A jornalista Eliana Gorritti conversou com O Antagonista e nos contou que vem sofrendo assédio moral por parte de um grupo de mulheres feministas, que fiscalizam a opinião das pessoas nas redes sociais. Segundo Gorritti, tudo começou quando ela fez alguns comentários, sem citar nomes, sobre o Dia Internacional da Mulher.
Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.
Apresentado por Madeleine Lacsko, Duda Teixeira e Carlos Graieb o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.
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#ElianaGorritti, #ErikaHilton, #Gorritti, #Hilton, #JornalismoCapixaba, #EspíritoSanto
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NotíciasTranscrição
00:00Agora nós vamos receber a jornalista Eliana Gorriti, que também diz estar sendo perseguida
00:07pela deputada Erika Hilton, devido às postagens que faz nas suas redes sociais.
00:12Vamos entender um pouco mais desse assunto. Boa noite, Eliana.
00:18Olá, boa noite. Obrigada por me receber. Um assunto polêmico, delicado, mas é necessário a gente conversar sobre isso.
00:27Eliana, nos explique, então, por favor, que tipo de postagem você vem fazendo que está atraindo essa atenção negativa da
00:39Erika Hilton
00:39e suponho que de outras pessoas do movimento a que ela pertence também.
00:47Para contextualizar um pouquinho, eu sou jornalista aqui no Espírito Santo, há 22 anos, passei por várias emissoras,
00:54as principais emissoras, trabalhei muitos anos no jornalismo factual, né?
00:59Então, quando eu decidi ser mãe, eu saí desse jornalismo, que é do dia a dia, aquela correria,
01:06e fui para trabalhar com mulheres, com carreira, liderança feminina, e sempre me posicionando,
01:13eu sempre dei a minha opinião no meu Instagram, na minha rede, né?
01:17Sempre com muita cautela, muito cuidado, muito respeito, e sempre me posicionando a favor das mulheres, das crianças.
01:26Nesse dia 8 de março, 8 ou 9, se eu não me engano, veio essa notícia da Erika Hilton na
01:32comissão,
01:34e aí eu fiz uma postagem falando o seguinte, está faltando mulher na política?
01:40Para mim foi uma forma de mostrar a indignação, as mulheres são quase mais a maioria da população brasileira,
01:49e mesmo assim nós não temos esse poder político, então essa foi uma pergunta,
01:54diante da indignação de não ter uma mulher lá na comissão, uma mulher biológica,
01:59e depois eu coloquei, acabou o Dia Internacional da Mulher,
02:02mas foi também mostrando que no Dia Internacional da Mulher,
02:07são tantas homenagens, são tantos presentes, são tantas empresas fazendo campanhas,
02:12e parece que aquele dia acaba e não se fala mais nisso, foi esse o meu intuito.
02:17E a partir dali eu comecei a receber muitas mensagens no privado,
02:22muitas mensagens de ameaças, me chamando de criminosa, me chamando de transfóbica,
02:28muitos amigos que eu não esperava, que me conhecem há muitos anos também,
02:34se mostraram muito intolerantes, e por fim uma associação aqui do Estado fez uma nota de repúdio,
02:42e uma jornalista daqui também, que diz que trabalha liberar de forma sozinha,
02:48não lembro o nome agora, também fez um vídeo com a minha imagem, me chamando de transfóbica.
02:57E isso me pegou assim, de forma muito, eu fiquei muito impactada,
03:01porque ninguém fez contato comigo, ninguém ouviu a minha fala, o meu lado,
03:06de repente eu vi minha imagem, a jornalista do Espírito Santo está sendo acordada,
03:11e eu penso assim, a gente não pode mais dar uma opinião,
03:16e muitas mães, muitas outras mulheres vieram falar comigo,
03:20Eliana, por favor, fala, porque nós estamos com medo de falar, de ser processadas.
03:27E isso me preocupa muito.
03:30Mas não tem processo até agora, não é?
03:33E houve alguma comunicação direta da Erika Hilton para você,
03:38ou alguma espécie de postagem que ela tenha feito,
03:42alguma espécie de recado que ela tenha dado?
