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Em uma decisão polêmica, o Supremo Tribunal Federal estabeleceu as diretrizes que, na prática, autorizam supersalários de até R$ 78 mil para magistrados e membros do Ministério Público. A discussão sobre os "penduricalhos" — auxílios que não contam para o teto constitucional — terminou com uma vitória do corporativismo judiciário.

Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil.

Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.

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Notícias
Transcrição
00:00O Supremo Tribunal Federal estabeleceu nesta quarta-feira
00:03critérios para o pagamento das verbas indenizatórias
00:07chamadas de penduricalhos para os juízes e integrantes do Ministério Público.
00:12Foram autorizados alguns pagamentos indenizatórios
00:16até o limite de 35% do valor do teto constitucional.
00:21A Corte também autorizou o pagamento de outros 35% acima do teto
00:28para o pagamento de gratificações por tempo de serviço.
00:32Vamos ver uma tabela sobre o que pode extrapolar o teto do Poder Judiciário.
00:38Aí está.
00:39A parcela de valorização por tempo de antiguidade da carreira
00:42para ativos e inativos até 5% da remuneração
00:46a cada cinco anos de efetivo exercício em atividade jurídica
00:50até o limite de 35%.
00:52Além disso, tem as diárias, ajuda de custo em caso de remoção,
00:57promoção ou nomeação que importe em alteração de domicílio legal,
01:02prolabore pela atividade de magistério,
01:05gratificação por exercício em comarca de difícil provimento,
01:09indenização de férias não gozadas no máximo de 30 dias,
01:14gratificação por exercício cumulativo de jurisdição,
01:18pagamento de eventuais valores retroativos
01:20reconhecidos por decisão judicial ou administrativa
01:24anteriores a fevereiro de 2026.
01:29Com essa decisão do STF,
01:32magistrados e integrantes do Ministério Público
01:34que estão no topo de suas carreiras
01:37poderão ganhar no máximo R$ 78.700 mensais,
01:43com dados de hoje.
01:45O ministro Gilmar Mendes,
01:47relator da análise de seis ações
01:49que discutiam o tema no STF,
01:52defendeu a medida.
01:53Partimos da ideia de que a solução
01:59seria ortodoxa
02:01e seria a solução legislativa.
02:06e temos a previsão de lei,
02:09mas claro, com imensas dificuldades.
02:12E aqui se colocaram vários valores
02:16que precisavam de uma ponderação,
02:19tendo em vista que uma solução
02:24radical, ortodoxa,
02:26mas aí viríamos no Fiat Justicia,
02:32Periat Mundus,
02:34era de simplesmente voltar
02:38à situação atual
02:40e fazer uma linha de corte
02:41em relação àquilo que era considerado o TEP.
02:46Obviamente que aqui tem vários valores envolvidos,
02:48como eu já fiz questão de ressaltar,
02:50já foi ressaltado também
02:51dos outros vossos, dos caros colegas.
02:55Tem a questão da própria independência do judiciário,
02:59da ideia de uma garantia adequada
03:03e é por isso que eu chamei isto,
03:07me valendo até do texto do nosso Sartori,
03:14da ideia de uma engenharia constitucional.
03:19Ou se quisermos pegar autores mais próximos do direito,
03:24a ideia de um pensamento de possibilidades,
03:27a ideia de que a gente precisava
03:29de não só retirar conteúdos,
03:34vamos chamar assim,
03:37extravagantes do sistema jurídico,
03:39mas ao mesmo tempo fazermos
03:42uma teoria de aproximação constitucional.
03:46E um pouco é isso que nos motivou,
03:49acho que traduz um pouco
03:50o nosso pensamento em relação a isso.
03:56é claro, sempre alguém poderá considerar,
04:01e aí eu volto com a imagem do reformador da natureza,
04:07sempre dirão,
04:09poderíamos colocar jabuticaba
04:11lá junto com as goiabas,
04:15ou junto com as abóboras,
04:20lembrando do nosso clássico Monteiro Lobato,
04:23já o presidente do STF, Edson Fachin,
04:38tentou amenizar o desconforto com a magistratura
04:41ao falar da importância dos juízes no país.
