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A bancada recebe Alexandre Peres Teixeira, professor de Direito Internacional dos Conflitos Armados, para analisar se ainda há espaço para o diálogo entre as nações envolvidas no conflito, Estados Unidos, Israel e Irã. O especialista afasta a ideia de que o diálogo não foi tentado. Ele explica que as vias diplomáticas foram testadas pelos Estados Unidos por mais de um mês antes dos bombardeios.


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Transcrição
00:00A gente volta com você já já, agora a gente vai conversar com Alexandre Pérez Teixeira,
00:04que é professor de Direito Internacional dos Conflitos Armados.
00:09Professor, bom dia, bem-vindo ao Jornal da Manhã.
00:14Bom dia, Márcia, bom dia, Nonato, bom dia, Túlio, bom dia, Jéssica, bom dia, audiência da Jovem Pan.
00:20É uma grande satisfação estar com vocês aqui de novo, apesar desse tema aqui não muito legal.
00:26É, nós estamos agora no pico desse conflito, né, começou, a gente não sabe até quando vai, professor.
00:33Se fosse acionar uma questão diplomática, por onde ela teria que começar uma possível negociação?
00:41É difícil o Irã abrir mão, por exemplo, dessa potência bélica dos mísseis que os Estados Unidos querem que eles
00:49deixem,
00:49a questão do urânio também, da onde que teria que começar essa discussão para que possivelmente aconteça depois um cessar
00:59-fogo?
01:00Olha, essa é uma pergunta um pouco difícil, mas a gente vai tentar ajudar.
01:05Na verdade, a diplomacia, ela já teve início, né, já vem há algum tempo, parece que há um mês, um
01:13mês e pouco,
01:13os americanos tentando negociar essa temática com o regime iraniano,
01:19e isso faz parte exatamente do que a gente chama na academia de manobra de crise.
01:25A diplomacia, ela é a primeira parte dessa escalada que vai até o uso da força.
01:31E nós atingimos, então, nessa madrugada, né, o ponto crítico dessa manobra de crise, que foi o uso da força.
01:38Eu acho que, nesse momento, a gente voltar à diplomacia, né, até que os objetivos políticos, né,
01:46almejados pelos americanos e pelos israelenses sejam realmente atingidos,
01:51eu acho que não vai haver agora espaço para manobra diplomática.
01:57Uma vez que o Estado, ele decide empregar a violência, empregar a força,
02:03retroceder com a diplomacia, vamos ter que esperar mais um pouco.
02:09Professor, a gente tem o direito à autodefesa, né, dos países, dos Estados-nação,
02:16e tem também a possibilidade do Conselho de Segurança da ONU determinar que tal país
02:21representa uma ameaça ao mundo, e a partir daí você tem uma possibilidade de ataque.
02:26Essas condições são dadas, ou seja, a minha pergunta, em resumo, é,
02:30é um ataque legal dos Estados Unidos, ainda que o regime seja ditatorial e oprima o seu povo?
02:40Excelente pergunta, Nonato. Eu tive a oportunidade de ouvir um pouco do que o Túlio falou um pouco antes de
02:47eu entrar,
02:47e eu concordo com ele plenamente. Na verdade, o que vige nessa sistemática é a hipocrisia.
02:53Porque se nós formos analisar do ponto de vista do direito internacional e analisar apenas a ação norte-americana,
03:02nós teremos realmente esta questão do uso ilegal da força, uso unilateral ilegal.
03:09Mas não é por aí que se analisa.
03:11O próprio direito internacional, ele não foi construído de uma forma a colocar todos os Estados em igualdade de condição.
03:19Nós temos lá no Conselho de Segurança cinco países que não se submetem a nada.
03:24Por quê? Porque possuem o poder de velho.
03:27Tivemos o exemplo com a invasão do Iraque pelo próprio Estados Unidos,
03:30tivemos agora o exemplo com a invasão da Ucrânia pela Rússia,
03:35onde os poderosos que estão sentados ali como membros permanentes do Conselho de Segurança,
03:41eles fazem as suas ações, e quando o Conselho de Segurança tenta precar,
03:47eles mesmo vetam essas ações.
03:50Então, isso mostra que, como o Túlio falou, a ordem internacional,
03:54essa ordem que o Trump está tentando desmoronar, está conseguindo,
04:00ela está construída sob uma base muito fraca.
