- há 1 minuto
- #jovempan
- #jornaldamanha
O jornalismo da Jovem Pan News recebe uma professora de Relações Internacionais e doutora em Direito Internacional para analisar as motivações e as profundas consequências do ataque coordenado por Estados Unidos e Israel contra o Irã. A especialista aponta que o verdadeiro objetivo da ofensiva vai além de neutralizar o programa nuclear: a intenção de fato é forçar a deposição do regime dos aiatolás.
Assista ao Jornal da Manhã na íntegra: https://youtu.be/roBR9eQwHRU
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews
Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S
Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews
Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews
Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/
TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews
Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews
#JovemPan
#JornalDaManhã
Assista ao Jornal da Manhã na íntegra: https://youtu.be/roBR9eQwHRU
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews
Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S
Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews
Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews
Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/
TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews
Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews
#JovemPan
#JornalDaManhã
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00Reparo que a professora de Relações Internacionais, doutora em Direito Internacional, chega ao vivo também conosco no Fast News aqui
00:05na Jovem Pan.
00:07Doutora, muito obrigada pelo seu tempo neste sábado para nos ajudar a compreender os reflexos internacionais desse conflito. Boa tarde.
00:16Boa tarde, Bia. Boa tarde a todos que estão nos assistindo.
00:21Perfeito, doutora. Para a gente começar, o ponto geral, a sua avaliação sobre o que ocorre nesse momento e também
00:27o que tende a acontecer nos próximos dias.
00:31Muito se fala de que esse é um ataque que deve durar dias, mas o que diferencia ele de um
00:36ataque, como a gente vê no leste europeu, que dura anos?
00:41Bom, Bia, o que acontece? Em realidade, esse ataque, de fato, dos Estados Unidos e do Irã foi a segunda
00:46vez na história depois de junho do ano passado.
00:48Dentro dessa perspectiva, ainda que tenha sido o segundo ataque, a gente precisa ver que esse tensionamento das relações, incluindo
00:57Israel e outros países do Oriente Médio,
01:00acaba por se ter em décadas também esse tensionamento.
01:05Mas o que acontece? O que a gente tem que ficar a par nesse momento dessa relação e principalmente desse
01:11ataque?
01:11Primeiro, é um ataque não apenas pontual, mas que envolve outras regionalidades também, no caso Estados Unidos e Israel,
01:20que faz com que nós tenhamos uma previsibilidade maior de contingência dentro dessa realidade.
01:26O que eu quero dizer com isso? Um maior tempo e um maior poderio de fato.
01:31Dentro dessa perspectiva, não está muito claro ainda o que Estados Unidos e Israel querem.
01:36Porque, em realidade, Bia, a gente precisa pensar.
01:39Eles querem acabar com o programa nuclear iraniano.
01:42Essa é a primeira premissa.
01:44Só que, dentro dessa perspectiva, os Estados Unidos já falaram que acabaram com a planta nuclear iraniana ano passado, em
01:51junho.
01:51Então, o que eles querem, de fato, é a deposição do regime dos ayatollahs.
01:55E isso acaba por ter um custo político também para o Trump, dentro da sua realidade regional, muito caro.
02:02Porque a gente precisa pensar o seguinte, não existe um plano para a deposição desses ayatollahs
02:08e que dê uma perpetuidade, por assim dizer, dentro de uma realidade institucional iraniana.
02:14Não tem uma ideia de regime de transição, um plano B para os Estados Unidos.
02:18E por que eu falo que isso tem um custo institucional muito caro para o Trump?
02:22Primeiro ponto, o Trump está gastando dinheiro numa realidade de inflação elevada nos Estados Unidos
02:28com uma nova, o que parece ser uma nova guerra no Oriente Médio.
02:32Primeiro ponto.
02:33Segundo ponto, a gente também tem dentro dessa realidade o Trump falando, de fato,
02:38que quer acabar, enfim, com o regime, mas que isso pode retroalimentar os grupos radicais na região.
02:46Porque, de fato, esses grupos radicais, eles surgem nesses momentos, principalmente de ataques externos,
02:53e pode retroalimentar um ódio e o terrorismo também vir a atacar os Estados Unidos.
02:59E um terceiro e não menos importante ponto é que a comoção, o clamor popular dentro da sociedade dos Estados
03:06Unidos
03:06é muito contrária por conta das marcas advindas da guerra do Iraque e da guerra do Afeganistão,
03:11que trouxeram consigo muito uma perspectiva negativa para a população dos Estados Unidos.