04:44Creio que o que aqui fizemos hoje
04:48foi uma reconstrução hermenêutica
04:51de índole constitucional,
04:52que explicita o sentido dos precedentes
04:56vinculantes dessa Suprema Corte
04:58à luz do teto remuneratório,
05:01que é de observância obrigatória.
05:03Não há nenhuma flexibilização do limite do teto,
05:07nem alteração da jurisprudência histórica desse tribunal,
05:11a não ser para torná-lo ainda mais rigoroso,
05:15reconhecendo agora que será utilizado
05:18esse conjunto de parâmetros
05:20para todas as demais verbas indenizatórias.
05:24Reitero que esses parâmetros são temporários,
05:28vigorarão apenas enquanto ainda não aprovada
05:33a lei federal de caráter nacional.
05:35E por isso, esta presidência envidou
05:41e continuará envidando esforços
05:43para que do diálogo republicano
05:45a respeito do tema com os chefes de poderes
05:48resulte efetivamente na aprovação imprescindível
05:52da lei nacional exigida pelo parágrafo 11
05:55do artigo 35 da Constituição,
05:58de modo a suprir a omissão legislativa.
06:02E a presidência, como já disse a senhora ministra
06:06e os senhores ministros na manhã de hoje,
06:09chama também para si o dever de refletir
06:13sobre a iniciativa de anteprojeto nesta direção.
06:18Adianto também aqui a percepção segundo a qual
06:23não há democracia republicana,
06:26tampouco há Estado de direito democrático
06:29sem um poder judiciário institucionalmente forte.
06:32O respeito às prerrogativas do poder judiciário
06:35são condições sine qua non
06:38para que haja uma democracia robusta
06:40com proteção efetiva dos direitos fundamentais
06:44e direitos de todos e de todas.
06:48Por isso, a autonomia e a independência
06:51do poder judiciário,
06:53de todos os demais poderes,
06:55evidentemente, não podem servir de pretexto
06:58para desrespeitar disposições constitucionais expressas.
07:02E é isso que a maioria da magistratura
07:05precisamente não faz.
07:07A imensa maioria da magistratura
07:10não apenas segue a legalidade constitucional,
07:13mas dá exemplo contundente
07:16de uma vida-prova,
07:19de uma formulação racional e sistemática
07:22do seu modo de agir
07:24e do seu modo de decidir,
07:26agindo sempre nos limites
07:28da legalidade constitucional.
07:32Alguns parlamentares criticaram
07:34a decisão do Supremo,
07:35como o senador Alessandro Vieira.
07:40Ele disse,
07:41chamados a decidir sobre penduricalhos
07:44e teto salarial,
07:46os ministros do Supremo Tribunal Federal
07:48optaram por bater uma laje
07:50e construir um puxadinho privativo.
07:53O teto dos mortais segue R$ 46.366,00
07:59e o teto de juízes e MP
08:01passa para R$ 78.700,00.
08:04Existe razão constitucional para essa distinção?
08:09Wilson Lima, muito boa tarde.
08:11Também já dou boa tarde para o Ricardo Kertzmann
08:13e para Rodolfo Borges.
08:15Wilson Lima, você se contentaria
08:18com um salário de R$ 78.500,00?
08:23Boa tarde.
08:26Boa tarde, Inácio.
08:27Boa tarde, Ricardo.
08:28Boa tarde, Rodolfo.
08:29Mas, principalmente, boa tarde para você,
08:32meu amigo e minha amiga de O Antagonista.
08:33Ô, rapaz, vamos lá, fale de novo, por favor.
08:37Vamos lá, vamos trazer glória a Deus.
08:39Eu recebo, senhor,
08:41um salário em um desse de R$ 78.000,00.
08:43Recebo, senhor? Recebo.
08:45Quem não, né?
