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Em meio ao abate de caças estadunidenses pelas forças de defesa do Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, propôs o maior orçamento militar desde a Segunda Guerra Mundial. O professor Paulo Velasco participou do programa Jornal da Manhã deste sábado (04) e analisou o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz na economia global e a dificuldade da ONU em aprovar uma resolução de força devido aos vetos de Rússia e China.

Assista ao Jornal da Manhã na íntegra: https://youtube.com/live/wDKwrLTQZp0

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Transcrição
00:00Depois que caças americanas foram abatidos pelo Irã, o mundo teme uma escalada no conflito como uma possível resposta dos
00:08Estados Unidos.
00:09Para isso, nós conversamos agora com o professor especialista em relações internacionais, Paulo Velasco, mais uma vez participando aqui das
00:17nossas coberturas.
00:18Professor, seja sempre bem-vindo, um ótimo dia, um ótimo sábado ao senhor.
00:23Eu queria pedir, claro, para a gente abrir essa entrevista, uma reflexão a respeito do que trouxemos há pouco na
00:30reportagem do nosso correspondente Luca Bassani,
00:33o adiamento da votação, da apreciação por parte do Conselho de Segurança da ONU, daquela resolução que indica a possibilidade
00:41de uso militar para permitir a navegação comercial no Estreito de Ormuz.
00:47Enfim, quais aspectos desse adiamento nós devemos considerar?
00:52Porque o Conselho de Segurança tem, inclusive, permite que os seus membros permanentes vetem qualquer tipo de resolução.
01:01A partir disso, já com sinalização de Rússia e China, dá para esperar algum tipo de definição ou a possibilidade
01:10de permitir que os navios petroleiros passem por ali?
01:15Muito bom dia, Daniel. É um prazer sempre falar com vocês.
01:18A questão do fechamento do Estreito é um ponto mais sensível, certamente, desse conflito, um conflito que já entra na
01:24sexta semana,
01:26um conflito, portanto, que já causa muito sobressalto na economia global, especialmente por conta da elevação brutal dos preços do
01:34petróleo.
01:34Então, é algo que já vem mobilizando atores variados, preocupados com a falta de perspectiva acerca da reabertura do Estreito.
01:41Lembrando, claro, que navios de bandeiras convergentes com o Irã continuam passando e podem passar.
01:48O caso, por exemplo, de navios chineses, mas boa parte do mundo e dos países ali da região, dos países
01:55árabes do Golfo,
01:56que são inimigos do Irã, se bem prejudicados nessa economia, nem todos os demais, que dependem, claro, da importância de
02:03petróleo,
02:03com a disparada dos preços.
02:05Por isso que o tema foi encaminhado pelo Bahrein para o Conselho de Segurança.
02:09O Bahrein é um país ali muito pequenininho, mas que se vê muito afetado e já foi atacado pelo Irã,
02:14tem uma postura muito convencente com os Estados Unidos, existe base americana no Bahrein,
02:19então é um governo que tradicionalmente tem uma postura hostil aos interesses iranianos.
02:23O Bahrein encaminhou o tema ao Conselho, mas a perspectiva de uma solução coordenada, Daniel, multilateral, é muito remota.
02:32Como temos visto, aliás, em outros temas nos últimos anos, também, que no Conselho de Segurança acabam não levando uma
02:39decisão,
02:39uma resolução efetiva pelo desencontro de posições, divisões de mundo, entre de um lado, por exemplo, nações europeias,
02:47França, Reino Unido, Estados Unidos, e de outro, muito particularmente, Rússia e China,
02:51que nessa questão em particular, nesse conflito, tem uma visão bem diferente, são países aliados do Irã,
02:59não têm sido prejudicados pela circulação de embarcações no Estreito de Hormuz,
03:05e certamente vão vetar uma resolução que prevê o uso de força, ainda que para fins defensivos,
03:11o que a resolução aponta seria a possibilidade de se acionar o capítulo 7º da Carta da ONU,
03:17que autoriza o uso da força, mas com finalidades defensivas para garantir a circulação,
03:23a proteção de embarcações ali pelo Estreito, para que não sejam atacadas pelo Irã.
03:29De todos modos, uma proposta polêmica, justamente porque acaba levando a um desencontro de visões e de opiniões.
03:36A chance de alguma coisa sair do Conselho, mais uma vez, assim como foi na Guerra da Ucrânia,
03:41assim como foi no conflito na faixa de Gaza, a chance é muito, muito remota, Daniel.
03:45Professor, falando sobre ataque e contra-ataque, se a gente observar os Estados Unidos,
03:50a gente sempre fala que os Estados Unidos possuem armas muito fortes, enfim, bombas muito fortes, aviões gigantescos,
03:58e como que está o Irã em relação a isso?
