00:00Após o anúncio, então, da tarifa global de 15% dos Estados Unidos, o presidente Lula disse que pretende discutir
00:07com Donald Trump o papel dos Estados Unidos na América do Sul.
00:11Na última entrevista na Índia, onde esteve neste fim de semana, para fechar acordos comerciais, Lula também pediu tratamento igualitário
00:19aos Estados Unidos em relação a outros países.
00:23Vamos ouvir o que ele disse.
00:24A gente não tem armas nucleares. A gente quer viver tranquilo. A gente só quer crescer economicamente, gerar emprego e
00:33melhorar a vida do povo.
00:36E eu quero discutir com ele isso. Qual é o papel dos Estados Unidos na América do Sul? Qual é
00:42o papel deles?
00:44É de ajudar, sabe? Ou de ficar ameaçando? Agora está ameaçando o Irã.
00:52Ou seja, é preciso colocar um paradeiro nisso.
00:56Nós não queremos ter preferência por nenhum país.
00:59Nós queremos ter relações iguais com todos os países.
01:03Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles um tratamento também igualitário com os outros países.
01:13Seguimos ainda no tema, porque o assunto também é destaque lá no nosso site.
01:18Brasil pode ser o maior beneficiado por nova tarifa global de Trump.
01:23A nova tarifa global de 15% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos pode acabar favorecendo países frequentemente criticados por
01:32ele,
01:32como é o caso do Brasil e também da China, segundo análises do Financial Times.
01:37Um levantamento do Global Trade Alert indica que a tarifa reduz a carga média para o Brasil e China em
01:4413,6 e 7,1 pontos percentuais, respectivamente.
01:50Já aliados históricos dos Estados Unidos, como o Reino Unido e a União Europeia, tendem a ser mais afetados pelo
01:56novo regime.
01:57A medida terá validade de 150 dias e pode ser seguida por novas tarifas, com base em investigações comerciais, mantendo
02:06a incerteza no cenário global.
02:08Para você conferir a análise completa, é só acessar o nosso site, que é o www.timesbrasil.com.br.
02:15Vamos seguir aqui repercutindo com a Maria Almeida, o que a gente falava há pouco, né?
02:19Esses estudos que vêm trazendo um pouco dessas perspectivas otimistas agora.
02:25Brasil e China encabeçando aí a lista de países que estão sendo beneficiados ainda mais com essas tarifas novas, né?
02:34É, só reforçando, né?
02:36O que essas tarifas novas têm de diferente das anteriores que o jogo virou, né?
02:41É, para ficar positiva, assim, então...
02:43São gerais.
02:44O fato de você usar uma ferramenta que coloca de maneira transversal aí para o conjunto dos países o mesmo
02:49patamar,
02:50altera o sentido da forma como Donald Trump vinha fazendo a negociação.
02:55E é o que o próprio Gerardo Alckmin disse, né?
02:57Não altera a competitividade, deixa todo mundo no mesmo patamar, porque as tarifas são iguais para todos os países.
03:05Exato, assim, a gente, do ponto de vista das estruturas de produção, né?
03:11É, todo mundo, todos os países acabam chegando nos Estados Unidos competindo com as suas estruturas e todo mundo ganha
03:17um sobrepreço.
03:18Mas é o mesmo sobrepreço.
03:19E é o oposto do que vinha fazendo Donald Trump antes, porque anteriormente que tínhamos acordos bilaterais, caso a caso,
03:26onde quem era mais próximo, quem abriu mais as suas possibilidades de investimento nos Estados Unidos,
03:32quem tem algum tipo de alinhamento mais forte ideológico, tinha tarifas mais baixas.
03:36E com isso, a negociação, o que eu falei, a mesa de negociação, ela chegava no limite, no interesse de
03:43baixar as suas tarifas próprias.
03:45Então, de alguma maneira, você favorecia a competitividade de uns em detrimento de outros.
03:50Os mais próximos já tinham conseguido alcançar esse patamar.
03:53Os menos alinhados estavam em patamares mais altos.
03:56Ou seja, na hora que é a linha, o que acontece no momento é basicamente isso.
04:01Quem estava pior vai para baixo, quem estava melhor vai para cima, portanto, relativamente é pior para quem antes vinha
04:07numa situação mais favorecida.
04:09Quanto tempo isso vai durar?
04:10Então.
04:11Vai durar?
04:12Dá para acreditar?
04:13Dá para começar a fechar negócio de médio prazo com esses valores?
