00:00Agora, falando em STF, eu quero passar aqui a um outro assunto, um outro vídeo, que muito me emocionou, muito
00:09me emocionou.
00:10Estão fazendo julgamento dos penduricalhos dos juízes no STF.
00:18E juízes querem manter os penduricalhos.
00:22Gente, nesse penduricalhos, eu vi uma lista dos 20 penduricalhos mais bizarros.
00:30Tem umas coisas assim, auxílio biblioteca de mil reais.
00:34Tem um tribunal, porque cada tribunal pode criar o seu, tá?
00:37Tem um tribunal que dá auxílio educação de quatro mil reais por mês para filhos de até 24 anos.
00:50Não dá, né?
00:52Não dá.
00:52E aí, está lá, o STF falou que vai tirar.
00:57No STF não pode penduricalho, tá?
00:59Não tem.
01:01Ele vai tirar, até porque lá dentro, para eles, tanto faz, porque ninguém pode acumular mesmo.
01:07E a defesa dos juízes foi essa daqui que viralizou na internet?
01:12Vamos ver.
01:14Mas eu particularmente acredito em uma conotação extremamente negativa, a expressão penduricalho.
01:22não tem nenhum penduricalho, porque não tem nada pendurado em lugar nenhum, linguisticamente falando.
01:27O que temos são pagamentos baseados em legislação estadual ou resolução do CNJ.
01:35Então, se o STF, junto com o Congresso Nacional, entender que aquela fonte formal de direito não é legítima,
01:43e ela tem que ser suprimida, que diga que é ilegítimo no julgamento do processo.
01:47Mas não chamar de penduricalho, porque nós já somos totalmente ultrajados, ultimamente,
01:52Mínios Fachin, o senhor sabe, o senhor é presidente dessa corte,
01:55por um grupo que aterroriza e que quer trazer instabilidade para o poder judiciário.
02:02Então, a magistratura brasileira não recebe penduricalho, que fique registrado.
02:06Ela recebe verbas que são calcadas em um fato gerador.
02:10Identifiquem agora os senhores, a partir desse processo, se esses fatos geradores
02:15são efetivamente possíveis, lícitos, constitucionais, acima de tudo.
02:19E padronizem isso para toda a magistratura.
02:22É um requerimento que nós, juízes do trabalho, fazemos.
02:27Juiz de primeiro grau não tem carro, paga do seu próprio bolso o combustível,
02:31o carro financiado, enfim.
02:32Não tem apartamento funcional, não tem plano de saúde, não tem refeitório,
02:37não tem água e não tem café, ministro Dino.
02:39No primeiro grau não tem.
02:41Nós pagamos.
02:42Eu, pelo menos, quando estava na ativa, pagava o meu junto com a minha equipe.
02:45O que tem isso, Cláudio?
02:47Tem sim, porque isso é indireto.
02:49O subsídio que é 46, que cai para uns 24 líquidos,
02:52porque a imprensa só coloca o bruto,
02:54não coloca ali o que fica para a Previdência Social e para o Imposto de Renda.
02:58Não coloca exatamente que, para o juiz de primeiro grau,
03:02esse valor nominal é completamente diferente para um ministro
03:06ou para um desembargador.
03:07O desembargador também não tem quase nada a não ser um carro.
03:09Não tem mais nada também.
03:10Mal tem um lanche, pelo menos no Rio de Janeiro,
03:13eu não estou sabendo mais dos lanches.
03:15Então, não tem nada.
03:16Então, quando se equaliza e quando se quer moralizar
03:18e quando se fala de ética,
03:20tem que se ver um conjunto da obra
03:22e não apenas o valor de um subsídio.
03:24Já que o senhor foi tão corajoso, e foi mesmo,
03:26eu elogio o senhor por isso, de ter trazido esse tema à baila,
03:31que a sua coragem continue para verificar a fixação do valor nominal do subsídio
03:37e verificar, inclusive, a questão da remuneração indireta de toda a magistratura.
03:43As condições têm que ser efetivamente a mesma para todos.
03:47Não tem ninguém diferente.
03:50Olha, só quero dar uma informação a vocês.
03:53Essa magistrada que é aposentada,
03:56ela recebeu, no mês de dezembro,
04:00um salário de R$ 113.800,00 do Tribunal Regional do Trabalho da Primeira Região.
04:11Eu não sei, eu já fiz um lanche para mandar para esse pessoal,
04:15porque eu fiquei com dó deles.
04:18Como é que eles vão ficar sem o lanche?
04:23Assim, olha, eu já falei isso aqui mais de uma vez.
04:26Eu já fui assessora de associação de juízes.
04:30Dizia para eles, insistentemente,
04:35jamais façam esse tipo de argumentação fora desse meio de vocês.
04:40Porque, assim, vocês vão virar alvo de chacota.
04:45Ninguém consegue entender isso.
04:49E, no fim, ela fez, né, Denis?
04:51A gente tem dois minutinhos para ir para o comercial.
04:53Eu queria te ouvir.
04:54Ela colocou para fora uma argumentação
04:57que, para eles, é algo que eles consideram ok.
