00:00Seguindo aqui com os nossos destaques de hoje, olha só, o Ministério da Fazenda estima uma arrecadação adicional de 14
00:07bilhões de reais neste ano com a elevação do imposto de importação sobre mais de mil produtos.
00:14A medida adotada no início de novembro tem como objetivo reforçar a proteção à indústria nacional.
00:21E para comentar o assunto e também as expectativas, vamos conversar agora com o Rafael Coracini, que tem os detalhes
00:27para a gente desse anúncio do governo.
00:30Rafael, muito bom dia para você.
00:34Oi, Soraya, bom dia para você e para quem nos acompanha.
00:37Olha, entre os itens que deve sofrer aumento de tarifas está o smartphone.
00:43O Brasil não produz smartphones de maneira assim em escala e por isso o consumidor final pode ser diretamente atingido.
00:53Além disso e principalmente, os bens de capital devem sofrer elevação de tarifas nos próximos meses.
01:01A decisão do governo de elevar as tarifas tem como finalidade alcançar uma taxa de até 7,2 pontos percentuais
01:11de aumento de impostos para produtos importados dentro dessa lista de cerca de mil produtos.
01:19Isso deve gerar uma arrecadação extra de 14 bilhões e isso ajudará o governo a cumprir a meta fiscal para
01:262026.
01:27Pelo menos essa é a projeção do governo atual.
01:32Mas segundo o governo ainda, a ideia principal dessa medida é incrementar a indústria nacional que vem sofrendo, principalmente no
01:43que diz respeito à produção de bens de alto valor agregado.
01:46A gente teve recentemente o crescimento da indústria nacional, mas ainda muito pequeno e centrado principalmente em bens de menor
01:57valor agregado.
01:58Agora a ideia é proteger um pouquinho a indústria nesse segmento, indo em compasso com o que tem sido registrado
02:07no mundo de elevação de tarifas para produtos importados.
02:11O governo tem algumas alegações para fazer esse aumento de impostos e o Ministério da Fazenda informou em uma nota
02:18técnica que a escalada das importações de bens de capital e de informática mostrou crescimento acumulado de mais de 33
02:27% no Brasil em dezembro de 2025.
02:31E o argumento diz ainda que 45% dos produtos usados na indústria brasileira vem de fora, são produtos importados
02:45e isso está em níveis que ameaçam colapsar elos da cadeia produtiva e provocar regressões produtivas e tecnológicas do país.
02:55Essa é a alegação do Ministério da Fazenda. A ideia então é reverter essa situação e reduzir o número de
03:03produtos importados ao longo de toda a cadeia.
03:06O Ministério da Fazenda avaliou ainda que a medida é moderada e focalizada em reequilibrar preços relativos e mitigar a
03:16concorrência assimétrica com relação a produtos importados.
03:21A medida, segundo o governo, se alinha internacionalmente com o que vem sendo propagado por grandes nações e outras grandes
03:30economias também, economias ascendentes.
03:32O Ministério da Fazenda esclareceu ainda que no ano passado as principais origens de produtos importados contemplam Estados Unidos, em
03:44primeiro lugar, com 10,1 bilhões de dólares em importação de produtos de alto valor agregado
03:51e 34,7% de participação. Em seguida, vem a China com 6,1 bilhões de dólares, 21% do
04:01que o Brasil vem importando nesse segmento.
04:04E apesar do aumento das tarifas, o governo abriu uma porta para pedidos de redução temporária da alíquota para zero.
04:13E isso poderá ser pedido até 31 de março para produtos anteriormente beneficiados.
04:20Então, existe essa janela. O governo se protege dizendo que a inflação não será afetada porque haverá substituição de produtos,
04:30com preferência para os produtos nacionais.
04:33Entre os produtos afetados estão os já citados smartphones, mas também reatores nucleares, motores para aviação, fornos industriais, congeladores,
04:45além de transatlânticos, plataformas de perfuração e exploração e aparelhos de ressonância magnética e mesmo aparelhos dentários.
04:55Essa é uma lista reduzida dos produtos que devem sofrer esse aumento de tarifa, Soraya.
