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Transcrição
00:00Agora aqui nossa rodada de perguntas com a titular da pasta da economia aqui na PAN, Denise Campos de Toledo.
00:05Caio, boa noite. Obrigada pela sua participação aqui na Jovem Pan.
00:09E eu queria falar exatamente sobre isso, essa percepção da economia.
00:12Porque quando se fala de perspectivas futuras, eu acho que isso preocupa muito o mercado financeiro,
00:17os economistas, jornalistas da área que acompanham e sabem que a gente pode ter uma crise contratada mais à frente
00:22se não houver uma mudança estrutural.
00:24Até a lei orçamentária que foi aprovada para este ano, ela fez de conta que está tudo certinho.
00:31Então aumentou a parcela de recursos para emendas parlamentares, tem um cronograma de liberação até julho.
00:37O governo ganhou um reforço de arrecadação, tributação de fintechs, de betes, de juros sobre capital próprio.
00:43Ele vai poder trabalhar na margem de tolerância da meta, não vai ter aquele objetivo de fazer um superávit de 0,25.
00:50Então no papel ficou tudo certo.
00:52Mas a gente sabe que a dívida pública está crescendo, cresceu em 2025, deve crescer mais nesse ano,
00:58até porque os juros não vão cair tanto.
01:00E tem essa preocupação, se houver desaceleração esperada, talvez o governo gaste mais.
01:05Governos estaduais podem gastar mais.
01:07Parlamentares estão preocupados também em agradar as bases, daí esse reforço das emendas parlamentares.
01:13Como é que você vê a herança que pode ficar para 2027 neste cenário que nós temos,
01:18que aparentemente vai ser mais do mesmo?
01:20É, Denise, como você colocou bem, ano eleitoral é sempre um ano que envolve aceleração de despesas
01:27ou consolidação de projetos.
01:30Você passa ali o executivo, seja governador, prefeito, presidente, ele pensa sempre quatro anos.
01:39Segura um pouco no início para gastar um pouco mais no final.
01:42Esse é um ciclo normal da política.
01:44E deve acontecer de novo.
01:46Os mercados têm essa percepção.
01:49Tanto que as projeções fiscais, elas são de déficit por mais alguns anos.
01:55E como você falou, a dívida pública vai subindo.
01:58Então agora, a grande discussão é se nós vamos ter capacidade de controlar as despesas para frente.
02:05Por que eu estou chamando atenção para isso, Denise?
02:07Porque 2025 marca um ano de recorde de arrecadação por parte do governo federal.
02:15Ou seja, a empresa Brasil aqui nunca faturou tanto.
02:19Se está faturando tanto, é esperado que tenha algum lucro.
02:23O problema é que nós estamos com recorde de arrecadação e mesmo assim estamos crescendo o nosso endividamento.
02:29Mesmo assim estamos rodando no vermelho.
02:31Então, a solução não é pela arrecadação.
02:36Se em 500 anos de país a gente nunca arrecadou tanto, a solução parece ser pelo lado da despesa.
02:42Eu acho que é essa discussão que vai acontecer para frente.
02:45E é essa discussão que vai trazer a sensação de estabilidade da retomada da economia.
02:51Porque fica entre os agentes econômicos, entre as empresas que fazem investimento,
02:56aquela sensação de, está bom agora, mas será que isso se perpetua no futuro?
03:00Qual vai ser a arrecadação, a carga tributária que eu vou enfrentar?
03:05Qual vai ser a taxa de juros que eu vou enfrentar?
03:08Então, apesar dessa foto positiva, o filme também, claro, faz parte da retomada da atividade econômica.
03:17Senão, é sempre aquele voo de galinha.
03:19Cresce com consumo, tem alguma inflação, tem que pisar no freio.
03:23Agora, minha galinha, desculpa eu cumprimentar, isso não dependeria só da postura de governo.
03:28Depende muito do Congresso também, que quando a gente vê as contas públicas,
03:31tudo bem que o atual governo tem uma postura mais pró-benefícios, transferências,
03:36programa de transferências de renda.
03:38Mas a questão é do orçamento engessado.
03:41Você tem compromissos obrigatórios do governo que dificultam a margem de manobra.
03:45E uma das preocupações para 2027 é que vai faltar dinheiro para despesas não obrigatórias,
03:50mas necessárias.
03:52Quando a gente fala em não obrigatórias, dá a impressão que dá para cortar tudo,
03:54mas não dá, a máquina pública para.
03:56É isso.
03:59As despesas obrigatórias, que são salários, previdência, tudo que você não foge,
04:06está lá por lei, tem que fazer o pagamento, elas estão chegando, ainda cabem em 26,
04:1127 vai ficar no limite, 28 vai precisar ser feito um ajuste.
04:16Então, é importante que em 27 seja feita uma reforma em que abra espaço ali
04:21para a diminuição desse ritmo acelerado do crescimento das despesas.
04:25E você tocou num ponto também que é muito relevante.
04:28Não dá para contar ou esperar que o parlamento resolva este problema.
04:35A minha experiência mostra que, independente do tempo, independente do momento,
04:43os parlamentares sempre estão procurando gastar nas suas regiões,
04:48pensam na reeleição, etc.
04:50O parlamentar olha para o governo e fala assim,
04:52se o governo não pensa em fazer um ajuste fiscal, não sou eu que vou fazer.
04:57Eu tenho essa sensação.
04:58Então, e mesmo dentro do governo, a maioria dos ministérios ali tem seus programas.
05:05Quem está preocupado mesmo em equilibrar o orçamento é a equipe econômica.
05:10É a fazenda, é o planejamento, etc.
05:12Então, é preciso que esse núcleo duro, junto com o presidente da república,
05:18implante medidas agora do lado da despesa.
05:20Esse núcleo com a presidência tiveram sucesso em aumentar a arrecadação.
05:28A gente pode discutir, medida por medida, o que vale a pena, o que está errado.
05:32Cada um vai ter uma opinião.
05:34Mas o fato é que, como eu falei, a arrecadação cresceu bastante.
05:38Acabamos de aprovar, você mesmo lembrou, Denise,
05:40acabamos de aprovar no apagado das luzes do ano passado,
05:43mais um pacote de tributação, aumento de despesas,
05:47desculpa, aumento de arrecadação, que vai ajudar a fechar o ano.
05:51Mas a sensação fica assim, até quando eu vou acordar no vermelho
05:55e sair correndo atrás de receita para fechar o dia?
06:00Se você é uma família que acorda de manhã e não sabe como vai pagar o almoço e o jantar,
06:06você vai passar o tempo todo focado em arrumar dinheiro para o almoço e para o jantar.
06:11Se você é um país que paga as suas contas mais obrigatórias, mais importantes,
06:18e sobra alguma coisa, você é um país que tem tempo para respirar e olhar para o longo prazo.
06:23Eu acho que é isso que a gente vai ter que mudar desse momento para o futuro,
06:29para os próximos anos.
06:30Todo ano, todo orçamento é enviado para o Congresso com mais 20, 30, 40, 50 bid de arrecadação,
06:36se não, não fecha a conta das despesas.
06:38E aí você não consegue planejar o futuro.
06:39Você só pensa em fechar, como eu brinquei ali, comparei com a família,
06:42você só pensa em arrumar dinheiro para pagar as despesas mais emergentes.
06:46E aí
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