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A alta dos fertilizantes tem pressionado os custos de produção no agronegócio brasileiro. Segundo análise de especialistas, a ureia registrou aumento de cerca de 50% nos últimos 30 dias, o que piorou a relação de troca entre insumos e grãos e acendeu um alerta entre produtores. Em entrevista ao Hora H do Agro, o especialista da consultoria do Itaú BBA explica como esse movimento do mercado pode impactar as decisões de compra de fertilizantes e o planejamento da próxima safra.

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Transcrição
00:00Vamos então continuar explorando mais esse ponto da relação de troca entre insumos e grãos
00:06em mais um Ações e Cotações.
00:10Ações e Cotações
00:13Para conversar conosco, recebemos aqui o Francisco Queiroz,
00:18ele é especialista na consultoria agro do Itaú BBA.
00:21Obrigada pela participação, Francisco, sei que você está acompanhando aí.
00:25O Itaú BBA, inclusive, soltou muito recentemente um relatório sobre isso, né?
00:30E um dos pontos que eu queria trazer, então, é a questão da ureia.
00:33Vocês apontam ali que foi o fertilizante que apresentou a maior alta com elevação de 50% nos últimos 30
00:40dias.
00:40É um belo baque aí para quem estava se planejando há 60 dias atrás.
00:46E falando, inclusive, de uma alta de 89% na comparação anual.
00:50Então, para quem já estava... Quando a safra 25, 26, 26, 27 estava longe, né?
00:55Esses 89% não estavam no radar.
00:58Então, como que está a relação de troca hoje, quando a gente fala, por exemplo, de grãos,
01:03mas também queria trazer um pouquinho algodão, açúcar, ajuda a gente a compreender o cenário.
01:08E obrigada de novo pela participação.
01:12Oi, Mariana.
01:13Eu que agradeço aqui, viu, pelo convite.
01:16Eu acho que você já deu uma bela introdução aí, né, do tema.
01:21O que a gente viu foi uma disparada no preço dos fertilizantes, né, principalmente a ureia.
01:26Por conta da guerra ser em um lugar extremamente importante, né, seja sob a ótica de produção ou mesmo de
01:33logística, né,
01:34de petróleo, que é a matéria-prima, né, o gás natural, enfim.
01:39A gente viu esse reflexo de 50% de alta nos preços da ureia, né, como você bem comentou.
01:46E também nos fosfatados, né, se a gente pegar o preço do MAP, subiu quase 20% aí nos últimos
01:5330 dias, né,
01:54reflexo dessa, de toda essa questão ali no Oriente Médio, tá.
01:59E aí, respondendo a sua pergunta, né, sobre a relação de troca, elas pioraram bastante, né,
02:04para os grãos, fibras, né, no caso algodão, açúcar, né, de forma geral,
02:10porque a gente viu, né, basicamente o fertilizante, ele subindo mais do que os grãos, né,
02:17apesar do que, apesar de as commodities terem reagido, né, na esteira da alta do petróleo,
02:24elas não subiram tanto quanto o fertilizante, né.
02:27Então eu trouxe aqui alguns números, Mariana, só para a gente ter na cabeça, né,
02:31do tamanho do impacto disso na relação de troca, tá.
02:35Se a gente pegar a relação de troca do MAP com a soja, né,
02:40hoje a gente está falando de algo em torno de 33, 35 sacas de soja
02:46para comprar uma tonelada de fertilizante, né, no caso MAP.
02:50No ano passado, esse número era de 29 sacas e a média de 5 anos é de 25 sacas, tá.
02:57Então, assim, é um aumento expressivo, né, em relação à média e mesmo ao ano passado.
03:03Agora, é mais impressionante ainda, no caso do milho, né,
03:07se a gente pegar a ureia, que foi o macronutriente aí que mais subiu, tá,
03:12a gente pegando a relação de troca milho e ureia,
03:16a atual está em 52 sacas por tonelada de ureia, tá, Mariana.
03:20Enquanto no ano passado, essa relação de troca estava na ordem de 24, 25 sacas por tonelada
03:27e a média de 5 anos gira em torno de 30 sacas por tonelada de ureia, né,
03:32sacas de milho por tonelada de ureia.
