00:00Muito bem, vamos dar sequência, porque o conflito no Oriente Médio segue escalando e também os impactos globais deixam os
00:06países e também o mercado financeiro mundial em alerta.
00:10E para entendermos melhor a situação, chamamos agora o professor de Relações Internacionais, Lier Ferreira, que vai conversar conosco.
00:18Seja muito bem-vindo. Bom dia, senhor.
00:21Bom dia, Marcelo. Bom dia, Beatriz. Bom dia, aqueles que nos acompanham aqui pela Jovem Pan.
00:26Bom dia, professor. Hoje aqui nós já demos a informação de que haveria até uma disposição dos Estados Unidos da
00:33liberação dos navios que possam ali ser carregados de petróleo do Irã.
00:38Então haveria, neste momento, mais crítico. De fato, a situação é muito, nesse momento, crítica no mundo, né, professor?
00:47Olha, é uma situação bastante delicada, porque a reabertura do Estreito de Hormuz é um imperativo para o funcionamento regular
00:55da economia internacional.
00:57E, evidentemente, com reflexos inevitáveis dentro dos países.
01:01O que nós estamos assistindo na prática é um conjunto de ações que articulam elementos, digamos que militares, né, com
01:10iniciativas diplomáticas e até iniciativas econômicas.
01:14Por exemplo, no campo militar, a gente tem acompanhando aí os Estados Unidos, né, lançando ataques à costa iraniana,
01:22utilizando aquilo que nós chamamos de munições profundas, ou seja, aquelas que são capazes de romper com as linhas defensivas
01:31que o Irã estabelece no contexto do Estreito de Hormuz.
01:33Há também o deslocamento, né, de tropas militares, 2.500 fuzileiros estão se deslocando, né, para a região,
01:42com a possibilidade, inclusive, de tentar uma iniciativa que nós chamamos de enterra, né,
01:53porque há a possibilidade de um ataque aí à chamada ilha iraniana de Karg, que é uma ilha estratégica.
01:59Do ponto de vista diplomático, a gente tem visto aí os esforços que o Oman, principalmente, vem fazendo, né,
02:05junto aos demais países, principalmente na Europa, né, Reino Unido, França, Alemanha, né, também o Japão nesse contexto,
02:13e a gente vê as chamadas medidas de contingência, ou seja, né, a tentativa de liberação de estoques reguladores,
02:20a Arábia Saudita adotando rotas alternativas, né, principalmente o oleoduto leste-oeste,
02:29que pode ligar os campos produtores da Arábia Saudita ao Mar Vermelho.
02:33Tudo isso está fazendo parte de um conjunto de ações internacionais, né,
02:37que estão sendo empreendidas junto com as tentativas, né, que os estados também fazem, né,
02:43diminuição de alíquotas, Espanha, Brasil e tantos outros países têm adotado esse caminho.
02:49Aos Estados Unidos, né, como a principal potência e um dos pivôs, né, deste conflito no contexto do Oriente Médio,
02:56evidentemente cabem as principais iniciativas, e a gente espera, Marcelo, Beatriz, né,
03:01que essas iniciativas tenham sempre um caráter mais diplomático do que bélico militar,
03:06porque a escalada desse conflito não vai beneficiar a ninguém, ao contrário, tenderá a prejudicar a todos.
03:13Professor, muito bom dia para o senhor também.
03:16A gente observa, né, com tudo isso que está acontecendo, o protagonismo do petróleo nesse controle do mercado global.
03:23E também alguns analistas já começam a apontar para a chance de recessão dos Estados Unidos.
03:29É um índice que varia entre 30% a 49%, quase metade aí, como se fosse um 50-50 de
03:34chance
03:34de vermos a economia americana entrar em recessão.
03:38Eu gostaria de saber da avaliação do senhor sobre esse assunto, se essa chance realmente está num grau elevado neste
03:44momento,
03:45e quais seriam os impactos disso para os países parceiros e também para aqueles que não negociam com os Estados
03:51Unidos.
03:53Olha, os Estados Unidos, se entrarem em crise, não será apenas em função do conflito no Oriente Médio.
03:59Na verdade, nós estamos assistindo, né, neste segundo governo Trump, a adoção de uma série de medidas,
04:06como os tarifassos, né, inclusive sobre o Brasil, que tem impactado muito duramente a economia norte-americana.
04:13Os Estados Unidos são a principal economia do mundo, são o país que consome tudo de todos,
04:20mas evidentemente que esse é um mercado que também tem as suas limitações.
04:24Muitas empresas americanas produzem no exterior, isso é absolutamente comum e natural em países com economia altamente desenvolvida,
04:33e muitas dessas empresas que produzem no exterior exportam, inclusive, para o mercado americano.
04:39Isso acontece principalmente na China, no Sudeste Asiático, mas em tantas outras partes do mundo,
04:44inclusive no Brasil, nós temos empresas americanas solidamente instaladas e que exportam para o próprio mercado americano.
04:52Por um outro lado, é claro que o conflito no Oriente Médio, ele também gera o seu impacto,
05:00nós chegamos a assistir aí ricos de petróleo na área, no campo de 119 reais o barril,
05:07isso é muito alto, claro que vai gerando efeitos deletérios sobre o conjunto das economias,
05:14e não é diferente sobre a economia norte-americana.
05:18O que é importante dizer é que, no caso dos Estados Unidos, muito especificamente,
05:24essa possibilidade real de uma recessão, ela está muito mais vinculada a um conjunto de medidas economicamente desastrosas
05:35que estão sendo adotadas pelo governo Trump ao longo deste mandato,
05:39do que especificamente em relação à crise no Oriente Médio.
05:44A crise no Oriente Médio é apenas uma agravante, até porque nós sabemos que os Estados Unidos
05:50não são extremamente dependentes do petróleo no Oriente Médio,
05:53porque é um país autossuficiente na produção do petróleo, principalmente pela utilização sistemática
05:59do chamado gás de xisto, cheio gás, enfim, que é capaz de suprir as demandas energéticas locais.
06:07No entanto, a economia é globalizada, existe uma interlocução global dos produtores, dos consumidores, enfim,
06:16e tudo aquilo que impacta negativamente a economia vai impactar negativamente também os Estados Unidos.
06:22Muito bem, recebemos o professor de Relações Internacionais, Lier Ferreira, conversando conosco.
06:28Professor, muito obrigado, um bom dia ao senhor.
06:31Marcelo, Beatriz, ao nosso público, muito obrigado pela oportunidade e até breve.
06:35Até breve.
06:36Até breve.
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