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O governo Lula (PT) articula a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal negociando cargos em agências reguladoras para garantir apoio no Senado. Segundo informações, a estratégia envolve a distribuição de vagas entre aliados e parlamentares do Centrão para reduzir resistências à aprovação do nome indicado. Comentaristas analisaram os bastidores da articulação política.
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NotíciasTranscrição
00:00Uma outra informação, pra conseguir aprovar a indicação de mais um ministro pra Suprema Corte, o governo Lula passou a
00:07oferecer cargos em agências reguladoras em troca de votos.
00:12Quem vai trazer os detalhes da notícia é a Júlia Fermino, chega ao vivo aqui em Os Pingos nos Is.
00:17Júlia, seja bem-vindo, uma ótima noite a você. Então, conta pro nosso público.
00:21Essa sabatina está próxima de ser realizada, mas o Planalto se articula, corre contra o tempo pra não passar por
00:28surpresas, nem vexames. É isso? Bem-vinda.
00:33É exatamente isso, uma corrida contra o relógio, né, Caneato?
00:37Boa noite pra você, pra quem tá com a gente aqui também, no Pingos nos Is, na programação da Jovem
00:41Pan, de fato, em meio a essa disputa, por votos no Senado, pra aprovar, de fato, Jorge Messias ali no
00:47Supremo Tribunal Federal.
00:48O governo Lula tem negociado mesmo uns cargos, cargos de agências reguladoras, com aligados de Davi ao Columbre e também
00:57pessoas ligadas ao Centrão.
00:59Essa informação foi divulgada ainda pelo jornal O Globo e o objetivo é buscar apoio de parlamentares e acabar também
01:07com a resistência à indicação de Messias, que vai ser sabatinado ainda no dia 29.
01:13O contexto é, são 14 vagas em órgãos e agências reguladoras, e aí, que vão ficar abertas, ou já estão
01:23abertas, nos próximos meses ficariam, então, abertas, e por isso, então, o governo pode negociar, indicar também troca, fazer uma
01:31troca, né, em relação ao apoio de Messias, qual que é a estratégia do governo.
01:35Dividir vagas entre indicações do Executivo e também parlamentares, quando esses, pensando justamente em como foi nomeado, qual que foi
01:44a origem dessa nomeação.
01:45Se foi indicado pelo Senado, o governo mantém esse apadrinhamento.
01:49Agora, se for indicado pra alguém que tava ligado ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, aí sim, essa indicação
01:55mudaria, o governo escolheria um outro nome.
01:58E o que a gente precisa ficar de olho é se, de fato, isso vai se cumprir, como é que
02:01vão ser, então, essas negociações em troca de colocar agora, então, Messias ali no Supremo Tribunal Federal.
02:09Volto com você.
02:10Legal. Júlia Firmino trazendo detalhes dessa articulação, né, articulação dos bastidores.
02:15Daqui a pouco ela volta com outras informações aqui na programação.
02:18Bom trabalho, Júlia.
02:20Uma rápida parada pra você que nos acompanha pela rede.
02:24Eu sigo aqui com os nossos comentaristas, vou começar essa rodada com o Bruno Musa, pra analisar essa tática, né,
02:30muitos chamam de velha política, né, Musa.
02:33Entrega um cargo e aí eu posso pedir um favor, né, aquela, o toma lá da carne, quantas vezes já
02:39não ouvimos isso.
02:40Agora, em destaque, uma indicação do presidente da república para uma figura importante integrar a Suprema Corte.
02:48E aí, a tentativa de conquistar votos e tem, inclusive, nessa cesta de bondades, de negociações, alguns cargos em agências
02:58reguladoras.
02:59Enfim, o que podemos concluir quando o governo abre mão de cargos estratégicos?
03:05É que o Senado Federal parece que não estava tão propenso a aprovar o nome do indicado pelo presidente da
03:13república, Musa?
03:16É, muitos gostam de chamar de velha política, mas quando nós paramos pra analisar o nome velha política, é como
03:24se tivesse ficado no passado.
