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Transcrição
00:00O sol nascente é tão belo
00:05Sítio do pica-fala
00:06Tem que ver quanta coisa legal e perigosa está acontecendo com a galera do sítio.
00:11Dona Benta Tinas da Tepo Esconde
00:13quando participa de uma tal reunião
00:15que vai tentar ajudar o mundo a viver em paz.
00:18Isso é legal.
00:19Eu aproveitei a viagem da Dona Benta,
00:21chamei minha amiga Magrela
00:23e nós vamos fazer algumas reformas na natureza.
00:27Isso também é legal.
00:28Agora vem a parte perigosa.
00:31Perdi a nariz e foram passear no capoeirão.
00:33E agora?
00:41Olhos, mãos, dedos, unhas, pés.
00:46Hum, está tudo certo.
00:48Agora dá três pulos.
00:51Assim?
00:52É, estou gostando do seu físico.
00:55Tive medo que você não fosse parecida com o que eu imaginei.
00:59Mas é tanto de você, Magrela,
01:01porque você não concorda com a natureza.
01:03E não concordo mesmo.
01:05Vivo não concordão.
01:06Em nós, gente, por exemplo,
01:09tem um monte de coisas erradas.
01:11Por que dois olhos na frente?
01:13Se eu fosse reformar as criaturas,
01:15colocava um olho na testa e outro na nuca.
01:18dobrava a segurança.
01:20Já eu, aumentava o número de olhos.
01:22Por que só dois?
01:23Nós temos dez dedos.
01:25Por que não dez olhos?
01:28Quatro na cabeça.
01:30Dois nos dedões do pé,
01:31para evitar estupadas.
01:33E um olho para cada dedo lindinho.
01:36Olhos nos dedos?
01:38Não sei, não.
01:39Como as mãos não param,
01:41eles iam acabar se enchendo de ciscos
01:42ou se arranhando.
01:44É muito fácil evitar isso.
01:46É só usar dedais.
01:48Olha só o quentinho burro falante.
01:50Oi.
01:51Me apresenta para eles.
01:53Depois, agora temos muitas reformas para fazer.
02:01Ô burro, você ouviu o que eu ouvi?
02:05Que reformas serão essas?
02:09Invenção da Emília.
02:11Boa coisa não deve ser.
02:18Não, o quê?
02:20Panam, panam.
02:21É a revoada de milhares de borboletas na Amazônia.
02:24Tem vezes que demora um dia inteiro
02:25para sobrevoar as tribos.
02:27Eu vi as fotos no site da internet.
02:30É sinistro.
02:31Você não está inventando isso, não?
02:33Que nada.
02:34Quando a gente voltar para o sítio, eu te mostro.
02:37Por falar em voltar,
02:38você não acha que nós já estamos muito longe?
02:40Acho.
02:41Então vamos voltar.
02:43Não.
02:44Eu disse que acho que está muito longe.
02:46Não disse que queria voltar.
02:48Mas não está ficando perigoso?
02:52Está perigoso desde o começo.
02:56Você que ainda não percebeu...
02:58Do que você está falando?
02:59Eu estou brincando com você, sua boba.
03:02Ainda mais esse caminho de bom que você está deixando,
03:05vai ser moleza voltar para casa.
03:06Você está.
03:07Certo.
03:07Vamos continuar?
03:16Oh, eu não acredito.
03:25Pedrinho e Narizinho aproveitaram a viagem de Dona Benta para passear sozinhos no capoeirão.
03:33Sem o assassino, sem o rinocerum de guarda-costas, sem ninguém.
03:38Ah, eu sinto muito, crianças.
03:42Vocês estão me obrigando a entrar em ação.
03:45Eu estava aqui, quietinha no meu canto, sonhando maldades.
03:49Mas assim já é demais, não é?
03:54Raios, trovões, abram todas as cadábras.
04:02Porque a cuquinha aqui já vai chegar.
04:08Senhoras e senhores, tenho o prazer de apresentar a vocês
04:12algumas das melhores cabeças da atualidade.
04:15Dona Benta em Serra Bodes de Oliveira,
04:19Tia Anastácia e o Visconde de Sabugosa.
04:30Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada.
04:36Em meu nome, em nome da Anastácia e do Visconde,
04:40eu gostaria de agradecer o convite que nos foi feito.
04:43E eu queria dizer também que tentaremos honrar
04:46a rara possibilidade de ajudar o mundo a alcançar a paz.
04:59Mas ela fala muito bem.
05:02Dona Benta é uma oradora de mão cheia.
05:06Então, o Sabugo de Cartola fala...
05:10E em vários idiomas.
05:13Inacreditável.
05:14Não é a primeira vez que eu ouço esse adjetivo
05:16referindo-se à minha pessoa.
