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O Direto ao Ponto desta semana recebe Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco do Brics, em uma entrevista com Evandro Cini.

Troyjo detalha o potencial de crescimento do Brasil, afirmando que o país é a "Arábia da produção de alimentos", um diferencial crucial na comparação com outras potências. O economista aponta que o Brasil "volta a ter uma grande chance de se reindustrializar" e, ao abordar o tema das tarifas, faz uma reflexão: "nós éramos felizes e não sabíamos".

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Transcrição
00:00Mas é crível imaginar que o presidente dos Estados Unidos não sabe a situação da balança comercial entre Brasil e Estados Unidos.
00:07É puro negócio, é pragmatismo econômico.
00:10Claro que nós tivemos nesse meio um recheio aí de ideologia, da justiça brasileira, sanções.
00:17Quer dizer, é algo que foi diferente, mas no final das contas é o pragmatismo econômico que vai prevalecer?
00:23Essa história é um pouco como o teatro kabuki no Japão, né?
00:25Depende da hora que você entrar no teatro, tá tendo uma cena, né?
00:28E parece que as peças nunca acabam, né?
00:30É um enredo que não acaba, porque, enfim, para não fazer um corte muito longo, né?
00:36Como é que essa história toda começa a ficar, ela gera mais impactos, né?
00:41É no dia 2 de abril, né?
00:43Porque no dia 2 de abril, nos Jardins da Casa Branca, o presidente branco, Trump vai lá e anuncia o que ele chama de
00:49política de comércio justo e recíproco, que na terminologia deles também recebeu o nome de Dia de Libertação.
00:58Não é isso?
00:59Então, o que o presidente Trump faz?
01:00Ele vai lá com uma tabela, tem diferentes países e, aparentemente, a fórmula que eles utilizaram
01:04para a imposição de tarifas de importação tinha que ver com o tamanho do déficit comercial
01:09que os Estados Unidos tinham com esse ou com aquele país, né?
01:12Então, por que aquilo ali me pareceu tão interessante, né?
01:16É porque é o seguinte, o Brasil é um país tão peculiar, tão peculiar, hoje no mundo tem 193 países, né?
01:24O Brasil é um país tão peculiar que o Brasil consegue ter superávit na sua relação comercial bilateral com a China,
01:31é um dos pouquíssimos países que consegue ter, mas é um país que também consegue ter déficit nas suas relações bilaterais com os Estados Unidos.
01:38Os Estados Unidos também são só uns 7, 8 que estão nessa situação.
01:42Então, o que aconteceu com o Brasil no dia 2 de abril?
01:44Foi alocado para o Brasil uma tarifa de, entre aspas, apenas 10%.
01:49Vamos supor, apenas por um momento, que o presidente Trump tivesse colocado tarifas de 10% ou de 20% que fossem para todos os países.
01:58Sabe qual é o efeito que isso gera?
02:01Gera o seguinte efeito, né?
02:03Você está no estádio, assistindo a partida do seu time, está todo mundo sentado na arquibancada,
02:08você está lá, sei lá, no oitavo elo, né?
02:13Está todo mundo sentado, bonitinho, assistindo, só que aí o seu time rouba a bola,
02:16ele sai em contra-ataque, né?
02:18E aí o sujeito que está na primeira fideira, ele fica tão entusiasmado com a possibilidade de ver o gol,
02:22que ele fica de pé.
02:24Quando ele fica de pé, ele força a pessoa que está atrás dele a ficar de pé também.
02:28Aí todos ficam de pé, portanto todos estão em uma posição de maior desconforto
02:32para assistir o mesmo lance que está de um tempo se todos estivessem sentados.
02:37Agora, agora, se você aloca 10% para o Brasil,
02:42e vamos supor, hipoteticamente, 45% para a Coreia do Sul,
02:46ou 40% para Bangladesh, ou 38% para a Tailândia,
02:52e mais ou menos foi isso que aconteceu, ou seja, a maior incidência de padrão tarifário
02:59anunciado no dia 2 de abril foi para países do Sudeste Asiático,
03:03que são países que ascenderam, emergiram nesses últimos 30 anos,
03:07mediante a exportação de bens industrializados para os Estados Unidos,
03:11essa situação, o Brasil com 10% e esses caras aqui com 30, ela vai pedrada,
03:16ela é muito interessante para o Brasil.
03:19E cria um diferencial importante,
03:21e supostamente cria um incentivo marginal para a reindustrialização do Brasil.
03:27Ainda mais no momento em que você tem,
03:30acho que um sentimento prevalecente no mundo,
03:33que é o de diminuição de exposição a risco à China.
03:35Eu não sei se a gente chegou a comentar aqui, Evandro,
03:40mas tem um gestor de recursos,
03:43que agora é uma figura bastante frequente no debate público nos Estados Unidos,
03:47chamado Anthony Scaramucci.
03:49Ele chegou até a ser diretor de comunicações da Casa Branca durante,
03:52acho que ele foi umas duas semanas só, depois ele saiu,
03:54ele falava super bem do presidente Trump,
03:56hoje ele é um dos principais críticos do presidente Trump.
03:59E ele diz o seguinte, olha,
04:01a Arábia Saudita é a Arábia Saudita do petróleo,
04:04mas a China é a Arábia Saudita da indústria.
04:08Aliás, eu complementaria, o Brasil é a Arábia Saudita da produção de alimentos.