03:17Esses são alguns pontos a partir de um desses atores que integra essa regionalidade.
03:22Agora, quando a gente vai para o outro lado, que é justamente também o Irã,
03:27a gente também precisa entender que o Irã, até então, ele não queria esse ataque.
03:31Ele não queria um confronto direto, principalmente com os Estados Unidos,
03:35porque ele estava disposto a negociar.
03:38Ou seja, o Irã estava disposto a fazer concessões que os Estados Unidos queriam,
03:43e aí eu coloco um dos pontos, que é justamente a diluição do seu programa nuclear
03:48em relação a um exercício pacífico desse desenvolvimento de enriquecimento de urânio.
03:56E o segundo ponto também, que ele abriu as portas para que tivesse mais fiscalização,
04:02inclusive de um consórcio de países árabes.
04:04Isso, com certeza, não foi o suficiente para os Estados Unidos,
04:08porque os Estados Unidos queriam a destruição completa do programa nuclear iraniano.
04:12E o segundo ponto também, que o Irã abandonasse seus mísseis balísticos e médio alcance
04:17para não vir a atacar Israel.
04:19Só que o Irã não fez todas essas concessões e, por consequência, teve esse ataque.
04:24Só que esse ataque também tem um custo muito elevado para o regime dos ayatollahs.
04:28A gente precisa entender que, ano passado,
04:30a moeda que mais desvalorizou no mundo inteiro foi a iraniana.
04:34Segundo ponto, existe uma inflação elevadíssima no Irã
04:37e uma insatisfação popular, não apenas com a questão da repressão dos direitos humanos,
04:42que sim advém desse regime dos ayatollahs,
04:45mas também com a relação e com a situação econômica que se encontra dentro desse Irã.
04:50Então, basicamente, Bia, existe uma complexidade também dentro dessas sociedades internas
04:56que, para além da possibilidade desse envolvimento de outros atores,
05:00como é o caso do Bahrein, como é o caso do Emirado dos Árabes Unidos,
05:02nós precisamos ficar atentos, porque, de fato, isso pode repercutir também na perpetuação desse conflito.
05:09Rapidamente, professora, só para atualizar a nossa audiência,
05:11nós temos a informação de que, neste momento, os sirenes voltam a tocar em cidades israelenses.
05:16É o som da guerra, de fato, de forma literal, que antecede possíveis ataques
05:22e tem como principal prerrogativa alarmar a população para que se mantenha em ambientes abrigados,
05:29em espaços como bunkers ou estruturas reforçadas para se proteger de eventuais mísseis.
05:35A gente lembra que Israel é militarmente equipado com o chamado domo de ferro,
05:40que é uma estrutura militar que usa inteligência e também força de combate
05:46para conter mísseis antes que eles atinjam o solo.
05:50Professora, eu gostaria de trazer aqui também com você, Priscila Caneparo,
05:54uma fala específica de Donald Trump durante o discurso dele logo após esse ataque conjunto com Israel.
06:01Mantenham-se abrigados, bombas cairão por toda parte, quando terminar, o governo será de vocês.
06:07É um discurso que parece pacificador, como o salvador da pátria,
06:12de que quando, de fato, o líder supremo e toda a repressão cultural, social e política que existe no Irã
06:19forem derrubados, como se a população tivesse novamente a oportunidade de tomar o poder.
06:25Agora, de fato, a tendência, olhando para o histórico de Donald Trump,
06:30é de que isso realmente se configure, ou a gente tem uma intervenção política dos Estados Unidos no regime iraniano,
06:36da mesma forma como a gente viu com a Venezuela.
06:41Eu quero reforçar aqui que não existe uma comparação substancial entre os dois conflitos,
06:46de Donald Trump aqui na América Latina e no Oriente Médio,
06:50mas de comportamento do presidente norte-americano, professora.
06:55Bom, Bia, eu acho muito pouco provável que, como você mesmo destacou,
06:59não são situações equiparáveis, mas acho muito pouco provável que nós tenhamos um envolvimento direto
07:05na política iraniana, como está acontecendo agora no caso da Venezuela.