03:25Mas não, né, é a continuidade, é o continuismo brasileiro. A política no Brasil se faz disso.
03:31Pessoas, como eu falo, que, em última instância, duvido que cheguem a 100 pessoas, são essas as pessoas, o Estado,
03:40tirando o que tem de abstrato da forma do Estado,
03:42que quando algo é abstrato a gente não consegue culpar ninguém, mas não, o Estado tem nome, tem CPF, e
03:49são pessoas que não chegam ao número de 100 pessoas, digamos assim.
03:52São essas pessoas que fazem essas artimanhas e trocam, negociam com o nosso dinheiro o que eles querem, os cargos
04:01deles, o poder pra eles.
04:03E nós sequer temos quem questionar, uma vez que eles detêm o monopólio da violência.
04:08O que significa deter o monopólio da violência?
04:11Eles detêm todos os poderes e detêm aquilo que eles podem nos punir.
04:16Se nós questionarmos determinadas ações, questionarmos o que deveria ser um fundamento básico em um sistema supostamente democrático.
04:25Então, quando eles fazem isso, me parece que alguns anos atrás ainda tinha algum tipo de vontade de querer esconder
04:33ou fazer um pouco mais, digamos, ali, a quatro paredes.
04:37Hoje não. Hoje está completamente escancarado.
04:40E quando eu vi essa notícia, a primeira coisa que me veio é, ora, realmente não há indicação de cargo
04:45técnico.
04:46Afinal de contas, essa parte técnica fica de lado.
04:50Eu preciso indicar pessoas politicamente alinhadas, ideológicas, a mim, pra que essas pessoas respondam e possam usar aquele orçamento a
05:00cada uma dessas áreas.
05:01Há um nosso projeto de poder. Consequentemente, eu negocio esses nomes pra conseguir um nome em um outro poder da
05:09república.
05:10Mas a tal da democracia também não pressuporia independência dos poderes?
05:16Fica cada vez mais claro que essa independência não há.
05:19E nós somos obrigados a financiar e nos calarmos.
05:22Caso contrário, as punições são eles que determinam.
05:25Pois é, os cálculos que vêm sendo feitos pelo governo federal pra que o Senado aprove o nome que foi
05:32indicado pelo presidente da república.
05:34Pra que surpresas não aconteçam, né?
05:36Pra que o governo não passe vergonha.
05:38Porque há caminhos possíveis.
05:39Por exemplo, aprovação na CCJ, né?
05:42Após a sabatina.
05:44E aí o plenário do Senado não aprova.
05:47Imagina se isso acontece.
05:49Mas as articulações indicam que ele passaria na CCJ e também no plenário.
05:55A indicação que votos já foram conquistados e que o governo não passaria nenhum susto.
06:00Mas é sempre preciso analisar a possibilidade de um nome ser reprovado na sabatina.
06:08Deixa eu receber agora a Rede Jovem Pan.
06:11Fiquei fazendo esse preâmbulo, essa introdução aqui justamente pra receber a Rede Jovem Pan.
06:16Todos conectados com a gente em Os Pingos nos Is.
06:19A notícia em destaque, uma articulação nos bastidores e o governo federal negociando alguns cargos em agências reguladoras para senadores,
06:28né?
06:28Pra que senadores indiquem nomes.
06:30Mas aí o governo quer a garantia de que esses senadores votarão para aprovar o nome do indicado para o
06:37Supremo Tribunal Federal.
06:39Deixa eu chamar o Roberto Mota pra analisar essa situação, o cálculo que vem sendo feito pelo governo federal,
06:44que não quer passar sustos e quer que o seu nome seja aprovado na sabatina do Senado Federal, Mota.
06:52Olha, essa é uma das funções das agências reguladoras.
06:58É dar cargo para os amigos.
07:00Agora, é curioso, porque nas últimas semanas nós assistimos vários senadores fazendo discursos inflamados contra os abusos do judiciário
07:14e contra o potencial envolvimento de ministros no escândalo do Banco Master.