03:47Ainda não, mas muitas marcações vai chegar até ela,
03:53porque todo mundo faz questão de marcar,
03:55é uma forma de intimidar mesmo, sabe?
03:58De silenciar, olha a tira, a gente vai mandar, a gente está enviando,
04:01olha o print, está o vídeo ainda lá com o meu rosto,
04:05e eu falo, puxa vida, 22 anos de jornalismo,
04:08como que alguém vem e te acusa de transfóbica e bota a sua imagem?
04:13Você na apresentação de vários jornais, sem nem te ouvir,
04:18e lá embaixo os comentários são muito cruéis, sabe?
04:21Eu sou uma mãe também, eu tenho uma carreira que eu trabalhei durante tantos anos,
04:27com tanto afinco, e por dar uma opinião, que é a minha opinião,
04:30eu realmente acho que ela não representa as mulheres lá nessa comissão especificamente,
04:34você é crucificada e tentam te calar e te intimidar de todas as formas.
04:40E isso está me pegando de uma forma muito, muito impactante aqui,
04:44porque eu acho que as pessoas têm que abrir os olhos
04:48para a forma como eles estão tratando as mulheres.
04:51As mulheres estão se calando aqui, pelo menos aqui no Espírito Santo.
04:55Uma sargento também gravou um vídeo,
04:59que foi muito, muito, muito, sofreu muitas retaliações.
05:03A dona de um restaurante gravou e teve que retirar o vídeo,
05:06então as mulheres estão com medo, estão intimidadas,
05:09e nesse momento de tantos crimes, de tanto feminicídio,
05:13de tanto abuso, que a mulher se sente tão intimidada,
05:16a gente precisa trazer esse debate para isso também, sabe?
05:21Eliana, deixa eu só tirar uma dúvida.
05:23Nas suas duas publicações, você não fez nenhuma referência às pessoas trans.
05:29É isso, numa você falou assim, devia ter mais mulheres na política,
05:33na outra, que triste que a gente só tem um dia,
05:36que é o Dia Internacional da Mulher.
05:37É isso, né?
05:38Você não fez nenhum comentário negativo em relação às pessoas trans.
05:44Nenhum comentário.
05:45Eu, de forma alguma,
05:48compactuo com preconceito, com racismo,
05:50homofobia, transfobia, não se trata desse debate,
05:53é essa confusão, sabe?
05:56E aí você dá uma opinião e eles te crucificam
05:58e te tratam como uma criminosa.
06:00Eu acho que não está nesse campo,
06:02de forma alguma, nada.
06:03E depois eu ainda fiz post de uma delegada,
06:05que também deu opinião dela,
06:08de acordo com a lei,
06:09de uma advogada,
06:10e eu fui colocando assim,
06:11para a reflexão,
06:12para a reflexão.
06:13E mesmo assim,
06:15eles fecham os olhos,
06:16fecham os ouvidos,
06:17você explica uma vez,
06:18explica duas vezes,
06:19fala, gente,
06:20eu tenho uma carreira construída,
06:22um tanto,
06:23inclusive pela população,
06:24dando voz às minorias,
06:26ouvindo,
06:26indo em lugares assim,
06:28inacessíveis,
06:28que eu ia sempre,
06:29para dar voz às pessoas,
06:31com a lista.
06:32E o momento que você se posiciona,
06:34você é taxada de transfóbica,
06:36e você vai recorrer a quem?
06:38Eu pedi,
06:39eu falei com as pessoas aqui,
06:40que vieram pedir minha ajuda,
06:41eu falei,
06:42mas vamos nos posicionar,
06:43vamos nos juntar.
06:45Não, Eliana,
06:45eu tenho medo.
06:46Nossa.
06:48E é uma onda de medo,
06:51de medo,
06:52as pessoas estão com medo de processos,
06:55então elas estão se calando,
06:56por conta disso.
06:59Mas não tem nenhum movimento contrário,
07:02nenhuma organização feminina,
07:05ou feminista,
07:07te abordou também,
07:09oferecendo alguma espécie de repercussão,
07:12ou de apoio?
07:15Não temos.
07:17Aqui a gente não tem.