07:09O que a gente pode ter, de fato, é que dessa transição, se porventura o regime dos Ayatollahs caí,
07:16a gente tenha, encabeçando esse novo regime, alguém apoiado pelos Estados Unidos,
07:21como é, por exemplo, o Shah Raza Pahlavi foi, na década de 60 e 70,
07:26e o filho dele pode vir assumir esse poder, o que eu acho pouco provável,
07:30porque a gente precisa pensar que aquilo que é apoiado pelos Estados Unidos
07:33não necessariamente vai ser apoiado pela sociedade iraniana.
07:36Existe uma boa parcela da sociedade iraniana que ainda defende o regime dos Ayatollahs,
07:43e isso vai repercutir também em termos de revoltas populares internas.
07:48Só que dentro dessa premissa existem algumas situações que também precisam ser analisadas
07:53para a gente fazer esse exercício prospectivo.
07:58A primeira situação em relação ao contexto iraniano é que, de fato, dentro dessa realidade,
08:05nós estamos, nesse momento, em um regime teocrático.
08:08Um regime teocrático é muito diferente daquele que os Estados Unidos, porventura, estão acostumados,
08:14e um segundo ponto também a gente precisa entender que a própria geografia do Irã
08:19não permite com que nós tenhamos esse paralelo com, efetivamente, a Venezuela
08:24para os Estados Unidos simplesmente ingressar nesse território,
08:27retirar o regime dos Ayatollahs e continuar essa perpetuidade de influências.
08:32Esse é um ponto crucial.
08:34Mais uma questão que também a gente precisa ter em mente em relação a essa deposição do regime,
08:38uma porventura ocorrer a deposição do regime e vir os Estados Unidos a influenciar indiretamente,
08:44é que, historicamente, no Oriente Médio, quando há uma intervenção militar dos Estados Unidos,
08:51um ataque de uma potência estrangeira, principalmente uma potência ocidental,
08:55a gente precisa entender que, paralelamente a esse ataque,
08:59a população tende a se comover e a apoiar o regime.
09:02É diferente do que está acontecendo na Venezuela.
09:04Essas realidades, em termos de população civil, não são equiparáveis,
09:09porque, de fato, a gente observa que, hoje, no Afeganistão, a gente tem o retorno,
09:13a volta do regime talibã, que foi aquilo que foi tentado, justamente, se afastar.
09:18Então, essa população tende a defender, sim, essa perspectiva do que está dentro daquela realidade nacional.
09:25Existem alguns outros pontos que a gente também ainda precisa analisar
09:28para ver qual vai ser a resposta em relação a esse ataque dos Estados Unidos.
09:33Muitos governos do Oriente Médio, e aí eu destaco o principal ponto que a Arábia Saudita,
09:38ainda não se manifestaram.
09:40E eu acho extremamente pouco provável que eles vão apoiar uma intervenção direta dos Estados Unidos
09:46nesse regime institucional iraniano.
09:49E isso vai repercutir de base muito, muito direta
09:52para uma possível e futura estabilidade da região.
09:56Eu não acredito que seja o plano dos Estados Unidos fazer essa intervenção institucional direta,
10:01e também não acredito que os Estados Unidos vão fazer uma intervenção militar terrestre no Irã.
10:06Acredito, sim, que existe, por assim dizer, uma perpetuidade da ação.
10:10Não vai ser uma ação pontual, como foi em junho do ano passado,
10:14mas acho pouco provável que a gente vá ter o boots on the ground,
10:17que a gente costuma chamar essa ação terrestre,
10:20e muito menos uma intervenção institucional dos Estados Unidos.
10:23E para fechar a minha fala, Bia, a gente precisa entender o seguinte,
10:26existem dois pontos aqui que a nossa audiência e nós mesmas não podemos deixar de observar.
10:32Primeiro ponto, o regime do Zé Atulaz, ele é um regime repressor,
10:35ele é um regime que deve ser combatido,
10:38ele é um regime que não se pode ser defendido,
10:40principalmente em relação a direitos humanos de populações vulneráveis,
10:44mulheres e aqueles grupos opositores ao governo.
10:47Mas, em contrapartida, essas ações dos Estados Unidos e de Israel
10:51também são condenadas e condenáveis,
10:55principalmente porque para se ter uma ação dessa forma,
10:58nós precisamos do apoio da sociedade internacional
11:00por intermédio da autorização do Conselho de Segurança.
