00:00Mas agora falando em censurar a fala,
00:05nós vamos trazer na semana que vem, que eu já conversei com ela hoje,
00:09Isabela Cepa, que é a feminista que conseguiu asilo
00:15num país da Europa, asilo político, devido à perseguição feita por Erika Hilton.
00:21E agora parece que o feitiço virou contra o feiticeiro.
00:26Porque Isabela Cepa apresentou uma queixa-crime por calúnia e injúria
00:33contra Erika Hilton.
00:36Erika Hilton disse que Isabela Cepa é uma criminosa fracassada
00:42e a comparou a um integrante do regime nazista.
00:47A perseguição de Erika Hilton contra Isabela Cepa,
00:52que terminou com um país estrangeiro dando um asilo político
00:55a uma brasileira por perseguição política,
00:58foi motivada por um comentário de Isabela numa rede social
01:02em que ela se dizia contra o PSOL,
01:05porque o PSOL tinha feito da mulher mais votada,
01:08a mulher mais votada do PSOL era um homem biológico.
01:13Depois que houve o asilo político para Isabela Cepa no exterior,
01:18a ação de Erika Hilton contra ela foi terminada pelo ministro Gilmar Mendes.
01:25O inquérito foi arquivado pela Sétima Vara Federal em agosto de 2025
01:33e o STF considerou a reclamação de Erika Hilton improcedente.
01:39Inclusive, o voto do ministro Gilmar Mendes deixa muito clara a confusão
01:43entre o que é o conceito de transfobia do tribunal
01:46e a forma como ele vem sendo utilizado por militantes transativistas aqui no Brasil.
01:54Eu quero lembrar que há algumas semanas nós já entrevistamos
01:58outra mulher perseguida por Erika Hilton, Isadora Borges.
02:02Ela não foi processada por Erika Hilton.
02:05Foi aberto um processo contra ela pelo Ministério Público
02:08em virtude também de uma publicação em rede social.
02:12E Erika Hilton conseguiu virar assistente de acusação
02:15sem ter sido citada e sem ser da família de uma pessoa
02:20que tenha sido alvo ali do crime,
02:23algo completamente inédito no direito penal brasileiro.
02:26Vou trazer aqui um trechinho da entrevista da Isadora Borges.
02:30Qual que é o contato que você teve com ela?
02:33O que apareceu dela?
02:34Como é que você lidou com a coisa
02:37quando você soube que era uma deputada contra você?
02:41Eu lidei muito mal, assim.
02:43Eu fiquei muito assustada.
02:45Eu pensei no poder político dela.
02:51Fiquei bem assustada mesmo, assim.
02:57Eu achava que eu já estava condenada.
03:00Tive uma paranoia muito grande
03:01de achar que eu ia ser presa.
03:03Fiquei bem preocupada.
03:08Bom, essa entrevista completa você encontra aqui no YouTube do Antagonista.
03:12E agora vamos falar de mais um acontecimento na Comissão da Mulher.
03:17Desde que Erika Hilton assumiu a Comissão da Mulher,
03:20de maneira inédita,
03:22vem acontecendo episódios de violência contra a mulher
03:25dentro da Comissão da Mulher.
03:27E ontem aconteceu isso daqui.
03:30Vamos dar uma olhada.
03:31Infelizmente, o seu partido, o PSOL,
03:33fez um desserviço
03:36orientando e colocando a senhora nessa presidência.
03:39Nós estamos já 4 horas e 10 minutos,
03:42o clima ruim, péssimo.
03:44Eu tenho requerimento aqui para ser votado
03:46sobre um seminário,
03:48uma audiência pública de endometriose.
03:50Não foi votado.
03:51Então, essa comissão se tornou uma militância.
03:55E eu não tenho dúvidas que a sua fala agressiva,
04:00incisiva e agressiva,
04:01está incitando a militância contra nós,
04:03deputadas que não concordamos com o seu posicionamento.
04:07Nós estamos na semana do jornalismo,
04:09na semana que a gente comemora o jornalismo.
04:12Isso aqui não é fake news.
04:13Isso aqui não é transfobia.
04:16Isso aqui é um fato.
