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O Papo Antagonista conversou com Clarice Saad, que é diretora da Mátria, que é uma Organização em prol da Defesa dos direitos de mulheres e crianças frente aos impactos do conceito de "identidade de gênero".

Vamos entender o trabalho da Mátria e como este trabalho vem sendo alvo da deputada Erika Hilton.

Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.

Apresentado por Madeleine Lacsko, Duda Teixeira e Carlos Graieb o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.

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Transcrição
00:00Vamos agora receber a Clarice Saad, que é diretora da Mátria, que é uma organização em prol da defesa dos
00:09direitos das mulheres e crianças
00:10frente aos impactos do conceito de identidade de gênero.
00:16Vamos entender o trabalho da Mátria e como esse trabalho vem sendo alvo da deputada Erika Hilton, sempre ela.
00:24Boa noite, Clarice. Bem-vinda ao programa. Muito obrigado por aceitar o nosso convite.
00:31Eu que agradeço. Obrigada.
00:33Então eu começo justamente com essa pergunta. Como o trabalho de vocês vem sendo alvo da Erika Hilton?
00:43Bom, então vou falar rapidamente sobre o trabalho. Qual é o trabalho, para as pessoas entenderem.
00:48Nós somos uma associação de mulheres suprapartidária, que fomos fundadas em 2023, com o objetivo de lutar contra a erosão
01:01dos direitos das mulheres
01:04por conta dessa ideia de identidade de gênero que vem ganhando força.
01:08E bom, as nossas associadas são atacadas de forma individualmente, então tanto Isabela Cepa, que ganhou status de refugiada política
01:20no exterior,
01:23quanto Isadora Borges, que agora recentemente também foi inocentada em João Pessoa.
01:30As duas, por exemplo, tinham sido processadas por Erika Hilton, assim como uma terceira, associada nossa, Karen Mizuno, que teve
01:38o processo arquivado antes de julgamento.
01:42E a associação como um todo está sempre na mira das organizações transativistas, porque somos a primeira voz de mulheres
01:50organizadas que se levantou
01:52contra uma série de demandas que essas organizações fazem.
01:57Então, por exemplo, Erika Hilton destinou 200 mil reais de emenda parlamentar para uma ONG transativista, através do Ministério dos
02:08Direitos Humanos,
02:09para a criação de algo chamado Plataforma do Respeito, que na verdade tem por objetivo, segundo eles, localizar discurso de
02:19ódio na internet,
02:20já pegar as informações das pessoas que estão postando e encaminhar isso para criminalização.
02:26E aí, quando a gente olha no portal da transparência, a primeira ata desse projeto, a única organização que está
02:35citada nominalmente ali é a Mátria.
02:38Então, assim, não é direto, mas o cerco está sempre ali tentando fechar em torno da gente, do nosso trabalho.
02:47Clarice, você falou do transativismo.
02:50Agora, as mulheres da Associação Mátria, elas entendem, aceitam que existam mulheres trans e aceitam as mulheres trans ou não?
03:04Quer dizer, o problema é contra mulheres trans em geral ou contra o transativismo?
03:10É, são realmente coisas diferentes.
03:14Eu acho complicado, nós achamos complicado a denominação mulher trans, no sentido de que causa muita confusão.
03:23Nós, em 2024, fizemos a primeira pesquisa de opinião nacional com os eleitores brasileiros.
03:30Nós nos encomendamos a um instituto de pesquisa, o IRG Pesquisa.
03:35E a única pergunta aberta que a gente fez foi o que é uma mulher trans.
03:42E a gente viu que 61% dos entrevistados não sabem o que é uma mulher trans.
03:48Não sabem que é uma pessoa do sexo masculino que se declara como mulher.
03:52Então, por exemplo, muitos acham que são mulheres que se identificam como trans, pessoas do sexo feminino.
03:59Ou acham que são homens gays.
04:02Então, essa nomenclatura, ela já traz uma confusão.
04:06O Brasil, historicamente, usou a nomenclatura de travesti, que eu acho que deixava mais claro para todo mundo do que
04:13se tratava.
04:14Mas a associação não tem uma questão com os direitos das pessoas estarem no mundo como elas gostariam de estar.
04:25O problema começa quando existe um conflito entre certas demandas de que o conceito de identidade de gênero se sobreponha
04:35a sexo.
04:36E aí, as consequências que isso tem para certos espaços das mulheres que precisam ser separadas por sexo, por motivos
04:45de segurança ou de justiça, como no caso dos esportes.
04:50E também políticas públicas que estão sendo impactadas por isso.
04:55Clarice, entre essas políticas públicas, a gente pode considerar aí as cotas, por exemplo, para pessoas trans, como tem lá
05:04no Rio Grande do Sul.
05:06Governada, governada pelo Eduardo Leite, quer dizer, as cotas para pessoas trans vão contra os interesses das mulheres?
