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O agronegócio brasileiro chega a 2026 sob a pressão de novas regulações internacionais e a oportunidade histórica da economia verde. Após a COP30, a sustentabilidade deixou de ser um acessório para se tornar a "licença para operar" em mercados estratégicos, como a União Europeia. Em entrevista ao Radar, Otávio Lopes, líder de agro da EY América Latina, detalha os dados do estudo Impact Edge e como o setor pode capturar valor em um cenário de juros elevados.

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Transcrição
00:00Depois da COP30, o agro brasileiro ficou ainda mais no centro do debate sobre economia de baixo carbono.
00:08A questão agora é como transformar sustentabilidade e responsabilidade social em valor,
00:15sem perder competitividade e acesso a mercados lá fora.
00:18Para falar dos dados do estudo Impact Edge da UI e os impactos para o setor,
00:24eu vou conversar agora com Otávio Lopes, líder de agro da UI na América Latina.
00:29Oi, Otávio, que prazer recebê-lo aqui conosco no Radar. Tudo bem contigo?
00:33Boa tarde, Eric. Tudo bem? Tudo ótimo.
00:35E bom. Otávio, eu já ouvi de alguns analistas do mercado agro, também do setor, que 2026 pode ser bem desafiador.
00:43A gente viu alguns problemas em 2025 e eu queria que você trouxesse esse olhar para a gente,
00:49de como o agronegócio brasileiro vem se preparando para essa economia verde também,
00:54com esses desafios que são impostos para o setor.
00:56Ótimo. Então, Eric, com certeza vai ser um ano desafiador e um ano de muita oportunidade.
01:04Esses desafios se traduzem sob uma perspectiva positiva em oportunidades para o agronegócio.
01:10A gente vê um cenário, a continuidade do cenário geopolítico no radar, muita tensão.
01:18A gente tem, além da tensão que a gente teve tarifária com os Estados Unidos,
01:23a gente tem a tensão de um grande comprador do agronegócio brasileiro, que é a China,
01:28sinalizando que ela vai colocar cap em muitas das compras.
01:33E, ao mesmo tempo, a gente tem novas economias surgindo.
01:38O mercado de carbono foi amplamente discutido durante a COP e ele vai ser um novo modelo de receita para os agentes do agronegócio.
01:51A combinação desses fatores vem trazendo otimismo.
01:57O custo de capital está muito alto, a geopolítica está presente.
02:01Selic 15%, né?
02:03Exatamente.
02:04Então, a gente acabou de falar, eu estava te acompanhando e tem toda a entrada de capital no Brasil por conta do que está...
02:10Então, a gente vê que é o momento para essas empresas aprenderem a priorizar aonde investir
02:17para ganhar competitividade em mercados internacionais, licença para operar.
02:23A gente está falando em licença para operar.
02:25A gente não está falando mais em algo que é acessório.
02:28Para você operar, por exemplo, a gente acaba de ter a assinatura do acordo com a União Europeia,
02:35esse acordo vai trazer regulações.
02:38E se a gente não tiver apto a estar compliance com essas regulações,
02:43a gente vai perder oportunidades que estão nesse acordo.
02:47A UDA, que a gente vem falando, ela foi postergada.
02:50Ela também é um mecanismo que vem trazer uma dificuldade para o agronegócio brasileiro pelo seguinte aspecto.
03:02Quando a gente fala em se preparar sobre a ótica brasileira, a gente ainda tem muita simetria.
03:09O agronegócio brasileiro tem uma divisão ainda, uma distribuição de pequenos, médios e grandes produtores.
03:16Os pequenos e médios estão ainda demorando a se adequar a tudo isso.
03:23Então, a gente tem um trabalho muito grande de adequação, que é a oportunidade que a gente vai surfar
03:28para premiumizar e para vender para esses mercados.
03:31Agora, Otávio, quais são os principais frentes que o agronegócio brasileiro vem atacando
03:36e como estamos nos posicionando ou como estamos posicionados?
03:41Tem até uma arte aqui que a gente pode ver.
03:45Ah, que legal para a gente mostrar.