04:17Mais complexo, né?
04:18E acho que o Brasil, de alguma maneira, ele vinha na situação dos piores, querendo chegar entre os melhores a
04:25partir da conversa, da química, do próximo encontro que eles terão.
04:29No meio disso tudo, com essa padronização, para o Brasil acelera, talvez, um processo que ele já vinha tentando estabelecer,
04:36que é justamente equilibrar um pouquinho essas margens.
04:38E tem que ver também qual é a carta na manga que o Brasil poderá ter para ter essa negociação
04:45ali no cara a cara com o Donald Trump nos próximos dias.
04:49O Brasil, ele tem uma carta na manga muito importante desde o começo, que é nós somos deficitários.
04:55Ao contrário da maioria dos países com quem o Donald Trump tem negociado e todo o argumento dele, é justamente
05:02a questão da balança comercial.
05:03e tentar estabelecer uma relação onde os Estados Unidos vendam mais do que o país para eles, né?
05:09Ou seja, que eles tenham aí, pelo menos, equilíbrio de comércio ou mais venda dos Estados Unidos.
05:13Somos nós.
05:14Já temos essa situação.
05:16Essa é a nossa carta na manga.
05:18Foi permeada o tarifácio, ele chegou lá, foi permeado por uma questão política que nada tinha a ver com o
05:25argumento econômico fundamental.
05:26Aí você fala, bom, mas ele que tinha outros interesses, o Donald Trump, quer entrar e fazer mais acesso à
05:32exploração de terras raras no Brasil.
05:34Pode ser, mas aí dá para sentar na mesa e agora, sem esse, com a carta na manga de sermos
05:39deficitários,
05:41mas de estar todo mundo padronizado, tentem achar um mecanismo do ganha-ganha, na prática é isso.
05:46Isso é uma negociação que poderia ter acontecido antes de tudo isso.
05:50Não me parece que o cenário seja dirigido para uma boa negociação sobre esse tema.
05:55Ele é um tema, tem que ser tratado.
05:57O contexto só deixa todo mundo um pouquinho mais tenso.
06:01Mas tirando isso de concreto, o Brasil está entrando nessa rodada toda aí, tendo sido muito prejudicado sem ter sido
06:10culpado,
06:11e agora entrando na toada toda melhor, estar mais tranquilo para o Brasil sentar e fazer a conversa.
06:19E mais talvez preparado para esse novo cenário, porque teve que se adaptar antes.
06:23Exatamente. Agora, é importante, não é um cenário de estabilidade, dá um alívio.
06:29Qual que é o único alívio dessa história toda?
06:31Que essas incertezas e arbitrariedade na tomada de decisão tarifária, que Donald Trump acabou colocando em prática,
06:40não foi sancionada pela Suprema Corte Americana, não é lei.
06:43Então, é arbitrário porque é arbitrário mesmo, quem estava achando que ele não podia fazer estava correto,
06:48e de alguma maneira isso não está assinado.
06:50Acabou o jogo? De forma alguma, porque é uma visão ainda dele lá, e aí tem que entender como que
06:54a política e a economia norte-americana vão se mover.
06:57Vamos seguir acompanhando.
06:59E acompanhar significa entender que isso provoca estabilidade, volatilidade e muita adaptação para cada um dos países,
07:06para minimizar os efeitos internos sobre isso.
07:09É, muitos capítulos ainda para a gente seguir acompanhando. Obrigada, Mari.
07:12Vamos com um destaque agora do site da CNBC.
07:17Índia adia visita comercial a Washington devido a mudanças na política tarifária dos Estados Unidos.
07:24Uma delegação indiana começaria uma viagem de três dias para a Casa Branca nessa próxima semana,
07:30mas decisão por cancelar o encontro foi tomada depois da Suprema Corte Americana considerar ilegais as tarifas impostas por Trump.
07:39Donald Trump, então, depois da derrota, invocou a sessão 122 da Lei de Comércio de 1974
07:46para impor inicialmente uma tarifa global de importação de 10%, antes de aumentar ontem para 15%.
07:54Uma fonte disse à CNBC que a reunião entre Índia e Estados Unidos vai ser remarcada para uma data conveniente
08:03para os dois lados,
08:04para que cada um tenha tempo de avaliar as implicações dos últimos acontecimentos.
08:09A alíquota dos produtos da Índia que entram nos Estados Unidos estava em 25%.
08:15Para mais notícias como essa, acesse cnbc.com.
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