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  • 19/06/2025
No Visão Crítica, Marco Túlio Delgobbo Freitas, doutor em ciências militares, Paulo Filho, mestre na área, e Major Frederico Salóes, oficial de operações do Comando Militar do Sul, analisam se Israel atua como peça estratégica do Ocidente para conter o avanço do Irã no Oriente Médio. O debate destaca os impactos dessa rivalidade na geopolítica global.

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Transcrição
00:00Algumas pessoas, alguns pesquisadores, professor, falam o seguinte, a intervenção ocidental no norte da África ou no Oriente Médio não resolve os problemas, agrava.
00:11Por exemplo, vide com a Primavera Árabe e as consequências da Primavera Árabe que começou na Tunísia, na Líbia caiu a ditadura Kadhafi, na prática não tem governo central até hoje.
00:24No caso do Iraque, idem, ninguém pode dizer que tem um governo central. Mais recentemente na Síria, também ninguém pode dizer que há um governo central efetivo que controle todo o território.
00:37A grande questão é a seguinte, não é uma intervenção ocidental nos assuntos internos iranianos a ação do governo de Israel?
00:45Estou pondo essa uma questão polêmica, perguntando, eu digo a quem nos acompanha, que como as pessoas ficam, têm uma visão muito primária, acham que há uma afirmação positiva e concordância minha.
00:56Não, eu estou colocando a questão a quem nos acompanha.
00:59Não, Israel não seria, grosso modo, numa linguagem até panfletária, um instrumento do ocidente e tendo uma intervenção em assuntos internos iranianos?
01:08Quem fala isso não deve se interessar minimamente pela política de defesa israelense.
01:18Por quê? Porque, como se vê registrado há algum tempo, Israel, quando consolidou seu plano nacional de defesa,
01:34quando consolidou lá sua perspectiva de defesa do seu Estado, através do Ben-Gurion e depois com o Beguin,
01:42eles elencaram o seguinte, que qualquer programa de entrega, ou seja, mercilístico, e programa de armas de destruição em massa,
01:57química, biológica, nuclear, qualquer programa de qualquer Estado adversário regional,
02:04seria tratado como uma ameaça existencial, que eles chamam de Bittahol-Shotef,
02:13como uma ameaça existencial ao Estado israelense.
02:18Ou seja, um programa de armas de destruição em massa, ele passa pela perspectiva de que seja usado contra o Estado israelense.
02:31E é por isso que temos a ida do Mossad para o Atos Corzene, famoso espião nazista,
02:42para destruir os cientistas alemães que estavam ajudando o Egito a construir seu programa mercilístico.
02:51Depois você tem a Operação Ópera, em relação ao programa de enriquecimento do Iraque.
02:58Você tem a questão da Síria, você tem uma operação militar para acabar com as armas químicas da Síria.
03:05Então, Israel sempre vem fazendo isso.
03:09Eu falo o seguinte, quem acha que Israel é um instrumento do Ocidente,
03:18devia dar os créditos ao Estado israelense.
03:23Por quê?
03:24Porque ele está indo agora para o Irã pela falta de um acordo entre o Ocidental e o Irã,
03:34que são os Estados Unidos.
03:35Os Estados Unidos erraram muito em relação a um acordo,
03:41um possível acordo em relação ao programa nuclear iraniano.
03:46Essa falha custou o seguinte,
03:52Tel Aviv, olhou na quinta-feira, como o coronel bem pontuou,
03:59olhou na quinta-feira o boletim da AIA e disseram,
04:02esse é o toque de clarim para a gente ir à guerra.
04:06Foi isso que aconteceu.
04:07Coronel, é a mesma questão que eu passo ao senhor sobre a intervenção ocidental na região.
04:15E agregaria uma fala recente nesta semana do chanceler da Alemanha,
04:21dizendo o seguinte, Israel está fazendo para nós o trabalho sujo.
04:26Quais são as suas considerações?
04:29O professor falou em toque de clarim e eu, como cavalariado, já fiquei animado, viu, professor Vila?
04:35Eu sabia, eu sabia.
04:37Eu concordo que a saída dos Estados Unidos do Joint Comprehensive Plan of Action,
04:46o JCPOA, em 2018, o famoso acordo nuclear,
04:51foi um passo em falso dado pelos Estados Unidos,
04:54que ensejou toda essa aceleração do programa nuclear iraniano.
05:00Então aquilo ali é o evento que deve ser mais lamentado
05:04por quem lamenta a atual confusão entre Israel e Irã,
05:10o conflito entre Israel e Irã.
05:13Eu também acho, professor Vila, que houve demasiadas intervenções,
05:18especialmente dos Estados Unidos no Oriente Médio,
05:21intervenções que não alcançaram os seus objetivos políticos, né?
05:25A partir do 11 de setembro, de toda a guerra ao terror dos Estados Unidos,
05:31depois na chamada Primavera Árabe,
05:35vários governos caíram e os governos que entraram no seu lugar
05:40não se mostraram mais democráticos, os países não se desenvolveram,
05:44não levaram melhores serviços para suas populações,
05:47ou seja, essas intervenções não surtiram os efeitos desejados.
05:52Do ponto de vista estrito do direito internacional,
05:57da legalidade da guerra,
06:00a invasão, o ataque unilateral de Israel ao Irã,
06:06evidentemente não encontra amparo.