03:48A gente tem aqui essas sete frentes que estão super alinhadas com os mecanismos da UDS,
03:55o mecanismo de desenvolvimento sustentável.
03:57Então, se eu pudesse agrupar essas sete frentes,
04:04eu diria que a gente está olhando por preservar, por manter as fronteiras agrícolas controladas,
04:10ou seja, desmatamento zero e a gente acaba...
04:14Rastreabilidade e conservação.
04:16Eu queria até colocar para você analisar, porque nesse acordo com a União Europeia,
04:20principalmente a carne brasileira, eles exigem muito.
04:23E hoje a gente tem as empresas preparadas com rastreabilidade,
04:27onde o boi passa, onde eles são criados.
04:30Acho que vai muito ao encontro disso também.
04:31Com certeza, com certeza. A gente precisa, e Eric, esse é um ponto muito importante,
04:38o Brasil faz o dever de casa.
04:40A gente já discutiu anteriormente isso, a gente falha em mostrar o que a gente vem fazendo.
04:47E os mecanismos de rastreabilidade, a tecnologia que hoje vai suportar a rastreabilidade,
04:53por satélite, por sensores que vão estar espalhados pelo campo,
04:57vai ajudar a gente a mostrar tudo isso.
05:00Então, conter fronteiras agrícolas, mostrar que a gente está respeitando o zoneamento
05:07e as áreas de preservação, é um capítulo.
05:10E a maioria dos outros aqui fazem parte de um conjunto de iniciativas de boas práticas agrícolas.
05:17Então, a gente tem a parte de uso responsável, de insumos e uma majoração do uso de biotecnologia.
05:25A gente quer ver que essa combinação tende muito mais a agredir menos o ambiente,
05:33os lençóis de água, o uso eficiente de água.
05:37O Brasil, a gente está em berço esplêndido.
05:41A gente tem clima, a gente tem água, a gente tem solo,
05:45mas a gente tem que fazer o uso consciente da água
05:48para que a gente continue nessa perpetuidade dessa bonança que a gente tem.
05:52E aqui eu digo manejo de solo, a gente tem um potencial enorme em recuperar áreas degradadas
06:03e também preservar os solos para que eles tenham longevidade para as atividades agrícolas.
06:14Esse conjunto de atividades de preservação das áreas e manejo consciente agropecuário
06:23é o que a gente vem fazendo e a gente precisa agora quantificar e mostrar.
06:28Mostrar.
06:29Aí dá cada vez mais credibilidade para a nossa imagem do agronegócio.
06:33Exato.
06:33Já é considerado um dos melhores do mundo.
06:37Haja vista, somos os maiores exportadores de soja, de milho com certeza,
06:41carne, então, nem se fala, com tudo isso que você está mostrando,
06:45a gente voa, não para de crescer o agro.
06:48Agora, Otávio, essas iniciativas, elas carecem de investimentos
06:51e em um contexto de alto custo de capital,
06:55os participantes das cadeias agrícolas, elas, vamos dizer assim,
06:58precisam entender e priorizar iniciativas com base no retorno potencial.
07:03Como que a metodologia, essa aqui do estudo, a Impact Edge, ajuda nesse sentido?
07:10Ótimo.
07:11É, Eric, o Impact Edge, ele ajuda as empresas a entenderem
07:19como as iniciativas se linkam com objetivos mensuráveis.
07:24Vou pegar alguns exemplos aqui, né?
07:26Quando a gente fala em eficiência energética e fontes renováveis, né?
07:31E aí eu falo de, por exemplo, eletrificação de frota.
07:35E eu sei que, por exemplo, um mercado, ele quer saber qual é o footprint do produto
07:40que chega no porto de origem.
07:43Eu tenho que linkar isso, não só com a minha licença de operar lá naquela,
07:48nesse negócio, nesse deal de exportação que eu tenho,
07:52quantificando a redução de emissões.
07:53Então, eu linko as sete frentes que a gente falou com as iniciativas que vão estar ligadas a ela
08:02a objetivos e KPIs que sejam mensuráveis.
08:07Isso vai dar para os agentes a oportunidade de avaliar aonde investir, aonde investir e como mostrar isso, né?
08:18Como você falou, custo capital alto.