04:17É uma reportagem onde se diz
04:20que nem 15% do orçamento
04:23destinado ao combate ao feminicídio
04:25foi aplicado por esse governo.
04:27Por esse governo que a senhora defende.
04:29Então, são essas pautas
04:31que nós queremos discutir aqui na Comissão da Mulher.
04:34Não são as suas falas agressivas
04:37que nós queremos ouvir aqui.
04:38A senhora grita,
04:40a senhora fala com uma indignação,
04:43parece que vai partir para uma agressão.
04:45E falo mais, se a vossa excelência vier para cima de mim
04:50para me enfrentar aqui,
04:52nós vamos procurar a Lei Maria da Penha
04:54porque a senhora tem a força de um homem,
04:57não tem a força de uma mulher.
04:58O que acontece?
05:01Aí é difícil.
05:03Pois é.
05:05Isso virou a Comissão da Mulher.
05:07O que é que aconteceu antes?
05:08Havia um militante de esquerda
05:10que é chamado, nos meios políticos,
05:13é o típico esquerdo macho.
05:16É aquele adolescente de 40 anos
05:19que se acha super moderno
05:21e que estava lá filmando e xingando as deputadas de feias.
05:25E o que o pessoal fez?
05:27O pessoal achou que ok,
05:28que ele tinha o direito de ficar ali xingando as deputadas de feias.
05:31Afinal, a própria Érica Hilton
05:33ficava falando isso para as suas colegas deputadas.
05:37Mandou a Júlia Zanatta hidratar o cabelo,
05:39o seu cabelo está feio,
05:41você é uma mulher ultrapassada.
05:43Enfim, virou isso.
05:45A Comissão da Mulher está ali falando a deputada,
05:49mas fato é,
05:50a Comissão da Mulher,
05:52com Érica Hilton,
05:53virou um permanente ataque às mulheres.
05:57Colocar a pessoa do parlamento,
06:00da história do parlamento brasileiro,
06:01que mais persegue mulheres,
06:03na presidência da Comissão da Mulher,
06:05não podia dar em outra coisa.
06:07O que a gente vê é que a Comissão,
06:09a questão de presidir ou não,
06:12não tem condição nenhuma de presidir,
06:14porque não tem mais Comissão.
06:16Com Érica Hilton, a Comissão não trabalha.
06:19Exatamente, Madal.
06:21O problema de você fazer esse tipo de escolha
06:25é você inviabilizar as conversas
06:27de políticas públicas verdadeiras,
06:30porque tudo passa a girar em torno de definição
06:32de quem é mulher, quem não é mulher.
06:34Você passa para as questões metafísicas
06:37e deixa a vida prática,
06:39que é isso,
06:40quanto de verba foi gasto
06:43na prevenção do feminicídio.
06:45Isso é uma questão prática,
06:46dá para contar.
06:49Isso aí não está sendo discutido.
06:50O que está sendo discutido
06:51são as questões identitárias mais abstratas.
06:55Então, acho que deveria ser...
06:59A universidade é um lugar melhor para discutir isso,
07:02não o Congresso.
07:03É na universidade que não dá para discutir.
07:06É que você apanha.
07:07Se você falar qualquer coisa na universidade,
07:10você apanha.
07:11Olha, aliás, mas no nosso enquete no chat,
07:14você pode falar.
07:16Que é o seguinte,
07:16ameaçar Érica Hilton com a lei Maria da Penha é
07:20justo,
07:21desrespeito,
07:22baixaria ou engraçado?
07:24Se você está vendo a gente pelo YouTube do Antagonista,
07:27você pode votar.
07:28Diga, Josias.
07:29Não, só que na universidade, infelizmente,
07:32não existe esse espaço para debate,
07:34porque o debate foi interditado.
07:36O debate vira, assim, porrada, agressão,
07:39e aí virou uma coisa típica de guerra cultural,
07:42que os candidatos da direita vão lá
07:45para arranjar confusão,
07:46aí arranjam confusão mesmo,
07:48aí são expulsos, são agredidos,
07:50e aí a universidade devia ser um lugar de pluralidade.