05:02Basicamente, equipamentos industriais e itens também de tecnologia.
05:07Obrigada, Rafael, pelas suas informações.
05:10A gente segue repercutindo, portanto, essa nova mudança, esse anúncio dos impostos de importação para mais de mil produtos importados.
05:18Qual o temor do governo, Mari?
05:21Porque a gente entende que, tá, esses produtos estão chegando mais barato aqui no Brasil.
05:26E assim, a indústria nacional perde espaço, então eles vêm aumentando esses impostos para ter essa arrecadação maior.
05:34Mas tem, claro, esse viés político também, esse ano de eleição, que o governo não quer falar em cortes, né?
05:42Ah, tem um efeito sobre arrecadação, que acaba sendo um fator que nunca deixa triste o governo, né?
05:49Porque ajuda a fechar.
05:50Mas, Soraya, o argumento em todo, quando você, inclusive, repercute aqui bem, de maneira bem sintética.
05:57Olha isso, então é para poder favorecer a indústria nacional, então você vai aumentar.
06:01Ele não é lá muito distinto do que a tese toda, por exemplo, de Donald Trump, né?
06:05Falando, olha só, os produtos estão chegando mais baratos demais, as outras nações estão nos explorando.
06:10Por isso, vamos colocar imposto de importação.
06:13O comércio e a noção entre abertura e fechamento comercial, ela, nos seus extremos, ela tem explicações muito concretas.
06:21Quem defende, em tese, essa é a principal, né?
06:25A abertura, menos tarifas, entende que você pode se aproveitar mais das produtividades e da capacidade de maior eficiência do
06:34mundo,
06:34se você não colocar tarifas.
06:35Você importa aquilo que fizerem melhor lá fora e exporta o que você fizer de melhor.
06:40E isso equilibra.
06:41Do outro lado, tem uma visão de maior fechamento, de uma tentativa de...
06:46Não, a gente precisa ter estímulos internos.
06:48A gente fecha bastante e estimula para depois poder concorrer.
06:51O que acontece?
06:52O mundo está fechando em várias medidas.
06:54Então, o preço que está chegando não é um preço de concorrência padrão.
06:58O que está batendo aqui na porta?
06:59Donald Trump colocou as importações, as tarifas lá, caíram agora,
07:03mas colocou anteriormente significativas.
07:07Muitos países, para sustentar a produção que já tinham acontecido,
07:10e eu estou falando muito da China, baixam preços porque a produção está lá,
07:14os Estados Unidos já não incorporam tanto quanto antes.
07:17Vale a pena esticar essa corda e trazer, colocar em países como o Brasil, preços ainda mais baratos.
07:23Então, tem um efeito de distorção da competitividade.
07:27Então, essa alternativa do comércio mais livre com baixas tarifas,
07:30quando alguém começa a bagunçar o caldo, já que era para a gente concorrer eficiência contra eficiência,
07:37mas o véu do protecionismo já está posto, aí ele desanda por esse sistema como um todo,
07:43onde daí fica, de fato, desleal.
07:45Chegam aqui produtos exageradamente mais baratos,
07:48e aí a capacidade de adaptação interna fica muito complicada,
07:52e o governo acaba lançando mão dessas tarifas de importação.
07:55Tem que ser visto, é um movimento que eu veria mais como defensivo na guerra comercial
08:00do que propriamente, por exemplo, no campo fiscal.
08:03Embora, é claro, está ali como alternativa, mas ele sustenta menos no fiscal,
08:07é mais uma defesa no campo comercial.
08:09Importante a gente ficar muito atento, até quando, como, para quê?
08:13Para não fechar, de alguma maneira, a economia e ter incentivos perversos
08:17do ponto de vista da proteção, às vezes, de uma certa, que pode vir uma certa ineficiência,
08:23não é o caso, mas a nossa indústria precisa crescer?
08:25Precisa, mas com base também em concorrência e em ganhos possíveis
08:29para que tenha inovação, para que gere riqueza, para que gere bons empregos,
08:32enfim, que tenha uma indústria forte no país.
Comentários