04:11Mas no momento em que a China é a Arábia Saudita da indústria,
04:14e você tem tanta atividade manufatureira lá,
04:16você cria uma mega dependência de outros países à produção na China.
04:20O que a Covid-19 está mostrando?
04:22Olha, eu não quero ficar tão dependente da China.
04:24Fora o que você tem aí os primórdios, supostamente,
04:29de uma nova guerra fria, dessa vez, entre os Estados Unidos e a China.
04:35E a própria China não está ficando mais tão barato produzir na China.
04:39Se você tem setores em que, digamos,
04:44a remuneração da força de trabalho ainda é um fator determinante
04:47para a competitividade final do produto,
04:50muita atividade está saindo de lá e indo para outros lugares.
04:54Bangladesh, para Tailândia, para Marrocos.
05:00Quando eu era criança, por exemplo, o papai me dava um brinquedo,
05:02estava escrito um brinquedo assim,
05:04Made in Japan.
05:06Depois os brinquedos ficaram Made in Hong Kong.
05:09Depois os brinquedos ficaram Made in Korea.
05:12Mais recentemente os brinquedos ficaram Made in China.
05:16Outro dia eu estava conversando com um amigo banqueiro indiano
05:18e ele me contava que a Índia está prestes a se tornar
05:20a maior produtora mundial de brinquedos.
05:23Por quê?
05:24Por conta da...
05:26Mais uma vez,
05:28do desequilíbrio entre remuneração da força de trabalho na China
05:31e remuneração da força de trabalho na Índia.
05:34Então, se você tem a manutenção daquela situação,
05:37o Brasil volta a ter uma grande chance de se reindustrializar.
05:39Não é o único caminho, mas é uma força adicional.
05:44Por isso que desse período do dia 2 de abril deste ano,
05:50até o dia 9 de julho, que é o dia em que o presidente Trump anuncia,
05:54mais 40%, de vez em quando eu brinco que nós éramos felizes e não sabíamos.
05:59Porque com os 40% adicionais,
06:01hoje o Brasil e a Índia são os países que mais estão protegidos
06:05por escudos tarifários em relação àquela que é a principal importadora do mundo.
06:11Então, o resultado disso tudo,
06:14por questões econômicas ou comerciais e por questões políticas,
06:18hoje existem três plataformas de atrito entre os Estados Unidos do Brasil.
06:25Você tem a questão das tarifas,
06:27foi publicada pelo governo americano também uma lista de exceção,
06:31mas há setores muito importantes para a economia brasileira
06:34e também para a economia dos Estados Unidos que ainda não estão nessa lista,
06:37carne bovina, café, máquinas, equipamentos,
06:41estão todos aqui, ainda debaixo dos 50%.
06:44Você tem isso daqui que precisa ser resolvido.
06:47Só que você tem uma outra novela,
06:50você tem outra série que está nos primeiros episódios ainda,
06:54que é a tal da sessão 301,
06:56que o governo americano abriu alguns dias depois do anúncio das tarifas,
07:02e que tem uns cinco ou seis setores ali,
07:04inclusive a área de tecnologia, a área de pagamento, PIX,
07:08e essas investigações começaram e elas tendem a durar pelo menos um ano.
07:15De vez em quando você abre uma investigação sobre supostas práticas desleais,
07:20mesmo quando existe uma boa relação entre governos.
07:23Por exemplo, durante os anos 90,
07:26que foram anos que muitos dizem de bromance,
07:28entre o presidente Clinton e o presidente Fernando Henrique Cardoso,
07:32houve também uma sessão 301 contra o Brasil,
07:34mas ela transcorreu numa atmosfera técnica.
07:37Hoje, se você vai a Washington, você consegue cortar a energia política do ar.
07:43Com o canivete você vai lá e arranca...
07:45Você tem o que a gente não falava dessa sessão 301,
07:47porque é tanta coisa que vai acontecendo que isso aí ficou debaixo do tapete, né?
07:52É porque ela vai...
07:55A dinâmica dela é mais homeopática, dizendo assim.
07:58Mas houve, por exemplo, já a primeira audiência no mês passado.
08:02Quem conduz essas sessões é o principal executivo da área jurídica do USTA,
08:09que é o Escritório da Representação Comercial Americana.
08:12Então, esse é um processo mais longo.
08:13E ainda você tem um terceiro,
08:16que é a tal da 232,
08:20é uma outra peça legislativa nos Estados Unidos,
08:23que garante ao executivo a possibilidade de argumentar em favor de segurança nacional
08:28para bloquear importação, deixo daquele produto.
08:31Curiosamente, está sendo invocada contra produtos de madeira,
08:35ou derivados de madeira, né?
08:37Que, por exemplo, no nosso caso, é de grande relevância
08:39em razão de exportações dos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul,
08:45e assim por aí.
08:45Então, você tem três...
08:47Milares.
08:48Você tem três partidas de xadrez sendo disputadas ao meio tempo.
08:52O tarifácio é uma delas e é o mais visível.
08:56E é aquele que, potencialmente, você consegue também extrair
08:59os maiores dividendos políticos eleitorais.
09:04Então, eu acho que agora vai começar uma conversa.
09:07Alguns dos elementos que estarão na mesa serão,
09:10a meu ver, de natureza econômica e comercial,
09:13e outros serão de natureza política.
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