07:19Já me chamaram algumas vezes,
07:20por exemplo,
07:21para a política,
07:22e eu não quis entrar na política,
07:24porque não é o meu foco,
07:26sabe?
07:26Eu sou voluntária de uma associação aqui,
07:28que trabalha com crianças com câncer.
07:30E eu fiquei com medo até disso.
07:32Olha a repercussão que isso pode trazer,
07:34de forma negativa,
07:35para essa associação.
07:37Então eu acho que é tão irresponsável
07:39da parte dessas associações fazerem isso,
07:42tão irresponsável chamar uma profissional,
07:44uma mãe,
07:45uma mulher,
07:46que construiu uma carreira de transfóbica,
07:48e está lá a sua imagem,
07:49e eu, por acaso,
07:51por acaso,
07:52eu estava rolando,
07:53olhando,
07:53e veio muita coisa desse caso para mim,
07:55e apareceu o vídeo.
07:57Se não,
07:58eu nem ficaria sabendo.
07:59Então é de uma irresponsabilidade,
08:01que eu acho que as pessoas têm que se unir.
08:03As mulheres não podem se calar.
08:05Eu, se puder liderar algum movimento aqui nesse sentido,
08:09feminicídio,
08:09que eu vou,
08:10desculpa,
08:10saiu um pouco o assunto,
08:12mas a gente em Vitória estava comemorando
08:15652 dias sem feminicídio,
08:17e hoje foi um dia muito triste,
08:20trágico aqui no Estado.
08:21A gente acordou com a notícia da morte
08:23da comandante da Guarda Municipal de Vitória.
08:26Então, o Estado está consternado com isso.
08:29Ela foi assassinada pelo ex-namorado,
08:31policial rodoviário federal,
08:32com cinco tisos na cabeça,
08:34uma mulher que falava,
08:36que tinha voz ativa,
08:37que era combativa,
08:38que lutava pelas mulheres,
08:40foi brutalmente assassinada,
08:41desde uma filha de oito anos.
08:43Então, eu, enquanto mãe,
08:46eu repenso,
08:47até quando vale falar sobre isso?
08:50Vale levantar essa bandeira?
08:52Vale continuar lutando
08:54se a gente não se unir nesse momento?
08:56Bom, a Madá,
08:58Madeleine Lasco,
09:00está no ar com a gente,
09:01ela vai entrar para conversar com você também.
09:04Boa noite, Madá.
09:06Boa noite, Graieb,
09:08Duda, audiência do Antagonista.
09:10Eu conversei com a Eliana hoje,
09:14porque a Eliana está passando
09:15pelo mesmo que eu passei,
09:17que é, além de sofrer acusação injusta,
09:21sofrer com um misto de vagabundagem
09:23e sonceira dos nossos colegas jornalistas.
09:28Para quem não sabe,
09:29eu fui acusada,
09:31fui condenada por transfobia,
09:34por responder ataques na internet
09:36aos homens Olá, Caro e o assunto.
09:39As mulheres Olá, Cara e o assunto.
09:42Uma dessas Olá, Cara
09:44era uma mulher trans,
09:45que disse que eu a chamei de um cara
09:47e, portanto, eu ameaço a existência dela.
09:51E foi o meu nome com a minha foto
09:53numa manchete transfóbica,
09:55capa do Jornal Globo, de caderno,
09:58foi na Folha de São Paulo,
10:00com toda a canalice dos nossos colegas.
10:02E eu queria que você falasse sobre isso, Eliana,
10:06porque, assim,
10:07você tem uma longa carreira no jornalismo,
10:11no Espírito Santo.
10:13O nosso produtor, o Reu Bertir,
10:15falou que cresceu te vendo na TV,
10:19porque você é a cara do jornalismo
10:22da Globo, do Espírito Santo.
10:25Não é pouca coisa.
10:26Eu queria que você contasse
10:28como que é na hora em que você descobre
10:32a acusação de transfobia.
10:33Porque eu acho que se eu tivesse matado alguém,
10:36eu não teria sido tratada como uma leprosa
10:38do jeito que eu fui.
10:39No seu caso, isso se repetiu
10:42ou é uma experiência minha?
10:47É exatamente assim.
