Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O professor da PUC de São Paulo e especialista em tecnologia, Diogo Cortiz, analisa o aumento das tarifas de importação para produtos como smartphones e computadores no Brasil. Em entrevista ao Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, o especialista questiona a viabilidade técnica de fomentar a produção local sem uma política industrial de longo prazo, alertando para o risco de a medida atuar apenas como uma barreira de acesso à tecnologia para a população.

Cortiz também discute o impacto do cenário de incertezas e tarifas globais imposto pela gestão de Donald Trump, destacando como a volatilidade afeta cadeias produtivas globais, como a da Apple, e a infraestrutura de inteligência artificial.

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasilCNBC

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00O governo aumentou a tarifa de importação de produtos como smartphones e computadores.
00:05O objetivo é proteger a indústria nacional, mas obviamente isso também vai engordar os cofres públicos.
00:11A gente vai falar a respeito com o Diogo Cortis, que é professor da PUC de São Paulo e especialista
00:16em tecnologia.
00:18Seja bem-vindo, Diogo. Diogo, desculpe.
00:22Obrigado, é um prazer estar de volta aqui com vocês.
00:25Bom, professor, faz sentido a gente falar em proteger a indústria nacional?
00:30Essa decisão pode aumentar de fato a produção de eletrônicos no Brasil?
00:34Em outras palavras, a gente tem viabilidade técnica e financeira para isso hoje?
00:40Bom, vamos lá. Acho que é importante a gente esclarecer o patamar que nós estamos hoje no Brasil.
00:45Então, quando a gente compara todo esse processo de produção, de toda essa cadeia de novas tecnologias,
00:54o Brasil costuma ficar mais ou menos na última milha, ou seja, mais na parte de montagem.
01:02Porque quando a gente fala de um produto de tecnologia, são muitas partes e é uma cadeia bastante complexa.
01:08Então, por exemplo, se a gente pensar nos processadores, o Brasil não produz aqui.
01:13Então, isso é importado também.
01:15Então, o Brasil, ele tem, vamos dizer assim, um poder de produção mais relacionado a essa espécie de uma montagem
01:24final do produto.
01:25Então, com essa estratégia, o governo quer atrair de novo essa manufatura para dentro das fronteiras.
01:34É mais ou menos um paralelo com o que os Estados Unidos também vêm tentando fazer.
01:38Então, o Donald Trump, quando ele coloca as tarifas, é muito para levar a produção.
01:42E, no caso de smartphones, o próprio Trump ameaçou diretamente a Apple, isso no ano passado, com tarifas de 25%.
01:51Falando, ó, você tem que produzir aqui dentro dos Estados Unidos.
01:54E mesmo os Estados Unidos, sendo essa potência, tem uma dificuldade muito grande, porque não é só necessariamente o custo,
02:04né?
02:04Ah, os americanos, a mão de obra americana dentro dos Estados Unidos é mais cara.
02:08Não, também é uma mão de obra mais especializada.
02:11Então, a gente precisa equalizar isso, pensando no cenário Brasil, que tipo de smartphone que a gente quer produzir aqui
02:20dentro e qual que seria a capacidade.
02:22Então, muitas vezes, esses tipos de tarifas, né?
02:28Pensando em promover, impulsionar a inovação local, acaba criando, na verdade, uma barreira de acesso, muitas vezes, para uma população
02:39carente.
02:40Então, a gente tem que analisar com muito cuidado e tentar entender melhor quais seriam essas indústrias que estariam dispostas
02:49a fazer esse investimento no Brasil.
02:51Hoje, eu confesso que eu fui pego um pouco de surpresa, assim, eu não esperava uma tarifa dessa magnitude dentro
02:58do Brasil, pensando na fabricação de smartphones.
03:01Embora tenha algumas fábricas que fazem a produção aqui dentro do Brasil, né?
03:05É, muita gente fica com aquela desconfiança se o objetivo real de uma medida como essa não é meramente arrecadatório.
03:12Agora, se a gente acreditar nas boas intenções do governo, isso que você falou é muito interessante, né?
03:17Primeiro que não dá para você atrair uma indústria da noite para o dia, uma indústria tão específica como essa,
03:23para fazer em larga escala aqui produtos no Brasil.
03:26Segundo, é que, historicamente também, quando você protege demais um setor, ele se acomoda um pouco, né?
03:32Ele deixa até de tentar inovar mais, de ser mais competitivo, porque ele tem a tarifa ali garantindo o mercado
03:38para ele.
03:40Exato. Então, assim, é esse ponto que a gente precisa equalizar muito bem na hora que a gente está pensando
03:45numa política de desenvolvimento industrial,
03:49uma política de inovação, pensando até nessas práticas protecionistas.
03:53Então, e é exatamente esse ponto que a gente tem que equalizar muito bem.
03:58Então, o Brasil, ele, hoje, né, olhando para o cenário brasileiro, a gente tem o potencial para atrair, de fato,
04:05indústrias para fazer manufatura de eletrônicos no Brasil.
04:10A gente tem esse potencial.
04:12Só que não adianta colocar uma tarifa se hoje não temos uma política de desenvolvimento industrial.