08:47Vou te falar uma coisa, Inácio.
08:50Esse julgamento de ontem, ele mostra,
08:53primeiro, que as decisões de Flávio Dino,
08:55as decisões do Gilmar Mendes
08:57sobre os penduricalhos
08:58foram decisões casuísticas.
09:02foram decisões
09:05até hipócritas
09:06do ponto de vista da própria magistratura.
09:08Porque, na hora do Vamos Ver,
09:09na hora de discutir, de fato, a sério o tema,
09:12todo mundo saiu pela tangente.
09:14Ontem, durante o julgamento,
09:16eu peguei alguns trechos
09:18até para exibir essas imagens
09:20para os senhores e para as senhoras.
09:24Deu para perceber,
09:25na fisionomia dos ministros,
09:26o constrangimento de que,
09:28no momento que eles estavam discutindo o assunto,
09:30que também,
09:32que eles também vão ser alvos,
09:34que também vão impactar a vida deles.
09:37A ministra Carmen Lúcia
09:38deu, inclusive, o exemplo dela própria
09:41sobre a questão do subsídio,
09:43que é bom separar o subsídio
09:44que ela recebe
09:45como ministra do Supremo Tribunal Federal
09:48do jetom que ela recebe
09:50por acumular função
09:51no Tribunal Superior Eleitoral.
09:55O fato é que, Inácio,
09:58e aí eu vou levar ali para o Ricardo depois,
10:01que eu acho que ele está louco
10:01para falar sobre esse assunto,
10:04esse julgamento
10:06confirma aquilo que nós
10:07vínhamos falando há muito tempo.
10:10O Supremo
10:11não quer fazer um debate sério
10:13sobre a questão da remuneração dos magistrados.
10:16Eu não estou dizendo aqui
10:17que o magistrado não mereça ganhar
10:1830, 40 mil.
10:19A magistratura
10:21ela tem uma função
10:23de fato importante
10:24para a preservação da democracia
10:26quando o juiz o faz.
10:28É bom lembrar disso, né?
10:29Porque o que tem de juiz aí,
10:31o que tem de juiz picareta na praça
10:33não está escrito.
10:34Mas quando o juiz é bom,
10:36quando o juiz é justo,
10:37quando o juiz faz justiça,
10:40né?
10:41É de se...
10:44O cidadão brasileiro
10:46ele até aceita pagar um salário
10:47de fato digno
10:48para um juiz
10:49digno.
10:51Por exemplo,
10:52vou pegar um caso clássico.
10:54Eu, por exemplo,
10:55como cidadão,
10:56eu não teria problema nenhum
10:57de ter um juiz Sérgio Moro
10:59ganhando 40 mil
11:00pelo trabalho que ele fez
11:02pelo Brasil como juiz.
11:03Estou dando um exemplo
11:05básico.
11:07Porque eu acho que todo mundo
11:08nesse ponto
11:08é algo meio consensual.
11:12Então, meus caros,
11:14falta um debate sério
11:15sobre esse tema.
11:16E aí o Supremo,
11:17para não criar desgaste
11:19com a magistratura,
11:20porque as decisões
11:21do Gilmar e do Flávio Dino
11:23desgastaram a magistratura,
11:25o que eles resolveram fazer?
11:27Criaram um puxadinho
11:28para o teto.
11:29Foi bem aquilo
11:30que o Alessandro Veira
11:31disse no seu post.
11:32Quer dizer,
11:33você tinha um teto,
11:34aí criaram
11:35uma lajezinha
11:36para acomodar
11:37esse penduricalho.
11:39E se você for observar,
11:41Inácio,
11:42a questão aqui
11:42é estrutural.
11:44Porque,
11:44historicamente,
11:46os cargos
11:47do Poder Judiciário
11:48recebem
11:49muitas bonificações,
11:51muitos penduricalhos.
11:53Porque tem gratificação disso,
11:54gratificação daquilo,
11:55gratificação daquilo outro,
11:56tem jetão disso,
11:57tem auxílio daquilo outro.