07:19Foram discursos, alguns deles, comoventes, inflamados.
07:24Agora, os mesmos senadores não conseguem dar andamento a pedidos de impeachment contra os ministros.
07:33Estão todos engavetados.
07:35E olha, eles não conseguem nem barrar a nomeação de um candidato a ministro que seja, obviamente, inadequado para a
07:46vaga.
07:46Isso nunca aconteceu, nem nesse século, nem no século passado.
07:52A última vez que isso aconteceu foi no governo de Floriano Peixoto.
07:58Então, é justo se perguntar, para quem exatamente serve essa sabatina?
08:04Só para dar uns cortes bons para os senadores?
08:08Ora, existem senadores que acham que o eleitor brasileiro é um tolo.
08:14Na próxima sabatina, o eleitor vai saber quem eles são.
08:19Pois é, chamar o Cristiano Beraldo também para analisar a notícia e colocar em perspectiva essa sabatina.
08:28Como disse o Mota, tradicionalmente os senadores, apesar de muitos não concordarem,
08:33acabam votando para aprovar o indicado pelo governo federal.
08:37Por qual razão há tanta dificuldade em reprovar alguém, Cristiano Beraldo?
08:42Pois é, porque não existe, na verdade, o equilíbrio entre os poderes, não existe os freios e contrapesos.
08:51O que existe é uma política feita no balcão de negócios, na troca.
08:56Quando você está na base da troca, aí tudo é possível.
08:59E essa troca, especificamente, Caniato, veja, o que se está discutindo é entregar um cargo
09:06que a pessoa indicada pelo governo vai exercer até os 75 anos de idade,
09:12ou seja, vai ficar 30 anos no cargo,
09:15em troca da participação de afilhados políticos, digamos assim,
09:23para não usar um termo mais adequado, por enxulo,
09:27mas vamos imaginar que esses que são indicados para as agências têm um mandato de 4 anos.
09:33Então, para compensar entregar esse ouro de 30 anos no Supremo Tribunal Federal para o governo,
09:40obviamente os parlamentares podem pedir o que quiserem, os cargos que quiserem,
09:46até porque nós estamos falando de um governo que está aí no seu último ano,
09:49obviamente haverá eleições, então ele vai tentar, ao que tudo indica,
09:55vai tentar a reeleição, mas não sabemos ainda qual será o resultado.
10:00Pode ser que, agora nessa reta final, garantir um parceiro, um amigo,
10:06alguém que está disposto a fazer tudo que se pede a ele no Supremo Tribunal Federal
10:12é muito mais valioso do que, por exemplo, uma indicação para a ANEEL
10:18ou para a ANP, até porque, se nós observarmos, Caniato,
10:24essas agências, a ANEEL, por exemplo, que é a Agência da Energia Elétrica,
10:28é só ver o que acontece em São Paulo sempre que chove,
10:31esse emaranhado de fios cobrindo a cidade inteira,
10:35uma situação completamente absurda,
10:37que prejudica o desenvolvimento econômico da cidade,
10:40mas que os senhores e senhoras diretores da ANEEL
10:44passam aqui em São Paulo, olham e acham que está tudo normal.
10:46Se a gente for para a ANP, a gente vê essa esculhambação absoluta
10:50do que é a Petrobras hoje,
10:53que sequer consegue garantir o suprimento de combustíveis no Brasil,
10:58é uma permanente dependência da importação de combustíveis prontos,
11:04apesar de todo o dinheiro gasto pela Petrobras.
11:07Quando ela não está roubando, ela está investindo,
11:09mas não consegue resolver os problemas do Brasil.
11:12Então, Caniato, é uma ficção a gente imaginar
11:17que tem alguém de boa intenção nesse balcão de negócios.
11:21Eles estão ali olhando para o próprio umbigo,
11:25passam longe do interesse público,
11:27e pior, passam longe da moralidade exigida no exercício do serviço público.
