo 6, verso 33.
09:43E firme os pés na embarcação do Evangelho.
09:47O dono desse majestoso navio rumo ao lar
09:50demonstra o maior cuidado
09:52por cada marinheiro a bordo
09:54e sabe contar até mesmo os fios de cabelo
09:57de cada cabeça.
09:59Ele não apenas paga o mais alto salário,
10:02mas também promete uma grande e excelente recompensa
10:05a todos aqueles que cumprem fielmente seus deveres.
10:09A fim de livrá-los de todos os perigos dessa viagem,
10:13Ele ordenou aos seus santos anjos
10:15que vigiassem essa preciosa embarcação
10:17e cuidassem dela.
10:19Eles conseguem enxergar através do denso nevoeiro
10:23e advertir dos perigos no caminho.
10:26Hebreus capítulo 1, verso 14.
10:28Além disso, Ele investiu de poder o seu precioso filho,
10:33fazendo dele um comandante piloto habilidoso
10:36para conduzir o navio e a tripulação em segurança
10:40até o seu porto de destino.
10:43Então Deus os cobrirá com a imortalidade
10:46e lhes dará a nova terra por herança eterna.
10:50Fará deles reis e sacerdotes diante de Deus
10:53para reinarem sobre a terra.
10:55Após repararmos os danos da embarcação na Irlanda,
10:59embarcamos outra vez para nossa viagem até a Rússia.
11:02Em poucos dias, nos deparamos e nos juntamos
11:05a uma frota inglesa de 200 ou 300 veleiros mercantes
11:10com destino ao Mar Báltico.
11:12Aqueles veleiros estavam sendo escoltados
11:15por navios de guerra britânicos
11:17para que fossem protegidos de seus inimigos.
11:20Ao chegarmos a um lugar de difícil acesso
11:23chamado Mooner Passage,
11:25um forte vento nos pegou de surpresa
11:27e apesar de todos os nossos esforços,
11:30ele estava nos levando a uma costa sombria
11:33e sem abrigo.
11:34À medida que a fúria do vento
11:36e a escuridão aumentavam,
11:38nossa condição se tornava cada vez mais alarmante
11:41até que finalmente o Comodoro levantou o Lampião,
11:44um sinal para que toda a frota
11:46ancorasse de imediato.
11:49A manhã tão esperada finalmente raiou,
11:51o que nos fez perceber a situação perigosa
11:54em que nos encontrávamos.
11:56Todas as embarcações providas de cabos
11:59lutavam contra o impetuoso mar
12:01impelido contra nós pelo vento furioso.
12:05Pareciam milagre os nossos cabos e âncoras
12:08ainda resistirem.
12:09Enquanto observávamos vários cabos
12:12das outras embarcações arrebentarem,
12:14deixando-as à deriva e indo em direção às rochas
12:18onde certamente virariam pedaços,
12:21nosso próprio cabo arrebentou.
12:23Com toda a ligeireza do mundo
12:25ousamos colocar todas as velas da embarcação
12:27e como aquele era um navio rápido,
12:30pela manhã percebemos que já estávamos em alto mar.
12:33Ali mesmo convocamos uma reunião e concluímos
12:36que a melhor chance de sobrevivermos
12:38seria nos afastar do comboio
12:41e velejar sozinhos junto à costa da Dinamarca.
12:44Pouco tempo depois,
12:46enquanto ainda nos congratulávamos
12:48por termos escapado por pouco do naufrágio
12:51e por estarmos fora do alcance das armas do Comodoro,
12:55dois veleiros suspeitos se empenharam
12:57para nos afastar da costa.
12:59Balas de canhão logo começaram a cair ao nosso redor
13:02e pareceu por bem nos virar
13:05e deixar que os homens daqueles dois veleiros
13:07subissem a bordo.
13:08Eram dois navios corsários dinamarqueses
13:12que nos prenderam e nos levaram para Copenhagen.
13:15Ali, nosso carregamento e embarcação foram condenados,
13:19de acordo com os decretos de Bonaparte
13:21devido à nossa conexão com a frota inglesa.
13:24No decorrer de algumas semanas,
13:26fomos levados ao tribunal
13:28para testemunharmos a respeito de nossa viagem.
13:30Porém, antes disso,
13:32o nosso comissário de bordo
13:34e coproprietário do navio
13:35nos prometeu uma generosa recompensa
13:38se dissessemos que nossa rota de viagem
13:41era de Nova Iorque
13:42direto para Copenhague
13:44e que não tínhamos nenhuma ligação com os ingleses.
13:47Nem todos concordaram com essa proposta.
13:50Mas, por fim,
13:52fomos interrogados separadamente
13:53e eu fui o primeiro.
13:55Deduzi que havia sido chamado antes de todos
13:58por ser o marinheiro mais novo.
14:00Primeiro, um dos três juízes presentes
14:03me perguntou em inglês
14:04se eu compreendi a natureza de um juramento.
14:07Respondi afirmativamente.
14:09Em seguida, ele ordenou
14:11que eu olhasse para uma caixa
14:13perto de mim
14:13de mais ou menos 20 centímetros de altura
14:17e 40 de comprimento.