04:01O Irã tem feito ataques também, aviões dos Estados Unidos,
04:05eles vão ter força para continuar nessa guerra?
04:08Como você tem visto o Irã em relação a armamento, em relação a munição nesse momento?
04:13E a partir do momento em que o Irã intercepta aviões dos Estados Unidos,
04:19isso significa também que pode haver uma escalada desse conflito, dessa guerra por parte do Donald Trump?
04:27É um ótimo ponto, Paulo.
04:29Na verdade, o Irã surpreendeu boa parte do mundo, e muito particularmente os Estados Unidos,
04:34porque conseguiu, ao longo dos últimos meses, recuperar boa parte do seu estoque de mísseis e de drones.
04:40Temos que lembrar que, em junho do ano passado, houve ações militares muito contundentes contra o Irã,
04:45lançadas por Israel e pelos Estados Unidos, os Estados Unidos atacando ali especialmente as instalações nucleares iranianas.
04:52E o Irã, já naquele conflito, naquele momento, teria utilizado uma parte importante do seu arsenal de mísseis e drones.
04:58O que daria a entender é que seria um país enfraquecido na sua capacidade de resistência
05:02e de ser exposta às agressões agora, em curso, já há mais de um mês.
05:08Mas, na verdade, o que se percebeu, na prática, olhando para a realidade do conflito,
05:13é que o Irã, justamente por contar com um programa autóctone próprio de mísseis e drones,
05:18e por não depender de peças e componentes de cadeias de desenvolvimento global,
05:23o Irã está sob sanção ocidental há muito tempo,
05:26o Irã não teve dificuldades, de fato, para conseguir recuperar esse arsenal,
05:30tem uma produção própria, uma produção reiteira autóctone, muito evoluída de mísseis e drones,
05:36a ponto, inclusive, de vender mísseis para a Rússia,
05:39são usados pela Rússia na guerra ali na Ucrânia,
05:41e demonstrou uma capacidade de reação, de resposta muito importante,
05:46lançando vários ataques com mísseis ali a países árabes do Golfo Pérsico,
05:50aliados dos Estados Unidos, e também contra Israel.
05:54Apesar de toda a capacidade de defesa e de resistência de Israel,
05:58o seu sistema defensivo tão propalado e reconhecido,
06:02Israel foi bastante impactado por ataques iranianos ao longo desse mais de mês de conflito já.
06:09Então, o Irã tem uma capacidade importante de reação, de resposta,
06:12a grande dúvida, como você muito bem coloca, é até quando isso pode durar,
06:17mas o que se percebe é que o Irã não está disposto a aceitar um cissar-fogo em qualquer condição.
06:21O Irã vem prolongando, vem estendendo o conflito.
06:24O Donald Trump, no seu discurso esta semana, disse que o Irã tinha pedido um cissar-fogo,
06:29o que foi prontamente desmentido pelo regime iraniano.
06:32Então, a impressão que se tem é que o Irã, de fato, está ainda numa situação boa,
06:37de relativo conforto nas suas reações, disposto a continuar lançando ataques
06:42contra instalações militares americanas ali no Golfo,
06:45contra aliados americanos no Golfo, contra Israel,
06:47para demonstrar que tem condições de exigir algumas contrapartidas
06:52num eventual cissar-fogo futuro, o Irã quer chegar a uma mesa de negociações
06:56mais fortalecida para poder exigir algumas vantagens também,
06:59e não apenas ter que ceder aos Estados Unidos.
07:02À medida que o Irã consegue atacar embarcações americanas,
07:05consegue derrubar aviões, aeronaves norte-americanas,
07:09é claro que isso é uma demonstração de força importante,
07:11embora possa, evidentemente, também levar a uma reação mais dura de Washington.
07:16Mas pelo que ouvimos de Donald Trump,
07:18não há interesse do governo americano em estender esse conflito por muito mais tempo,
07:21até porque o calendário começa a apertar para os Estados Unidos,
07:24que tem eleições marcadas muito importantes para o parlamento americano no mês de novembro,
07:29e a conta começa a chegar ao cidadão americano, a gasolina é muito cara,
07:33tudo isso acaba em termos de dividendos políticos, pesando contra o Donald Trump.
07:37É isso, perspectivas para o conflito no Oriente Médio,
07:41assuntos tratados aqui com o Paulo Velasco,
07:44professor de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro,
07:48a quem sempre agradecemos pela participação.
07:50Professor, grande abraço, bom fim de semana, feliz Páscoa e até a próxima.
07:55Obrigado, feliz Páscoa aí a todos, até a próxima.
07:58Até.
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