11:34Pois é, inclusive é importante destacar para a nossa audiência,
11:38que a gente sempre dá voz também para o outro lado.
11:42Na reportagem que trouxe a indicação dessa negociação de cargos nas autarquias,
11:49inclusive CAD, CVM, Comissão de Valores Imobiliários e outras,
11:54Davi Alcolumbre acabou soltando uma nota,
11:56dizendo que jamais tratou de qualquer negociação de cargos em agências reguladoras,
12:01diz que essa articulação inexiste e que a reportagem foi produzida com informações inverídicas
12:12e que trata-se de uma narrativa equivocada,
12:15que distorce a atuação institucional da presidência, do Congresso e do Executivo.
12:20Essa foi a manifestação de Davi Alcolumbre,
12:23rebatendo a reportagem que foi divulgada hoje,
12:26que discorre a respeito dessa negociação.
12:28Os jornalistas acabaram conversando com várias pessoas que garantiam
12:32que havia, sim, essa tratativa nos bastidores.
12:36Deixa eu chamar o Luiz Felipe Dávila para trazer também sua reflexão a respeito.
12:41De uma dificuldade que foi colocada,
12:43porque é preciso lembrar, Dávila, que Davi Alcolumbre sinalizou,
12:47logo quando o presidente da República fez a indicação,
12:49eu não me lembro qual dia,
12:51mas imaginemos que o presidente tenha feito a indicação no dia primeiro de um mês.
12:55Davi Alcolumbre disse o seguinte,
12:58ok, vou marcar para o dia 15, daqui duas semanas.
13:00O governo voltou atrás.
13:02O governo disse, não será possível.
13:05Isso foi no final do ano ainda, em 2025.
13:07Porque não havia o número suficiente de votos.
13:10Então, imagine só, de 2025 para cá,
13:13o governo tem feito uma articulação permanente
13:15para convencer os senadores
13:19para colocar em votação naquele cenário de segurança, né?
13:24Não, beleza.
13:24Agora, Alcolumbre, sinal verde.
13:27Põe para votar, porque agora nós temos um número suficiente de votos.
13:30É preciso olhar também para uma articulação
13:33que já perdura alguns meses.
13:35E aí, o que se prometeu de lá para cá,
13:38não sabemos com exatidão, né, Davi?
13:41Depois desta festa de imoralidade no Supremo Tribunal Federal,
13:47não existe mais voto seguro
13:50para nenhum nome ser aprovado no Senado.
13:54A insegurança está justamente na situação dramática
14:01que as arbitrariedades do Supremo Tribunal Federal lançaram ao Brasil.
14:07Hoje, tudo é subjetivo nesse país.
14:10A interpretação da Constituição, o entendimento da lei,
14:14o cumprimento rigoroso das normas e do processo,
14:18do devido processo legal, nada mais vale.
14:21Depende como o juiz acorda e como ele interpreta a Constituição,
14:25como é que é o seu viés ideológico,
14:28como é que é a sua coloração partidária
14:30e não mais o que está no texto constitucional.
14:33Então, nesta realidade líquida que se criou no país,
14:38não há mais segurança de nenhuma articulação política
14:42para garantir 100% aprovação de um nome.
14:45Sempre haverá risco.
14:47E o governo, evidentemente, não quer correr risco
14:51neste momento pré-eleitoral.
14:53Mas é importante ressaltar a história do Brasil
14:58para a nossa audiência entender
15:00a degeneração das instituições políticas no Brasil.
15:05Quando o Brasil era a República Federativa do Brasil,
15:10isto nos anos 90,
15:12no governo Fernando Henrique foi criada as agências reguladoras
15:17como órgão técnicos blindados de indicação política
15:22e funcionou, Caniato, muito bem durante mais de 10 anos.
15:29Você tinha as agências reguladoras
15:31com pessoas técnicas e muito qualificadas e competentes
15:36fazendo o trabalho de uma agência.
15:40Regulamentar o setor,
15:41fiscalizar as concessões,
15:44se estão funcionando ou não,
15:46estava perfeito.