08:21Como é que isso se paga?
08:22Isso se paga pela bonificação da premionização disso?
08:27Isso se paga porque eu estou tendo acesso a um mercado que agora está regulado
08:32e tem uma barreira não tarifária?
08:34Então, eu preciso quantificar isso e trazer dentro desse modelo.
08:38Isso é o Impact Edge e a gente vai ajudar as empresas a entender como investir
08:43em sustentabilidade e capturar benefícios,
08:46sejam eles via ROE, sejam eles via licença para operar.
08:50Óbvio, você em casa aí, ó, o empresário do agronegócio escuta o que o Otávio Lopes está fazendo,
08:55falando, esse é o caminho certo.
08:58Agora, Otávio, o estudo UI Impact Edge cita um potencial de 34 bilhões, né,
09:03de reais injetados na economia nacional a partir de ações sustentáveis, né,
09:08no setor de infraestrutura.
09:10Como esse impacto transborda para as regiões onde o agronegócio é o motor principal?
09:17Muito bom.
09:17E tem mais uma arte aqui para falar, né?
09:22Eu vou quebrar também em dois...
09:25Primeiro eu vou falar do crescimento no setor.
09:28Quando a gente fala de 25% de crescimento só no setor,
09:33a gente está falando de todos os atores que rodam nesse setor.
09:36A gente tem máquina, a gente tem infraestrutura,
09:38a gente tem uma série de atores envolvidos dentro do setor de agronegócio
09:42e isso dá uma projeção de 25% de crescimento,
09:45que é maior do que o crescimento agregado dos últimos sete anos.
09:50Fantástico.
09:51É muito grande isso, né?
09:54E quando a gente olha a economia como um todo, né,
09:58porque isso transborda o setor,
10:02a gente tem de ativação na economia como um todo,
10:05247 bilhões, que aumenta a arrecadação tributária em 112 bilhões
10:11e gera 2,1 milhões de empregos.
10:15Então, como o agronegócio é uma fatia muito importante do PIB,
10:20esse crescimento transborda e gera esse cascateamento de espiral positiva
10:26na economia brasileira.
10:28E os indicadores socioambientais, né?
10:31A gente vem falar de economia de água.
10:34Já vem também, enquanto que a gente está falando aqui,
10:37uso consciente da água, aí você consegue economizar.
10:39Exatamente, né?
10:40Então, a economia de água é bastante significativa.
10:46Energia, a gente vem visto a competição cada vez mais por energia.
10:52Você acabou de noticiar a questão dos data centers nos Estados Unidos
10:58e o potencial apagão que isso pode causar.
11:01O agronegócio aqui fazendo o papel dele em salvar a energia.
11:06E um item muito interessante,
11:08que se a gente for olhar pela superfície a gente não enxerga,
11:12o número de internações que podem ser evitadas.
11:15E tem custo, né?
11:16Muito custo.
11:17Custo do Estado, custo desses municípios onde o agronegócio está presente.
11:21Então, por exemplo, quando a gente falou em utilização responsável de insumos agrícolas,
11:25insumos agrícolas, esse é um item que vai impactar aqui.
11:29Ah, interessantíssimo, muito.
11:31Então, a gente concatena esses impactos e a gente vê que isso gera os 34 bi que a gente conversou aqui.
11:40E não é à toa que, de algum tempo para cá, o PIB é o agro que sustenta o PIB brasileiro
11:47ou tem um potencial muito grande para o PIB brasileiro,
11:52que segura ali forte o crescimento.
11:55Ainda mais quando não é um ano bom, o agro entra e ajuda.
11:59Exatamente, Eric.
12:01E além da questão de alimentar o mundo, a gente vê a nova economia de carbono surgindo,
12:09que vai aumentar mais ainda a participação do agronegócio no PIB brasileiro.
12:14Legal.
12:15Otávio Lopes, sempre bom tê-lo aqui conosco.
12:17Um grande abraço para você e um excelente final de semana.
12:20Obrigado, Eric.
12:20Boa tarde.
12:21Obrigado.
12:21Tchau, tchau.
12:22E agora a gente vai voltar a falar sobre o mercado financeiro, a Bolsa.
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