11:59O ministro Alexandre de Moraes
12:02citou que ele identificou
12:04cerca de dois mil
12:05tipos de benefícios diferentes.
12:06É muita coisa.
12:08Assim.
12:11Inácio,
12:12o Brasil precisa
12:14mexer nesse assunto.
12:15O Brasil precisa
12:17atacar esse assunto.
12:18Mas é necessário
12:19ter um debate sério
12:21sobre isso.
12:21O problema é que
12:23ninguém vai querer
12:23mexer nesse vespeiro.
12:24Se o Supremo,
12:26e aí é que eu entro
12:27um pouco
12:28nas decisões
12:29que são hipócritas
12:31do Supremo Tribunal Federal.
12:33Se o Supremo Tribunal Federal,
12:35que deveria ser
12:37o guardião das leis,
12:38e que nesse caso específico
12:40tem poder de fala,
12:41utilizando o termo da esquerda,
12:43tem poder de fala
12:44para discutir
12:45salário de magistrado,
12:47se o Supremo Tribunal Federal
12:48se exime
12:49dessa discussão
12:50e cria o teto
12:51e joga a bomba
12:52para o Congresso,
12:53amigo,
12:55qual vai ser a moral
12:56que deputado e senador
12:57vai ter para discutir
12:59teto de magistrados.
13:03Escrevam o que eu vou dizer.
13:05Escrevam o que eu vou dizer.
13:06Eu tenho certeza.
13:09Eu não vou dizer
13:10que é absoluta,
13:10porque na política
13:11alguma,
13:12as coisas mudam.
13:13Mas eu tenho certeza
13:14quase absoluta
13:15de que esse debate,
13:17quando chegar aqui,
13:18não vai ser um debate
13:19simplesmente
13:19sobre penduricalho do Supremo.
13:21Ele já vai entrar aqui
13:22num debate
13:22de aumento
13:23de teto
13:24de funcionalismo público.
13:27E aí, amigo,
13:28pode esperar
13:29que a bomba,
13:29olha,
13:30ela vai estourar
13:30e o estrago vai ser grande.
13:33Ricardo Gertzmann.
13:36Eu estou tentando desejar
13:37boa tarde,
13:38boa tarde,
13:39Inácio,
13:39boa tarde,
13:39Wilson,
13:40boa tarde,
13:41Rodolfo,
13:41boa tarde,
13:42amigos antagonistas,
13:43mas o mau humor
13:45não deixa,
13:45cara.
13:46Eu estou aqui
13:46fazendo aquele trabalho
13:47meio que do budismo,
13:49de respirar a fundo,
13:51tentar meditar um pouquinho.
13:54Cara,
13:55é uma vergonha,
13:58é muita cara de pau.
14:00E é impressionante
14:02como é previsível,
14:03porque quando houve
14:05aquela suspensão
14:06dos penduricalhos,
14:08eu lembro que aqui
14:08no programa,
14:09eu disse mais ou menos
14:10o seguinte,
14:11anotem aí,
14:12eles vão dar um jeito
14:14de legalizar o que é ilegal.
14:16Está gravado.
14:17Quando vem com aquela história
14:19que isso é um absurdo,
14:20não pode ter esse penduricalho,
14:22está fora do que manda a lei,
14:23eu disse de forma muito clara,
14:25eles vão colocar dentro da lei.
14:29E foi o que fizeram.
14:30Se alguém conseguiu entender,
14:32você aí,
14:33querido amigo antagonista
14:34que está nos assistindo,
14:35depois volte,
14:36quando terminar o programa,
14:38volte ao YouTube
14:40e coloque a fala
14:42do ministro Gilmar Mendes,
14:43se você conseguir entender
14:44alguma coisa
14:45que o Gilmar Mendes disse,
14:47por favor,
14:47envia para a gente
14:48nos comentários,
14:49porque o Gilmar Mendes
14:50não conseguiu explicar nada.