03:34Então, assim, a gente vê que é um impacto, né, bastante relevante
03:40nessa relação de troca e, obviamente, né, no custo de produção aqui, tá, Mariana.
03:45Assim, olhando para o algodão, a situação também é muito parecida com a do milho, né,
03:50lembrando que a soja, ela não usa ureia, né, na adubação, mas o milho e o algodão, sim,
03:57e as demais culturas também, né, e no algodão também, só para a gente ter aqui
04:01um nível de comparação, né, a relação hoje está em 32 arrobas de algodão
04:08para adquirir uma tonelada de ureia, enquanto a média gira em torno de 16 arrobas por tonelada, né.
04:14Então, é um choque bastante importante aqui na relação de troca entre fertilizantes, né,
04:22e as principais commodities aqui, agrícolas, tá.
04:24Esse número que você traz da troca entre ureia e milho é realmente impactante, né,
04:29tá precisando de o dobro da quantidade de sacas para pagar a mesma quantidade de fertilizante.
04:34Só isso já dá para ter uma noção da dimensão, né, da alta, do impacto para o produtor.
04:40Agora, a gente, um pouco antes de te chamar para a entrevista,
04:45trouxe, então, aí duas perspectivas, tanto do ministro Carlos Fávaro,
04:49quanto do pessoal da MBA, da consultoria, né, do Menoncio de Barros,
04:54falando, então, que, primeiro, de acordo com o mapa,
04:58existe aí uma questão de preços especulativos sobre a alta do fertilizante,
05:04e, inclusive, o pessoal da MBA Agro traz esse cenário de que 50% praticamente ainda não foi comprado,
05:13ainda está aí aberto, olhando para a próxima safra, né.
05:16E aí eu volto no que o Fávaro falou, de que não é momento de comprar,
05:21é preciso ter cautela, mas a gente sabe que influencia muito o timing,
05:25de quando compra para quando chega, né, toda essa cadeia logística.
05:29Como que você avalia isso, por gentileza, Francisco,
05:33nesse sentido de olhar para tanto a questão, né, assim, do especulativo,
05:41você vê que existe uma alta especulativa ou é uma alta real,
05:44e como que vocês estão enxergando esse timing também de compra,
05:50porque deixar para comprar muito em cima da hora é ainda mais arriscado, né.
05:55É, tem um risco logístico, né, Mariana, mas assim,
05:58acho que a gente tem que separar rapidamente aqui em dois pontos, tá.
06:01Primeiro, em relação à safrinha, está tudo já dentro de casa, né,
06:06então a gente não tem um impacto relevante aqui, né,
06:10pensando em aumento de custo, porque está praticamente tudo já comprado,
06:16inclusive a gente está aí, né, em vias de finalizar o plantio da segunda safra, tá.
06:21Então, o impacto de fato, né, seria para a safra de verão, 26, 27, né,
06:27eu estava ouvindo aqui, o Alexandre falou em algo em torno de 40% do fertilizante
06:33para a soja, 26, 27 comprado, é mais ou menos isso que a gente tem aqui
06:37na cabeça também, tá.
06:39Mas a gente entende aqui que o Brasil, se a gente puder falar em vantagem hoje,
06:45é muito difícil, mas assim, a gente tem uma relativa vantagem,
06:49eu não dizer porque agora a nossa demanda é mais baixa mesmo, né,
06:54e com certeza seria muito pior, né, se a gente tivesse agora em junho,
07:01maio, junho, julho, né, no ápice aqui de demanda e de compras de fertilizante, tá.
07:07Então, acho que a gente acaba tendo um pouco desse benefício da sazonalidade, né,
07:13o impacto vai pegar mais, nesse momento, os países do hemisfério norte, né,
07:18os Estados Unidos, China, os países europeus que estão agora, né,
07:22no pico de compra para o plantio da safra de primavera,
07:26mas é óbvio que, né, dado esse contexto de que a gente tem só 40% do fertilizante
07:32comprado para a safra 26, 27, numa eventualidade desse conflito se prolongar, né,
07:39e as cotações se mantiverem aí, né, se mantiverem em patamares mais altos,
07:44aí sim a gente tem um risco bastante alto aqui, né, pensando em custo de produção, tá.