15:47Aí veio o governo populista
15:51de Luiz Inácio Lula da Silva.
15:54Começou, primeiro,
15:56um loteamento sutil das agências.
15:59Não, deixa um técnico,
16:01uma mistura com o político e tal.
16:03Aí esse negócio acelerou de tal forma
16:06e hoje não tem mais técnico,
16:08só tem nomeação política.
16:11É um desvirtuamento total
16:13do papel de uma agência reguladora.
16:15E como bem lembrou o Beraldo,
16:17é por isso que essa esculhambação
16:19na fiscalização e regulação dos setores
16:22é inacreditável.
16:24Falta de energia,
16:25falta de água,
16:27problema na saúde,
16:29tudo isso é fruto de aparelhamento
16:33e politização das agências reguladoras.
16:36As agências foram desvirtuadas
16:39por esses governos populistas
16:41que fizeram indicações políticas,
16:44esqueceram o caráter técnico
16:46da instituição
16:46e transformaram em mais um loteamento
16:49de cargos e indicação.
16:52É uma vergonha.
16:53Hoje, o retrato das agências
16:56mostra que a República Federativa do Brasil
16:59foi enterrada.
17:00O que vale hoje
17:01é a República do Rabo Preso.
17:04E por isso,
17:05essas negociações imorais,
17:07políticas,
17:09indevidas,
17:10politizando órgãos
17:11que deveriam ser órgãos de Estado,
17:14técnico,
17:15e cumprir um papel fundamental.
17:16E por não cumprir esse papel fundamental,
17:19é que nós temos tantas crises
17:21em setores tão vitais
17:23como é a questão da energia elétrica.
17:26Deixa eu passar para o Bruno Musa
17:28trazer talvez uma reflexão também
17:30em relação a essa característica
17:35da política brasileira, né, Musa?
17:36Eu trouxe aqui um chavão
17:38que muitos mencionam, né?
17:40Ah, trata-se de algo
17:42muito conhecido na velha política.
17:44Você diz,
17:44bom, não é tão velho assim, né?
17:46Porque até hoje perdura, né?
17:48Tamar Lá da Cá, velha política, enfim.
17:50Mas o Dávila discorreu a respeito
17:52dessa, o quanto isso acaba impactando
17:54nas agências reguladoras.
17:57E aí é preciso também olhar para a CVM, né?
18:00Os questionamentos que foram feitos
18:02nos últimos tempos
18:03por conta do episódio do Banco Master.
18:05Quais são os riscos
18:07quando você coloca gente despreparada
18:10em uma agência reguladora
18:12em que deveria ter somente
18:13gente muito preparada
18:17e aplicada para resolver problemas
18:19de determinado segmento
18:21da sociedade e da administração pública?
18:24Colocar alguém que não domina a matéria
18:26pode ter consequências muito sérias, né, Musa?
18:31Veja, imagina um economista como eu
18:34dar aula de medicina.
18:36Qual é a chance disso dar certo?
18:38Se eu nunca estudei para isso?
18:40Absolutamente nenhuma.
18:41A gente viu, vou dar um caso emblemático aqui,
18:43por exemplo,
18:44a Aniele Franco,
18:46a irmã da Marielle Franco,
18:50ela foi conselheira da Tupi.
18:52A Tupi é uma empresa de capital aberto
18:54do setor de metalurgia.
18:57Qual é o conhecimento para ela
19:00sobre metalurgia?
19:02Assim como o meu?
19:03Nenhum?
19:04Como é que você pode ser um conselheiro
19:06de uma empresa de metalurgia
19:08sem conhecer as funções básicas para isso?
19:11Vou dar outro exemplo.
19:13Quem foi o presidente da Previ
19:14durante muito tempo?
19:16João Fucunaga.
19:17Sem nenhum juízo de valor
19:18às pessoas que eu comento aqui.