06:08Mas, se isso for visto de um ponto de vista de uma defesa preativa,
06:16de uma legítima defesa,
06:19tendo em vista que o inimigo está prestes a atacá-lo,
06:22como foi a posição que o professor Tullio demonstrou,
06:26de que o Irã estava prestes a chegar ao cumprimento da bomba,
06:30aí até há uma discussão jurídica que talvez encontre o amparo legal.
06:34O fato, professor Willi, e a todos que nos acompanham,
06:38é que essa é uma região dificílima,
06:42e que há muitas e muitas, mais de décadas,
06:44há séculos o homem está em conflito,
06:47e os conflitos imperam nessa região,
06:50e esse é mais um dessa enorme série.
06:53O senhor cita que o primeiro-ministro alemão disse
06:55que Israel está fazendo o serviço sujo para nós,
06:58foi exatamente essa a expressão que ele usou,
07:00com uma franqueza até surpreendente,
07:02normalmente chefes de Estado não têm essa franqueza toda.
07:06Mas o que ele está dizendo?
07:07Exatamente isso, que Israel está impedindo que o Irã chegue à bomba.
07:11A verdade é que ninguém quer que o Irã chegue à bomba,
07:14nenhum Estado quer que o Irã se torne uma potência nuclear.
07:18Talvez somente os iranianos queiram isso.
07:21Mas é nesse sentido que Israel está fazendo o serviço sujo,
07:25Israel está fazendo aquilo que não é bem visto por ninguém,
07:28aquilo que é criticado pela comunidade internacional,
07:31mas que no fundo, no fundo, todos os países ocidentais queriam.
07:34E para encerrar essa minha fala agora, professor, rapidamente,
07:38é muito comum se dizer,
07:42não, Israel está fazendo o serviço do Ocidente.
07:44Isso também se fala em relação à Ucrânia, né?
07:47Não, a Ucrânia é uma marionete do Ocidente,
07:50e as pessoas retiram a agência dos ucranianos,
07:53retiram a agência dos israelenses.
07:56Eu acredito que Israel está fazendo isso de moto próprio, né?
07:59Não se trata de uma ação em nome do Ocidente, não.
08:04É em nome de Israel, realmente.
08:07Eu passaria para o Major essa mesma questão, Major,
08:09da intervenção ocidental na área,
08:12se isso agrava os conflitos ou não,
08:14e se Israel seria,
08:15nós estamos colocando no condicional,
08:18uma espécie de braço suplementar do Ocidente na região.
08:23Olha, professor, só me cabe de fato concordar
08:28com o Cruel Paulo Filipe, com o professor Marco Túlio,
08:30porque se a gente for analisar estritamente Israel e Irã,
08:35o Irã não reconhece a existência do Estado de Israel.
08:39Eu não me recordo de nenhuma liderança iraniana
08:43tratar o Estado de Israel como Estado de Israel.
08:45Ele trata o Estado de Israel como entidade sionista.
08:49Então, por si só, seria reducionista
08:54uma visão desse conflito
08:56tratar Israel como um próximo instrumento do Ocidente.
09:02É uma região onde os conflitos ultrapassam milênios.
09:06As tensões entre judeus, árabes, árabes e persas,
09:11elas ultrapassam milênios.
09:13E, naturalmente, com o tabuleiro geopolítico,
09:18há interesses nessa região
09:19que são interesses convergentes com outros estados,
09:23não somente do Ocidente,
09:24mas com Rússia e China dentro desse tabuleiro também.
09:28Agora, tratar a própria intenção do programa nuclear iraniano,
09:36de alguma forma, isso é vantajoso para a China ou para a Rússia
09:40por conta do tabuleiro geopolítico,
09:41ou as ações do Estado de Israel,
09:44isso é um instrumento dos Estados Unidos ou do Ocidente,
09:49eu acredito que é simplista demais
09:52para o tipo de ação desempenhada pelo Estado de Israel.
09:57Se nós formos tratar de intervenção,
10:01a gente vai acabar nos remetendo,
10:03muito provavelmente, ao Seix-Picot,
10:04ao acordo de Befó,
10:05à própria revolta árabe,
10:07que foi estruturada pelos britânicos.
10:10mas esse entendimento das relações culturais,
10:17socioculturais, no norte da África, como o senhor falou,
10:21e no próprio Oriente Médio,
10:23ele é um pouco dissonante para o Ocidente,
10:24porque a concepção de Estado,
10:26sobretudo de Estado moderno,
10:28ela não participou da história desses países.
10:31ali é uma estrutura extremamente tribal,
10:34onde isso ainda pertence,
10:36nós temos o próprio exemplo do Afeganistão,
10:37que são diversas tribos que não se veem representadas
10:40por uma liderança do país.
10:43Então, entender essa questão sociocultural
10:47nos permite entender melhor a guerra,
10:50como eu falei lá no início,
10:52a despeito do protagonismo de soldados e generais
10:55no campo de batalha,
10:56a guerra é feita pela sociedade.
10:57E esse conflito é um conflito
10:59estritamente entre as sociedades herentes
11:01e a sociedade iraniana.
11:04Lembrando a quem nos acompanha
11:06que alguns livros da Bíblia
11:08podem ser lidos como livros militares.
11:11Por exemplo, Josué.
11:13Veja quantas cidades conquistou,
11:16como conquistou
11:17e o significado disso.

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