05:18Não, não, não, não quis ofendê-lo, não, senhor Visconde.
05:22Muito prazer.
05:23O meu nome é Dr. Zamenhof.
05:26Cientista, biólogo, veterinário, endocrinologista e bioengenheiro.
05:31Inacreditável.
05:34Não é a primeira vez que eu ouço esse adjetivo
05:37referindo-se ao meu trabalho, seu Visconde.
05:49Espera aí, Emília.
05:51Eu já esperei demais.
05:52Agora eu quero desesperar e reformar.
05:55Só quero ver.
05:57E essa jabuticabeira, por exemplo?
05:59É uma vergonha.
06:01Uma árvore desse tamanho, nas frutas tão pequenas.
06:04Enquanto o pé de abóbora dá abóboras enormes,
06:06é um pé tão pequeno que parece pé de coisa numa.
06:10Vou reformar.
06:11Vou botar as abóboras no pé de jabuticaba
06:13e as jabuticabas no pé de abóbora.
06:15Mas não foi isso que o Américo Pisca Pisca fez
06:17na história que a Dona Benta contou.
06:19Quando a jabuticaba caiu na cabeça dele,
06:22ele viu que essa reforma não ia dar certo.
06:25É porque o bobo foi dormir debaixo da jabuticabeira.
06:27Sabe pra quê?
06:28Pra fábula acabar bem arranjadinha.
06:31Fique sabendo que eu já reformei.
06:33Inclusive a fábula.
06:35Reformou como?
06:37Fazendo o Américo não dormir mais.
06:39Já que você reformou a fábula,
06:41então reforma a jabuticabeira.
06:43É exatamente o que eu vou fazer agora.
06:46Posso só saber como?
06:47Fazendo, fazendo, fazendo de conta.
06:50E como é que se faz de conta?
06:52Já vi que vou ter que ensinar tudo mesmo.
06:54É só fechar o olho e pensar com força
06:57que a coisa acontece.
06:59Assim, ó.
07:10Não falei?
07:16E aí, Pedrinho.
07:19Vamos descansar um pouquinho.
07:21Tá bom.
07:23Mas só um pouquinho.
07:31Droga!
07:32O que foi, Pedrinho?
07:34Acho que eu deixei cair a bateria reserva da câmera.
07:36Vou voltar pra procurar.
07:38Me espera aqui.
07:39Eu, hein?
07:40Vou ver você.
07:43Ai!
07:46Você ouviu o que ouvi?
07:48Fala baixo.
07:50Será que é uma onça?
07:51Não.
07:52Eu conheço muito bem o som do espaço de uma onça.
07:55Então o que é?
07:56Eu vou lá pra ver.
07:57Vou esperar aqui.
07:58Ai!
08:00Essa não!
08:02Essa não!
08:07Rabicó, então era você que tava seguindo a gente?
08:09Se fosse a gente sozinho, tava tudo certo.
08:12Espia só a mão dele.
08:15Rabicó, você comeu todo o pão que a gente deixou no caminho.
08:20Todos não.
08:21Ainda faltam esses aqui, ó.
08:24Rabicó!
08:26Agora sim, a gente tá perdido, Narizinho.
08:29Ah, perdidos coisa nenhuma.
08:32É só seguir o cheiro do feijão da Tia Anastasia que nós vamos dar lá no sítio.
08:37Mole, mole.
08:39Feijão, é?
08:40Esqueceu que a Tia Anastasia tá viajando?
08:45Então nós estamos perdidos mesmo.
08:51Deu certo!
08:53Você achou que era brincadeira?
08:56Pra ser sincera, eu pensei sim.
08:59Pra ser mais sincera ainda, estava brincando mesmo.
09:02E ainda estou.
09:03As brincadeiras aqui no sítio são todas assim.
09:07De verdade.
09:08Vamos conferir se as jabuticabas foram pro lugar certo.
09:16Nunca tinha estado tão alto.
09:18É eu.
09:18Está começando a me dar tontura.
09:26O trabalho tá ficando é bom.
09:29Ô, tio Parnabé, que tal um cafezinho?
09:33Ó, Quindinho, tá querendo andar uma de rabicó?
09:35É que esse trabalho cansa, sabe?
09:38Cansa e dá fome.
09:41Tá bom, tá bom.
09:43Ô, Quindinho, sabe que eu fico contente de atender um pedido pessoal do Coronel Teodorico?
09:50É, e café dá até mais energia pro trabalho.
09:54Tá bom, vamos lá, vai.
09:55Vamos lá que eu vou passar esse café.
09:58Ih, demorou.
10:00Vem, tio Parnabé.
10:10Como é que o trabalho dos dois tá ficando bom, rapaz?
10:15Só que o meu vai ficar melhor ainda.