19:20Uma pessoa que foi escriturária
19:22do Banco do Brasil durante muito tempo,
19:24militante de um partido político,
19:27que não é coincidência,
19:28que é o mesmo do executivo,
19:30que foi indicado para o cargo,
19:31sem nunca trabalhar como gestão de patrimônio,
19:34que é, por exemplo, a minha atividade há muitos anos,
19:37e ele tinha a caneta na mão
19:39para fazer a gestão de quase 300 bilhões de reais
19:42de aposentados do Banco do Brasil.
19:44De novo, se você nunca trabalhou com isso,
19:47como é que você consegue ter condição exemplar
19:51e eficiente para fazer a gestão
19:54de 300 bilhões de reais de aposentados?
19:57Nós poderíamos passar meses aqui
19:58com indicações de cargos políticos.
20:00Portanto, o que funciona
20:03é que cada uma das empresas estatais
20:06ou que o governo tem participação,
20:10através, por exemplo, da Previ
20:11ou outros fundos de pensão,
20:14eles têm indicação de pessoas próximas a eles
20:17para que eles possam colocar as suas ideias
20:21dentro de empresas privadas
20:23e das empresas públicas.
20:24Nas empresas públicas, nós pagamos diretamente.
20:27Afinal de contas, são empresas que são usadas
20:30para um projeto político partidário
20:33com o dinheiro do pagador de imposto.
20:36Nós não temos a quem recorrer
20:38e esses orçamentos, muitas vezes bilionários,
20:42ficam na mão de um projeto específico
20:45político partidário, como mencionado.
20:47Nas empresas privadas, consequentemente,
20:49você tem uma ingerência que não é técnica
20:51em empresas que, muitas vezes,
20:53como mencionei de capital aberto,
20:55pequenos investidores possam ser lesados.
20:57Afinal de contas, o interesse do governo
20:59não necessariamente é o interesse da própria empresa
21:02e, portanto, não vai em linha com os interesses
21:05dos acionistas, muitas vezes, minoritários.
21:08Um estrago total, muitas vezes,
21:10no capital do investidor.
21:12E, para muitos que colocam o mercado como um inimigo,
21:16o mercado somos todos nós,
21:18agentes econômicos,
21:20que nada mais é do que juntar ideias
21:22de milhões e milhões e milhões
21:24de pequenos investidores,
21:26traduzindo uma resposta no preço.
21:28Quanto vale aquela empresa?
21:30Faz sentido investir ou não investir naquela empresa?
21:33Porque, quando você investe,
21:35a empresa pega esse dinheiro
21:36para investir nos seus projetos
21:38e devolver em produtos e serviços à sociedade.
21:42Quando você perde esse senso
21:44e indica pessoas apenas por um projeto político partidário,
21:48tudo se perde.
21:49E o dinheiro funciona, de todos nós,
21:52como uma socialização de um prejuízo
21:54em direção ao funcionamento
21:57de poucas pessoas que querem
21:59se perpetuar no poder ao longo do tempo.
22:02Então, é uma disfunção da política brasileira
22:04que se tornou normal.
22:05Como a gente passa a normalizar,
22:08infelizmente,
22:09as relações privadas no Brasil
22:10também passam a ser de trocas.
22:13Pequenas trocas.
22:15Sabe quem eu sou?
22:16Sabe quem é minha família?
22:17Sabe com quem você está falando?
22:19Práticas que, infelizmente,
22:20se tornaram ao longo das últimas décadas
22:22muito normais no Brasil
22:24e deteriora toda e qualquer relação
22:26empresarial, familiar, pessoal,
22:29o que quer que seja.
22:30Afinal de contas,
22:31passa a ser importante
22:32de quem você é filho,
22:34de quem você é indicado,
22:35quem é o teu padrinho político
22:36e não a tua eficiência
22:39e o que você entrega
22:40com valor agregado
22:41às demandas da população.
22:44Pois é, deixa eu trazer um outro aspecto
22:47dessa discussão.
22:48Deixa eu passar para o Mota.
22:51Mota, mais um indicado
22:53com menos de 50 anos de idade,
22:56mas queria que nós refletíssemos
22:58se isso muda, sensivelmente,
23:01a composição da corte.