10:49E é muito impactante,
10:51é muito...
10:52Como eu narrei aqui,
10:54eu passei por todos os telejornais
10:56do Espírito Santo,
10:57fiquei mais tempo diante
10:58da filiada da Rede Globo,
11:00também fiz entradas na CNN,
11:01fui correspondente do Portal Terra,
11:03e eu sempre zelei muito
11:05pela minha reputação.
11:07Eu me recusava a ir para pautas
11:09que realmente não tivessem sentido para mim.
11:12desde as mínimas pautas
11:14até as maiores.
11:15Se não tivesse sentido,
11:16eu não ia, sabe?
11:18Eu sempre fiz entrevistas
11:20com minha ética em primeiro lugar, sabe?
11:23Eu sempre ouvia as mães
11:24com muita dor,
11:26muito cuidado,
11:27sempre ouvia as crianças
11:28ou entrava no hospital.
11:30Hoje, aqui, eu sinto falta de anestesia.
11:32Tem uma denúncia no hospital,
11:33vamos entrar, vamos ouvir, sabe?
11:35Tem um morro que está desabando,
11:37vamos lá ouvir.
11:38Eu ia lá,
11:39entrei com matérias em rede nacional,
11:41fiz o primeiro voo da Laís,
11:42que fechou o Esporte Espetacular.
11:44Eu lembro que meu chefe falou,
11:45volta para a redação.
11:46Eu falei, não,
11:47a gente vai mostrar esse voo dela.
11:49Então, assim,
11:50eu amo a minha profissão.
11:52E quando a gente se vê no meio disso
11:54e vê que os colegas,
11:56inclusive,
11:57não te escutam,
12:00vem a sua cara ali,
12:01a sua foto,
12:02a sua imagem,
12:03uma faixa de transfóbica
12:05e nem a imprensa vem te ouvir,
12:07isso é muito delicado.
12:09Isso é muito delicado.
12:10Quando o jornalismo começa a se perder
12:12em meio à publicidade,
12:14que a gente vê aqui muito, sabe?
12:16Publis, marketing,
12:17tudo bem.
12:19Tem que ganhar dinheiro,
12:20tem que ter patrocínio,
12:21mas eu acho que o jornalismo,
12:25a imparcialidade,
12:26a transparência,
12:28a idoneidade tem que ser preservada.
12:30E isso não está sendo preservado.
12:31Eles jogam a sua carreira,
12:33a sua imagem,
12:34a sua família no lixo
12:35em um minuto,
12:36porque vem uma menina irresponsável,
12:38que se diz jornalista,
12:40irresponsável,
12:41grava um vídeo,
12:42pega imagens suas,
12:44fala o que ela quer
12:45e joga no ar.
12:46Não se deu o trabalho
12:47de esperar um dia,
12:48um dia para falar.
12:49Deixa eu tentar falar com a Eliana.
12:51Eu estou aqui,
12:52todo mundo do Espírito Santo
12:54sabe meu telefone.
12:55Eu tenho um portal
12:56que fala sobre liderança,
12:58sobre carreira feminina.
12:58eu exalto as mulheres,
13:00eu dou voz para as mulheres,
13:02eu escrevo sobre as mulheres.
13:04Eu sou diretor institucional
13:05de uma organização aqui
13:06que trata de crianças com câncer.
13:09O Helber trabalhou comigo.
13:11Eu tenho estagiários que passam.
13:12Poxa, eu ensinei a várias pessoas
13:14como que uma menina
13:15não pode esperar um dia
13:16para ouvir sua resposta.
13:18E é isso que a gente está passando aqui,
13:19Madalena.
13:20A gente é silenciada
13:21e a imprensa,
13:23boa parte dela,
13:24compra essa história,
13:26infelizmente.
13:28E eu fui atrás da ONG
13:30a qual pertence essa moça,
13:32a ONG pela qual essa moça fala,
13:35e assim me causou espécie,
13:37porque é uma ONG
13:38que recebe emendas parlamentares,
13:41de parlamentares do PT,
13:43e recebe somas
13:44que não são milionárias,
13:46mas são na casa
13:48dos cinco a seis dígitos
13:52da Secretaria de Direitos Humanos,
13:56da Secretaria de Diversidade.