14:51Ele ficou lá,
14:53é,
14:54é,
14:54é,
14:55é,
14:56porque não tem explicação
14:57para algo assim.
14:58Tem que assumir,
14:59nós somos caras de pau,
15:01nós somos privilegiados,
15:03nós queremos ganhar dinheiro
15:04para caramba
15:05e vamos espetar as contas,
15:07espetar essa conta
15:08na sociedade.
15:10Nós vamos espetar a conta
15:12desse excesso
15:13de dinheiro acima do teto
15:15constitucional
15:16nos enfermeiros
15:17que tem um piso nacional
15:18de 4 mil,
15:195 mil reais.
15:20Nós vamos espetar a conta
15:21nos,
15:22nos,
15:22nos,
15:24professores que tem um piso
15:25nacional de 4,
15:255 mil reais,
15:26porque a gente acha
15:27que 45 mil reais
15:29é pouco,
15:30a gente tem que ganhar mais.
15:31Outro dia,
15:31uma magistrada foi dizer
15:32que não tinha dinheiro
15:33nem para tomar cafezinho.
15:34Então nós
15:36vamos estourar o teto,
15:38vamos arrumar um jeito
15:38de legalizar esse estouro
15:40e vocês vão pagar a conta
15:42como sempre.
15:43Aí vem o ministro Fachin
15:45e para não tocar no assunto,
15:47vem com a história
15:48da importância do judiciário,
15:50do guardião,
15:51da república,
15:53da democracia.
15:54Ah, ministro Fachin,
15:55para com essa história,
15:56ninguém está discutindo isso não.
15:58Quase todo mundo reconhece,
16:00eu reconheço,
16:00todos nós aqui no Antagonista,
16:02Antagonista,
16:03reconhecemos a importância
16:05do poder judiciário,
16:06mas isso não confere
16:07ao poder judiciário
16:09o direito
16:10de tirar essa dinheirama
16:11toda da sociedade civil,
16:13de quem trabalha
16:14e de quem produz,
16:16porque uma coisa
16:16não tem nada a ver
16:17com a outra.
16:18Eu nunca pedi
16:18para o senhor
16:19e para nenhum colega
16:21do senhor
16:21ou nenhum juiz
16:24fazer um concurso,
16:25se prestar a um concurso
16:26e se tornar um magistrado.
16:28Eu não pedi,
16:29vocês foram
16:30porque quiseram.
16:31e a partir do momento
16:32que vocês foram
16:33porque quiseram,
16:34se vocês conheciam
16:35os salários,
16:36conheciam os benefícios,
16:38ninguém os obrigou
16:39e não é justo
16:40que a partir disso
16:41vocês fiquem
16:42enfiando mais
16:43um monte de verba,
16:44auxílio paletó,
16:45auxílio livro,
16:46auxílio babá,
16:47auxílio saúde,
16:48auxílio moradia,
16:50quinquênio,
16:51voltou com essa porcaria
16:52de quinquênio.
16:53Olha que interessante,
16:54o cara entra
16:55na magistratura,
16:57fica lá
16:57para o resto da vida,
16:58porque é um cargo
17:00que vai,
17:01como é que chama,
17:02um cargo eterno,
17:03é um cargo
17:04que só sai de lá
17:06os 75 anos
17:07ou quando morre,
17:09fica lá o resto da vida
17:10e aí fica recebendo
17:11o prêmio,
17:12prêmio por cada
17:13cinco anos trabalhado,
17:15deveria merecer
17:16aquele funcionário
17:18que por mérito,
17:19por mérito,
17:21fizesse aniversário
17:22de cinco anos,
17:23significa que ele está
17:24sendo produtivo
17:25para o empregador,
17:26mas não é o caso,
17:27é um cargo vitalício,
17:29como eu disse,
17:30então eles ficam lá,
17:31não podem ser mandados
17:32embora,
17:33ficam para sempre
17:34e mesmo assim
17:34ganham prêmios
17:35a cada cinco anos,
17:36isso é uma pouca vergonha,
17:38isso estraga
17:39o dia de qualquer pessoa.