05:04Não é uma boa argumentação.
05:06Não é uma boa argumentação.
05:08Não é inteligente.
05:10Na verdade, cria uma celeuma pública que só piora as coisas.
05:14Agora, se querem discutir um salário bem estabelecido,
05:18sem penduricalhos, que seja um pouco mais alto,
05:21pelos motivos fulanos ou cicranos,
05:23que se discutam.
05:24Agora, o que não pode ser feito é esse tipo de acréscimo ad hoc,
05:29que toda hora aparece uma coisa, um favorzinho,
05:31com salários de 100 mil, tem desembargador recebendo 200 mil reais por mês.
05:36Num país de gente que comete crime famélico,
05:39realmente ninguém há de compreender esse tipo de coisa do tipo
05:43eu compro o meu carro.
05:45Olha, gente, isso é argumento?
05:47Quer dizer, eu sou um juiz de direito e sou obrigado a comprar o meu carro?
05:52É um problema isso?
05:53Desde quando?
05:54Desembargador tem carro?
05:56Se eu conhecia a vida na Europa, por conta da minha passagem como estudioso,
06:02eu vi muitos juízes andando de bicicleta, morando em apartamento funcional,
06:05kitnet, e ninguém achava isso estranho.
06:07Por que achamos isso aqui?
06:08É algo que deve ser explicado.
06:12E, aliás, né, Denis, isso que você está falando,
06:15eu também, quando trabalhei no Supremo,
06:18a gente tinha contato com as pessoas de outras cortes internacionais,
06:23aqui o padrão de vida era assim,
06:25Equador, Honduras,
06:28mas nos países europeus, você tem razão,
06:32não existia isso, não existe isso.
06:35O juiz é um cidadão de classe média como qualquer outro,
06:38não existe esse tipo de salário.
06:40Nós estamos fazendo aqui uma pausa para os comerciais na TV BMC,
06:43voltamos, já já continuamos no YouTube do Antagonista.
06:50Olá, continuamos aqui no YouTube do Antagonista,
06:54agora eu vou ler as mensagens deles.
06:56Bill Masque acaba de mandar um superchat de R$ 5,00.
07:01Judiciário brasileiro saiu da órbita da realidade.
07:09Quem me mandou também um superchat?
07:11Aqui, o João Pedro Farrar me mandou no WhatsApp.
07:14Pedro Simões me mandou um superchat de R$ 10,00.
07:19Amadá podia lançar uma coletânea de termos
07:23que descrevem contextos e comportamentos dos políticos brasileiros.
07:30Pugilato de bailarina é genial.
07:33Ô, Denis, eu acho que eu podia juntar aqui eu e o Josias,
07:38e a gente faz um só falando dos políticos.
07:42O que você acha?
07:43Dando nome aos bois.
07:44Eu acho que eu faço um pouco.
07:46Não tem agora?
07:47Tem que fazer isso comigo.
07:49É, uns perfis que falam assim,
07:51quando você quer xingar alguém,
07:54como você usar palavras alternativas.
07:56Em vez de falar que o cara é burro,
07:59não, ele tem uma abundância de precariedade cognitiva.
08:04A gente pode ir por esse caminho.
08:10Marcelo Matos também mandou aqui, olha,
08:13R$ 5,00 de superchat.
08:16Muitíssimo obrigada.
08:17O pessoal já está apoiando aqui.
08:19Eu estou tentando ler, gente, superchat,
08:21mas eu vou ter que confessar para vocês,
08:23sem óculos eu não leio nada, não enxergo nada.
08:26Aqui.
08:30Cadê, cadê?
08:31O pessoal falando de Zema e Eduardo Leite,
08:33o pessoal falando da juíza.
08:35Isso aí é um stand-up.
08:38Deve ser Iá.
08:41Arranca gargalhadas.
08:43Mais de R$ 100 mil num único mês e está chorando?
08:48Coitadinha, vamos dar dinheiro para os juízes.
08:51Tadinhos, eles não têm nada,
08:53afinal, o que são R$ 26 mil líquidos?
08:57Imagina quem ganha salário mínimo, vai falar o quê?
09:01Sou a terceira pessoa depois de ninguém no sistema.
09:04É verdade.
09:05Quem consegue se manter com salário mínimo é Mandrake,
09:09diz o Ângelo Santos.
09:11O Sandro Pires ficou tirírica.
09:15Mais de R$ 100 mil no mês e ainda quer lanche.
09:20Uma cusparada na cara do trabalhador.
09:24O louco e os professores sobrevivendo com salário base do Estado de São Paulo,
09:30acrescido de um abono para chegar no salário federal,
09:33compram seus lanches, seus carros, lembranças de dia comemorativo.
09:38Professor, às vezes, leva até material.
09:41Leva o próprio EVA de casa, que é um festival do EVA.
09:46Elas próprias compram.
09:47Gente, é isso.
09:48Estamos voltando aqui para a TV BMC.
09:54E aí
09:55E aí
09:56E aí
10:04E aí
10:07Obrigado.
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