04:03Não existe igualdade soberana dos Estados que deveria existir,
04:07inclusive está na carta da ONU.
04:09Então, sim, respondendo a sua pergunta,
04:12em primeira vista, é uma pressão.
04:13Mas aí eu posso colocar para você que Israel vive um estado constante de conflito armado.
04:20E Israel também está nesta ação.
04:23Então, nós podemos ter aí uma configuração de um aliado importante,
04:27entrando como parte de um conflito armado,
04:30num conflito armado que já está estabelecido.
04:33Aí toda esta narrativa de agressão, de violação de direito internacional,
04:38eu acho que ela não se aplica mais nesta configuração.
04:41Israel estaria sempre, permanentemente, no seu direito de autodefesa.
04:47Sim.
04:48Aliás, de autodefesa não, de autoexistência.
04:52Porque um dos objetivos permanentes nacionais do Irã é destruir,
04:58é tirar o estado de Israel do mapa.
05:01E hoje eu conversei de manhã com alguns amigos de Israel,
05:04e a sociedade israelense, ela vive permanentemente com essa preocupação
05:11de acordar e um dia cair uma arma nuclear no centro de Tel Aviv,
05:15no centro de Jerusalém.
05:17Que sociedade consegue viver com esse tipo de ameaça constante?
05:22Então, eu acho que essa, como o Fabrício, mais cedo,
05:28ele fez uma análise perfeita dessa escalada que levou a esse ataque em larga escala.
05:35Isso vem desde lá da queda do Assad, da decapitação do rei escolar,
05:41da tentativa de assinatura dos acordos de Abraão,
05:44do 7 de outubro, aquele ataque horrível feito pelo Hamas,
05:49que foi financiado e articulado pelo Irã.
05:52Então, isso vem de uma escalada grande.
05:56E agora nós temos, então, americanos e israelenses
05:59tentando finalmente decapitar o principal problema.
06:04Porque, pelo que consta na mídia internacional,
06:07este ainda é um ataque de decapitação.
06:10Os alvos foram cirurgicamente escolhidos,
06:12existem até rumores, que eu não acredito que sejam verdades,
06:16mas que Khamenei tenha sido atingido.
06:18Então, vamos tentar ver como é que isso vai continuar.
06:23Não há confirmação dessa...
06:25Pelo contrário, a agência Reuters diz que ele está num local seguro,
06:29segundo o Teheran ter informado, professor.
06:32Claro que a gente vai atualizando.
06:34Mas...
06:35É, eu...
06:36Pois não.
06:37Desculpa.
06:38Eu acho que, eu concordo, Márcia,
06:39é muito difícil de os iranianos caírem no mesmo erro
06:42que os libaneses caíram,
06:44quando houve a decapitação do Hezbollah.
06:46Eu estava até conversando no meu grupo de fake tank agora pela manhã.
06:49Eu acho difícil dos iranianos não terem aprendido
06:52com o que aconteceu lá com o...
06:54Na Shalá, no Líbano.
06:57Agora, olhando um pouco para toda a política dentro do Irã,
07:01como é o regime do Khamenei,
07:04lá a potência dele não é só política,
07:06não é só militar,
07:07mas é também religiosa, né?
07:09É uma potência que domina muito a cabeça das pessoas, né?
07:13Como é que o senhor vê que vai respingar na população em geral?
07:18A população tende realmente a se revoltar
07:21com o que está acontecendo
07:22e tentar derrubar o regime?
07:24Ou ficar cada vez mais com ódio dos Estados Unidos,
07:28que é algo que já acontece por lá?
07:32Olha, na verdade, eu acho que a ordem é até diferente.
07:36Lá, a questão religiosa, o líder supremo,
07:39ele é a figura religiosa política
07:42que tem mais poder no Estado e no governo,
07:46apesar de existir a separação com o presidente da República.
07:49Mas a verdade é que existe uma massificação ideológica
07:54desde os primeiros anos de idade na sociedade iraniana
07:57em relação ao grande satã.
07:59Isso é ensinado em escolas.
08:01As crianças crescem com essa sensação.
08:04Elas são, desde cedo, incentivadas à violência.
08:07Mas nós tivemos, há cerca de um mês e meio atrás,
08:12uma grande tentativa de mudança de regime
08:16por parte de uma juventude universitária
08:21que levou até ao cometimento de mais violações
08:24de direitos humanos.