13:58Então, nós ficamos
13:59numa situação em que
14:01pessoas financiadas pelo governo
14:03atacam jornalistas mulheres.
14:08E eu tenho muito cuidado
14:12para falar,
14:13porque eu falo
14:15o que eu acho
14:16que é verdade,
14:17o que é justo
14:18e quando tem embasamento.
14:21Muitas mulheres aqui
14:22trabalham com mulheres
14:23e por que não se posicionam
14:25nesse momento?
14:26É secretária de Cultura,
14:28secretária de Turismo,
14:30secretária da Mulher,
14:31por que essas mulheres
14:32não se posicionam
14:33nesse momento
14:33que a gente precisa
14:34que elas se posicionem?
14:37Tem várias mulheres
14:38que trabalham
14:39com programas aqui também
14:40em redes privadas,
14:41emissoras grandes
14:42que trabalham com mulheres.
14:44Por que elas não
14:45vêm a público
14:45se posicionar,
14:47abraçar outras mulheres?
14:48Não, tem jornalista aqui,
14:50homem,
14:51que está perseguindo mulheres,
14:52Madelaine,
14:53perseguindo.
14:54Ele faz vídeos,
14:56ele calunia as mulheres
14:58e não tem ninguém
14:59para defender.
15:01Mas a gente fica,
15:02eu fico,
15:02aqui eu fico impotente,
15:04eu fico impotente,
15:05porque é uma cidade
15:06que ainda é pequena,
15:07são pessoas que ainda
15:09fecham as portas,
15:10que outros valores
15:11contam mais,
15:12então eu trabalhei
15:13com muito suor,
15:13sabe,
15:14para chegar onde eu cheguei.
15:15Muito,
15:16foram testes,
15:17foram mais testes,
15:18bater na porta,
15:20fazer muita entrevista
15:21para conseguir apresentar
15:22o telejornal
15:23que era de maior audiência
15:24aqui,
15:25sabe,
15:25ser correspondente
15:26da CNN,
15:27trabalhar,
15:27para hoje você
15:28está diante
15:29de uma acusação
15:30de transfobia.
15:32É isso.
15:35Eliana,
15:36e você pensou,
15:37você está tendo
15:38a sua vida pessoal
15:40mexida com essa história toda,
15:43imagino também
15:44que a sua carreira profissional
15:45também está sendo impactada,
15:47você pensou em acionar
15:50a justiça,
15:51a polícia,
15:52por causa disso
15:52tudo está acontecendo?
15:57Eu pensei,
15:58porque eu fui orientada
15:59a que eles provem,
16:02né,
16:02o que eles estão falando,
16:03eles estão me chamando
16:04de transfóbica
16:05diante de
16:06dois posts,
16:08falando exatamente
16:09o que eu falei
16:09para vocês,
16:10mais nada.
16:12Mas,
16:13a vida de uma mãe
16:14e de uma mulher,
16:15né,
16:15Madeleine,
16:16é tão corrido,
16:17é tão puxado,
16:19que só uma mulher
16:20vai entender outra.
16:21Eu sou a mulher,
16:22eu sou a mãe separada,
16:24então,
16:24hoje eu já levei minha filha
16:25na natação,
16:26no balé,
16:26na escolinha,
16:27já voltei,
16:28já trabalhei,
16:29já fiz contato,
16:30já fiz reunião.
16:32É uma vida que não para,
16:34então,
16:34a gente tem que parar
16:35a nossa vida
16:36para mais isso,
16:38sabe?
16:38É tão desgastante,
16:40é tão penoso,
16:42e é o que as mulheres brasileiras,
16:43eu acredito,
16:43que estão passando hoje,
16:44porque vários falaram,
16:45Eliana,
16:46não posso perder meu emprego,
16:48Eliana,
16:48meus amigos vão se afastar,
16:49Eliana,
16:50Eliana fala por nós,
16:51a gente precisa
16:52que alguém fale por nós,
16:54só que em algum,
16:55em determinado momento,
16:56eles vão conseguir calar,
16:57se a gente não se unir,
16:59eles vão conseguir calar a gente,
17:00por medo,
17:01vão silenciar,
17:02todas as mulheres,
17:03infelizmente,
17:04de uma forma
17:05ou de outra.