05:15Olha, o problema das cotas é mais abrangente até.
05:19Eu acho que ele é um problema para todas as populações que já são alvo de cotas legalmente.
05:26Porque, em alguns casos, as cotas para trans, apesar de não estarem na lei, estão comendo por dentro das cotas
05:34legais.
05:35Então, as cotas raciais, sociais, indígenas, quilombolas, PCD.
05:40Em outros lugares, em outras universidades, em especial, que é quem está adotando essas cotas, são vagas extranumerárias.
05:50Mas, de toda forma, nós estamos falando de recursos limitados que uma universidade tem.
05:55E que está alocando para essas pessoas com base, simplesmente, na autodeclaração.
06:03Sem nenhum estudo que comprove que, de fato, é uma população que precisa dessa política.
06:11Então, é grave, assim.
06:12A gente vem lutando há muito tempo, por exemplo, por políticas para mães que estão na universidade.
06:19E nunca se parou para olhar para isso.
06:21Então, é uma escolha de destinação de recurso e de política para esse outro grupo.
06:27Sem, na nossa compreensão, uma base sólida para isso.
06:33Por que você acha que aconteceu isso?
06:36Ou seja, as demandas de mulheres por intervenções como essas.
06:42Ah, tem um espaço para deixar os filhos quando eu estou na universidade.
06:45Ou mesmo as creches, né?
06:47Um problema antigo que começou a ser resolvido no Brasil faz pouco tempo, né?
06:52Por que que essas demandas todas não foram solucionadas antes de se começar a dar atenção às demandas desse outro
07:03público?
07:05Bom, eu acho que a resposta aí, ela não é única.
07:09Tem várias coisas que a gente pode levar em consideração.
07:12Primeiro, essas mudanças que as mulheres demandam são mulheres estruturais.
07:18São mudanças estruturais de verdade.
07:20Que demandam investimento grande e que demandam uma mudança na sociedade.
07:25Uma forma de ver o papel da mulher e o estar da mulher nos espaços.
07:30Por outro lado, é muito fácil sinalizar a virtude através de bandeiras trans em todos os lugares.
07:39E simplesmente dizer que se aceita a identidade trans.
07:44É algo que não muda de verdade problemas muito estruturais na sociedade.
07:51Por outro lado, a Matra tem inclusive um relatório que foi lançado agora em janeiro.
07:56Que chama Quem Financia o Ativismo Trans no Brasil.
08:00E são muitos milhões de reais investidos por grandes fundações estrangeiras nesse ativismo.
08:08Que não é um ativismo orgânico e nem veio das pessoas trans, travestis, que estão em prostituição.
08:16Nem está revertendo para essas pessoas.
08:20É um tipo de financiamento que nem sempre as demandas mais orgânicas das mulheres têm.
08:27E aí eu poderia dizer simplesmente também que as demandas das mulheres vêm do grupo das mulheres.
08:32Que não costuma ser muito ouvido.
08:34E se a gente for olhar para o transativismo, quem realmente tem voz e está à frente das demandas são
08:40pessoas do sexo masculino.
08:44Clarice, você começou a nossa conversa aqui apresentando a Matra.
08:49Você disse que é uma associação suprapartidária.
08:52Tem pessoas que são de esquerda e que são da Matra e criticam essa atuação da Erika Hilton?
09:02Sim, a maioria da Matra é de esquerda.
09:05Foram mulheres feministas de esquerda que fundaram a Matra.
09:09Eu me encontro entre elas.
09:12São mulheres que foram sendo expulsas de todos os espaços de esquerda.
09:16Muitas vezes de forma violenta.
09:19Então expulsas dos partidos, das associações coletivas feministas, de sindicatos, de grupos estudantis.
09:27Sempre com um discurso de que quem tinha essa crítica ao transativismo necessariamente era do outro lado.
09:37Então podia e devia ser ignorada.
09:41Mas nós criamos a Matra com o objetivo de ser um grupo de mulheres.
09:47E hoje nós temos mais ou menos 60% de mulheres que se declaram ainda de esquerda.
09:54O segundo maior grupo é o das desabrigadas políticas.
09:59Que na verdade são todas ex-esquerda de alguma forma.
10:02E hoje em dia já não sabem mais onde e para onde correr.
10:07Que estão órfãs.
10:08Depois mulheres de centro.
10:10E por último nós temos hoje em dia uns 15% de mulheres de direita.
10:15Quais são as fontes de financiamento do trabalho da Latria?
10:20Olha, basicamente a mensalidade de 50 reais que cada associada paga.
10:27E nós recebemos pontualmente doações de pessoas físicas.
10:31Então ao contrário do que dizem as mais línguas.
10:35Que estão sempre dizendo que a gente é financiada pela extrema direita internacional.
10:40Faz umas semanas eu ouvi até que a matra seria financiada pelo Oriente Médio.
10:46Assim, enquanto entidade.
10:48O que isso quer dizer eu não sei dizer.
10:50Mas não.
10:51O nosso financiamento é basicamente nosso.
10:53Nós somos autofinanciadas.
10:55Música
10:56Música
10:57Música
10:59Música
11:01Música
11:07Obrigado.
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