08:25Então, Marcia, essa pergunta realmente é uma grande incógnita.
08:30Eu, se fosse apostar contra a minha percepção,
08:34eu diria que se a sociedade iraniana
08:37tivesse condições de realmente promover
08:41essa mudança de regime,
08:43ela aproveitaria, sim, a oportunidade.
08:45Porque ninguém consegue viver da forma que os iranianos vivem.
08:50Um país que já foi o país mais lindo do planeta,
08:53o país mais maravilhoso da história dos persas,
08:56que já governou praticamente o mundo todo,
08:58e vivendo há mais de 50 anos o julgo
09:02dessa suposta ditadura religiosa.
09:06Eu acho que sim.
09:07Se ele chegar agora, não da forma que o Trump está falando.
09:10Ah, vão às ruas, tomem o poder.
09:11Não, não é assim.
09:12Se não tiver articulação,
09:14se não tiver tropa no chão para promover isso aí,
09:17não adianta.
09:17O que vai acontecer vai ser uma nova Síria.
09:20Os americanos estarão promovendo
09:21uma nova guerra civil no Oriente Médio.
09:24O professor, internamente para os Estados Unidos,
09:28o Donald Trump, ele pode tomar ações
09:32aparentemente unilaterais
09:33e colocar o país no meio de uma guerra,
09:36ou ele precisaria passar por uma aprovação do Congresso,
09:39por uma autorização dos outros órgãos
09:42que compõem a democracia nos Estados Unidos?
09:46Não, existem sim, existem artifícios legais internos
09:50que dão esse poder ao chefe do Executivo nos Estados Unidos.
09:53Inclusive, há uns dois meses atrás,
09:56isso foi algo de uma tentativa, né,
09:58por parte do Partido Democrata,
10:00de tentar modificar essa lei,
10:05esse artifício legal.
10:08Eu acredito que, nesse caso,
10:10o Irã, o que eu percebo
10:13do ponto de vista geopolítico,
10:15eu acredito que deve ser a percepção
10:17de uma boa parte da sociedade americana,
10:19é que os americanos,
10:20eles não querem mais uma Coreia do Norte.
10:23Eles não querem que exista mais uma Coreia do Norte.
10:26Porque uma coisa,
10:27nós termos no planeta já dividido em nichos geopolíticos,
10:32China, Rússia, França, Inglaterra,
10:38todo mundo com bomba atômica.
10:39Isso é uma coisa,
10:40mas esse pessoal aí é considerado o key player
10:44das relações internacionais.
10:46Dificilmente um país desse vai se utilizar
10:50de um artefato nuclear
10:51para impor a sua vontade.
10:55Diferentemente de estados assimétricos, né?
10:58Porque essa questão do conflito assimétrico
11:01é o que preocupa realmente o planeta hoje.
11:04Então, se a gente consegue,
11:06se um Estado assimétrico,
11:08veja bem,
11:08um Estado assimétrico,
11:10movido por uma ideologia religiosa
11:13com um artefato nuclear,
11:16pronto, é o suficiente.
11:17Ele causa um dano inaceitável
11:19para qualquer Estado
11:21que esteja na sua esfera de atuação.
11:23E sobre a sua pergunta, Nonato,
11:25Trump não teria avisado o Congresso não, viu?
11:28Que ele ficou receoso
11:30porque podia ser considerado um aviso de guerra,
11:32então ele tomou essa atitude
11:34sem avisar o Congresso americano.
11:36Jess Peixoto,
11:37você também quer fazer uma pergunta, por favor,
11:39para o nosso entrevistado?
11:40Eu quero, professor.
11:41A minha pergunta,
11:42eu acho que todo mundo reconhece,
11:44quase todo mundo, né?
11:46Infelizmente, o Tamaratini Nota não reconheceu,
11:48mas reconhecemos os abusos
11:50que o povo iraniano tem sido vítima,
11:53as inúmeras infrações aos direitos humanos,
11:57as tristes sentenças de mortes
11:59dadas às mulheres iranianas,
12:00iranianas, a ausência de liberdade,
12:03tudo isso é franco reconhecimento.
12:05Só que quando a gente olha para essa situação,
12:07eu acho que existem duas pontes.
12:09Uma ponte é sobre a defesa
12:11e o quão grave seria um país que vive
12:14e que tem essa postura do Irã
12:17ter um armamento nuclear.
