00:00Agora vamos aqui pra São Paulo, porque a Justiça do Trabalho recebeu no ano passado mais de 142 mil processos
00:09por assédio moral e sexual, adivinhem onde?
00:13No ambiente de trabalho. Lembra que eu comentei agora em Goiás a situação do assediador, do juiz dentro do ambiente
00:19de trabalho?
00:20Isso é muito mais comum do que você pode imaginar.
00:23A Júlia Fermino vai trazer agora, em tempo real, direto da capital, esses dados pra gente.
00:28Inclusive foram dados que aumentaram nesses últimos anos. Júlia, boa tarde, bem-vinda.
00:36Exatamente, Márcia. Boa tarde pra você, pra quem tá com a gente aqui em tempo real.
00:41Esse dado do Tribunal de Justiça do Trabalho mostra que em 2025, como você disse, foram 142 mil 828 novos
00:52casos, novos processos de assédio moral no trabalho.
00:55Um aumento de 22% quando a gente compara com o ano anterior, ano de 2024.
01:01Em relação aos casos de assédio sexual no mesmo ambiente, foram 12 mil 813 notificações, novas ações trabalhistas desse sentido,
01:11o aumento ainda maior.
01:1240% em relação ao ano de 2024.
01:17Pro ministro, né, Agram Belmonte, do Superior Tribunal, Tribunal Superior do Trabalho, esse aumento, ele pode ser justificado justamente pela
01:26conscientização maior da população em relação a esse assunto,
01:30em relação a esse tema, de fato, de assédio no ambiente de trabalho.
01:35Os dados também indicam maior busca por reparação em relação a esses assuntos, né, judicial, reparação judicial, diante dessas condutas
01:44abusivas no local de trabalho.
01:46E aí, nesse sentido, a Justiça do Trabalho também lançou uma cartilha justamente pra explicar e pra que a pessoa,
01:53a população possa estar mais consciente em relação a isso
01:56e possa buscar aí maiores ajudas, né, e, enfim, buscar fazer até uma denúncia.
02:02O assédio sexual, então, é de acordo com essa cartilha, qualquer comportamento de cunho sexual sem consentimento,
02:08seja palavra, gesto ou, então, contato físico.
02:11E o assédio moral acontece quando alguém humilha, constrange, discrimina, isola ou sobrecarrega outra pessoa no trabalho,
02:18seja entre chefes, colegas, subordinados ou até o público.
02:22Em 2025, foram julgados, então, nesse sentido, 141.955 processos desse tipo assédio moral.
02:31Volto com você.
02:32Obrigada, Júlia Fermino, pelas suas informações.
02:35Vamos chamar as nossas analistas do dia hoje, que, inclusive, são duas mulheres incríveis.
02:40Mônica Rosenberg e Beatriz Riz.
02:44Estava com saudade dessa dupla aqui comigo, hein, em tempo real.
02:47Vou começar pela Bia.
02:49Bia, eu acho que eu posso testemunhar que 99,9% das mulheres já sofreram algum tipo de assédio ou
02:56sexual ou moral no trabalho.
02:57Assim, é quase que unânime.
03:00Bem-vinda.
03:00Oi, Márcia.
03:01Boa tarde.
03:02Boa tarde à nossa audiência.
03:03É um prazer estar aqui com vocês.
03:05E eu estava comentando isso com a Mônica enquanto a gente ouvia a Júlia falar.
03:09Eu falei que eu não conheço nenhuma mulher que seja ativa no mercado de trabalho,
03:13que não tenha passado por uma situação de assédio, que não tenha passado por uma situação de desrespeito, seja ele
03:20moral ou sexual.
03:22Eu acho que a nós que estamos aqui, que temos voz, cabe sempre ressaltar que as mulheres são dignas de
03:28todos os direitos e que merecem todo o respeito durante a produção das suas atividades profissionais.
03:35Não cabe a qualquer pessoa que seja menosprezar o papel que uma mulher está exercendo ou achar que ela está
03:43mais vulnerável por estar praticando atividades profissionais apenas pelo fato de elas serem mulheres.
03:49Nós merecemos e exigimos respeito e já se adentrando um pouquinho aos outros assuntos que eu sei que a gente
03:55ainda vai comentar,
03:56mas é muito importante que além da educação das pessoas no ambiente de trabalho, haja uma punição severa para que
04:02isso não se repita e de forma alguma seja aceito pela nossa sociedade.
04:08Zé, Mônica Rosenberg, o que está faltando realmente? A gente tem essa sensação de impunidade e ela é real?
04:14Ela é real?
04:44Isso é uma questão que um desembargador acha que pode assediar, pode ter esses comportamentos inadmissíveis e nós estamos começando
04:54a dizer não, não pode.
04:56Certamente o caso dele não é o primeiro, mas ele estava autorizando um estupro presumido numa menina de 12 anos
05:03dizendo que ela tinha vida marital e muita gente achava isso normal.
05:07Ele inclusive não teve vergonha de escrever isso no seu voto e foi obrigado por pressão da sociedade a voltar
05:12atrás, a mudar o seu voto e agora foi afastado e, como vocês dois já disseram, que ele seja sim
05:18punido.
05:19Então, essa mudança cultural que está começando a haver, essa explosão de feminicídio que é a reação do sistema e
05:25a sociedade dizendo inaceitável, inaceitável, inaceitável, é a mudança que precisa acontecer.
05:30A solução do gravíssimo feminicídio desses assédios todos não é só a punição e atenção, não é que não tem
05:37que ter, mas é uma mudança cultural, é uma mudança de paradigma de que homem que toca um dedo para
05:43fazer qualquer tipo de violência na mulher é um monstro e tem que sofrer repúdio social em todos os sentidos
05:49possíveis.
05:50Obrigada Ana, obrigada Mônica.
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