10:44Se não fosse o verniz da nossa caixa, eu já estaria imunda.
10:47Já espero que nenhuma minhota venha nos perturbar.
10:50Não farem coisa ruim que atrai.
10:52Parem de reclamar vocês duas.
10:55Após que quando se acostumarem, eu vou me dar razão.
10:57Eu vou te descabezão assim mesmo.
11:00Reclamam de tudo.
11:02Não sei como a Narizinho gosta tanto delas.
11:05Por falar em Narizinho, cadê ela?
11:09Vem cá, Magrela.
11:11Você veio aqui pra reformar a natureza ou pra ficar pensando em Narizinho, Quindim, Pedrinho?
11:18Pedrinho, ele tá aqui no sítio?
11:22Você não me falou isso.
11:24E vou continuar não falando.
11:27Já vou te cavar as cabobras.
11:31Já sei!
11:32Laranjas!
11:38Sem bústula, sem filme, sem bateria.
11:44E ainda por cima, sem saber o caminho pra ir pra casa.
11:49Ah, me desculpe, Narizinho.
11:52Mas essa coisa de marcar o caminho com pedaços de pão só dá certo em contos de fada.
11:57Pão amolece e fica molhado.
12:00E ainda por cima, é comido por porcos gulosos.
12:05Não só por porcos, cambais, passarinhos também.
12:09Rabicó, essa não é uma boa hora de você falar nada pra gente.
12:13Ah, vocês têm que entender que foi sem querer.
12:16A gente até entende.
12:19Mas no que que isso ajuda?
12:20Eu tô começando a ficar com medo.
12:22E eu com frio.
12:24E eu com fome.
12:26Ai, ai.
12:33Medo, freio e fome.
12:36Que coisa interessante.
12:39Ah, eu nem entrei em ação ainda.
12:44Quando eu colocar as minhas garras para fora,
12:47vocês vão se lembrar com saudade do medo, do frio e da fome.
12:58Lamentos de cobra.
13:02Algumas lágrimas de morcego.
13:08Tristeza de ratazana.
13:12Agora só falta o suor de percevejo.
13:20É o medo, é o frio, é a fome.
13:27É o medo, é o frio, é a fome.
13:31Medo, frio.
13:33Vamos providenciar a fome.
13:47Meu Deus do céu.
13:51O que é que aconteceu aqui?
13:56Mas a gente não tinha consertado essa parte.
13:59Eu acho que sim.
14:03Será que algum bicho passou por aqui?
14:06Não tem jeito.
14:07Vamos ter que fazer tudo de novo, Kenji.
14:10Vem.
14:12Pega aí.
14:16Fima, Kenji.
14:26O senhor está dizendo que não concorda comigo?
14:29Não!
14:30Eu estou dizendo que discordo.
14:32É diferente.
14:33Mas eu concordo com você.
14:35Eu discordo de você.
14:36Não, assina para você.
14:39Assina para você.
14:40Eu não posso concordar com ninguém dessa mulher.
14:41Eu não estou vendo saída, Anastácia.
14:45Mas eu acabei de ver.
14:48Gente, gente, dá licença.
14:52Olha aqui.
14:53Eu tenho aqui uma coisa
14:54que eu acho que pode ajudar vocês
14:56a pelo menos parar
14:58para ouvir o que o outro tem a dizer.
15:05Olha aqui.
15:07São os meus bolinhos de chuva.
15:09Funda Pá!
15:11Funda Pá!
15:18Funda Pá!
15:19Tem para dar para todo mundo.
15:23Tem para todo mundo aí.
15:28Funda Pá!
15:30Visconde,
15:31quem sabe você não gostaria
15:33de aproveitar essa pausa das negociações
15:35para vir conhecer meu laboratório, hein?
15:38Ótima ideia.
15:39Pelo visto,
15:39isso aqui ainda vai demorar muito tempo.
15:42Vamos, então.
15:56Se eu fosse gente,
15:57eu faria as laranjas nascerem com faquinhas.
16:00Laranja com faquinhas?
16:02Pense bem, Emília.
16:03Quantas vezes temos uma laranja na mão
16:05e nenhuma faca por perto?
16:07Seria bem mais fácil
16:08se a gente fizesse as laranjas sem cascas.
16:11Para que cascas?
16:13Elas não servem para serem descascadas.
16:16A partir de agora,
16:18as laranjas ficarão sem casca
16:20e com os gomos à mostra.
16:39As laranjas ficaram peladas.
16:42Bem melhor do que nascerem com faquinhas.
16:46Não acho?
16:48Eu não sei se eu acho, não.
16:50Pois eu sei.
16:51Você acha muito bem achado.
16:52Ao trabalho.
16:55Francamente,
16:56nunca pensei que a essa altura da minha vida
16:58eu fosse ter que passar por isso.