12:19E a outra é a ideia da democracia,
12:22da liberdade dos direitos humanos.
12:23Esses dois argumentos
12:24são constantemente utilizados.
12:26Só que eles não são similares.
12:28O primeiro parece e é muito mais real,
12:31enquanto o segundo,
12:33ele é aplicado ao Irã,
12:34por não ser uma democracia,
12:36mas nós vamos aplicar isso também,
12:38Arábia Saudita.
12:39Essa vai ser uma mudança
12:40de posicionamento dos Estados Unidos.
12:42Então, explicando um pouco aqui
12:44para o nosso ouvinte,
12:45para o nosso telespectador,
12:46por que existe essa necessidade narrativa
12:49de tentar fazer parecer
12:51que é sobre democracia,
12:53quando na verdade, na maioria das vezes,
12:55na ampla maioria das vezes,
12:56é sobre defesa e interesses privados.
12:59É uma excelente pergunta, Jess.
13:01É porque essa é a lógica realista
13:05da política internacional.
13:07Nunca quem tem a força,
13:09quem tem o poder,
13:10vai realmente colocar na mesa
13:11suas intenções.
13:13Na verdade,
13:15esse viés da defesa dos direitos humanos
13:18gerou até um questionamento
13:21nas Nações Unidas
13:23sobre a responsabilidade de proteger.
13:26criaria-se, então,
13:27uma capacidade
13:28de se intervir unilateralmente
13:30em países
13:31quando a ONU pudesse verificar
13:34que estaria havendo
13:35violação de direitos humanos.
13:37Mas não é isso que acontece.
13:39Alguém já falou aqui,
13:40antes de mim,
13:41a ONU realmente não tem,
13:43na verdade,
13:43nenhum interesse
13:44de se meter
13:46quando existem interesses
13:48que estão relacionados
13:50aos cinco poderosos
13:51do Conselho de Segurança.
13:52Então,
13:53isso gera um vácuo de poder.
13:56Isso gera realmente
13:57uma possibilidade
13:58de quem tem o poder
14:00numa ordem internacional
14:02pragmática,
14:03porque nós estamos vivendo
14:04dias tenebrosos
14:06de ruptura do direito internacional.
14:08Nós estamos vivendo
14:09dias tenebrosos
14:10de tentativa
14:12de desconstrução
14:13de tudo aquilo
14:14que foi construído
14:15com muito sangue
14:16por conta de guerras.
14:18Donald Trump
14:18tem tentado propor
14:19uma nova ordem internacional.
14:21Por quê?
14:21Porque,
14:22na visão dele,
14:23a ordem que está posta,
14:24ela não está posta
14:26realmente para defender
14:26direitos humanos.
14:28Ela não está posta
14:29realmente para ver
14:29os problemas que ocorrem
14:30no Irã,
14:31para ver os problemas
14:32que ocorrem no Iêmen,
14:33para ver os problemas
14:33que ocorrem na Arábia Saudita
14:35ou em qualquer lugar do mundo
14:36onde nós tenhamos
14:38violações de direitos humanos.
14:40Porque quando existe
14:42algum stakeholder,
14:44alguma pessoa,
14:44algum país
14:45que tenha ligação
14:46com um dos cinco,
14:48simplesmente a ONU
14:49faz o que fez
14:50lá em Gaza
14:51e faz o que tem feito
14:52na Ucrânia
14:53e o que vai fazer
14:54no Irã.
14:55Fecha os olhos.
14:56E daqui a pouco
14:57o seu secretário-geral
14:58vai para a imprensa
15:00exatamente falar sobre isso.
15:01Reforçar a violação
15:02dos direitos humanos,
15:04reforçar a questão
15:05do emprego da força unilateral
15:07mas essa sua pergunta
15:08é excelente
15:09e a gente coloca
15:09é o pragmatismo
15:11do realismo
15:12da ordem internacional.
15:13É isso.
15:14Manda quem pode
15:15e obedece em 20 minutos.
15:16A gente conversou então
15:17com o professor
15:18Alexandre Pérez Teixeira,
15:20professor de Direito Internacional.
15:21Muito obrigada, professor.
15:24Uma grande satisfação.
15:25Conhece sempre comigo.
15:26Grande abraço.
15:27Obrigado, professor.
15:2810h55 agora.
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