17:42Rodolfo Borges.
17:44Ô Ricardo,
17:45peraí,
17:45diga lá Wilson.
17:47Não, coisa rápida,
17:48desculpa,
17:48porque o Ricardo
17:49tocou num ponto
17:50e eu vou falar
17:52algo bem popular aqui,
17:54mas gente,
17:55se é para ser
17:57entre a hipocrisia
17:58e a honestidade,
17:59nesse ponto,
18:00sinceramente,
18:01eu até parabenizo,
18:02apesar da cara de pau dela,
18:03mas até parabenizo
18:04a ex-advogada,
18:07a ex-juíza
18:07que defendeu o juiz lá.
18:09Pelo menos ela deu a cara a tapa,
18:10ó,
18:11eu acho que a gente ganha pouco.
18:13Pelo menos,
18:14assim,
18:14você tem que aplaudir
18:15pelo menos a honestidade intelectual,
18:17não ficar essa baboseira
18:18de jogar para a plateia
18:20e, como bem falou o Ricardo,
18:22porque a gente respeita
18:23a magistratura e tal,
18:25mas para não mexer com os meus,
18:26eu também vou dar um tetinho,
18:28tá,
18:29eu vou aumentar aqui.
18:32Boa tarde a todos.
18:33Respondendo a pergunta inicial
18:34do Inácio para o Wilson,
18:36se eu ficaria satisfeito
18:37com 78 mil,
18:38se eu pudesse ganhar 200
18:40ou 300 mil,
18:41eu não estaria satisfeito
18:42ainda com isso.
18:43Porque, no final das contas,
18:44quem define o salário
18:46são eles.
18:48e, quando você define
18:49o seu próprio salário,
18:50por que você vai colocar
18:51um teto baixo?
18:53E esse é um problema,
18:54assim,
18:55é um indício aí
18:56do descolamento
18:57dos ministros do STF,
18:59no caso,
19:00especificamente agora,
19:01mas da magistratura
19:02como um todo.
19:03A gente viu nesse exemplo
19:04dessa ex-juíza
19:06que o Wilson e o Ricardo
19:07citaram,
19:08porque ela atuou
19:09nessa causa aí
19:10para defender
19:11esses penduricalhos
19:12ou pelo menos
19:13que fossem,
19:14passassem a ser referendados
19:15os penduricalhos
19:16e essa é a proposta,
19:18por que que o teto,
19:19esse novo teto,
19:20porque, no final das contas,
19:21o que eles estão
19:22instituindo aí
19:23é um novo teto
19:23para menos pessoas,
19:25mas é um novo teto
19:26até que o legislativo
19:30decida
19:31o que fazer
19:32sobre o assunto.
19:32Mas por que que o teto
19:33tem que ser de 80 mil?
19:34Por que que não pode ser
19:35de 90 mil?
19:36Ou 100 mil?
19:37Quem define
19:37quanto que deve ser o teto?
19:39Eles estão fazendo esse...
19:40O ministro Flávio Dino,
19:41ele colocou
19:42esse teto de 78
19:43baseado em que?
19:44Em direitos
19:46que foram aí
19:48adquiridos
19:48pelos juízes
19:49e pelos procuradores
19:50e, portanto,
19:52devem ser respeitados
19:52porque estão conflitando
19:54com outros direitos
19:55ou com outras normas
19:56e a norma
19:56com a que está
19:57conflitando nesse momento
19:58é o teto
19:59do funcionalismo público
20:01que existe,
20:02está aí,
20:04tem alguns direitos
20:05que foram adquiridos
20:06pelos juízes
20:07e, portanto,
20:08os ministros do STF
20:09precisaram decidir,
20:10de acordo com a perspectiva deles,
20:12sobre qual
20:13é o direito
20:14mais forte
20:14e aí fizeram
20:16um meio termo.