14:19Ele disse
14:20Dentro daquela caixa tem uma ferramenta
14:22para cortar os dedos indicadores
14:24e um polegar de qualquer um
14:26que jure em falso nesse tribunal.
14:29E continuou
14:30Agora levante os dois dedos indicadores
14:32e o polegar da mão direita.
14:34Dessa maneira, jurei dizer a verdade.
14:37E a despeito de qualquer recompensa,
14:39falei dos fatos a respeito da viagem.
14:41Mais tarde,
14:43quando nos foi permitido partir
14:44para o exterior,
14:45ficou claro que a pequena caixa
14:47havia arrancado a verdade
14:49de todos os que haviam dado depoimento.
14:51Ou seja,
14:52que havíamos quase naufragado
14:54ao passar pelas ilhas de gelo
14:5614 dias depois de partirmos
14:58de Nova York,
14:59que reparamos os danos
15:00da embarcação na Irlanda,
15:02nos juntamos depois
15:03ao comboio britânico
15:04e fomos capturados pelos piratas.
15:07Depois disso,
15:08alguns homens de nossa tripulação,
15:10após voltarem de uma caminhada
15:12onde viram a prisão,
15:14disseram que os prisioneiros
15:15colocaram as mãos para fora das grades
15:17para mostrar que haviam perdido
15:19os dois indicadores
15:20e o polegar da mão direita.
15:23Aqueles prisioneiros
15:24faziam parte da tripulação holandesa,
15:27capturada da mesma forma que nós,
15:29mas que havia jurado em falso.
15:31Por pouco teríamos tido a mesma sorte
15:34e ficamos gratos
15:36por termos falado a verdade.
15:38Queremos saber toda a verdade,
15:40mas queremos também praticá-la.
15:43Estávamos sem navio,
15:44sem carga e sem salário,
15:46na companhia de pessoas estranhas
15:48que haviam nos tirado tudo
15:49exceto as roupas do corpo.
15:52Assim terminou a nossa viagem à Rússia.
15:55Mas antes do inverno começar,
15:57conseguimos emprego a bordo
15:58de um brique dinamarquês
16:00que ia para Pilao, na Prússia.
16:02Ali atracamos depois de uma viagem tediosa,
16:05feita com um veleiro
16:06que tinha tantos vazamentos
16:08que só não afundou
16:09porque trabalhamos duro
16:11para mantê-lo flutuando
16:12até chegar ao porto.
16:14Nesse fim de mundo,
16:16consegui um trabalho
16:17num veleiro americano
16:18que vinha da Rússia
16:19com destino a Belfast, na Irlanda.
16:22A viagem da Prússia para a Irlanda
16:24foi cheia de provações e sofrimentos.
16:27Tivemos que cruzar o Mar Báltico
16:29em pleno inverno
16:30e transpor passagens sinuosas
16:32das montanhas da Escócia
16:34sob o comando de um capitão cruel,
16:36bêbado e avarento,
16:38que nos privou de mantimentos básicos.
16:40E quando, devido a sua negligência
16:43em providenciar esses mantimentos,
16:45estávamos famintos e exaustos
16:47de tanto bombear a água da embarcação
16:49a fim de mantê-la flutuando,
16:52ele praguejava e ameaçava fazer pior
16:54se deixássemos de executar suas ordens.
16:57Quando, enfim, atracamos em uma ilha
16:59e conseguimos novos suprimentos e provisões,
17:02novamente seguimos viagem
17:04até Belfast, na Irlanda,
17:06o nosso destino.
17:07De lá, eu e mais um marinheiro
17:10atravessamos o canal irlandês
17:11até Liverpool,
17:12na esperança de encontrarmos
17:14uma embarcação que fosse para a América.
17:17Alguns dias depois
17:18de nossa chegada a Liverpool,
17:20um bando de doze homens
17:21e um oficial entraram à noite
17:23na pensão em que estávamos hospedados
17:25e perguntou a que país pertencíamos.
17:28Apresentamos nossos passaportes americanos,
17:31o que foi suficiente para provar
17:33que éramos de fato cidadãos americanos.
17:35Mas aquela prova, bem como os nossos argumentos,
17:38não bastaram para eles.
17:39Eles nos prenderam e nos arrastaram
17:42ao ponto de encontro,
17:43um local de alta segurança.
17:46Fomos inspecionados diante de um tenente naval
17:49pela manhã
17:49e ele ordenou que nos juntássemos
17:52à Marinha Britânica.
17:53E para evitar uma possível fuga,
17:56quatro homens robustos nos agarraram
17:58com o tenente à frente
18:00e sua espada desembainhada.
18:02Conduziram-nos pelo meio
18:04de uma das ruas principais de Liverpool
18:06como criminosos a caminho da forca.
18:08Um barco lotado nos esperava
18:11à margem do rio.
18:12Fomos então conduzidos
18:13a bordo do navio Princesa,
18:15da Marinha Real.
18:17Depois de passarmos por uma rígida inspeção,
18:20fomos confinados em celas
18:21no convés inferior da embarcação
18:23com mais ou menos outros 60 homens
18:26que alegavam ser americanos
18:28recrutados à força como nós.
18:31Esse memorável episódio
18:33ocorreu em 27 de abril de 1810.
Comentários