17:00Estou amarela de vergonha.
17:08Seus equipamentos são de última geração.
17:11Oh, oh, oh.
17:12Para com isso, Visconta.
17:14Para com isso.
17:15A tecnologia está sempre modificando.
17:18Às vezes eu peço microscópio pela manhã
17:21e chega a hora do almoço
17:24e já está ultrapassada.
17:26Sendo assim,
17:27os senhores cientistas de hoje em dia
17:28têm a obrigação de fazer grandes descobertas.
17:32Como assim?
17:33Eu não compreendi.
17:34Ué,
17:35se na antiguidade,
17:35com tão pouca tecnologia,
17:37os primeiros cientistas e médicos
17:38descobriram tantas coisas,
17:40os senhores,
17:41com tantos recursos,
17:42deveriam superá-los,
17:43não acha?
17:44Não é bem assim, não, Visconte.
17:47Mas vamos ao que interessa.
17:49Pelo que conversamos,
17:50a curiosidade de sua sabedoria
17:53já o levou para mares e ares.
17:55Jamais visitado antes.
17:57É verdade?
17:58Confere.
17:58Se confere.
18:01Então,
18:02já passou pela sua cabeça de milho
18:04a oportunidade de visitar o corpo humano?
18:09Interior do corpo humano?
18:11Ver de perto os órgãos funcionando?
18:13Ah,
18:14mas por uma aventura como essas
18:15eu pagaria qualquer preço,
18:17doutor Zamenhof.
18:19Funda pá,
18:20camarada!
18:21Então,
18:22vamos nos rumos à ciência!
18:27Quero ver agora
18:28os potrinhos passarem por aqui.
18:31Que excelente trabalho, hein?
18:33Também, né,
18:34tio Barnabé?
18:34Com ajudante de peso desse, né?
18:37Eu pego no pesado mesmo,
18:39coronel.
18:39Mas o tio Barnabé aqui
18:41é que sabe fazer cerca, né?
18:44Coronel,
18:44por acaso,
18:45você ouviu as crianças por aí?
18:47Depois que eu falei com a dona Benta,
18:48eu não vi mais, não.
18:50Eu tinha certeza
18:51que elas queriam me enganar.
18:53O quê?
18:54Já não entendi.
18:54Não é nada não, coronel.
18:56Daqui a pouco
18:57elas aparecem por aqui.
18:59E agora eu vou convidar você
19:00e o Quindim
19:01para tomar um cafezinho lá em casa.
19:03Vamos?
19:03Ô, coronel,
19:04muito obrigado, viu?
19:06Mas se a gente for para lá,
19:07a gente vai acabar
19:08atrasando o serviço.
19:10Se o senhor quiser,
19:11a gente dá uma passada
19:12lá em casa
19:12e eu faço um outro café
19:14fresquinho
19:15e a gente toma.
19:16Excelente ideia
19:17para aceitar o seu convite.
19:18mas queria lhe fazer uma pergunta.
19:21Rinoceronte
19:21toma café?
19:23Os outros eu não sei, coronel.
19:25Mas e se aí
19:25toma mais café
19:27que nós dois juntos?
19:28Vai ser uma despesa.
19:31Ah, que magoei.
19:34Eu não aguento
19:35mais dar nenhum passinho.
19:37Nem eu.
19:39Oh, ora,
19:40não desistam.
19:42Eu tenho certeza
19:43de que estamos
19:44a um passo do caminho.
19:46Mesmo se nós
19:46tivéssemos encontrado o caminho?
19:49Eu não teria
19:49a menor condição
19:50de ir para casa.
19:53Ai, ai, ai,
19:54não pode ser,
19:56não pode ser.
19:57Eu estou vendo coisas,
19:58não pode ser.
20:00Ai, ai, ai, ai,
20:01o que é isso?
20:04Opa!
20:06Agora,
20:07eu estou comendo
20:08as coisas
20:09que eu tinha visto.
20:10Não toquei nada.
20:11Minha intuição
20:12de super-herói
20:13me diz que essa comida
20:15pode estar envenenada.
20:16Eu já pus a mão
20:18e eu não estou sentindo
20:19veneno nenhum.
20:20Nem eu.
20:21Tá bom.
20:22Eu estou com muita fome
20:24para acreditar na minha intuição.
20:32Ai, que delícia, bonzinho
20:36Eu sabia, eu sabia
20:42Ai, pequeno Pedro
20:52Você deveria ter levado mais a sério a sua intuição de super-herói
20:58Eu não disse que a Cuquinha aqui ia pegar
21:02Pois é, agora que eu peguei
21:15E agora, Pedrinho, que eu mais cidadinho
21:22E agora, Pedrinho, que eu mais cidadinho
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