04:19Então, esse é o principal ponto que chama atenção.
04:22O Brasil, ele, né, coloca uma barreira de acesso à tecnologia, mas, ao mesmo tempo, a gente não tem claro
04:29qual que será esse desenho, essa política mesmo de incentivo à inovação.
04:37Então, uma coisa tem que caminhar junto com a outra, né?
04:39Então, mesmo nos Estados Unidos, eu faço esse comparativo com os Estados Unidos, porque é a maior potência e o
04:45Donald Trump está tentando fazer algo parecido,
04:48mas também sofre, porque é uma política de longo prazo, né, não é nem de curto nem de médio prazo.
04:55Mesmo nos Estados Unidos, ele não vai conseguir atrair uma fábrica da Apple em dois, três anos.
05:01Isso é inviável, tanto pela mão de obra quanto pelo custo.
05:04É a mesma coisa no Brasil.
05:06Então, colocar uma tarifa sem ter associado uma política industrial efetiva com parceiros que já estejam dispostos a investir no
05:15Brasil,
05:16é um risco muito grande.
05:18Então, isso acaba sendo, eu vejo, né, com um caminho muito mais arrecadatório
05:23e que acaba trazendo consequências, principalmente quando a gente está falando de imposto para smartphone,
05:29para a população mais pobre do Brasil.
05:32Então, de fato, é esse desafio enorme que a gente tem.
05:36Agora, eu queria falar um pouco com você sobre esse novo panorama de tarifas aí dos Estados Unidos.
05:40Muitas tarifas caíram, agora tem uma tarifa única por alguns meses aí de 15%.
05:46E isso mexe de que maneira com o mercado internacional de tecnologia?
05:51Porque, por exemplo, a gente sabe que o Trump deixou tarifa zero para importar alguns tipos de eletrônicos, né, celular,
05:57por exemplo.
05:58Por outro lado, ele tinha feito um arcabouço ali para tirar um pouco da China a dependência ali de microprocessadores
06:08e coisas desse tipo.
06:09Esse novo rearranjo aí, ele muda muito do jogo internacional?
06:14Ele muda um pouco, muito mais do ponto de vista da imprevisibilidade.
06:19E acho que esse é o ponto, né?
06:21Acho que também o analista anterior tocou muito nessa questão da imprevisibilidade e para o setor de tecnologia não é
06:27diferente.
06:28Então, logo após a decisão da Suprema Corte, as ações das empresas de tecnologia americana, elas responderam positivamente.
06:35Então, elas se valorizaram, mas logo em seguida o mercado entrou numa volatilidade muito grande.
06:43Porque o Trump colocou de novo uma tarifa, né, de agora de 15%, que é válida por seis meses, mas
06:49pode ser renovada por mais seis meses.
06:51Mas o fato é que isso traz uma imprevisibilidade grande.
06:54Porque muitas das empresas de tecnologia dos Estados Unidos, elas dependem ou de uma produção fora do país, como é
07:03o caso da Apple, por exemplo, ou de componentes que são importados.
07:07Então, vamos pensar as empresas de inteligência artificial que estão fazendo esses grandes e imensos data centers de investimento.
07:17Só algumas empresas de tecnologia, as quatro principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos, elas prometem um investimento, esse ano,
07:26de 650 bilhões de dólares.
07:29Então, é um montante, assim, muito grande.
07:32E isso demanda toda uma infraestrutura que boa parte é importada.
07:35Então, os semicondutores, quase 90% do que os Estados Unidos consome é importado.
07:40Então, isso balança um pouco o mercado porque traz muita incerteza.
07:45As empresas não sabem.
07:46O que eu faço agora?
07:47Eu vou pegar o exemplo da Apple, por exemplo, que no ano passado, ela, por conta dessa guerra tarifária, especialmente
07:56com a China,
07:57ela moveu uma parte da sua produção para a Índia.
08:00Então, hoje, 50% dos iPhones que são vendidos nos Estados Unidos, o iPhone 17, inclusive, comprei um recentemente e
08:09veio, made in India.
08:11Ou seja, eles já diversificaram isso por conta das tarifas.
08:15Então, a Índia tinha conseguido uma negociação, estava com uma tarifa menor.
08:18Isso aliviou um pouco para a Apple, embora as tarifas ali custou para a Apple algo em torno de 1
08:26bilhão de dólares por trimestre.
08:29E isso traz uma certa imprevisibilidade agora, porque não está claro quais são os produtos ou a nomenclatura de cada
08:37item ali
08:38que vai estar isento de tarifas, nem quanto tempo essa tarifa vai durar.
08:44Se vai durar, se vai vir alguma outra coisa no lugar.
08:47Então, o mercado está super ansioso em relação a tudo isso.
08:51E a China, nesse sentido, ela ganha um poder de barganha com os Estados Unidos
08:56de tentar aproximar ali, tentando tirar alguns controles de exportação
09:03para algumas tecnologias específicas que os Estados Unidos tinham colocado.
09:06Então, o Donald Trump vai visitar a China em breve, em algumas semanas, e esse é um ponto de discussão.
09:14Mas o cenário hoje, mesmo para o setor de tecnologia, é de total imprevisibilidade.
09:21Diogo Cortes, professor da PUC-SP, especialista em tecnologia, muito obrigado pela sua participação.
09:28Obrigado e até mais.
09:30Até.
09:31Tchau.
09:31Tchau.
09:31Tchau.
Comentários

Recomendado