17:06Como eu falei,
17:07Madeleine,
17:07mais cedo,
17:08os feminicídios,
17:09a gente comemorava aí,
17:11652 dias,
17:12sem feminicídios aqui,
17:13e hoje,
17:14uma mulher
17:15que representava as mulheres,
17:17uma mulher forte,
17:19com voz ativa,
17:20que defendia,
17:21a primeira mulher comandante
17:23da guarda municipal
17:24aqui de Vitória,
17:25a Deise Barbosa,
17:26foi brutalmente assassinada
17:29com cinco tiros na cabeça,
17:30pelo ex-namorado,
17:32que entrou na casa dela
17:34e disparou na cabeça dela,
17:35uma mulher que deixa
17:36uma filha de oito anos de idade,
17:39e aí não tem como
17:40a gente se questionar,
17:41vale a pena continuar?
17:43vale a pena,
17:44se a gente não tiver apoio?
17:45E o raciocínio é o mesmo,
17:47eu entendo,
17:49eu entendo que há um raciocínio,
17:51que é essa vontade
17:53de calar mulheres
17:54que ocuparam demais
17:56o espaço público,
17:58ou que tem poder demais
18:00e acabam causando ressentimento.
18:02Isso de ajuste,
18:04essa ONG já foi
18:06ao Ministério Público,
18:07eu estou levantando,
18:08estou trazendo várias mulheres aqui,
18:10porque o Ministério Público
18:11tem sido um braço
18:13tanto do mandato
18:14da Erika Hilton,
18:15quanto de ONGs,
18:17essa ONG que denuncia
18:19a suposta transfobia
18:22aí no Estado do Espírito Santo,
18:25a capa do post
18:26é uma foto da Erika Hilton,
18:28e o Ministério Público ajuda,
18:31o Ministério Público
18:32tem perseguido mulheres
18:33no Brasil inteiro,
18:35então assim,
18:36também é uma situação
18:37que fica difícil,
18:39eu estou te falando,
18:40eu busquei a justiça,
18:41me arrependo,
18:44amargamente,
18:46quer dizer,
18:46como resultado
18:47eu me arrependo,
18:48como briga
18:49é uma boa
18:49que levarei
18:51a tribunais internacionais,
18:52mas assim,
18:54quando você entra
18:55na justiça,
18:55você sabe
18:56que não importa
18:57que a verdade
18:58esteja ao seu lado,
18:59se a acusação
19:00for transfobia,
19:01você está condenada.
19:04é uma situação
19:05desigual,
19:05é uma situação
19:06completamente desigual,
19:08eles têm a máquina
19:09do lado deles,
19:09eles têm todo esse aparato,
19:11como ela está sempre
19:12indo lá e usando,
19:14de todas as formas,
19:15é uma perseguição,
19:16então,
19:17o que eu vou fazer
19:18aqui no Estado?
19:18Eu vou atrás
19:19de uma advogada,
19:20eu vou pagar,
19:21e se eu perder a sentença,
19:22o que eu vou fazer?
19:24Entendeu?
19:24Assim,
19:25você pensa,
19:26e várias mulheres
19:27estão falando isso,
19:28eu vou me afastar,
19:29vou me calar,
19:29e acabou,
19:30é melhor.