11:04Tanto é verdade que eu estou falando que a primeira manifestação europeia
11:08ou dos membros permanentes do Conselho de Segurança foi da França,
11:12e a França foi muito reticente em relação a essa ação,
11:15porque essa ação pode se voltar, inclusive, contra as potências ocidentais
11:19nessa perspectiva de haver um desrespeito à ordem institucional.
11:23Aí muita gente pode falar,
11:24bom, mas o regime do Zé Atulaz também não respeita,
11:27só que daí você acaba equiparando Israel e Estados Unidos
11:31ao próprio regime do Zé Atulaz.
11:33Então são pontos que nós precisamos também ficar atentas,
11:36porque vai ter uma resposta dos países da região
11:39e principalmente da sociedade iraniana.
11:4213 horas e 28 minutos, estamos ao vivo na Jovem Pan News com o Fast News,
11:47acompanhando, na verdade, a nossa programação desde as 6 horas da manhã,
11:52toda a repercussão global envolvendo os ataques entre Estados Unidos, Israel e Ira.
11:57Professora Priscila Caneparo, agora Jess Peixoto também para participar da entrevista.
12:02Jess.
12:03Professora, muito obrigada, excelente exposição.
12:05Eu quero pegar dois recortes dela.
12:07O primeiro, no que tange a figura do Yatolaz.
12:10Eu estou vendo muitas comparações com o caso da Venezuela
12:13e, como a senhora bem falou, é uma situação muito diferente
12:16por se tratar também de um líder religioso
12:19e que, na crença xiita, seria um dos descendentes do profeta Maomé.
12:25Como que a senhora imagina a repercussão deste ataque à residência,
12:30nesse momento, dentro do Irã, nas redes estatais e também em termos de narrativa,
12:34isso vai dar um respiro para um governo que tinha uma oposição fortalecida
12:40e, no outro ponto, é uma leve discordância que eu tenho
12:43em relação à postura de determinados países do entorno.
12:46Por quê?
12:47Existe uma decisão estratégica que eu gostaria que a senhora analisasse para a gente,
12:51pois eu não a compreendo.
12:53A decisão de atacar os Emirados, o Catar, principalmente os Emirados Árabes e o Catar.
12:58Porque nós sabemos que a Arábia Saudita tem tido uma posição de distanciamento,
13:03muitas vezes mais neutra.
13:04Mas, a partir do momento em que se ataca um aliado como os Emirados Árabes,
13:08a postura da Arábia Saudita vai de defesa, vai em defesa da lógica dos Emirados.
13:15Até hoje foi retratado ali uma conversa entre o Sheikh Mohammed e o príncipe da Arábia Saudita.
13:22Então, a senhora não acha que, a partir do momento em que o Irã optou por atacar
13:27esses outros países da região, ele estaria se isolando e até fortalecendo
13:32o ataque que os Estados Unidos fez?
13:35Obrigada.
13:37Jess, boa tarde.
13:38Obrigada pelas perguntas.
13:39Eu achei suas colocações muito relevantes, inclusive, para a gente entender essa contextualidade.
13:46Então, eu vou iniciar por essa última pergunta em relação aos ataques do Irã,
13:50no Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein e Kuwait.
13:55A gente precisa entender que o governo iraniano, ele falou que ia atacar todas as bases militares,
14:01ia fazer um grande ataque em relação às bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio
14:06e os países aliados aos Estados Unidos no Oriente Médio.
14:10Então, eu não acredito que ele vá fazer um ataque à Arábia Saudita, porque a Arábia Saudita
14:15se posicionou muito abertamente quando houve aquele ataque de Israel em relação justamente
14:22ao governo iraniano, ainda que exista um distanciamento aí de relações diplomáticas, institucionais
14:27e até pacíficas entre Irã e Arábia Saudita ao longo da história.
14:31Então, acho um pouco provável.
14:32Mas, em contrapartida, vamos pegar esses dois Estados que você destacou, que são os Emirados
14:36Árabes Unidos e o Qatar.
14:37O Qatar, ainda que ele tenha levantado essa posição de mediador, tenha trabalhado toda
14:44a sua estrutura governamental para ser um grande soft power dentro do Oriente Médio em relação
14:49justamente a essa questão de mediação, a gente precisa entender primeiro que o Qatar,
14:54ele possui uma das maiores bases militares dos Estados Unidos na região e, mais do que isso,
15:02o Qatar é um grande aliado dos Estados Unidos.