07:55Infelizmente, isso não acontece.
07:57Existe uma hegemonia muito grande nesse espaço.
08:01Inclusive, aliás, esse é um dos motivos
08:03da nova direita ter nascido,
08:05e nós vamos falar disso muito para frente.
08:07E tem uma questão das universidades,
08:10que é o seguinte,
08:11eu conheço uma professora muito séria
08:14da Federal de Minas Gerais,
08:15Mara Telles, vocês conhecem?
08:17Conheço.
08:17Feminista clássica,
08:18até viram Big Brother,
08:19como é que você não conhece?
08:20Você não é artista?
08:21Não conheço.
08:22Artista tem que conhecer todos os Big Brother
08:24que já passaram pelo programa.
08:26Não me decepcione, Josias.
08:29É uma população à parte, né?
08:31É.
08:31Os ex-BBB.
08:32E ela é especialista em pesquisas...
08:35Pesquisas eleitorais.
08:36Eleitorais.
08:37Ou de opinião.
08:39Uma professora concursada da Federal de Minas,
08:42uma mulher seríssima e de esquerda.
08:45Feminista clássica.
08:46Estava num evento e estavam falando não sei o quê
08:48das pessoas que menstruam,
08:50e ela falou, pessoa que menstrua não,
08:51até porque nem menstruo mais.
08:54Eu sou mulher.
08:55Ela teve 45 processos administrativos.
08:59Sim.
08:59Que iriam tirar o cargo público dela.
09:03Ela é um caso.
09:04Só que ela é uma pessoa que já tinha voz pública,
09:08conseguiu falar.
09:10Assim, a gente tem casos como, por exemplo,
09:12o professor Richard Miscolce,
09:14que é da Unifesp.
09:16Eu entrevistei ele aqui no lado A.
09:18Ele é o tradutor da Judith Butler.
09:21E foi perseguido pela tropa identitária.
09:24Foi cancelado.
09:26Porque o Richard disputa sociologicamente
09:29um conceito que essa militância...
09:32Você já não ouviu falar em fulano?
09:34É cis?
09:34Sim, claro.
09:35Cis não existe.
09:37Trans existe.
09:38Trans é um termo científico.
09:40E trans é um termo que as ciências sociais também tratam.
09:45Cis é um termo que existe na química e tudo.
09:48Mas cis, para falar de uma pessoa,
09:51ele é um termo logicamente impossível.
09:53Porque o que é um cis?
09:54O cis é a pessoa que age como a sociedade espera do sexo dela.
10:01Nenhuma pessoa age como a sociedade espera.
10:03Portanto, é impossível.
10:06Entende?
10:08Nenhuma pessoa é 100% dentro do que a projeção...
10:12Então, assim, ele é um termo que não existe.
10:13Ele é criado para quê?
10:15Ideologicamente.
10:16Para ser um contraponto.
10:17Para que mulher vire uma subcategoria de mulher.
10:22Eu não sou a subcategoria de mulher.
10:25Eu sou mulher.
10:26Mas eles querem que...
10:27Então, assim, é uma questão ideológica.
10:29O Richard explica isso.
10:31Ele tem um livro muito bom chamado Batalhas Morais.
10:33Cancelaram o Richard.
10:34Que aquela revista cult cancelou.
10:38Queriam tirar ele da faculdade.
10:40E tem sido assim.
10:41Eles impedem.
10:43Eu mesma fui dar palestra numa faculdade uma vez.
10:46Eles tinham botado cartaz na rua inteirinha.
10:49Com o meu rosto transfóbica aqui não.
10:51E tinha duas representantes da UAB lá
10:53querendo impedir a minha palestra.
10:56É assim.
10:56Expulsaram a Regina Duarte de uma peça.
10:59É assim.
11:01Não tem a discussão.
11:03Não chega a ter.
11:04Não tem a discussão.
11:08Não tem a discussão.
11:10Não tem a discussão.
11:11Não tem a discussão.
11:12Não tem a discussão.
11:14Não tem a discussão.
11:14Não tem a discussão.
11:15Não tem a discussão.
11:16Não tem a discussão.
11:16Obrigado.
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