07:51Então, assim, eu acho que a gente tem um mitigante hoje que é, né,
07:56o fato de ter um pouco mais de tempo para voltar às compras e, de fato, é verdade, tá,
08:02a gente acompanha aqui o mercado, a liquidez caiu demais, né,
08:07porque, enfim, com essa alta do preço e a piora da relação de troca,
08:10o produtor parou mesmo, tirou o pé mesmo das compras de fertilizantes, né,
08:17tentando mais, é claro, o que é o cenário, né,
08:20mas eu diria que a gente tem um pouco esse benefício do tempo, né,
08:24mas, como você bem disse, não dá para esticar isso muito, né,
08:27porque ali até junho, julho, né, as compras têm que acontecer
08:33para que dê tempo desse fertilizante chegar na fazenda, né,
08:36e o plantio ocorrer dentro do período ali normal, né.
08:42Então, não sei se eu consegui te responder aqui, Maria, né,
08:45mas o nosso pensamento está nessa linha, tá.
08:49Sim, claro, é isso, né, abril, maio e junho,
08:52vamos colocar esse próximo trimestre, vai ser muito chave
08:55para o produtor, de fato, executar.
08:58E aí, rapidamente, queria que você encerrasse,
09:00só colocando um ponto a mais do que você já trouxe, que é,
09:05o ritmo, então, caiu, o produtor está comprando menos,
09:08isso nem, né, não é surpresa.
09:10Mas como que vocês estão vendo, de fato,
09:12essa velocidade dos contratos, assim,
09:16como que vocês estão vendo, inclusive por serem uma consultoria, né,
09:20estão ligados aí diretamente ao mercado financeiro,
09:24existe alguma possibilidade desses contratos continuarem muito parados,
09:30muito congelados em abril e isso voltar mais para maio, junho?
09:34O que que vocês estão monitorando?
09:36Como que a gente pode falar desse ritmo de contratos?
09:40Em relação aos fertilizantes, né,
09:42a gente entende que enquanto tiver esse cenário mais nebuloso
09:47e em relação à guerra mesmo, né,
09:50porque o que a gente escuta, de um lado, né,
09:53do lado americano é que as negociações estão indo bem,
09:56enfim, que estão nos próximos de uma resolução,
09:58mas do lado iraniano, pelo contrário, né,
10:00que são fake news para acalmar o mercado.
10:03Então, a gente entende que, né, assim,
10:05enquanto nós tivermos essa situação mais nebulosa
10:10e com esses preços bastante elevados,
10:12o produtor, ele seguirá mais fora do mercado,
10:16eventualmente aproveitando uma ou outra oportunidade,
10:18até porque, Mariana, acho que vale dizer que as próprias indústrias, né,
10:23as misturadoras, enfim, elas também estão assustadas, né,
10:27correndo um risco muito grande de, eventualmente,
10:30comprar esse fertilizante agora num preço muito alto, né,
10:34e, de repente, a guerra acaba, né,
10:36e a gente entende que os preços, às vezes,
10:39não vão se normalizar de uma hora para outra,
10:41mas, eventualmente, os preços caírem
10:43e elas terem também algum prejuízo, né,
10:46oriundo desse momento muito volátil aqui de mercado, tá?
10:51Então, acho que a gente deve seguir com o mercado um pouco mais lento,
10:54até que tenha uma mínima definição do que pode ser, né,
10:57um desfecho da guerra e quanto tempo isso vai levar, né,
11:03e, ao mesmo tempo, falando da comercialização de grãos, né,
11:07a gente tem um ritmo também mais lento, tá, Mariana,
11:10até se explica muito por conta desses preços bastante pressionados aqui no Brasil,
11:15que acabam não estimulando, né,
11:17um avanço também mais forte da comercialização aqui por parte do produtor, tá?
11:22Mas, né, temos aí o 30 de abril se aproximando,
11:26época de pagamento de contas,
11:28então, pode ser que o produtor se veja mesmo, né,
11:31forçado a vir ao mercado vender o grão
11:33para poder arcar com as suas despesas, né?
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