15:05Se a gente for pegar junho do ano passado, quando Israel, inclusive, fez um ataque ao
15:10Qatar, se a gente rememorar aqui esse ataque, os Estados Unidos têm uma declaração, uma
15:16ordem presidencial advinda do próprio gabinete do Trump falando que quem atacasse o Qatar estaria
15:24atacando os Estados Unidos, como se fosse o artigo 5º da Carta da OTAN, aquela legítima
15:29defesa coletiva.
15:29Então, a gente sabe que o Qatar é um ponto central da influência dos Estados Unidos também
15:35no Oriente Médio.
15:36Então, pela lógica do regime dos Ayatollahs, esse ataque faz sentido, porque é um grande
15:41aliado dos Estados Unidos e possui uma das maiores bases militares dos Estados Unidos na
15:46região.
15:47Junto com o Kuwait, são as duas maiores bases militares.
15:50Emirados Árabes Unidos, vamos pegar aqui o ataque a Dubai mais especificamente, a gente
15:55tem um nível de ocidentalização dessa regionalidade, talvez o maior de todo o Oriente Médio, à exceção
16:01de Israel.
16:02Então, a gente sabe que acaba por se ter um relacionamento muito direto com a figura dos
16:07Estados Unidos e, para além disso, é um ponto turístico que compõe também essa realidade
16:13de destaque, de propaganda do poderio do Irã e também possui bases militares.
16:20O próprio Emirado dos Árabes Unidos, no Oriente Médio dos Estados Unidos.
16:25Então, é óbvio que toda a conmoção da mídia ocidental, das pessoas que moram do lado
16:30de cada mundo, já está em uma figura muito mais pró-Estados Unidos, que não vai, na
16:35cabeça do regime iraniano, fazer muita diferença em relação à visão que as pessoas têm do
16:41Irã.
16:41Mas, em contrapartida, vai demonstrar o poderio militar, o poderio bélico para os Estados
16:48Unidos, para Israel, que Irã ainda detém.
16:50A gente precisa pensar, como você mesmo destacou, não estamos falando aqui de Venezuela, estamos
16:55falando de um Estado nuclearmente, não armado, mas nuclearmente, com esse potencial de enriquecimento
17:01de urânio, primeiro ponto.
17:03Segundo, o maior exército da região depois de Israel.
17:07E terceiro, existem já comprovações de uma ligação, de cooperação militar, de
17:12tecnológica com a Rússia.
17:14Não é Hamas, não é Venezuela.
17:16É um país muito mais complexo, que sim, vai tentar demonstrar o seu poder justamente
17:22para fazer, ou tentar fazer conter, esses ataques de Israel e de Estados Unidos na região.
17:27Esse é o primeiro ponto da sua pergunta.
17:29Já a segunda pergunta, em relação a como fica o regime dos Eto'lás, qual vai ser,
17:34enfim, as consequências práticas.
17:37Jess, a gente ainda não tem muitas informações, porque a gente precisa entender que o Irã está
17:41em um apagão, né?
17:43Então, toda a informação que vem não é exatamente de dentro do Irã, mas é que
17:47ele diz, que me diz, na sociedade internacional, porque, de fato, não houve ainda uma manifestação
17:53de mídias que estão lá dentro, e principalmente de organizações não governamentais, para
17:57a gente entender quais serão as consequências fáticas, tanto para a perspectiva do governo
18:03iraniano, bem como para a sociedade civil iraniana.
18:05Mas o que a gente está percebendo, nesse primeiro momento, é sim que, destruindo a
18:11casa do Eto'lá, a gente tem, pelo menos superficialmente, um enfraquecimento do regime.
18:17Mas, em contrapartida, olha como os sinais são opostos e são paradoxais.
18:22Em contrapartida, por maior que seja a inteligência dos Estados Unidos e do próprio Mossad de Israel,
18:27o Eto'lá, segundo informações, conseguiu sair com vida.
18:31Então, existe algum nível aí de informação e algum nível de desenvolvimento iraniano
18:36que tem que ser respeitado também por intermédio desses ataques e em decorrência desses ataques
18:42dos Estados Unidos e de Israel.
18:45Professora Priscila Caneparo, muito obrigada pela sua atenção com a audiência da Jovem Pan.
18:49Um ótimo fim de semana, professora.
Comentários