19:30Vou até pedir desculpas,
19:32é melhor pedir desculpas,
19:33porque você vai ser processada,
19:34eu vou ser presa,
19:36imagina,
19:37eu vou ser presa,
19:38por estar lutando
19:39pelos direitos
19:40das mulheres,
19:40que querem apenas
19:42uma representante mulher,
19:43que pode sentir
19:44as mesmas dores
19:45que eu senti
19:46quando eu me separei,
19:48e tive que entregar
19:49minha bebê
19:49de oito meses
19:50para o meu ex,
19:51tantas coisas
19:52que eu passei,
19:53e que só eu vou entender,
19:55da amamentação,
19:56do puerpério,
19:58do climatério,
19:58tantas coisas,
19:59que uma mulher
20:00entende,
20:01não é nada
20:01contra ela,
20:03não é nada
20:03contra ela,
20:04é a nosso favor,
20:06nós precisamos
20:07ter esse espaço,
20:08nós precisamos,
20:09quantas mães
20:10atípicas
20:11que eu ouvi,
20:11que foram abandonadas
20:13pelos,
20:14e as mulheres
20:15ficaram com dois,
20:16três filhos,
20:17com síndrome de Down,
20:18com autismo,
20:19com sequelas,
20:20mulheres que eu já fiz,
20:22que foram queimadas,
20:23machucadas aqui,
20:24e eu não tenho direito
20:25de falar
20:25enquanto mulher,
20:27é um absurdo,
20:28o mundo que a gente
20:28está vivendo,
20:29é um absurdo,
20:30mas sinceramente,
20:31a gente tem que repensar,
20:32se vale a pena continuar.
20:33Deixa eu fazer uma pergunta
20:34para vocês duas,
20:36vocês acham que,
20:38enfim,
20:38esse episódio todo
20:39da Erika Hilton,
20:41resultou numa espécie
20:42de reação,
20:44de reação,
20:44a gente está fazendo isso aqui
20:47agora mesmo,
20:48e não somos os únicos,
20:49tem uma espécie de reação
20:51contra essa maneira
20:53violenta
20:55com que o ativismo trans
20:57tem atingido
20:59as próprias mulheres,
21:00mulheres, né,
21:01então vocês acham
21:02que desse episódio
21:03vai sair alguma coisa
21:06boa,
21:07ou vai sair
21:08uma situação
21:09pior do que a que
21:10estava antes,
21:12qual é o feeling
21:13de vocês
21:13sobre a maneira
21:14como as coisas
21:15estão se encaminhando?
21:20Olha,
21:21eu espero
21:23realmente
21:23que seja
21:24um momento
21:25de união
21:25das mulheres,
21:27que a gente consiga
21:28superar o medo,
21:30consiga superar
21:31tantas fragilidades,
21:32tantas desigualdades,
21:35são vários setores,
21:37né,
21:37a gente poderia ter
21:38vários programas aqui,
21:39seja no trabalho,
21:40seja,
21:41enfim,
21:42tantas desigualdades,
21:43tantos medos,
21:44que a gente consiga
21:44se unir nesse momento
21:46e consiga
21:47ganhar esse espaço
21:48que é nosso,
21:49infelizmente a gente
21:50ainda tem que brigar
21:51por esse espaço,
21:52mas eu espero
21:53realmente que a gente
21:54consiga uma vitória
21:56nesse momento,
21:56que a gente se una mais
21:57e consiga
21:59projeto de misoginia,
22:00por exemplo,
22:00né, contra,
22:01que a gente consiga
22:02vitórias para as mulheres
22:03nesse momento.
22:06Mas dá para a gente
22:07encerrar,
22:08que a gente já está
22:08chegando aqui quase
22:09no finzinho do programa
22:10também,
22:11quero te ouvir.
22:12Eu entendo
22:13que esse ativismo
22:14violento é um ativismo
22:15que tenta calar
22:16as mulheres,
22:17consegue em alguns aspectos,
22:19mas já está
22:20se iniciando
22:21uma união
22:21de mulheres
22:22que é nacional,
22:23é suprapartidária
22:25para manter
22:26o lugar
22:27que nós lutamos
22:28tanto para conquistar.
22:29E eu espero também
22:30que as pessoas trans
22:31que tanto sofrem
22:32tenham uma representação
22:33à altura,
22:35porque as pessoas trans
22:36não são nem todas
22:37autorreferentes
22:38e nem todas
22:39ouvidas a ódio
22:41por mulheres
22:42como essa representação
22:43que arrumaram
22:44na Câmara dos Deputados.
22:47Muito bem.
22:48Eliana,
22:49muito obrigado
22:49pela sua participação,
22:51obrigado pela conversa
22:52que você teve conosco.
22:53Boa noite,
22:55até a próxima.
22:57Eu que agradeço,
22:58parabéns pelo debate,
22:59muito obrigado pelo espaço.
23:00Obrigado.
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