23:03Porque quem foi que saiu?
23:05Luiz Roberto Barroso
23:06antecipou a sua aposentadoria.
23:08Barroso tinha sido indicado
23:10pela então presidente Dilma Rousseff
23:12no ano de 2013, salvo engano.
23:16A partir dessa indicação,
23:18muda alguma coisa
23:19ou talvez aqueles grupos
23:21continuarão mais ou menos intocados?
23:26Essa é uma pergunta
23:28que merece reflexão, Caniato.
23:31O Brasil está diante
23:34de um problema gravíssimo hoje
23:36que é o ativismo judicial descontrolado.
23:41Esse ativismo, ele tem várias faces
23:44e talvez a mais grave delas
23:48seja a ideia
23:49de que a Suprema Corte brasileira
23:52é a decisora de última instância no país.
23:56Então, nada no Brasil
23:58pode ser considerado decidido
24:01se a Suprema Corte
24:02não tiver se manifestado.
24:04não há hipótese
24:07de que isso funcione
24:08e o Brasil continue sendo
24:10uma democracia
24:11e uma república.
24:12Em todas as democracias,
24:15uma Corte Suprema
24:17é limitada à análise
24:19de questões constitucionais.
24:23É sempre
24:24um pequeno número de casos
24:27que tem repercussão geral.
24:29Na maioria dos países ocidentais,
24:32as Cortes Supremas
24:34não julgam ninguém,
24:36não investigam ninguém.
24:38O que acontece no Brasil
24:40por causa da instituição
24:41do foro privilegiado.
24:43A Suprema Corte americana
24:45recebe menos de 80 casos
24:47para julgamento por ano.
24:49A Suprema Corte brasileira
24:51analisa perto de 100 mil casos por ano.
24:54Então, diante disso,
24:56nós temos uma situação
24:58gravíssima.
25:00Essa situação ficou mais complicada
25:03quando a grande mídia
25:05começou a publicar matérias
25:07indicando um potencial
25:08envolvimento de ministros
25:10com o escândalo do Banco Master.
25:13O que o Brasil espera
25:14nesse momento?
25:15Uma mudança radical
25:18no modelo adotado
25:20para a Suprema Corte brasileira.
25:22não só essa mudança
25:25não está vindo
25:27como se consideram
25:29indicações de pessoas
25:31com o perfil muito parecido
25:34com os atuais ocupantes dos cargos.
25:37Então, é um duplo espanto
25:39para as pessoas.
25:41Eu estou lendo nesse momento
25:43um livro do Luciano Irineu
25:46que fala da ideia
25:48de uma reforma total
25:50na Suprema Corte brasileira
25:52transformando-a
25:53numa corte constitucional
25:56que só analise
25:58questões constitucionais.
26:00E é isso que a gente
26:02esperaria do Senado
26:04que é um elemento essencial
26:06para manutenção
26:07do sistema de freios
26:08e contrapesos.
26:10Infelizmente,
26:11não é nada disso
26:13que nós estamos vendo.
26:14Pois é,
26:15claro que a gente vai continuar
26:16acompanhando essas movimentações,
26:19enfim,
26:19a gente vai voltar a tratar muito
26:21inclusive
26:22da sabatina,
26:23o que esperar,
26:24o posicionamento dos senadores,
26:26qual vai ser o impacto
26:27uma vez aprovado
26:28para a composição da corte.
26:31Essa figura
26:32se juntará
26:33aos grupos
26:34já
26:36posicionados,
26:37digamos assim,
26:37na Suprema Corte.
26:39Ele entrará
26:40com a aprovação
26:42daqueles que são mais velhos.
26:44A gente acompanhou
26:44na semana passada
26:45inclusive vários integrantes
26:46da Suprema Corte
26:48enaltecendo,
26:49elogiando
26:50a figura
26:50do advogado-geral
26:52da União.
26:52Então a gente vai tratar disso
26:53ao longo da semana.
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