20:17Mas esse meio termo,
20:18ele respeita
20:19de alguma forma
20:20alguma limitação
20:21orçamentária?
20:23Ele está baseado
20:25numa previsão
20:26de gastos
20:26ou de quanto
20:27que o país
20:28tem para gastar
20:29com isso?
20:31E aí,
20:32eu já respondo,
20:33não está,
20:34mas mais do que isso,
20:35são valores
20:36que diante
20:37da realidade brasileira
20:38econômica,
20:39eles fazem
20:40menos sentido ainda.
20:41Eu vou lembrar aqui
20:42que esse é um assunto
20:43tão complicado
20:45para os ministros
20:46do STF lidarem
20:47que o ministro
20:48aposentado
20:48Luiz Roberto Barroso
20:50chegou a dizer
20:51em um momento
20:51quando era presidente
20:52do STF,
20:53chegou a tentar
20:54justificar
20:56os ganhos altos
20:58dos juízes brasileiros
20:59pela quantidade
21:00de multas
21:01que eles aplicam,
21:02multas judiciais
21:03e a partir das quais
21:04o Estado brasileiro
21:07consegue preencher
21:08um pouco mais
21:08os cofres,
21:09como se houvesse
21:10uma ligação
21:11entre uma coisa e outra.
21:12Então a produtividade
21:13do juiz,
21:14no final das contas,
21:14seria o tanto
21:15de multa
21:15que ele arrecada
21:16para justificar
21:17o tanto
21:18que ele ganha
21:18acima do teto.
21:19Quer dizer,
21:20a lógica não existe,
21:21seria perverso
21:22se existisse,
21:23porque daí o juiz
21:23passaria a andar
21:24multas pensando
21:28nesses prêmios
21:29quinquenais aí
21:31e a coisa
21:32ia ficar toda distorcida,
21:33porque se é assim
21:34que eles pensam,
21:35quanto mais a gente
21:36der multa,
21:36mais a gente pode ganhar,
21:38então a coisa
21:38fica totalmente distorcida.
21:42Esse é um dos assuntos,
21:44quando tem dinheiro
21:44no meio,
21:45limitação orçamentária,
21:46que essa liberdade
21:48que o STF
21:49ganhou nos últimos anos
21:50ela fica muito mais evidente,
21:52porque tem coisas
21:52que a gente pode até discutir,
21:54algumas pessoas
21:54podem dizer
21:55que uma decisão
21:55é autoritária ou não,
21:57que não devia ser assim,
21:58tem interpretação de lei
21:59e a gente já está vendo
22:00aí que cada ministro
22:01do STF
22:01interpreta uma coisa
22:02de cada jeito
22:03e dependendo
22:04na mão de quem cai
22:05vai sair uma decisão
22:06ou outra,
22:07mas nesse caso
22:08é mais complicado ainda
22:09porque existe
22:10uma limitação orçamentária.
22:12Então,
22:13não tem como o STF
22:14deliberar
22:15sobre esse caso
22:17sem levar em conta
22:18a limitação orçamentária
22:19do país.
22:20Então,
22:21o Gilmar Mendes
22:22mencionou ali,
22:23a decisão mais draconiana
22:27seria respeitar o teto.
22:28Sim,
22:29o STF só poderia sair
22:31dessa história aí
22:32bem,
22:33que era o que
22:34aparentemente
22:35era o que o Flávio Dino
22:36planejou
22:36ao pautar esse assunto aí,
22:38se ele dissesse
22:39temos que respeitar o teto
22:41até que
22:42o legislativo
22:43diga outra coisa.
22:45Isso é o constitucional.
22:48E isso também
22:49é o prático.
22:50Isso é o possível
22:52do país hoje.
22:53porque não adianta nada
22:54o STF
22:56aumentar os rendimentos
22:57ou o teto dos rendimentos
22:58se não existe
22:59previsão orçamentária
23:00para arcar com isso.
23:01O dinheiro tem que sair
23:01de algum lugar.
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